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pergunta:

"Até quando vamos ter que agüentar a apropriação da idéia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

7.4.17

“SÓ UMA REVOLUÇÃO CULTURAL TEM POTÊNCIA PARA DERRUBAR ESSE PANORAMA POLÍTICO”

ESPECIAL FESTIVAL DE CURITIBA

ZÉ CELSO PROVOCA: "SÓ UMA REVOLUÇÃO CULTURAL TEM POTÊNCIA PARA DERRUBAR ESSE PANORAMA POLÍTICO"

"Esse festival não gosta muito do [Teatro] Oficina": o diretor Zé Celso começou assim sua fala na 26ª edição do Festival de Curitiba, na terça (4/4), no Museu Oscar Niemeyer. Em menos de cinco minutos, também reclamou da movimentação da jovem plateia durante a exibição do filme da peça "O Rei da Vela", que tem três horas de duração. Do alto de seus 80 anos recém-completados, encarou o público, em silêncio, enquanto as pessoas se acomodavam para assistir ao seu discurso. "Que dificuldade essa plateia tem para se acomodar. Estou esperando". Esperou mesmo, até que o último espectador estivesse sentado.

(Foto: Divulgação)

O assunto era o longa-metragem, filmado em 1971 e digitalizado para exibição no ano passado. Renato Borghi, co-fundador do Teatro Oficina, e Noilton Nunes, co-diretor do filme, também estavam presentes. Mas Zé Celso que atraía as atenções – mesmo quando dava foras na plateia. Quando uma fã contou encantada que sua mãe havia assistido à montagem de "O Rei da Vela" nos anos 1970, ele a cortou: "isso é pouco. Quem quer falar sobre o filme?". Quando ela insistiu e disse que o material daria uma ótima série, se fragmentada, ele demonstrou raiva. Não deixou mais que ela falasse. Ficou climão, mas logo apareceu outro fã para rasgar ceda e dizer o que o diretor queria ouvir: filme incrível, que tem que ser desse tamanho mesmo.

"O Rei da Vela" fala do golpe do secretário Abelardo II contra seu rei, Abelardo I. A transgressão do Teatro Oficina com a montagem levou a peça a ser censurada na ditadura. O filme do espetáculo só foi finalizado em 1982, quando Zé Celso voltou do exílio. Temas que dialogam com o panorama político atual, e o diretor chama atenção para isso. "Teve um governador, não lembro o nome, que pagou R$ 20 mil, que era um bocado de dinheiro, para o Oficina não pisar no Paraná. Acabou que sempre tive esse problema com Curitiba. Ainda mais agora, com esse negócio de República de Curitiba", declarou. Ouviu-se mais rangeres de dentes do que risinhos tímidos. Em seguida, criticou universidades "formadoras de juízes de direita".

(Foto: Divulgação)

– Só uma revolução cultural agora tem potência para derrubar esse panorama político. A gente tem que se juntar. A gente precisa fazer um teatro explosivo nesse momento. Quebrar a quarta parede. Houve um retorno dela, e é um atraso. Precisamos superar essa coisa de monólogo e musical enlatado. O teatro tem que se juntar. Monólogo até dá um dinheirinho, mas, se juntar muita gente em uma ressurreição, em um gozo, esse regime cai de podre. O teatro tem uma coisa horrível que é o moralismo. Tenho horror à seriedade do teatro atual. Nesse momento, a gente não precisa disso. Precisa de humor. – proferiu.

No fim, a produção do evento apareceu com um bolo de brigadeiro em comemoração ao aniversário de Zé Celso e Renato. O próprio diretor puxou o cântico de parabéns. O público aderiu com o tradicional "Parabéns Pra Você". Novo esporro. "Não! É outra música! Calem a boca por um instante! Aprendam a ouvir! Essa música é uma merda. Não me façam esse desprazer". Palmas também estavam cortadas. Mas, no fim, deu tudo certo. Na hora de apagar a vela, Zé convocou todo o auditório para inspirar e assoprar junto – como o teatro que acredita.

(Foto: Divulgação)

*O Teatro em Cena viajou a convite da produção do festival.

http://teatroemcena.com.br/home/ze-celso-provoca-so-uma-revolucao-cultural-tem-potencia-para-derrubar-esse-panorama-politico/



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Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz