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"Até quando vamos ter que agüentar a apropriação da idéia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

31.3.16

Manifestações em todo o país vão combater o golpe nesta quinta-feira

Todos à rua dia 31. Não vai ter Golpe!
Atos estão marcados para as capitais de todo o país


31/mar/2016, 7h53min

Manifestações em todo o país vão combater o golpe nesta quinta-feira

Rodrigo Gomes
Da RBA

Movimentos sociais e centrais sindicais organizadas na Frente Brasil Popular realizam nesta quinta-feira (31) mobilização nacional em defesa da democracia e contra o golpe, a reforma da Previdência e o ajuste fiscal. Eles não pretendem deixar as ruas, independente do resultado do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. "Não vamos reconhecer um eventual governo (Michel) Temer. A 'saída Temer' é um jogo casado dos golpistas", afirmou o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo.

Para o dirigente sindical, um governo de coalizão entre PMDB, PSDB e DEM representa "o pior dos mundos" para os trabalhadores e vai ser enfrentado com amplas mobilizações e paralisações. "Não vamos reconhecer um governo que não tem a legitimidade dos votos do povo. Que só representa ajuste, flexibilização das leis trabalhistas e ataques contra os programas sociais", disse Izzo.

Já no caso da derrota dos defensores do impeachment, o coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Gilmar Mauro ressalta que os movimentos vão pressionar o governo a adotar o programa vencedor das eleições de 2014 e adotar uma agenda econômica de desenvolvimento e distribuição de renda. Dentre as pautas estão as reformas política, tributária e das comunicações, a taxação das grandes fortunas, o fim do ajuste fiscal e a retomada dos programas sociais, que já vêm sendo colocadas pelos movimentos desde o ano passado.

"Evidente que do ponto de vista legal há uma busca do governo em mobilizar 180 votos no Congresso e depois reorganizar o governo. Mas também é preciso ressaltar que a mobilização dos movimentos sociais e centrais foi determinante para evitar retrocessos. Nós não estamos aqui colocando 'tudo bem, vamos lutar contra o golpe'. Nós queremos ser ouvidos por esse governo. E as nossas pautas precisam ser ouvidas", explicou Mauro.

Para o ativista, a população brasileira está passando por um processo intenso de politização nas últimas semanas, demonstrado pelo número de ações em defesa da democracia que vêm ocorrendo em vários pontos do país. "Isso se deve principalmente ao ascenso de ideias fascistas nas mobilizações pró-golpe", ressaltou. Mauro destacou que os movimentos farão vigília em Brasília se houver votação da aceitação da denúncia de impeachment na Câmara, em abril. "Os setores golpistas estão assustados com a reação do povo, por isso têm pressa. Mas nós não vamos parar", emendou.

As mobilizações vão ocorrer em, pelo menos, 56 cidades pelo Brasil e também na Europa. O maior ato será em Brasília, onde estarão as principais lideranças do movimento social e sindical brasileiro e terá participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento é realizado em união pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo. A manifestação terá concentração e apresentações culturais no Estádio Mané Garrincha, às 14h, seguido de marcha pelo Eixo Monumental e Esplanada dos Ministérios.

Em São Paulo, a manifestação vai ocorrer na Praça da Sé, centro da cidade, a partir das 16h. Haverá atividades culturais e ato político. "Onde há 30 anos a população defendeu o direito ao voto direto, agora nós vamos defender a democracia", afirmou Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP).

Classe estudantil

O movimento estudantil também vai participar das mobilizações na capital federal e outras cidades brasileirascom a sua "Jornada Nacional de Lutas da Juventude Brasileira". A ação vem sendo realizada todos os anos, emmarço, para lembrar o golpe de Estado de 1964 e homenagear os líderes estudantis Edson Luís e Honestino Guimarães, assassinados pelos agentes da ditadura. A ação é organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) e Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).

Desde a semana passada, os estudantes têm realizado uma blitz no Congresso Nacional, visitando gabinetes de deputados federais para apresentar os motivos por que a juventude não apoia o impeachment sem base legal.Adesivos com os dizeres "Contra o impeachment, esse parlamentar apoia a democracia" são colados na porta dos gabinetes dos parlamentares que se opõem ao impeachment.

Além disso, os discentes criaram uma campanha para pressionar os parlamentares pela internet. Pelo site mapadademocracia.org.br, qualquer cidadão pode enviar mensagens aos deputados e acompanhar o posicionamento de cada um com relação ao processo de impeachment.

Além das mobilizações de rua, a Frente Brasil Popular está criando comitês em defesa da democracia em várias cidades e na periferia das capitais. No último final de semana, utilizaram carro de som e distribuíram panfletos na zona sul da capital paulista. Ação que deve se repetir em outras regiões nos próximos finais de semana. Na segunda-feira (28), a frente inaugurou um acampamento popular na Praça do Patriarca, região central de São Paulo, onde estão sendo realizados debates e atividades culturais.


Locais de manifestações

ARACAJU

15h – Concentração na Praça General Valadão, depois caminhada até a Orlinha do bairro Industrial, onde às 18h tem ato político cultural

BELÉM

16h – Praça do Operário – Bairro São Brás

https://www.facebook.com/events/992360614177962/

BELO HORIZONTE

17h – Praça da Estação

BRASILIA

14h – Concentração e atrações culturais

Estádio Mané Garrincha

18h – Marcha pelo Eixo Monumental e Esplanada dos Ministérios

CAMPO GRANDE

14h – Concentração na Rua 14 de Julho

19h – Ato político na praça do Rádio

CUIABA

17h30 – Ato na Praça Alencastro

CURITIBA

18h – Praça Santos Andrade

FORTALEZA

15h – Praça da Bandeira

GOIANIA

17h – Caminhada da Praça Cívica até a Praça Universitária

JOÃO PESSOA

18h – Ponte de Cem Réis (Rua Artur Aquiles, 80)

https://www.facebook.com/events/249982185340675/

MACAPÁ

16h – Av. FAB, 86 Praça das Bandeiras

MACEIÓ

14h – Concentração em frente à sede da OAB e caminhada até a Praça dos Martírios, onde acontece ato político/cultural, às 16h00

MANAUS

16h – Praça São Sebastião

NATAL

16h – Av. Bernardo Vieira, 3775

PALMAS

17h – Estação Serente, Aurenty III

PORTO ALEGRE

17h – Esquina Democrática
https://www.facebook.com/events/1534996123468317/

PORTO VELHO

19h – Sindicato dos Urbanitários

RECIFE

15h – Praça do Derby

https://www.facebook.com/events/211983352498502/

RIO DE JANEIRO

12h – Concentração em frente à FIRJAM, depois segue pro ato

16h – Largo da Carioca

https://www.facebook.com/events/997580850320860/

Queremos Chico, Caetano e Gil, em praça pública, pela democracia!

16h – Largo da Carioca

https://www.facebook.com/events/1691589101095014/

SALVADOR

15h – Caminhada da Praça da Piedade ao Campo da Pólvora, todos vestidos de branco e flores no monumento aos perseguidos pela ditadura.

SÃO LUIS

18h – Avenida Litorânea

SÃO PAULO

16h – Praça da Sé

https://www.facebook.com/events/1695214090691495/

TERESINA

16h – Cruzamento das Avenidas Serafim com Coelho Rezende

Depois tem vigília na Igreja São Sebastião

VITÓRIA

18h – Assembleia Legislativa do ES

Avenida Américo Buaiz, 205

https://www.facebook.com/events/692828940859428/
ATOS NAS CIDADES DO INTERIOR

ILHEUS – BA

09h – Praça da Catedral de Ilhéus

PELOTAS – RS

17h – Em frente à sede da Prefeitura de Pelotas

https://www.facebook.com/events/261219420875768/

SANT'ANA DO LIVRAMENTO – RS

18h – Parque Internacional

https://www.facebook.com/events/933147553473427/

ERECHIM – RS

18h – Praça Prefeito Jayme Lago

https://www.facebook.com/events/1529435397358228/

IJUÍ – RS

18h – Praça da República

PASSO FUNDO – RS

17h – Praça Teixeirinha

RIO GRANDE – RS

17h – Praça Coronel Pedro Osório

SANTA MARIA – RS

17h – Largo Dr. Pio

SANTA ROSA – RS

18h – Praça da Bandeira

TRÊS PASSOS – RS

18h – Praça Reneu Mertz

BARRA MANSA – RJ

17h – Corredor Cultural

BALSAS – MA

18h – Avenida Litorânea

SOBRAL – CE

16h – Arco

JUIZ DE FORA – MG

17H – Ato na Curca do Lacet

MONTES CLAROS – MG

19h – Praça da Matriz

POÇOS DE CALDAS –MG

19h – Urca

SÃO LOURENÇO – MG

18h – Praça do Brasil

VARGINHA – MG

17h – Praça do ET

MARABÁ – PA

18h – Auditório do Campus I da UNIFESSPA

CARAUARU – PE

16h – Av. Rui Barbosa em frente ao prédio do INSS

FLORESTA – PE

7h30 – Sindicato dos Trabalhadores Rurais

TABIRA – PE

17h – Sindicato dos Trabalhadores Rurais

FOZ DO IGUAÇU – PR

Bosque Guarani – em frente ao TTU

MARINGÁ – PR

17h – Praça Raposo Tavares

MOSSORÓ – RN

16h – Em frente a Igreja São João

JI-PARANÁ – RO

17h – Praça da Matriz
ATOS NO MUNDO

PARIS – FRANÇA

19h – Maison de l´Amérique latine

https://www.facebook.com/events/1649103942019535/

BERLIN – ALEMANHA

19h – Pariser Platz

https://www.facebook.com/events/1794707547415247/

MUNIQUE – ALEMANHA

14h – Consulado Geral do Brasil em Munique

https://www.facebook.com/events/1705901246331484/

LONDRES – INGLATERRA

17h30 – 14-16 Cockspur St, London SW1Y 5BL

https://www.facebook.com/events/347223575402116/

COIMBRA – PORTUGAL

Ato em defesa da democracia – estudantes da graduação, mestrado e doutorado da Universidade de Coimbra

12h – Praça Dom Dinis

https://www.facebook.com/events/1733795590223510/

BARCELONA – ESPANHA

18h – Praca de Sant Jaume

https://www.facebook.com/events/954267841323084/

SANTIAGO – CHILE

17h – Palacio Errázuriz (embaixada do Brasil no Chile)

Avenida Libertador Bernardo O'Higgins (Alameda), n.º 1656.

https://www.facebook.com/events/862704053852633/

CALIFORNIA – SAN FRANCISCO

17h – Union Square

CIDADE DO MEXICO – MEXICO

17h30 – Fuente en Frente del Centro Cultural Brasil México – San Francisco 1220 Col Del Valle Centro – Metrobús Ciudad de los Deportes

https://www.facebook.com/events/1036349339760008/

Em GENEBRA, na SUÍÇA, o ato será no dia 2, sábado, às 10h, na Praça das Nações

Em MADRID, na ESPANHA, será no dia 3, domingo, às 17h, na Puerta del Sol

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Cezar Britto, ex-presidente do Conselho Federal da OAB

Discurso Cezar Britto, ex-presidente do Conselho Federal da OAB, contra o golpe, em reunião do Conselho Federal da OAB:

30.3.16

Os três anos de Francisco


Os três anos de Francisco


Maria Clara Bingemer


Faz três anos que a fumaça branca subiu na chaminé do Vaticano e a multidão que aguardava se rejubilou. Três anos que a figura simpatico, vestida de branco e sem nenhum adereço, apareceu no balcão após o anúncio de que a Igreja tinha um Papa. Há três anos todos escutamos a impecável teologia de quem se apresentava como bispo de Roma, igreja que preside todas as outras na caridade. E que jocosamente dizia vir do "fim do mundo". Três anos que o mundo se deslumbrou com a humildade de quem, em lugar da bênção que todos esperavam, inclinou a cabeça e pediu uma oração.

Nesses três anos de pontificado, o Papa Francisco tem feito um caminho renovador, inovador e decidido. Como era de se esperar, amado por muitos e não tão querido por outros. Porém, a marca de seu pontificado está aí, presente e inspiradora, com conquistas inegáveis. É necessário não perder de vista. Uma delas é sua teologia. Sim, o Papa Francisco tem uma teologia que preside seu agir e seus discursos. E, embora não seja um acadêmico, esta teologia é sólida e configura o seu modo de agir enquanto bispo de Roma.

A teologia do Papa vem de duas principais fontes: os Exercícios Espirituais de Santo Inácio – em cuja escola foi formado enquanto jesuíta - e a Teologia do Povo (Teologia del Pueblo), que aprendeu e viveu durante seu ministério como bispo e arcebispo de Buenos Aires, nos bairros pobres, as villas misérias, com padres e agentes de pastoral que ali davam o melhor de si para que todos tivessem mais vida.

Dessas duas fontes podemos apontar alguns pontos centrais do que seria a teologia do Papa Francisco, ou seja, sua maneira e estilo de pensar a fé e propô-la aos fiéis de Roma, de quem é pastor ordinário e também urbi et orbi, como chefe da Igreja Católica.

Da primeira – os Exercícios Espirituais- podemos destacar a centralidade da pessoa de Jesus Cristo, não somente proposto com a palavra, mas com a vida. O Papa busca atuar exatamente como o faria Jesus: aproximando-se das pessoas, tocando suas feridas, consolando, não julgando, mas amando. Quem passou pela experiência dos Exercícios de Santo Inácio sabe quanta importância dá o santo a esta contemplação próxima e afetiva da pessoa de Jesus, a fim de que o exercitante seja totalmente configurado por ela e se converta assim em outro Cristo. Podemos dizer, sem medo, que a teologia do Papa gira inteiramente ao redor de Jesus Cristo e seu Evangelho, do qual se autocompreende como mensageiro na alegria. E uma teologia cristocêntrica.

Além disso, está sua compreensão da vida cristã como fundamentalmente missionária. A espiritualidade inaciana é eminentemente apostólica e missionária, tendo como modelo e inspiração Jesus e o colégio apostólico, enviados e conduzidos pelo Espírito a anunciar a boa notícia do Reino de Deus. Nessa chave se devem entender alguns convites que recebeu para vistar "uma igreja em saída", um "hospital de campanha" etc. Assim também algumas de suas palavras de ordem: "Quero movimento", dirigindo-se a sacerdotes ou leigos, e animando-os a sair da zona de conforto e ir ao encontro das pessoas.

A teologia do Papa é marcada pela missão que começa no seio da Trindade com o envio do Filho e prossegue hoje com os cristãos chamados a encarnar-se inteiramente entre os pobres e necessitados de toda espécie. É, pois, uma teologia missionária.

Da experiência nas periferias marginalizadas de sua arquidiocese e da teologia do povo, destacaríamos a mística da alegria de ser povo. Aí se encontram e cruzam os Exercícios Espirituais com a teologia do povo, para configurar a teologia de Francisco. Quando fala do gozo e da alegria do Evangelho, Francisco está tratando de transmitir que o encontro com o Senhor nos rostos do povo fiel é a fonte de consolação espiritual de todo batizado, de todo cristão. Aí na comunidade eclesial, no povo santo de Deus, o cristão é chamado a encontrar-se com seu Senhor e servi-lo nos outros. Aí este mesmo Senhor se lhe revelara produzindo a verdadeira alegria, gratuita e abundante, que brota de sua espiritualidade mais profunda. É uma teologia ancorada no povo de Deus e sua mística.

A questão dos pobres e do povo como mestres e lugar iniludível de pertença e espiritualidade é outro traço de sua teologia. Segundo o Papa e por experiência própria, os pobres são mestres espirituais daqueles que os servem. Por sua simplicidade, sua esperança contra toda dor e sofrimento, sua abertura a Deus e aos outros em solidariedade ativa, os pobres desenvolvem uma verdadeira mística que só pode adquirir-se e aprender por contágio, estando imerso no meio deles, servindo-os, crendo com eles e amando-os na alegria do Evangelho.

Assim, discípulos desta teologia papal, encontramo-nos todos no umbral da entrada de Jesus em Jerusalém. Possa a teologia de Francisco ajudar-nos a segui-lo sem vaidade diante das aclamações da multidão e assumir sem medo sua via sacra. E não nos esqueçamos de agradecer a Deus que nos deu um Papa segundo seu coração. Que possamos aprender de sua teologia e traduzi-la em vida plena e abundante para todos.

Maria Clara Bingemer
é teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio. É autora de diversos livros, entre eles, ¿Un rostro para Dios?, de 2008, e A globalização e os jesuítas, de 2007. Escreveu também vários artigos no campo da Teologia

http://www.domtotal.com/colunas/detalhes.php?artId=5803



Prisão de Jesus (Lc 22,39-53)

Prisão de Jesus (Lc 22,39-53) 


Ildo Bohn Gass


Enquanto estava em Jerusalém, Jesus passava o dia ensinando no templo e pernoitava no monte chamado das Oliveiras (Lc 21,37). Depois de celebrar a ceia com os doze, nosso texto começa dizendo que, como de costume, foi para o monte das Oliveiras (Lc 22,39). Só que agora, Judas Iscariotes conhecia o lugar onde Jesus passava a noite com seu grupo. E Jesus sabia que Judas deixara se subornar pelos sumos sacerdotes e que estava fazendo o jogo deles para o entregar. Nesta, que é a sua noite derradeira, ele está diante de duas opções, uma vez que está iminente a possibilidade de ser capturado pela cúpula do templo, sumos sacerdotes e anciãos, amparada pelos comandantes da guarda do templo (Lc 22,52). João lembra que também um batalhão romano reforçava o aparato repressivo (Jo 18,3). Jesus ainda tinha tempo de desistir do projeto do Pai e tentar salvar a sua própria pele. E esta foi sua última tentação: Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice (Lc 22,42a). No entanto, ele decidiu ser fiel até o fim: contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua (Lc 22,42b), mesmo que essa opção lhe custasse a vida.

Na primeira parte da narrativa (Lc 22,39-46), encontramos Jesus resistindo contra sua última tentação. E resistiu sozinho, pois nem recebeu o apoio de seus discípulos, que dormiram em vez de orar com ele, apesar de sua insistência (Lc 22,40.46). E era preciso muita força para vencer a tentação de não ser fiel à missão para a qual o Espírito do Senhor o havia ungido (Cf. Lc 4,18-19). Então, solitário e com profunda angústia humana, Jesus busca na comunhão com o Pai, na oração, as forças para perseverar até o fim e, apesar de uma situação tão extrema, revelar em suas atitudes o agir do próprio Pai (Lc 22,41.44.45).

Na segunda parte (Lc 22,47-53), uma vez vencida a tentação de desistir, temos o relato da covarde prisão de Jesus pelas autoridades do templo à noite, para que o povo nada percebesse (Lc 22,2; 20,19). Judas, com a saudação usual entre amigos, traiu seu mestre com um beijo, identificando quem deveria ser preso. Os discípulos reagem com violência. Jesus, no entanto, recusa a violência e, para além disso, ainda cura o ferimento na orelha do servo do sumo sacerdote (Lc 22,50-51). Assim, Jesus mesmo dá o exemplo de amor aos inimigos, de fazer o bem aos que vos odeiam, de falar bem dos que falam mal de vós e de orar por aqueles que vos caluniam (Lc 6,27-28). Jesus também desmascara a covardia das autoridades. Se ele fazia o confronto abertamente no templo, anunciando a verdade do Evangelho, anciãos, a elite econômica, e sumos sacerdotes, a elite religiosa, entretanto, fugiam das verdades do Reino para prendê-lo com espadas e paus às escondidas como se fosse um bandido (Lc 22,52-53). Naquele tempo e ainda hoje, esse é o comportamento hipócrita de quem está no poder, fazendo tudo para garantir seus privilégios, sejam religiosos, políticos ou econômicos. Eles acusam de hereges, terroristas, desordeiros e vagabundos a quem luta por justiça e vida digna para todas as pessoas.

Para perseverar na fidelidade a Jesus e a seu projeto, além da força da comunidade que celebra a partilha ao redor da mesa, é fundamental uma vivência pessoal de oração, de íntima comunhão com o Espírito de Deus, a fim de não cairmos na mesma tentação de Pedro: 'Mulher, eu nem o conheço!' 'Não, homem, eu não!' 'Homem, não sei de que estás falando!' (Lc 22,57-60). E quando cedemos diante das tentações, importa ter a mesma atitude de Pedro, isto é, reconhecer a queda e mudar de vida (Lc 22,61-62).


*Por Ildo Bohn Gass, biblista e autor de diversos livros pelo CEBI, entre eles Quatro retratos do apóstolo Paulo e Satanás e os demônios na Bíblia 



Bem viver - perspectivas de uma utopia concreta

Bem viver - perspectivas de uma utopia concreta

Informações e inscrições: fepoliticaetrabalho@gmail.com




Programa bonito desta quarta!

Noventa anos do autor dos Estatutos do Homem. Thiago de Mello.

Programa bonito desta quarta!

Escuta, clicando no linque: https://www.mixcloud.com/C…/cantos-do-sul-da-terra-30032016/

Cantos do Sul da Terrade segunda a sexta, a partir da uma da tarde na FM Cultura - 107.7 (www.fmcultura.com.br).

29.3.16

Guia rápido para explicar a seus amigos/as...

Guia rápido para explicar a seus amigos/as por que o impeachment de Dilma seria um golpe

28 de março de 2016

De fato, impeachment não é, necessariamente, golpe. Mas, o fato do estatuto do Impeachment ser previsto pela Constituição Federal não quer dizer que ele possa ser aplicado de qualquer jeito. O Impeachment de Dilma, tal como está sendo encaminhado, seria golpe por uma série de motivos. Confira um passo a passo didático de quais são eles

Por Vinicius Wu

Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

O debate está posto. Os esforços de alguns dos maiores apoiadores do impeachment e de setores da grande mídia para sustentar que o impeachment é um dispositivo constitucional legítimo e não fere a legalidade democrática não deixam dúvidas: a narrativa a respeito do impeachment está em disputa. Ninguém discute com fantasmas. A pecha de golpista incomoda e a questão está colocada. Foi golpe ou não? Eis o debate que vai organizar a disputa política no país após um eventual impedimento da Presidente Dilma.

De fato, impeachment não é, necessariamente, golpe. Mas, o fato do estatuto do Impeachment ser previsto pela Constituição Federal não quer dizer que ele possa ser aplicado de qualquer jeito. O Impeachment de Dilma, tal como está sendo encaminhado, seria golpe pelos seguintes motivos:

  1. POR QUE o Brasil não possui um sistema parlamentarista: não vivemos numa republica parlamentarista, na qual o Congresso poderia votar uma moção de desconfiança e levar o chefe de governo a convocar novas eleições. Num sistema presidencialista, para haver impeachment é preciso a existência de um fato determinado, ou seja, que o Presidente esteja diretamente envolvido em ato ilícito, o que não é o caso de Dilma. Impopularidade, crise econômica, discordância com o estilo de governar não são suficientes para afastar um Presidente eleito democraticamente pela maioria da população. Se a simples existência de uma crise política ou econômica bastassem para afastar um Presidente, então, nenhum dos últimos Presidentes brasileiros teria completado seus mandatos. Todos enfrentaram crises econômicas ou políticas ao longo de seus governos;
  2. POR QUE pedaladas fiscais não são suficientes para fundamentar o pedido de Impeachment: o pedido de afastamento da Presidente Dilma, que será votado nas próximas semanas pela Câmara dos Deputados, apresenta como motivação de um eventual crime de responsabilidade da Presidente a aplicação das chamadas pedaladas fiscais. Esse nada mais é do que um expediente contábil que, inclusive, vem sendo utilizado por vários governadores. Todos eles deveriam, então, ser impedidos caso a Câmara aprove o Impeachment de Dilma o que, obviamente, não ocorrerá. Portanto, o processo que Dilma enfrenta no Congresso não está acusando a Presidente de nenhum esquema de corrupção e nada tem a ver com a operação Lava Jato. Um artificio foi utilizado para a abertura do processo na Câmara e, caso seja aprovado o Impeachment, ele não terá nenhuma relação com os casos de corrupção na Petrobrás.
  3. POR QUE a oposição jamais aceitou o resultado das urnas e sabota o país desde 2014: a oposição passou, desde o dia posterior à vitória de Dilma, a construir um ambiente de crise permanente e em momento algum aceitou o resultado das urnas. Adotou uma postura claramente golpista ao questionar, de todas as formas, a vitória da presidente eleita. Chegaram até mesmo à ridícula situação de questionar a lisura das urnas eletrônicas – as mesmas que são usadas para eleger governadores tucanos há vinte anos em São Paulo e que já estavam presentes nas eleições de FHC à presidência da República. Nenhum país democrático sério pode conviver com esse tipo de postura de uma oposição obcecada por retomar o poder a todo custo, prejudicando o funcionamento das instituições e trabalhando, incansavelmente, para paralisar o governo e o país;
  4. POR QUE o atual processo de impeachment começou como um ato de retaliação do Presidente da Câmara: ou seja, um parlamentar investigado e denunciado por corrupção, utilizando-se do terceiro posto mais importante da República, abre um processo de impeachment, logo após o partido do governo votar a favor de investigações a respeito de suas atividades ilícitas. O fato do Presidente da Câmara possuir a prerrogativa de aceitar o pedido de Impeachment não anula o fato de que todo o processo passou a ter sua legitimidade abalada por esse episódio. Para se livrar de uma eventual cassação, o Presidente da Câmara resolveu "jogar no ventilador", para sair do foco das investigações e da cobertura da grande mídia. E conseguiu.
  5. POR QUE estamos diante um evidente aparelhamento de algumas instâncias do Ministério Público e do Judiciário – com apoio da grande mídia – comprometendo a isenção da justiça: em articulação com a grande mídia, agentes públicos – que deviam ter uma postura de neutralidade e isenção – tem demonstrado clara predileção por evidenciar apenas denúncias que envolvem o PT e apoiadores do governo. Sempre que as denúncias atingem setores da oposição são arrefecidas, relativizadas ou, simplesmente, omitidas. Isso fere preceitos constitucionais básicos, ilude a população e fere, profundamente, a legitimidade da própria operação Lava Jato.

Por esses e outros motivos que um número cada vez maior de juristas, intelectuais, artistas e representantes da sociedade civil estão denunciando a falta de legitimidade e a ilegalidade do processo de Impeachment contra a presidente Dilma. Da forma como está colocado, o Impeachment é, sim, um golpe contra a democracia.

As denúncias de corrupção devem ser apuradas, independente da filiação partidária dos envolvidos e os responsáveis punidos. A lei deve valer para todos sem distinção. Operações policiais devem ter isenção e respeitar a Constituição Federal. O Brasil precisa rever, por inteiro, seu sistema político, que favorece a corrupção ao permitir o financiamento de campanhas eleitorais por empresas.

E, acima de tudo, independente do juízo que façamos do atual governo, precisamos defender a democracia, conquistada com o sacrifício de milhares de brasileiros e brasileiras nas últimas décadas.

Golpes não constroem sociedades melhores, não resolvem os problemas enfrentados por um país e o que é pior: podem gerar uma situação de descontrole, aumento do conflito social e desrespeito sistemático às regras do jogo democrático. A democracia brasileira é um patrimônio do povo brasileiro e é hora de defende-la para além de diferenças conjunturais.

Foto: Wilson Dias / Agência Brasil





PMDB: de onde vens, para onde vais?

PMDB: de onde vens, para onde vais?

27 de março de 2016

O PMDB de tantas tradições não pode embarcar nessa aventura desestabilizadora de um governo, porque é injusta e porque desestabilizará o país. Ele sabe que a sociedade que lutou pela democracia não vai aceitar que por razões forjadas ela seja golpeada e que quem teve 54 milhões de votos seja afastado da presidência sem razão legítima

Por Haroldo Lima*

tancredo

No princípio foi MDB, criado pela ditadura em 1966, para fazer oposição consentida à Arena, o partido do Governo. O povo chamava-os de "partido do sim" e partido do "sim, senhor", pois os achava mais ou menos iguais.

Sem identidade, o MDB teve votação pífia na eleição de 1966. Na de 1970, foi pior, quase acabou, correu o risco de não fazer a representação parlamentar mínima exigida.

Mas, em 1971, sua fisionomia começou a mudar. Um grupo de esquerda, que combatia de verdade a ditadura, organizou-se no interior de sua bancada e passou a se chamar "grupo autêntico". O MDB começou a ter prestígio.

Na eleição de novembro de 1974, o MDB teve um vitória estrepitosa. Elegeu 16 dos 22 senadores. A ditadura estremeceu.

Com medo de outra retumbante vitória do MDB na eleição de 1978, a ditadura baixou, em 1977, o Pacote de Abril, com diversas arbitrariedades e criando os senadores biônicos, previamente aprovados pelo general-ditador.

Mas o MDB, com discurso de centro e de esquerda, já se transformara em um fenômeno eleitoral. A ditadura, na época do general Figueiredo, fez então outra "reforma política", acabando os partidos existentes e estabelecendo normas para a criação de outros, com um detalhe: todos os partidos deveriam ter nomes que começariam com a palavra "partido". O MDB deixaria de existir.

Mas, os líderes do MDB deram uma "rasteira" no governo: puseram a palavra "partido" no início do nome do antigo MDB, respeitando a legislação imposta e salvando a sigla prestigiada. Surgia o PMDB, em 15 de janeiro de 1980.

Pouco antes, em agosto de 1979, ocorrera a anistia, e a turma que saia da cadeia ou voltava do exílio foi fortalecer o PMDB, que assim caminhou mais ainda para a esquerda.

Com nomes históricos do MDB e com os apoios surgidos da anistia, os dirigentes do novo partido nos estados tinham perfil democrata claro, avesso à ditadura. Em São Paulo, Ulysses Guimarães, Franco Montoro e Mario Covas, que fora "autêntico", Aurélio Peres, deputado-operário do PC do B. Na Bahia, Luiz Leal, Francisco Pinto e Elquisson Soares, os dois últimos "autênticos", Waldir Pires, ex-exilado, Rômulo Almeida que saia do ostracismo, e eu, que saíra da cadeia. Em Pernambuco, Miguel Arraes, que viera do exílio, Fernando Lira, Jarbas Vasconcelos, Marcos Freire, todos "autênticos". Em Goiás, Iris Resende e Aldo Arantes, que saíra da cadeia. No Paraná, Roberto Requião e Alencar Furtado, este, "autêntico". No Rio Grande do Sul, Pedro Simon. Em Minas Gerais, Itamar Franco. No Ceará, Paes de Andrade, "autentico".No Rio de Janeiro, Nelson Carneiro, Lysâneas Maciel, JG de Araújo Jorge, esses dois "autênticos". No Maranhão, Freitas Diniz, "autêntico". Em Mato Grosso, Dante de Oliveira. E assim por diante.

O PMDB continuava a história do MDB, sendo desaguadouro de correntes progressistas e de esquerda. Quando adentrei pela primeira vez o plenário da Câmara dos Deputados, em 1983, era vice-líder do PMDB, cujo líder era Freitas Nobre, de São Paulo. Foi Ulysses Guimarães quem me colocou nessa posição, a pedido meu e de Chico Pinto, para dar voz aos comunistas.

A luta contra a ditadura continuava, pois a ditadura, embora enfraquecida após a anistia, prosseguia. Era preciso dar-lhe um fim. O PMDB encabeçou a campanha pelas Diretas Já, com grandes comícios, mas rejeitada na Câmara.

Derrotada as Diretas Já, o movimento democrático e popular ficou momentaneamente perplexo. O PT declarou que não ia ao Colégio Eleitoral, que era criação da ditadura. Um grupo organizou o Só Diretas. Parecia ser esse o caminho da esquerda.

Mas não foi. O presidente do PC do B João Amazonas dirigiu-se a Belo Horizonte para conversar com o governador Tancredo Neves. Se este aceitasse ir ao Colégio Eleitoral para derrotar a ditadura e acabar com o Colégio, a esquerda o apoiaria. A esquerda? Sim. João Amazonas, o chefe dos comunistas do Brasil, o homem do Araguaia, que foi a contestação mais audaciosa ao regime militar, falava pela esquerda, objetivamente.

Tancredo renunciou ao governo de Minas. No bojo de grandes comícios pelos estados, recebeu apoio popular amplo. O Só Diretas se dissolveu. Tancredo ganhou no Colégio Eleitoral e terminou com ele. Capitaneou o processo o PMDB, com Ulisses à frente.

Depois vem a morte de Tancredo, o apoio a Sarney, a constituinte de 87/88. Nesta, o PMDB, liderado pelo Senhor Diretas, dirige um processo complexo, assegura voz a trabalhadores, empresários, estudantes, intelectuais, militares, religiosos, homens do campo, negros, índios, cientistas e tudo o mais, e termina por votar uma constituição que tem suas debilidades, mas foi a melhor que conseguimos fazer, a Constituição Cidadã.

O PMDB já não abrigava partidos clandestinos em seu interior. Nós mesmos, do PC do B, já estávamos com nossa legenda à luz do dia. Mas o PMDB continuava com sua aliança com a esquerda, o que viabilizava as soluções mais avançadas para o país.

As coisas caminham e, em 2002, foi eleito presidente da República um líder operário de grande expressão, Lula. Em sua posse, declara luta sem trégua à Fome. E, de fato, no ciclo que se abre com seu governo, o Brasil sai galhardamente do Mapa da Fome da ONU.

Depois dos dois mandatos do Lula e do primeiro da Dilma, esta começa seu segundo governo. O Brasil é atingido pela crise internacional, que desde 2008 se abate sobre o mundo. Sofre também por erros voluntaristas na política econômica do primeiro governo Dilma, pela postura isolacionista da Chefe do Governo e pelos rombos causados por um esquema corrupto de grandes proporções que agia dentro e fora da Petrobras, há muitos anos. O governo, sabendo que a história do PMDB sempre foi a de ajudar no avanço do país, pede apoio para o exercício da governabilidade, no que é atendido.

Mas, de repente, agrupamentos políticos outros, adversários do PMDB em algumas eleições, levantam a ideia de um impeachment da presidenta. A razão seria umas tais "pedaladas" fiscais, que o povo não sabe direito o que foram, mas que foram para socorrer programas sociais, como o Bolsa Família, e que, no passado, foram feitas, sem nenhum problema, por Lula, por FHC, e por governadores de diversos estados.

Paralelamente, em uma campanha inicialmente contra a corrupção, que todos apoiaram, destaca-se um juiz, que depois se revela um político encapuzado, voltado para desestabilizar o governo Dilma e, se possível, prender o Lula. Uma frente midiático-judicial e policial toma corpo e se volta contra o projeto histórico construído com o PMDB e as esquerdas do país.

Aí, uma dúvida assalta os brasileiros: onde ficará o PMDB? O Partido que quase desapareceu quando foi criado, que se tornou forte por causa dos "autênticos" do MDB antigo, do espírito democrático de Ulysses Guimarães, dos grupos de esquerda que se escondiam em sua legenda, das Diretas Já, do Colégio Eleitoral, da Constituinte, da Constituição Cidadã, da luta por um desenvolvimento sustentado, este Partido, ficará desta vez com os golpistas? Marchará com a direita, a extrema-direita e os fascistas? Emparelhado com grupos que pregam nas ruas o retorno dos militares? Deixará seus aliados históricos, os democratas, os estudantes, os artistas, os intelectuais, a Igreja, os setores avançados dos evangélicos?

Não. É difícil acreditar que com os compromissos que brotam de sua história, o PMDB vai na conversa de um Ministro trânsfuga do PT, que, com voz empolada apareceu na Globo dando lições do óbvio, dizendo que impeachment é um procedimento previsto na Constituição, que portanto não é golpe, quando, até as pedras sabem, que o impeachment previsto na Constituição depende de existir crimes de responsabilidade, claros e indiscutíveis, cometidos pela autoridade incriminada, e que, não sendo assim, é golpe sim, torpe e indecente, como este que se quer perpetrar contra a presidenta Dilma.

Não. O PMDB de tantas tradições não pode embarcar nessa aventura desestabilizadora de um governo, porque é injusta e porque desestabilizará o país. Ele sabe que a sociedade que lutou pela democracia não vai aceitar que por razões forjadas ela seja golpeada e que quem teve 54 milhões de votos seja afastado da presidência sem razão legítima.

O Brasil precisa de um entendimento para sair dessa crise política, consolidar suas instituições e avançar para um desenvolvimento sustentável vigoroso, com produção, emprego e renda crescentes. Para tanto é que conta com um partido que tem a história do PMDB.


* Haroldo Lima é membro do Comitê Central do PC do Brasil, foi fundador do PMDB da Bahia e vice-líder da bancada federal do partido em 1983

http://www.revistaforum.com.br/2016/03/27/pmdb-de-onde-vens-para-onde-vais/



Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz