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pergunta:

"Até quando vamos ter que agüentar a apropriação da idéia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

31.3.15

Investigações envolvendo RBS e Gerdau têm “indícios mais fortes de irregularidades”

31/mar/2015, 10h37min

Investigações envolvendo RBS e Gerdau têm "indícios mais fortes de irregularidades", diz jornal

". O esquema de sonegação, segundo as investigações da Operação Zelotes, seria um dos maiores já investigados no país. Os 74 processos investigados na operação envolvem valores que chegam a R$ 19 bilhões. (Foto: Divulgação)

Marco Weissheimer

As investigações envolvendo a RBS e o Grupo Gerdau, no âmbito da Operação Zelotes, apresentam alguns dos indícios mais fortes de irregularidades, afirma matéria publicada nesta terça-feira (31) pelo jornal Folha de São Paulo. Segundo a reportagem, a Polícia Federal identificou fortes indícios de que ao menos 12 empresas negociaram ou pagaram propina para reduzir e, em alguns casos, zerar completamente dívidas com a Receita Federal. Ainda segundo a Folha de S. Paulo, os casos sobre os quais os órgãos investigadores consideram ter indícios mais consistentes envolvem RBS, Gerdau, Cimento Penha, Boston Negócios, J.G. Rodrigues, café Irmãos Júlio, Mundial-Eberle, Ford, Mistubishi, Santander e Safra. As empresas envolvidas na investigação negam qualquer irregularidade.

A Folha de S.Paulo cita o Ministério Público ao afirmar que "até o momento os casos em que há indícios mais fortes de eventuais irregularidades envolvem a RBS e o grupo Gerdau". O esquema de sonegação, segundo as investigações da Operação Zelotes, seria um dos maiores já investigados no país. Os 74 processos investigados na operação envolvem valores que chegam a R$ 19 bilhões. Segundo a Polícia Federal, já foram comprovados prejuízos de cerca de R$ 6 bilhões.

Leia também: RBS e Gerdau entre investigados por suspeita de pagamento de propina e sonegação fiscal

Entre os crimes investigados na Zelotes, estão advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo nota divulgada pelo Ministério da Fazenda, "o esquema envolveria a contratação de empresas de consultoria que, mediante trânsito facilitado junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conseguiam controlar o resultado do julgamento de forma a favorecer o contribuinte autuado. Constatou-se que muitas dessas consultorias tinham como sócios conselheiros ou ex-conselheiros do CARF".

Segundo a Polícia Federal, o grupo que atuava no CARF fazia um levantamento dos grandes processos em curso no conselho, procurava empresas com altos débitos no Fisco e oferecia facilidades, como a anulação de multas. O CARF é um órgão da Fazenda onde contribuintes podem contestar administrativamente tributos e multas aplicadas pela Receita Federal.

Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, os investigadores suspeitam que a RBS teriam efetuado o pagamento de R$ 15 milhões de reais para fazer desaparecer um débito de mais de R$ 150 milhões de reais. No total, diz também a reportagem, as investigações se concentram em débitos da RBS que chegam a R$ 672 milhões. O Grupo Gerdau também é investigado pela suposta tentativa de anular débitos que chegariam a R$ 1,2 bilhão.

O Grupo RBS divulgou nota oficial no sábado dizendo que desconhece a investigação da Operação Zelotes e negando qualquer irregularidade em suas relações com a Receita Federal. "A RBS não foi procurada para fornecer qualquer informação sobre a suposta investigação e confia na atuação das instituições responsáveis pela apuração para o devido esclarecimento dos fatos, que, como sempre, seguirão tendo cobertura normal de nossos veículos", afirma a nota publicada na página institucional do grupo. O Grupo Gerdau também negou qualquer irregularidade no caso.


http://www.sul21.com.br/jornal/investigacoes-envolvendo-rbs-e-gerdau-tem-indicios-mais-fortes-de-irregularidades-diz-jornal/



Vinte filmes sobre a ditadura no Brasil

Vinte filmes sobre a ditadura no Brasil

– 31 DE MARÇO DE 2015

02 (1)

Obras examinam prisões políticas, censura, resistência popular, lutas camponesas e operárias, tortura. No 51º aniversário do golpe, guia para compreender um período sombrio

Por Shellen Galdino, no Plaggiado

Diversos foram mortos, outros tantos torturados, outros tiveram que se exilar. Uma momento que jamais deve se repetir, porém, deve ser lembrada. Embora muitos ainda querem enterrar e não julgar os torturadores, existem diversos que lutam contra a volta deste momento e julgamento dos responsáveis.

Os anos de chumbo passaram por diversos momentos, neste sentido, é válido conferir uma síntese histórica: Cronologia da Ditadura Militar e algumas fotos.

Este período marcou profundamente a história do Brasil, onde parte da comunicação e da mídia apoiaram o golpe exemplo disso é a Folha de São Paulo e a Rede Globo. Assim como as empreiteiras Camargo Côrrea e Odebrecht. Vejam esta reportagem no Brasil de Fato: As quatro irmãs

Em contra partida, quem criticava a ditadura, era censurado, quando não torturado ou morto. Diversos livros proibidos, diversas vozes caladas, diversos filmes proibidos. De todo modo, o cinema brasileiro existem produções consideráveis sobre a temática, principalmente de forma mais recente, com o incentivo do Governo Federal através da Comissão Nacional da Verdade e do Cinema pela Verdade, mas, os filmes ainda são modestos para a necessidade de debater este período.

"É preciso dizer que o que ocorreu comigo não é exceção, é regra. Raros os presos políticos brasileiros que não sofreram torturas. Muitos, como Schael Schneiber e Virgílio Gomes da Silva, morreram na sala de torturas. Outros ficaram surdos, estéreis ou com outros defeitos físicos. As provas das torturas trazemos no corpo". (Frei Tito)

Aqui, segue 20 filmes interessantes para ajudar a compreender nossa história.

TEXTO-MEIO

1. MANHÃ CINZENTA (1968), Olney São Paulo – Em plena vigência do AI-5, o cineasta-militante Olney São Paulo dirigiu este filme, que se passa numa fictícia ditadura latino-americana, onde um casal que participa de uma passeata é preso, torturado e interrogado por um robô, antecipando o que aconteceria com o próprio diretor. A ditadura tirou o filme de circulação, mas uma cópia sobreviveu para mostrar a coragem de Olney São Paulo, que morreu depois de várias sessões de tortura, em 1978.
2. PRA FRENTE, BRASIL (1982), Roberto Farias – Um homem comum volta para casa, mas é confundido com um "subversivo" e submetido a sessões de tortura para confessar seus supostos crimes. Este é um dos primeiros filmes a tratar abertamente da ditadura militar brasileira, sem recorrer a subterfúgios ou aliterações. Reginaldo Faria escreveu o argumento e o irmão, Roberto, assinou o roteiro e a direção do filme, repleto de astros globais, o que ajudou a projetar o trabalho.
 
3. NUNCA FOMOS TÃO FELIZES (1984), Murilo Salles – Rodado no último ano do regime militar, a estreia de Murilo Salles na direção mostra o reencontro entre pai e filho, depois de oito anos. Um passou anos na prisão; o outro vivia num colégio interno. Os anos de ausência e confinamento vão ser colocados à prova num apartamento vazio, onde o filho vai tentar descobrir qual a verdadeira identidade de seu pai. Um dos melhores papéis da carreira de Claudio Marzo.
4. CABRA MARCADO PARA MORRER (1984), Eduardo Coutinho – A história deste filme equivale, de certa forma, à história da própria ditadura militar brasileira. Eduardo Coutinho rodava um documentário sobre a morte de um líder camponês em 1964, quando teve que interromper as filmagens por causa do golpe. Retomou os trabalhos 20 anos depois, pouco antes de cair o regime, mesclando o que já havia registrado com a vida dos personagens duas décadas depois. Obra-prima do documentário mundial.
5. O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (1997), Bruno Barreto – Embora ficcionalize passagens e personagens, a adaptação de Bruno Barreto para o livro de Fernando Gabeira, que narra o sequestro do embaixador americano no Brasil por grupos de esquerda, tem seus méritos. É uma das primeiras produções de grande porte sobre a época da ditadura, tem um elenco de renome que chamou atenção para o episódio e ganhou destaque internacional, sendo inclusive indicado ao Oscar.
 
6. AÇÃO ENTRE AMIGOS (1998), Beto Brant – Beto Brant transforma o reencontro de quatro ex-guerrilheiros, 25 anos após o fim do regime militar, numa reflexão sobre a herança que o golpe de 1964 deixou para os brasileiros. Os quatro amigos, torturados durante a ditadura, descobrem que seu carrasco, o homem que matou a namorada de um deles, ainda está vivo –e decidem partir para um acerto de contas. O lendário pagador de promessas Leonardo Villar faz o torturador.
7. CABRA CEGA (2005), Toni Venturi – Em seu melhor longa de ficção, Toni Venturi faz um retrato dos militantes que viviam confinados à espera do dia em que voltariam à luta armada. Leonardo Medeiros vive um guerrilheiro ferido, que se esconde no apartamento de um amigo, e que tem na personagem de Débora Duboc seu único elo com o mundo externo. Isolado, começa a enxergar inimigos por todos os lados. Belas interpretações da dupla de protagonistas.
8. O ANO EM QUE MEUS PAIS SAIRAM DE FÉRIAS (2006), Cao Hamburger – Cao Hamburger, conhecido por seus trabalhos destinados ao público infantil, usa o olhar de uma criança como fio condutor para este delicado drama sobre os efeitos da ditadura dentro das famílias. Estamos no ano do tricampeonato mundial e o protagonista, um menino de doze anos apaixonado por futebol, é deixado pelos pais, militantes de esquerda, na casa do avô. Enquanto espera a volta deles, o garoto começa a perceber o mundo a sua volta.
9. HOJE (2011), Tata Amaral – Os fantasmas da ditadura protagonizam este filme claustrofóbico de Tata Amaral. Denise Fraga interpreta uma mulher que acaba de comprar um apartamento com o dinheiro de uma indenização judicial. Cíclico, o filme revela aos poucos quem é a protagonista, por que ela recebeu o dinheiro e de onde veio a misteriosa figura que se esconde entre os cômodos daquele apartamento. Denise Fraga surpreende num papel dramático.
10. TATUAGEM (2013), Hilton Lacerda – A estreia do roteirista Hilton Lacerda na direção é um libelo à liberdade e um manifesto anárquico contra a censura. Protagonizado por um grupo teatral do Recife, o filme contrapõe militares e artistas em plena ditadura militar, mas transforma os últimos nos verdadeiros soldados. Os soldados da mudança. Irandhir Santos, grande, interpreta o líder da trupe. Ele cai de amores pelo recruta vivido pelo estreante Jesuíta Barbosa, que fica encantado pelo modo de vida do grupo.
11. BATISMO DE SANGUE (2007) – Apesar do incômodo didatismo do roteiro, o longa é eficiente em contar a história dos frades dominicanos que abriram as portas de seu convento para abrigar o grupo da Aliança Libertadora Nacional (ALN), liderado por Carlos Marighella. Gerando desconfiança, os frades logo passaram a ser alvo da polícia, sofrendo torturas físicas e psicológicas que marcaram a política militar. Bastante cru, o trabalho traz boas atuações do elenco principal e faz um retrato impiedoso do sofrimento gerado pela ditadura.
12. HÉRCULES 56

Na semana da independência de 1969 o embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, foi sequestrado. Em sua troca foi exigida a divulgação de um manifesto revolucionário e a libertação de 15 presos políticos, que representam diversas tendências políticas que se opunham à ditadura militar.

 

13. O DIA QUE DUROU 21 ANOS (2012) – de Camilo tavares, este documentário narra os interiores – desconhecidos pela maior parte da sociedade brasileira – da participação dos Estados Unidos na preparação e execução do golpe militar em 1964, através de documentos sigilosos que ficaram secretos durante anos. Mostra que os Estados Unidos estava decidido a invadir o Brasil para que o golpe tivesse sucesso.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=OWKnNo2jjkw

 

14. DOSSIÊ JANGO (2013), de Paulo Henrique Fontenelle, este documentário traz à tona o conturbado período em que o ex-presidente João Goulart viveu no exílio e as nebulosas circunstâncias de sua morte. Partindo deste fato, o documentário alimenta o debate em torno da necessidade de investigação e de esclarecimento público deste período terrível de nossa História: a era das ditaduras militares latino-americanas.

 

15. ZUZU ANGEL (2006), de Sérgio Rezende, narra o Brasil dos anos 1960. A ditadura militar faz o país mergulhar em um dos momentos mais negros de sua história. Alheia a tudo isto, Zuzu Angel (Patrícia Pillar), uma estilista de modas, fica cada vez mais famosa no Brasil e no exterior. O desfile da sua coleção em Nova York consolidou sua carreira, que estava em ascensão. Paralelamente seu filho, Stuart (Daniel de Oliveira), ingressa na luta armada, que combatia as arbitrariedades dos militares. Resumindo: as diferenças ideológicas entre mãe e filho eram profundas. Ela uma empresária, ele lutando pela revolução socialista e Sônia (Leandra Leal), sua mulher, partilha das mesmas idéias. Numa noite Zuzu recebe uma ligação, dizendo que "Paulo caiu", ou seja, Stuart tinha sido preso pelos militares. As forças armadas negam e Zuzu visita uma prisão militar e nada acha, mas viu que as celas estavam tão bem arrumadas que aquilo só podia ser um teatro de mau gosto, orquestrado pela ditadura. Pouco tempo depois ela recebe uma carta dizendo que Stuart foi torturado até a morte na aeronáutica. Então ela inicia uma batalha aparentemente simples: localizar o corpo do filho e enterrá-lo, mas os militares continuam fazendo seu patético teatro e até "inocentam" Stuart por falta de provas, apesar de já o terem executado. Zuzu vai se tornando uma figura cada vez mais incômoda para a ditadura e ela escreve que não descarta de forma nenhuma a chance de ser morta em um "acidente" ou "assalto".

 

16. EM BUSCA DE IARA (2013), de Flávio Frederico, este documentário relata a trajetória excepcional de Iara Iavelberg. Apesar de ter uma situação financeira confortável, ela decidiu abandonar a família e investir na luta armada durante a ditadura militar. Iara teve uma relação amorosa com o capitão Carlos Lamarca, e morreu em 1971, aos 27 anos de idade.

 

17. CONDOR (2007), de Roberto Mader, trata sobre a operação de mesmo nome. Condor foi o nome dado à cooperação entre governos militares sul-americanos que resultou no sequestro e assassinato de milhares de pessoas e no exílio de tantas outras. Uma análise contemporânea destes eventos, trazendo uma história de terrorismo de estado mas também de pessoas e da procura pela verdade e justiça.
Link: https://www.youtube.com/watch?v=HhTjM1dj4e8

18. DEMOCRACIA EM PRETO E BRANCO (2014), de Pedro Asbeg, narra o principalmente o ano de 1982. A ditadura militar completava dezoito anos de opressão e censura, a MPB sobrevivia de metáforas e o Corinthians era dominado pelo mesmo presidente em um período igualmente longo. Foi neste contexto de política, futebol, rock que foram vividos alguns dos mais importantes momentos recentes de nosso país. É sobre esse período de sonhos, conquistas, utopias e desilusões que trata "Democracia em Preto e Branco".

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=ycseTWznp74

 

19. CIDADÃO BOILESEN (2009), de Chaim Litewski, conta como o empresariado financiou a Operação Bandeirante (OBAN), principal órgão de repressão da ditadura militar brasileira. Através da surpreendente vida do ex-presidente da Ultragaz, Henning Boilesen, assassinado pela guerrilha em 1971, o documentário revela a ligação política e econômica entre civis e militares no combate à luta armada. Com dezenas de entrevistados, vasto material iconográfico e inéditos documentos até então secretos. Cidadão Boilesen discute o período mais brutal da recente história brasileira.
20. ELES NÃO USAM BLACK-TIE (1984), de Leon Hirszman. Em São Paulo, em 1980, o jovem operário Tião e sua namorada Maria decidem casar-se ao saber que a moça está grávida. Ao mesmo tempo, eclode um movimento grevista que divide a categoria metalúrgica. Preocupado com o casamento e temendo perder o emprego, Tião fura a greve, entrando em conflito com o pai, Otávio, um velho militante sindical que passou três anos na cadeia durante o regime militar.




CASO RBS É UM DOS MAIS GRAVES DA OPERAÇÃO ZELOTES

CASO RBS É UM DOS MAIS GRAVES DA OPERAÇÃO ZELOTES

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Segundo o Ministério Público, rede de comunicação presidida por Eduardo Sirotsky está, ao lado do grupo Gerdau, entre os casos que há indícios mais fortes de eventuais irregularidades na Receita Federal; os 74 processos abertos na operação Zelotes somam R$ 19 bilhões; segundo a PF, "já foram, efetivamente, identificados prejuízos de quase R$ 6 bilhões"; RBS teria pago R$ 15 milhões para eliminar dívida de R$ 150 milhões

31 DE MARÇO DE 2015 ÀS 06:47

247 – O grupo RBS, presidido por Eduardo Sirotsky está, ao lado do grupo Gerdau, entre os casos que há indícios mais fortes de eventuais irregularidades na Receita Federal. É o que aponta o Ministério Público no âmbito da operação Zelotes, segundo reportagem de Natuza Nery.

Até agora, a Polícia Federal acredita que ao menos 12 empresas negociaram ou pagaram propina para reduzir débitos com a Receita. Os 74 processos abertos na operação somam R$ 19 bilhões. Segundo a PF, "já foram, efetivamente, identificados prejuízos de quase R$ 6 bilhões".

A quadrilha fazia um "levantamento" dos grandes processos no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), procurava empresas com altos débitos junto ao Fisco e oferecia "facilidades", como anulação de multas. O esquema teria sido iniciado em 2005, mas começou a ser investigado pela PF em 2013.


http://www.brasil247.com/pt/247/rs247/175229/Caso-RBS-%C3%A9-um-dos-mais-graves-da-Opera%C3%A7%C3%A3o-Zelotes.htm



Amor líquido enquanto agonizo

 31/mar/2015, 8h29min

Amor líquido enquanto agonizo

Por Tarso Genro

Quero compartilhar com vocês o pensamento de dois grandes intelectuais humanistas. O primeiro, o pensamento de um homem de esquerda, Zygmunt Bauman, sobre a "fragilidade dos laços humanos". O segundo, de William Faulkner, um grande escritor humanista que, como é sabido, não precisou ser necessariamente de esquerda, para ser grande. O pensamento de Faulkner busquei no seu romance, "Enquanto agonizo", para mim um dos melhores, senão o melhor da sua vasta produção literária. O pensamento de Bauman, trago do seu grandioso "Amor Líquido", provavelmente o livro que melhor condensa sua límpida visão sobre a vida baseada no consumismo e na descartabilidade, nesta etapa ainda mais violenta e desumana do sistema-mundo do capital.

Baumann, discutindo a fragilidade dos laços humanos -ressecados pela religião do mercado, em detrimento do ideal humanista da dignidade humana- lembra uma resposta dada por Madeleine Albright, então Embaixadora dos Estados Unidos na ONU, numa entrevista à CBS. Questionada sobre as quinhentas mil crianças mortas, no Iraque, em decorrência do continuado bloqueio militar imposto pelos EEUU, a Sra. Albright não nega o número de mortes nem o fato. Mas diz: "Achamos que era um preço que valia a pena ser pago."

Quase ao final do romance "Enquanto agonizo", o personagem Cash, de Faulkner, no fim da longa viagem em que uma família carrega o caixão com o corpo da mãe, para ser sepultada numa cidade distante, pensando sobre a sanidade ou insanidade das pessoas, conclui: "Não importa muito a maneira como um homem age, e sim a maneira como a maioria das pessoas olha-o enquanto ele age."

A advertência do personagem de Faulkner dá fundamento à resposta de Madeleine Albright que, de resto, representava a posição de um Governo, mais propriamente de um Estado e, muito provavelmente, da maioria dos cidadãos americanos. A maneira pela qual a maioria do ocidente "olhava" o bloqueio ao Iraque justificava, aos olhos da Embaixadora, a contabilidade necrófila sobre o "preço": a vida de 500 mil crianças!

A maneira como "a pessoa age", contrastada com a forma que "as pessoas veem", encerra todo o dilema moral da política republicana. Porque a "forma" de ver aquilo que é feito pelas pessoas -em funções de estado ou a "forma" de ver como as pessoas se comportam na vida comum- é o que compõe a memória social. Como tal, a seguir, esta memória tende a tornar-se a base da moralidade pública e integrar-se no comportamento coletivo.

O como é "feito" e o como é "visto", integram-se e formam o que se convencionou chamar de "moralidade média". Esta moralidade média, tanto pode resultar em apoio a linchamentos, por exemplo, como pode resultar no "não sabia", sobre os campos de concentração na época do nazismo, ou na indignação contra a guerra do Viet-Nam, como ocorreu na década de 60.

Se eu considero que a vida de 500 mil pessoas-especialmente crianças sobre as quais não pode recair nenhum tipo de responsabilidade histórica sobre conflitos- pode ser "precificada", a vida de cada uma delas adquire um determinado "valor" monetário, do qual pode ser deduzido um "preço". E a importância única, de cada vida singular, pode tornar-se -neste processo- relevante ou irrelevante, a partir de critérios puramente econômicos. A este raciocínio podem ser opostas duas objeções de fundo: uma objeção de caráter quantitativo, outra de caráter qualitativo, ambas desnudando a ideologia fascista, meramente "técnica", por assim dizer, da posição da Embaixadora e do seu Governo.

Argumento quantitativo: quando argumento que, com a morte de quinhentas mil crianças no Iraque, evito a morte de 550 mil crianças em outro lugar do mundo (que supostamente ocorreria sem o bloqueio) estou externando apenas uma "pretensão", que jamais poderei provar seus efeitos reais; portanto, só estou externando uma "hipótese" e testando-a, com a morte certa de 500 mil crianças. Argumento qualitativo: as pessoas não podem ser escravizadas, porque não são "coisas", muito menos podem ser consideradas intercambiáveis, porque não podem ser "precificadas", não só na sua singularidade, como também enquanto gênero; assim, as 500 mil crianças representam o gênero humano, não porque são um grupo de quinhentas mil, mas porque cada unidade, cada uma delas, é um pedaço da humanidade.

Neste tempo em que aparecem indignados para todos os gostos e de todas as ideologias é de estranhar que os grandes meios de comunicação, sempre tão solícitos com as indignações ao gosto das suas ideologias "liberais", não deem importância a milhares de fatos similares a estes, abordando o "ponto de vista" das crianças com fome e medo, nos territórios da austeridade.

Tarso Genro foi governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil.

http://www.sul21.com.br/jornal/amor-liquido-enquanto-agonizo/




30.3.15

CIRO GOMES CRIA PÁGINA NO FACEBOOK: “EU EXIJO A RENÚNCIA DO EDUARDO CUNHA”

 22/03/2015

CIRO GOMES CRIA PÁGINA NO FACEBOOK: "EU EXIJO A RENÚNCIA DO EDUARDO CUNHA"

CiroCid

"Se o Cid saiu por falar a verdade, então como pode alguém envolvido no escândalo da Lava Jato presidir a Câmara dos Deputados do Brasil ?"

Ciro Gomes, irmão mais velho do ex-ministro da Educação, Cid Gomes, compartilhou no seuperfil pessoal no Facebook uma página que exige a renúncia do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).

A página foi criada logo após Cid ter entregado o cargo à presidente Dilma Rousseff. Cid está descansando em Fortaleza. Não tem aparecido em público e evita a imprensa.

"Se o Cid saiu por falar a verdade, então como pode alguém envolvido no escândalo da Lava Jato presidir a Câmara dos Deputados do Brasil ?", informa uma descrição curta sobre a página. Na última postagem, o gerenciador pede que compartilhem. "Já conseguimos três mil membros em menos de dois dias. Mas a página precisa atingir pelo menos 50 mil membros", conclama.

(DCM)

http://br29.com.br/ciro-gomes-cria-pagina-no-facebook-eu-exijo-a-renuncia-do-eduardo-cunha/




Misa Criolla, o cristianismo latino na sonoridade do Sul da Terra

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Segunda, 30 de março de 2015

Misa Criolla, o cristianismo latino na sonoridade do Sul da Terra

O músico e radialista Demétrio Xavier apresentou a obra de Ariel Ramirez e Félix Luna, descrevendo os processos culturais que atravessam a composição.

No ano em que a composição da Misa Criolla criada por Ariel Ramirez e Félix Luna completou 50 anos, o filho de um dos autores da obra, Facundo Ramirez, e Patricia Sosa, a convite do Papa Francisco, executaram e interpretaram as canções, em dezembro de 2014, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. O tema musical foi debatido na quinta-feira, 26-03-2015, no Instituto Humanitas Unisinos – IHU, que recebeu o músico e radialista da FM Cultura Demétrio de Freitas Xavier para a audição comentada desta importante e característica obra musical do Sul do continente Americano e dos povos andinos. O evento integrou a programação da 12ª edição de Páscoa do IHU - Ética, Mística, Transcendência.

Foto: Ricardo Machado

Criação

Antes de debater as canções, Demétrio, com seu peculiar sotaque sulista – habla como un gaucho – trouxe um pouco do contexto em que a composição musical da Misa Criolla foi composta. "A misa foi feita em 1964, mas estreia em 1967, em Dusseldorf, curiosamente na data de morte de Anne Frank. Mas qual a relação entre as duas coisas? Ariel Ramirez teve a primeira inspiração para a composição em 1950, quando residia em Wolfsburg, na Alemanha, e duas freiras muito amigas dele lhe contaram que em frente à casa que residia havia um campo de concentração nazista", conta o conferencista.

Na sequência, Demétrio lê o que Ariel teria dito ao compor a misa. "Ao finalizar o relato de minhas queridas protetoras, senti que tinha que escrever uma obra, algo que fosse para além das classes, das cores, das raças, que fosse algo a respeito do homem. Compreendi que só podia agradecer-lhes, às freiras, escrevendo em sua homenagem uma obra religiosa", parafraseia.

América Latina e ditadura

Ao pensar no clima político que marcou a segunda metade do século XX na América Latina, especialmente em países como Chile, Argentina e Brasil, Demétrio ressaltou que uma obra musical tão caracteristicamente sulista e andina não teria sido possível após a implementação dos regimes totalitários. "Fazer essa obra com esse caráter teria sido possível antes de 1973, na Argentina? Ou antes de 1964 no Brasil?", provoca. "Após esses regimes, a música do Sul do Chile, que parece a dos Buenos Aires, era menos ameaçadora, as coisas de campo podiam ser cantadas. Mas imagine pegar algo que recorde os Andes? Quem fizesse isso passava a ser alguém perigoso", explica.

Lado A, Lado B

Gravado originalmente em formato vinil, a composição de Ariel Ramirez e Félix Luna está divida em dois grandes eixos, onde o Lado A do disco diz respeito à Misa Criolla propriamente dita, de caráter mais litúrgico e que dá nome ao álbum. O Lado B, que se chama Navidad Nuestra (Nosso Natal), com uma dinâmica mais criativa, em que os músicos exploraram perspectivas mais particulares do cristianismo andino. Evidentemente, nas duas partes do disco a sonoridade é tipicamente crioula, onde são explorados ritmos – declamatórios e dançantes – típicos do noroeste argentino e dos Andes, com muita influência boliviana e peruana.

"No disco há a vidala e a baguala, que são ritmos recitativos. Ariel Ramirez vai buscar no mundo andino a gravidade onde orbita a Misa Criolla. Há o javari, ritmo do Alto Perú, cuja origem remonta o final do século XVI e início do século XVII. Mais para o final da missa há o Sanctus em um ritmo de carnaval cochabambino", descreve Demétrio. "Não vivíamos naquela época esta xenofobia argentina contra os bolivianos", pondera o conferencista.

Demétrio lembra que Félix Luna dizia, em tom de humildade, que o que havia feito era apenas "quebrar um galho para um amigo". "Eles queriam era ter mudado a letra da música, torná-la mais crioula e não puderam. Por isso se 'vingaram' em Navidad Nuestra, no Lado B, quando apresentam o anjo Gabriel como um milico de povoado todo faceiro porque, em vez de prender um borracho, havia recebido missão menos espúria, que era dizer à Maria que esperava um filho de Deus", descreve.

El Pampa

Etimologicamente "pampa" diz respeito ao plano, não se refere, especificamente, a uma região de baixa altitude, há os altiplanos. "Carnaval cochabambino e o estilo pampeano falam igualmente do pampa – 'bamba' é pampa, isso porque o quechua é muito mais suave. O pampeano tem a cara do mestiço desta região", destaca.

Ariel Ramirez e Félix Luna

Ariel Ramirez (1921-2010) foi um músico e compositor argentino com uma extensa trajetória, considerado uma das personalidades mais destacadas do nativismo argentino. Foi um divulgador da cultura tradicional do Sul do continente americano por meio de uma numerosa discografia e também com o trabalho frente a sua companhia de folclore entre 1955 e 1980.

Félix Luna (1925-2009) foi um reconhecido historiador, escritor, advogado e intelectual argentino fundador e diretor da revista Todo es Historia. Além de Navidad Nuestra (1964), compôs, junto com Ariel Ramirez, Los caudillos (1966) eMujeres argentinas (1969).

Demétrio Xavier

Demétrio Xavier é um músico porto-alegrense, especializado na música crioula do Uruguai e da Argentina. Atuando no Rio Grande do Sul e nos dois países platinos, enfatiza sua pesquisa na obra do argentino Atahualpa Yupanqui, tendo traduzido e gravado, em versão bilíngue, seu poema maior, "O Pajador Perseguido". Venceu a Califórnia da Canção Nativa, festival de música gaúcha, em 2009, com uma poesia musicada por Marco Aurélio Vasconcellos, "A Sanga do Pedro Lira". Conduz na FM Cultura de Porto Alegre o programa Cantos do Sul da Terra, dedicado à música e à literatura do sul do continente e indicado em 2012 para o Prêmio Press.

 

Por Ricardo Machado


http://www.ihu.unisinos.br/noticias/541315-misa-criolla-o-cristianismo-latino-na-sonoridade-do-sul-da-terra#.VRmfBdON4CY.facebook

Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz