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Pergunta:

"Até quando vamos ter que agüentar a apropriação da idéia de “liberdade de imprensa”, de “liberdade de expressão”, pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"
Emir Sader

20.3.12

Quinta, 22/03, às 22h > Fábio Konder Comparato

Jurista Fábio Konder Comparato é o entrevistado do Frente a Frente

O Frente a Frente desta quinta, 22/03, às 22h, recebe o jurista Fábio Konder Comparato. O fundador da Escola de Governo da Associação Brasileira de Formação de Governantes fala sobre o papel da política na sociedade, com destaque para a importância da participação de cada cidadão na prática política cotidiana. 

Foram convidados para participar da bancada do Frente a Frente os jornalistas Carlos Bastos, Milton Ribeiro, editor do Portal Sul21, Fernando Favaretto, diretor da Ufrgs TV.

O programa Frente a Frente também é transmitido pela rádio FM Cultura, que pode ser sintonizada pela frequência 107,7, ou pela internet acessando o site www.fmcultura.com.br.

O Frente a Frente tem apresentação de Vitor Dalla Rosa e produção de Sandra Porciúncula.

TVE
Frente a Frente
Quinta, 22/03, às 22h
Reprise no domingo, 25/03, às 21h (apenas pela TVE)

http://www.tve.com.br/?model=conteudo&menu=83&id=890

CEEE investe R$ 3 milhões na substituição de redes convencionais por ecológicas

A CEEE vai investir R$ 3 milhões na substituição de redes convencionais por ecológicas em diversos pontos de Porto Alegre. A concorrência, aberta na sexta-feira (16), teve a empresa Endicon, do Pará, como vencedora. Nos próximos dias, o resultado deverá ser publicado no Diário Oficial do Estado e a estimativa de assinatura do contrato é para a metade de abril.

Serão 32 alimentadores ecológicos (protegidos para minimizar os efeitos do toque de galhos de árvores na rede de energia elétrica), que beneficiarão um total de aproximadamente 50 mil clientes da Companhia na Capital. As equipes de trabalho deverão se apresentar até o dia 30 de abril e as atividades devem ocorrer entre maio de 2012 e abril de 2013. Serão trocadas as redes nos seguintes trechos:

· Rua Edmundo Bastian (da Ouro Preto até Marechal Sampaio);
· Rua Martins de Lima (da avenida Bento Gonçalves até rua Vinte e Seis de Dezembro);
· Avenida dos Estados (do viaduto do aeroporto até a Freeway);
· Rua Corte Real (da avenida Ipiranga até a rua Lucas de Oliveira);
· Avenida Bento Gonçalves (em frente à PUC);
· Rua Nove De Março (com avenida Brasília);
· Ruas Abaeté e Três de Outubro;
· Rua Coronel Feijó (da Assis Brasil até Cristóvão Colombo);
· Avenida Paraná (entre a Buarque de Macedo e a Olinda);
· Ruas Gibram Khalil Gibram e Álvaro Caetano;
· Ruas Edgar Luiz Schneider, Doutor David de Azevedo Gusmão e Conselheiro Xavier da Costa;
· Avenidas Quito, Caracas, Montreal e Libaneza;
· Avenidas Caldeia e João Elustondo Filho;
· Estrada Afonso Lourenço Mariante (a partir da Estrada João Oliveira Remião);
· Avenida Lami (com avenida Heitor Vieira);
· Rua Arnaldo Bohrer (com Rua Pindorama);
· Avenida Otto Niemeyer (com avenida Cavalhada);
· Rua Santa Cecília (altura do número 1742);
· Rua Eça de Queiroz (da Felipe de Oliveira até a Reis Louzada);
· Avenida Montenegro (da Protásio Alves até a avenida Bagé);
· Avenida Lajeado (da Carlos Gomes até a rua Guaporé);
· Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto (com avenida Praia de Belas);
· Ruas dos Carijós e dos Tapes;
· Rua dos Tabajaras (com avenida Guaíba);
· Rua Vasco da Gama (com avenida Ramiro Barcelos);
· Avenida Copacabana (entre a Wenceslau Escobar e a Pastor Agostinho);
· Rua São Manoel (entre a avenida Protásio Alves e a rua Cabral);
· Rua Bernardinho Fraga (com Júlio Lopes Sobrinho);
· Rua Portugal (da avenida Assis Brasil até a Cristóvão Colombo);
· Ruas Marques de Souza, Juruá e Ricalde Marques;
· Entorno das ruas Condor e Nunes Costa;
· Ruas Capitão Manoel Bravo, Soldado José da Silva e Encantadora;
· Rua Luzitana (com avenida Cristóvão Colombo);
· Ruas Bogotá, Guatemala e Emilia Stefani Aloisio.

As obras têm como objetivo reduzir as interrupções de energia elétrica causadas pelo contato de galhos de árvores com a rede de distribuição, num total de 25 km de rede de média tensão compacta, 15 km de rede de baixa tensão isolada, além de 500 novos postes. A durabilidade é superior à da rede convencional, com custo inferior de manutenção.

A rua Gonçalo de Carvalho não está relacionada nessa lista porque a obra naquela região foi executada na segunda quinzena de dezembro de 2011. Assim, atualmente, toda a Rua Gonçalo de Carvalho está coberta com rede ecológica. O resultado foi, até o momento, a redução das interrupções por causa de galhos na rede (o principal motivo de falta de luz naquela região) em 100%. Em 2011, foram 12 desarmes por este motivo, contra nenhum registrado este ano em função desse tipo de ocorrência.

Texto: Comunicação Social do Grupo CEEE
Edição: Redação Secom (51) 3210.4305

http://www.estado.rs.gov.br/direciona.php?key=Y2FwYT0xJmludD1ub3RpY2lhJm5vdGlkPTEwMDc4OSZwYWc9MCZlZGl0b3JpYT0mbWlkaWE9Jm1lbnU9Jm9yaWc9MQ==

Carta Maior - Direitos Humanos - No Uruguai, um ato de justiça - e de dignidade

 

Direitos Humanos| 19/03/2012 | Copyleft

 

No Uruguai, um ato de justiça – e de dignidade

No dia 16 de março, o presidente uruguaio José Mujica percorreu um quartel nos arredores de Montevidéu, o Batalhão 14, de péssima e justificada fama. Durante a última ditadura militar, que durou de 1973 a 1985, o Batalhão 14 foi um tenebroso centro de torturas. No dia 21 de março, o Estado uruguaio assumirá, pela primeira vez, diante das vítimas da ditadura, sua responsabilidade pelos crimes praticados. O artigo é de Eric Nepomuceno.

Eric Nepomuceno

Dia desses – a sexta-feira, 16 de março – o presidente uruguaio José Mujica percorreu um quartel nos arredores de Montevidéu, o Batalhão 14, de péssima e justificada fama. Durante a última ditadura militar, que durou de 1973 a 1985, o Batalhão 14 foi um tenebroso centro de torturas. Lá foi destroçado e fuzilado à queima-roupa Julio Castro, jornalista e professor, figura emblemática da educação e da imprensa uruguaia.

Os restos mortais de Julio Castro, que ao lado de Carlos Quijano fundou o lendário semanário ‘Marcha’, foram encontrados no dia 21 de outubro do ano passado. Agora, acharam uma nova ossada. Podem ser os restos de Maria Claudia García de Gelman, nora do poeta argentino Juan Gelman, talvez o mais importante do idioma espanhol nas Américas. A presença de Mujica no Batalhão 14 ressalta a importância que o caso tem não só no país, mas na América Latina toda.

Será preciso esperar até a primeira quinzena de abril para confirmar essa hipótese. Macarena Gelman, a filha de Maria Claudia e de Marcelo Gelman, saberá esperar. Ela espera há doze anos para saber onde foi enterrada sua mãe. O poeta Juan Gelman, aos 80 anos, também saberá esperar. Afinal, esperou 24 anos até encontrar, em 2000, a neta, um dos 500 bebês roubados durante os tempos negros da Operação Condor. Maria Cláudia e Marcelo foram presos em Buenos Aires, em agosto de 1976. Ele foi assassinato em seguida.
Ela tinha 19 anos, estava grávida, e foi levada para Montevidéu. Teve a filha no quartel onde estava seqüestrada.

Semanas depois, o bebê – Macarena – foi dado de presente a um delegado de polícia. E Maria Cláudia sumiu. Existe a certeza de que foi assassinada. Ninguém jamais encontrou seus restos. Macarena nunca soube a sua história, até ser encontrada pelo avô. Viveu 24 anos achando que era outra pessoa, e que outra era a sua família, outra a sua história.

A visita de Mujica ao Batalhão 14 é carregada de significados. Ele mesmo, um ex-militante Tupamaro, ficou onze anos preso pela ditadura. Dois desses anos foram passados numa espécie de poço, uma cela cavada debaixo da terra, onde ele mal tinha espaço para se mover. Dois anos proibido de falar com quem quer que fosse. De seus anos de prisioneiro, passou sete sem ler nada: a leitura estava proibida. Nem cartas, nem livros, nem jornais – nada.

Mujica fez parte do ‘grupo dos nove’. Eram tupamaros feitos reféns pela ditadura: cada vez que houvesse alguma ação da guerrilha que ameaçasse a ‘segurança nacional’, um deles seria fuzilado. Mujica conhece por dentro essas histórias de terror. Sobreviveu a tudo e virou presidente, eleito pela maioria dos uruguaios.

Mas não só por isso a visita a esse lugar sinistro e nefasto foi significativa. É que ela aconteceu cinco dias antes da quarta-feira, dia 21 de março. Nesse dia, e pela primeira vez, o Estado uruguaio, diante das vítimas da ditadura – os que foram presos ilegalmente, os que foram torturados – e das famílias dos assassinados, assume sua responsabilidade pelos crimes praticados. Não se trata exatamente de um pedido de perdão, mas de reconhecer que o Estado foi responsável pela barbárie. Mais importante, porém, é que desta forma o governo assume a obrigação de investigar todos os crimes da ditadura militar, e punir os culpados.

Tudo isso é decorrência de uma sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que condenou o Uruguai pelo desaparecimento de Maria Claudia García Gelman, depois de uma árdua, prolongada e às vezes desesperada batalha travada pelo poeta Juan Gelman. A mesma sentença condenou o governo uruguaio a realizar ‘um ato político de reconhecimento de responsabilidade internacional’ sobre todos os crimes cometidos enquanto durou o terrorismo de Estado..

José Mujica é conhecido pelo seu jeito bonachão, desajeitado, e por falar o que lhe vem à cabeça. Diante do caso de Maria Claudia García Gelman, porém, ele vem sendo extremamente comedido. Diz que com o ato de reconhecimento de responsabilidade pelo assassinato e desaparecimento da nora do poeta estará cumprindo, ‘de boa fé, uma decisão que devemos acatar’.

Ele sabe que é muito mais do que isso. Afinal, foi depois da sentença da Corte Interamericana de Justiça que, em outubro do ano passado, o Congresso uruguaio anulou uma lei espúria de anistia. Na sentença, a Corte afirma que anistiar os criminosos da ditadura é incompatível com a Convenção Interamericana dos Direitos Humanos, assinada pelo Uruguai. Mujica disse que acatar a sentença é o mínimo que pode fazer um país que assinou essa convenção. Era acatar, ou não ser digno.

O comandante-chefe do Exército, general Pedro Aguerre, disse que se for convidado, estará presente no ato público encabeçado pelo presidente José Mujica. “Não vejo razão alguma para não responder de forma correta a um convite”, disse ele. E recordou quem são os seus chefes: o presidente da República e o ministro da Defesa, a quem deve obediência e respeito.

Enquanto isso, em um país vizinho ao Uruguai...

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19786

Siete años presa en Chiapas por no saber decir en español "yo no maté a mi hijo" | Sociedad | EL PAÍS

Siete años presa en Chiapas por no saber decir en español "yo no maté a mi hijo"

Adela Ramírez nunca tuvo un intérprete en el juicio aunque solo hablaba lengua indígena

El gobernador la libera tras reconocer que su detención fue injusta

Inés Santaeulalia México 20 MAR 2012 - 01:53 CET7

 

Adela Ramírez, el día de su liberación. / GOBERNACIÓN DE CHIAPAS

Adela Ramírez salió de noche de la cantina del Tío Quique, en un pueblo indígena del norte de Chiapas (México), en la que trabajaba como cocinera o acompañando a los hombres a beber, según le pidiera su jefe. Aquella noche era 12 de noviembre de 2004 y bajo una faja de colores chillones, propia de las indígenas choles, se escondía un embarazo de ocho meses del que iba a ser su segundo hijo.

En el camino a su casa, Adela, que entonces tenía 22 años, perdió su propia historia. Analfabeta, pobre e indígena acabó encarcelada. Un expediente judicial incompleto muestra cómo a lo largo de los siete años y medio que pasó presa la Justicia puso en su boca diferentes versiones de lo que aconteció aquel día en el que salió de la cantina y terminó condenada por matar a su hijo. Hace unas semanas, el pasado 27 de febrero, el gobernador de Chiapas, Juan Sabines, decidió concederle la libertad, junto a otras dos reclusas, al considerar que su detención había sido injusta y selló el final de su historia con una fotografía, hecha pública por el Gobierno, en la que se ve a Sabines con cara sonriente y a Adela agarrada a su carta de libertad.

El juez que la sentenció a 15 años de prisión consideró probado que mató a su hijo porque no quería tenerlo. Aunque en el expediente judicial consta que Adela no sabía leer, escribir o hablar español, durante la vista nunca se le asignó un traductor. Ella fue poniendo su huella dactilar en toda cuanta versión se le ofrecía, sin entender apenas una palabra. Tuvieron que pasar varios años antes de que aprendiera español dentro de la cárcel para que su historia dejara de ser la de los demás y así poder completar el relato de aquel día de noviembre, que durante años quedó colgado en el momento en el que dejó la cantina.

La abogada Martha Figueroa. / PRADIP J. PHANSE

Esa noche Adela asegura que se cayó por las escaleras de su casa. Con el golpe se le adelantó el parto y el niño no sobrevivió. Ella, tal y como explica su abogada, dice que se desmayó y que no se despertó hasta llegar al hospital, por lo que no sabe si el bebé llegó a respirar. La sentencia sostiene que sí lo hizo y acusa a Adela de dejarlo morir. “Una camarera, sola y pobre”, resume Martha Figueroa, abogada de mujeres, el resultado del caso.

La noticia de la liberación inesperada por parte del gobernador le llega a Figueroa en Ciudad de México, donde asiste a un congreso. “Vendrán más liberaciones. Las mujeres nunca hemos sido oportunas hasta ahora, que están las elecciones cerca”, dice.

Figueroa habla sin tapujos del “pésimo” funcionamiento de la justicia y de la indefensión de las mujeres. “No digamos las indígenas”, dice. En México, el 95% de las sentencias son condenatorias, según datos de la asociación Renace, que trabaja en la defensa de personas sin recursos. La abogada corrobora que en la mayoría de los casos hay irregularidades en el procedimiento, que en el caso de Adela, sostiene, se unieron a “un sesgo discriminatorio injustificable”.

Adela aprendió a hablar español en la cárcel para poder defenderse y contar su historia

El gobernador reconoció en un comunicado tras la liberación que "existen otros casos" de mujeres indígenas injustamente encarceladas. "Gracias a las reformas legales realizadas en Chiapas en los últimos cinco años podrán alcanzar su libertad", aseguró.

Mientras el gobernador se pone a ello, el trabajo sigue para Figueroa, de 57 años y con más de 30 dedicada a la defensa de las mujeres que sufren marginación. Este mes ha logrado que salgan de la cárcel Magdalena Velasco y Rosa Álvaro. Las dos mujeres, también indígenas y analfabetas, acababan de cumplir un año en la prisión de San Cristóbal sin sentencia. Las detuvieron por, supuestamente, matar o intentar matar a sus hijos recién nacidos, aunque ellas los niegan. El trabajo de la abogada para exigir pruebas y un traductor cualificado ha logrado frenar una condena segura. Como Adela, se enfrentaban a una acusación de homicidio en grado de parentesco, con una pena de hasta 50 años.

El delito agravado por relación familiar fue una reivindicación histórica de los grupos feministas que lograron que se cambiara el código penal para que en caso de que un hombre matara a una mujer, la relación familiar no fuese un atenuante —como hasta entonces—, sino un agravante. “Se ha vuelto en nuestra contra. Casi nunca se usa para hombres, pero sí para acusar de homicidio a mujeres que sufren abortos o malos partos”, lamenta Figueroa.

Así fue en el caso de Adela, hasta que ella aprendió a hablar español y pudo contar qué pasó aquel día que acabó entre rejas. O, como diría la abogada, hasta que llegaron las elecciones y apareció el gobernador para hablar de derechos humanos y hacerse una foto.

http://sociedad.elpais.com/sociedad/2012/03/20/actualidad/1332204801_702746.html

Carta Maior - Larissa Ramina - Tribunal Penal Internacional: o primeiro troféu

Colunistas| 19/03/2012 | Copyleft

 

DEBATE ABERTO

Tribunal Penal Internacional: o primeiro troféu

O fato de que os seis casos atualmente diante do TPI envolvem africanos, conjugado aos esforços empreendidos pelos países ocidentais para imunizar seus soldados que combatem em território estrangeiro, e que cometem crimes enquadrados na jurisdição do Tribunal, provoca grande desconfiança na África.

Larissa Ramina

Após dez anos de existência, o Tribunal Penal Internacional (TPI) exibe seu primeiro troféu, na forma da condenação de Thomas Lubanga Dyilo. Presidente fundador da União dos Patriotas Congoleses e ex-comandante de seu braço militar, o africano foi sentenciado culpado pelo recrutamento de crianças para lutar na guerra civil de Ituri, República Democrática do Congo, entre 2002 e 2003. O primeiro veredicto possibilitará fazer um balanço da instituição.

A esperança que surge das sanções é que os criminosos possam refletir antes de agir. Para os africanos que aguardam sua vez, a primeira sentença condenatória do TPI torna evidente a marcha irreversível contra a impunidade. Nesse sentido, o Tribunal merece algum louro. Em todo o resto, todavia, as críticas contra o mesmo são contundentes, a começar pela atuação do promotor do caso, que teria violado regras processuais consagradas.

Por outro lado, críticas importantes estão dirigidas contra as próprias bases sobre as quais se sustenta o sistema do TPI, e que resultam na resistência africana em relação à justiça penal internacional. Muito embora a África tenha 31 Estados-Partes do TPI, em 2011 a União Africana decidiu não cooperar para a execução do mandado de prisão contra Muanmar Kadaffi. Essa política repete aquela adotada há dois anos por ocasião do mandado de prisão contra o presidente do Sudão Omar Al-Bashir. O fato revela pelos menos dois problemas enfrentados pelo TPI.

O primeiro está no dilema clássico entre paz e justiça. No processo de negociação para um cessar fogo em cenário de conflito armado, normalmente os porta-vozes são os mesmos que cometeram crimes de guerra, crimes contra a humanidade ou genocídio. A escolha se dá, portanto, entre a paz e a justiça, vez que a obtenção da paz incluirá os supostos criminosos num processo de transição, eventualmente com a adoção de leis de anistia. Logo, mandados de prisão comprometeriam seriamente os esforços na solução política negociada para as crises.

A ameaça que a justiça traria à paz, todavia, esconde a verdade que está por trás da solidariedade pan-africana. Trata-se de um segundo problema sistêmico que a justiça penal internacional enfrenta, consubstanciado no sentimento de que se trata de uma justiça hegemônica e tendenciosa, uma justiça dos vencedores sobre os vencidos, dos poderosos sobre os fracos, ou ainda pior, uma justiça dos brancos sobre os negros.

O fato de que os seis casos atualmente diante do TPI envolvem africanos, conjugado aos esforços empreendidos pelos países ocidentais para imunizar seus soldados que combatem em território estrangeiro, e que cometem crimes enquadrados na jurisdição do Tribunal, provoca grande desconfiança na África. Resta lembrar que passam longe do TPI os crimes cometidos pela Rússia na Chechênia, pelos EUA e pela Inglaterra no Iraque e no Afeganistão, e por Israel na Palestina e no Líbano.

A pergunta posta pelo presidente da Comissão da União Africana ilustra bem a desconfiança: “o Procurador do TPI só condena africanos, só julga africanos... será que os problemas só existem na África?”. A questão é legítima, principalmente quando lembramos que potências como EUA, China e Rússia (sem falar de Israel) não são Estados-Partes do TPI, muito embora pretendam impor sua jurisdição aos países africanos, ao mesmo tempo em que recusam submissão a ele.

A fim de reforçar sua legitimidade, portanto, o TPI deve ser ratificado também pelos principais países, e lançar seus olhares para além da África. A justiça internacional deve parecer justa para ser eficaz. O TPI é um sistema, não apenas um Tribunal. A tarefa mais difícil, todavia, será garantir que sua primeira sentença desempenhe papel importante para a paz no Sudão, para a prevenção dos crimes e para a desmobilização do fenômeno das crianças-soldado.

 

Doutora em Direito Internacional pela USP. Professora do Programa de Mestrado em Direitos Fundamentais e Democracia da UniBrasil. Professora do UniCuritiba.

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5522

16.3.12

O fracasso do Grupo Abril; rumo ao fundo do poço? - Escrevinhador

Ajuda do governo tucano

O fracasso do Grupo Abril; rumo ao fundo do poço?

publicada sexta-feira, 16/03/2012 às 17:25 e atualizada sexta-feira, 16/03/2012 às 17:38

O fracasso do Grupo Abril
Por Gustavo Gindre, no Blog do Gindre

Na década de 90, dois grupos empresarias brasileiros despontavam entre os principais grupos de mídia da América Latina. Depois da Globo, o outro grupo brasileiro era a Abril.

Desde então, a Abril Midia é uma coleção de fechamentos e venda de empresas ou participações acionárias. A Abril fechou a gravadora Abril Music, o site Usina do Som e os canais de TV paga Fiz TV e Idea TV. Vendeu sua participação na HBO Brasil, na DirecTV Latin America, na ESPN Brasil, no Eurochannel, na TVA MMDS, na TVA Cabo e no UOL, entre outras.

Hoje a Abril se resume basicamente à editora e sua gráfica, à DGB (holding de distribuição e logística que é um verdadeiro monopólio nas bancas de jornais), à Elemídia (que instala monitores informativos em hotéis, elevadores, aeroportos, etc) e ao canal de TV paga MTV Brasil. Além dos sites de cada um destes veículos. Um grupo de mídia pequeno para o cenário de convergência que vivemos.

Cabe registrar que a MTV Brasil (que licencia a marca da Viacom) vive às voltas com o fantasma dos cortes de gastos e demissão de pessoal. Sua duração no longo prazo é constantemente posta em dúvida.

Para piorar, os Civita venderam 30% da Abril (o limite permitido pela Constituição Federal) aos sul-africanos do Naspers (donos, no Brasil, do site Buscapé). O Naspers, quando se chamava Die Nasionale Pers, foi o órgão de imprensa oficioso do povo africâner e porta-voz do apartheid. Pieter Botha e Frederik de Klerk foram membros do board do Naspers.

Ou seja, a Abril vive hoje do prestígio da revista Veja. Sem ela, os Civita já teriam virado empresários de porte médio do setor de comunicações, irrelevantes para o futuro do setor no Brasil.

E, segundo denúncias de Luis Nassif, sabedores dessa situação, os Civita tratam de inflar de todos os modos as vendas da Veja, inclusive com uma ajuda substancial do governo de São Paulo, que adquire milhares de assinaturas.

Cada vez mais fracos, mais temerosos do futuro, a tendência é que elevem o tom de voz na crítica a qualquer regulação das comunicações no Brasil. E se aproveitem da falta de vontade política do governo para enfrentar o tema e blefem com um poder político que, se um dia o tiveram, hoje com certeza já se esvaiu quase todo.

PS: como não são bobos e sabem que seu horizonte se  estreita, os Civita resolveram colocar os ovos em outro cesto e passaram a investir em educação, criando uma outra empresa, sem relações com a Abril Mídia, chamada Abril Educação. Quando a Veja for de vez para as calendas, é de educação privada que eles irão viver.

Leia outros textos de Outras Palavras

http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/grupo-abril-rumo-ao-fundo-do-poco.html

"Vamos eliminar mitos, como esse de que a Comissão da Verdade é revanchismo. É a busca da verdade e nao há verdade de um lado e verdade do outro. Há a verdade." CELSO AMORIM

 

Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz