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pergunta:

"Até quando vamos ter que agüentar a apropriação da idéia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

27.5.17

Uma conversa franca sobre um dos índices mais tristes do nosso país.

GREG NEWS com Gregório Duvivier | Violência

Uma conversa franca sobre um dos índices mais tristes do nosso país. O Brasil é o campeão mundial de homicídios. 


Toda sexta, às 22h, você confere um novo episódio de #GregNews na HBO Brasil.


25.5.17

Las frases de CFK

PASADO, PRESENTE Y FUTURO
Las frases de CFK








* "Cuando uno es republicano en serio no justifica que se escucha y siga a dirigentes de la oposición".

* "No voy a ser un obstáculo. Pido que construyamos y construyan"

* "Siempre he tenido un alto sentido de la responsabilidad histórica. Nunca he hecho lo que yo quería".

"Milagro es la primera presa política en la Argentina".

* "El Poder Ejecutivo maneja la Justicia. La injerencia es descarada. Hay peleas de bandas en el gobierno".

* "Hay bandas disputando la justicia y los servicios de inteligencia".

* "Yo para el Poder Judicial desde diciembre de 2015 formé parte de dos asociaciones ilícitas: el gobierno y mi familia"

* "Hay que decretar una emergencia alimentaria, tarifaria y laboral"

* "Es el retorno al neoliberalismo"

* "La inequidad genera violencia"

* "Hemos vuelto al peor de los mundos"

* "Hay que revisar la deuda. Se endeudaron en 97 mil millones de dólares en un año y medio, el doble de la deuda que contrajo toda la dictadura".

* "El 2x1 significaba que iba a ver represores en al calle".

* "Parte del bloque del Frente para la Victoria no ha estado a la altura de las circunstancias al votar a leyes que perjudicaron al pueblo".

* "El bombardeo permanente sobre la gente fue determinante, no que se sintieran desamparados".

* "Cuando hay alguien que se opone al gobierno pasa a ser un paria".

* "La pregunta es cómo estabas antes y cómo estás ahora.: le podés comprar a los pibes, podes ir a comer afuera. Una descripción de cómo vivíamos y cómo estamos viviendo".

* "Los que lo votaron también fueron engañados"

* "Hay más responsabilidad en los medios de comunicación que en la gente que los votó".

* "Hay un blindaje mediático casi obsceno de protección al Gobierno"

* "Hablan todo el tiempo de mi, de nuestro gobierno y no de Macri que está gobernando".

* "Pueden sacarme veintidós mil tapas más en contra,. No voy a cambiar".

* "Temer es un cocoliche, un mamarracho, es un escándalo"

* "Las tarifas tienen que ser equitativas".

* "El ingreso de dólares fue para financiar timba".

* "Ellos son socios de Odebrecht. Es Macri el que es socio de Odebrecht".

https://www.pagina12.com.ar/40066-las-frases-de-cfk

O último suspiro de um governo antidemocrático


Quando o Brasil volta a questionar a legitimidade do presidente e da possível eleição indireta, insiste-se em repetir episódios de autoritarismo já vistos em 1984. 

Por Cezar Britto, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e atual Membro Vitalício do Conselho da OAB 
#CartaOpinião 


Política

O último suspiro de um governo antidemocrático

por Cezar Britto — publicado 25/05/2017 17h31, última modificação 25/05/2017 18h07
Quando o Brasil volta a questionar a legitimidade do presidente e da possível eleição indireta, insiste-se em repetir episódios de autoritarismo
José Cruz/Agência Brasil
Exército em Brasília

Convocação das Forças Armadas: gestos de desespero


O general João Figueiredo, no dia 18 de abril de 1984, impôs ao Brasil o Decreto nº 89.566, estabelecendo medidas de emergência visando preservar a ordem pública na área do Distrito Federal e em seu entorno goiano "ameaçados de grave perturbação".

Designou, na forma do seu art. 3º, o general Newton Cruz como executor das medidas, em razão de ser o comandante do Comando Militar do Planalto.

E qual ameaça pairava sobre o Brasil?

Nada mais do que realização de sessão na Câmara dos Deputados que votaria, no dia 25 de abril de 1984, a Emenda Constitucional Dante de Oliveira (PEC nº 05/1983), que tinha por objetivo reinstaurar as eleições diretas para presidente da República, então escolhido, no dizer do autor da emenda, "em círculos fechados e inacessíveis à influência popular e às aspirações nacionais".

A esperança de que a cidadania sairia vencedora naquele especial dia estava respaldada na pressão popular que brotava do grito coletivo simbolizado na palavra de ordem "Diretas Já!".

O maior movimento político-social da História do Brasil, refletida em comícios que atraiam milhões de brasileiros e brasileiras, era a resposta da cidadania à Ditadura civil-militar que teimava assolar o Brasil.

Embora a madrugada do dia 26 de abril de 1984 tivesse anunciado a derrota da campanha pelas Diretas, o povo seguiu em frente, derrotando o candidato Paulo Maluf e, depois, a própria ditadura militar. O general Newton Cruz, cercando o Congresso Nacional, prendendo manifestantes e invadindo a OAB/DF significou o último suspiro do regime de exceção.

Na quarta-feira, 24 de maio de 2017, um decreto assinado pelo presidente Michel Temer autorizou o "emprego das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem no Distrito Federal", sob o comando do ministro da defesa Raul Juggmann.

Quando a cidadania brasileira volta a questionar a legitimidade do presidente plantonista e de uma possível eleição indireta, insiste-se em repetir as mais obscuras páginas do autoritarismo.

Ao fixar o prazo de sete dias para a duração das medidas de exceção, revela-se o verdadeiro querer de quem o impôs. Ao procurar projetar o lapso temporal para o período em que a pressão popular promete aumentar a sua força, o decreto expõe uma clara ameaça a todos que lutam, democraticamente, pelo afastamento presidencial.

Sabe-se que as Forças Armadas cumprem e continuarão cumprindo a missão constitucional garantidora do Estado Democrático de Direito. Mas o desesperado gesto de confundir a sociedade com a "compulsória convocação emergencial" revela o que parece ser o último suspiro do governo que será reconhecido na História por não ter respeitado a democracia.

*Cezar Britto é ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e atual Membro Vitalício do Conselho da OAB



"...a que ponto a Justiça brasileira desceu."




Gilson Caroni Filho

Moro absolve Claudia Cruz e assegura o silêncio de Cunha.Tá escancarado demais.

...

A absolvição de Cláudia Cruz é prova da perseguição de Moro a Marisa Letícia. Por Kiko Nogueira

 

Depois de alguns dias no oblívio obrigatório graças à delação da JBS que matou Temer, o juiz Sergio Moro volta às manchetes, seu habitat natural.

Sai Janot, volta o super herói de Curitiba.

Moro absolveu a mulher de Eduardo Cunha, a jornalista Cláudia Cruz, na Lava Jato.

Cláudia era acusada de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Entre 2008 e 2014, ela gastou mais de 1 milhão de dólares de uma conta na Suíça.

Segundo a denúncia do MPF, o gasto era "totalmente incompatível com os salários e o patrimônio lícito" dela e de Cunha.

Para Moro, não há "prova suficiente" de que ela agiu com dolo ao usar a grana.

O juiz considerou em seu despacho que, "embora tal comportamento seja altamente reprovável, ele leva à conclusão de que a acusada Cláudia Cordeiro Cruz foi negligente quanto às fontes de rendimento do marido e quanto aos seus gastos pessoais e da família".

Foi um negligência da madame, enfim. Quem nunca?

Cunha, que desde o início declarava estar preocupado com sua família, está feliz. Cláudia pode fazer parte de seu acordo de delação premiada.

Moro sempre tratou dona Cláudia com um estranho respeito. No ano passado, ficou famosa a história de que tentou por duas vezes, sem sucesso, intimá-la.

Seu advogado Pierpaolo Bottini contou candidamente que informou ao oficial de Justiça que sua cliente podia ser encontrada nos finais de semana no Rio de Janeiro e, de segunda a sexta, no endereço de sempre em Brasília.

Pouco depois, Moro autorizou a devolução do passaporte dela, contrariando os procuradores que alertaram para risco de fuga.

A absolvição fica ainda mais absurda diante da atitude do magistrado para com Marisa Letícia.

Morta, Marisa luta na Justiça para ter sua absolvição reconhecida. O caso está em apreciação no Tribunal Regional Federal da 4ª. Região.

Moro recusou o pedido da defesa para declarar sua inocência.

Desde 2008, uma adaptação da lei a tratados internacionais, manda que, com a morte e a consequente extinção da punibilidade de um réu, este seja declarado absolvido, para preservar o princípio da presunção de inocência.

No país de Sergio Moro, isso é o que menos importa.

Segundo o Joaquim de Carvalho informou no DCM, o processo está sendo debatido em grau de recurso nas instâncias superiores.

É impossível dissociar o AVC de Marisa Letícia da perseguição que ela sofreu, juntamente com Lula e filhos. Pagou com a vida.

Marisa, ao menos, teve a sorte de não ver a que ponto a Justiça brasileira desceu.


Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.





Mais de 200 mil pessoas ocuparam Brasília nesta quarta (24)

Mais de 200 mil pessoas ocuparam Brasília nesta quarta (24)

"Temer tentou esconder manifestação em uma nuvem de gás", diz Vagner Freitas

Escrito por: Marize Muniz • Publicado em: 24/05/2017 - 18:28 • Última modificação: 24/05/2017 - 18:44

Roberto Parizotti

As ruas amanheceram coloridas com metalúrgicos, bancários, rurais, petroleiros, químicos, servidores, professores, enfermeiros, o pessoal da construção, segurança e serviços.

A capital federal parou demostrando claramente que Temer não tem como governar, tem de sair. Não é apenas um presidente denunciado é investigado, como é o homem indicado pelo mercado para acabar com os direitos sociais e trabalhistas. Ficou claro também que a população não quer eleição indireta, quer votar para presidente.

A marcha, organizada pela CUT e demais centrais sindicais e movimentos sociais, saiu por volta do meio dia da frente do Estádio Mané Garrincha e seguiu organizada e absolutamente tranquila até a frente do Congresso Nacional, onde uma barreira da Polícia Militar e Polícia Legislativa do Distrito Federal impediu que os manifestantes ocupassem o gramado.

Enquanto dirigentes e Deputados Federais e Senadores faziam discursos,  as forças de segurança do DF de forma truculenta atacaram os manifestantes, entre eles, crianças e idosos, que estavam pacificamente se manifestando por seus direitos e contra o presidente ilegítimo, golpista e corrupto.

Temer se aproveitou da confusão e mandou a Força de Segurança Nacional às ruas. Segundo o governo, era preciso garantir a lei e a ordem. A ordem, que inclui balas de borracha e gás lacrimogêneo, pode ser cumprida em qualquer lugar do Brasil.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, Temer mais uma vez mostra que é fraco e covarde. "Tão covarde que tentou esconder uma manifestação  pacífica de mais de 200 mil pessoas contra suas reformas neoliberais atrás de um nuvem de gás lacrimogêneo. E tão fraco que correu para se esconder atrás das Forças Armadas. Fora, fraco. Fora, covarde. Fora, Temer".


http://cut.org.br/noticias/mais-de-200-mil-pessoas-ocuparam-brasilia-nesta-quarta-24-eca9/

A barbárie do golpe: escombros, mortos, exército na rua – chegamos a 1968, sem AI-5

ANÁLISE

A barbárie do golpe: escombros, mortos, exército na rua – chegamos a 1968, sem AI-5

A barbárie se completa com o decreto de Temer: um Estado de sítio disfarçado, covarde, que leva o país para o abismo

Em frente aos Ministérios, o clima era de guerra - Créditos: Mídia Ninja
Em frente aos Ministérios, o clima era de guerra / Mídia Ninja

O prefeito da maior cidade do país caminha em meio aos escombros. Tinha acabado de mandar demolir um prédio na crackolândia, com moradores dentro.

Do outro lado do Brasil, dez corpos se amontoam, em meio a mais um massacre de trabalhadores rurais no Pará. A polícia paraense teria promovido a matança. O uso da força, sem disfarces, sempre foi a linguagem da elite brasileira: escravocrata, ardilosa, antipopular.

Trabalhadores em marcha contra as "reformas" de Temer são atacados brutalmente pela polícia em Brasília. Bombas, porrada, tiros.

Prédios ministeriais incendiados. Brasília arde. A direita de facebook diz que há "vândalos" nas ruas.

Vândalos

Derrubar direitos trabalhistas e mudar a Previdência, impondo um programa econômico derrotado nas urnas: esse o verdadeiro vandalismo que ameaça o país desde que um golpe derrubou a presidenta eleita.

A Globo e os bancos querem uma semi-democracia sem povo. O mercado já decidiu: as urnas não valem, o que valem são as decisões nas mesas das corretoras e dos operadores das bolsas.

Queimaram votos, vandalizaram a democracia, colocaram meganhas pra lançar bombas contra com o povo. E o vandalismo é de quem?

A barbárie se completa com o decreto de Temer: um estado de sítio molambo, disfarçado, covarde, típico de um velhaco que pode levar o Brasil ao abismo.

O Exército está nas ruas em nome da lei e da ordem.

A Lava-Jato e a Polícia Federal podem tudo.

Enquanto isso, tucanos pisam nos pobres da crackolândia e os mortos se amontoam no Pará (também, sob governo do PSDB).

A Democracia agoniza. Parecemos às vésperas de um momento decisivo. Ou as garantias civis retornam. Ou o Brasil escravocrata, de sempre, vai impor a ordem, a morte e o terror.

Em 1 ano de golpe, caminhamos de 64 a 68. Já é possível ver o abismo que a Globo, os bancos e os tucanos cavaram com seus pés. Uma parte dos golpistas já foi tragada pelo abismo. Mas ameaçam lançar o país inteiro no buraco.

Sete dias de Exército nas ruas de Brasília, segundo o decreto criminoso de Temer. Sete dias em que o lado de cá pode virar o jogo, ou assistir ao enterro definitivo da Democracia.

Edição: Revista Fórum

https://www.brasildefato.com.br/2017/05/24/a-barbarie-do-golpe-escombros-mortos-exercito-na-rua-chegamos-a-1968-sem-ai-5/

24.5.17

TV Sul21 / Flavio Koutzii: ‘Em 64 tivemos um Fleury. Hoje, temos um Fleury de toga’

TV Sul21 / Flavio Koutzii: 'Em 64 tivemos um Fleury. Hoje, temos um Fleury de toga'

Flavio Koutzii: 'Em 64 tivemos um Fleury. Hoje, temos um Fleury de toga'

Marco Weissheimer 

Quase nove meses depois da confirmação, pelo Senado, da deposição da presidenta Dilma Rousseff, eleita em 2014 com mais de 54 milhões de votos, o Brasil convive com dois fenômenos que andam de mãos dadas: a instabilidade política, social e econômica do país se agravou e os setores que derrubaram Dilma tentam, desesperadamente, aprovar a sua agenda de reformas que retiram direitos resguardados pela Constituição de 1988 e pela CLT. A demora na aprovação dessas reformas, provocada pela crescente resistência nas ruas a elas só vai aumentando o clima de instabilidade.

O golpe contra Dilma foi dado com o objetivo central de aprovar essa agenda. Os setores que apoiaram a chegada de Michel Temer ao poder vinham tentando naturalizar o golpe consumado em 31 de agosto de 2016, mas, a incerteza quanto à aprovação de sua agenda no Congresso, acabou com a unidade entre eles. As recentes revelações da delação de Joesley Batista, dono da JBS, só agravaram esse quadro, aprofundando o grau de instabilidade política no país e de incerteza acerca do futuro do golpe que derrubou o governo Dilma.

A partir da experiência de quem viveu e enfrentou golpes no Brasil e na Argentina, Flavio Koutzii chama a atenção para as tentativas de naturalizar o que não deve ser naturalizado. Na Argentina, militou no Partido Revolucionário dos Trabalhadores – Exército Revolucionário do Povo (PRT-ERP), que pegou em armas contra a ditadura. Preso na Argentina, entre 1975 e 1979, voltou ao Brasil graças a uma campanha internacional pela sua libertação e participou da fundação da PT, partido pelo qual foi vereador, deputado estadual e chefe da Casa Civil durante o governo Olívio Dutra.

Em entrevista concedida ao Sul21, horas antes das notícias sobre a delação de Joesley virem a público, ele fala sobre a atualidade do golpe, sobre o papel desempenhado pelo Judiciário neste processo e sobre algumas lições que a luta contra as ditaduras no Brasil e na Argentina podem trazer ao presente. O golpe segue em curso e seus agentes no Parlamento, no Judiciário e na Mídia seguem mexendo as peças no tabuleiro para consumar os objetivos de sua empreitada.

O Sul21 reproduz em texto e vídeo um resumo dessa conversa.

 "O golpe segue em curso, cada dia mais e cada dia pior"

O golpe segue em curso, cada dia mais e cada dia pior. Quando a Argentina enfrentou a grande crise de 2001, a escritora Silvia Bleichmar cunhou a expressão "dolor país", que se confrontava com o termo "custo país", que era o "custo Brasil" na versão argentina. Acho oportuno lembrarmos isso, pois se transportarmos essa expressão para a situação que vivemos, dá para falar na "dor país", na "dor povo". O "custo Brasil" era a síntese do ideário neoliberal da década de Fernando Henrique que procurava mostrar uma série de pontos críticos, alguns que até existiam na infraestrutura brasileira, transformando essa noção de custo Brasil em um cavalo de tróia para atacar os direitos dos trabalhadores no patamar que eles existiam na época. Como não conseguiram isso na época, deram o golpe agora. É brutalmente claro para que era o golpe. O povo brasileiro, com letra maiúscula e da forma mais substantiva é o foco deste golpe, desta destruição de direitos, na maior velocidade possível.

"É como se isso aqui fosse a Hiroshima dos direitos trabalhistas"

Se fôssemos buscar alguma analogia trágica na história, é como se isso aqui fosse a Hiroshima dos direitos trabalhistas, uma bomba para destruir tudo e para dar o exemplo, como os americanos fizeram. Gosto da metáfora porque é disso mesmo que se trata: terra arrasada. Talvez como nunca foi tão evidente que os interesses do mercado e as imposições do capital financeiro são não somente articuladores fundamentais desse golpe, como a invasão desses termos é onipresente na linguagem da Globo, da Bandeirantes, na fala de cada um desses personagens, na qual se nota uma espécie de adestramento. Todos falam igual, todos abrem as perguntas do mesmo jeito e com os mesmos tiques: "o mercado acha muito bom isso, isso aí nós vamos ver como é que o mercado se posicionará". É uma espécie de confissão permanente e onipresente de quem é quem e quem quer isso.

"Em 64, tivemos o Fleury. Hoje temos um Fleury de toga"

Acho que cada época, como foi no golpe de 64, tem algumas figuras emblemáticas. Tragicamente, naquela época, tivemos na chefia da tortura o Fleury. Essa época agora tem um Fleury também, de toga e tudo. Não sei se isso não embaraça os seus movimentos de torturador. Essas prisões aleatórias que, na verdade, são intencionais, que não têm prazos e não respeitam nenhum dos códigos de procedimentos judiciais desse país, se assemelham claramente a uma espécie de pau de arara, sem a imagética tão clara mas é a mesma coisa. Deixar um cara seis, doze meses, sem saber o que vai acontecer, se ele vai ficar 40 anos preso, se ele vai sair ou não…São assuntos que eu conheço, não como compreensão apenas intelectual, mas vivida. Lá na Argentina era assim.

Todos os que foram presos, não me refiro aos que depois foram assassinados, os 30 mil, ficavam imediatamente, quando detidos, à disposição do poder Executivo nacional. A vivência de estar preso, em condições muito mais dramáticas, mas nós pessoas muito mais estruturadas, pois éramos presos políticos e sabíamos por que aquilo estava em curso. O que isso introjetava na vida do preso era a noção de um certo infinito. Por isso que é uma tortura mental também. Tem o pau de arara material e o pau de arara espiritual. O sujeito da punição provisória e ilegal, como era lá também, ele não sabe quando aquilo termina. A agonia permanece todo o tempo e isso, obviamente, fragiliza de tal maneira o indivíduo, seja ele um corrupto ou corruptor, um ricaço ou não. A humanidade de cada um fica colocada na mesma condição. As diferenças sociais e materiais se unificam do ponto de vista do sofrimento e das circunstâncias que o cercam.

"A banalização do golpe bateu no teto"

Há muito mais vigor na resposta da sociedade do que percebíamos há algum tempo. Quanto mais dura a situação fica, mais a resistência aumenta, o que não é algo automático. É tão profundo o tema da destruição de direitos que, cada vez mais, aumenta a base social dos indignados e dos que não aceitam. A banalização do golpe está batendo no seu teto à força de repetição, de dor e de sofrimento. O ritmo da ofensiva é tal que ele chega não somente a perturbar aquele que tem acesso a essas informações, como gera certa dificuldade de articular devidamente a interpretação dos fatos, mesmo para quem tem uma posição crítica.

Tem muita gente que acha que tudo isso vai passar e não ficará uma memória sobre cada um se comportou neste período. Há uma diferença entre os que ficaram calados porque estavam de acordo, os que ficaram calados por uma certa impotência e os poucos corajosos que tiveram a capacidade de se manifestar criticamente ao que está acontecendo, a partir da instituição a qual pertencem. A documentação, a imagem, a fala, em cada circunstância destas, serão um arquivo impossível de destruir e de tergiversar. Muitas togas foram conspurcadas pelo silêncio ou pela corresponsabilidade. Isso é uma tragédia, pois o Judiciário e suas diferentes instâncias constituem elementos insubstituíveis de uma sociedade democrática e de um sistema de proteção mínima da cidadania que está sendo desmontado de uma forma infame.

"O Supremo virou uma coisa deprimente"

Além disso, os chefes de cada um desses subpoderes se comportam como partidos. Essa crise está correspondendo a uma ocupação do espaço político pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal, pelo Supremo e pelos tribunais regionais, o que é trágico. A destruição da esfera política traz junto uma aberração que é o hiperdimensionamento dessas instituições. Serão lembrados. Isso não é uma ameaça, mas uma afirmação. Quem sou eu para ameaçar alguém, mas é disso que se trata. Não como é em 64, quando se dizia que alguns setores econômicos estavam apoiando o golpe. Agora esse apoio é maciço nestas instituições e ninguém, com algumas honrosas exceções, levanta a voz para contestar. O Supremo virou uma coisa deprimente. Não é nenhum prazer dizer que eles são muito mais lamentáveis do que parecia antes. Isso é uma tragédia para a sociedade brasileira. O que parece apenas são alguns egos monumentais numa disputa mortal pelo poder.

"É muito pior que 64"

Eu não faço tanto essa analogia porque acho que é muito pior. A resistência aumentou, mas a velocidade do aumento da reação é muito acelerada e tem uma característica clássica desse tipo de guerra, pois se trata de uma guerra contra o povo brasileiro e contra a democracia. A velocidade é muito pior e, portanto, a evidência de regressão é muito mais trágica. A resistência aumenta de escala também. É isso que nos dá conforto. A expansão horizontal total das medidas anti-povo provoca uma sensibilização que vai no sentido inverso da banalização do sofrimento. A cada dia tem um sofrimento a mais. Quando há esse tipo de materialização na vida das pessoas, esse elemento é muito potente.

"Temer, Sartori e Marchezan são vinho da mesma pipa"

O que está consolidado através do golpe e do padrão de política do governo golpista, na forma, por exemplo, como se conduz o governo Sartori aqui no Estado, ou como Marchezan se conduz na Prefeitura é que, independente de características pessoais ou nuances partidárias, são todos vinho da mesma pipa, são todos filhos da proposta neoliberal. A primeira coisa que eles fazem, como dizia meu pai, é passar a propriedade do Estado nos cobres. É exatamente isso. Não há nenhuma sutileza.

Eles se desresponsabilizam pelas políticas de impacto social sob o pretexto de que há uma grande dívida, uma grande dificuldade financeira, que todo mundo sabia que existia. Por isso, sempre evoco os governos Olívio e Tarso como exemplo de como governar. As pessoas da classe média que têm ódio do PT, não sei como se sentem recebendo seu salário parcelado todos os meses. É tão brutal o racismo anti-povo e anti-progressismo desses setores sociais que não conseguem nem privilegiar um pouco os seus próprios interesses em detrimento de sua guerra de extermínio anti-Lula, anti-PT e, como se vê agora, contra qualquer lei de proteção de direitos sociais.

Toda a tentativa de destruir, anular ou impedir Lula de ser candidato em 2018 está fadada ao fracasso, não por nenhum ôba-ôba ou porque eu confunda meu desejo com a realidade. Quero invocar aqui a minha vivência na Argentina. Ninguém consegue fazer política na Argentina sem o peronismo. O próprio kirchnerismo, com toda a potência que adquiriu, nunca rompeu nem antagonizou com o peronismo. O enraizamento de Perón como um símbolo, não só de resistência, mas de alguém que foi oprimido pela direita oligarca ultra-conservadora da Argentina, acabou tendo um percurso no qual, quanto mais batiam nele, mais ele se consolidava.

Uma analogia entre Lula e Perón

Vejo uma certa analogia relativa com o caso de Lula. A sua trajetória é tão potente e tão coroada com coisas que reverteram para a população, que não tem como esquecer o Lula. Mesmo que, como ocorreu com Perón, ele seja proscrito, quanto mais ele prosseguir sendo o símbolo do que a direita quer apagar do mapa, mais ele se afirma. É essa a situação que nós vivemos no presente e vimos semana passada em Curitiba, onde Lula deu um vareio em Moro. A estatura de um e de outro ficou clara.

Eu pertenço a uma geração onde nos dividíamos a cada vírgula onde tivéssemos uma diferença. Nós abrimos o enfrentamento contra a ditadura militar, com dezesseis pequenas organizações, todas aderindo à luta armada e querendo enfrentar um exército de 600 mil homens. É impossível sair de uma crise e de uma derrota como a que tivemos sem exigir de todos nós capacidade crítica, capacidade de avaliação profunda. O que não podemos é nos estilhaçar em diferenças e ênfases sem nos darmos conta, e certamente nos daremos desta vez, de lições históricas sobre quando nos dividimos demais em proporção ao inimigo. No período que vamos enfrentar, devemos buscar unificar nossas forças o máximo possível, com capacidade de concessão recíproca em nome dessa unidade. A questão da candidatura Lula é crucial em vários patamares. É impensável conceber o futuro, com todas as idas e vindas que possam ocorrer, sem a figura central de Lula.

http://www.sul21.com.br/jornal/flavio-koutzii-em-64-tivemos-um-fleury-hoje-temos-um-fleury-de-toga/# 



22.5.17

Momento Crítico

Momento Crítico

Pedrinho Guareschi *

Sou forçado a dizer uma palavra. Como de costume, peço que não aceitem. Tento justificar o que digo. Temos de pensar seriamente, pois o momento é crítico. Desculpem o tamanho, mas quero argumentar com cuidado. Quatro passos, interligados: 1. Um olhar histórico, estrutural. 2. Os últimos 12 meses, de maio a maio. 3. O papel crucial da Globo. 4. O momento atual. E concluo mostrando que há luzes...

1. O HISTÓRICO-ESTRUTURAL

Nos seus mais de 500 anos o Brasil teve mais de três séculos de escravidão, cujas consequências perduram até hoje. Com todas as ressalvas possíveis, a expressão de Gilberto Freyre é a que mais diz de nossa história e nosso presente: A Casa Grande e a Senzala. Esse é o eixo fundamental que perdura até hoje. As melhores análises criticas retomam essa dicotomia recorrente: Jessé de Souza, Mino Carta, etc.

2. OS ÚLTIMOS 12 MESES – DE MAIO A MAIO

Um fato novo na história política brasileira: a partir do início do século XXI, houve um choque, um estremecimento desse eixo básico: aparece alguém da "senzala" que chega lá, se intromete na elite e começa a tumultuar a cena. No início não se deu muita atenção, e esse estranho só conseguiu chegar lá porque fez, teve de aceitar, acordos conflitivos e quase contraditórios: Carta dos Brasileiros, por exemplo. Mas chegou. E deu um susto. E se reelegeu por outro período. E elege uma mulher para um terceiro. E essa mulher é reeleita para um quarto período. Foi então que a Casa Grande gritou: chega! E juraram – Aécio à frente, toda elite tucana acompanhando e a mídia sustentando e legitimando: "Essa mulher não vai governar! Faremos tudo o que for preciso para que ela não consiga governar. Vai ficar sangrando". E fizeram! Confiram. De tudo o que foi jeito. Ela tentou por todos os meios, mas nada progredia. E a mídia conferindo, ao gosto dos futuros golpistas. Um parêntese ilustrativo: menos de um mês depois da eleição de Dilma, em novembro de 2014, Boaventura Santos publicou uma análise do momento e disse claramente que seria muito difícil, quase impossível, Dilma governar, a não ser que ela garantisse o apoio dos movimentos populares, controlasse o capital financeiro internacional e criasse uma política para a mídia - ver B. Santos: "A Grande Divisão", 12.12.1914, CANALIBASE. Foi profético. Chama a atenção para a dimensão internacional da eleição e mostra como a mídia estrangeira a criticou ferozmente. Porque? E tivemos um ano sofrido, dolorido, legitimado momento a momento pela Grande Mídia.

3. QUEM É MESMO A GLOBO?

Tomo a Globo como padrão. Para mim, ela é a variável principal desse momento. Pela sua origem e sua história, a Globo sempre foi a porta-voz principal da Casa Grande e ela mesma se constitui como Casa Grande, é seu DNA. Basta ver o poder econômico dos Marinho. Nos últimos 50 anos ela sempre comandou o espetáculo. Foi assim na sustentação da ditadura; na tentativa de impedir, ou diluir as "diretas já" em 1984 (o espetáculo vergonhoso da falsificação do comício das 'Diretas Já'em S.Paulo); foi assim na eleição de Collor, com a reedição distorcida do debate entre ele e Lula; e igualmente na deposição de Collor. Brizolla foi uma zebra que ela nunca engoliu. Lembre-se a trágica falcatrua para derrubá-lo na apuração das eleições. E todas as vezes que a Globo não conseguia (como o segundo turno da eleição de Dilma), juntou-se em seguida aos futuros golpistas, colocando-se como o ator principal tanto nas convocações como no acompanhamento e implementação das passeatas e protestos, com um canal específico para isso: a Globo News, o canal do golpe.

Pergunto: Será diferente agora, nesse surpreendente episódio da delação de Temer e Aécio pelo executivo da JBS? Teria ela mudado sua prática consolidada por 50 anos? O inesquecível sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, dizia com extraordinária perspicácia e clareza: "Só acredito em democracia no Brasil quando o Presidente das Organizações Globo for eleito por eleição direta!" E dizia ainda mais: "O termômetro que mede a democracia numa sociedade, é o mesmo que mede a participação dos cidadãos na comunicação". E concluía dizendo que não há democracia em nossa sociedade; vivemos um fascismo, pois são apenas 8 a 10 famílias que podem falar. E dentre essas famílias, a Globo detém quase 70% do poder. E as demais não conseguem se afastar dessa dependência a Casa Grande.

Chegamos à questão central: quem deu esse PODER à Globo? Os meios de comunicação eletrônicos, que detém uma concessão, não foram eleitos pelo povo. E todo o poder vem do povo como diz o primeiro artigo de nossa Constituição. Mas o que acontece – e aqui o escândalo maior e criminoso – é que esses "donos" estão usurpando um poder que não é deles. É preciso gritar, gritar com toda força e coragem, que a essa usurpação é ilegal e ilegítima. Pela Constituição, os meios eletrônicos – rádio e TV – são concessões temporárias para fazer com que as pessoas possam se informar e formar suja opinião. Mas na prática se comportam como se fossem verdadeiros donos. Só eles falam. A maior censura é a do povo feita pelos monopólios da mídia. É a ditadura midiática. Repetindo Betinho: não temos uma democracia: vivemos um claro fascismo.

4. O MOMENTO HOJE

Agora o motivo principal dessa reflexão. Ninguém é senhor absoluto da história. As contradições se agudizam e chega o momento em que é preciso reajustar determinadas estratégias. Que significa esse escândalo Temer-Aécio? A deterioração do golpe estava se tornando insustentável. Não se estava conseguido que os intentos que o capital financeiro internacional (via Meirelles, via limitação de gastos, via mudança nas leis trabalhistas , via mudanças na Previdência) se concretizassem. Era preciso dar uma re-equilibrada. Além disso, a Globo, financeiramente, não anda bem. Uma conjuntura de problemas se avizinhava e corria-se o risco de se perder o controle. Era preciso retomar esse controle e garantir a continuação do projeto, pois os atores preparados para esse projeto não davam conta de realizá-los. Era urgente retirá-los de cena e pensar outra alternativa. Mas para isso – e aqui uma questão crucial – era preciso que a principal atriz desse processo, a própria Globo, construísse e garantisse credibilidade para executar essa importante tarefa. A maioria da população - mais de 90 % - desacreditava de Temer. E nesse descrédito a própria Globo estava sendo atingida, ao menos indiretamente. Era preciso superar esse sério empecilho. Eis o momento estratégico: dispensa-se Temer e, de tabela, a Globo reconquista sua credibilidade!

Pensemos um pouco, sejamos realistas e sinceros: a população brasileira nesse momento teria chegado a esse tumulto generalizado de um quase "Fora Temer" se a Globo não o tivesse propiciado? O Brasil inteiro ficou fixado – e fisgado – pela Globo! Que tremendo poder tem essa Senhora! Arrisco até dizer mais: desconfio que muitos estão agora ingenuamente esperando que ela diga quais os próximos passos, as cenas seguintes da tragi-comédia...

CONCLUINDO

Permito-me, fundamentado no dito acima, revelar claro o que penso. Diz-se que o velho senador romano Catão, diante dos perigos que Cartago representava para o Império, toda vez que subia à tribuna terminava dizendo: " Ceterum censeo, Carthaginem esse delendam!", isto é: "De mais a mais, penso que Cartago deve ser destruída!" E por muitos anos repetia sempre: Delenda Carthago! Até que enfim conseguiu. Numa analogia bem próxima, com base em grande número de analistas críticos da mídia-política – pois, como diz Venício Lima, nos dias de hoje mídia é política e política é mídia – tendo à frente nosso querido Betinho, não há como não gritar com todas as forças: DELENDA GLOBO! Isso não significa nada mais do que exigir que a mídia eletrônica – e a Globo na cabeça - deve ser no mínimo regulamentada, nada mais do que se respeitar a Constituição de 1988, artigos 220 a 224! Mas nem isso a Grande Mídia, representante legítima da Casa Grande hoje, aceita! Ela é o Poder, usurpado e roubado, pois não foi o povo que lhe deu esse poder. Ela – a Globo - comanda o espetáculo. Ela dá as cartas do jogo político. Bem diz Ricardo Capelli "Tirem a fumaça dos olhos. Globo prepara o IPPON. Tem o comando das cartas na manga. Crime perfeito!" Fico abismado: até há pouco todos gritando: "Fora Temer". E, de tabela, "Fora Globo". E de repente ela assume o espetáculo e a multidão fica perplexa, a ver navios! Ela rouba a cena e se coloca como a grande responsável pelo 'Fora Temer". Faturando em cima do fato e reconquistando sua credibilidade. Qual o próximo passo?

Aqui o alerta. Não sou adepto de nenhuma teoria conspiratória. Mas também não quero ser ingênuo. Vendo essa "guinada" da Globo e examinando sua história e seu DNA, herdeira legítima da Casa Grande, olhando sua prática "coerente" por quase 50 anos, fico me perguntando: que mudança e que conversão foram essas? Precisamos abrir os olhos. E mais: será que ela vai permitir que alguém da Senzala chegue, ou retorne para o convívio da Casa Grande? Para impedir isso, serviria até mesmo uma "semi-prisão" desse rebelde que já desobedeceu aos seus preceitos sagrados e teimosamente quer repetir o crime...

Repito: ninguém é dono da história nem da verdade. Numa verdadeira democracia todo poder emana do povo. Ela é construída e garantida pelo povo. Pode demorar, mas chega-se lá. E nesse preciso momento de nossa história, para podermos ir em frente, é urgente gritar, copiando Catão: DELENDA GLOBO! Uma utopia, mas a utopia já é o começo da realidade!

...


* Pedrinho Guareschi - UFRGS

Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz