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pergunta:

"Até quando vamos ter que agüentar a apropriação da idéia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

31.10.14

Rosa Weber determina que Congresso vote reajuste de salário de ministros do STF

31/out/2014, 18h24min

Rosa Weber determina que Congresso vote reajuste de salário de ministros do STF

 

Julgamento do mensalão no STF

Decisão da ministra altera projeto orçamentário|Foto: José Cruz / ABr

Agência Brasil

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta sexta-feira (31), que o Congresso Nacional vote o aumento de salário aprovado pelos ministros da Corte junto com a proposta do Orçamento Geral da União de 2015. A ministra atendeu pedido feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o reajuste seja incluído na proposta original do orçamento, sem modificações.

De acordo com entendimento da ministra, os projetos de lei devem ser apreciados dentro da proposta. "Defiro o pedido de medida liminar, para assegurar que as propostas orçamentárias originais, encaminhadas pelo Poder Judiciário, incluído o Conselho Nacional de Justiça, pelo Ministério Público da União e pelo Conselho Nacional do Ministério Público, anexas à Mensagem Presidencial nº 251/2014, sejam apreciadas pelo Congresso Nacional como parte integrante do projeto de lei orçamentária anual de 2015", decidiu a ministra.

Segundo a PGR, os projetos de lei enviados pelo Judiciário ao Executivo, nos quais constam pedidos de aumento de salário, não foram incluídos, na íntegra, no orçamento. De acordo com o Ministério do Planejamento, as propostas originalmente encaminhadas pelo Judiciário e pelo Ministério Público da União foram encaminhadas em anexo ao texto enviado ao Congresso, "para conhecimento final e deliberação sobre a matéria".

Conforme a proposta aprovada, em agosto, pelo STF, a partir do dia 1º de janeiro do ano que vem, os ministros da Corte passariam a ganhar R$ 35.919,00, caso o reajuste fosse aceito pelo Congresso Nacional. O salário atual é R$ 29.462,25. Para calcular o aumento, os ministros levaram em conta a recomposição inflacionária de 16,11%, referente ao período de 2009 a 2014. A proposta também contempla os servidores do Judiciário. A proposta aumenta, ainda, os vencimentos dos procuradores da República.

Outro reajuste para os ministros está previsto para o dia 1º de janeiro de 2015, de acordo com a Lei 12.771, de 28 de dezembro de 2012, que definiu o valor dos vencimentos dos ministros até 2015. Os vencimentos vão passar para R$ 30.935,36.

http://www.sul21.com.br/jornal/rosa-weber-determina-que-congresso-vote-reajuste-de-salario-de-ministros-do-stf/


Regulação de conteúdo busca garantir pluralidade na TV

30/10/2014 às 10:12

Regulação de conteúdo busca garantir pluralidade na TV

Escrito por: Elizângela Araújo/FNDC

PLIP da Mídia Democrática regulamenta dispositivos já previstos na Constituição Federal mas até hoje ignorados pelo Estado brasileiro

Emissoras de rádio e TV operam concessões públicas e, como tal, são passíveis de regulação, como os demais serviços operados por concessionárias privadas, como transporte público, telefonia etc. Essa regulação pode se dar tanto nos aspectos técnicos, econômicos e políticos quanto no conteúdo, sempre com o objetivo de democratizar o acesso aos meios de comunicação de massa, e é um dos pontos defendidos pelo Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) da Mídia Democrática.

Lançado em maio de 2013 pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o PLIP traz um capítulo inteiro (Capítulo 5) dedicado à regulação de conteúdo como forma de ampliar o acesso da população à mídia e contribuir com a regulamentação da Constituição Federal (CF), que prevê já regulação de conteúdo ao estabelecer, no Art. 221, que a produção e a programação das emissoras devem dar preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, promover a cultura nacional e regional e estimular a produção independente, entre outros preceitos.

Sem a regulamentação desse dispositivo as emissoras acabam ficando livres para montar suas grades de programação da forma que melhor atenda aos seus próprios interesses, explica Bia Barbosa, coordenadora do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e membro da executiva nacional do FNDC.

Seguindo a trilha da CF, o PLIP estabelece que as emissoras afiliadas a uma rede de televisão deverão ocupar, no mínimo, 30% de sua grade com produção cultural, artística e jornalística regional, entre sete da manhã e meia noite, sendo que pelo menos sete horas dessa programação devem ser inseridas no horário nobre. Para as emissoras com outorga local, a programação regional deve ocupar pelo menos 70% de sua grade.

O PLIP também contempla a programação produzida por produtoras nacionais independentes, que deverão ocupar no mínimo 10% do horário nobre. Essa medida, além de assegurar a inserção de questões locais na programação, também contribui para o fortalecimento dos mercados regionais, já que 50% do conteúdo independente deve ser realizado na própria área de mercado da emissora.

Com relação às emissoras de tevê nacionais, o PLIP busca assegurar que pelo menos 70% do tempo de programação seja ocupado com conteúdo nacional, sendo que pelo menos duas horas diárias sejam ocupadas por conteúdo jornalístico, nos termos da regulamentação. "Essa regulamentação, que será feita por meio de lei específica, deverá estipular limites de tempo e demais regras para veiculação de propaganda de partido político ou propagação de fé religiosa, primando pelo respeito aos princípios de pluralidade, diversidade e direitos humanos, assim com proibir qualquer tipo de manifestação de intolerância, nos termos da Constituição Federal", complementa Bia Barbosa.

Direito de antena

Outro dispositivo previsto no PLIP é o direito de antena para grupos sociais relevantes, que é a reserva de um espaço na grande de programação das emissoras de rádio e TV para a veiculação de propaganda, tal como existe na Espanha, Portugal, Alemanha e Holanda, por exemplo.



O professor Venício Lima, autor de vários livros e artigos sobre temas relativos à democratização da comunicação, explica que atualmente o que mais se aproxima desse dispositivo, no Brasil, é a propaganda eleitoral, que assegura aos partidos políticos e veiculação de propaganda eleitoral gratuita mediante isenção fiscal para as emissoras como forma de compensação financeira.  "Em Portugal, por exemplo, esse direito é garantido constitucionalmente não só a partidos políticos, mas também a organizações sindicais, profissionais e representativas das atividades econômicas e outras organizações sociais de âmbito nacional", compara Venício.

Além da Constituição Federal, o Código Brasileiro de Telecomunicações também trata de regulação de conteúdo quando limita ao máximo de 25% do tempo de programação a quantidade de publicidade que pode ser veiculada por emissoras de televisão. Outra regulação de conteúdo em voga é a classificação indicativa.

Direito de resposta e promoção dos direitos da infância e juventude

A proposta de lei popular também resgata o direito de resposta de forma individual, coletiva ou difusa a todas as pessoas físicas e jurídicas, garantido espaço gratuito igual ao utilizado para a acusação ou ofensa. Os direitos das crianças e adolescentes também estão contemplados no PLIP, com a aplicação do sistema de classificação indicativa por faixas etárias e horárias de acordo com os fusos horários nacionais e a proibição da publicidade e conteúdo comercial dirigido a crianças de até 12 anos, entre outros.

Apesar da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) ter pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) o fim da classificação indicativa, alegando desrespeito à liberdade de expressão, o próprio relator especial da ONU para Liberdade de Expressão, Frank La Rue, já emitiu parecer afirmando que esses são direitos complementares e não podem ser tratados como antagônicos, lembra Bia. "Ou seja, a proteção da infância não fere a liberdade da expressão e, neste caso, o conteúdo também precisa ser regulado".

Na Suécia, país de forte tradição democrática, a publicidade voltada para o público infantil foi abolida por meio de mecanismos de regulação de conteúdo. "No Brasil, ainda prevalece o argumento distorcido da proteção absoluta à liberdade de expressão, usado contra a recente resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que definiu que é abusiva a publicidade voltada para crianças", lembra Bia.

Sem regulação a mídia empobrece a opinião pública

A regulação de conteúdo não deve ser confundida com limites à divulgação de informações ou censura prévia, mas como estímulo ao pluralismo. Venício Lima ressalta que, nas sociedades contemporâneas, "a liberdade de expressão é apenas um direito subjetivo se não se garante a pessoas e grupos representativos da sociedade civil acesso ao debate público, que ainda é, em grande parte, agendado e controlado pelos grandes grupos de mídia".

O professor ressalta que a Constituição Federal garante, no Art. 5°, IX, a liberdade de expressão intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. Adiante, no inciso XIV, assegura a todos o acesso à informação e resguarda o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional. Ou seja, relacionar regulação com censura é desconhecimento ou má fé deliberada.

Bia Barbosa afirma que a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) entende que há muitos motivos para que a regulação de conteúdo exista nos meios de comunicação de massa: promover a diversidade cultural; garantir proteção dos cidadãos contra material que incite ao ódio, à discriminação e ao crime, e contra a propaganda enganosa; proteger crianças e adolescentes de conteúdos nocivos ao seu desenvolvimento; proteger a cultura nacional, entre outros. "E a Unesco está muito longe de ser um organismo autoritário", pondera.

PLIP já tem 100 mil assinaturas

O PLIP da Mídia Democrática precisa de pelo menos 1,4 milhão de assinaturas para ser protocolizado na Câmara dos Deputados. Até o momento, essa adesão vem sendo incentivada por entidades ligadas aos movimentos sociais, sindical, estudantil e seus militantes, parceiros e membros da campanha Para Expressar a Liberdade, nos vários espaços coletivos nos quais se inserem. De acordo com Rosane Bertotti, coordenadora-geral do FNDC, já há cerca de cem mil assinaturas coletadas entre eleitores de todo o país.

O FNDC e suas entidades filiadas e parceiras montam estrutura para colher assinaturas em favor do PLIP em várias ocasiões. Além desses eventos previamente divulgados, qualquer eleitor pode se mobilizar para contribuir com essa iniciativa. Basta imprimir o formulário disponível no site do FNDC e juntar as assinaturas de colegas de trabalho, escola, vizinhança ou quaisquer outros espaços coletivos.

Links

>> PLIP da Mídia Democrática

>> Formulário de assinaturas

>> Kit de coleta em PDF com todos os materiais

>> Informações sobre pontos de coleta e entrega em Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Paraná


http://www.fndc.org.br/noticias/regulacao-de-conteudo-busca-garantir-pluralidade-na-tv-924481/


Saiba o que é a Política Nacional de Participação Social

Saiba o que é a Política Nacional de Participação Social







Portal EBC29.10.2014 - 15h21 | Atualizado em 30.10.2014 - 13h04




decreto número 8.243, de maio de 2014, instituiu a Política Nacional de Participação Social - PNPS e o Sistema Nacional de Participação Social - SNPS. O texto estabelece objetivos e diretrizes relativos ao conjunto de mecanismos - tais como conselhos, conferências, ouvidorias, mesas de diálogo, consultas públicas, audiências públicas e ambientes virtuais de participação social - criados para compartilhar com a sociedade civil decisões sobre programas e políticas públicas. O objetivo, segundo o governo, é fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil. 

Nesta terça-feira (28), o decreto foi derrubado pela Câmara dos Deputados. A Casa aprovou o projeto (PDC 1491/14) que anula a determinação presidencial. Porém, o Senado ainda tem de avaliar o projeto de decreto legislativo para que a determinação do Planalto seja suspensa.

Atualmente já existem diversos conselhos. Enquanto alguns tem caráter consultivo, outros são normativos. O decreto não cria, nem extingue conselhos já existentes, porém define parâmetros para a eventual criação de novos. O que mudaria com o decreto é que os órgãos da administração pública federal teriam de considerar essas instâncias, e ouvi-las, na hora de formular, avaliar e monitorar suas políticas.

Relembre polêmica no Portal EBC:

Câmara derruba decreto presidencial sobre conselhos

"Derrota não nos abate", diz ministro sobre decreto de participação social

Decreto de Participação Social não cria nenhum conselho, diz Mercadante

O sistema de participação seria chefiado pela Secretaria-Geral da Presidência da República, estando previstos um conselho permanente; comissões temáticas; conferências nacionais periódicas; uma ouvidoria pública federal; mesas de diálogo; fóruns interconselhos; audiências e consultas públicas; e ambiente virtual de participação social. A intenção é permitir que as entidades influenciem as políticas e os programas de governo e consolidar a participação como um método de governo.

Defensores do decreto apontam que ele apenas regulamenta a existência de instâncias de participação da sociedade civil nos órgãos da administração federal. Para esse grupo, decreto contribui para a ampliação da cidadania dos atores sociais,  reconhecendo, inclusive, novas formas de participação social em rede. Um movimento com abaixo-assinado foi criado em defesa da PNPS

Crítica ao projeto

A polêmica da PNPS está no fato de que, segundo o governo, como não cria receitas ou despesas, essa regulamentação não precisaria passar por validação do Congresso Nacional. Já parlamentares consideram que, por criar novos procedimentos, a PNPS precisa ser instituída por meio de lei aprovada nas casas legislativas. Críticos também questionam o fato de a participação social em uma democracia representativa se dar por meio de representantes eleitos pela população. Nesse sentido, entendem que o decreto sinalizaria uma "mudança" no sistema político, instituindo uma nova fonte de poder que seria a "participação direta". 

Críticos avaliam, ainda, que decreto impõe um modelo de consulta à população que é "definido" pelo Poder Executivo. Há ainda aqueles que destacam possível desrespeito à democracia representativa ao criar acesso diferenciado ao governo para integrantes de movimentos sociais. Parte da polêmica deve-se, também, à definição de "sociedade civil" apontada pelo decreto, a qual compreende "os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados", o que poderia vir a possibilitar ao governo tentar aparelhar politicamente entidades da administração pública. 

  • Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0


TVE e FM Cultura preparam cobertura para a Feira do Livro de Porto Alegre

TVE e FM Cultura preparam cobertura para a Feira do Livro de Porto Alegre

30/10/2014


A TVE e FM Cultura participam da 60ª Feira do Livro de Porto Alegre com programação especial direto da Praça da Alfândega. Entre 31 de outubro e 16 de novembro, a Fundação Piratini estará com estande na rua Andradas próximo a rua Caldas Júnior. No local, os visitantes vão ter um espaço para a troca de livros. Ainda, será desenvolvida uma ação especial, em parceria com o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS), sobre mobilidade urbana. O público vai poder deixar suas dicas de como melhorar o deslocamento na cidade, em post-its, para colar em um totem em formato de bicicleta. A temática guiará toda a programação especial da Fundação Piratini durante a feira.

De segunda a sexta, o Jornal da TVE 1ª Edição vai contar com matérias especias produzidas na feira e o Jornal da TVE 2ª Edição terá flashs ao vivo. Os programas Cidadania, Estação Cultura, Radar e Jornal da TVE 2ª Edição terão edições especiais transmitidas ao vivo da feira. Na FM Cultura, o Estação Cultura será transmitido diariamente, ao vivo, às 18h. Os programas Tons e Letras e Cultura na Mesa vão edições especiais com transmissão da casa da Fundação Piratini na Feira. A emissora vai produzir, especialmente para o evento, o programa Cultura na Feira, dia 8/11, às 14h. No dia 14/11, toda a programação será transmitida ao vivo direto do estúdio na Praça da Alfândega com os programas Cultura na Mesa, Tarde Popular Brasileira, Conversa de Botequim e Estação Cultura.

Nos dias 2/11 e 16/11, entre as 10h e 14h, na área central da praça, os visitantes poderão interagir com figurinos dos bonecos do programa Pandorga e tirar fotos.

 Confira a programação completa:

TVE

31/10 a 16/11 – Matérias no Jornal da TVE 1ª Edição, às 12h20, e entradas ao vivo diariamente no Jornal da TVE 2ª Edição, às 19h30.

3/11 – Cidadania, às 19h, ao vivo.

7/11 – Estação Cultura, às 12h45, e Radar, às 18h30, ao vivo.

10/11 – Cidadania, às 19h, ao vivo.

11/11 – Jornal da TVE 2ª, às 19h30, ao vivo, da Feira do Livro.

14/11 – Estação Cultura, 12h45, e Radar, às 18h30, ao vivo.

FM Cultura

3/11  a 16/11 – Estação Cultura, às 18h.

08/11 – Cultura na Feira, às 14h.

15/11 – Tons e Letras, às 11h.

10/11 e 14/11 – Cultura na Mesa, às 11h30, especial sobre o Conselho Estadual de Cultura.

14/11 – Entre 12h e 19h toda a programação da emissora será transmitida ao vivo direto do estúdio na Praça da Alfândega: Cultura na Mesa, Tarde Popular Brasileira, Conversa de Botequim e Estação Cultura.

Programação institucional

2/11 e 16/11, das 10h às 14h – Ação com fotos, figurino e painéis com personagens do Pandorga na área central da Praça da Alfândega.


http://www.tve.com.br/2014/10/tve-e-fm-cultura-preparam-cobertura-para-a-feira-do-livro-de-porto-alegre/


Estudantes dos ensinos Fundamental e Médio podem concorrer a bolsas de iniciação científica

Estudantes dos ensinos Fundamental e Médio podem concorrer a bolsas de iniciação científica

28/10/2014 às 13:26

Estudantes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio poderão concorrer a bolsas de iniciação científica para o ano de 2015. O edital para o Programa de Iniciação em Ciências, Matemática, Engenharias, Tecnologias Criativas e Letras (Picmel) foi lançado em 22 de outubro, numa parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e terá inscrições abertas até as 17h59min do dia 30 de janeiro de 2015.

O objetivo do programa é despertar a vocação científica e incentivar talentos potencias nas áreas abrangidas pelo Picmel, em alunos do ensino público fundamental e médio. O Picmel receberá um montante de R$ 3,687 milhões. A estimativa da Fapergs é conceder 450 bolsas de Iniciação Científica Júnior, 150 bolsas para professores da educação básica e 75 auxílios para pesquisadores.

Os valores das bolsas, respectivamente, são de R$ 150 para alunos e R$ 765 para professores. Aos pesquisadores será concedido, em cota única, auxílio de R$ 20 mil para aquisição de material permanente (microscópios, computadores, livros etc) e despesas de custeio relacionadas ao projeto de pesquisa contemplado. O prazo de vigência das bolsas/auxílio é de 12 meses, sem prorrogação.

O acesso ao programa se dará por meio de projetos de pesquisa relacionados às áreas abrangidas pelo edital (Ciências, Matemática, Engenharias, Tecnologias Criativas e Letras) apresentados por pesquisadores doutores com vínculo empregatício com Instituições de Ensino Superior (IES) ou centro de pesquisa público ou privado sem fins lucrativos do RS que atenderem aos requisitos do Edital Fapergs 09/2014, que normatiza o Picmel.

O projeto de pesquisa deverá ser encaminhado eletronicamente, por meio do SigFapergs – Sistema de Informação e Gestão de Projetos. O link de acesso está disponível no site da Fapergs: www.fapergs.rs.gov.br. O navegador a ser utilizado deve ser o Mozilla Firefox.

Inscrições e Informações sobre o programa são obtidas junto à Fapergs:

- Site www.fapergs.rs.gov.br;

- Sistema SigFapergs (http://sigfapergs.rs.gov.br)

- Sede da Fundação – Av. Borges de Medeiros, 261 – Porto Alegre – Fone 51-3221-4922 Ramal 200.

Texto: Assesoria Seduc
Edição: Redação Secom 


http://www.rs.gov.br/conteudo/206471/estudantes-dos-ensinos-fundamental-e-medio-podem-concorrer-a-bolsas-de-iniciacao-cientifica


Quem tem medo de Participação Social?

Quem tem medo de Participação Social?

https://www.youtube.com/watch?v=abCDuIueIkY#t=169


Vídeo realizado durante bate-papo promovido pela Secretaria-Geral da Presidência com midialivristas e estudiosos. Publicado em 30/10/2014.


Em defesa da Política Nacional de Participação Social e pela ampliação dos mecanismos de diálogo e incidência da sociedade civil e dos movimentos populares em todas as esferas dos governos - sobretudo nas políticas públicas de comunicação!




Manifesto de Juristas e Acadêmicos em favor da Política Nacional de Participação Social

Manifesto de Juristas e Acadêmicos em favor da Política Nacional de Participação Social

"Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição" art. 1º. parágrafo único, da Constituição da República Federativa do Brasil.

Em face da ameaça de derrubada do decreto federal n. 8.243/2014, nós, juristas, professores e pesquisadores, declaramos nosso apoio a esse diploma legal que instituiu a Política Nacional de Participação Social.

Entendemos que o decreto traduz o espírito republicano da Constituição Federal Brasileira ao reconhecer mecanismos e espaços de participação direta da sociedade na gestão pública federal.

Entendemos que o decreto contribui para a ampliação da cidadania de todos os atores sociais, sem restrição ou privilégios de qualquer ordem, reconhecendo, inclusive, novas formas de participação social em rede.

Entendemos que, além do próprio artigo 1º CF, o decreto tem amparo em dispositivos constitucionais essenciais ao exercício da democracia, que prevêem a participação social como diretriz do Sistema Único de Saúde, da Assistência Social, de Seguridade Social e do Sistema Nacional de Cultura; além de conselhos como instâncias de participação social nas políticas de saúde, cultura e na gestão do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (art. 194, parágrafo único, VII; art. 198, III; art. 204, II; art. 216, § 1º, X; art. 79, parágrafo único).

Entendemos que o decreto não viola nem usurpa as atribuições do Poder Legislativo, mas tão somente organiza as instâncias de participação social já existentes no Governo Federal e estabelece diretrizes para o seu funcionamento, nos termos e nos limites das atribuições conferidas ao Poder Executivo pelo Art. 84, VI, "a" da Constituição Federal.

Entendemos que o decreto representa um avanço para a democracia brasileira por estimular os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta a considerarem espaços e mecanismos de participação social que possam auxiliar o processo de formulação e gestão de suas políticas.

Por fim, entendemos que o decreto não possui inspiração antidemocrática, pois não submete as instâncias de participação, os movimentos sociais ou o cidadão a qualquer forma de controle por parte do Estado Brasileiro; ao contrário, aprofunda as práticas democráticas e amplia as possibilidades de fiscalização do Estado pelo povo.

A participação popular é uma conquista de toda a sociedade brasileira, consagrada na Constituição Federal. Quanto mais participação, mais qualificadas e próximas dos anseios da população serão as políticas públicas.

Não há democracia sem povo.


Fábio Konder Comparato – Professor Catedrático Emérito da Faculdade de Direito da USP e Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra.

Dalmo Dallari - Professor Catedrático Emérito da Faculdade de Direito da USP.

Frei Betto - Escritor e Filósofo da Teologia da Libertação.

Maria Victoria de Mesquita Benevides - Professora Catedrática da Faculdade de Educação da USP.

Renato Janine Ribeiro - Professor Titular de Ética e Filosofia Política da USP.

Cézar Brito - Ex-Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).


Veja os nomes de outros juristas e acadêmicos que apoiam a PNPS:

https://docs.google.com/forms/d/1zdr99vJvBzaIaIrTnHOEthYpB0Qico9Zq893GA1y2do/viewform?c=0&w=1&fbzx=-3189431721884710059


Você apoia a Política Nacional de Participação Social? *



O rancor e o ressentimento da direita

31/out/2014, 7h46min

O rancor e o ressentimento da direita

Era previsível que num ano de escolha de um novo presidente e de eleições para o parlamento, que o tom do debate político se elevasse. A possibilidade de chegada ao poder excita tanto ou mais do que o sexo; as sensibilidades se agudizam; os ânimos se exaltam. Mas também não há nenhuma dúvida que esta reta final das eleições/2010 tem algumas particularidades interessantes que merecem ser brevemente comentadas.

A cada dia que passa o resultado das pesquisas aumenta o desespero de Serra, do PSDB e do DEM. Partidos de caciques políticos, dissidências das cúpulas do PMDB paulista e da Arena, incapazes de apresentar-se como uma nova e válida alternativa de poder ao governo Lula, constituíram oposição pobre, meramente caluniadora, pouco inspirada e inspiradora.

Historicamente acostumados com exercício do poder, oito anos fora da presidência é para eles tempo demais. Acirra-lhes a contrariedade, torna incontrolável seu o mau humor. E a perspectiva que se avizinha – de ficar mais oito ou talvez doze anos fora – é, então, um sofrimento, algo absolutamente inaceitável. O que lhes resta fazer? Exatamente o que eles estão fazendo: com o maciço, o solidário apoio do PIG – partido da imprensa golpista – negar a legitimidade da democracia brasileira, desqualificar o processo eleitoral em andamento, bombardear o governo Lula, atacar pessoalmente Dilma.

O náufrago Serra tentou, primeiro a denúncia da quebra do sigilo de sua filha. Apesar da insistência e do irrestrito apoio do PIG, não colou. Depois veio a Veja da semana passada que colocou na capa um escudo da República ameaçado pelos tentáculos de um polvo colocado acima da indagação "PARTIDO DO POVO?" A clara insinuação do perigo iminente de uma república populista no país. E no domingo próximo passado a última edição da Veja veio com nova denúncia, desta vez contra a sucessora de Dilma na casa Civil. Além disso, tem se tornado freqüente na Internet, em muitos blogs consultados e em emails recebidos, o coro dos "viúvos da ditadura militar". Trata-se daquela turma dos saudosos dos governos de chumbo de antanho que, segundo essa versão, diferentes do atual, imunes à corrupção, responsáveis por realizações grandiosas e pelo crescimento econômico. Um absurdo: eles esquecem a inflação, as obras faraônicas não concluídas, a total subserviência do Brasil aos interesses norte-americanos, sem falar na tortura e na falta das mínimas liberdades cidadãs.

Aqui nesta província de S. Pedro há três registros que julgo necessário fazer. O primeiro foi a recente veiculação em jornal da capital de um artigo de um ex-prefeito nomeado pela ditadura, que alerta para os perigos do que ele chama da "volta dos velhos sonhos populistas". O autor chega a cometer o desatino de responsabilizar a democracia direta como responsável pela chegada de Hitler ao poder na Alemanha! O segundo é o editorial de ZH de domingo passado, em que a RBS manifesta seu desencanto pela democracia. É o reconhecimento implícito da derrota de seus candidatos. E por fim o terceiro, o mais triste é o artigo "Rir ou chorar", também publicado na última ZH dominical. Flávio Tavares, um jornalista exilado, perseguido pela ditadura militar assumiu o discurso da direita, reclamando dos elevados níveis de corrupção do país – segundo suas palavras textuais "nunca houve tanta corrupção como agora", escreve. Triste, muito triste que uma figura com esta história e passado político tenha se transformado numa caricatura, uma espécie de editorialista B do grupo RBS.

Escrevi este texto, quatro anos atrás, poucos dias antes das eleições de 2010. Achei interessante reproduzi-lo agora porque trocando o nome do candidato do PSDB – Serra por Aécio – o cenário do momento político pré-eleitoral se repetiu em 2014. Um vídeo tape piorado. O posicionamento da grande mídia foi ainda mais parcial, de acintosa hostilidade oposicionista. Teve a clara intenção de acirrar o sentimento antipetista na população. O tom das denúncias e calúnias aumentou, chegando ao que pode ser classificado de "desespero golpista".

Aécio Neves, derrotado, demonstrou toda sua pequenez, não reconheceu a vitória da oponente, bradou, destilou ódio e rancor. Um Congresso conservador, corporativo, dois dias depois da vitória de Dilma revogou um decreto presidencial que criou os Conselhos Populares. O mercado se agitou, a bolsa cai, o dólar subiu, expressando seu descontentamento com a derrota do seu candidato. Alguns mais exaltados, fora de si, afirmam que foi a inaceitável vitória do Norte e do Norte pobre, atrasado que se impôs ao Sul e Sudeste, os motores que movem a economia do país.

A velha e reacionária direita brasileira se fortaleceu. E o lamentável é que, decorridos quatro anos, apesar da vitória da Dilma, estamos ainda mais distantes da consolidação de uma verdadeira democracia no país.

.oOo.

Paulo Muzell é economista.

http://www.sul21.com.br/jornal/o-rancor-e-o-ressentimento-da-direita/



30.10.14

Discurso do Santo Padre Francisco aos participantes do Encontro Mundial de Movimentos Populares

Notícias » Quarta, 29 de outubro de 2014


Entre os dias 27 e 29 de outubro, ocorre o Encontro Mundial dos Movimentos Populares, promovido pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, em colaboração com a Pontifícia Academia das Ciências Sociais. Nesta terça-feira, o Papa Francisco proferiu o seu discurso aos participantes do encontro.

"Este encontro nosso – afirmou Francisco – responde a um anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para os seus filhos; um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza cada vez mais longe da maioria: terra, teto e trabalho. É estranho, mas, se eu falo disso para alguns, significa que o papa é comunista. Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, teto e trabalho – isso pelo qual vocês lutam – são direitos sagrados. Reivindicar isso não é nada raro, é a doutrina social da Igreja."

O discurso foi publicado no sítio da Santa Sé, 28-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Discurso do Santo Padre Francisco aos participantes do Encontro Mundial de Movimentos Populares

Bom dia de novo. Eu estou contente por estar no meio de vocês. Aliás, vou lhes fazer uma confidência: é a primeira vez que eu desço aqui [na Aula Velha do Sínodo], nunca tinha vindo.

Como lhes dizia, tenho muita alegria e lhes dou calorosas boas-vindas. Obrigado por terem aceitado este convite para debater tantos graves problemas sociais que afligem o mundo hoje, vocês, que sofrem em carne própria a desigualdade e a exclusão. Obrigado ao cardeal Turkson pela sua acolhida. Obrigado, Eminência, pelo seu trabalho e pelas suas palavras.

Este encontro de Movimentos Populares é um sinal, é um grande sinal: vocês vieram colocar na presença de Deus, da Igreja, dos povos, uma realidade muitas vezes silenciada. Os pobres não só padecem a injustiça, mas também lutam contra ela!

Não se contentam com promessas ilusórias, desculpas ou pretextos. Também não estão esperando de braços cruzados a ajuda de ONGs, planos assistenciais ou soluções que nunca chegam ou, se chegam, chegam de maneira que vão em uma direção ou de anestesiar ou de domesticar. Isso é meio perigoso. Vocês sentem que os pobres já não esperam e querem ser protagonistas, se organizam, estudam, trabalham, reivindicam e, sobretudo, praticam essa solidariedade tão especial que existe entre os que sofrem, entre os pobres, e que a nossa civilização parece ter esquecido ou, ao menos, tem muita vontade de esquecer.

Solidariedade é uma palavra que nem sempre cai bem. Eu diria que, algumas vezes, a transformamos em um palavrão, não se pode dizer; mas é uma palavra muito mais do que alguns atos de generosidade esporádicos. É pensar e agir em termos de comunidade, de prioridade de vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. Também é lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, de terra e de moradia, a negação dos direitos sociais e trabalhistas. É enfrentar os destrutivos efeitos do Império do dinheiro: os deslocamentos forçados, as migrações dolorosas, o tráfico de pessoas, a droga, a guerra, a violência e todas essas realidades que muitos de vocês sofrem e que todos somos chamados a transformar. A solidariedade, entendida em seu sentido mais profundo, é um modo de fazer história, e é isso que os movimentos populares fazem.

Este encontro nosso não responde a uma ideologia. Vocês não trabalham com ideias, trabalham com realidades como as que eu mencionei e muitas outras que me contaram... têm os pés no barro, e as mãos, na carne. Têm cheiro de bairro, de povo, de luta! Queremos que se ouça a sua voz, que, em geral, se escuta pouco. Talvez porque incomoda, talvez porque o seu grito incomoda, talvez porque se tem medo da mudança que vocês reivindicam, mas, sem a sua presença, sem ir realmente às periferias, as boas propostas e projetos que frequentemente ouvimos nas conferências internacionais ficam no reino da ideia, é meu projeto.

Não é possível abordar o escândalo da pobreza promovendo estratégias de contenção que unicamente tranquilizem e convertam os pobres em seres domesticados e inofensivos. Como é triste ver quando, por trás de supostas obras altruístas, se reduz o outro à passividade, se nega ele ou, pior, se escondem negócios e ambições pessoais: Jesus lhes chamaria de hipócritas. Como é lindo, ao contrário, quando vemos em movimento os Povos, sobretudo os seus membros mais pobres e os jovens. Então, sim, se sente o vento da promessa que aviva a esperança de um mundo melhor. Que esse vento se transforme em vendaval de esperança. Esse é o meu desejo.

Este encontro nosso responde a um anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para os seus filhos; um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza cada vez mais longe da maioria: terra, teto e trabalho. É estranho, mas, se eu falo disso para alguns, significa que o papa é comunista.

Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, teto e trabalho – isso pelo qual vocês lutam – são direitos sagrados. Reivindicar isso não é nada raro, é a doutrina social da Igreja. Vou me deter um pouco sobre cada um deles, porque vocês os escolheram como tema para este encontro.

Terra. No início da criação, Deus criou o homem, guardião da sua obra, encarregando-o de cultivá-la e protegê-la. Vejo que aqui há dezenas de camponeses e camponesas, e quero felicitá-los por cuidar da terra, por cultivá-la e por fazer isso em comunidade. Preocupa-me a erradicação de tantos irmãos camponeses que sobrem o desenraizamento, e não por guerras ou desastres naturais. A apropriação de terras, o desmatamento, a apropriação da água, os agrotóxicos inadequados são alguns dos males que arrancam o homem da sua terra natal. Essa dolorosa separação, que não é só física, mas também existencial e espiritual, porque há uma relação com a terra que está pondo a comunidade rural e seu modo de vida peculiar em notória decadência e até em risco de extinção.

A outra dimensão do processo já global é a fome. Quando a especulação financeira condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como qualquer mercadoria, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Isso é um verdadeiro escândalo. A fome é criminosa, a alimentação é um direito inalienável. Eu sei que alguns de vocês reivindicam uma reforma agrária para solucionar alguns desses problemas, e deixem-me dizer-lhes que, em certos países, e aqui cito o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, "a reforma agrária é, além de uma necessidade política, uma obrigação moral" (CDSI, 300).

Não sou só eu que digo isso. Está no Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Por favor, continuem com a luta pela dignidade da família rural, pela água, pela vida e para que todos possam se beneficiar dos frutos da terra.

Em segundo lugar, teto. Eu disse e repito: uma casa para cada família. Nunca se deve esquecer de que Jesus nasceu em um estábulo porque na hospedagem não havia lugar, que a sua família teve que abandonar o seu lar e fugir para o Egito, perseguida por Herodes. Hoje há tantas famílias sem moradia, ou porque nunca a tiveram, ou porque a perderam por diferentes motivos. Família e moradia andam de mãos dadas. Mas, além disso, um teto, para que seja um lar, tem uma dimensão comunitária: e é o bairro... e é precisamente no bairro onde se começa a construir essa grande família da humanidade, a partir do mais imediato, a partir da convivência com os vizinhos.

Hoje, vivemos em imensas cidades que se mostram modernas, orgulhosas e até vaidosas. Cidades que oferecem inúmeros prazeres e bem-estar para uma minoria feliz... mas se nega o teto a milhares de vizinhos e irmãos nossos, inclusive crianças, e eles são chamados, elegantemente, de "pessoas em situação de rua". É curioso como no mundo das injustiças abundam os eufemismos. Não se dizem as palavras com a contundência, e busca-se a realidade no eufemismo. Uma pessoa, uma pessoa segregada, uma pessoa apartada, uma pessoa que está sofrendo a miséria, a fome, é uma pessoa em situação de rua: palavra elegante, não? Vocês, busquem sempre, talvez me equivoque em algum, mas, em geral, por trás de um eufemismo há um crime.

Vivemos em cidades que constroem torres, centros comerciais, fazem negócios imobiliários... mas abandonam uma parte de si nas margens, nas periferias. Como dói escutar que os assentamentos pobres são marginalizados ou, pior, quer-se erradicá-los! São cruéis as imagens dos despejos forçados, dos tratores derrubando casinhas, imagens tão parecidas às da guerra. E isso se vê hoje.

Vocês sabem que, nos bairros populares, onde muitos de vocês vivem, subsistem valores já esquecidos nos centros enriquecidos. Os assentamentos estão abençoados com uma rica cultura popular: ali, o espaço público não é um mero lugar de trânsito, mas uma extensão do próprio lar, um lugar para gerar vínculos com os vizinhos. Como são belas as cidades que superam a desconfiança doentia e integram os diferentes e que fazem dessa integração um novo fator de desenvolvimento. Como são lindas as cidades que, ainda no seu desenho arquitetônico, estão cheias de espaços que conectam, relacionam, favorecem o reconhecimento do outro.

Por isso, nem erradicação, nem marginalização: é preciso seguir na linha da integração urbana. Essa palavra deve substituir completamente a palavra erradicação, desde já, mas também esses projetos que pretendem envernizar os bairros populares, ajeitar as periferias e maquiar as feridas sociais, em vez de curá-las, promovendo uma integração autêntica e respeitosa. É uma espécie de direito arquitetura de maquiagem, não? E vai por esse lado. Sigamos trabalhando para que todas as famílias tenham uma moradia e para que todos os bairros tenham uma infraestrutura adequada (esgoto, luz, gás, asfalto e continuo: escolas, hospitais ou salas de primeiros socorros, clube de esportes e todas as coisas que criam vínculos e que unem, acesso à saúde – já disse – e à educação e à segurança.

Terceiro, trabalho. Não existe pior pobreza material – urge-me enfatizar isto –, não existe pior pobreza material do que a que não permite ganhar o pão e priva da dignidade do trabalho. O desemprego juvenil, a informalidade e a falta de direitos trabalhistas não são inevitáveis, são o resultado de uma prévia opção social, de um sistema econômico que coloca os lucros acima do homem, se o lucro é econômico, sobre a humanidade ou sobre o homem, são efeitos de uma cultura do descarte que considera o ser humano em si mesmo como um bem de consumo, que pode ser usado e depois jogado fora.

Hoje, ao fenômeno da exploração e da opressão, soma-se uma nova dimensão, um matiz gráfico e duro da injustiça social; os que não podem ser integrados, os excluídos são resíduos, "sobrantes". Essa é a cultura do descarte, e sobre isso gostaria de ampliar algo que não tenho por escrito, mas que lembrei agora. Isso acontece quando, no centro de um sistema econômico, está o deus dinheiro e não o homem, a pessoa humana. Sim, no centro de todo sistema social ou econômico, tem que estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o denominador do universo. Quando a pessoa é deslocada e vem o deus dinheiro, acontecesse essa inversão de valores.

E, para explicitar, lembro um ensinamento de cerca do ano 1200. Um rabino judeu explicava aos seus fiéis a história da torre de Babel e, então, contava como, para construir essa torre de Babel, era preciso fazer muito esforço, era preciso fazer os tijolos; para fazer os tijolos, era preciso fazer o barro e trazer a palha, e amassar o barro com a palha; depois, cortá-lo em quadrados; depois, secá-lo; depois, cozinhá-lo; e, quando já estavam cozidos e frios, subi-los, para ir construindo a torre.

Se um tijolo caía – o tijolo era muito caro –, com todo esse trabalho, se um tijolo caía, era quase uma tragédia nacional. Aquele que o deixara cair era castigado ou suspenso, ou não sei o que lhe faziam. E se um operário caía não acontecia nada. Isso é quando a pessoa está a serviço do deus dinheiro, e isso era contado por um rabino judeu no ano 1200, explicando essas coisas horríveis.

E, a respeito do descarte, também temos que estar um pouco atentos ao que acontece na nossa sociedade. Estou repetindo coisas que disse e que estão na Evangelii gaudium. Hoje em dia, descartam-se as crianças porque a taxa de natalidade em muitos países da terra diminuiu, ou se descartam as crianças porque não se ter alimentação, ou porque são mortas antes de nascerem, descarte de crianças.

Descartam-se os idosos, porque, bom, não servem, não produzem. Nem crianças nem idosos produzem. Então, sistemas mais ou menos sofisticados vão os abandonando lentamente. E agora como é necessário, nesta crise, recuperar um certo equilíbrio. Estamos assistindo a um terceiro descarte muito doloroso, o descarte dos jovens. Milhões de jovens. Eu não quero dizer o dado, porque não o sei exatamente, e a que eu li parece um pouco exagerado, mas milhões de jovens descartados do trabalho, desempregados.

Nos países da Europa – e estas são estatísticas muito claras –, aqui na Itália, passou um pouquinho dos 40% de jovens desempregados. Sabem o que significa 40% de jovens? Toda uma geração, anular toda uma geração para manter o equilíbrio. Em outro país da Europa, está passando os 50% e, nesse mesmo país dos 50%, no sul são 60%. São dados claros, ou seja, do descarte. Descarte de crianças, descarte de idosos, que não produzem, e temos que sacrificar uma geração de jovens, descarte de jovens, para poder manter e reequilibrar um sistema em cujo centro está o deus dinheiro, e não a pessoa humana.

Apesar disso, a essa cultura de descarte, a essa cultura dos sobrantes, muitos de vocês, trabalhadores excluídos, sobrantes para esse sistema, foram inventando o seu próprio trabalho com tudo aquilo que parecia não poder dar mais de si mesmo... mas vocês, com a sua artesanalidade que Deus lhes deu, com a sua busca, com a sua solidariedade, com o seu trabalho comunitário, com a sua economia popular, conseguiram e estão conseguindo... E, deixem-me dizer isto, isso, além de trabalho, é poesia. Obrigado.

Desde já, todo trabalhador, esteja ou não no sistema formal do trabalho assalariado, tem direito a uma remuneração digna, à segurança social e a uma cobertura de aposentadoria. Aqui há papeleiros, recicladores, vendedores ambulantes, costureiros, artesãos, pescadores, camponeses, construtores, mineiros, operários de empresas recuperadas, todos os tipos de cooperativados e trabalhadores de ofícios populares que estão excluídos dos direitos trabalhistas, aos quais é negada a possibilidade de se sindicalizar, que não têm uma renda adequada e estável. Hoje, quero unir a minha voz à sua e acompanhá-los na sua luta.

Neste encontro, também falaram da Paz e da Ecologia. É lógico: não pode haver terra, não pode haver teto, não pode haver trabalho se não temos paz e se destruímos o planeta. São temas tão importantes que os Povos e suas organizações de base não podem deixar de debater. Não podem deixar só nas mãos dos dirigentes políticos. Todos os povos da terra, todos os homens e mulheres de boa vontade têm que levantar a voz em defesa desses dois dons preciosos: a paz e a natureza. A irmã mãe Terra, como chamava São Francisco de Assis.

Há pouco tempo, eu disse, e repito, que estamos vivendo a terceira guerra mundial, mas em cotas. Há sistemas econômicos que, para sobreviver, devem fazer a guerra. Então, fabricam e vendem armas e, com isso, os balanços das economia que sacrificam o homem aos pés do ídolo do dinheiro, obviamente, ficam saneados. E não se pensa nas crianças famintas nos campos de refugiados, não se pensa nos deslocamentos forçados, não se pensa nas moradias destruídas, não se pensa, desde já, em tantas vidas ceifadas. Quanto sofrimento, quanta destruição, quanta dor. Hoje, queridos irmãos e irmãs, se levanta em todas as partes da terra, em todos os povos, em cada coração e nos movimentos populares, o grito da paz: nunca mais a guerra!

Um sistema econômico centrado no deus dinheiro também precisa saquear a natureza, saquear a natureza, para sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente. As mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, o desmatamento já estão mostrando seus efeitos devastadores nos grandes cataclismos que vemos, e os que mais sofrem são vocês, os humildes, os que vivem perto das costas em moradias precárias, ou que são tão vulneráveis economicamente que, diante de um desastre natural, perdem tudo.

Irmãos e irmãs, a criação não é uma propriedade da qual podemos dispor ao nosso gosto; muito menos é uma propriedade só de alguns, de poucos: a criação é um dom, é um presente, um dom maravilhoso que Deus nos deu para que cuidemos dele e o utilizemos em benefício de todos, sempre com respeito e gratidão. Talvez vocês saibam que eu estou preparando uma encíclica sobre Ecologia: tenham a certeza de que as suas preocupações estarão presentes nela. Agradeço-lhes, aproveito para lhes agradecer, pela carta que os integrantes da Via Campesina, da Federação dos Papeleiros e tantos outros irmãos me fizeram chegar sobre o assunto.

Falamos da terra, de trabalho, de teto... falamos de trabalhar pela paz e cuidar da natureza... Mas por que, em vez disso, nos acostumamos a ver como se destrói o trabalho digno, se despejam tantas famílias, se expulsam os camponeses, se faz a guerra e se abusa da natureza? Porque, nesse sistema, tirou-se o homem, a pessoa humana, do centro, e substituiu-se por outra coisa. Porque se presta um culto idólatra ao dinheiro. Porque se globalizou a indiferença! Se globalizou a indiferença. O que me importa o que acontece com os outros, desde que eu defenda o que é meu? Porque o mundo se esqueceu de Deus, que é Pai; tornou-se um órfão, porque deixou Deus de lado.

Alguns de vocês expressaram: esse sistema não se aguenta mais. Temos que mudá-lo, temos que voltar a levar a dignidade humana para o centro, e que, sobre esse pilar, se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos. É preciso fazer isso com coragem, mas também com inteligência. Com tenacidade, mas sem fanatismo. Com paixão, mas sem violência. E entre todos, enfrentando os conflitos sem ficar presos neles, buscando sempre resolver as tensões para alcançar um plano superior de unidade, de paz e de justiça.

Os cristãos têm algo muito lindo, um guia de ação, um programa, poderíamos dizer, revolucionário. Recomendo-lhes vivamente que o leiam, que leiam as Bem-aventuranças que estão no capítulo 5 de São Mateus e 6 de São Lucas (cfr. Mt 5, 3; e Lc 6, 20) e que leiam a passagem de Mateus 25. Eu disse isso aos jovens no Rio de Janeiro. Com essas duas coisas, vocês têm o programa de ação.

Sei que entre vocês há pessoas de distintas religiões, ofícios, ideias, culturas, países, continentes. Hoje, estão praticando aqui a cultura do encontro, tão diferente da xenofobia, da discriminação e da intolerância que vemos tantas vezes. Entre os excluídos, dá-se esse encontro de culturas em que o conjunto não anula a particularidade, o conjunto não anula a particularidade. Por isso eu gosto da imagem do poliedro, uma figura geométrica com muitas caras distintas. O poliedro reflete a confluência de todas as particularidades que, nele, conservam a originalidade. Nada se dissolve, nada se destrói, nada se domina, tudo se integra, tudo se integra. Hoje, vocês também estão buscando essa síntese entre o local e o global. Sei que trabalham dia após dia no próximo, no concreto, no seu território, seu bairro, seu lugar de trabalho: convido-os também a continuarem buscando essa perspectiva mais ampla, que nossos sonhos voem alto e abranjam tudo.

Assim, parece-me importante essa proposta que alguns me compartilharam de que esses movimentos, essas experiências de solidariedade que crescem a partir de baixo, a partir do subsolo do planeta, confluam, estejam mais coordenadas, vão se encontrando, como vocês fizeram nestes dias. Atenção, nunca é bom espartilhar o movimento em estruturas rígidas. Por isso, eu disse encontra-se. Também não é bom tentar absorvê-lo, dirigi-lo ou dominá-lo; movimentos livres têm a sua dinâmica própria, mas, sim, devemos tentar caminhar juntos. Estamos neste salão, que é o salão do Sínodo velho. Agora há um novo. E sínodo significa precisamente "caminhar juntos": que esse seja um símbolo do processo que vocês começaram e estão levando adiante.

Os movimentos populares expressam a necessidade urgente de revitalizar as nossas democracias, tantas vezes sequestradas por inúmeros fatores. É impossível imaginar um futuro para a sociedade sem a participação protagônica das grandes maiorias, e esse protagonismo excede os procedimentos lógicos da democracia formal. A perspectiva de um mundo da paz e da justiça duradouras nos exige superar o assistencialismo paternalista, nos exige criar novas formas de participação que inclua os movimentos populares e anime as estruturas de governo locais, nacionais e internacionais com essa torrente de energia moral que surge da incorporação dos excluídos na construção do destino comum. E isso com ânimo construtivo, sem ressentimento, com amor.

Eu os acompanho de coração nesse caminho. Digamos juntos com o coração: nenhuma família sem moradia, nenhum agricultor sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá.

Queridos irmãos e irmãs: sigam com a sua luta, fazem bem a todos nós. É como uma bênção de humanidade. Deixo-lhes de recordação, de presente e com a minha bênção, alguns rosários que foram fabricados por artesãos, papeleiros e trabalhadores da economia popular da América Latina.

E nesse acompanhamento eu rezo por vocês, rezo com vocês e quero pedir ao nosso Pai Deus que os acompanhe e os abençoe, que os encha com o seu amor e os acompanhe no caminho, dando-lhes abundantemente essa força que nos mantém de pé: essa força é a esperança, a esperança que não desilude. Obrigado.


http://www.ihu.unisinos.br/noticias/536809-quando-eu-falo-de-terra-teto-e-trabalho-dizem-que-o-papa-e-comunista-discurso-de-francisco-aos-movimentos-populares

Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz