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pergunta:

"Até quando vamos ter que agüentar a apropriação da idéia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

31.8.12

teleSUR > Programa Especial Assange rompe el silencio

Programa Especial Assange rompe el silencio

Horarios de reposición de entrevista a Julian Assange por teleSUR:

Viernes 31 de Agosto a las 03:00 CCS - 03:30 Cub - 03:30 BOL - 04:30 ARG/BRA - 09:30 ESP

Sábado 01 de Septiembre a las 06:00 CCS - 06:30 CUB - 06:30 BOL - 07:30 ARG/BRA - 12:30 ESP

Sábado 01 de Septiembre a las 21:00 CCS - 21:30 CUB - 21:30 BOL - 22:30 ARG/BRA - 03:30 ESP

Domingo 02 de Septiembre a las 12:00CCS - 12:30CUB -12:30BOL -13:30ARG/BRA -18:30ESP


Assista em http://www.telesurtv.net/ - e clica en 'audio en vivo"!


................................................................................
También en el vínculo abajo puedes ver la entrevista de Jorge Gestoso a Julian Assange en TeleSUR:
http://tinyurl.com/8wha48a

30.8.12

Frente a Frente > dia 30, 22h


Ivar Pavan
Foto: Anahy Metz

Secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Ivar Pavan, é o convidado do Frente a Frente

O Frente a Frente desta quinta, 30/08, às 22h, entrevista o secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Ivar Pavan. Durante o programa, Pavan defende a criação de um Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para a agricultura familiar: “precisamos de alguns bilhões para fortalecer o setor no RS e no Brasil”. O secretário destaca também a necessidade de fomento à infraestrutura produtiva, que inclui melhorias nas escolas, telefonia, internet, eletricidade e estradas para a manutenção do jovem no campo. Além disso, Pavan fala sobre a criação do Plano Safra para o Rio Grande do Sul e sobre as políticas para que os agricultores familiares produzam, agreguem valor e comercializem seus produtos.

Foram convidados para a bancada do Frente a Frente a jornalista Thaís D'Ávila, o correspondente do jornal O Estado de São Paulo, Elder Ogliari, e o colunista do Jornal do Comércio, Danilo Ucha.

O programa Frente a Frente também é transmitido pela rádio FM Cultura, que pode ser sintonizada pela frequência 107,7 ou pela internet acessando o site www.fmcultura.com.br.

TVE
ao vivo, na internet: http://www.tve.com.br/?model=conteudo&menu=209 
Frente a Frente
Quinta, 30/08, às 22h

reprise: domingo, 2/09, às 21h, apenas pela TVE

Fonte: http://www.fmcultura.com.br/?model=conteudo&menu=83&id=1124


quinta e sexta > programação




Quinta-feira (30)

8h30 – Painel I – Direitos Humanos e Diversidade
Painelistas: Jacques d’Adesky; Roger Raupp Rios; Lilian Celiberti

Coordenação de Mesa: Juliano Heinen
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária

Comunicações Orais: 14h – Bloco 58 – UCS

17h – Painel II – Direitos Humanos e Justiça Social
Painelistas: Beatriz Gershenson Aguinsky; Manoel Calvo Garcia; Jacques Távora Alfonsin

Coordenação de Mesa: Gilmar Antônio Bedin,
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária

19h LANÇAMENTO DE LIVRO:
- “Transformações do Estado e do Direito” – Manoel Calvo Garcia:
- “Estatuto dos Servidores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul Anotado – Lei Complementar nº 10.098/94 – Orientações da Procuradoria-Geral do Estado do Rio Grande do Sul” – PGERS

20h00 – Abertura
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária

20:30 – Conferência – A Atualidade da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Conferencista: Governador Tarso Genro

Coordenação de Mesa: Carlos Cezar D’Eli; Paulo César Carbonari; Sérgio Augustin
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária
Credenciamento no local a partir das 8:00.

Sexta-feira (31)

8h30 – Painel III – Direitos Humanos e Ambiente
Painelistas: Frei Gilvander Luis Moreira; Jeferson Marin; Marco Pavarino

Coordenação de Mesa: Carlos Alberto Lunelli
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária

Comunicações Orais: 14h – Bloco 58 – UCS

14h – Conferencia: Memória e Verdade no Contexto da Transição: o resgate e a re-significação do passado como espaço de afirmação e consolidação dos Direitos Humanos
Conferencista: Ministra Maria do Rosário Nunes

UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária

19h30 – Painel IV – Direitos Humanos, Memória, Verdade e Justiça
Painelistas: Flávia Piovesan; Macarena Gelman
Coordenação de Mesa: Carlos Cezar D’Eli; Jeferson Marin
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária

Mais Informações: http://www.ucs.br/site/eventos/i-congresso-internacional-de-direitos-humanos/

TELESUR transmitirá en exclusiva entrevista con Julian Assange > hoje às 21h




Clica e assiste ao vivo: http://www.telesurtv.net/


Frente a Frente > dia 30, 22h

Ivar Pavan
Foto: Anahy Metz

Secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Ivar Pavan, é o convidado do Frente a Frente

O Frente a Frente desta quinta, 30/08, às 22h, entrevista o secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Ivar Pavan. Durante o programa, Pavan defende a criação de um Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para a agricultura familiar: “precisamos de alguns bilhões para fortalecer o setor no RS e no Brasil”. O secretário destaca também a necessidade de fomento à infraestrutura produtiva, que inclui melhorias nas escolas, telefonia, internet, eletricidade e estradas para a manutenção do jovem no campo. Além disso, Pavan fala sobre a criação do Plano Safra para o Rio Grande do Sul e sobre as políticas para que os agricultores familiares produzam, agreguem valor e comercializem seus produtos.

Foram convidados para a bancada do Frente a Frente a jornalista Thaís D'Ávila, o correspondente do jornal O Estado de São Paulo, Elder Ogliari, e o colunista do Jornal do Comércio, Danilo Ucha.

O programa Frente a Frente também é transmitido pela rádio FM Cultura, que pode ser sintonizada pela frequência 107,7 ou pela internet acessando o site www.fmcultura.com.br.

TVE
ao vivo, na internet: http://www.tve.com.br/?model=conteudo&menu=209 
Frente a Frente
Quinta, 30/08, às 22h

reprise: domingo, 2/09, às 21h, apenas pela TVE

Fonte: http://www.fmcultura.com.br/?model=conteudo&menu=83&id=1124

29.8.12

hoje > I Congresso Internacional de Direitos Humanos



O objetivo é propiciar um espaço de discussão sobre os Direitos Humanos que explicite formas de injustiça social, ambiental, jurídica e política. Os temas serão abordados de maneira interdisciplinar, com apresentação de propostas para a preservação dos direitos humanos.

O congresso tem 1,5 mil participantes inscritos. E, serão apresentados cerca 100 trabalhos, nos cinco eixos temáticos do evento: A atualidade da Declaração Universal dos Direitos Humanos; Direitos Humanos e Diversidade; Direitos Humanos e Justiça Social; Direitos Humanos e Ambiente; e Direitos Humanos, Memória, Verdade e Justiça. Programação:

Quarta-feira (29)

17h > UCS Cinema > filme: ARQUIVOS DA CIDADE
Cine-debate | debatedora convidada é a
Ignez Maria Serpa Ramminger, entrevistada no filme
Documentário narra tempos da ditadura no Rio Grande do Sul

Seis ex-militantes, do tempo da ditadura Militar no Brasil, contam através de depoimentos para os diretores Felipe Diniz e Luciana Knijnik, o que foi a época do regime no Rio Grande do Sul. Os entrevistados, são Antônio Carlos Losada, Gregório Mendonça, Ignez Maria Serpa Ramminger, Lino Brum Filho, o exilado político João Carlos Bona Garcia, e Carlos Alberto Tejera de Ré, preso pelo DOPS aos 19 anos. Além das entrevistas, o filme exibe documentos da época, como a ficha policial de Carlos Alberto.

Direção: Felipe Diniz e Luciana Knijnik

Ano: 2009

Gênero: Documentário

19:00 LANÇAMENTO DE LIVRO: “AS ARMAS DA CRÍTICA” – Emir Sader

20:00 – Conferência: Conjuntura Internacional e Direitos Humanos
Conferencista: Emir Sader
Coordenação de Mesa: Adir Ubaldo Rech; Gilnei Fronza; Juliano Heinen;
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária
Credenciamento no local a partir das 17h.

Quinta-feira (30)

8:30min – Painel I – Direitos Humanos e Diversidade (Ref. Eixo Temático II)
Painelistas: Jacques d’Adesky; Roger Raupp Rios; Lilian Celiberti
Coordenação de Mesa: Juliano Heinen
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária

Comunicações Orais: 14:00 – Bloco 58 – UCS

17:00 – Painel II – Direitos Humanos e Justiça Social (Ref. Eixo Temático III)
Painelistas: Beatriz Gershenson Aguinsky; Manoel Calvo Garcia; Jacques Távora Alfonsin
Coordenação de Mesa: Gilmar Antônio Bedin,
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária

19:00 LANÇAMENTO DE LIVRO:
- “Transformações do Estado e do Direito” – Manoel Calvo Garcia:
- “Estatuto dos Servidores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul Anotado – Lei Complementar nº 10.098/94 – Orientações da Procuradoria-Geral do Estado do Rio Grande do Sul” – PGERS

20:00 – Abertura
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária

20:30 – Conferência – A Atualidade da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Conferencista: Governador Tarso Genro
Coordenação de Mesa: Carlos Cezar D’Eli; Paulo César Carbonari; Sérgio Augustin
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária
Credenciamento no local a partir das 8:00.

Sexta-feira (31)

8:30 – Painel III – Direitos Humanos e Ambiente (Ref. Eixo Temático IV)
Painelistas: Frei Gilvander Luis Moreira; Jeferson Marin; Marco Pavarino
Coordenação de Mesa: Carlos Alberto Lunelli
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária
Comunicações Orais: 14:00 – Bloco 58 – UCS

19:30 – Painel IV – Direitos Humanos, Memória, Verdade e Justiça (Ref. Eixo Temático V)
Painelistas: Flávia Piovesan; Ministra Maria do Rosário Nunes; Macarena Gelman Coordenação de Mesa: Carlos Cezar D’Eli; Jeferson Marin
UCS Teatro – Bloco M – Cidade Universitária

Mais Informações: http://www.ucs.br/site/eventos/i-congresso-internacional-de-direitos-humanos/

hoje


hoje, quarta, às 20h >
Conjuntura Internacional e Direitos Humanos >
EMIR SADER

Lançamento do livro AS ARMAS DA CRÍTICA - Ivana Jinkings e Emir Sader (orgs.) - Boitempo Editorial > UCS Teatro - Bloco M - Cidade Universitária
http://www.ucs.br/site/eventos/i-congresso-internacional-de-direitos-humanos/

Inicia hoje o I CONGRESSO INTERNACIONAL DE DIREITOS HUMANOS!
Programação:
http://www.ucs.br/site/eventos/i-congresso-internacional-de-direitos-humanos/


filmes de hoje > CINEMA E DIREITOS HUMANOS > UCS Cinema
quarta > dia 29, às 9h > O veneno está na mesa
quarta > dia 29, às 17h > Arquivos da cidade


28.8.12

Cezar Britto: A Justiça não deve ser apenas um fenômeno urbano | MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra

Cezar Britto: A Justiça não deve ser apenas um fenômeno urbano

28 de agosto de 2012



Por Mayrá Lima
Da Página do MST


Na última sexta-feira (24), os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 1º Região (TRF1) negaram, por unanimidade, a ação civil impetrada pelo Ministério Público de Goiás que pedia a extinção da turma de Direito Evandro Lins e Silva, formada por filhos e filhas de trabalhadores rurais, por considerar o curso de Direito fora da realidade rural.

Segundo o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e advogado da turma, Cezar Britto, o Ministério Público Federal (MPF) já havia arquivado um inquérito civil de mesmo teor argumentativo, ao considerar que as turmas para trabalhadores rurais são de fundamental importância social e pública.

“Ao afirmar que quem mora no campo não tem direito a viver o direito, esqueceu-se o MPF de que o Poder Judiciário não é um prédio físico, localizado em alguma rua da cidade. Ao contrário, o conceito de Justiça é o de que deve se aplicar a todos: urbano ou rural, pobre ou rico, nascido em berço esplêndido ou numa pequena manjedoura”, disse.

A vitória da turma Evandro Lins e Silva abre precedente para outros cursos promovidos através do Programa Nacional de Educação do Campo (Pronera) e que estão sendo questionados pelo Poder Judiciário. Para Britto, reconhecer a constitucionalidade dos convênios entre Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e as universidades é importante, mas a “a voz do campo será fundamental para a construção de um novo direito”.

Confira a entrevista do ex-presidente da OAB, Cezar Britto, concedida à Página do MST.

Em quais argumentos foi baseada a ação do Ministério Público Federal de Goiás?

A tese principal do Ministério Público Federal consistiu da afirmação de que a “flagrante inconstitucionalidade do convênio” celebrado entre a Universidade Federal de Goiás (UFG) e o Incra pelo fato de que a “fixação do homem no campo com condições de sobrevivência e desenvolvimento que valida a desapropriação e a transferência de terras aos assentados, e tal objetivo sequer tangencia com a formação técnico-jurídica que se pretende conferir aos assentados com a criação do curso de direito pelo INCRA/UFG”.  Nesta mesma linha de argumentação, o Ministério Público Federal, disse que “o habitat do profissional do direito, em qualquer das vertentes, é o meio urbano, pois é nesta localidade que se encontram os demais operadores jurídicos”.

Qual foi a linha da argumentação da defesa?

A defesa apresentou várias argumentações: a primeira decorria do fato de ter o magistrado reconhecido a “validade das atividades acadêmicas integralizadas pelo corpo discente”, bem assim o fato jurídico superveniente (a conclusão do curso e a consequente colação de grau) proteger a Turma Evandro Lins e Silva, quer seja pela coisa julgada, quer seja pela teoria do fato consumado a fazer perder o objeto da ação civil pública, porque não poderia a decisão prejudicar os bacharéis que, de boa-fé, concluíram o curso, quando não existe o verbo “desensinar”.

Outra linha de defesa foi a de que o processo estava nulo porque dele não foram citados os bacharéis, cuja decisão pela extinção da turma tinha reflexo direto nas suas vidas. Também se argumentou  - e esta foi a decisão que se fez vencedora, não se analisando as demais - que o MPF local não poderia ter ajuizado a ação, porque o colegiado superior já mandara arquivar o inquérito civil público específico para esta turma especial de direito. Neste caso, não se poderia falar em autonomia individual do membro do MPF, pois não havia vazio decisório na questão. O TRF1, por unanimidade, entendeu que o inquérito civil público por decisão colegiada superior se fez vinculante e extinguiu a ação.

Ao dizer que o curso de Direito não faz parte da realidade do meio rural, o Ministério Público de Goiás não estaria sendo preconceituoso?

Claro que sim. Ao afirmar que quem mora no campo não tem direito a viver o direito, esqueceu-se o MPF de que o Poder Judiciário não é um prédio físico, localizado em alguma rua da cidade. Ao contrário, o conceito de Justiça é o de que deve se aplicar a todos: urbano ou rural, pobre ou rico, nascido em berço esplêndido ou numa pequena manjedoura. A Justiça não pode, não deve ser apenas um fenômeno urbano, criando categorias distintas de cidadãos brasileiros: os que têm Justiça e os que sequer podem viver com ela.

O Brasil não vive “O Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, divididos em castas, criadas em laboratórios ou condicionadas no avançar do tempo, como alfas; betas; gamas; deltas e ipsilons. No Brasil, a educação é forma de inclusão, de combate à desigualdade, de afirmação da pessoa humana como razão de ser do Estado.

Quais os próximos passos? Há risco de outras ações?

Agora é aguardar a publicação da decisão que, em tese, ainda cabe recurso. Mas é importante lembrar que, caso vitorioso o MPF em seu recurso, o processo teria que ser julgado nas demais matérias, inclusive no seu preconceituoso mérito. O importante é saber que a turma Evandro Lins e Silva pode seguir adiante no seu trabalho, pois ela é melhor garantia de que o habitat do campo será abrigo seguro para o campo do direito, pois os seus filhos serão os advogados, magistrados e promotores e advogados, não precisando daqueles que nasceram na cidade para que lhes defenda nos tribunais, como ocorrera neste caso.

Qual a importância do PRONERA no combate às desigualdades na educação rural?

Fora exatamente para permitir a sobrevivência com dignidade da pessoa humana que mora no campo e o desenvolvimento sustentável de sua importante atividade é que fora criado o PRONERA e a turma especial de direito. E fixar o homem no campo é dar-lhe a certeza da segurança, da sobrevivência decente, da igualdade de tratamento, da liberdade de ir e vir não são sementes a serem jogadas em sólido árido.

É reconhecer o seu direito à moradia, princípio fundamental, não se aceitando a lógica de que mais de seiscentas mil famílias rurais moram em casa de taipa, quando não em barracas de lona ou em senzalas nas fazendas que ainda se utilizam do trabalho escravo. É lhe garantir que o simples e necessário direito de beber água potável não está condicionando à vontade de um chefe político de plantão, que escolhe que o local em que o carro-pipa vai passar. É aplicar-lhe o constitucional direito à saúde, esta não mais conceituada com o ato de implorar o envio de uma ambulância que o levará o doente a um abarrotado hospital da cidade grande.

É fazer real o direito à educação, como dever do estado, não mais se admitindo que 40 % dos trabalhadores rurais são analfabetos ou que mais de três milhões de criança e adolescentes que estão fora escola. É saber que o seu pedaço de terra lhe permitirá o seu sustento e o de sua família, que o fruto do seu trabalho será comercializado a preço justo, é conhecer o conceito de arrendamento, de contrato de compra e venda da safra, de seguro para proteger a produção, evitando, assim, os atravessadores ou aqueles que buscam o lucro fácil sem o suor do labor. É ser conhecedor dos direitos trabalhistas dos empregados rurais, da importância da carteira assinada, do direito à aposentadoria quando corpo cansar do sol e da chuva que lhe castiga a alma.

É conhecer dos créditos rurais, saber identificar os juros extorsivos e, se o tempo não ajudar na colheita, renegociar dignamente o contrato, para que não lhes levem os anéis e os dedos. É conhecer do direito ambiental, das licenças ambientais, dos crimes ambientais, do crédito de carbono, para melhorar o seu desempenho e, com ele, o planeta. É saber do direito de propriedade, do valor jurídico da posse, da legislação aplicável aos beneficiários da Reforma Agrária e, sobretudo, das formas legais e técnicas de solução dos conflitos agrários.  É fazer com que, como ensinou Dom Helder Câmara, as leis deixem o papel para ganhar as ruas e, sobretudo, o campo.

Esta vitória abre precedente para outros cursos que também estão sendo questionados?

Não tenho dúvida, pois a decisão do MPF que restara como última palavra a ser seguida é aquela que reconhece a constitucionalidade do convênio assinado pela UFG e o INCRA. Espero que ela seja multiplicada noutras turmas. A voz do campo será fundamental para a construção de um novo direito, especialmente quando questionar o patrimonialismo plantado no Brasil desde o decobrimento. 
 

http://www.mst.org.br/Cezar-Britto-A-Justica-nao-deve-ser-apenas-um-fenomeno-urbano#.UD0I6xWi9S0.facebook

hoje e amanhã: cinema > programação I Congresso Internacional de Direitos Humanos




CINEMA E DIREITOS HUMANOS

terça   > dia 28, às 20h > Criança, a alma do negócio
quarta > dia 29, às   9h > O veneno está na mesa
quarta > dia 29, às 17h > Arquivos da cidade


terça, dia 28 de agosto, 20h

UCS Cinema

CRIANÇA, A ALMA DO NEGÓCIO

Um documentário sobre publicidade, consumo e infância.

Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade.
Contundente, ousado e real, este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.


Produtora: Maria Farinha Produções

Direção: Estela Renner

Produção Executiva: Marcos Nisti

Ano: 2008
Gênero: Documentário


quarta, dia 29 de agosto, 9h
UCS Cinema
O VENENO ESTÁ NA MESA

O documentário aborda como a chamada Revolução Verde do pós-guerra acabou com a herança da agricultura tradicional.
No lugar, implantou um modelo que ameaça a fertilidade do solo, os mananciais de água e a biodiversidade, contaminando pessoas e o ar.
O Brasil é o país do mundo que mais consome os venenos: são 5,2 litros/ano por habitante.
Apesar do quadro negativo, o filme aponta pequenas iniciativas em defesa de um outro modelo de produção agrícola.


Direção: Silvio Tendler
Duração: 49 Min
Ano: 2011
Gênero: Documentário


quarta, dia 29 de agosto, 17h
UCS Cinema
ARQUIVOS DA CIDADE

Cine-debate | debatedora convidada é a
Ignez Maria Serpa Ramminger, entrevistada no filme
Documentário narra tempos da ditadura no Rio Grande do Sul

Seis ex-militantes, do tempo da ditadura Militar no Brasil, contam através de depoimentos para os diretores Felipe Diniz e Luciana Knijnik, o que foi a época do regime no Rio Grande do Sul. Os entrevistados, são Antônio Carlos Losada, Gregório Mendonça, Ignez Maria Serpa Ramminger, Lino Brum Filho, o exilado político João Carlos Bona Garcia, e Carlos Alberto Tejera de Ré, preso pelo DOPS aos 19 anos. Além das entrevistas, o filme exibe documentos da época, como a ficha policial de Carlos Alberto.


Direção: Felipe Diniz e Luciana Knijnik

Ano: 2009

Gênero: Documentário



Local

O Congresso (e o cinema) será realizado na Universidade de Caxias do Sul - Cidade Universitária
Rua Francisco Getúlio Vargas, 1130 - Bairro Petrópolis - Caxias do Sul - RS




26.8.12

Huella, huellita (Atahualpa Yupanqui)

Huella, huellita
(Atahualpa Yupanqui)

En el cerro está nevando
La senda ya no se ve
Pero tengo buen caballo
No me he de quedar de pie

Huella, huella, huellita
Mi colorau...
Ya no me queda nada
Todo lo he dau

Huella, huella, huellita
Del corazón
Alúmbrame el camino
Que ya me voy

Estos fríos nunca matan
Tampoco mata el dolor
Rigores ya no me asustan
Se andar solo y sin amor

Huella, huella, huellita
Mi colorau...
Ya no me queda nada
Todo lo he dau

Huella, huella, huellita
Del corazón
Alúmbrame el camino
Que ya me voy


http://www.atahualpayupanqui.org.ar/canciones/huellita.html

25.8.12

Carta Maior - Internacional - “Por que defendemos o Wikileaks e Assange”


Internacional| 25/08/2012 | Copyleft

"Por que defendemos o Wikileaks e Assange"

Se Assange for extraditado para os Estados Unidos, as consequência repercutirão por anos, em todo o mundo. Assange não é cidadão norte americano, e nenhuma de suas ações aconteceu em solo norte americano. Se Washington puder processar um jornalista nessas circunstâncias, os governos da Rússia ou da China poderão, pela mesma lógica, exigir que repórteres estrangeiros em qualquer lugar do mundo sejam extraditados por violar as suas leis. O artigo é de Michael Moore e Oliver Stone.

Passamos as nossas carreiras de cineastas sustentando que os media norte-americana são frequentemente incapaz de informar os cidadãos sobre as piores ações do nosso governo. Portanto, ficamos profundamente gratos pelas realizações do WikiLeaks, e aplaudimos a decisão do Equador de garantir asilo diplomático a seu fundador, Julian Assange – que agora vive na embaixada equatoriana em Londres.

O Equador agiu de acordo com importantes princípios dos direitos humanos internacionais. E nada poderia demonstrar quão apropriada foi a sua ação quanto a ameaça do governo britânico, de violar um princípio sagrado das relações diplomáticas e invadir a embaixada para prender Assange.

Desde sua fundação, o WikiLeaks revelou documentos como o filme "Assassinato Colateral", que mostra a matança aparentemente indiscriminada de civis de Bagda por um helicóptero Apache, dos Estados Unidos; além de detalhes minuciosos sobre a face verdadeira das guerras contra o Iraque e Afeganistão; a conspiração entre os Estados Unidos e a ditadura do Iemen, para esconder a nossa responsabilidade sobre os bombardeios no país; a pressão do governo Obama para que outras nações não processem, por tortura, oficiais da era-Bush; e muito mais.

Como era de prever, foi feroz a resposta daqueles que preferem que os norte-americanos não saibam dessas coisas. Líderes dos dois partidos chamaram Assange de "terrorista tecnológico". E a senadora Dianne Feinstein, democrata da Califórnia que lidera o Comitê do Senado sobre Inteligência, exigiu que ele fosse processado pela Lei de Espionagem. A maioria dos norte-americanos, britânicos e suecos não sabe que a Suécia não acusou formalmente Assange por nenhum crime. Ao invés disso, emitiu um mandado de prisão para interrogá-lo sobre as acusações de agressão sexual em 2010.

Todas essas acusações devem ser cuidadosamente investigadas antes que Assange vá para um país que o tire do alcance do sistema judiciário sueco. Mas são os governos britânico e sueco que atrapalham a investigação, não Assange.

As autoridades suecas sempre viajaram para outros países para fazer interrogatórios quando necessário, e o fundador do WikiLeaks deixou clara a sua disposição de ser interrogado em Londres. Além disso, o governo equatoriano fez uma oferta direta à Suécia, permitindo que Assange seja interrogado dentro de sua embaixada em Londres. Estocolmo recusou as duas propostas.

Assange também se comprometeu a viajar para a Suécia imediatamente, caso o governo sueco garanta que não irá extraditá-lo para os Estados Unidos. As autoridades suecas não mostraram interesse em explorar essa proposta, e o ministro de Relações Exteriores, Carl Bildt, declarou inequivocamente a um consultor jurídico de Assange e do WikiLeaks que a Suécia não vai oferecer essa garantia. O governo britânico também teria, de acordo com tratados internacionais, o direito de prevenir a reextradição de Assange da Suécia para os Estados Unidos, mas recusou-se igualmente a garantir que usaria esse poder. As tentativas do Equador para facilitar esse acordo entre os dois governos foram rejeitadas.

Em conjunto, as ações dos governos britânico e sueco sugerem que sua agenda real é levar Assange à Suécia. Por conta de tratados e outras considerações, ele provavelmente poderia ser mais facilmente extraditado de lá para os Estados Unidos. Assange tem todas as razões para temer esses desdobramentos. O Departamento de Justiça recentemente confirmou que continua a investigar o WikiLeaks, e os documentos do governo australiano de fevereiro passado, recém-divulgados afirmam que "a investigação dos Estados Unidos sobre a possível conduta criminal de Assange está em curso há mais de um ano". O próprio WikiLeaks publicou emails da Stratfor, uma corporação privada de inteligência, segundo os quais um júri já ouviu uma acusação sigilosa contra Assange. E a história indica que a Suécia iria ceder a qualquer pressão dos Estados Unidos para entregar Assange. Em 2001, o governo sueco entregou à CIA dois egípcios que pediam asilo. A agência norte-americana entregou-os ao regime de Mubarak, que os torturou.

Se Assange for extraditado para os Estados Unidos, as consequência repercutirão por anos, em todo o mundo. Assange não é cidadão norte americano, e nenhuma de suas ações aconteceu em solo norte americano. Se Washington puder processar um jornalista nessas circunstâncias, os governos da Rússia ou da China poderão, pela mesma lógica, exigir que repórteres estrangeiros em qualquer lugar do mundo sejam extraditados por violar as suas leis. Criar esse precedente deveria preocupar profundamente a todos, admiradores do WikiLeaks ou não.

Invocamos os povos britânico e sueco a exigir que os seus governos respondam a algumas questões básicas. Por que razão as autoridades suecas se recusam a interrogar Assange em Londres? E por que nenhum dos dois governos pode prometer que Assange não será extraditado para os Estados Unidos? Os cidadãos britânicos e suecos têm uma rara oportunidade de tomar uma posição pela liberdade de expressão, em nome de todo o mundo.

(*) Artigo publicado originalmente em português em Outras Palavras.

Tradução: Daniela Frabasile

http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20775

TVE e da FM Cultura na Expointer 2012


Jornal da TVE e Cantos do Sul da Terra farão parte da cobertura da TVE e da FM Cultura na Expointer 2012

As emissoras públicas da Fundação Cultural Piratini - TVE e FM Cultura - prepararam uma extensa cobertura da 35ª edição da Expointer (25 de agosto a 2 de setembro). O Jornal da TVE apresentará reportagens e boletins ao vivo, diretamente do Parque de Exposições Assis Brasil. Os programas Cultura na Mesa, Conversa de Botequim e Cantos do Sul da Terra terão edições ao vivo da casa da Fundação no evento.

Também será transmitida ao vivo em parceria com a NBR a abertura oficial do evento no dia 31 de agosto, a partir das 9h45, e o programa Galpão Nativo gravará matérias para a próxima temporada, que estreará em setembro.

Em meio a cobertura do maior acontecimento agropecuário da América Latina, o público está convidado a conhecer a casa da TVE e da FM Cultura e a apreciar um bom mate, que será distribuído gratuitamente.


Confira a programação completa da TVE e FM Cultura na Expointer 2012:

TVE
canal 47 uhf
ao vivo: http://www.tve.com.br/?model=conteudo&menu=209

Sexta, 24/08 - 19h30
Boletim ao vivo com matérias no Jornal da TVE trazendo uma prévia do que acontecerá na Expinter, direto do Parque de Exposições Assis Brasil.

De segunda a sexta, 27 a 31 de agosto - 19h30
Veiculação de matérias e boletins ao vivo no Jornal da TVE.

Sexta, 31/08 - 9h45
Transmissão ao vivo da abertura oficial da Expointer 2012 pela presidente Dilma Rousseff em parceria com a NBR.


FM Cultura
107,7 - www.fmcultura.com.br
ao vivo: http://www.via-rs.net/multimidia/fmcultura/montar_radio.php?


Segunda, 27/08 – às 12h30
Cultura na Mesa ao vivo com Lena Kurtz e Zé Fernando da casa da Fundação Piratini no Parque de Exposições Assis Brasil.

Terça, 28/08 – às 11h
Cantos do Sul da Terra com Demétrio Xavier ao vivo da casa da Fundação Piratini no Parque de Exposições Assis Brasil.

Quarta, 29/08 – 17h
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Quinta, 30/08 – 11h
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Sexta, 31/08 – 12h30
Cultura na Mesa ao vivo com Lena Kurtz e Zé Fernando da casa da Fundação Piratini no Parque de Exposições Assis Brasil.

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24.8.12

ISTOÉ Independente - Brasil


exclusivo
|  N° Edição:  2232 |  17.Ago.12 - 21:00 |  Atualizado em 24.Ago.12 - 22:00

A máfia dos uniformes

Ex-executivo de empresa investigada pela PF, Djalma Silva conta como funciona o esquema de fraudes com a Prefeitura de São Paulo. E diz que o fornecimento dos kits de uniformes envolve pagamento de propina acertada por Alexandre Schneider

Claudio Dantas Sequeira

"Acertamos 4%. Isso foi negociado pelo Schneider, vice do Serra"


MEDO
Djalma Silva não quer mostrar o rosto porque teme por sua integridade física

Empresário de 42 anos, natural de Pindamonhangaba (SP), Djalma S. Silva trabalhou por mais de um ano na Diana Paolucci, empresa investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público por integrar um cartel de fornecedoras de uniformes para escolas da rede pública. A Diana Paolucci chegou a ser proibida, por 11 meses, de firmar contratos com a Prefeitura de São Paulo. Com salário fixo de R$ 10 mil e uma comissão de 30%, Djalma era diretor-comercial da companhia e tinha a tarefa de abrir portas no poder público. Foi nesta condição que ele participou de reuniões e negociatas que tentavam ampliar a participação da Diana Paolucci no mercado de fornecimento de kits escolares. Agora Djalma está fora da empresa e diz que se desligou por não concordar com os métodos adotados durante a negociação dos contratos. Na quarta-feira 15, Djalma Silva recebeu a reportagem de ISTOÉ. Em entrevista exclusiva, resolveu escancarar o funcionamento do submundo da máfia dos uniformes em São Paulo, denunciada pela revista em sua última edição.

De acordo com o empresário, que pediu para não mostrar o rosto, temendo colocar em risco sua integridade física, o esquema não apenas está ativo como envolve o pagamento de propina para integrantes da Prefeitura de São Paulo. O relato compromete o candidato a vice na chapa de José Serra à Prefeitura de São Paulo, Alexandre Schneider. Segundo revelou ISTOÉ na reportagem da última semana, Schneider deu aval para a atuação da máfia no período em que ocupou a Secretaria da Educação. Na entrevista, Djalma foi além. Disse que o grupo de empresários estava preocupado com o avanço do candidato Celso Russomanno (PRB) nas pesquisas de intenção de voto. Já a vitória de José Serra seria, segundo ele, a garantia de que o esquema continuará em pleno funcionamento. “Acertamos (uma comissão de) 4%. Se o Serra ganhar, você paga isso; se for o Russomanno, tem que renegociar. Aí tem que fazer um novo processo. Isso foi negociado pelo Alexandre Schneider, vice do Serra, e Julio Manfredini”, disse Djalma.


ENROLADO
Alexandre Schneider, vice de Serra, teria negociado comissão

Julio Manfredini é proprietário da empresa Capricórnio, uma das investigadas pela PF e o MP por formação de cartel. Segundo Djalma, o percentual de 4% foi revelado em reunião no dia 8 de agosto. Nesse dia, os empresários se reuniram para discutir o impacto da eleição municipal nos negócios do grupo, precisamente a renovação dos contratos de fornecimento de uniformes e material escolar, que somam mais de R$ 140 milhões. O encontro ocorreu no café de um hotel a poucos metros da Coordenadoria dos Núcleos de Ação Educativa (Conae), órgão responsável pelas licitações da secretaria. Quem conduziu a conversa, segundo Silva, foi Eldo Castello Umbelino, dono da Nilcatex, fornecedora de uniformes. Ele contou que vinha de uma reunião anterior com Julio Manfredini e que ele estaria muito preocupado que a vitória de Russomanno atrapalhasse as pretensões do grupo. O bate-papo entre os empresários foi gravado pelo ex-executivo da Diana Paolucci e encaminhado ao Ministério Público.

O empresário se diz arrependido de ter integrado o esquema, conta que começou a atuar na área de licitações de merenda escolar há quase dez anos e, a partir de 2008, resolveu ampliar sua atuação para outros insumos. À reportagem, Djalma Silva apresentou cópias de denúncias protocoladas por seu advogado junto aos gestores públicos e órgãos de controle, alertando sobre as fraudes nos editais e a combinação de preços entre as empresas, antecipando até o resultado de licitações. Desde então, diz que vem sofrendo perseguições e ameaças de morte contra si e sua família. “Um dia desses me enviaram um envelope com a foto do meu filho saindo da escola. Era um recado claro”, afirma.


NEGOCIATA
Segundo testemunha, vitória de Serra é garantia de manutenção do esquema

Um dos que o teria ameaçado seria seu ex-patrão, Abelardo Paolucci. “Ele disse que vai acabar comigo, que é mais bandido do que eu imagino. Eu gravei tudo”, diz. Silva espera assinar nos próximos dias um acordo com o Ministério Público e avalia pedir proteção policial. De fato, o executivo tornou-se uma testemunha-chave. Segundo ele, o esquema foi implementado por Serra ainda no governo do Estado e importado para a Prefeitura paulistana, onde operou desde 2006 pelas mãos do secretário Schneider, que deixou o cargo justamente para concorrer como vice na chapa tucana. Tanto em nível municipal como no estadual, o esquema seria coordenado pela empresa Capricórnio. De acordo com Djalma Silva, Manfredini, o dono da empresa, mantém relação estreita com Schneider. “Ele tem acesso aos editais com antecedência, faz as alterações para beneficiar o seu grupo de empresas. Combinam preços e pagam comissões aos políticos”, afirma Silva. Esses pagamentos, acrescentou a testemunha, ocorreriam em restaurantes na via Dutra e no escritório da Capricórnio na avenida Angélica, em Higienópolis.

Essas empresas, na semana passada, saíram a público para rejeitar as denúncias publicadas por ISTOÉ. Em “informe publicitário” nos jornais de São Paulo, a Diana classificou de “inverídicas” as informações. Documentos entregues por Silva ao Ministério Público, porém, mostram o contrário. São cópias de e-mails e mensagens de celular trocadas com os empresários e políticos envolvidos no esquema. Esses documentos mostram, por exemplo, a negociata entre o ex-diretor da Diana Paolucci e Ortiz Júnior, que é candidato a prefeito de Taubaté pelo PSDB e filho do presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), José Bernardo Ortiz.


ACERTO
Ortiz Júnior, candidato a prefeito de Taubaté, pediu comissão

O órgão é responsável por todas as licitações do governo de São Paulo na área da educação e possui orçamento de quase R$ 3 bilhões. Falando em nome do pai e usando sua influência de cacique tucano, Júnior teria procurado Djalma Silva no ano passado para levantar recursos para sua campanha. “Ele queria R$ 7 milhões e pediu 10% do contrato. Consegui 5%”, lembra. A oferta de Júnior incluía, segundo Silva, milionários contratos para fornecimento de mochilas e uniforme escolar. Na semana passada, Manfredini e Schneider foram procurados por ISTOÉ, mas não se pronunciaram até o fechamento desta edição.

http://www.istoe.com.br/reportagens/230680_A+MAFIA+DOS+UNIFORMES

Zara Brasil é suspensa de pacto por afrontar "lista suja" | Brasil de Fato


Envolvida em flagrante de escravidão em 2011, grife foi punida por pregar a inconstitucionalidade do cadastro de empregadores mantido pelo governo


24/08/2012

Maurício Hashizume,

da Repórter Brasil
     

      Trabalhadora em uma confeccção de roupas da Zara - Foto: Repórter Brasil

A grife de roupas e acessórios Zara, que foi implicada em caso de escravidão contemporânea flagrado na confecção de roupas da marca, está suspensa do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. O Comitê de Coordenação e Monitoramento da iniciativa, que reúne empresas comprometidas em agir contra a exploração de mão de obra escrava, decidiu pela suspensão da companhia têxtil espanhola em decorrência do posicionamento no sentido da inconstitucionalidade da "lista suja" do trabalho escravo, assumido pela mesma empresa em ação judicial apresentada à Justiça do Trabalho.

De acordo com comunicado assinado pelos membros do Comitê, o comportamento da Zara, ao colocar em xeque o cadastro de empregadores envolvidos em casos de trabalho escravo, "afronta" e "enseja a violação" dos princípios basilares e formadores do Pacto Nacional, que mantém atividades desde 2005. Ressalte-se que, mesmo após pedido prévio de esclarecimento, a empresa - que faz parte do grupo Inditex, com sede na Espanha, considerado o mais valioso conglomerado empresarial do setor têxtil em todo o mundo - informou que mantém inalterada a sua posição.

"A ´lista suja´ é uma referência internacional, inclusive citada em relatórios globais sobre o tema", comentou Luiz Machado, coordenador do Programa de Erradicação do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT), órgão que integra o Comitê de Coordenação e Monitoramento do Pacto Nacional. "A suspensão [em vigor desde a última sexta (17)] não tira a importância de outras ações e investimentos de responsabilidade social que estão sendo realizadas no combate ao problema, que é muito grave". Além da OIT, fazem parte do Comitê o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, o Instituto Observatório Social (IOS) e a ONG Repórter Brasil.

A Zara tornou-se signatária do Pacto Nacional em novembro de 2011, ocasião em que também incentivou a adesão de 48 de suas fornecedoras. Desde que uma fiscalização coordenada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) encontrou 15 pessoas produzindo peças de vestuário da marca em condições análogas à escravidão em meados de 2011, a grife assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e vem anunciando uma série de medidas direcionadas ao enfrentamento do trabalho escravo. Acabou, porém, sendo punida por pregar no Judiciário a inconstitucionalidade de um instrumento considerado central nos esforços para a erradicação deste tipo de crime.

A Justiça do Trabalho concedeu liminar para que a Zara Brasil Ltda. não seja incluída na "lista suja" do trabalho escravo, mas, valendo-se do princípio da publicidade, negou o pedido para que o processo corra em segredo de Justiça. A ação, que contesta ainda os 48 autos de infração emitidos contra a empresa e a atuação dos auditores-fiscais do trabalho, corre na 3ª Vara do Trabalho de São Paulo (SP). Uma audiência relativa ao imbróglio judicial está marcada para o próximo dia 13 de setembro.

Contactada pela Repórter Brasil, a Zara Brasil informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que prefere não se pronunciar a respeito da suspensão por tempo indeterminado - que, segundo o Comitê, tem sua vigência "condicionada à existência e tramitação do processo e às eventuais decisões judiciais sobre os pedidos constantes da Ação Anulatória".

 

Responsabilidades

Em sua defesa, a Zara se sustenta basicamente em dois argumentos complementares. O primeiro deles é a de que a empresa espanhola não poderia ter sido autuada por submeter pessoas a condições análogas à escravidão, pois mantinha apenas uma relação comercial (compra e venda de produtos) com a fornecedora AHA. Esta última teria, para a Zara, decidido terceirizar a produção para oficinas de costura menores por sua própria conta e risco.

O segundo argumento é o de que, mesmo supostamente não tendo responsabilidade jurídica pelo ocorrido, a grife teria demonstrado reiterado compromisso com padrões de trabalho decente em sua cadeia produtiva, com ações concretas de responsabilidade social.

O argumento inicial é contestado frontalmente pela fiscalização trabalhista responsável pela libertação das 15 vítimas, realizada na capital paulista em meados de 2011. Na visão dos coordenadores da inspeção, não há dúvidas de que o esquema prestava-se exclusivamente "para encobrir o real empregador e esconder a alocação de trabalhadores em atividades permanentes e essenciais ao objeto do negócio da autuada [no caso, a Zara Brasil Ltda.] - atividade de confecção das peças que comercializava".

Os advogados da Zara sustentam que a AHA era uma empresa independente que produzia para outras marcas além da Zara. A auditoria da SRTE/SP constatou, no entanto, que as peças da grife correspondiam a 91% do total confeccionado pela AHA no período de três meses que antecederam a operação. E que, além da dependência econômica, não pairaram dúvidas acerca do gerenciamento da produção por parte da Zara. Entre os atos típicos de poder diretivo, os agentes ressaltaram "ordens verbais, fiscalização, controle, e-mails solicitando correção e adequação das peças, controle de qualidade, reuniões de desenvolvimento, cobrança de prazos de entrega etc." No entendimento da SRTE/SP, portanto, a Zara constitui "pessoa jurídica que de fato dirige o processo produtivo e se beneficia dessa mão de obra".

Em adição, a Zara busca sublinhar, em seu segundo argumento, a sua conduta "socialmente responsável" perante a Justiça. Para tanto, apresenta uma série de ações, como a própria adesão ao Pacto Nacional, a assinatura do TAC (dos R$ 3,4 milhões de indenização por dano moral coletivo acordados, a empresa alega já ter desembolsado pelo menos R$ 1,3 milhão), parcerias com entidades da sociedade civil e a realização de centenas de auditorias completas (como parte do monitoramento do Código de Conduta imposto a parceiros comerciais) após a repercussão internacional gerada pela divulgação do caso de trabalho escravo contemporâneo.

 

Monitoramento

Ocorre que levantamento realizado pela Repórter Brasil com base em informações divulgadas em relatórios anuais do grupo Inditex revela uma contradição relacionada às auditorias do Código de Conduta. Em matéria publicada na sequência do polêmico episódio de escravidão, chamou-se a atenção para o fato de que somente nove auditorias iniciais foram promovidas em toda a cadeia produtiva brasileira a pedido da Zara no ano de 2010. Não foi possível obter detalhes sobre essas averiguações junto à grife. Em posição inicial encaminhada à reportagem, a companhia alegou apenas que "a base fixa de fornecedores atende a níveis de qualidade tanto no que se refere a seus produtos, quanto às condições em que são fabricados, como revela nosso sistema de auditoria regular" e que 75% dos fornecedores vinham obtendo as qualificações máximas no monitoramento.

Questionada a respeito de possíveis auditorias prévias à fiscalização com foco na AHA, a Zara tem optado pelo silêncio. Em duas ocasiões, porém, deixou escapar que a confecção vinha trabalhando com a grife "há muito tempo" (Regiane Machado, diretora de compras da Zara Brasil) e detinha "muito boa fama" (Jesus Echevarría, diretor global de comunicação da Inditex). A informação a respeito de possíveis visitas da Zara à AHA antes do flagrante é crucial, pois evidencia o nível de "compromisso" da empresa com sua cadeia produtiva: se esteve na fornecedora, seria importante que abrisse os resultados da checagem; se não esteve, é preciso justificar por qual motivo não o fez, já que a AHA era a principal fornecedora de tecidos planos da Zara Brasil.

A comparação dos dados de 2010 com os 2011 também é reveladora. Em contraste com as parcas nove auditorias (todas elas iniciais, ou seja, nenhuma delas de acompanhamento) executadas em 2010, a Inditex/Zara patrocinou 439 auditorias em 2011 - 67 iniciais, 14 de acompanhamento e nada menos que 358 "especiais" -, em grande mobilização que envolveu equipes próprias internas e três consultorias externas contratadas (SGS, Intertek e Apcer).

Enquanto houve uma média de uma auditoria a cada 40 dias em 2010; em 2011, foram uma média de cinco auditorias a cada quatro dias, isto é, mais de uma auditoria por dia. Chamada a responder sobre a disparidade do volume de monitoramentos entre os dois anos, a Zara escolheu mais uma vez o silêncio. Permanece, portanto, a dúvida: como uma empresa tão empenhada em fazer valer o seu Código de Conduta realiza tão raras auditorias anuais, por menor que seja a amostragem, em um universo (cadeia produtiva da marca no Brasil) que comporta até 48,77 vezes mais verificações?

Outra explicação pedida pela Repórter Brasil que não obteve resposta da Zara diz respeito ao Disque-Denúncia (0800-7709242), mais uma medida implementada após a ampla divulgação do caso de escravidão. O número de telefone está ativo, mas a reportagem identificou vários problemas com o serviço. O atendimento não está devidamente preparado para receber possíveis denúncias de forma efetiva e segura: não há, por exemplo, a opção para coleta de informações em espanhol e prevalece a confusão quanto às formas de encaminhamento das denúncias. A empresa não quis confirmar sequer o número de casos colhidos e repassados pelo serviço e nem ofereceu mais detalhes sobre os procedimentos que estão sendo utilizados.


http://www.brasildefato.com.br/node/10425

Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz