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pergunta:

"Até quando vamos ter que agüentar a apropriação da idéia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

22.9.17

Policial que matou sem terra com um tiro nas costas é condenado a 12 anos de prisão

Policial que matou sem terra com um tiro nas costas é condenado a 12 anos de prisão

Sentença foi proferida após 15 horas de julgamento | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Fernanda Canofre

No mesmo dia em que a morte do agricultor sem-terra Elton Brum completou oito anos e um mês, o policial militar Alexandre Curto dos Santos, apontado como autor do disparo que tirou sua vida, sentou-se para depor diante de um juiz. Por cerca de uma hora, o réu respondeu perguntas do juiz, da acusação e da defesa, repetindo várias vezes, que sua arma tinha apenas munição não-letal, mas foi trocada com a de um colega que havia carregado uma bala de munição letal na sua. As armas seriam idênticas e ele nunca soube explicar em que momento se deu a troca. A tese da defesa era de que não houve intenção de matar.

Para o júri, no entanto, ao disparar contra Brum, a uma curta distância, com a vítima de costas e com dificuldade para se defender, o policial assumiu o risco e a intenção. O juiz e o júri – composto por três homens e quatro mulheres – acataram a sugestão de pena da acusação. Ainda na quinta-feira (21), depois de 15 horas de julgamento, o brigadiano foi condenado por homicídio qualificado a pena de 12 anos de prisão, em regime fechado, perda do cargo na Brigada Militar e prisão imediata.

Na plateia, pouco antes da sentença, a viúva de Elton, Maria Odete, que acompanhou todo o julgamento, sem falar com a imprensa, declarou apenas: "Espero que seja feito justiça, porque o resto eu já entreguei nas mãos de Deus".

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Inicia julgamento de PM acusado de matar sem-terra com tiro pelas costas

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) divulgou uma nota em que afirma que a morte de Brum, aos 44 anos, é apenas um capítulo dos inúmeros conflitos no campo, consequência do Brasil "nunca ter tirado a reforma agrária do papel". "Basta de impunidade nos conflitos no campo e violência policial. Repudiamos qualquer tipo de violência, contra qualquer trabalhador e trabalhadora. Queremos que o ocorrido com Elton Brum não se repita. Queremos que o Estado repense sua postura em ações de reintegração de posse ou despejos, que não use de sua força para matar, nem reprimir lutas legítimas", ressalta o texto.

Curto foi encaminhado a prisão militar, enquanto aguarda os próximos passos do processo. Ainda cabe recurso à decisão. O caso foi trazido ao Foro de Porto Alegre a pedido da acusação, alegando questões de segurança e garantia de imparcialidade.

Pouco antes do anúncio da sentença, a advogada de defesa, Andréia Tavares, disse que nunca tinha presenciado "um réu com tanta verdade", trazendo para o depoimento "a culpa, o sentimento". A tática da defesa seria provar que o réu não tinha intenção de matar e foi vítima de uma fatalidade, na troca acidental de armas com o colega que havia carregado munição letal.

"Os vídeos mostram como foi a violência empregado no dia. [O movimento] estava com sangue nos olhos. O próprio promotor disse que eles não invadem pela propriedade, mas para causar comoção do Estado. E aí, casa com uma situação de um policial militar há 4 dias trabalhando", disse a advogada.

Réu afirmou que comando sabia de uso de munição letal

Depoimento do réu, que a pedidos não foi fotografado, foi o último ouvido e durou pouco mais de uma hora | Foto: Guilherme Santos/Sul21

O depoimento de Alexandre Curto dos Santos durou cerca de uma hora. A primeira pergunta veio do juiz Orlando Faccini Neto, que queria saber o que o policial pensava sobre o MST. "No fundo, eles têm causas para reivindicar certas coisas, mas hoje estão sendo utilizados como massa de manobra. Mandaram gente para ser treinada na Colômbia, com a guerrilha. Isso eu sei, por fontes militares (…) A pessoa pode reivindicar, mas chega um momento que termina o direito dela e começa o do outro. Existem formas de reivindicar", respondeu o réu.

Com mais de 20 anos de Brigada Militar, Alexandre estava há 12 no Batalhão de Operações Especiais quando seguiu para a operação de reintegração de posse da fazenda Southall, em São Gabriel. O policial estava lotado em Bagé e tinha experiência em operação envolvendo o movimento. Em depoimento, disse que era "inevitável" que as operações tivessem feridos dos dois lados e que ele mesmo havia levado "várias pedradas".

Na madrugada em que seguiu para a fazenda ocupada pelo MST, segundo ele, estava trabalhando há quatro dias seguidos sem dormir. Quatro horas antes de ir para a estrada, ele havia participado de uma operação contra grevistas, em Candiota. Sua advogada disse que ele seguiu para São Gabriel por causa dos R$ 60 de adicional.

Na versão contada pelo réu, ele seguiu em uma viatura com outros quatro policiais tomando chimarrão e parando no caminho, que levou seis horas, três vezes. Alexandre sustenta que foi em um desses momentos que houve a troca de armas entre ele e o colega, soldado Cortez. Apesar das instruções do comando da BM, do planejamento da operação de reintegração, Cortez decidiu inserir uma munição letal em meio às demais.

"O Cortez disse para o tenente [responsável pelo comando da operação] que iria colocar uma bala letal porque poderia acontecer alguma coisa, de Bagé até São Gabriel. Ele disse que tiraria quando chegasse [à fazenda]. Eles não sabem [quando houve a troca] porque as armas são idênticas", afirma o advogado de defesa, Jabs Paim Bandeira.

Alexandre reiterou em seu depoimento que, apesar das ordens de usar apenas munição não-letal, o que seria a norma em casos de reintegração de posse, o colega havia optado por colocar um cartucho de munição letal, com aval do comandante. Nem Cortez, nem o tenente responsável pela operação foram indiciados ou investigados pelo caso. Por ter ficha limpa na corporação, Alexandre foi inocentado no processo administrativo que avaliou sua conduta no dia.

"Foi uma fatalidade. Eu peguei a minha arma, somente municiei anti-motim, fiquei com ela durante todo o tempo. O meu colega, que foi junto, pegou a mesma arma, da mesma cor. As armas são idênticas em cor, formato, mesma marca. Nós éramos três viaturas para se deslocar para São Gabriel. Cada viatura comporta 5 pessoas. Se ele estivesse em outra viatura, não teria feito a troca com ele", afirmou ele durante o julgamento.

A versão sobre a morte

integrante do MST fizeram vigília durante todo o dia de julgamento, em frente ao prédio do Foro Central | Foto: Maia Rubim/Sul21

A acusação, no entanto, insistiu em outros furos da história do policial. Por exemplo, no fato de que Alexandre não prestou socorro a Elton Brum, no momento em que se deu conta que a munição disparada era letal. Ou ao fato de que a distância que ele alegava estar da vítima – entre 8 e 10 metros – não condizia com o que foi constatado por peritos, que examinaram o ferimento no corpo – compatível com distância curta, entre 3 e 5 metros. Ou ainda, o porquê do policial ter levado seis dias para se apresentar com a sua versão dos fatos.

Na versão de Alexandre, ele entrou na fazenda Southall por um portão lateral, em uma linha com outros 15 soldados. Com escudos de madeira colocados para proteger a entrada, ele efetuou três disparos para abrir caminho. Todos com balas não-letais, condizente com o que ele havia carregado na própria arma.

"Tinha muito barulho de foguete, muita fumaça, muito lixo queimado na volta, estava tudo muito conturbado. Eu me virei para a direita, vi um colega a cavalo, ao fundo, e vi um vulto de uma pessoa indo em direção às rédeas do cavalo. Eu pensei que, se ele pegasse as rédeas ele ia derrubar meu colega, podia causar uma fratura nele. Como eu sabia que estava com a minha arma, que eu sabia que só tinha colocado nela munição não-letal, os tiros que disparei antes eram assim, eu disparei mais uma vez", relatou ele.

No momento em que atirou, ele conta que a arma recuou mais forte e soube que a munição era letal. "Em seguida, eu abri a arma pra ver que munição estava sendo usada e vi que era letal. Naquele instante, foi como se eu tivesse desligado. Eu não escutei mais nada, eu não vi mais nada. Eu virei as costas e saí, todo aquele cenário, eu não tinha mais condições de estar ali", respondeu sobre o porquê de não prestar socorro a Brum ou pedir que outros assumissem o caso. "Eu fiquei imóvel, porque estava estarrecido com a situação. Eu não tinha noção do que tinha acontecido. Não tinha condições".

A acusação questionou Alexandre se a vítima estava de costas no momento do disparo. O brigadiano, que reafirmou que só disparou porque viu o agricultor "com o braço levantado, em direção ao cavalo", respondeu que não conseguiu ver porque havia muita fumaça no local. "Não sei se ele estava de frente ou de costas. Eu não fiz pontaria, só coloquei a arma na linha cintura e acionei o disparo".

Para a promotoria e os advogados assistentes, a afirmação não condiz com um soldado com mais de 20 anos de corporação, com notas máximas em vários cursos de tiro. Ao júri foi apresentado ainda um vídeo, gravado pela BM durante a operação, que contradizia o brigadiano. Brum aparecia cercado por cavalos da polícia e com as mãos no bolso, no momento em que o tiro é disparado.

O soldado, que foi promovido a sargento há dois anos, disse ainda que "pensa no que aconteceu todos os dias". "É um fato que até hoje me atormenta. Não queria que tivesse acontecido aquilo. Eu carrego até hoje esse peso, da morte de uma pessoa".

Ordem foi cumprida antes do prazo final determinado pela justiça

Promotora que acompanhou reintegração não soube responder porque cumprimento foi antecipado | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Antes do depoimento do réu, o júri ouviu a então promotora da Infância e da Juventude de São Gabriel, que acompanhou o cumprimento da reintegração de posse. Em seu depoimento, ela afirmou que a oficial de justiça teria tentando ler a determinação judicial três vezes antes da entrada no acampamento. A promotora não soube responder ao questionamento do advogado do MST, Emiliano Maldonado, sobre o porquê da reintegração ter sido realizada no dia 21 de agosto se a decisão do juiz dava aos sem-terra o dia 22 como prazo final para a saída pacífica.

"A desocupação em si foi muito rápida, levou uns 5 minutos. Depois, [os policiais] ficaram identificando as pessoas. Só tomei conhecimento da morte à tarde, quando cheguei à cidade. [Ainda no local], eu lembro de ter visto um homem, saindo em uma maca, logo no início da operação", afirmou ela.

A promotora comentou ainda sobre ter dado declarações à imprensa, na época, defendendo que não houve excesso por parte da BM. "Eu não vi o que aconteceu dentro desse acampamento, porque era vigiado, com segurança. Me refiro à atuação como um todo. A preparação da operação me pareceu muito profissional", disse. A promotora, porém, também afirmou que não seria capaz de avaliar a conduta individual dos policiais envolvidos na operação.

O MST teve 31 integrantes feridos. Relatos de abusos – incluindo casos de pessoas que teriam sido colocadas em cima de formigueiros – foram anexados a um relatório do Comitê Estadual Contra a Tortura e referenciados no depoimento de Carlos D'Elia, na manhã de quinta.

A acusação de que o MST teria recebido treinamento das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e estaria preparando uma guerrilha no Rio Grande do Sul chegou a ser apresentada como denúncia no Ministério Público Federal (MPF), a pedido de um coronel da Brigada Militar, como lembrou o advogado assistente da acusação, Leandro Scalabrin. A Justiça, no entanto, confirmou que a tese não tinha fundamento.

O promotor, Eugenio Amorim, afirmou diante do júri ser uma pessoa de direita e que sempre tendia a ficar ao lado do policiais militares. "Sou opositor da esquerda, desde muito novo. Vou acusar o réu porque a vida de alguém que pensa diferente politicamente não vale menos que a minha". Amorim encerrou sua argumentação lendo o poema "A morte de Pedro Ninguém", de Luiz Menezes: "Oigatê, como é brabo esse mês de agosto! (…) O homem que nasce pobre / é como um cavalo xucro / É peleado pela vida / sofre a doma das tristezas".

Faixas e cartazes foram colocados pelo MST | Foto: Maia Rubim/Sul21

Confira a nota do MST na íntegra:

Nota do MST sobre resultado do julgamento do caso Elton Brum da Silva

Mais de oito anos depois, justiça foi feita. O policial militar que matou com um tiro nas costas o Sem Terra Elton Brum da Silva foi condenado. Alexandre Curto dos Santos, à época soldado e até então 3º sargento da Brigada Militar, foi condenado pelo júri popular a 12 anos de prisão, que serão cumpridos em regime fechado. A sentença também constou perda de cargo e prisão imediata do réu. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (21) no Foro Central I da Comarca de Porto Alegre, e durou cerca de 12 horas.

O policial foi condenado por homicídio qualificado, ou seja, por impossibilitar a defesa da vítima. Elton Brum foi covardemente executado com um tiro a queima roupa nas costas durante uma violenta e arbitrária reintegração de posse da Fazenda Southall, no município de São Gabriel, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, em 21 de agosto de 2009.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em décadas de sua existência, tem na luta pela Reforma Agrária a saída para uma vida mais justa e igualitária no campo. Mas, infelizmente, esta política pública é vista com descaso pelos nossos governantes. Os inúmeros conflitos no campo, que hoje são registrados anualmente pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), são consequências de uma grande dívida social que o Brasil tem por nunca ter tirado a Reforma Agrária do papel. Muitas vezes, isto resulta no fim da vida de trabalhadores e trabalhadoras inocentes, que sofrem criminalização por unicamente serem Sem Terra.

Esta realidade também foi a de Elton Brum da Silva, que aos 44 anos de idade entrou nas estatísticas das mortes ocorridas em conflitos agrários. Mais um trabalhador foi morto covardemente pela força excessiva do Estado, que deveria ajudar a construir alternativas para que todos e todas tenham direito à terra, e não matar.

Basta de impunidade nos conflitos no campo e violência policial. Repudiamos qualquer tipo de violência, contra qualquer trabalhador e trabalhadora. Queremos que o ocorrido com Elton Brum não se repita. Queremos que o Estado repense sua postura em ações de reintegração de posse ou despejos, que não use de sua força para matar, nem reprimir lutas legítimas.

O MST seguirá lutando por uma Reforma Agrária Popular, que fixe os trabalhadores no campo e que garanta melhores condições de vida para o povo brasileiro.

Por nossos mortos nem um minuto de silêncio, mas uma vida inteira de luta!
Elton Brum da Silva, presente! Elton Brum vive!

Direção Estadual do MST/RS
22 de setembro de 2017

21.9.17

Você é uma das minhas referências políticas...

VOCÊ É A MINHA REFERÊNCIA PORQUE É COERENTE


Você teve certeza de que a Friboi é do Fábio, o Lulinha, e é dos irmãos Batista.

Você teve certeza de que Lula é dono de um iate, e agora sabemos que são três, dois pedalinhos e uma canoa de lata.

Você teve certeza de que Lulinha era proprietário de um jatinho de sessenta milhões de dólares, igual ao do Malafaia. O jato está apreendido, porque é do espólio de Eike Batista.

Você teve certeza de que Lulinha limpava bosta de elefante no Zoo de Brasília e agora sabemos que ele nunca trabalhou lá.

Você teve certeza de que Lula e Lulinha eram os donos da Oi e hoje sabemos que é do Tasso Jereissati.

Você encheu a bola do Japonês Bonzinho, da Federal, pela honestidade do Japa, e ele foi afastado das funções porque é contrabandista na fronteira. 

Você apoiou Eduardo Cunha, porque ele acabaria com a roubalheira do PT. Ele está preso.

Você aplaudiu Sérgio Cabral, quando ele traiu Dilma e apoiou Aécio, escolhendo o lado certo. Cabral está preso e Aécio, investigado.

Você aplaudiu a ex Suplicy, quando foi para o PMDB, para fugir da "corrupção petista". Um terço do PMDB está indiciado, um terço, preso, e um terço, investigado. Os únicos legalistas e sem evidências de serem corruptos, Kátia e Requião, estão para ser expulsos, por destoarem do resto do partido.

Você chamou o PT de quadrilha, mas o helicóptero com quase meia tonelada de cocaína, apreendida pela PF, não é de senador petista, o avião apreendido com mais de seiscentos quilos de cocaína não levantou vôo da fazenda de um petista, mas de um ministro do governo que você colocou aí.

Você, atendendo aos apelos da Globo e da Fiesp, cultuou um patinho inflável e derrubou Dilma. Agora perdeu o emprego. Se não perdeu, perdeu os direitos trabalhistas e corre o risco de não se aposentar, para salvar a Previdência Social. Os empresários da Fiesp e a Globo devem quase três trilhões de reais à Previdência, por sonegação, quinze vezes mais que o rombo atual, e agradecem pela anistia fiscal dada por você.

Você acredita que um triplex penhorado pela Caixa Econômica, porque do patrimônio da OAS, é do Lula.

Você acredita que um posto de gasolina é a sede do Instituto Lula, doado pela Odebrecht.


Em 13 anos o Brasil saltou de décima sexta para oitava economia do planeta, mas você acredita que o PT faliu o país.

Agora você tem certeza de que Lula é ladrão e Bolsonaro é a solução, o que muito me tranquiliza.

Você é uma das minhas referências políticas, o meu tratado de como não pensar.


Francisco Costa

Rio, 20/09/2017.





Até Quando Esperar

Até Quando Esperar

Plebe Rude


Não é nossa culpa nascemos já com uma bênção
Mas isso não é desculpa pela má distribuição

Com tanta riqueza por aí, onde é que está 
Cadê sua fração? (2x)

Até quando esperar?

E cadê a esmola que nós damos
Sem perceber?
Que aquele abençoado
Poderia ter sido você

Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração? (2x)

Até quando esperar a plebe ajoelhar 
Esperando a ajuda de Deus (2x)

Posso vigiar teu carro, te pedir trocados,
Engraxar seus sapatos? (2x)

Não é nossa culpa nascemos já com uma bênção,
Mas isso não desculpa pela má distribuição

Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração?

Até quando esperar a plebe ajoelhar
Esperando a ajuda de Deus

Até quando esperar a plebe ajoelhar 
Esperando a ajuda de um divino Deus



VOCÊ É A MINHA REFERÊNCIA PORQUE É COERENTE



VOCÊ É A MINHA REFERÊNCIA PORQUE É COERENTE


Você teve certeza de que a Friboi é do Fábio, o Lulinha, e é dos irmãos Batista.

Você teve certeza de que Lula é dono de um iate, e agora sabemos que são três, dois pedalinhos e uma canoa de lata.

Você teve certeza de que Lulinha era proprietário de um jatinho de sessenta milhões de dólares, igual ao do Malafaia. O jato está apreendido, porque é do espólio de Eike Batista.

Você teve certeza de que Lulinha limpava bosta de elefante no Zoo de Brasília e agora sabemos que ele nunca trabalhou lá.

Você teve certeza de que Lula e Lulinha eram os donos da Oi e hoje sabemos que é do Tasso Jereissati.

Você encheu a bola do Japonês Bonzinho, da Federal, pela honestidade do Japa, e ele foi afastado das funções porque é contrabandista na fronteira. 

Você apoiou Eduardo Cunha, porque ele acabaria com a roubalheira do PT. Ele está preso.

Você aplaudiu Sérgio Cabral, quando ele traiu Dilma e apoiou Aécio, escolhendo o lado certo. Cabral está preso e Aécio, investigado.

Você aplaudiu a ex Suplicy, quando foi para o PMDB, para fugir da "corrupção petista". Um terço do PMDB está indiciado, um terço, preso, e um terço, investigado. Os únicos legalistas e sem evidências de serem corruptos, Kátia e Requião, estão para ser expulsos, por destoarem do resto do partido.

Você chamou o PT de quadrilha, mas o helicóptero com quase meia tonelada de cocaína, apreendida pela PF, não é de senador petista, o avião apreendido com mais de seiscentos quilos de cocaína não levantou vôo da fazenda de um petista, mas de um ministro do governo que você colocou aí.

Você, atendendo aos apelos da Globo e da Fiesp, cultuou um patinho inflável e derrubou Dilma. Agora perdeu o emprego. Se não perdeu, perdeu os direitos trabalhistas e corre o risco de não se aposentar, para salvar a Previdência Social. Os empresários da Fiesp e a Globo devem quase três trilhões de reais à Previdência, por sonegação, quinze vezes mais que o rombo atual, e agradecem pela anistia fiscal dada por você.

Você acredita que um triplex penhorado pela Caixa Econômica, porque do patrimônio da OAS, é do Lula.

Você acredita que um posto de gasolina é a sede do Instituto Lula, doado pela Odebrecht.


Em 13 anos o Brasil saltou de décima sexta para oitava economia do planeta, mas você acredita que o PT faliu o país.

Agora você tem certeza de que Lula é ladrão e Bolsonaro é a solução, o que muito me tranquiliza.

Você é uma das minhas referências políticas, o meu tratado de como não pensar.



Francisco Costa

Rio, 20/09/2017.



DUAS NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA QUE VÃO RENDER



DUAS NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA QUE VÃO RENDER:

Doleiro espanhol afirmou e sustentou, pondo-se a disposição da justiça brasileira, que lavou dinheiro para a mulher de Moro.

Chegou a segunda denúncia dando conta que Moro falsificou documentos na Lava Jato (resta saber se para incriminar Lula ou livrar algum tucano ou algum cunhista).

O ídolo dos coxas é um Cabral de toga.




PELA ÚLTIMA VEZ, COXINHAS


PELA ÚLTIMA VEZ, COXINHAS


Acho engraçadíssimo os coxinhas se irritarem, ao serem chamados de coxinhas, sem saberem porque, e mais engraçado a quantidade enorme de anti coxinhas que usa o termo sem saber porque (já vi até definirem com conotação sexual, afirmando que os alienados foram feitos nas coxas, o que é hilário).


Já expliquei um monte de vezes, mas coxescamente esquecem, ou fingem que esquecem, como quando dizem que Temer é de responsabilidade do PT, esquecendo-se que o PT não derrubou a Dilma.


Na minha idade já começa a ficar difícil repetir, mas vou tentar, vou explicar aos coxas porque são chamados assim.


Alguns defendem que o termo nasceu em São Paulo, outros, que nasceu no Rio, mas não importa, já que não altera o significado.


A versão paulista dá conta que coxinhas eram os policiais militares que, de serviço nos centros comerciais, cuidando da segurança pública, davam atenção especial a determinados estabelecimentos, em troca de lanches, uma propina baratinha para garantir o patrimônio alheio, sem consciência disso.


Então, para os paulistas, coxinhas são os que defendem a coisa alheia, dos ricos, a troco de lanches, sem consciência de estarem vendendo barato um trabalho caro, com o risco da própria vida.


Já a versão carioca... O governo Garotinho, um moço que roubou como adulto, passou a descontar o rancho (refeições nos quartéis) dos salários dos policiais.
Com salários minguados (agora, além de minguados, atrasam), os policiais, em grande número, pararam de comer nos quartéis, substituindo as refeições por lanches, nas lanchonetes e bares das imediações.


Esta foi uma época de invasões de prédios e áreas devolutas.


Quando os donos ou pretensos donos desses imóveis entravam na justiça e ganhavam a reintegração de posse, lá vinham os miseráveis policiais, cheios de fome ou recheados de salgadinhos, para iludir a fome, dar porradas nos companheiros de miséria, defendendo os interesses dos ricos especuladores imobiliários, com os invasores alertando à comunidade "lá vem os coxinhas".


Então, pela versão carioca, coxinhas são os da linha auxiliar dos ricos,os cães de guarda dos ricos, os que morando em invasões ou tendo parentes e amigos morando em invasões davam porrada e prendiam invasores, atendendo aos interesses dos seus opressores, sem terem consciência disso.


A mulher que apóia Bolsonaro, notório e confesso machista, é uma coxinha; homossexual que apóia Bolsonaro, um notório e confesso homofóbico, é coxinha; o negro, mulato, índio ou de ascendência oriental que apóia Bolsonaro, um notório e assumido racista, é um coxinha; os que foram para a Paulista, atendendo aos apelos midiáticos, para servir aos interesses dos grandes empresários do país, que agora lhes tiram os direitos trabalhistas, o poder de compra dos salários e ameaçam acabar com as aposentadorias, é um coxinha; os que se pautam pelos noticiários da Globo, sem saber que os seus três proprietários, juntos, têm a maior fortuna brasileira, são coxinhas (os interesses deles não são os dos telespectadores, nas favelas, alagados, regiões de seca, periferias urbanas... E que interesses defendem as empresas deles?); quando você disser que "bandido bom é bandido morto", referindo-se aos ladrões de celulares, bicicletas e botijas de gás, aos que assaltam para obter uns poucos reais, que traficam gramas de maconha e cocaína, repetindo os discursos dos que roubam milhões de dólares da saúde e da educação, transportam toneladas de maconha e cocaína em helicópteros e jatinhos, impunemente, esquecendo que os pequenos delinqüentes são da classe pobre, a sua, você está sendo coxinha; quando você culpa a estuprada pelo estupro, esquecendo-se que é mulher ou que você tem mãe, esposa, irmãs, filhas, netas, amigas... Que não buscariam voluntariamente o estupro... Você está agindo inconscientementemente, como o policial que arrisca a vida por um lanche dado por quem está com o seu patrimônio protegido, quase de graça, como o policial que, quase com fome ou com fome bate e prende famintos, porque os donos da comida mandaram.


Finalmente... E porque coxinha e não pastel, como eram chamados os bobos, nas décadas de 60 e 70, ou empadinha, quibinho...?


Com o aumento no preço da carne de boi, do porco, e dos produtos lácteos (queijo, requeijão) e o drástico barateamento do frango, a coxinha, que é praticamente carne de frango desfiada com massa de farinha de trigo e água, tornou-se o salgadinho mais popular, porque mais barato.


Agora, ao ouvir ou ler alguma coisa, questione-se: a quem interessa isso? Com que finalidade querem que eu acredite nisso?


Agindo assim... Bem vindo à consciência política.


O meu cachorro não tem consciência dos meus interesses, mas morde para defender os meus interesses, atendendo às minhas palavras de ordem: pega! Morde!


Até onde as palavras corrupção, comunismo, bolivarismo, luladrão, Lava Jato, petralha... São palavras de ordem, para que você morda, no interesse dos que se julgam os seus donos?


Pense nisso.


Francisco Costa

Rio, 21/09/207.





PELA ÚLTIMA VEZ, COXINHAS

PELA ÚLTIMA VEZ, COXINHAS


Acho engraçadíssimo os coxinhas se irritarem, ao serem chamados de coxinhas, sem saberem porque, e mais engraçado a quantidade enorme de anti coxinhas que usa o termo sem saber porque (já vi até definirem com conotação sexual, afirmando que os alienados foram feitos nas coxas, o que é hilário).


Já expliquei um monte de vezes, mas coxescamente esquecem, ou fingem que esquecem, como quando dizem que Temer é de responsabilidade do PT, esquecendo-se que o PT não derrubou a Dilma.


Na minha idade já começa a ficar difícil repetir, mas vou tentar, vou explicar aos coxas porque são chamados assim.


Alguns defendem que o termo nasceu em São Paulo, outros, que nasceu no Rio, mas não importa, já que não altera o significado.


A versão paulista dá conta que coxinhas eram os policiais militares que, de serviço nos centros comerciais, cuidando da segurança pública, davam atenção especial a determinados estabelecimentos, em troca de lanches, uma propina baratinha para garantir o patrimônio alheio, sem consciência disso.


Então, para os paulistas, coxinhas são os que defendem a coisa alheia, dos ricos, a troco de lanches, sem consciência de estarem vendendo barato um trabalho caro, com o risco da própria vida.


Já a versão carioca... O governo Garotinho, um moço que roubou como adulto, passou a descontar o rancho (refeições nos quartéis) dos salários dos policiais.
Com salários minguados (agora, além de minguados, atrasam), os policiais, em grande número, pararam de comer nos quartéis, substituindo as refeições por lanches, nas lanchonetes e bares das imediações.


Esta foi uma época de invasões de prédios e áreas devolutas.


Quando os donos ou pretensos donos desses imóveis entravam na justiça e ganhavam a reintegração de posse, lá vinham os miseráveis policiais, cheios de fome ou recheados de salgadinhos, para iludir a fome, dar porradas nos companheiros de miséria, defendendo os interesses dos ricos especuladores imobiliários, com os invasores alertando à comunidade "lá vem os coxinhas".


Então, pela versão carioca, coxinhas são os da linha auxiliar dos ricos,os cães de guarda dos ricos, os que morando em invasões ou tendo parentes e amigos morando em invasões davam porrada e prendiam invasores, atendendo aos interesses dos seus opressores, sem terem consciência disso.


A mulher que apóia Bolsonaro, notório e confesso machista, é uma coxinha; homossexual que apóia Bolsonaro, um notório e confesso homofóbico, é coxinha; o negro, mulato, índio ou de ascendência oriental que apóia Bolsonaro, um notório e assumido racista, é um coxinha; os que foram para a Paulista, atendendo aos apelos midiáticos, para servir aos interesses dos grandes empresários do país, que agora lhes tiram os direitos trabalhistas, o poder de compra dos salários e ameaçam acabar com as aposentadorias, é um coxinha; os que se pautam pelos noticiários da Globo, sem saber que os seus três proprietários, juntos, têm a maior fortuna brasileira, são coxinhas (os interesses deles não são os dos telespectadores, nas favelas, alagados, regiões de seca, periferias urbanas... E que interesses defendem as empresas deles?); quando você disser que "bandido bom é bandido morto", referindo-se aos ladrões de celulares, bicicletas e botijas de gás, aos que assaltam para obter uns poucos reais, que traficam gramas de maconha e cocaína, repetindo os discursos dos que roubam milhões de dólares da saúde e da educação, transportam toneladas de maconha e cocaína em helicópteros e jatinhos, impunemente, esquecendo que os pequenos delinqüentes são da classe pobre, a sua, você está sendo coxinha; quando você culpa a estuprada pelo estupro, esquecendo-se que é mulher ou que você tem mãe, esposa, irmãs, filhas, netas, amigas... Que não buscariam voluntariamente o estupro... Você está agindo inconscientementemente, como o policial que arrisca a vida por um lanche dado por quem está com o seu patrimônio protegido, quase de graça, como o policial que, quase com fome ou com fome bate e prende famintos, porque os donos da comida mandaram.


Finalmente... E porque coxinha e não pastel, como eram chamados os bobos, nas décadas de 60 e 70, ou empadinha, quibinho...?


Com o aumento no preço da carne de boi, do porco, e dos produtos lácteos (queijo, requeijão) e o drástico barateamento do frango, a coxinha, que é praticamente carne de frango desfiada com massa de farinha de trigo e água, tornou-se o salgadinho mais popular, porque mais barato.


Agora, ao ouvir ou ler alguma coisa, questione-se: a quem interessa isso? Com que finalidade querem que eu acredite nisso?


Agindo assim... Bem vindo à consciência política.


O meu cachorro não tem consciência dos meus interesses, mas morde para defender os meus interesses, atendendo às minhas palavras de ordem: pega! Morde!


Até onde as palavras corrupção, comunismo, bolivarismo, luladrão, Lava Jato, petralha... São palavras de ordem, para que você morda, no interesse dos que se julgam os seus donos?


Pense nisso.


Francisco Costa

Rio, 21/09/207.








Como Junho de 2013 pariu os fascistas do MBL

Como Junho de 2013 pariu os fascistas do MBL

burradas de junho

 

Alguém que se interessa por política retém alguma lembrança de manifestações espalhafatosas pedindo golpe militar no Brasil antes de junho de 2013? Aliás, alguém se lembra de manifestações de direita antes do ano em que ocorreram os mega protestos contra aumento de vinte centavos no preço das passagens de ônibus em São Paulo?

Em Junho de 2013, o Movimento Passe Livre (MPL), de São Paulo, desencadeou uma onda de manifestações contra o aumento das passagens de ônibus na capital paulista. Em 16 de maio de 2013, o Movimento Passe Livre – composto, essencialmente, por movimentos sociais e partidos de esquerda – postou convocatória no Facebook para a primeira manifestação contra o prefeito Fernando Haddad por ter aumentado o ônibus.

junho 1

O mais interessante em tudo isso é que, apesar de ser um movimento então supostamente de esquerda, o MPL, em sua primeira convocatória para a primeira daquela série de manifestações que abalou Brasil, citava o aumento das tarifas dos ônibus, responsabilidade do governo petista de Fernando Haddad, e ignorava aumento idêntico que estava sendo aplicado às tarifas do metrô, então de responsabilidade do governo tucano do Estado de SP.

junho 2

A preferência do MPL por atacar aumento do governo municipal do PT culminou com uma tentativa de invasão da prefeitura paulistana em 17 de junho de 2013, quando 20 mil pessoas saíram da Avenida Paulista e foram para o centro de São Paulo, onde a sede da prefeitura foi depredada, lojas saqueadas e um carro de uma rede de televisão incendiado.

junho 3

Durante aquele processo, o antipetismo vociferado por partidos como PSOL, PSTU e Rede, entre outros, foi crescendo e atraindo grupos de direita que estavam entocados desde o fim da ditadura militar.

O resultado não poderia ser outro. Pesquisa Datafolha veiculada em 29 de junho de 2013 dava conta de que, nas três primeiras semanas daquele mês, a então presidente Dilma Rousseff perdera 27 pontos percentuais de aprovação, caindo de 57% para 30% no período. http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2013/06/1303659-aprovacao-a-governo-dilma-rousseff-cai-27-pontos-em-tres-semanas.shtml

— junho 4

Cerca de 9 meses depois, em 22 de março de 2014, surge uma manifestação na qual ninguém acreditava e que seria o início do processo que derrubou Dilma Rousseff dois anos depois, em abril de 2016. O protesto chamou a si mesmo de Marcha da Família com Deus e pela Liberdade e foi inspirada em "marcha" homônima ocorrida inicialmente em 19 de março de 1964, a menos de duas semanas do golpe militar que duraria 21 anos.

O Blog da Cidadania cobriu aquela marcha.

Posteriormente, a jornalista Marina Amaral, em artigo constante no livro "Por que Gritamos Golpe" (São Paulo: Boitempo, 2016) – que reuniu textos de diversos autores sobre o momento político brasileiro -, disse que os protestos que ficaram conhecidos pela frase de ordem "não é por 20 centavos" foram "incorporados e ressignificados pela direita".

junho 8

A partir do palco armado pelo Movimento Passe Livre – dito de esquerda – por vinte centavos de aumento nas passagens de ônibus, grupos de direita e extrema-direita se encontraram nas ruas e rapidamente se organizaram.

Na sigla do Movimento Passe Livre (MPL), movimento supostamente de esquerda, inspirou-se o Movimento Brasil Livre, assumidamente de extrema-direita e que se tornaria linha auxiliar do maior fascista brasileiro, o deputado-milico Jair Bolsonaro, que, apesar de ser visto de forma meio ridícula e maluca pelos seus fãs semiletrados e truculentos, representa um risco considerável para o país.

junho 9a

No bordão Vem Pra Rua Vem contra o Aumento (do ônibus), cantado pelo MBL nas manifestações por vinte centavos, inspirou-se o movimento fascista Vem Pra Rua, pilotado por um laranja do capital estrangeiro transnacional e que usou esse recurso ajudar a tirar o PT do poder de modo a terminarmos nesse extermínio de direitos trabalhistas e sociais que o governo que substituiu o governo do PT está promovendo.

O vídeo a seguir é quase um documentário sobre um processo que desgraçaria o Brasil nos anos seguintes e que até hoje foi preservado da execração política adequada.

Confira, abaixo, documentário que mostra como os protestos do Movimento Passe Livre em junho de 2013 permitiram a grupos políticos de extrema-direita (até então entocados devido à "obra" da ditadura militar) instrumentalizarem os protestos esquerdistas contra aumento de 20 centavos nas passagens, o que terminou em mais um golpe de Estado no Brasil.

Como lidar com Bolsonaro?

Como lidar com Bolsonaro?

21 Setembro 2017

A ascensão de Jair Bolsonaro em todas as últimas pesquisas eleitorais, nas quais sempre aparece como segundo colocado atrás apenas do ex-presidente Lula, deveria ser motivo de preocupação para qualquer democrata. Há bons motivos para esperar que sua inconsistência programática, o pouco tempo de TV e a baixa capacidade de construir alianças partidárias vai minar a sua candidatura, mas os contra-exemplos das candidaturas de Donald Trump, nos Estados Unidos, e Marine Le Pen, na França, assim como o sucesso da campanha do Brexit, no Reino Unido, mostram que soluções radicais em momentos de crise política aguda podem ter sucesso.

O comentário é de Pablo Ortellado, professor da USP, em artigo publicado por Folha de S. Paulo, 19-09-2017.

A candidatura de Bolsonaro é uma aventura de grandes proporções. Ele não tem, nem vagamente, um programa de governo e, com a exceção de um certo corporativismo semi-sindical em defesa do setor militar, se fez como figura pública apenas menosprezando a democracia, os direitos humanos e qualquer forma de desvio da velha norma social.

Em entrevistas, sempre que foi colocado à prova o conteúdo programático da sua candidatura, sua profunda ignorância sobre as políticas públicas prevaleceu. No entanto, quando fala sobre direitos humanos, tortura, feminismo, racismo e anticomunismo, é capaz de despertar grandes paixões —nos seus adversários, mas também nos seus seguidores.

Nenhum dos principais candidatos a presidente para as eleições de 2018 encarna tão bem o papel de antiestablishment como Bolsonaro. O ex-capitão do Exército não tem partido político tradicional (apesar da intenção de voto alta, teve que se contentar com o nanico PEN), não tem a simpatia dos meios de comunicação, não tem apoio relevante entre o empresariado e definitivamente não tem nenhum apoio dos movimentos sociais e sindicatos.

Sua campanha foi construída inteiramente pela base e nas redes sociais, lutando contra tudo e contra todos. Em suas viagens pelo Brasil, Bolsonaro é recebido nos aeroportos por grandes multidões e suas palestras despertam paixões como não se vê em política há muito tempo. Entre os seus jovens seguidores, é chamado de "mito".

Os analistas se dividem ao tentar explicar a natureza do fenômeno Bolsonaro. A intenção de voto nele parece ser um voto de protesto, profundamente antissistêmico —e o ódio do establishment ao seu radicalismo antidireitos humanos só contribuiria para a ampliação do fenômeno. Outros analistas ressaltam o papel no seu discurso do punitivismo militarista, uma corrente de opinião muito difundida na sociedade brasileira e da qual ele seria uma espécie de porta-voz. Finalmente, parece contribuir para o seu sucesso, a reputação que conseguiu forjar como pessoa honesta, o que, em tempos de Lava Jato, vale ouro.

Seja como for, a não ser que algum imprevisto sobrevenha, a sociedade brasileira precisa começar a pensar em como lidar com o crescimento da sua candidatura.

Num relatório muito influente sobre a ascensão global do populismo ("The Populist Explosion", da Columbia Global Reports) publicado em 2016, o jornalista John Judis dá alguns elementos para pensar.

Ao tratar dos "populistas de direita", um fenômeno que em alguns aspectos lembra Bolsonaro, Judis chama a atenção para o abuso conceitual que é tratar essas candidaturas como se fossem "fascistas". Judis argumenta que, ao contrário do fascismo histórico, que era antidemocrático e expansionista, os novos populistas de direita não tem mostrado qualquer pendor expansionista, têm respeitado a alternância de poder no jogo da democracia liberal e seu racismo tem ficado razoavelmente circunscrito às políticas antimigratórias.

Devemos esperar o mesmo de Bolsonaro? Devemos "normalizar" a sua candidatura? Está mais do que na hora de levantar essas incômodas questões, agora que um em cada cinco brasileiros diz que pretende votar nele. Estamos contando demais que sua incapacidade intelectual, sua deficiência programática, seu isolamento político e que as regras do jogo eleitoral vão dar conta de enterrar sua candidatura a presidente.

http://www.ihu.unisinos.br/571906-como-lidar-com-bolsonaro




Filme mostra degradação ambiental causada pela monocultura do eucalipto na BA e no ES

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20 Setembro 2017

 

    "Desertos Verdes" dá voz a indígenas, camponeses e quilombolas; eles são expulsos, ameaçados e veem aviões das grandes empresas despejarem veneno na mata e nos rios.

    A reportagem é de Fábio Vendrame e publicada por De Olho nos Ruralistas, 19-09-2017.

    Escassez de água e degradação sistemática do meio ambiente constituem os impactos mais evidentes da monocultura do eucalipto no Sul da Bahia e Norte do Espírito Santo. Recém-lançado no YouTube, o documentário "Desertos Verdes: Plantações de Eucalipto, Agrotóxicos e Água" dá voz a indígenas, quilombolas e camponeses da região. Do ponto de vista dessas comunidades, a exploração comercial do eucalipto representa uma tragédia com desdobramentos imprevisíveis.

    O vídeo de 23 minutos e 34 segundos, dirigido por Marcelo Lopes e Ivonete Gonçalves de Souza, foi elaborado pelo Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia (Cepedes). Traz relatos de exploração de trabalhadores, expulsões, ameaças e, claro, degradação contumaz da Mata Atlântica e de suas fontes naturais de água. O mais alarmante, contudo, parece ser a constatação de que o uso intensivo de agrotóxicos tem vitimado fauna e flora de forma contundente.

     

    Não é de hoje que a monocultura do eucalipto – e também a do pinus – ganhou a fama de produzir "desertos verdes" onde se instala. Decorre do fato de que essa espécie de árvore consome quantidades enormes de água para se desenvolver. Mas não só. Toda a vegetação nativa é derrubada e dá lugar a uma única espécie, que é plantada de forma extremamente adensada – uma árvore bastante próxima da outra. Isso produz uma imensa sombra debaixo do plantio, tornando o local inóspito tanto para o crescimento de outro tipo de vegetação como para a fauna silvestre.

    "Deserto tem a ver com não presença de vida. Se a gente pegar regiões do Norte do Espírito Santo ou o Sul da Bahia, onde essas empresas estão instaladas, elas têm vastas extensões de terra, onde toda a vegetação nativa foi retirada e deu lugar a uma única espécie, que é o eucalipto", já explicava em março de 2015 o agrônomo Gabriel Fernandes, assessor técnico da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, em entrevista dada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). "Acaba que você tem uma grande plantação que, apesar de verde, é um ambiente que não vai ter vida, não proporciona alimento, não proporciona as fontes necessárias para que os animais se multipliquem ali".

    As empresas a que o agrônomo se referia na entrevista são enumeradas pelos protagonistas do documentário. Algumas delas pelo menos. Destaques para Suzano e Veracel. Outra gigante do setor, a Fibria, resultado da fusão entre Aracruz eVotorantim Papel e Celulose, ganha menção honrosa no fim do documentário como uma das responsáveis por despejar quantidades industriais de inseticidas do grupo químico neonicotinoide, produto derivado da nicotina, para "proteger" as plantações de eucalipto da indesejada lagarta parda.

    Agrotóxicos atingem a população

    Esse e outros tipos de veneno, chamados eufemisticamente pelo agronegócio de "defensivos agrícolas", vêm sendo pulverizados sobre a região. Herbicidas e formicidas são os mais utilizados. Os campeões são o Roundup, à base de glifosato e alcunhado "mata mato", e o Isca-mirex, usado para o "controle" de formigas. Dentre os principais fabricantes dos produtos mencionados aparecem Bayer, Monsanto, Basf, Griffin Corporation, Syngenta e Sumitomo Chemical.

    Feitas a partir de aeronaves, as fumigações ocorrem toda semana e atingem não apenas as plantações, mas também cursos d'água e a população. Moradores relatam efeitos nefastos, que vão sendo percebidos ao longo do tempo e conforme o grau de exposição a esses agentes químicos.

    A olho nu, contudo, quem já teve a oportunidade de visitar a região de Caravelas, por exemplo, no Sul da Bahia, constata a transformação absoluta da cobertura vegetal. Ali, bem pertinho de onde os portugueses avistaram pela primeira vez a terra que passaria a se chamar Brasil, antes os olhos se perdiam na exuberância da Mata Atlântica, mas hoje se cansam com a monotonia de uma paisagem que nem nativa é – o eucalipto é uma espécie originária da Oceania.

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    Cancion con todos

    Salgo a caminar
    Por la cintura cosmica del sur
    Piso en la region
    Mas vegetal del viento y de la luz
    Siento al caminar
    Toda la piel de america en mi piel
    Y anda en mi sangre un rio
    Que libera en mi voz su caudal.

    Sol de alto peru
    Rostro bolivia estaño y soledad
    Un verde brasil
    Besa mi chile cobre y mineral
    Subo desde el sur
    Hacia la entraña america y total
    Pura raiz de un grito
    Destinado a crecer y a estallar.

    Todas las voces todas
    Todas las manos todas
    Toda la sangre puede
    Ser cancion en el viento
    Canta conmigo canta
    Hermano americano
    Libera tu esperanza
    Con un grito en la voz