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"Até quando vamos ter que agüentar a apropriação da idéia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

3.12.14

Como olhar para o movimento hip hop em Caxias?

Como olhar para o movimento hip hop em Caxias?

03 de dezembro de 20140

rap

A foto acima, de  Wagner Guilherme Adler/divulgação, começou a circular pelas redes sociais segunda-feira. Tentava expor uma ação sofrida por integrantes da Batalha da Estação, encontro do movimento hip hop caxiense acontecido domingo à tarde, no Largo da Estação. Foi no fim da tarde, depois das 18h. Os encontros de MCs, rappers, b.boys, b.girls e simpatizantes têm rolado pro ali há algum tempo. São as novas manifestações culturais geradas nas metrópoles, que sinalizam as expressões artísticas e inquietações sociais desse extrato da sociedade. É o grito do gueto, como se fala costumeiramente.

Batalhas de MCs têm gerando artistas importantes e hoje consagrados na MPB como Emicida e Criolo. Criolo, aliás, se apresenta em Caxias sexta-feira, na All Need, Master Hall. Em entrevista que me concedeu na semana passada, cuja íntegra deve ser publicada sexta-feira no Pioneiro impresso, ele diz que o hip hop salvou sua vida, mudou seu status social, o fez compreender o mundo, ressignificar sua trajetória. Ele tem circulado pelo mundo mostrando sua música, afirmando suas conquistas geradas pelo hip hop.

— Todos os dias agradeço pelo rap ter me escolhido. Lá atrás, quando eu falava que cantava rap, o povo ria de mim — afirmou.

O grafite, outro elemento dessa cultura, tem ajudado muita gente a construir uma alternativa artística e profissional. Estas são, sim, legítimas e importantes contribuições do movimento hip hop para a cultura aqui em Caxias, na região, no estado, no país, no mundo.

Uma prova de que essa moçada vem se organizando e tentando demarcar seu espaço foi a realização, há duas semanas, da 4ª Semana Hip Hop Caxias, e a aprovação de dois projetos daqui no edital do gênero da Funarte – Fundação Nacional das Artes, do Ministério da Cultura.

Um deles é do coletivo feminino Elo Delas, que vai lançar a Revista da Rua – Rima Impressa em  2015 com novidades, street art e trabalhos sociais inclusivos. Outro projeto é do D'Guria Crew, das b.girls Jéssica Viganó e Fernanda Rieta, que fará ações nas comunidades com saraus de literatura marginal, festival gastronômico da favela, vídeo debates e murais coletivos temáticos.

Até terça-feira à tarde não havia nenhum Boletim de Ocorrência registrado contra a ação. Portanto, o debate é em outra instância. Qual, como, por que, quando, onde? Tudo exige reflexão e determinação de diálogo.

Então, pensando nessa possível abordagem truculenta, existe a necessidade de refletirmos sobre possíveis comportamento discriminatórios, excludentes, preconceituosos. Afinal, ali, no Largo da Estação, ora com as batalhas de MCs, ora com shows sertanejos, festas de música eletrônica, festivais e tais, transitam as várias facetas da comunidade. Harmonizar este convívio, conviver com as diferenças, é fundamental.

 

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Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz