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"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

15.1.14

Uma alternativa para a “cracolândia”

Uma alternativa para a "cracolândia"

Em reviravolta humanitária, São Paulo lança projeto que oferece apoio e ocupação a usuários de drogas, em vez de reprimi-los. A direita vai pirar?

Por Bruno Torturra em seu facebook | Imagem: Enio Sergio / Museu do Inconsciente

Hoje representei a Rede Pense Livre em uma reunião na prefeitura. Era a apresentação do "Braços Abertos", o novo programa da gestão Haddad para lidar com a cracolândia.

Na mesa, além do prefeito e secretários envolvidos no plano, estavam organizações e indivíduos que trabalham com o tema. Gente que admiro há tempos. Que vive em campo, ajudando de forma autônoma os frequentadores da cracolândia.

Só pelas premissas que orientaram os meses de preparação, o projeto já dividiu águas. Mas se bem executado – e bem compreendido – pode se tornar um farol para uma outra abordagem da questão no Brasil todo.

Por seis meses, uma ação coordenada de secretárias de saúde, direitos humanos, trabalho e segurança conversou, procurou e, mais importante, pactuou com os usuários que montaram barracas na região uma nova política.

Hoje, finalmente, esses moradores já estão, voluntariamente, desmontando seus tetos e se instalando em abrigos que a prefeitura ofereceu. Famílias ficam com famílias. Acolhimento e creche para os filhos dos residentes. Amigos e indivíduos com mais afinidade dividem quartos.

Há chuveiros e kits de higiene. Há a oferta de algumas horas de trabalho por dia, remunerado, na limpeza pública. Um posto para segunda via de documentos. Assistência e tratamento para dependência não compulsórios.

É claro que isso não "resolve", não dá conta. E vai gerar, sem dúvida, trocentos episódios não previstos, não desejados. Mas o primeiro efeito colateral é bem conhecido: uma reação furiosa de uma opinião pública – e de uma mídia especialmente alérgica a Haddad – que vai acusar o prefeito de ser mole, ou conivente, ou pior… de sustentar os "zumbis", "crackudos", "nóias". Que vai simplificar e jogar a questão na vala comum do moralismo e do cínico discurso de que essa gente, enfim, não é gente. A mesma turma que apoiou ou, pior, fingiu que não viu a ação de Geraldo Alckmin para lidar com o tema. Lembra? A barbárie da PM na operação "Dor e Sofrimento"…

Por isso, quero pedir, preventivamente, sensibilidade a todo mundo. E, quem concordar, que proteja com suas próprias palavras nas redes e nas conversas com amigos e família essa tentativa da prefeitura. Peço inteligência e responsabilidade aos colegas jornalistas, que não caiam na manchete fácil e boçal em torno dos tais 15 reais que serão ofertados a alguns usuários.

Uma ação como essa, uma tentativa de desfazer a cracolândia pela via do acordo com os usuários, e de uma visão mais humanista e compassiva, também é politicamente arriscada. Assume a redução de danos. Vai contra, inclusive, o tipo de abordagem que o governo federal costura para o plano nacional contra o crack.

Embrionário, no fundo, ainda é cedo para saber se o plano terá sucesso.

Ou melhor, o que é sucesso nesse caso?

O fim do uso de drogas em vias públicas? O fim do abuso e a recuperação de todos os dependentes? Uma cidade livre da droga? Não mesmo… esses, no fundo, são falsos desafios que respondem muito mais a uma cobrança moral do que ao verdadeiro problema: a difícil balança entre a miséria (econômica ou existencial) e a felicidade humana.

E me parece que é nessa questão que a prefeitura está buscado incidir. Tem todo meu apoio e torcida.

Amanhã farei meu rolezinho à cracolândia para acompanhar o processo e tentar conversar com gestores, assistentes e usuários. E mandar notícias depois.



http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/uma-alternativa-para-a-cracolandia/


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Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz