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pergunta:

"Até quando vamos ter que agüentar a apropriação da idéia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

28.7.17

Chávez, leitor de Mészáros

Chávez, leitor de Mészáros

13.03.06_Emir Sader_Chávez, leitor de Mészáros

Hugo Chávez entrega a István Mészáros o prêmio "Libertador al Pensamiento Crítico"

Por Emir Sader.

Hugo Chávez sempre disse que sua leitura fundamental nos anos de prisão foi Para além do capital, de seu amigo István Mészáros. O livro lhe foi levado por Jorge Giordani, que depois se transformaria no principal ministro da área econômica de Chávez, posto que mantém até hoje.

A penúltima vez em que pude estar com Hugo Chávez foi por ocasião do Fórum de São Paulo, durante a campanha eleitoral do ano passado. No ato de encerramento, no Teatro Tereza Carreño, Chávez tinha um exemplar do livro de Mészáros consigo e propôs a um idoso venezuelano, que havia recém conseguido se alfabetizar, que um dia lesse Para além do capital.

A inquietação intelectual de Hugo Chávez sempre foi impressionante. Diante da guinada conservadora de grande parte da intelectualidade venezuelana – a maior universidade do pais, a UCV, é controlada pela direita –, quando me perguntavam sobre o mais importante intelectual da Venezuela, eu dizia: Hugo Chávez.

Em qualquer conversa com ele, ele se interessava imediatamente sobre o que a gente estava dizendo, pedia leituras e outras indicações. No seu programa Alô Presidente, ele comentava que estava lendo autores como Gramsci, Rosa Luxemburgo, além de, sempre, Marx, Engels, Lenin, Trotski. Leituras que ele fazia nos constantes voos que realizava.

Eram inquietações teóricas sempre vinculadas à realidade concreta da Venezuela e da América Latina. Ele era capaz de passar de raciocínios teóricos abstratos a problemas imediatos que seu pais enfrentava. Com a perda de Hugo Chávez perdemos um dirigente de origem popular – sua fisionomia é muito popular no país – e uma cabeça inquieta, criadora, como poucas.

Sem contar da simpatia esfuziante com que ele conquistou a todos nós. Desde o começo do seu governo, desde suas primeiras vindas ao Brasil, para o Fórum Social Mundial de Porto Alegre, até sua ultima visita, quando assinou com a Dilma um acordo de intercambio aeronáutico entre os dois países.

Mesmo já nos seus últimos meses de vida, nunca se viu nenhum sinal de sofrimento no seu rosto. Sua vitalidade era impressionante, foi das pessoas mais vitais que conheci. Uma perda destas é incalculável, por mais que o que ele tenha deixado já permite dizer que seu legado é irreversível.

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Emir Sader entrevistou István Mészáros junto com Ricardo Antunes, Carlos Nelson Coutinho, Luiz Gonzaga Beluzo, Maria Orlanda Pinasi, Haroldo Ceravolo Cereza e Heródoto Barbeiro no Roda Viva, quando o filósofo esteve no Brasil em 2002.

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Para além do capital: rumo a uma teoria da transição, de István Mészáros já está disponível em versão eletrônica (ebook) por menos da metade do preço do livro impresso na Gato Sabido.

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As armas da crítica: antologia do pensamento de esquerda, organizado por Emir Sader e Ivana Jinkings, já está disponível por apenas R$18 na Gato SabidoLivraria da Travessaiba e muitas outras!

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Emir Sader nasceu em São Paulo, em 1943. Formado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, é cientista político e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). É secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) e coordenador-geral do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Coordena a coleção Pauliceia, publicada pela Boitempo, e organizou ao lado de Ivana Jinkings, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobile a Latinoamericana – enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe (São Paulo, Boitempo, 2006), vencedora do 49º Prêmio Jabuti, na categoria Livro de não-ficção do ano. Colabora para o Blog da Boitempoquinzenalmente, às quartas.

https://blogdaboitempo.com.br/2013/03/06/chavez-leitor-de-meszaros/


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Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz