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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

20.9.07

Miséria, sangue e terrorismo

Um dos participantes do Fórum da Liberdade, à vista de um caminhão queimado em Coqueiros do Sul, traduziu a sigla do MST por “miséria, sangue e terrorismo.”
Aquele movimento social seria um dos responsáveis, então, pelos milhões de brasileiros que, ainda hoje, não terão acesso à uma refeição completa. No que toca ao sangue e ao terrorismo, os dados anuais da CPT sobre os muitos agricultores assassinados por defenderem seu direito à terra, como fonte de vida e não de mercadoria, seriam o preço cobrado pela globalização dos mercados, a qual justificaria, entre outras coisas: a substituição do destino principal da produção agrícola - comida para o povo - pelo papel, a celulose e o etanol; a troca da biodiversidade, do futuro auto sustentável e ecologicamente equilibrado, pela desertificação, o efeito estufa, a morte das florestas, dos rios, dos animais e, nessa marcha, do desaparecimento da vida sobre a terra; Corumbiária, Carajás, Roseli Nunes, Margarida Alves e Dorothy Stang além de outros martírios, vítimas do descumprimento da função social da propriedade, não constituiriam “crimes hediondos”, mas sim as ocupações de terra, como pretende a bancada ruralista no Congresso.
O escândalo do caminhão queimado, pois, nem se compara com o da miséria, o sangue e o terrorismo pelo qual são responsáveis, com raras exceções, os poderes econômicos que sustentam o latifúndio predatório e entreguista do capitalismo brasileiro, capaz de violentar até a Constituição do país, como aconteceu com a expressão “produtiva” do seu art. 185, II (leia-se, a respeito, “O buraco negro” de José G. da Silva).
As suas vítimas, porém, não se deixam mais enganar. Quem entende bem mais de vida e liberdade do que esse Fórum, já as advertia há mais de dois mil anos, sobre os falsos profetas “que vem a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes.” (...) “É pelos seus frutos, portanto, que os reconhecereis.” (Mt. 5).
Jacques Távora Alfonsin
Advogado

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Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz