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"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

3.10.17

"Este era o homem que o sistema de justiça de nosso país levou ao seu suicídio."

Condenação sem direito a defesa faz primeiro cadáver: Reitor da UFSC é encontrado morto

2 de outubro de 2017 - Por Redação

Luiz Carlos Cancellier se suicidou. Ele passava por tratamento psicológico desde que foi preso por uma operação da Polícia Federal, que o afastou da universidade sem provas das irregularidades que é acusado de praticar. Em carta, ex-reitor denunciou as arbitrariedades da Justiça e a "humilhação e o vexame" a que foi submetido. Leia
É grande a comoção e a revolta pela morte do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier. Ele foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira (2) no Beiramar Shopping, em Florianópolis, após ter se jogado de um vão.

A comunidade acadêmica, bem como amigos, parentes e a população de Santa Catarina como um todo estão revoltados com a morte de Cancellier pois ela seria um efeito direto dos "métodos" da Polícia Federal e do Ministério Público no país. Ele era investigado na operação Ouvidos Moucos, que apura irregularidades na aplicação de recursos federais para o curso de ensino à distância. Ele foi acusado, junto com outros seis investigados, de desviar R$80 milhões. Ele chegou a ser preso em agosto e foi solto em setembro, mas afastado da reitoria da Universidade. Desde então, passava por tratamento psicológico.

Em uma carta que escreveu no mês passado, Cancellier contou que foi acusado sem provas e e sem direito a plena defesa, revelando, assim, as prováveis causas que o levaram a fazer tratamento psicológico e, agora, ao seu suicídio.

"Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior", escreveu. No início da carta, o ex-reitor falou ainda sobre "a humilhação e o vexame" a que foi submetido em sua prisão. [Leia a íntegra ao final desta matéria].

A Universidade Federal de Santa Catarina decretou luto oficial e suspendeu as suas atividades.

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), por sua vez, divulgou nota oficial em que lamenta a morte de Cancellier e associa o seu suicídio a forma como a Justiça o tratou nessa investigação.

"O sentimento de pesar compartilhado por todos/as os/as reitores/as das universidades públicas federais, neste momento, é acompanhado de absoluta indignação e inconformismo com o modo como foi tratado por autoridades públicas o Reitor Cancellier, ante um processo de apuração de atos administrativos, ainda em andamento e sem juízo formado. É inaceitável que pessoas de bem, investidas de responsabilidades públicas de enorme repercussão social tenham a sua honra destroçada em razão da atuação desmedida do aparato estatal. É inadmissível que o país continue tolerando práticas de um Estado policial, em que os direitos mais fundamentais dos cidadãos são postos de lado em nome de um moralismo espetacular", diz o documento. [Leia a íntegra ao final da matéria].

A relação entre o suicídio do ex-reitor e a investigação que era alvo fica ainda mais forte com a informação, divulgada pelo jornal Diário Catarinense, de que a Polícia Civil teria encontrado em seu bolso um bilhete com os dizeres: "Minha morte foi decretada no dia de minha prisão"
. Saiba mais aqui.

Última carta de Luiz Carlos Cancellier

"Não adotamos qualquer atitude para obstruir apuração da denúncia

A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição. No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma "quadrilha", acusada de desviar R$ 80 milhões. E impedidos, mesmo após libertados, de entrar na universidade.

Quando assumimos, em maio de 2016, para mandato de quatro anos, uma de nossas mensagens mais marcantes sempre foi a da harmonia, do diálogo, do reconhecimento das diferenças. Dizíamos a quem quisesse ouvir que, "na UFSC, tem diversidade!". A primeira reação, portanto, ao ser conduzido de minha casa para a Polícia Federal, acusado de obstrução de uma investigação, foi de surpresa.

Ao longo de minha trajetória como estudante de Direito (graduação, mestrado e doutorado), depois docente, chefe do departamento, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e, afortunadamente, reitor, sempre exerci minhas atividades tendo como princípio a mediação e a resolução de conflitos com respeito ao outro, levando a empatia ao limite extremo da compreensão e da tolerância. Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado.

Para além das incontáveis manifestações de apoio, de amigos e de desconhecidos, e da união indissolúvel de uma equipe absolutamente solidária, conforta-me saber que a fragilidade das acusações que sobre mim pesam não subsiste à mínima capacidade de enxergar o que está por trás do equivocado processo que nos levou ao cárcere. Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior.

Não adotamos qualquer atitude para abafar ou obstruir a apuração da denúncia. Agimos, isso sim, como gestores responsáveis, sempre acompanhados pela Procuradoria da UFSC. Mantivemos, com frequência, contatos com representantes da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União. Estávamos no caminho certo, com orientação jurídica e administrativa. O reitor não toma nenhuma decisão de maneira isolada. Tudo é colegiado, ou seja, tem a participação de outros organismos. E reitero: a universidade sempre teve e vai continuar tendo todo interesse em esclarecer a questão.

De todo este episódio que ganhou repercussão nacional, a principal lição é que devemos ter mais orgulho ainda da UFSC. Ela é responsável por quase 100% do aprimoramento da indústria, dos serviços e do desenvolvimento do estado, em todas as regiões. Faz pesquisa de ponta, ensino de qualidade e extensão comprometida com a sociedade. É, tenho certeza, muito mais forte do qualquer outro acontecimento".

Nota oficial da Andifes

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), profundamente consternada, comunica o trágico falecimento do Prof. Dr. Luiz Carlos Cancellier, Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, ocorrido na manhã desta segunda-feira. O sentimento de pesar compartilhado por todos/as os/as reitores/as das universidades públicas federais, neste momento, é acompanhado de absoluta indignação e inconformismo com o modo como foi tratado por autoridades públicas o Reitor Cancellier, ante um processo de apuração de atos administrativos, ainda em andamento e sem juízo formado. É inaceitável que pessoas de bem, investidas de responsabilidades públicas de enorme repercussão social tenham a sua honra destroçada em razão da atuação desmedida do aparato estatal. É inadmissível que o país continue tolerando práticas de um Estado policial, em que os direitos mais fundamentais dos cidadãos são postos de lado em nome de um moralismo espetacular. É igualmente intolerável a campanha que os adversários das universidades públicas brasileiras hoje travam, desqualificando suas realizações e seus gestores, como justificativa para suprimir o direito dos cidadãos à educação pública e gratuita. Infelizmente, todos esses fatos se juntam na tragédia que hoje temos que enfrentar com a perda de um dirigente que por muitos anos serviu à causa pública. A ANDIFES manifesta a sua solidariedade aos familiares e amigos do Reitor Cancellier e continuará lutando pelo respeito devido às universidades públicas federais, patrimônio de toda a sociedade brasileira.

Brasília, 02 de outubro de 2017.

https://www.revistaforum.com.br/2017/10/02/condenacao-sem-direito-defesa-faz-primeiro-cadaver-reitor-da-ufsc-e-encontrado-morto/

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O último desabafo do reitor e professor Luiz Carlos Cancellier, que foi alvo de perseguição do nosso sistema de justiça criminal. Diante de tanta humilhação, pôs fim à sua própria vida.

Afranio Silva Jardim, professor de Direito da Uerj.

https://www.youtube.com/watch?v=6o2WEUPeywE

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ESTE ERA O HOMEM QUE O SISTEMA DE JUSTIÇA DE NOSSO PAÍS LEVOU AO SEU SUICÍDIO.

Luiz Carlos Cancellier, reitor da UFSC. Não o esqueceremos. Valeu.
Eu não acredito, mas se houver vida após a morte, farei questão de o abraçar, bem longe desta nossa sociedade de merda !!!

Afranio Silva Jardim, professor de Direito da Uerj.

https://www.youtube.com/watch?v=SR1jGFIXOwM

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Culpado ou inocente, a punição começou dia 14/09.
Preconceitos, audiência, holofotes. Triste espetáculo.
Que a gente possa aprender com isso.
http://www.oab-sc.org.br/noticias/oabsc-manifesta-pesar-pela-morte-reitor-ufsc/14577



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Quem matou o reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier? Por Carlos Damião

Por Diario do Centro do Mundo - 2 de outubro de 2017

"Todos os presos são tratados assim, despidos, constrangidos, com as partes íntimas revistadas. Depois são encaminhados ao pessoal do DEAP (Departamento de Administração Prisional), para serem acomodados nas celas".

Publicado no Notícias do Dia.


POR CARLOS DAMIÃO

No longo depoimento que me concedeu no dia 20 de setembro de 2017, no escritório de seus advogados, o reitor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Luiz Cancellier, desabafou: "É uma coisa da qual nunca vou me recuperar". Não se referia apenas à Operação Ouvidos Moucos, desencadeada pela Polícia Federal, com autorização da Justiça Federal, que apura supostos desvios no programa de bolsas de ensino a distância do curso de Administração.

Mas à forma degradante como foi tratado quando foi transferido da sede da PF para o Presídio da Agronômica. "Todos os presos são tratados assim, despidos, constrangidos, com as partes íntimas revistadas. Depois são encaminhados ao pessoal do DEAP (Departamento de Administração Prisional), para serem acomodados nas celas".

Pós-doutorado em Direito, respeitado no Brasil e no exterior por suas pesquisas no campo do Direito Administrativo, Cancellier estava desolado por causa da forma como ocorreu sua prisão. Com endereço conhecido, disse que estaria sempre à disposição da Justiça e de qualquer investigador da Polícia Federal, da CGU (Controladoria Geral da União) e do TCU (Tribunal de Contas da União). "Jamais me recusaria a prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações, que não abrangiam nossa gestão, mas as anteriores, desde 2006", observou.

Cancellier disse-me naquele dia que contava com o apoio da comunidade acadêmica, dos amigos e dos familiares. "É com a força dessas pessoas que eu vou provar minha inocência", declarou.

Saímos do gabinete dos advogados e fomos para a rua. Oito meses depois que havia parado de fumar voltou a curtir umas baforadas. Foi nosso último encontro, fumando dentro do carro, lembrando histórias da nossa juventude, da militância no movimento estudantil, do congresso de reconstrução da UNE, em 1979, do qual participamos como delegados da UFSC.

Em dois artigos (aqui e aqui) posteriores à prisão, publicados na minha coluna do ND On-line, o advogado e ex-senador Nelson Wedekin trouxe considerações indignadas contra a violência sofrida pelo reitor.

Disse Wedekin, amigo e companheiro de Cancellier nas duras lutas contra a ditadura civil-militar de 1964-1985: "Estamos então em que para evitar suposto, possível, hipotético, incerto e duvidoso constrangimento, submeteram Cancellier e mais seis cidadãos a um constrangimento imediato e brutal. Ou uma prisão, do modo como se deu, mesmo sem culpa formada, não é um constrangimento tão profundo que nunca se esquece e apaga?".

Quem matou o reitor, um homem apaixonado pelo trabalho, pelo Direito e pela UFSC?

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/quem-matou-o-reitor-da-ufsc-luiz-carlos-cancellier-por-carlos-damiao/

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Tirando a ação assassina do judiciário instrumentalizado pela polícia no caso do reitor da UFSC e da cumplicidade dedicada da imprensa é necessário destacar o abandono social em que se sentiu o professor Luiz Carlos Cancellier e disto somos todos responsáveis. A sociedade deve reagir e repudiar toda e qualquer ação oriundos das instâncias superiores da justiça e da polícia que não estejam baseadas em fatos incontestáveis. O totalitarismo é a velha serpente chocada no ninho da democracia.

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Diário do Centro do Mundo

"Minha morte foi decretada no dia de minha prisão", diz reitor da UFSC em bilhete

Postado em 2 de outubro de 2017 às 5:06 pm - Do ClickRBS:

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, valeu-se do suicídio para praticar um ato político de forte impacto na população. Além de optar pelo espaço mais visitado e de maior movimentação nas manhãs de segunda-feira, em Florianópolis, ele deixou um bilhete que pode explicar as razões de seu gesto.

Segundo fonte da Policia Civil, um bilhete foi escrito pelo professor Cancellier, onde teria escrito: "Minha morte foi decretada no dia de minha prisão".

O reitor não conseguiu neutralizar os efeitos políticos, sociais e psicológicos da sua prisão na Operação Ouvidos Moucos. Com toda a vida dedicada à Universidade e à educação viu o esforço acadêmico e político de décadas desmoronar do dia para a noite.

A partir da prisão viveu dias terríveis, segundo os amigos mais chegados. Iniciou um processo depressivo, tinha aconselhamento psiquiátrico e tomava medicamentos para neutralizar o impacto psicológico da prisão e todo o processo humilhante a que foi submetido.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/minha-morte-foi-decretada-no-dia-de-minha-prisao-diz-reitor-da-ufsc-em-bilhete/

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Associação de reitores denuncia "práticas de estado policial" por trás de suicídio de reitor da UFSC

Postado em 2 de outubro de 2017 às 2:16 pm

NOTA OFICIAL

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), profundamente consternada, comunica o trágico falecimento do Prof. Dr. Luiz Carlos Cancellier, Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, ocorrido na manhã desta segunda-feira. O sentimento de pesar compartilhado por todos/as os/as reitores/as das universidades públicas federais, neste momento, é acompanhado de absoluta indignação e inconformismo com o modo como foi tratado por autoridades públicas o Reitor Cancellier, ante um processo de apuração de atos administrativos, ainda em andamento e sem juízo formado. É inaceitável que pessoas de bem, investidas de responsabilidades públicas de enorme repercussão social tenham a sua honra destroçada em razão da atuação desmedida do aparato estatal. É inadmissível que o país continue tolerando práticas de um Estado policial, em que os direitos mais fundamentais dos cidadãos são postos de lado em nome de um moralismo espetacular. É igualmente intolerável a campanha que os adversários das universidades públicas brasileiras hoje travam, desqualificando suas realizações e seus gestores, como justificativa para suprimir o direito dos cidadãos à educação pública e gratuita. Infelizmente, todos esses fatos se juntam na tragédia que hoje temos que enfrentar com a perda de um dirigente que por muitos anos serviu à causa pública. A ANDIFES manifesta a sua solidariedade aos familiares e amigos do Reitor Cancellier e continuará lutando pelo respeito devido às universidades públicas federais, patrimônio de toda a sociedade brasileira.

Brasília, 02 de outubro de 2017.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/associacao-de-reitores-denuncia-praticas-de-estado-policial-por-tras-de-suicidio-de-reitor-da-ufsc/

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Dalmo Dallari: 'Moro reconhece que seu objetivo é político' http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2017/10/dalmo-dallari-moro-reconhece-que-seu-objetivo-e-politico vía @redebrasilatual





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Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz