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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

17.2.16

O mais eclético que você já viu


Síntese do Programa:

~ Transformações socioeconômicas e ético-culturais

~ Projetos de nação

~ Prática transformadora

~ Mídia, educação e cidadania

~ Bioética. Cuidado com a vida. Biopoder. Saúde pública. Ética planetária.

~ Sociedade sem exclusão

~ Sociedade sustentável

~ Mundo do trabalho

~ Economia solidária

~ Democracia e participação

~ Questões de gênero e minorias

~ Espiritualidade libertadora

 

Programa completo em https://goo.gl/GOn8Cp

Inscrições: Curso completo (mais em conta): até 14/03/2016. Etapas isoladas: até a semana de cada uma, dependendo da disponibilidade de vagas.

Horário: Sábado manhã e tarde + domingo manhã

Investimento: Curso completo: R$ 60 por etapa. Etapas isoladas: R$ 80 por etapa


Mais informações: https://goo.gl/rc1ugg.

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(54) 3211-5032

16.2.16

Francisco condena el orgullo, la riqueza y vanidad

Noticias	> América Latina  Francisco en México condena el orgullo, la riqueza y vanidad

El Para Francisco condenó este domingo las tres tentaciones que degradan la vida humana: el orgullo, la riqueza y la vanidad.
https://www.youtube.com/watch?v=OOtbAV4UbZY

http://www.telesurtv.net/news/Papa-en-Mexico-es-tiempo-de-abrir-los-ojos-ante-injusticias-20160214-0018.html


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Francisco pide al episcopado mexicano servir a los necesitados  Publicado 13 febrero 2016

En entrevista para teleSUR, Fray Julián Cruzalta de Católicas por el Derecho a Decidir, dijo que el Papa Francisco invitó a todos los obispos a convertirse a una religión que esté al servicio de los más necesitados. Aseveró que la Iglesia mexicana se ha caracterizado por un estilo de vida de príncipes.

http://www.telesurtv.net/news/Analisis-Papa-Francisco-fue-duro-con-episcopado-mexicano-20160213-0040.html

https://www.youtube.com/watch?v=9bndxm3bfQ0

A DIREITA TEM O CULPADO. AGORA PROCURA O CRIME...

A DIREITA TEM O CULPADO. AGORA PROCURA O CRIME...

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Em artigo publicado neste domingo, o escritor Eric Nepomuceno aponta uma inversão da lógica policial nas investigações em curso no Brasil; antes, do crime partia-se para a busca do culpado; hoje, acontece o inverso; "A grande imprensa e a direita ressentida já têm o culpado: Lula da Silva. Agora tratam de descobrir qual o crime cometido", diz ele; segundo Nepomuceno, o Brasil enfrenta uma campanha de ódio como não se via há 65 anos; o objetivo é "a fulminante desconstrução da imagem do mais importante líder popular surgido desde Getúlio Vargas, o mítico presidente que, acossado por campanha similar, optou por se matar em agosto de 1954"

14 DE FEVEREIRO DE 2016 ÀS 20:18

Por Eric Nepomuceno

A verdade é que existe, tanto no PT como no grupo mais próximo a Lula da Silva, um claro incômodo diante do silêncio da presidenta Dilma Rousseff e seu governo com relação ao verdadeiro massacre sofrido pelo ex presidente. Uma muito bem organizada ação articulada por amplos e poderosos setores da Polícia Federal, do Ministério Público e, claro, dos grandes meios hegemônicos de comunicação encontraram num juiz de província chamado Sérgio Moro o eixo para uma campanha como não se via no Brasil há pelo menos 65 anos, cujo objetivo é a rápida e fulminante desconstrução da imagem do mais importante líder popular surgido desde Getúlio Vargas, o mítico presidente que, acossado por campanha similar, optou por se matar em agosto de 1954.

São ingredientes claros de toda clareza. De um lado, os partidos de oposição, encabeçados pelo PSDB (Partido da Socialdemocracia Brasileira), nocauteado pelo PT de Lula em quatro ocasiões sucessivas em suas tentativas de voltar à presidência.

Dando mostras de que sua irresponsabilidade desconhece limites, o PSDB não apenas tanta o golpe institucional por duas vias – a do julgamento político no Congresso, e a da impugnação das eleições de 2014, que reconduziram Dilma Rousseff à presidência, no Tribunal Superior Eleitoral – como se dedica, dia sim e o outro também, a derrotas medidas propostas pelo governo que foram precisamente criadas e defendidas durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), principal expressão do partido. Assim, qualquer coisa que possa ser prejudicial ao governo, não importando as consequências sobre o país, merece o rápido apoio do PSDB.

De outra parte, o verdadeiro combustível da fogueira destinada a tentar carbonizar Lula da Silva sem de um esquema tão visível como absurdo, sem que ninguém tente desfazê-lo.

A coisa funciona assim: algum funcionário da Polícia Federal adverte os meios hegemônicos de comunicação que foi detectada uma suspeita sobre Lula da Silva (as provas e indícios são, claro, desnecessárias). A informação é imediatamente publicada pela imprensa e disseminada pela televisão, especialmente a Globo, que cresceu e se fortaleceu durante a ditadura militar (1964-1985), e não oculta a nostalgia daqueles bons tempos.

Baseado nessa notícia, algum procurador de escalão intermediário pede à Polícia Federal uma investigação. O juiz Sérgio Moro autoriza, e pronto.

Muitos dos delegados da Polícia Federal que investigam o esquema de corrupção implantado na Petrobras e outras estatais fizeram campanha, nas redes sociais, para o derrotado Aécio Neves, do PSDB, contra Dilma, em 2014.

Muitos dos procuradores que orbitam ao redor do juiz Moro integram seitas evangélicas que se opõem a tudo que se refira ao governo, e alegremente participam de cerimonias condenando Lula, Dilma, o PT e tudo que tenha cheiro de esquerda ao fogo eterno.

Moro, ídolo máximo da direita, atua como Justiceiro Supremo. Não parece preocupado com os escandalosos abusos ditados pela sua pluma afiada e sua voz fininha. O que importa é manter empresários e políticos presos inexplicavelmente até que aceitem o recurso da delação premiada e confessem qualquer coisa com tal de voltar para casa.

Há, efetivamente, uma inexplicável inação da parte do ministro de Justiça de Dilma, a quem a Polícia Federal está subordinada administrativamente. Não se trata, claro está, de impedir que se investigue a fundo e sem limites todo e qualquer ato de corrupção. Mas, por que não impedir o vazamento seletivo, à imprensa, de acusações sem prova alguma? Por que permitir que não se investigue denúncias contra partidos de oposição, que se multiplicam sem parar? Nenhuma medida é adotada para que os minuciosos regulamentos de conduta sejam respeitados e obedecidos.

Seja como for, alguma coisa já se conseguiu: Lula é o culpado. De quê? De ser dono de um apartamento de classe média num balneário decadente que ele mesmo admitiu ter tido como opção de compra, da qual desistiu. De ser dono de um sítio que está em nome do filho de um de seus melhores e mais antigos amigos.

Ambos os imóveis foram reformados por construtoras envolvidas em escândalos de corrupção. E que, por sua vez, são as mesmíssimas que financiaram a compra do imóvel e do luxuosíssimo mobiliário do instituto de outro ex presidente, Fernando Henrique Cardoso, do tão moralista PSDB.

Cardoso é um intelectual de alto coturno, um exemplo nítido das elites acadêmicas não apenas de seu país, mas do continente. Uma doação ao seu instituto é um ato de generosidade do empresariado.

Lula da Silva é um operário de escassíssima cultura acadêmica, mas de indescritível sensibilidade social e intuição política. Uma doação ao seu instituto é, claramente, um ato de corrupção.

A grande imprensa e a direita ressentida já têm o culpado: Lula da Silva. Agora tratam de descobrir qual o crime cometido.

O mais importante, o essencial, é impedir que ele torne a ser eleito em 2018.

* Eric Nepomuceno é jornalista, escritor e tradutor.


http://www.brasil247.com/pt/247/poder/216985/A-direita-tem-o-culpado-Agora-procura-o-crime.htm 


mobilização social contra pauta neoliberal do Senado

15/fev./2016, 17h53min

Em vídeo, Lindbergh Farias pede mobilização social contra pauta neoliberal do Senado

Lindbergh: "É um conjunto de propostas articuladas que significam um grande retrocesso" | Foto: Reprodução/Facebook

Lindbergh: "É um conjunto de propostas articuladas que significam um grande retrocesso" | Foto: Reprodução/Facebook

Da RBA

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) postou vídeo em sua página no Facebook no início da tarde desta segunda-feira (15) demonstrando preocupação com a pauta da Casa, que será retomada amanhã. "Não é uma pauta qualquer, na verdade, é um conjunto de propostas articuladas que significam um grande retrocesso. A volta das políticas neoliberais que fracassaram nos anos 90 no Brasil e na América Latina. Ataque a direito dos trabalhadores, ataque a direitos constitucionais, ataques a tudo que é público e a volta do discurso das privatizações."

O petista disse ter gravado o vídeo porque acha que o movimento sindical, os movimentos sociais, o movimento estudantil precisam se mobilizar. "Nossa resistência no Senado vai depender muito da mobilização da sociedade para impedir que esta pauta regressiva contra direitos dos trabalhadores e de ataque à soberania nacional seja aprovada no Congresso.

Lindbergh lembrou do primeiro projeto da pauta, o PLS 555, o Projeto de Lei das Responsabilidades das Estatais, de autoria do senador Tasso Jereissati (PSDB), que "acaba com empresas públicas". Ele defende que o Senado derrote o PLS. "Transforma todas as empresas públicas em sociedades anônimas, que têm o lucro e as regras do mercado como prioridade. Só que a Caixa Econômica Federal têm um conjunto de atividades que são políticas públicas. Ela não ganha quando faz o Bolsa Família, quando faz o Minha Casa, Minha Vida. O BNDES, por exemplo, empresta com juros abaixo do mercado, porque sua finalidade principal é o desenvolvimento econômico nacional, ele tem que fazer desenvolvimento regional. Qual a finalidade de transformar uma empresa importante como a Embrapa em sociedade anônima?"

O senador menciona também projeto do senador José Serra (PSDB-SP), que coloca limites para a dívida líquida e para a dívida bruta. "Só que do jeito que ele fez, os limites são tão rígidos que para alcançar, nós teríamos que fazer superávits primários superior a 3% do PIB. E aí, meu amigo, não tem jeito. Tem que cortar programas sociais, cortar investimentos."

"O terceiro projeto é um absurdo, é o Banco Central independente. Eu pergunto: independente de quem? Só se for do povo e da democracia, porque do jeito que está o projeto, um presidente da República eleito não vai poder nomear o presidente do Banco Central", acrescenta o parlamentar.

"O quarto ponto de pauta é a discussão do pré-sal. Você sabe que quem descobriu o pré-sal foi a Petrobras. Foram os brasileiros que descobriram o pré-sal. E hoje, a Petrobras é operadora única do consórcio e tem 30% de todas as reservas do pré-sal. Pois bem, eles querem tirar isso da Petrobras."

Lindbergh destacou também o projeto da terceirização, aprovado na Câmara e agora em discussão no Senado. "Eles querem colocar na pauta do Senado e, eu digo, este projeto só tem uma finalidade, que é reduzir salários de trabalhadores para aumentar os lucros dos empresários."


Judiciário atenta contra a democracia

CONTRAMÃO

Para presidente do PT, Judiciário atenta contra a democracia

por Eduardo Maretti, da RBA publicado 15/02/2016 15:17, última modificação 15/02/2016 17:06
RICARDO STUCKERT FILHO / PR
ConselhoPT.jpg

Rui Falcão, Lula e Fernando Haddad (à dir) estiveram entre os presentes na reunião do Conselho Político do PT

São Paulo – Em rápida entrevista coletiva após reunião do Conselho Político do PT hoje (15), em São Paulo, o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, criticou setores do Judiciário que, "ao cometer sucessivas violações de direitos constitucionais, com o propósito de atingir o governo Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o próprio PT, ameaçam a democracia do país". "Há um risco de se gestar um Estado de exceção dentro do Estado de direito", afirmou.

Ao lado de Lula e de integrantes da direção nacional, Rui Falcão participou da segunda reunião do Conselho, formado em setembro de 2015, para discutir exclusivamente dois temas: formas de retomada do crescimento econômico e as investidas contra o Estado democrático de direito.

"Quero desmentir cabalmente que a reunião foi marcada para discutir uma linha de defesa de Lula", disse, logo no início de seu encontro com a imprensa, por volta das 14h. "Isso não ocorreu, não estava na pauta, não foi mencionado. Quem antecipou fez por conta e risco", completou, ao referir-se às especulações sobre o teor do encontro por veículos da mídia tradicional.

Segundo o dirigente nacional petista, o tema mais discutido foram os ataques "sistemáticos" às garantias constitucionais, especialmente no âmbito da Operação Lava Jato. Rui citou abuso de prisões preventivas, descumprimento do direito a habeas corpus, inversão do princípio da presunção de inocência e, com ênfase especial, a adoção abusiva das delações premiadas.

Rui Falcão enfatizou os atos arbitrários, que hoje buscam atingir o partido – e todas as empresas e pessoas físicas à sua volta. "Hoje, as pessoas têm de provar que não são culpadas, criminosos fazem acordo para fazer denúncias sem provas e são transformados em heróis pela mídia. Essas inversões não dizem respeito apenas ao PT", alertou, ressaltando a necessidade de fortalecer as instituições democráticas do país, em vez de enfraquecê-las.

Sobre economia, Rui Falcão afirmou que o partido defende mudanças na política econômica do governo Dilma desde o congresso nacional da legenda, no ano passado e citou a queda dos juros como uma das principais bandeiras petistas.

O ex-presidente Lula não falou com a imprensa. Segundo Rui Falcão, Lula se pronunciou no final da reunião do conselho, quando sugeriu "alguns encaminhamentos" ao Diretório Nacional.

Na reunião, a presença de lideranças petistas, membros do governo e aliados políticos. Entre outros, os prefeitos de São Paulo, Fernando Haddad, e São Bernardo do Campo, Luis Marinho, o economista Márcio Pochmann, o secretário especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, o governador do Acre, Tião Viana, o escritor Fernando Moraes, a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvândia Moreira, o governador do Piauí, Wellington Dias, o dirigente Valter Pomar, da Articulação de Esquerda, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, o líder do PT na Câmara, Afonso Florence.

http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/02/para-presidente-do-pt-judiciario-atenta-contra-a-democracia-285.html



“Juízos antecipados, delações e vazamentos seletivos criam Estado de Exceção e pendem para o fascismo”

14/fev./2016, 10h17min

"Juízos antecipados, delações e vazamentos seletivos criam Estado de Exceção e pendem para o fascismo"

Tarso Genro: "O Estado-espetáculo vem funcionando com todas as caldeiras em temperatura máxima". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Tarso Genro critica midiatização do processo penal: "O Estado-espetáculo vem funcionando com todas as caldeiras em temperatura máxima". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Marco Weissheimer

"Uma das características do fascismo é a criação do seu próprio sistema de direito, através da ação, através do movimento, não importando o que dizem as leis, o que regem as normas, o que garante a Constituição política. Quando procuradores federais emitem juízos antecipados sobre pessoas que estão sendo investigadas, ficam alheios a vazamentos de provas e defendem a manutenção de prisões preventivas para forçar delações premiadas, indicam um novo modo de funcionamento do Estado de Direito que pende para o fascismo". As declarações são do ex-ministro da Justiça e ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, ao comentar o andamento das investigações da Operação Lava Jato e alguns procedimentos que vem sendo adotados por seus promotores no campo jurídico.

Em entrevista ao Sul21, Tarso Genro sustenta que o que está ocorrendo envolve um processo mais complexo de ataque à política em geral, de criminalização dos partidos, especialmente daqueles que estiveram ou estão na base do Governo, mas que começa a atingir a própria oposição. Neste "novo modo de funcionamento do Estado de Direito", afirma, a "ação faz o direito", de forma alheia à Constituição. E acrescenta: "A situação se torna mais grave, quando se vê que a ampla maioria da mídia tradicional, que é de propriedade de poucas famílias muito ricas, dá um apoio praticamente incondicional a esta "exceção" não declarada, que tem, hoje, no seu centro, a destruição da figura do Presidente Lula".

Sul21: Nas últimas semanas, o senhor tem se manifestado em artigos e nas redes sociais contra algumas práticas que vem marcando o andamento das investigações da Operação Lava Jato e o contexto que as cercam. Quais são suas preocupações centrais sobre o que vem acontecendo?

Tarso Genro: Várias informações que transitam pela grande imprensa, todas elas laudatórias, dão conta de que Procuradores Federais se movimentam para "refundar" o Estado, emitem juízos antecipados sobre pessoas e grupos de pessoas que estão sendo inquiridos ou processados, ficam alheios a vazamentos de provas e diligências que inculpam, sem o contraditório, pessoas que são submetidas à execração pública, defendem a manutenção de prisões preventivas para forçar delações premiadas nitidamente dirigidas, informam previamente a alguns meios de comunicação a respeito dos próximos atos sob sua jurisdição, integrando-os na processualística penal e, desta forma, privatizam e midiatizam o processo penal, consequentemente, a Justiça Penal como um todo. O Estado-espetáculo vem funcionando com todas as caldeiras em temperatura máxima.

Sul21: Na sua opinião, essas movimentações e práticas são circunstanciais ou apontam para algo mais de fundo?

Tarso Genro: Se as vítimas deste processo complexo fossem apenas os criminosos, poderia se dizer que se trata de uma deformação momentânea, recuperável. Tudo indica, porém, que se trata de um processo mais complexo de ataque à política em geral, de criminalização dos partidos, especialmente daqueles que estiveram ou estão na base do Governo, o que indica um novo modo de funcionamento do Estado de Direito. Nele a própria "ação faz o direito", de forma alheia à Constituição. O bem e a decência passam a ser monopólios de uma parte alta burocracia do Ministério Público e de alguns Juízes e a esfera da política passa ser o reinado da indecência. A parte da oposição, que vinha se refestelando com estas ilegalidades, também começa ser atingida pelos mesmos métodos, ainda que hoje de maneira residual.

"Uma das características do fascismo é a criação do seu próprio sistema de direito, através da ação, através do movimento, não importando o que dizem as leis, o que regem as normas, o que garante a Constituição política". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

"Uma das características do fascismo é a criação do seu próprio sistema de direito, através da ação, através do movimento, não importando o que dizem as leis, o que regem as normas, o que garante a Constituição política". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

O Estadão, publicou uma matéria no dia 13 de fevereiro, assinada pelos jornalistas Fausto Macedo e Ricardo Brandt, com o procurador regional da República Carlos Fernando Santos Lima, onde este explicita que as operações devem continuar de maneira indefinida, porque ele não tem dúvidas de que a força tarefa atingiu "grande esquema de compra de apoio político partidário através do loteamento de cargos públicos", originado de "altas esferas do Governo Federal". Trata-se, portanto, não da busca de indivíduos ou grupos que, exercendo funções públicas, cometerem ilegalidades e exerceram as suas funções de maneira delituosa, com a devida personalização de inquéritos ou processos, mas de uma inculpação prévia e abstrata, de altas esferas de Governo, que preencheram cargos para ter "apoio político". A investigação, portanto, é do processo político e o seu objeto é provar a responsabilidade das altas esferas do Governo Federal. Uma das características do fascismo é a criação do seu próprio sistema de direito, através da ação, através do movimento, não importando o que dizem as leis, o que regem as normas, o que garante a Constituição política. Foi isso que Mussolini disse no final da sua Marcha sobre Roma: "A ação enterrou a filosofia".

Sul21: Então, na sua opinião, corremos o risco de estar desenvolvendo algo parecido com isso no Brasil de hoje?

Tarso Genro: Venho fazendo uma série de considerações, sem generalizar de que esta seja a posição majoritária entre os Juízes e Procuradores, apontando uma movimentação política, tanto na Magistratura como nas Procuradorias, que traz sinais evidentes de uma "exceção" não declarada, em curso no nosso país. Essa situação preparatória de uma cultura fascista se configura quando, para realizar um ato jurisdicional, alguém que é competente para realizá-lo assume uma posição de tal forma fora da ordem constitucional, que a sua fundamentação torna-se predominantemente política, e não é fundamentada predominantemente na lei, portanto, vem de fora do sistema normativo que se origina da Constituição.

O "político" e o "jurídico", é claro, estão sempre integrados na ordem constitucional, mas quando o fundamento político imediato anula o sistema de garantias, que está presente na Constituição, temos um exemplo flagrante do início da exceção. Carl Schmitt, o grande teórico da exceção e simpatizante explícito do nazismo, que é forma de fascismo elevada ao cubo, defendia isso de maneira bem clara. No seu ensaio "O Führer protege o Direito", escreveu: "O Führer protege o direito do pior abuso, quando ele no instante do perigo cria o direito sem mediações, por força da sua liderança e enquanto juiz Supremo". Ora, o Estado, no capitalismo, tanto pode ser uma Estado Democrático, como pode um Estado Ditatorial. A criação do direito, na democracia, se dá precisamente por aquelas mediações, de que nos fala Schmitt, que estão na Constituição e que o Fürher ignora. Criar direito, sem elas, é exceção, ainda que não declarada.

Sul21: Poderia citar alguns exemplos de práticas que apontariam para a criação de um estado de exceção no Direito e na ordem jurídica do país?

Tarso Genro: Quando algum integrante do Poder Judiciário, por exemplo, estimula, tolera, ou permite vazamento ilegal de informações em inquéritos, que prejudicam o direito de defesa de qualquer investigado, de qualquer partido, de qualquer instância de Governo, ou quando qualquer integrante daquele Poder, faz interpretações de normas de garantia, baseadas na posição política, condição de classe ou "raça" dos indivíduos, que estão sofrendo uma ação penal, sejam eles trabalhadores ou empresário, negros ou judeus, esta autoridade está entrando no terreno da exceção. Está criando discriminações que a lei não faz, seja relativamente ao direito de defesa, seja em relação à necessidade de manter prisões preventivas para obter delações que são premiadas. Assim, esta autoridade cria direito, portanto, sem mediações, como dizia Schmitt, e o faz diretamente pela opinião de quem decide, não pelo processo legislativo. Logo após a ascensão de Hitler isso foi comum, na Alemanha, mesmo sem modificação das leis democráticas da República de Weimar, que foram depois sendo revogadas. Na Itália, ocorreu a mesma coisa. Não contra os judeus, preferencialmente, mas ali contra todos os democratas que se opunham ao fascismo de Mussolini. Depois, em ambos os países, a exceção tornou-se regra. E a exceção foi tornada declarada e permanente.

"A OAB tem primado pela ausência de opinião em quaisquer assuntos que lhe ponham contra este senso comum, organizado pela própria mídia". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

"A OAB tem primado pela ausência de opinião em quaisquer assuntos que lhe ponham contra este senso comum, organizado pela própria mídia".
(Foto: Guilherme Santos/Sul21)

No mesmo ensaio que mencionei, Schmitt diz, falando do colapso da República de Weimar e do direito histórico de Hitler fundar uma nova ordem – "refundar a República" – criticando quem busca a conciliação na democracia: "Mas o Führer leva as advertências da história alemã a sério. Isso lhe dá o direito e a força para fundar um novo Estado e uma nova ordem." Quando determinados integrantes do Poder Judiciário estabelecem uma relação privilegiada com setores da mídia que, como sabe, é altamente partidarizada aqui no Brasil, liquidando com vidas e reputações sem qualquer chancela de decisões transitadas em julgado, a luta meritória contra corrupção no Estado – que, de resto, é de interesse de todas as pessoas honestas de todas as facções políticas – torna-se puro elemento da luta política, da luta de facções. Esta luta, inclusive vai permear, em maior ou menor grau, o Próprio Poder Judiciário. Não é de graça, portanto, que Schmitt vai além e registra, dando coerência a sua visão fascista: "O verdadeiro líder (Führer) sempre é também juiz". De onde as autoridades do Poder Judiciário tiram a sua força para torcer o bastão, em direção à exceção? Da mídia monocórdia que se soma à indiferença de instituições clássicas, como a OAB, que tem primado pela ausência de opinião em quaisquer assuntos que lhe ponham contra este senso comum, organizado pela própria mídia.

Sul21: Quais as possíveis consequências desse tipo de relação entre as esferas do Direito e da Política para a democracia brasileira?

Tarso Genro: Veja a gravidade da cultura política que está se formando. O Procurador Federal do Paraná informa, não da continuidade das ações e operações, em busca de pessoas que cometeram crimes, ocupando cargos nas Estatais e nos Fundos de Pensão, mas informa que é o processo político que passa a ser investigado. Isso vem na esteira da refundação da República pelo Ministério Público, sem as mediações de um processo Constituinte ou de uma reforma constitucional profunda. Repito: a investigação prometida não é de indivíduos ou grupos delituosos. O preenchimento de cargos, nas democracias – mais, ou menos restritas, mais, ou menos maduras – é feito pelos partidos vencedores nas eleições, seja na Colômbia, na Argentina, na França, nos Estados Unidos e o seu objetivo é, precisamente, refletindo o processo eleitoral, manter e ampliar o apoio político dos vencedores, para aplicar o Programa de Governo vencedor nas eleições, seja nas instâncias parlamentares, seja na base institucional e social que dá suporte ao Governo.

Se o Estado tem cargos de mais, ou de menos, na estrutura estatal, se as pessoas não são aptas para ocupar os cargos, se as pessoas que foram nomeadas são incompetentes ou cometem ilegalidades, os que as nomearam respondem, politicamente pelos excessos que cometerem, nas eleições; e os nomeados, que cometerem crimes, respondem como indivíduos ou como quadrilhas, nas ações penais correspondentes. Só nos regimes de partido único, as pessoas são nomeadas sem interesse em apoio político, porque -nestes regimes- os nomeados pelo Partido, que se confunde com o Estado e com o Governo, são seus apoiadores obrigatórios, sem direito de dissentir dos seus rumos. É uma mera meritocracia da fidelidade, estabelecida pelo poder ditatorial. Esta visão, de investigação em abstrato da política, manifestada pelo Procurador, é profundamente equivocada e é uma visão que tende para o fascismo.

Sul21: Há quem ache um exagero citar o fascismo e o nazismo para falar da realidade política brasileira hoje…

Tarso Genro: O fascismo e o nazismo não são idênticos. São formas diferentes de totalitarismo, que se adequam às respectivas histórias nacionais, embora tenham traços comuns. O ódio às mediações e a intolerância com a lentidão da democracia são traços de ambos. As ditaduras – e também as democracias – não são iguais. Uma semelhança incontornável entre as democracias, é a pluralidade dos partidos, a criação do Direito pelas instâncias formais, previstas na Constituição, e as eleições periódicas. Uma semelhança clássica, entre as ditaduras, é a criação de algo que insistem em nominar como direito, por um poder concentrado, que se origina principalmente da força e da manipulação, não do consenso obtido no espaço aberto da política. Melhor seria chamar, o que nas ditaduras chamam de direito, de sistema de normas arbitrárias. Mas, há outra semelhança entre as ditaduras, que também é importante para a criação da sua (falsa) legitimidade. É o convencimento público da existência de um inimigo em abstrato, ao qual ela, a ditadura, se reporta para defender o staus quo, pela repressão seletiva, pela desmoralização pública pelos meios de comunicação ou pela simples violência, na sua forma mais embrutecida. É um inimigo abstrato, que pode ser criminalizado, como indivíduo ou como grupo associado, quando isso for necessário. É uma comunidade diferente, internamente, cultural, religiosa ou racial; é uma ideologia política configurada num movimento ou num partido; é um grupo inimigo do Estado, a serviço de outro país; são os traidores da nação ou do Partido único; são os corruptos, em geral, normalmente identificados como "os políticos". Todos eles justificam a exceção.

Quando falo de um perigo fascista, que ronda a sociedade brasileira, não quero dizer que há possibilidade de se repetir, aqui, rapidamente um Mussolini ou um Hitler. Nem que exista uma conspiração organizada de algum poder burocrático ou social, capaz de implementar uma forma de fascismo, hoje. O que estou dizendo – e acho que as forças políticas do país deveriam discutir isso sem medo – é que os sintomas iniciais estão aí. Tanto Hitler como Mussolini eram figuras grotescas, cheias de rancor, que foram apropriados pela direita mais autoritária, para debelar crises, "acabar com a corrupção", enfrentar a "decadência da política" e "refundar o Estado". A situação se torna mais grave, quando se vê que a ampla maioria da mídia tradicional, que é de propriedade de poucas famílias muito ricas, dá um apoio praticamente incondicional a esta "exceção" não declarada, que tem, hoje, no seu centro, a destruição da figura do Presidente Lula. Não pelos seus defeitos, que todos temos, mas pelas suas virtudes, que começaram a dar uma identidade social ao estado de Direito no Brasil.

12.2.16

desfiles das escolas vencedoras do Carnaval do RJ e SP

TV Brasil - http://tvbrasil.ebc.com.br/

Aqui na TV do Brasil o carnaval ainda não acabou. No próximo fim de semana acompanhe os desfiles das escolas campeãs do grupo especial do Rio de Janeiro e de São Paulo. http://bit.ly/1X0VgX0

Sexta-feira, às 22h: #CampeãsSP
Sábado, às 21h30: #CampeãsRJ

[ENTREVISTA ESPECIAL] Gustavo Gutiérrez

ENTREVISTAS
05.02.2016
[ Mundo ]

[ENTREVISTA ESPECIAL] Gustavo Gutiérrez avalia atualidade da Teologia da Libertação e o papado de Francisco


Cristina Fontenele
Adital

Considerado o pai da Teologia da Libertação (TdL), Gustavo Gutíerrez segue admirado por várias gerações de teólogos. O sacerdote dominicano, com estilo simples e franco, concedeu uma entrevista exclusiva à Adital para falar sobre a atualidade da TdL, quem são os pobres na América Latina e como avalia o contexto político no continente. Sobre o encontro com o Papa Francisco, na Assembleia da Cáritas, em 2015, o teólogo diz reconhecer no pontífice um homem valente, que conduz a Igreja em um momento de Kairós, que, em grego, significa momento certo, oportuno.

Sobre a força da juventude, Gutiérrez brinca que não basta ser jovem para promover mudanças, pois um ser livre pode seguir variados caminhos. Espirituoso, o sacerdote explica à Adital a importância do humor, que também pode ser uma forma de comunicação, além de ajudar o ser humano a avançar na idade.

adital
Para o teólogo e sacerdote Gustavo Gutiérrez, a Teologia precisa estar próxima do trabalho pastoral, sendo a mensagem da Teologia da Libertação uma proposta atual.

Adital: Como avalia a atualidade da Teologia da Libertação? Quais as perspectivas e como renovar as lideranças?

Gustavo Gutiérrez: Sei que está subtendido, mas prefiro explicitar. Minha primeira preocupação, como cristão, sacerdote, é fazer teologias, e isto não é o Evangelho. A Teologia é um ato segundo, que reflete, precisamente, sobre a vida dos cristãos, à luz da mensagem evangélica. Minha maior preocupação é isso. Eu fui, durante toda a vida, pároco, assessor de movimentos e, claro, gosto muito da Teologia, e fiz Teologia. Creio que é importante estar muito próxima do trabalho pastoral. No caso do meu país, o mundo pastoral é muito circunscrito. Nunca ensinei numa Faculdade de Teologia, mas, agora, aos 70 e tantos anos, comecei a ensinar em uma Faculdade. Um pouco tarde. Antes, eu desenvolvia o trabalho pastoral, reflexões, escrevi também. Me encanta a Teologia e a vejo como uma compreensão da esperança. Para mim, é uma hermenêutica da esperança e continua sendo. Isto significa a questão dos sinais dos tempos, pois todo teólogo precisa ver em que momento vive. Claro que o fundamento, a raiz, é a mensagem cristã, mas a maneira de vivê-la, hoje, depende das condições.

Sobre a renovação das lideranças, você não vai encontrar 1 milhão de pessoas que trabalham em Teologia, por muitas razões, mas isto também não é necessário. No fundo, um cristão é sempre um teólogo, porque pensa sua fé. Quando eu, enquanto cristão, 'penso que', na verdade, já estou fazendo Teologia. Esta é a Teologia que falamos, com o conhecimento das fontes, às vezes, debatida, como em qualquer disciplina na atualidade.

Adital: Porque falar do [Concílio] Vaticano II, após 50 anos?

Gutiérrez: Porque é o seu aniversário, assim como a pessoa faz aniversário, é igual. 50 anos de Vaticano II sempre impressiona e, além disso, sua mensagem continua sendo atual.

Adital: O que é a prática do método ver-julgar-agir?

Gutiérrez: É estar atento à história. Ver quer dizer ver a realidade para não elucubrar – "isto seria bom..." – está associado à expressão "sinal dos tempos". É preciso discernir os fatos, as causas e o porquê se produzem os efeitos, então, vem o momento de julgar. E, depois, a última coisa é, no fundo, a razão de ver e de julgar, que é atuar. Não é que se deva escrever um livro sobre os problemas, mas, sim, o fato de como me comprometo diante disso. É algo muito simples, nasceu nos anos 1920, como um método na Bélgica e França, começou com o sacerdote belga [Joseph] Cardijn, que, anos depois, se tornou cardeal. Julgar é ler os fatos, a partir das exigências do Evangelho. O agir tem um tom mais modesto, seria o "como podemos fazer?". Há pessoas que podem isso, enquanto outras podem outra coisa. Ao mesmo tempo, existem pessoas que podem fazer outra coisa e não isto, pessoas que não têm capacidade para isso, ou tempo, ou idade ou profissão. Há uma diversidade de ações. Isto é a realidade. As Conferências Episcopais latino-americanas – Medellín, Puebla, Santo Domingo, Aparecida – usaram o método ver-julgar-agir. É uma metodologia.

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O teólogo peruano considera que estamos vivendo um tempo deKairós, um momento oportuno para mudanças.

O senhor já declarou que não basta ser jovem. O que isto significa?

Gutiérrez: Estou convencido disto e digo racionalmente. É verdade que a força da juventude, a saúde, o conhecimento, mudaram coisas muito importantes, mas, no fundo, são pessoas livres. Podem trabalhar muito mal e podem usar o seu conhecimento de outra maneira, isto também ocorre. Por exemplo, nem todos os que estudam Medicina vão ser médicos compreensivos com o paciente. Hoje em dia, quase não existem. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem médicos de uma impessoalidade impressionante, mas que sabem muito. A Medicina clássica era muito mais do contato mais pessoal. O diálogo com o paciente é muito importante, tomando como exemplo a Medicina. Então, creio que é isto o que ocorre. Quanto à Teologia, existem muito jovens latino-americanos, senão todos, mas não é uma profissão da qual se pode viver. Nós, como somos sacerdotes, não temos salário profissional suficiente para sobreviver. Então, essas pessoas que podem estudar outra coisa, que podem ser um profissional, com uma entrada econômica, estão sacrificando-se. Enfim, todos os jovens, todas as pessoas podem começar bem e não terminar bem.

Adital: O senhor já comentou sobre a força dos pobres. Quais são os pobres de hoje, principalmente na América Latina?

Gutiérrez: Eu falei a partir das escrituras e não das Ciências Sociais, ou da Economia. O pobre é o que não conta, é o insignificante, e eles são bem numerosos. Existe a pobreza que se chama monetária ou econômica, e é preciso estudá-la. A condição feminina por exemplo. Não é que toda mulher seja pobre, mas basta que seja mulher para que existam direitos que não estão presentes. Assim também ocorre com a cor da pele, indígenas, mestiços (eu sou mestiço), japoneses, chineses, alguns europeus no Pacífico (a imigração chegava muito por aí). Veja, o conhecimento é poder.

Adital: Como avalia o papado de Francisco e como foi o encontro dos senhores na Assembleia da Cáritas, em 2015?

Gutiérrez: Acredito que a Igreja está em um movimento muito interessante, rico e com um grande frescor do Evangelho. Essas questões do Papa, de "sair", ir contra a corrupção, de abrir-se, é um momento de alegria, e ele é muito valente, porque isso não é fácil. Claro que as pessoas que estão com ele também resistem. O Papa Francisco criou um clima muito diferente, que, além disso, tem um apoio imenso de pessoas que não são cristãs, e que veem neste homem alguém que fala a Abraão, que é próximo, e tem o sentido profundamente evangélico. Isto foi o que conversei, quando o encontrei.

Adital: Que reformas considera mais urgentes na Igreja?

Gutiérrez: Ele [Papa] retomou uma coisa muito forte de João XXIII, que é o pobre, e isto é uma urgência. Realmente, a quantidade de pessoas que estão nas migrações, por exemplo, é um escândalo. Estamos em um século com tantos recursos e essas pessoas precisam correr do seu país, senão as matam. Isto é uma superurgência. Ao mesmo tempo, existem também, naturalmente, questões da Igreja, discutidas durante o Sínodo da Família, o rechaço enorme da corrupção, não querer o dinheiro corrompido. Muito se pode chamar de reforma, numa parte mais institucional, é preciso mudar as regras também do comportamento dos funcionários. O clima que estamos vivendo é algo como voltar ao princípio. Falando teologicamente e biblicamente também é o que o chamamos de um Kairós, palavra que quer dizer momento oportuno, este é o momento atual.

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Para um diálogo inter-religioso efetivo, Gutiérrez destaca o respeito à diversidade cultural dos povos.

Adital: É um momento, então, de diálogo inter-religioso? Como é possível, diante de tantos conflitos no mundo em torno da religião?

Gutiérrez: O diálogo já havia começado antes. Os conflitos diminuíram muito em relação ao século passado, quando havia guerras. Agora, são outras guerras, a exemplo do que ocorre com os muçulmanos. Eu sei que ainda há muito por fazer, embora já mudaram o que havia de mais violento em outros tempos. Existe, por exemplo, o fundamentalismo, as pessoas que creem que isto é assim e é assim para todos. É preciso respeitar a diversidade cultural, as histórias, todos os povos têm, como os seres humanos, suas pequenas histórias, estão acostumados a elas. Às vezes, existem coisas que não estão bem em qualquer cultura, então, é preciso entrar em diálogo para se compreender melhor. O diálogo inter-religioso é muito importante, mas é preciso estabelecer a justiça porque, sem ela, não há paz. E a justiça é reconhecer os direitos de todos, e é, justamente, o que falta para os pobres. Recordo uma frase de Hannah Arendt, filósofa judia alemã, que diz que "ser pobre é não ter direitos, não ter direitos a ter direitos". Isto é preciso ser interrompido. Não é possível que haja seres humanos sem direitos respeitados. Isto é a lei da vida, lei da liberdade.

Adital: Como avalia o clima na América Latina, que passou por eleições recentes, como na Argentina, Guatemala e Haiti?

Gutiérrez: Há uma grande variedade, mas uma coisa geral que se pode dizer é que existem eleições. Digo isto porque tivemos, na América Latina, países com ditaduras. Na Argentina, Uruguai, no Brasil, ou seja, houve uma mudança grande. Agora, é verdade que não foi suficiente. Não basta ter eleições para dizer que estamos bem. Estamos no continente mais desigual economicamente e isto é preciso combater. Os ricos são cada vez mais poderosos e os pobres cada vez mais pobres. Li uma frase de um grande economista e filósofo que diz: "o mundo é espetacularmente rico e desesperadamente pobre", é notável esse homem. Isto não deveria ocorrer, mas está na América Latina e ainda não há um trabalho para mudar.

Adital: Mas o senhor já mencionou que a América Latina é o continente da esperança...

Gutiérrez: É uma coisa simpática. Mas claro que também a esperança sempre existirá. Essas são frases que animam as pessoas. A esperança está ausente e presente em toda parte. Na África, na Ásia. E já que estamos falando de pessoas, existe uma frase que diz que "o último que se perde é a esperança", mas a frase não diz "na América Latina, o último que se perde é a esperança", portanto, vale para todo ser humano. Por ter havido mudanças importantes, é necessário valorizar, na América Latina, este passo, politicamente falando, de sair de ditaduras para a democracia.

Adital: O que é a espiritualidade para o senhor e como vivê-la, hoje?

Gutiérrez: A espiritualidade cobre muitas realidades. É colocar os chinelos e caminhar por muitos lugares, que não estão nivelados, o que é uma loucura, mas é o fundamental. A mensagem fundamental de Jesus é o amor às pessoas e a primazia dos mais pobres. Há uma pergunta eterna que se faz às famílias – "Mamãe, você ama mais meu irmão do que a mim?" – A resposta eterna é "amo todos de forma igual". Mas, se a mãe não protege os menores, ficam todos doentes. Então, por que primeiro os pobres? Porque são mais fracos. É uma coisa tão simples e as pessoas não entendem. Dizem – "Não, Deus não fala somente para os pobres..." Deus ama todas as pessoas, mas, ao mesmo tempo, primeiro os fracos.

Adital: Sobre monsenhor [Óscar] Romero [ex-arcebispo de San Salvador], qual o significado da sua beatificação?

Gutiérrez: Começo pelo fim. Acredito que é muito importante e rico para a América Latina a história da beatificação e canonização, por uma razão muito simples, porque, no começo, não entenderam o essencial. Ele morreu, claro que impactou muito, mas, em El Salvador, muitas pessoas batizadas, católicas, se queixavam de que ele era comunista. Então, esse reconhecimento vai valorizar muitos testemunhos do mesmo estilo, em uma quantidade de lugares na América Latina. Na Argentina, antes de Romero, mataram o monsenhor [Enrique] Angelelli, depois de Romero foi [Juan] Gerardi, na Guatemala, e uma quantidade de laicos e religiosos. Vai valorizar na medida em que reconhecer que Romero foi assassinado por cristãos e por defender os pobres, o que será interessante para a Igreja latino-americana.

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Para Gutiérrez, o humor também é uma forma de comunicação.

Adital: O senhor já falou muito sobre o humor. Qual a importância dele na vida?

Gutiérrez: É não se levar a sério e não acreditar que se é a última Coca-Cola, como dizem. Não é uma chacota, nem significa que você não esteja sofrendo. No mundo, existem muitas pessoas sofrendo, mas não é uma indiferença nem tampouco superficialidade. Acredito que não é preciso perder o humor. Eu brinco um pouco dizendo que há sacramento para recuperar a graça e não há sacramento para recuperar o humor. Eu creio que o humor alimenta e pode ser uma coisa psicológica também. As pessoas que se reprimem não agem. Mesmo diante de uma situação difícil, uma pessoa pode manter uma distância e ter humor. O humor também é uma maneira de comunicar algo. Eu brinco muito porque é minha maneira de ser, mas não significa que tudo esteja bem, que não tenho preocupações e que a pobreza, para mim, não é um escândalo com tanta gente sofrendo. Não. Eu trabalhei toda a minha vida com gente pobre, como pastor, sempre nas periferias, e é bastante doloroso, mas não posso chorar todo dia, e o povo também não. O que quero é que saiam dessa situação. Existe ainda uma obsessão pelo dinheiro e esta preocupação supera, em muitas pessoas, a proximidade com o outro. Creio que o humor ajuda também a se chegar mais longe na idade.

Cristina Fontenele

Repórter - cristina@adital.com.br




Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz