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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

17.12.07

Economia Solidária e Meio-Ambiente: algumas aproximações

14.12.07 - BRASIL

Edgard Patrício *

A aproximação entre economia solidária e meio-ambiente vai além do que simplesmente a utilização de termos e conceitos comuns pelos que militam nos dois movimentos. É fato que tanto os princípios da economia solidária como aqueles que orientam uma ação ambientalista buscam concretizar um acesso igualitário à qualidade de vida. Mas, para sermos justos com o domínio capitalista sobre esse mundo, podemos afirmar que o que aproxima economia solidária e meio-ambiente é exatamente o que distancia os seres humanos dessa qualidade de vida - os padrões capitalistas de produção. A superação desses padrões é o que anima a luta lado a lado de trabalhadoras e trabalhadores da economia solidária e ambientalistas.

Não é novidade que a lógica dos padrões capitalistas de produção aponta para a busca incessante da acumulação. No cerne desse princípio, o ‘ser’ enquanto forma valorada do ‘ter’. Por conseguinte, a arrogante sobreposição do ‘um’ sobre o ‘todos’, no raciocínio enviesado de que a diferenciação ocorre pelo ‘eu tenho o que você não tem’, ou ‘eu tenho mais do que você tem’, mesmo que isso signifique - abominável lógica! - a própria anulação física do outro. Ao enveredar pela lógica da acumulação, os padrões capitalistas exacerbam os limites do consumo. E essa exacerbação pode se dar tanto pela exploração incontrolada dos recursos naturais como pela exploração desenfreada do mais natural dos recursos - a própria força de trabalho humana.

Contra a exploração desenfreada dos recursos naturais é que nasce o movimento ambientalista.
Contra a exploração incontrolada da força de trabalho humana é que nasce a economia solidária.

Na base dos princípios do movimento ambientalista está a compreensão do direito difuso - a qualquer pessoa deve ser garantido o direito a um meio-ambiente saudável. O difuso se impregna de uma percepção coletiva do acesso à vida. Aí a equação se fecha. Por um lado, perante os padrões de consumo considerados aceitáveis pelo modo de produção capitalista dito ‘desenvolvido’ - e como é tênue a fronteira, nesse sistema, entre o que é aceitável e o que não o é -, e se esses padrões fossem estendidos a todas as pessoas que habitam o nosso planeta, não haveria como garantir o direito a um meio-ambiente saudável a todos, simplesmente porque a totalidade de recursos naturais desse mundo não suportaria esse incremento. Por outro lado, já se sabe que a totalidade de alimentos produzida hoje pelo mundo seria suficiente para alimentar todos seus habitantes dentro de padrões dignos de vida.

Os empreendimentos solidários trabalham com a compreensão de que o ‘outro’ é uma extensão do ‘eu’. E qual processo coletivo representa o encontro dos seres humanos em busca dessa utopia? A realização pelo trabalho. Nesse momento, o padrão de consumo é reorientado. Sai a acumulação, entra a complementaridade. Essa compreensão ressignifica a própria relação entre produtores e consumidores. De um embate permanente entre esses dois lados, a economia solidária tende a simplesmente abstrair a contenda, porque pautada pelo atendimento a uma demanda concreta de consumo, regulada pelo direito que um e outro têm de consumir. Daí que os padrões de produção dessa outra economia se realizam nas trocas solidárias, tendo por base moedas sociais, na reutilização e reciclagem de materiais, invocando o uso discriminado dos recursos naturais, e na produção quase sempre voltada para o atendimento de uma demanda legitimada pelo direito do coletivo.

Todas e todos que se preocupam com a qualidade de vida dos que habitam esse planeta - nossa velha e boa Pacha Mama -, trabalham por um desenvolvimento sustentável. O movimento ambientalista defende que esse desenvolvimento seja ecologicamente equilibrado, socialmente justo e economicamente viável. Talvez já fosse hora de rever essa definição. No mínimo, ficaria mais simpático que o desenvolvimento fosse ecologicamente equilibrado, socialmente justo e... economicamente solidário.

*Jornalista que escreve aos domingos, há dez anos, a coluna Ecologia, no jornal O Povo, e participa, através da ONG Catavento Comunicação e Educação, da Rede Cearense de Socioeconomia Solidária. Colaborador de Adital

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Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz