Páginas

pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

29.7.21

Rebeca resiste e triunfa no Brasil que celebra a meritocracia hereditária


Rebeca resiste e triunfa no Brasil que celebra a meritocracia hereditária

29.jul.2021 - A atleta brasileira Rebeca Andrade conquista a medalha de prata na ginástica - Dylan Martinez/Reuters
29.jul.2021 - A atleta brasileira Rebeca Andrade conquista a medalha de prata na ginástica Imagem: Dylan Martinez/Reuters
Leonardo Sakamoto | Colunista do UOL

29/07/2021 13h43

Quem, ao menos, não marejou os olhos com a prata de Rebeca Andrade na ginástica artística, esqueceu sua humanidade em algum lugar.

"Agora a gente tem a primeira medalha do Brasil na ginástica artística com uma negra. Isso é muito forte. Até pouco tempo os negros não podiam competir em alguns esportes", como bem resumiu Daiane dos Santos, primeira ginasta brasileira a conquistar um ouro em um Campeonato Mundial.

"É uma menina que veio de origem humilde, criada por uma mãe solo, veio de várias lesões para ser a segunda melhor atleta do mundo." Daiane ajudou a abrir o caminho trilhado por Rebeca. Vê-la celebrar o feito da colega, nesta quinta (29), custou outras tantas lágrimas.

Alguns que estão lendo este texto devem estar reclamando que isso é politizar o esporte. Ignoram que não há nada mais político do que uma mulher negra e pobre ter muito menos oportunidades no esporte e na vida ao nascer do que um homem branco e rico.

Sim, no Brasil, há meritocracia. Mas ela é hereditária.

A história de superação de Rebeca Andrade é incrível. Negra, pobre, periférica, filha de empregada doméstica, andava duas horas a pé para treinar no ginásio da Vila Tijuco, em Guarulhos, segunda cidade mais populosa do Estado de São Paulo, até que seu irmão conseguiu uma bicicleta para lhe dar carona.

Agora imagine quantas Rebecas deixam de desenvolver seu potencial e nunca foram e nem serão reveladas em algum projeto de educação esportiva porque faltou apoio por parte do Estado e também da iniciativa privada - que adora colar sua imagem aos vencedores do presente, mas investe menos do que poderia nas apostas do futuro.

O apoio ao esporte de base aumentou ao longo dos anos, o que tem se traduzido em resultados em campeonatos mundiais e Olimpíadas. Mas ainda estamos longe dos países que investem no esporte, como estamos longe dos países que investem na educação e ciência.

Tanto que, por aqui, cientistas rezam para que seus currículos Lattes e outras informações relevantes de sua vida acadêmica não tenham se perdido após computadores do CNPq fritarem por falta de manutenção decente.

O uso em abundância da palavra "meritocracia" esquece que o sucesso é uma somatória da atuação individual com o contexto em que a pessoa está inserida - que pode ser fértil ou não para talentos emergirem.

A ideia de que qualquer um pode chegar lá, basta querer, acaba sendo usada como uma verdade suprema e servindo a quem ignora que as pessoas não tiveram acesso aos mesmos direitos para começarem suas caminhadas individuais e que, portanto, partem de lugares diferentes. Uns mais à frente, outros bem atrás.

Achar que um estudante no interior do país que comia bolachas de lama, brincava com ossinhos de zebu, andava dez quilômetros por dia para chegar à escola e ainda trabalhava no matadouro do município para ajudar na renda da família parte com igualdade de condições com outro que frequenta uma escola com laboratórios que simulam gravidade zero e possui professores com pós-doutorado em Oxford e são remunerados à altura, que viaja para um lugar diferente todos os anos a fim de conhecer o mundo e não precisará trabalhar até o final da pós-graduação é um tanto quanto irracional.

Os dois podem chegar lá. Mas se o segundo caso cruza a linha de chegada mais vezes, o primeiro é um a cada milhão. Por isso, essas histórias são contadas e recontadas à exaustão: primeiro, nós gostamos de falar de vitórias na adversidade e, segundo, são histórias úteis para convencer os outros que se um consegue, todos podem sem que o Estado faça sua parte.

O que não é verdade. Pois, dessa forma, jogamos a responsabilidade de erros históricos não compensados e de uma desigualdade crônica de condições nas próprias pessoas que terão que vencê-las.

E esse discurso é tão bem contado que, não raro, é apoiado por pessoas que, apesar de largarem em desvantagem, venceram. "Tive uma infância muito pobre e venci sozinho mesmo assim. Se pude, todos podem." Parabéns para você. Mas ao invés de pensar que todos têm que comer o pão que o diabo amassou como você, não seria melhor pensar que um mundo melhor seria aquele em que isso não fosse preciso?

Em tempos de Olimpíadas, é importantíssimo nos lembrarmos da caminhada e não apenas criticarmos os resultados finais, como muitos fazem.

Para que lembremos que nossos atletas existem, tanto os que já existem quanto os que ainda vão surgir, durante todo o tempo. E não apenas de quatro em quatro anos. E que eles nos trazem orgulho pelo que são e não só pelo que conquistam.




28.6.21

Gonzagão e Gonzaguinha – diferentes – fizeram o Brasil respirar

Gonzagão e Gonzaguinha – diferentes – fizeram o Brasil respirar



Cena do filme "Gonzagão de pai para filho", de Breno Silveira (Divulgação)

Tarso Genro (*)

"Eu não consigo respirar" – George Floyd

Luiz Gonzaga (1912 – 1989) foi o Bach e Villa-Lobos do baião, xote, xaxado: uniu o Brasil do pequeno município de Exu ao extremo sul da nação, pela música em torno da graça. Sua música vinha das raízes do sofrimento e da pulsão do amor e da violência – na seca e na miséria- na luta pela vida que acompanha a história do povo do Nordeste. Gonzagão da "Asa Branca" e do "Assum Preto" cantava que "tudo em volta é só beleza, sol de abril e a mata em flor, mas Assum Preto, cego dos olhos, não vendo a luz, canta de dor".

Gonzaguinha (1945 – 1991), seu filho, foi fruto da mistura do nordeste e do Rio, esquerda que explodiu cantando na ditadura, o "Comportamento Geral", música logo proibida em todo o país. Era o jovem sofrido que mantinha uma relação atormentada com o pai autoritário e gênio da música, que falava aos homens e mulheres do sofrido Nordeste e assim celebrava a dura arte de viver.

A relação entre os dois, de repulsa e crises sucessivas de rejeição familiar, ao fim e ao cabo, muda pelo impulso da arte e pela tolerância que a memória adormecida do avô Januário fazia vicejar. O vínculo se renova no show em que o dois – Gonzagão e Gonzaguinha – promovem percorrendo o Brasil no final de 79, com a saga do "Vida de Viajante. Iniciada no Rio, a viagem selava o reencontro em torno do mesmo sangue, composto pela dor na dura vida nordestina de Gonzagão, "filho de Januário", que entregou ao filho Gonzaguinha os primeiros acordes.

A relação entre pai e filho, Gonzagão e Gonzaguinha, é uma parábola da relação tormentosa do Nordeste com o restante do Brasil, onde este espaço do território era visto pelas suas classes ricas somente como um "peso"; como o Sul era visto pelos pobres do Nordeste como um lugar de redenção e progresso. Este imaginário foi mudado em parte, por homens e mulheres – entre outros – como Ariano Suassuna, Nise da Silveira, Jorge Amado, Euclides da Cunha,Celso Furtado, Luiza Erundina, Bárbara de Alencar, Arraes e Lula: o Nordeste como dignidade cultural, bravura e colheita, não somente como um arrabalde das elites.

Gonzagão cantava embalado pela sua relação com a terra seca, os pássaros e as pessoas dos campos calcinados, mas o seu filho – juventude ardente da insurreição contra a ditadura – cantava através do olhos cristalinos da revolução. Era o amor desesperado pela vida, do tipo que não aceita naturalmente o sofrimento alheio. Gonzagão e Gonzaguinha- nas suas vidas reais – são uma réplica de um Brasil que até agora não fez o encontro – entre o Sul e o Nordeste, nos braços da democracia.

Com perdas pessoais da dignidade humana e mortes naturalizadas pela bestialidade negacionista, estamos agora na época em que o país navega entre a tutela militar e as oligarquias escravocratas. O drama político se transformou em sociopatia ao vivo, pura laceração das mentes pelo fascismo, que já ousa debochar do sofrimento de quem não pode respirar. Sem o "charme" da democracia política estabilizada, o "consenso" mínimo funciona para uns e aponta o caminho da morte para outros. E para os neutros, reserva a Infâmia colaboracionista da indiferença.

No filme de Breno Silveira "Gonzagão de pai para filho" ambos cantam "Respeito a Januário", no início do show de abertura, iniciando o seu roteiro pelo Brasil, pois encontraram na face dura do pai de um, e avô de outro, a marca da resistência, para viver e celebrar a tradição e a luta da poesia. O "Assum Preto" não está mais cego e vê na manhã cristalina, a herança da chuva que faz o verde transparecer brilhante nas gotas iluminadas pelo sol.

Na face dura de Januário e na sua sanfona de oito baixos ambos, pai e filho, reconciliam sua história nordestina e brasileira, no bloqueio sem tréguas contra o inimigo: aquele que censura a música, interdita a poesia, produz a miséria e mata os humanos sem piedade e sem perdão. Ambos, pai e filho, naquele momento uniram – diferentes – o Brasil num canto que parecia dizer: "Eu vou respirar!" E respiraram.

Respirar no Brasil de hoje é expulsar Bolsonaro do poder.


(*) Tarso Genro foi governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, ministro da Justiça, ministro da Educação e ministro das Relações Institucionais do Brasil.

***

As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do Sul21.



14.5.21

novas doses de CoronaVac no RS: 158 mil pessoas continuarão sem segunda dose atrasada

Novos lotes de CoronaVac são suficientes para a segunda dose de apenas 190 mil pessoas no RS, que estão com a segunda dose do imunizante atrasada. Mesmo com essa remessa, ainda continuarão com a segunda dose em atraso cerca de 158 mil pessoas.
Entre a noite de quinta-feira (13) e a manhã desta sexta (14), o Rio Grande do Sul recebeu dois lotes com o total de 190 mil vacinas CoronaVac. As novas doses serão usadas para contemplar as pessoas que estão com a segunda dose do imunizante atrasada. Mesmo com essa remessa, ainda continuarão com a segunda dose em atraso 157.730 pessoas.

A remessa de 127,6 mil doses já está sendo distribuída pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) aos municípios, nesta sexta, para que comecem o quanto antes a imunização. As outras 62.400 vacinas CoronaVac que chegaram hoje pela manhã serão distribuídas nos próximos dias.

"Com a chegada dessas vacinas, precisamos fazer um grande mutirão pela vacinação no fim de semana em todo o Estado. Não podemos parar um segundo sequer", disse Ana Costa, diretora do Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde da Secretaria Estadual da Saúde.


AstraZeneca

O RS recebeu também na noite de quinta, mais 237.250 doses da vacina AstraZeneca, que ficarão reservadas na Central Estadual de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos (Ceadi), em Porto Alegre, até serem distribuídas para aplicação em segunda dose.

Outras 135 mil doses de AstraZeneca começaram a ser entregues aos municípios do estado para a segunda aplicação de pessoas vacinadas com a remessa recebida em 24 de fevereiro, levando em consideração os três meses de intervalo entre as doses do  imunizante. Esse quantitativo integra o lote recebido na semana passada.








26.4.21

LENTIDÃO DA VACINAÇÃO INTEGRA PROJETO DE EXTERMÍNIO, APONTA PROFESSORA DA UFRJ

LENTIDÃO DA VACINAÇÃO INTEGRA PROJETO DE EXTERMÍNIO, APONTA PROFESSORA DA UFRJ

REMELEXO DA NOTÍCIA
26 DE ABRIL DE 2021
POR ELEONORA DE LUCENA E RODOLFO LUCENA


"A lentidão do processo de vacinação é uma face desse extermínio, é mais um elemento desse extermínio, desse genocídio que está em curso no Brasil. A pandemia se tornou numa crise sanitária de extermínio da classe trabalhadora brasileira, de parte importante da classe trabalhadora brasileira", aponta a professora Sara Granemann, da Faculdade de Serviço Social da UFRJ.

Ela participou no último sábado (24.4) de debate organizado pela Frente da Saúde pela Vacinação Pública, com apoio do TUTAMÉIA, que teve como centro da discussão a tentativa do governo de privatizar a compra e a distribuição de vacinas contra a covid 19. Também participaram os ex-ministros da Saúde Alexandre Padilha e Arthur Chioro, mais o médico Boris Vargaftig, que representou a Frente na mesa redonda virtual (clique no vídeo para acompanhar a íntegra e se inscreva no TUTAMÉIA TV).

Concordando com Granemann, o professor Chioro afirma: "Nós estamos pagando um preço altíssimo pela criminosa decisão do governo Bolsonaro de expor de maneira irresponsável a população brasileira, ainda que soubesse que morreria muita gente, porque não tem nenhum compromisso com isso".

Acompanhe a seguir trechos das participações dos debatedores:

SARA GRANEMANN: DEBATE POR VACINAÇÃO DEVE IR DE MÃOS DADAS COM A LUTA PELO IMPEACHMENT

A lentidão do processo de vacinação é uma face desse extermínio, é mais um elemento desse extermínio, desse genocídio que está em curso no Brasil. Isso é também parte do controle, é uma medida de contenção para a organização da classe trabalhadora. Há que dar um basta!

A vacinação não se resolverá só pela discussão da vacinação. Esse debate sobre o que mais é preciso junto com a vacinação –o debate do impeachment. Sem a luta por impeachment, a vacina não se resolverá de outro modo, a não ser com essa lentidão, que vai ainda potencializar muito mais o extermínio.

Essas duas medidas andam de mão dadas, têm de ser evidentemente postas num debate numa grande articulação de todos aqueles que não queremos mais a próxima morte.  Impeachment e luta pela vacinação rápida, ágil e não só para nichos da população brasileira

Entender que a pandemia se tornou numa crise sanitária de extermínio da classe trabalhadora brasileira, de parte importante da classe trabalhadora brasileira, é móvel para nossa campanha pela vacinação pública e é móvel para nossa necessária luta pelo impedimento de Bolsonaro, que é um genocida.

ARTHUR CHIORO: TESE DE BOLSONARO MOSTRA DESCASO COM A VIDA

Há uma tese que vem sendo perseguida pelo governo Bolsonaro, que é um descompromisso, um descaso com a vida, que colocou em prática a ideia de que quanto mais rápido a maior parte da população fosse submetida à exposição ao vírus, ainda que a mortandade, o genocídio fosse do tamanho que está sendo, se alcançaria a imunidade de rebanho. Nós pagamos um preço altíssimo pela criminosa decisão do governo Bolsonaro de expor, de maneira irresponsável a população brasileira, ainda que soubesse que morreria muita gente, porque não tem nenhum compromisso com isso.

É claro que há uma lógica econômica por trás disso, tem o dedo não apenas da lógica do regime fiscal, a ideia de que não se deve fazer gasto público. Há também uma modelagem técnica, produzida na gestão do ministro Mandetta, que ajudava a explicar isso: havia uma previsão do governo de que em setembro/outubro do ano passado a epidemia acabaria. Isso fez com que o governo Bolsonaro investisse em uma única vacina. Um erro crasso.

ALEXANDRE PADILHA: É PRECISO REPENSAR OS MECANISMOS DE GOVERNANÇA GLOBAL DA SAÚDE

A pandemia é um fenômeno global. A gente não consegue superá-la de forma isolada. O Brasil não vai dar conta de acelerar seu plano de vacinação, enfrentar o que nós precisamos enfrentar, sem pensar em formas de articulação internacional.

Há três aspectos da resposta global que são fundamentais. Primeiro: a centralidade da necessidade de sistemas de saúde públicos universais de saúde. Ou o mundo sai dessa pandemia com um pacto político, um novo ciclo de lutas populares, para que a gente volte a ter a saúde como um direito, com o fortalecimento de sistemas nacionais universais públicos de saúde onde existiram e construção onde eles não existem, ou nós teremos nos próximos anos outras pandemias com tanta força e tanto impacto como a covid 19.

Vai exigir da gente, no Brasil, para superar a pandemia e os seus efeitos sanitários, que vão durar os próximos dois, três, quatro, cinco anos, um novo ciclo de reconstrução do SUS, de resgate do SUS, que vai exigir da gente construir um novo movimento de reforma sanitária, com capacidade de articulação ainda mais ampla.

O segundo tema é o acesso às novas tecnologias, às vacinas. A questão não é nem a quebra de patentes, mas sim quebrar o monopólio de quem é dono das patentes. Não pode ele decidir sozinho quem pode produzir, quem pode comercializar, como pode distribuir, essa é uma questão decisiva para o mundo hoje.

E o terceiro ponto é que nós precisamos repensar os mecanismos de governança global da saúde. A Organização Mundial da Saúde tentou um mecanismo para acelerar a produção e o acesso dos países às vacinas, o Covax Facility. Mas é insuficiente para coordenar o conjunto das ações para a saúde global, como será insuficiente qualquer mecanismo que a OMS venha a propor. Ou a saúde passa a ser assumida como tema central dos chefes de governo, dos chefes de estado, ou nós vamos ter articulações insuficientes para enfrentar tanto a atual pandemia, por que não estão superados os impactos dela, econômicos e sociais e na saúde, como os outros problemas que vão surgir.

BORIS VARGAFTIG: SEM CONTROLE POPULAR, A COISA VAI MAL

A privatização é a essência da burguesia; burguesia é igual a privatização. É uma coisa normal que os burgueses procurem monopolizar tudo. Conseguem, dominando a ideologia que domina na sociedade, que as pessoas em geral considerem que a sociedade tem de se organizar de uma forma privatista.

A grande ideia hoje é transformar o Brasil num grande Portugal do passado: fazer o que foi o salazarismo, ou seja, desindustrializar e manter o agronegócio, e dar uma esperança aos pobres que é a da religião da prosperidade.

A ideia da privatização é errada. É o SUS que deve fazer o atendimento. O grande perigo da não estatização imediata é o subterfugio nos acordos, acordos que tenham coisas escondidas.

Precisamos de um acordo que permita que a vacina seja muito rapidamente estendida para toda a população do país.

A distribuição tem de ser pelo SUS. Não podemos permitir, por exemplo, que após qualquer acordo, que os vendedores venham a fazer preços diferentes. Vejam, por exemplo, a disparidade dos preços dos testes. Toda a tentativa atual de acordo [com fabricantes] ou de quebra de patentes devem ter um controle popular. Se não tiver controle popular, a coisa vai mal. Os preços vão variar, a distribuição vai variar, vai ter gente mais rica que vai ter tratamento antes e assim por diante. Portanto: controle popular, controle estatal e impedimento da distribuição e da venda pelo privado, tudo deve ser estatizado.

FRENTE DA SAÚDE CONCLAMA: VAMOS FAZER REUNIÕES VIRTUAIS NOS BAIRROS

Ao longo do debate, muitas pessoas que acompanhavam a discussão perguntavam o que deve ser feito, o que eles próprias poderiam fazer, como contribuir.

Marcela Pontes, da Frente da Saúde pela Vacinação Pública, informou que o movimento está aberto para debater com quaisquer interessados, disposto a participar, por exemplo, de reuniões virtuais com entidades, grupos de bairro ou outras associações.

A Frente, que é uma construção militante de trabalhadores da saúde que tem por objetivo alcançar uma cobertura vacinal contra a covid 19 em todo o território nacional, também produz folhetos, cartazes e materiais para debater a questão.

https://tutameia.jor.br/lentidao-da-vacinacao-integra-projeto-de-exterminio-aponta-professora-da-ufrj/



Oito mil pessoas não retornaram para a segunda dose da vacina contra a covid-19 na Serra

Número pode ser menor por causa de atraso na notificação oficial da aplicação

20/04/2021 - 10h23min

Conforme dados do Ministério do Saúde, 8.005 pessoas ainda não receberam a segunda dose da vacina contra a covid-19 na Serra, sendo 3.601 em Caxias do Sul. São casos em que o prazo expirou — 28 dias para quem recebeu a Coronavac e 12 semanas para quem fez a de Oxford/AstraZeneca. O grupo abrange idosos, profissionais da saúde, pessoas em instituições de longa permanência e indígenas que receberam a primeira aplicação e deveriam ter retornado para completar a imunização.

São diversos os motivos que podem ter provocado a ausência. Entre as possibilidades, esquecimento, perda da carteirinha de vacinação, dificuldade para deslocamento e adoecimento: a pessoa pode ter contraído covid-19 ou até mesmo outra doença. Titular da 5ª Coordenadoria Regional de Saúde, Claudia Daniel aponta também o receio que algumas pessoas podem ter tido por causa de eventual reação ao receber a primeira dose.

Além disso, de acordo com Claudia, pode haver atraso na notificação oficial da aplicação da segunda dose. Por isso, ela acredita que o número de faltosos é inferior aos 8.005 registrados.

— Uma consideração muito importante é o delay (atraso) de informação entre a aplicação da vacina, o registro pela unidade de saúde e a informação no Ministério. Então, a gente crê que esse número na Serra é muito menor — explicou Claudia em entrevista ao Gaúcha Hoje da Gaúcha Serra nesta terça-feira (20).

Os municípios podem acessar a lista com os nomes das pessoas que ainda não receberam a segunda dose. Conforme Claudia, eles já estão buscando cada delas uma para a aplicação.

— Estamos orientando que independente da pessoa perder o prazo, que entre em contato com a UBSs e realize a vacinação. Nós temos que completar o esquema vacinal, caso contrário, essa pessoa não fica imunizada cem por cento. Elas têm que se vacinar, porque senão não vão fazer a janela de imunização e a vacinação fica prejudicada — reforçou a coordenadora.  

Em Caxias, a segunda dose da vacina para idosos com mais de 70 anos, que receberam a primeira dose da Coronavac de 22 a 26 de março, ocorre nesta terça-feira e na quinta (22) e sexta (23). A campanha ocorre das 8h às 16h nos drive-thrus nos pavilhões da Festa da Uva e na Rua Plácido de Castro (junto à Maesa).

Na quinta e sexta também será aberta vacinação nas unidades básicas de saúde (UBSs) Cruzeiro, Esplanada, Vila Ipê, Reolon, Desvio Rizzo, Eldorado e  Cinquentenário, das 10h às 16h. Não haverá aplicação de segunda dose nesta quarta-feira (21), feriado de Tiradentes, em nenhum ponto.

Os idosos devem retornar ao mesmo local onde receberam a primeira dose, na data anotada na carteira de vacinação. A exceção é para os agendados para o dia 21, feriado, que poderão ir ao drive-thru no dia 19 ou 20.


https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/geral/noticia/2021/04/oito-mil-pessoas-nao-retornaram-para-a-segunda-dose-da-vacina-contra-a-covid-19-na-serra-cknq1i0zn0029016u3a4fs51t.html

""A pandemia é a tragédia de nosso tempo"

"A pandemia é a tragédia de nosso tempo, agravada pela conduta errática de governantes que não escutam o que o vírus tem a dizer sobre o modus vivendi em curso da humanidade". Artigo de Luiz Marques.
https://www.sul21.com.br/opiniaopublica/2021/04/o-inimigo-o-mensageiro-e-o-pedagogo-por-luiz-marques/

Covid longa em crianças
> Como identificar sintomas e sequelas da doença nos mais jovens
> Dos mais de 370 mil mortos por covid-19 no Brasil, cerca de 2 mil têm menos de nove anos, segundo pesquisadores brasileiros.
> E se os sintomas persistentes em adultos foram tema de centenas de estudos, por outro lado há até agora poucos estudos que investigam a covid longa em crianças e adolescentes, incluindo países como Suécia, Itália e Reino Unido. A maioria dos pacientes dessa faixa etária que participaram do estudo enfrentou por meses sintomas como insônia, congestão nasal, fadiga, dificuldade de concentração e dores.
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56857784

A Coronavac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, em São Paulo, em parceria com o laboratório farmacêutico chinês Sinovac, tem a previsão de intervalo de até 28 dias entre a aplicação da primeira e da segunda dose. O reforço é necessário para que se tenha a imunização completa contra o novo coronavírus. Mas o repasse do imunizante aos Estados, prometido pelo Ministério da Saúde, foi menor que o necessário para atender todo o público. (...) Em nenhum desses países (mais avançados nas pesquisas sobre as vacinas) tivemos esses problemas que estamos tendo aqui. As doses foram administradas no tempo certo. (...) O que a gente sabe pelas pesquisas é que a segunda dose deve ser administrada entre 14 dias e 28 dias.
https://www.agazeta.com.br/es/cotidiano/tomar-a-segunda-dose-da-coronavac-com-atraso-faz-perder-o-efeito-0421

Liberação de restrições é precoce e nova onda pode ocorrer em breve no RS, alerta cientista de dados
https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/coronavirus/2021/04/liberacao-de-restricoes-e-precoce-e-nova-onda-pode-ocorrer-em-breve-no-rs-alerta-cientista-de-dados/


13.4.21

Filme de Anna Muylaert sobre golpe contra Dilma estreia hoje; veja como assistir

Filme de Anna Muylaert sobre golpe contra Dilma estreia hoje; veja como assistir

No documentário 'Alvorada', diretora de 'Que horas ela volta?' se une a Lô Politi para mostrar resistência de Dilma Rousseff ao fraudulento processo de impeachment
 13/04/2021 11h09 - atualizado às 13h08
Roberto Stuckert Filho

Dilma Rousseff, primeira presidenta do Brasil

golpe de 2016 que retirou a presidenta Dilma Rousseff do poder é tema do documentário Alvorada, que estreia nesta terça-feira (13) no festival É tudo verdade, que este ano ocorre de maneira remota (veja abaixo como assistir).

Dirigido por Anna Muylaert (Que horas ela volta?) e Lô Politi, o filme foi rodado entre julho e setembro daquele ano e acompanha o dia a dia de Dilma enquanto ela resistia ao golpe, após a instalação do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados.

Trata-se do terceiro documentário sobre o tema, após O processo (2018), de Maria Augusta Ramos, e Democracia em vertigem (2019), de Petra Costa, indicado ao Oscar. É o terceiro também dirigido por mulheres, o que, na avaliação de Anna Muylaert, não aconteceu por acaso.

"Esse golpe tem um alto teor sexista, machista, misógino", diz a diretora em entrevista ao UOL, destacando como marco dessa característica a sessão na Câmara em que um dos deputados, Jair Bolsonaro, dedicou seu voto ao torturador de Dilma na época da ditadura. "Ele estava invocando ali a violência contra a mulher e esse homem virou presidente do Brasil. No processo do golpe, nós, mulheres, nos vimos muito na situação", completa Muylaert.

Alvorada (o título é uma referência ao palácio que serve de residência oficial dos presidentes da República) será exibido nesta terça-feira às 21h, com reprise na quarta-feira (14), às 15h. Para assistir, é necessário fazer o cadastro na plataforma Looke.

Como assistir ao documentário Alvorada:

  1. Faça seu cadastro no site www.looke.com.br.
    Um código SMS será enviado para o seu celular para concluir o cadastro
  2. Acesse o site www.etudoverdade.com.br e clique em PROGRAMAÇÃO
  3. Clique no filme escolhido e você será direcionado para a página do É Tudo Verdade / Looke
  4. Aperte o play e boa sessão!


11.4.21

CANNABIS MEDICINAL


Aula sobre a Revolução Canabinóide, com o Neurocientista Sidarta Ribeiro
https://www.youtube.com/watch?v=fcWRuPDoD8s&t=1626s


Dra. Eliane Nunes, da Sbec e da Mães Jardineiras fala um pouco sobre sistema endocanabinóide e patologias tratadas com Cannabis. https://www.youtube.com/watch?v=536-fQ3W6nQ





Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz