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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

30.8.16

Governo Temer pretende criar dois novos tipos de contrato de trabalho

Governo Temer pretende criar dois novos tipos de contrato de trabalho


30 Agosto 2016

Com um contingente de 11,6 milhões de desempregados e 623 mil vagas formais fechadas só este ano, a equipe do presidente em exercício Michel Temer estuda formas de tornar viáveis duas novas modalidades de contrato de trabalho: o parcial e o intermitente. As propostas fazem parte da reforma trabalhista que será, ao lado da previdenciária, uma prioridade da agenda econômica caso o impeachment de Dilma Rousseff seja concretizado.

A reportagem é de Lu Aiko Otta, publicada por O Estado de S.Paulo, 30-08-2016.

Tanto no trabalho parcial quanto no intermitente, a jornada de trabalho será menor do que as 44 horas previstas na legislação atual. Os direitos trabalhistas, como férias e 13.º salário, seriam calculados de forma proporcional. A diferença entre os dois contratos é a regularidade com que o trabalho ocorre.

No contrato parcial, a jornada ocorre em dias e horas previamente definidos. Por exemplo, a pessoa poderá trabalhar em um bar somente nos fins de semana. Os técnicos acreditam que esse tipo de contrato vai beneficiar principalmente estudantes e aposentados que precisem complementar sua renda.

O trabalho intermitente, por sua vez, é acionado pelo empregador conforme a necessidade. Um técnico do governo exemplifica: o dono de um buffet pode ter um vínculo desse tipo com uma equipe de garçons e cozinheiros. Nos fins de semana em que houver festa, os trabalhadores são chamados. Quando não houver, o empresário não terá custo. O contrato parcial de trabalho já existe na legislação, mas a regulamentação é considerada ruim, o que gera insegurança para o empregador. Por isso, é pouco utilizado. A ideia é aperfeiçoar a legislação.

"O que me preocupa é que estamos num momento de desemprego elevado, de economia baixa, e a área empresarial pressiona para o governo colocar na pauta medidas para diminuir os custos, entre aspas, que nós consideramos investimento", disse o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah.

Já para o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGVBruno Ottoni, as regras do País contribuem para aumentar a informalidade e o desemprego. "O mercado de trabalho brasileiro é extremamente rígido e isso acaba gerando distorções." Ele ressaltou não conhecer as propostas do governo para o trabalho parcial e o intermitente. "Pela experiência internacional, a flexibilização tem efeitos positivos. Só é preciso estudar a natureza dessa flexibilização, pois os trabalhadores temem perder força."

À frente de uma central que tem em sua base principalmente empregados dos setores de comércio e serviços, Patah disse ter disposição para discutir o trabalho parcial, principalmente para jovens e aposentados. No entanto, ele quer garantir que nenhum empregado nessa categoria receba menos do que um salário mínimo.

Terceirização

Representantes das centrais sindicais estarão hoje com o presidente da Câmara,Rodrigo Maia (DEM-RJ) para discutir a pauta de projetos em tramitação na área trabalhista. Patah está preocupado particularmente com o projeto que regulamenta o trabalho terceirizado. "Do jeito que está, todo trabalhador poderá ser terceirizado", disse. O governo Temer ainda não tem posição sobre essa questão. Por enquanto, a ordem é deixar o Legislativo discutir e votar como achar mais adequado.

Reforma em pauta

- Regulamentação do trabalho terceirizado

Questão está em análise no Congresso

- Predominância de acordos coletivos sobre a lei

Acordos poderão ter regras diferentes da legislação

- Trabalho parcial

Trabalhadores com jornada inferior a 44 horas semanais, em dias definidos.

- Trabalho intermitente

Trabalhadores com jornada inferior a 44 horas por semana, acionados conforme a necessidade da empresa



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Processo de impeachment de Dilma é 'farsa' e 'assalto ao poder', diz historiadora francesa



Processo de impeachment de Dilma é 'farsa' e 'assalto ao poder', diz historiadora francesa

Em entrevista à rádio France Info, Armelle Enders lembra que 60% dos senadores que julgarão presidente afastada são alvo de processos judiciais
 

O processo de impeachment da presidente brasileira afastada, Dilma Rousseff, é uma "farsa" e um "assalto ao poder", afirmou nesta segunda-feira (29/08) a historiadora Armelle Enders, especialista em história política do Brasil.


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"Podemos realmente descrever o que está acontecendo politicamente como uma farsa e um assalto ao poder", disse a historiadora em entrevista concedida à rádio France Info.

Nesta segunda-feira, Dilma apresentará diante do Senado sua defesa e irá responder a perguntas dos parlamentares. A votação dos senadores sobre o afastamento definitivo da mandatária deverá ocorrer entre terça (30/08) e quarta-feira (31/08).

Agência Efe

Senado brasileiro ouvirá defesa de Dilma Rousseff nesta segunda-feira

Enders lembrou também que, se o impeachment de Dilma se confirmar, quem assume é seu vice, o atual interino Michel Temer que, segundo ela, não tem confiança suficiente da população.

 

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"Ele foi copiosamente vaiado durante a cerimônia dos Jogos Olímpicos. Ele está associado com o poder e as decisões do governo nos últimos seis anos, por isso é corresponsável pela situação", afirmou Enders, que é autora do livro "Nova História do Brasil".

A especialista comentou também que Temer não é o único implicado em casos de corrupção.

"Sessenta por 60% dos senadores que vão condenar Dilma são alvo de processos judiciais, o que não é o caso da presidente afastada", apontou.


Cristovam Buarque: de defensor da educação a traidor do povo brasileiro

Cristovam Buarque: de defensor da educação a traidor do povo brasileiro

Waldemir Barreto: <p>Plenário do Senado Federal durante sessão não deliberativa ordinária. Em pronunciamento à bancada ,senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado</p>

Este é o segundo artigo, de uma série de três, com o objetivo de contestar os argumentos do senador Cristovam Buarque (PPS-DF) em defesa do impeachment. Os artigos têm como base a entrevista de Cristovam publicada no Jornal Correio Braziliense no último dia 11 de agosto.

Na entrevista, Cristovam justifica o apoio ao impeachment de Dilma, dizendo que o processo não representa um golpe, pois "... não viu nenhum tanque nas ruas, não viu o fechamento do Congresso, ninguém ser exilado...". Finge ignorar que as instituições democráticas brasileiras foram capturadas por uma coalizão conservadora que não engoliu as quatro derrotas consecutivas nas últimas eleições.

Convenhamos que para alguém que se diz um educador, membro da "intelligentsia" brasileira e que já foi reitor da Universidade de Brasília, se prender a uma interpretação literal, caricata e tão reducionista de um golpe, é puro cinismo ou má-fé.

O senador argumenta que é necessário virar a página do governo Dilma, que isso seria bom, inclusive, para a presidenta afastada. E vai adiante ao considerar que "Dilma deve ter com todo o sentimento histórico que ela tem, ficar na biografia da guerrilheira heroica e presidente de Estado destituída do que de guerrilheira heroica e presidente fracassada". O senador chega a comparar o eventual fracasso do retorno de Dilma ao governo, ao de João Goulart, que, embora golpeado pelos militares, entrou para a história como um fracassado "querido, respeitado e admirado".

Cristovam tem a ousadia e a arrogância de dizer que vota no impeachment em nome da biografia de Dilma Rousseff, que com esse gesto altruísta estaria fazendo um bem para Dilma e para o Brasil, insinuando que não seria mal negócio para a presidenta privilegiar sua trajetória pessoal em detrimento da democracia.

Quem conhece a trajetória da presidenta Dilma sabe que ela jamais abriria mão da luta democrática, jamais mancharia sua história pessoal, colocando sua biografia acima dos interesses do povo brasileiro e dos valores democráticos.

Estamos falando da primeira mulher presidenta da República, que traz na pele e na alma as marcas de quem enfrentou de forma altiva e corajosa as salas escuras da tortura. De uma mulher que não se curvou diante de uma ditadura que maculou, por 21 anos, a história brasileira.

Essa mesma mulher guerreira e honrada que enfrentou os tanques, as botas e baionetas, enfrenta, agora, com a mesma força e coragem, um golpe parlamentar disfarçado de impeachment, capitaneado por parlamentares corruptos.

De forma absolutamente equivocada, Cristovam acha que pode medir Dilma pela sua própria régua. Mas não pode. Primeiro, porque Dilma não estava num exílio dourado na Europa nos anos mais sombrios do regime militar. Ao contrário, ela dedicou os melhores anos de sua juventude para enfrentar uma ditadura cruel e sangrenta, que penalizava com prisão, tortura e morte aqueles que ousavam lutar por democracia. Segundo, porque Dilma jamais trocaria sua biografia por meros interesses individuais de ocasião.

Portanto, ao invés de se preocupar com a biografia que Dilma deixará para as futuras gerações, Cristovam deveria se preocupar com a sua própria biografia. Ao defender de forma tão cínica a quebra da legalidade democrática, o senador reserva o seu lugar na galeria dos golpistas, que, movidos por interesses escusos, passarão para a história como traidores povo brasileiro.

Cabe ainda perguntar qual o sentido de fracasso para Cristovam? Em que aspectos o senador considera o governo Dilma fracassado?

Parece que Cristovam esqueceu por completo a memória de Darcy Ribeiro, quando este último afirmou: "Fracassei em tudo o que tentei na vida. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu". Cristovam que noutras épocas já perfilou ombro a ombro com os "fracassados", hoje, prefere estar ao lado dos "vencedores". Uma lástima!

O senador se equivoca também ao dizer que está "convencido de que o PT deseja o impeachment de Dilma" com o intuito de se beneficiar com a narrativa do golpe. Apesar de ter sido filiado ao PT, partido ao qual deve as eleições para o governo do Distrito Federal e para o Senado, demonstra, com essa afirmação, que desconhece o partido. O PT nasceu enfrentando a ditadura, tem em sua gênese a luta pela liberdade democrática, uma trajetória que se confunde com a história recente das conquistas de direitos sociais e trabalhistas. Portanto, não negociaria a democracia em nome de interesses meramente eleitorais.

Cristovam tem adotado a estratégia de dar sinais trocados. Reconhece que sua opção pelo golpe é extremamente desconfortável. De um lado, não garante assento entre os conservadores de plantão. Do outro, trai covardemente o voto de confiança que lhe foi concedido por parte de seus eleitores e aliados históricos.

Por isso, em um dado momento da entrevista, manifesta preocupação em relação aos desdobramentos do golpe para a disputa presidencial de 2018. Diz que acha possível uma ruptura, só que a coisa nova pode ser ainda pior que a atual.

"Pode surgir um milagreiro... tem cretinos por aí que querem aproveitar e entrar. Tem gente que defende a tortura, tem gente que defende proibir partidos na escola, tem uma direita que pode ser muito pior do que o que está aí".

No entanto, o senador desconsidera que ao pactuar com o golpismo está abraçando aqueles que ele chama de cretinos. Desconsidera que, ao embarcar na aventura golpista, dá as mãos a figuras como Eduardo Cunha, grande líder dos conservadores, dos defensores da tortura, do Programa Escola Sem Partido. O fundamentalismo religioso, patrimonialista e punitivista, articulado por Cunha na Câmara, está na genealogia desse golpe. Ao votar favoravelmente ao impeachment, o senador confere mais poder político aos que ele classifica como cretinos.

O senador finge ignorar, ainda, que caso Dilma seja definitivamente afastada não assume o novo. Ao contrário, assume a velha e enxovalhada forma de fazer política das elites que sempre governaram este País, que busca a todo custo manter o status quo, os privilégios de uma minoria em detrimento da democracia, "mãe" de todos os direitos.

Estamos falando de um pacto das elites, urdido no subterrâneo da legalidade democrática, que objetiva, entre outras coisas, livrar corruptos da justiça, se apoderar do Estado para saquear os recursos públicos, promover o desmonte dos direitos sociais e trabalhistas, atacar a soberania nacional e submeter o Brasil aos ditames do deus mercado e aos interesses especulativos de banqueiros e rentistas.

Por isso mesmo, não deixa de causar alguma surpresa o adesismo de Cristovam ao golpe. Como alguém que tem a pretensão de ser reconhecido no Brasil e no mundo como um defensor da educação – pode votar a favor de um impeachment absolutamente ilegal e ilegítimo, que visa à destituição de uma presidenta eleita democraticamente pelos votos de 54 milhões de brasileiros, para colocar no poder um governo que, sob o discurso retórico de promover o ajuste fiscal, tem como principal objetivo a supressão de direitos da população brasileira; cassar direitos dos trabalhadores, substituindo o legislado pelo negociado; entregar o petróleo - incluindo o pré-sal - e outras riquezas nacionais ao capital estrangeiro; a demissão de servidores e a terceirização dos serviços públicos; acabar com o SUS, com as universidades públicas e com outros programas de acesso à educação; a privatização das empresas estatais; a supressão dos programas sociais de redução da pobreza e de combate à exclusão social; entre tantas outras propostas de retrocesso social e de desmonte do Estado? Trata-se do retorno da velha cantilena neoliberal, do imperativo de precarizar para privatizar.

Não à toa, a principal matéria do governo golpista enviada ao Congresso Nacional é a PEC 241/2016 que pretende instituir um "novo" Regime Fiscal para a União. A proposta congela, por 20 anos, investimentos em políticas públicas fundamentais como saúde e educação. Para que se tenha uma idéia do que essa proposta significa, basta dizer que, segundo estimativas preliminares de especialistas em políticas sociais e de entidades representativas de gestores governamentais, se a PEC for aprovada neste ano, no período de 2017-2025, haverá uma redução, de mais de R$ 300,0 bilhões nos recursos públicos federais destinados apenas às áreas da Educação, Saúde e Assistência Social, na proporção de 17%, 47% e 36%, respectivamente.

Ao propor essa PEC, o governo golpista assume que, além de rasgar a Constituição, irá rasgar também o Plano Nacional de Educação (PNE). Isso porque, o congelamento de recursos para o setor significa inviabilizar o cumprimento das metas e estratégias definidas no Plano.

Metas que envolvem números grandiosos, a exemplo, da criação de 3,4 milhões de matrículas em creches, 700 mil na pré-escola, 500 mil no Ensino Fundamental, 1,6 milhão no Ensino Médio e cerca de 2 milhões no Ensino Superior público. Ou seja, ao propor a drástica redução das despesas da União na área da educação, para citar apenas um exemplo, o governo golpista assume que não irá cumprir a Lei.

Diante do exposto, fica, pois, a dúvida: qual será a nova bandeira a ser empunhada pelo senador Cristovam em sua vida pública, pois será impossível votar a favor do golpe e ao mesmo tempo querer assumir o discurso de defensor da educação.

http://www.brasil247.com/pt/colunistas/erikakokay/252273/Cristovam-Buarque-de-defensor-da-educa%C3%A7%C3%A3o-a-traidor-do-povo-brasileiro.htm


dica de documentário

A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA


Documentário de Kim Bartley e Donnacha O'Briainsobre sobre o golpe ocorrido na Venezuela em abril de 2002.

'Boa parte da mídia abdicou de fazer jornalismo para fazer oposição política'

30/08/2015 00:00 - Copyleft

'Boa parte da mídia abdicou de fazer jornalismo para fazer oposição política'

A grande mídia funciona como se tivesse um super editor, como se as principais notícias, a pauta, a narrativa, fossem editadas pela mesma pessoa.


Joana Tavares - Brasil de Fato
UNB

Pesquisador há décadas sobre o papel social da mídia, o professor aposentado da Universidade de Brasília Venício Lima é autor de vários livros sobre o assunto e segue refletindo sobre o comportamento dos veículos de comunicação, a necessidade de regulação do setor e o papel da comunicação alternativa e pública.
 
Brasil de Fato -  Temos visto uma cobertura cada vez mais parecida, especialmente da política, nos veículos da mídia hegemônica. Apesar de pequenas diferenças de linha editorial, parece haver uma homogeneização no tratamento de alguns temas, como na questão da crise e da operação Lava Jato. Como você avalia esse comportamento? 
 
Venício Lima - Na verdade, não acho que constitui uma novidade. Há muitos anos, em livro que publiquei com o Kucinski ["Diálogos da perplexidade: reflexões críticas sobre a mídia"], comentamos essa questão da posição homogênea da grande mídia. É a ideia de que a grande mídia funciona como se tivesse um supraeditor, como se as principais notícias, a pauta, a narrativa, fossem cotidianamente editados por um super editor, que dá a elas o mesmo enquadramento. Isso é tão verdadeiro que às vezes as mesmas palavras aparecem reiteradamente, para os mesmos assuntos, para a mesma pauta, em diferentes veículos. Isso não é uma novidade, e expressa apenas o fato sabido e conhecido de que os oligopólios privados de mídia no Brasil têm interesses comuns e defendem basicamente as mesmas propostas e são contra as mesmas propostas, projetos e políticas. 
 
A que você atribui essa recente inflexão em alguns veículos, como a Folha e o Globo, na questão do golpe ou impecheament contra a presidenta?





 
É uma questão delicada. Os grandes oligopólios no Brasil têm, sobretudo o grupo Globo, historicamente conseguido se adaptar às conjunturas e preservar seu interesse. E, correspondente a isso, o Estado brasileiro também historicamente não tem sido capaz de fazer prevalecer a natureza de serviço público, sobretudo na radiodifusão. Um observador como eu, sem acesso a fontes privilegiadas, sem vínculos com partidos ou nada do tipo, me valho da minha experiência e dos dados públicos. O que se sabe agora é que houve uma reunião do secretário de comunicação da presidência com os controladores do grupo Globo e, por ocasião de uma homenagem à Globo no Senado, uma reunião com executivo do grupo e nove senadores do PT. Depois desses encontros, de fato observa-se uma inflexão na cobertura política e um posicionamento diferente com relação ao impeachment da presidente. O que não se sabe é se houve – e muito provavelmente houve – algum tipo de entendimento, de acordo. Como foi feito no passado, com outros governos, em outras situações. O Estado brasileiro e qualquer grupo que temporariamente controlam sua máquina têm sido incapazes de fazer prevalecer políticas de interesse público e negociam com esses meios, que se tornam cada vez mais poderosos e mais capazes de fazer valer seus interesses. Depois saberemos melhor do que se trata. Vi especulações em relação à atribuição das frequências, utilização do chamado 4G, questões tecnológicas que o Estado tem poder, disputa entre os velhos grupos e operadoras... teremos que ver se se confirma a inflexão e saberemos o que foi negociado. Mas certamente alguma coisa foi negociada.
 
Na sua avaliação, por que os governos do PT não avançaram na questão da regulação do mercado de comunicação?
 
Essa pergunta tem que ser feita aos governos do PT. Eu não consigo compreender. Houve momentos em que se acreditava que os governos petistas iam pelo menos propor uma atualização da legislação, a regulação dos artigos que estão na Constituição, que fossem encaminhar projetos ao Congresso. Isso ocorreu em diversos países da América Latina em que projetos democráticos chegaram ao poder, mas nada disso aconteceu no Brasil. Tenho dito que esses governos caíram numa armadilha de acreditar que seria possível que os oligopólios de mídia apoiassem um projeto político, com repercussão na economia, que beneficiasse as classes populares, que promovesse a inclusão. Há informações seguras que durante muito tempo figuras importantes nos governos petistas acreditavam que era possível trazer o apoio desses oligopólios para a execução dessas políticas. Assim, a negociação com eles, as verbas publicitárias, empréstimos etc, deveriam ser a prioridade da política de comunicação do governo. Em detrimento da construção de um sistema público de comunicação, como, aliás, manda a Constituição. Ao cair nessa armadilha, perderam-se as oportunidades históricas de se fazer o que era necessário fazer e que não foi feito.
 
A partir da pressão da sociedade e também dada a virulência desses meios hegemônicos contra o governo do PT, você acredita que há possibilidade de avanço na regulação neste segundo mandato da Dilma?
 
De novo, quem tem que responder são os agentes públicos do governo, ou a própria presidente. Posso dar uma reposta de observador que tem décadas que acompanha essas questões. Sou pessimista. Não vejo no momento atual de crise política e de diluição completa da sustentação parlamentar do governo possibilidades de avanço. As condições são adversas para que se implemente algo nessa área. É interessante observar que o discurso de regulação econômica da mídia, que fez parte da campanha eleitoral, que foi vocalizado diversas vezes pelo ministro das comunicações, desapareceu. Não se fala mais nisso. Além disso, até mesmo medidas que poderiam e podem ser tomadas por diferentes setores do governo, que independem de aprovação parlamentar, não têm sido tomadas. Como, por exemplo, a revisão de critérios das verbas oficias de publicidade e a fiscalização de arrendamento de emissoras. Coisas que fazem parte do papel do Ministério das Comunicações, em alguns casos, ou podem ser de decisão política da presidência, medidas que poderiam ser tomadas independentes de aprovação do parlamento, que é sabida e declaradamente de oposição ao governo.
 
Você escreveu que não temos no país uma "narrativa pública alternativa". Na sua avaliação, como os veículos comunitários, sindicais e populares poderiam avançar para pautar a pluralidade de vozes e visões de mundo? 
 
Tem uma questão histórica, na mídia alternativa brasileira, incluindo as TVs e rádios comunitárias, a mídia sindical, o sistema público de um modo geral, que é a dificuldade de unificar sua narrativa. Há avanços, mas são ainda muito tímidos em relação ao que seria necessário. Eu considero absolutamente crítica a necessidade de apoio do governo ao sistema público de comunicação. A Empresa Brasil de Comunicação, EBC, tem, a duras penas, tentado produzir uma alternativa de qualidade à mídia comercial. Mas é muito difícil, porque a forma como a EBC está regulamentada depende de recursos não só do governo, mas de contribuição à radiodifusão pública, que inclusive vem sendo questionado na Justiça. É uma situação financeira difícil. E mesmo a empresa conseguindo, em seus diferentes veículos, produzir programas de boa qualidade, é difícil quebrar a inércia da audiência, que há décadas é dominada pela mídia comercial. A mídia pública não consegue ser divulgada fora dela própria e fica reduzida à sua pequena audiência. Acho que esta é das possibilidades que devem ser apoiadas. Inclusive uma coisa que esquecemos é que as pessoas que acreditam na necessidade de uma mídia alternativa à comercial devem apoiar a TV pública assistindo sua televisão e ouvindo suas emissoras de rádio.
 
Ao mesmo tempo em que assistimos ao fortalecimento da mídia comercial, aumenta o número de demissões e se discute o futuro do jornalismo. O que se desenha para o cenário da comunicação hoje?
 
Essa não é uma peculiaridade brasileira. É algo que está acontecendo na sociedade contemporânea e decorre de uma transição tecnológica, cujos resultados não sabemos ainda. Há uma nova geração surgindo que não terá os mesmos hábitos de consumo de mídia e isso já está claro, sobretudo no Brasil. E isso tem implicação para modelos de negócio. Mas sou daqueles que não compartilho o entusiasmo, muitas vezes acrítico, com relação ao acesso à informação que as novas tecnologias possibilitam. Os dados que temos no Brasil e no mundo confirmam que, apesar da transição e das mudanças de plataforma tecnológica, os grandes produtores de conteúdo continuam os velhos grupos da mídia tradicional. Pesquisas confirmam e isso é visto junto a segmentos que acessam a internet, blogs e sites: os mais citados são da velha mídia. Esse quadro se repete nas redes sociais, às quais 90% das pessoas que acessam a internet estão vinculadas. Importante destacar que essas redes não são produtoras de conteúdo, elas distribuem conteúdo e facilitam a interação. E o conteúdo distribuído vem em grande medida dessa velha mídia.
 
Do ponto de vista da força de trabalho, tenho defendido há anos que as novas tecnologias não implicam na desqualificação da mão de obra. Ao contrário, ela tem ter que ser mais qualificada para sobreviver no mercado de distribuição de conteúdo. Essa geração, embora embevecida com as redes, vai precisar de informação de qualidade. Eu não posso ser exemplo, já tenho meus 70 anos, mas sou seletivo no dinheiro que gasto para receber informação. Boa parte da mídia brasileira não me interessa porque abdicou de fazer jornalismo para fazer oposição política. Quero informação para compreender o mundo e me ajudar a tomar posições. Não quero generalizar minha posição, mas me parece que será preciso uma qualificação da força de trabalho para produzir informação de qualidade. Isso já está ficando claro em alguns países do mundo. Mas ninguém tem bola de cristal. Estamos claramente vivendo um momento de transição, que não é só no Brasil.
 
Como você vê iniciativas como o jornal Brasil de Fato, que chega aos dois anos em Minas Gerais?
 
Absolutamente fundamentais. Eu como indivíduo estou numa tentativa de lançamento de um jornal popular aqui em Brasília, como forma de furar o bloqueio da mídia comercial. É muito importante não esperar que a grande mídia venha a ser aliada para projetos que beneficiem classes subalternas, nem aqui, nem em lugar nenhum. O Brasil é exceção na América Latina porque não conseguiu ter, nem na mídia impressa, nem eletrônica, uma alternativa à mídia comercial. Outros países têm essa construção, como Argentina, México, Bolívia. Acho fundamental, apoio como posso e cumprimento grupos que conseguem, com todas as dificuldades, produzir de alguma forma uma imprensa alternativa. 



Créditos da foto: UNB

29.8.16

Bresser-Pereira: pagaremos caro por essa farsa jurídica irresponsável

Bresser-Pereira: pagaremos caro por essa farsa jurídica irresponsável

SAO PAULO - 30.11.2010 - LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA / ECONOMIA / ESTADO  - O economista da Fundação Getúlio Vargas, Luiz Carlos Bresser-Pereira, durante entrevista em seu escritório, na zona sul de São Paulo. FOTO: KEINY ANDRADE/AE

Leia o post:

por Luiz Carlos Bresser-Pereira, no Facebook

"A presidente Dilma Rousseff está nesse momento no Senado se defendendo do impeachment.

Mostra mais uma vez uma mulher corajosa e íntegra, que está sendo vítima de um golpe de Estado de Estado parlamentar, porque, definitivamente, não cometeu crime de responsabilidade.

Todos sabem que o impeachment tem outras causas - essencialmente entre uma direita neoliberal comandada pelo PSDB e seus economistas que querem reduzir o Estado Social com o oportunismo do Centrão que era comandado pelo deputado Eduardo Cunha e hoje o é pelo presidente interino, Michel Temer.

Mas isto não impede o Senado de levar adiante essa farsa jurídica.

Pagaremos, todos, caro por essa ação irresponsável."



Dilma no senado: nas palavras de uma mulher, Agosto deixa de ser tragédia e vira o mês da esperança

Dilma no senado: nas palavras de uma mulher, Agosto deixa de ser tragédia e vira o mês da esperança

dilma

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Tadeu Porto (@tadeuporto), colunista do Cafezinho

Não consegui conter a explosão de uma lâmina d'água sobre meus olhos quando a presidenta Dilma mencionou, em seu discurso, o ataque a autoestima dos brasileiros e brasileiras que o governo usurpador quer implicar com uma pauta derrotada e injusta para aqueles que mais precisam.

Mas, a despeito das minhas lágrimas praticamente sincronizadas com a da presidenta, não foi a tristeza que me dominou durante todo o discurso dela, muito pelo contrário, foi um sentimento de inspiração e, sobretudo, de esperança acerca da difícil luta que iremos travar com a fina-flor do conservadorismo nacional.

A inspiração que encontrei está, justamente, na firmeza e na força das palavras da presidenta eleita, principalmente no que tange ao endurecimento - sem perder a ternura ou a razão - com que ela desenhou, para todo o país, que está sofrendo um golpe de Estado. Ademais, há de se destacar que Dilma apontou o dedo de maneira muito clara para os principais inimigos do povo e da democracia: a elite política e econômica, o parlamento capitaneado por um chantageador e a mídia hegemônica que bancou a atmosfera pessimista que culminou na tentativa de golpe.

Portando, ao indicar os antagonistas históricos que tentam destruir, não só a democracia mas também o pouco que avançamos nas política sociais, Dilma praticamente chamou a luta todos brasileiros e brasileiras que não compactuam com uma agenda aristocrata de retirada de direitos básicos (como a CLT e a previdência), liberdade de expressão popular e recursos essenciais para o avanço do combate a desigualdade social.

As palavras de Rousseff foram, nesse sentido, combustível importante e necessário para alimentar a chama da resistência (e quiçá da revolução, não custa nada sonhar) que será primordial na longa batalha que travaremos contra a plutocracia nacional por uma justa divisão de bens e riquezas no país.

Além disso, não posso deixar aqui de destacar a importância desse discurso histórico ter saído dos lábios - e do coração - de uma mulher, a primeira chefe de executivo da história do Brasil.

Sei que é complicado um homem escrever sobre a luta das mulheres, afinal nasci do lado opressor e ainda vivo dessa maneira mesmo tentando melhorar a cada dia, mas não posso deixar passar o simbolismo que representa a superação de Dilma vir, justamente, no mês que expressa tragédias históricas nacionais.

Vejam bem: tanto o suicídio de Getúlio quanto a renúncia de Jânio e a morte de JK, que marcaram para sempre a má fama do mês oito no Brasil, possuem uma característica comum: foram protagonizadas por homens. Portanto, é fascinante - e eu diria até poético - que agosto renasça como o mês da esperança graças ao forte e emocionante discurso de uma mulher sendo injustamente atacada por um golpe misógino, que fez culminar um executivo de traidores exclusivamente masculino.

E olha, só tenho a agradecer a Dilminha pela marca histórica alcançada, por pelo menos dois motivos: primeiro por que eu nasci em agosto e nunca gostei da fama azarada que o mês tem, pois apesar de ser agnóstico sou estranhamente supersticioso (a ponto de ter crescido com raiva do desenho "Ursinhos Carinhosos" pois o leão, meu signo, era muito covarde) e em segundo pois 2016 é o ano no qual nasceu minha filha e vou poder mostrar a ela, minha primogênita, tanto o discurso da presidenta quanto meu texto, evidenciando que papai sempre estava do lado certo da história: que lutou pela democracia e contra a elite golpista e conservadora que não aceitou perder a quarta eleição seguida.

A farsa do impeachment está chegando ao fim e o tempo sombrio para todos cidadãos e cidadãs brasileiras não acontecerá sem luta e resistência. Sendo assim, esse golpe pode até sair, mas a partir do primeiro dia vamos vender cara essa traição, insipirados nas belas palavras da presidenta.

Portanto, parabéns Dilma! Afinal, no discurso e nas respostas, na postura e na honestidade, na coragem e na temperança você lacrou, querida!

E pode ter certeza que não terá sido em vão. 


Tadeu Porto é pai da Valentina e Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense


Não sejam cínicos.

Dez sugestões ao cinismo dos golpistas

em: 

Alegar que quem votou em Dilma votou em Temer não revela apenas o cinismo, o analfabetismo político. É atestado de canalhice de quem quer se ver absolvido dos crimes que serão perpetrados pela besta fera que pariu


Por Gilson Caroni Filho – do Rio de Janeiro

Não sejam cínicos.

1. Votei em Dilma e votaria a fazê-lo se os seus oponentes fossem os mesmos.

2. Não me agradou o fato de ela ter adotado a agenda neoliberal, mas isso não justifica impeachment. Afastar uma presidente, eleita legitimamente, sem provas concretas de sua culpabilidade, é golpe. Não sejam cínicos.

3. A situação econômica do país não é justificativa para remoção de uma mulher que pode ter mil defeitos, mas é honesta. Lembrem-se que foi o esgotamento da política neoliberal de FHC que levou Lula a assumir a presidência da República, em eleições limpas, no já distante ano de 2002. Se estavam descontentes com o governo atual que esperassem 2018. Não sejam cínicos.

4. Alegar que quem votou em Dilma votou em Temer não revela apenas analfabetismo político. É atestado de canalhice de quem quer se ver absolvido dos crimes que serão perpetrados pela besta fera que pariu. O PT se aliou ao PMDB e não cabia ao partido qualquer veto sobre a indicação do vice-presidente. Ninguém vota em vice e vocês sabem disso. Ou alguém imagina que votamos em um governo que teria José Serra como chanceler, entregando Pré-Sal e desmontando patrimônio público para cedê-lo a corporações transnacionais? Isso era o projeto do candidato que vocês,eleitores do PSDB, escolheram. Não sejam cínicos.

5. Como destacou a presidente em sua fala ao Senado:" "A ameaça mais assustadora desse processo de impeachment sem crime de responsabilidade é congelar por inacreditáveis 20 anos todas as despesas com saúde, educação, saneamento, habitação. É impedir que, por 20 anos, mais crianças e jovens tenham acesso às escolas; que, por 20 anos, as pessoas possam ter melhor atendimento à saúde; que, por 20 anos, as famílias possam sonhar com casa própria" Não abram mão da paternidade ou maternidade da barbárie. Não sejam cínicos.

6. Se não houver reforma política, qualquer presidente será refém do PMDB de Jucá e Renan. Mas discutir reforma não lhes interessa. Onde estão suas panelas quando a democracia representativa está sendo jogada na lata do lixo? Não sejam cínicos.

7. Não venham com discursos de conciliação ou tentativas de "serenar os ânimos". Vocês plantaram o ódio, não queiram, agora, cordialidade. Não sejam cínicos.

8. Não falem em democracia, diversidade política e consciência moral. A imaginação política de vocês só vislumbra a intolerância como forma de pensar e agir. Não sejam cínicos.

9. Aos que ouviram atentamente o discurso da presidente, não há como negar a contundência de sua argumentação fundamentada. Se vier a ser cassada, cai de pé. Seus oponentes, como sói acontecer aos reacionários, vencem de quatro. Não sejam cínicos.

10. Por fim, concluo dizendo que não aceitarei argumentos dos "puros". Daquele tipo de esquerda que encanta estudantes, mas se omitiu quando a Constituição de 1988 estava, com anuência do STF e narrativa da mídia corporativa, sendo rasgada.

Não sejam cínicos.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia da Facha(RJ), colunista do Portal Vermelho e colabora com o Correio do Brasil.




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Marcos Bagno

A certeza de estar do lado certo da História é a fonte da nossa energia, da nossa luta e da nossa esperança. Força, Dilma! #ForaTemer #VivaaDemocracia

Marcos Bagno

Temos que dar todo o nosso apoio incondicional à presidenta Dilma.Porque esse apoio significa uma única coisa: NÃO COMPACTUAMOS COM A BANDIDAGEM NEM COM A INJUSTIÇA. 

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Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz