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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

9.5.13

Adital - Constitucionalismo ecológico na América Latina

09.05.13 - Mundo

Constitucionalismo ecológico na América Latina

Leonardo Boff
Teólogo, filósofo e escritor
Adital


As modernas constituições se fundam sobre o contrato social de cunho antropocêntrico. Não incluem o contrato natural que é o acordo e a reciprocidade que devem existir entre os seres humanos e a Terra viva que tudo nos dá e que nós em retribuição a cuidamos e preservamos. Em razão disso seria natural reconhecer que ela e os seres que a compõem seriam portadores de direitos. Os clássicos contratualistas como Kant e Hobbes restringiam, no entanto, a ética e o direito apenas às relações entre os humanos. Somente se admitia obrigações humanas para com os demais seres, especialmente os animais, no sentido de não destruí-los ou submetê-los a sofrimentos e crueldades desnecessárias.

A desconsideração de que cada ser possui valor intrínseco, independente de seu uso humano, uso racional, e que é portador de direito de existir dentro do mesmo habitat comum, o planeta Terra, abriu o caminho a que a natureza fosse tratada como mero objeto a ser explorado sem qualquer consideração, em alguns casos até a sua exaustão.

Coube, entretanto, à América Latina, como o mostrou um notável criminalista e juiz da corte suprema da Argentina, Eugenio Raúl Zaffaroni (La Pachamama y el Humano, Ediciones Colihue 2012) desenvolver um pensamento constitucionalista de natureza ecológica no qual a Terra e todos os seres da natureza, particularmente os vivos e os animais são titulares de direitos. Estes devem ser incluídos nas constituições modernas que deixaram para trás o arraigado antropocentrismo e o paradigma do dominus, do ser humano como senhor e dominador da natureza e da Terra.

Os novos constitucionalistas latino-americanos ligam duas correntes: a mais ancestral, dos povos originários para os quais a Terra (Pacha) é mãe (Mama) -daí o nome de Pachamama- sendo titular de direitos porque é viva, nos dá tudo o que precisamos e, finalmente, pela razão de sermos parte dela e de pertencermos a ela. Bem como as os animais, as florestas, as águas, as montanhas e as paisagens. Todos merecem existir e conviver conosco, constituindo a grande democracia comunitária e cósmica.

Aliam esta ancestral tradição, eficaz, da cultura andina que vai da Patagônia à América Central à nova compreensão derivada da cosmologia contemporânea, da biologia genética e molecular, da teoria dos sistemas que entende a Terra como um superorganismo vivo que se autorregula (autopoiesis de Maturana-Varela e Capra) de forma a sempre manter a vida e a capacidade de reproduzi-la e fazê-la coevoluir. Esta Terra, denominada de Gaia, engloba todos os seres, gera e sustenta a teia da vida em sua incomensurável biodiversidade. Ela, como Mãe generosa, deve ser respeitada, reconhecida em suas virtualidades e em seus limites e por isso acolhida como sujeito de direitos –a dignitas Terrae- base para possibilitar e sustentar todos os demais direitos pessoais e sociais.

Dois países latino-americanos, o Equador e a Bolívia, fundaram um verdadeiro constitucionalismo ecológico; por isso estão à frente de qualquer outro país dito "desenvolvido”.

A Constituição de Montecristi da República do Equador de 2008 diz explicitamente em seu preâmbulo: "Celebramos a natureza, a Pacha Mama, da qual somos parte e que é vital para nossa existência”. Em seguida enfatiza que a República se propõe construir "uma nova forma de convivência cidadã, em diversidade e em harmonia com a natureza, para alcançar o bien vivir, o sumac kawsay(o viver pleno)”. No artigo 71º do capítulo VII dispõe: "a natureza ou a Pachamama, donde se reproduz e se realiza a vida, tem direito a que se respeite integralmente sua existência, a manutenção e regeneração de seus ciclos vitais, estrutura, funções e processos evolutivos; toda pessoa, comunidade, povo ou nacionalidade poderá exigir da autoridade pública o cumprimento dos direitos da natureza… o Estado incentivará as pessoas naturais e jurídicas, e aos coletivos, para que protejam a natureza e promoverá o respeito a todos os elementos que formam um ecossistema”.

Comovedoras são as palavras do preâmbulo da Constituição Política do Estado boliviano, aprovada em 2009: "Cumprindo o mandato de nossos povos, com a fortaleza de nossa Pachamama e graças a Deus, refundamos a Bolívia”. O artigo 33º prescreve: "as pessoas têm o direito a um meio ambiente saudável, protegido e equilibrado. O exercício deste direito deve permitir aos indivíduos e às coletividades das presentes e futuras gerações, incluídos outros seres vivos a desenvolver-se de maneira normal e permanente”. O artigo 34º dispõe: "qualquer pessoa, a título individual ou em representação de uma coletividade, está facultada a exercer ações legais em defesa do meio ambiente”.

Aqui temos um verdadeiro constitucionalismo ecológico que ganhou corpo e letra nas respectivas Constituições. Tais visões são antecipatórias daquilo que deverá ser para todas as constituições futuras da humanidade. Somente com tal mente e disposição, garantiremos um destino feliz neste planeta.


http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=75168

Opera Mundi - Doença renal misteriosa na América Central pode estar ligada a agrotóxicos

Doença renal misteriosa na América Central pode estar ligada a agrotóxicos

Pesquisas em El Salvador e no Sri Lanka trazem resultados semelhantes em relação aos mesmos produtos


Uma doença renal misteriosa que atinge camponeses em El Salvador e outros países da América Central mobiliza os ministérios de saúde da região. No dia 27 de abril, foi assinada em El Salvador uma declaração conjunta qualificando o combate da doença como de alta prioridade para a saúde pública e definindo uma série de ações nesse sentido.

Leia a reportagem em português na Agência Pública

Nos últimos dois anos, o Center for Public Integrity tem denunciado um tipo raro de DRC (doença renal crônica) que está matando milhares de camponeses da costa do Pacífico da América Central, do Sri Lanka e da Índia. Cientistas ainda não desvendaram completamente a causa desse mal, ainda que provas recentes apontem metais pesados tóxicos contidos em pesticidas como potenciais culpados.

Depois de anos sem iniciativas oficiais dos Estados Unidos e de outros lugares, a declaração feita em San Salvador reconheceu formalmente – pela primeira vez – a existência da doença e os grupos que afeta: “comunidades agrícolas socialmente vulneráveis ao longo da costa do Pacífico na América Central”, assinala a declaração aprovada pelo Conselho de Ministros da Saúde da América Central. E acrescenta: “É predominante entre homens jovens e tem sido associada a ambientes tóxicos e fatores ocupacionais de risco, desidratação e hábitos nocivos para a saúde renal”.

Entre ações anunciadas estão a realização de estatísticas mais detalhadas da DRC, o desenvolvimento de planos regionais e nacionais para investigar e tratar a doença e a promoção de medidas regulatórias mais fortes para o uso de agrotóxicos.

Um mal que afeta os pobres

A declaração representou uma grande vitória para El Salvador e sua ministra da saúde, a Dra. Maria Isabel Rodriguez. Essa senhora de noventa anos, um metro e meio de altura e os olhos cobertos por enormes óculos, tem sido a força motriz que catapultou a doença da obscuridade para um reconhecimento formal como principal ameaça à saúde pública na região.

“Essa é uma doença de pessoas pobres”, diz Rodriguez. “Uma doença de pessoas que trabalham nos campos e tem condições de vida muito ruins”.

Center for Public Integrity

Luiz Azevedo, 37 anos, horas antes de morrer na Nicarágua de crônica renal, acompanhado até o fim pela mulher e filho

O resultado marcou uma reviravolta nos Centros dos Estados Unidos para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), que em 2011 ajudaram a derrotar um esforço de El Salvador para declarar prioridade ao tratamento da doença. O CDC diz agora que dedicou “centenas de milhares” de dólares para apoiar a investigação sobre a doença, criou uma força-tarefa multidisciplinar interna na América Central, e se comprometeu a ajudar no financiamento de uma pesquisa nacional em El Salvador para medir a relevância de doenças crônicas, incluindo a DRC.

“Nós temos o compromisso de dar apoio para acompanhar e fortalecer as investigações dos ministérios de saúde,” diz Dr. Nelson Arboleda, o diretor do CDC para a Região da América Central.

A conferência de San Salvador também marcou um limiar na cooperação internacional para o combate a essa doença misteriosa. Após anos de luta de pesquisadores na América Central tentando estabelecer uma ligação entre enfermidade semelhante na Ásia, o Sri Lanka enviou uma delegação oficial para El Salvador e pediu que a América Central considerasse os resultados das pesquisas e as políticas de combate à doença no país asiático como modelos para ações futuras na América Central.

“Nós temos provas clínicas, bioquímicas e histopatológicas o suficiente para dizer que se trata da mesma doença,” afirma Channa Jayasumana, representante do Sri Lanka na conferência que aconteceu em El Salvador.

No Sri Lanka, de acordo com um relatório oficial, mais de 8 mil pacientes estão recebendo tratamento por DRC de causa desconhecida, um número que representa apenas uma fração da quantidade de pessoas afetadas pela doença, que fica em estado latente até seus estágios avançados. Mais de 16 mil homens morreram de falência renal na América Central de 2005 a 2009. As mortes anuais mais que triplicaram desde 1990, de acordo com análise dos dados coletados pela Organização Mundial de Saúde. Em El Salvador, a DRC se tornou a principal causa de mortes hospitalares entre os homens adultos.

Resultados semelhantes em dois continentes

Um debate acirrado dominou a conferência de dois dias que culminou na assinatura da declaração. A questão central era se havia provas suficientes para declarar que a doença está ligada a agrotóxicos e da necessidade de restringir o seu uso para combatê-la. El Salvador apresentou os resultados oficiais de um estudo em curso, realizado em conjunto com a Organização Pan-americana de Saúde, sugerindo que os pesticidas e fertilizantes que contêm metais pesados podem ser a principal causa da doença.

Center for Public Integrity

Agricultor Laxmi Narayna, 46, passa por tratamento de diálise na Índia. Médicos não tem expectativas acime de um ano de vida

Testes de meio ambiente, com amostras do solo e da água de um vilarejo fortemente afetado pela DRC, Ciudad Romero, registraram a presença de altos níveis de cádmio e arsênico, metais pesados tóxicos aos rins. No estudo, dos 42 moradores de Ciudad Romero que sofrem de DRC, todos relataram aplicar pesticidas sem nenhum equipamento de proteção.

Da amostra nacional de 46 pacientes com DRC, 96% relatou o uso de pesticidas, e exames médicos desses pacientes revelaram sintomas adicionais, tais como deficiência de reflexos e danos às artérias dos membros inferiores, o que sugere envenenamento tóxico.

As descobertas da pesquisa em El Salvador coincidem com as do Sri Lanka. Um estudo oficial realizado pelo Ministério de Saúde do Sri Lanka, este em parceria com a Organização Mundial de Saúde, registrou níveis elevados de cádmio e arsênico contidos em agrotóxicos e nas amostras de meio ambiente coletadas na região endêmica. O estudo encontrou os mesmos metais pesados nas amostras de urina, cabelo e unhas dos pacientes. O Sri Lanka também encontrou resíduos de diversos pesticidas na urina de muitos dos pacientes afetados.

Desde a publicação desse relatório, o governo do Sri Lanka impôs uma proibição de quatro pesticidas de uso comum na região endêmica. Rodriguez, ministra da saúde de El Salvador, também espera banir os mesmos pesticidas que as pesquisas ligam à epidemia.

Outros pesquisadores, porém, questionaram o peso das provas apresentados nesses trabalhos. Em El Salvador, os níveis de arsênico e cádmio acima dos permitidos foram encontrados em proporção diferente em locais diversos de Ciudad Romero – o que, segundo os críticos, enfraquece as provas de contaminação generalizada.

O país ainda precisa concluir os testes toxicológicos que irão determinar se os metais pesados encontrados no sangue, urina ou amostras de tecidos de pacientes com DRC vieram realmente dos pesticidas tanto no Sri Lanka como em El Salvador. Apesar do paralelo contundente, os relatórios dos dois países, em mais de uma década de pesquisas, nenhum estudo cuidadosamente revisado estabeleceu uma ligação definitiva com agrotóxicos.

“Ainda não existe uma conexão causal direta,” diz o Dr. Ramon Trabanino, um nefrologista salvadorenho que publicou dois dos primeiros estudos que demonstram a presença da doença. “Eu acho que isso tudo é política. Eles querem algo para julgar a culpa”.
 


A polêmica surgiu na parte final da conferência científica. O debate foi concluído por Rodriguez, que apresentou uma defesa enérgica das descobertas salvadorenhas.

"O que foi apresentado aqui é um fato científico, e vou defendê-lo com minhas unhas", disse ela, levantando as unhas pintadas de vermelho e levando o salão às risadas.

Agrotóxicos comuns

Dois produtos químicos, em particular, entraram na mira dos pesquisadores tanto em El Salvador quanto no Sri Lanka, o 2,4-D e o glifosato. 2,4-D é um herbicida comum usado para controlar ervas e o glifosato é o ingrediente ativo do herbicida mais popular do mundo, o Roundup. Ambos são usados no mundo inteiro, inclusive em inúmeras áreas não afetadas por essa forma estranha de doença renal crônica.

Os testes com pacientes em El Salvador, na Ciudad Romero — a comunidade contaminada por metais pesados — revelou que 100% e 75% dos pacientes, respectivamente, relataram usar 2,4D e glifosato. No Sri Lanka, resíduos de ambos os produtos foram encontrados em amostras de urina de alguns pacientes doentes.

O glifosato foi desenvolvido pela Monsanto, mas a patente expirou e agora várias empresas vendem os produtos com esse componente. A Monsanto afirma que atualmente vende produtos com glifosato no Sri Lanka, mas não confirma se eles também são vendidos na América Central.

Dr. Daniel Goldstein, um membro sênior do setor científico na Monsanto, diz que o “glifosato não causa falência renal”. Ele diz que estava ciente das descobertas do Ministério da Saúde no Sri Lanka e que o glifosato contém fósforo, um elemento cuja similaridade molecular com o arsênico pode resultar em pequenas quantidades de subproduto de arsênico, que não ameaçam a saúde humana. Mas a “plausibilidade da relação é praticamente nula” entre o glifosato e a epidemia de doença renal no Sri Lanka, segundo Goldstein.

A Dow Chemical, que desenvolveu o 2,4-D, não respondeu às perguntas feitas pelo Center for Public Integrity. Como o glifosato, a patente da produção expirou e outras empresas também fabricam pesticidas que contém o 2,4-D.

De acordo com a Agência de Proteção do Meio Ambiente, quantidades excessivas de glifosato e de 2,4D na água potável podem causar danos aos rins. Mas ainda não foram feitas muitas pesquisas sobre outros tipos de exposições e efeitos em longo prazo em seres humanos.

“Estou chocada com o quão pouca [pesquisa] existe sobre os efeitos em seres humanos,” diz a Dra. Stephanie Seneff, uma pesquisadora cientista sênior do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Seneff publicou um estudo que levanta preocupações sobre a variedade de possíveis efeitos à saúde para aqueles que se expõe por muito tempo ao glifosato.

Cientistas das equipes de pesquisa de El Salvador e do Sri Lanka também suspeitam que os aditivos tóxicos dos pesticidas, ou combinações perigosas de produtos químicos, podem trazer riscos adicionais à saúde além daqueles apresentados pelos produtos.

Em uma entrevista em San Salvador, Rodriguez reagiu com surpresa à colocação da Monsanto de que o glifosato não ameaça os rins. “Ah, Monsanto!” disse ela, com um olhar de consternação. “São eles que irão enfrentar a gente”.

Colaborou Anna Barry-Jester. Essa reportagem foi apoiada pelo Stabile Center for Investigative Journalism, da Universidade de Columbia. Leia aqui a original, em inglês.
 


http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/28795/doenca+renal+misteriosa+na+america+central+pode+estar+ligada+a+agrotoxicos.shtml

nesta quinta-feira, 9 de maio

Diretor do Memorial da Democracia e Direitos Humanos no Mercosul é o convidado do Frente a Frente desta quinta-feira

O historiador, diretor do Memorial da Democracia e dos Direitos Humanos do Mercosul e também do Memorial do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, Márcio Tavares dos Santos, é o convidado do Frente a Frente inédito desta quinta-feira, 9 de maio, às 22h. No programa, Tavares aborda a criação de um espaço cultural que, por meio das expressões da história e das artes, possibilite uma nova reflexão sobre as demandas por direitos humanos no Mercosul. O historiador fala também sobre a cultura da memória, a necessidade de reflexão e diálogo sobre o tema, os casos de documentos ainda não descobertos das ditaduras, entre outros assuntos.

Participam do Frente a Frente os jornalistas Elmar Bones, editor do Jornal Já, Rafael Guimaraens, Diretor da editora Libretos, e Samir Oliveira, repórter do portal Sul21.

O programa, apresentado por Leandro Olegário, também é transmitido pela rádio FM Cultura, pela frequência 107,7 ou pela internet acessando o site www.fmcultura.com.br.

O Frente a Frente tem produção executiva de João Brites e Lucas Guarnieri e pode ser assistido em horário alternativo no domingo, 12 de maio, às 21h, apenas pela TVE.

FRENTE A FRENTE
9 de maio, 22h
TVE RS
www.tve.com.br
http://www.ourwebtv.com/watch.asp?channel=TVE%20RS%20ao%20Vivo
tv aberta, em Caxias: canal 47
FM Cultura 107,7 - www.fmcultura.com.br



http://www.tve.com.br/?model=conteudo&menu=83&id=1487



Cebes - Por que os médicos cubanos assustam

Por que os médicos cubanos assustam

Publicado em: 09/05/2013 18:38:00

Elite corporativista teme mudança de foco que abale o nosso sistema mercantil de saúde

A virulenta reação do Conselho Federal de Medicina contra a vinda de 6 mil médicos cubanos para trabalhar em áreas absolutamente carentes do país é muito mais do que uma atitude corporativista: expõe o pavor que uma certa elite da classe médica tem diante dos êxitos inevitáveis do modelo adotado na ilha, que prioriza a prevenção e a educação para a saúde, reduzindo não apenas os índices de enfermidades, mas sobretudo a necessidade de atendimento e os custos com a saúde.

Essa não é a primeira investida radical do CFM e da Associação Médica Brasileira contra a prática vitoriosa dos médicos cubanos entre nós.

Em 2005, quando o governador de Tocantins não conseguia médicos para a maioria dos seus pequenos e afastados municípios, recorreu a um convênio com Cuba e viu o quadro de saúde mudar rapidamente com a presença de apenas uma centena de profissionais daquele país.

A reação das entidades médicas de Tocantins, comprometidas com a baixa qualidade da medicina pública que favorece o atendimento privado, foi quase de desespero.

Elas só descansaram quando obtiveram uma liminar de um juiz de primeira instância determinando em 2007 a imediata “expulsão” dos médicos cubanos.


No Brasil, o apego às grandes cidades

Dos 371.788 médicos brasileiros, 260.251 estão nas regiões Sul e Sudeste
 
Neste momento, o governo da presidenta Dilma Rousseff só está cogitando de trazer os médicos cubanos, responsáveis pelos melhores índices de saúde do Continente, diante da impossibilidade de assegurar a presença de profissionais brasileiros em mais de um milhar de municípios, mesmo com a oferta de vencimentos bem superiores aos pagos nos grandes centros urbanos.

Fonte: Blog do Briguilino


http://www.cebes.org.br/internaEditoria.asp?idConteudo=4398&idSubCategoria=30

1,69 milhão de famílias abrem mão do Bolsa Família  | Revista Fórum

09/05/2013 9:42 am
1,69 milhão de famílias abrem mão do Bolsa Família

Famílias beneficiadas declararam voluntariamente que ultrapassaram a renda limite de R$ 140 por pessoa

Da Redação

12% das famílias beneficiadas pelo Bolsa Família deixaram voluntariamente o programa (Foto: Bruno Spada / MDS)

Dados fornecidos pelo ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome mostram que 1,69 milhão de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família deixaram espontaneamente o programa, declarando que sua renda já ultrapassava o limite de R$ 140 por pessoa. Estas famílias representam 12% de um total de 13,8 milhões de famílias atendidas. Os dados abrangem todo o período de existência do Bolsa Família, entre outubro de 2003 e fevereiro de 2013.

Os dados do ministério vão de encontro com a alegação dos críticos do Bolsa Família que o programa de transferência de renda estimula os beneficiados a não procurar emprego e melhores condições de vida.

De acordo com o secretário de Renda e Cidadania, Luís Henrique Paiva, estas famílias declararam ultrapassar a renda limite na atualização cadastral, realizada pelas prefeituras a cada dois anos. Por sua vez, a fiscalização excluiu 483 mil beneficiários flagrados com renda superior a permitida pelo programa.

Mãe de cinco filhos, a diarista Selma Patrícia da Silva, de 42 anos, é uma das beneficiadas que deixaram espontaneamente o Bolsa Família após melhorar sua condição de vida. Na época em que fazia bicos como doméstica, e o marido com pedreiro, Selma era beneficiária do Auxílio Gás, Bolsa Escola e Bolsa Família. Depois de construir a sua casa, a diarista decidiu devolver o cartão que garantia o benefício.

“Pensei assim: da mesma forma que serviu para os meus filhos, vai ajudar outras pessoas. Acho muita covardia a pessoa não necessitar e ficar recebendo. Entreguei o cartão na mão da primeira-dama (do município), que começou a chorar”, disse Selma em entrevista ao jornal O Globo.

Hoje, Selma, de Formosa (GO), trabalha como faxineira, fez cursos de artesanato e manicure nos últimos anos e costura bonecas e adereços de pano, vendidos em feiras na vizinhança.

Com informações do jornal O Globo.

http://revistaforum.com.br/blog/2013/05/169-milhao-de-familias-abrem-mao-do-bolsa-familia/

8.5.13

Caros Amigos - Brasileiro é eleito diretor-geral da OMC

Política

Brasileiro é eleito diretor-geral da OMC

Por Nicolau Soares

Da Rede Brasil Atual

A eleição do diplomata Roberto Azevêdo como diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) é uma vitória da política internacional adotada pelo Brasil a partir de 2003. O novo diretor da OMC foi escolhido mediante consulta aos 159 países membros da organização. Nove candidatos se apresentaram para a sucessão do francês Pascal Lamy, restando na etapa final apenas Azevêdo e o mexicano Hermínio Blanco.

A presidenta Dilma Rousseff emitiu nota em que agradece o apoio recebido pelo candidato do país de governos de todo o mundo nas três rodadas de votação. “Ainda sofrendo os efeitos da crise mundial iniciada em 2008, caberá à OMC nos próximos anos dar um novo, equilibrado e vigoroso impulso ao comércio mundial, fundamental para que a economia global entre em novo período de crescimento e justiça social”, diz o comunicado. “Ao apresentar o nome do Embaixador Azevêdo para esta alta função, o Brasil tinha claro que, por sua experiência e compromisso, ele poderia conduzir a Organização na direção de um ordenamento econômico mundial mais dinâmico e justo. (…) Essa não é uma vitória do Brasil, nem de um grupo de países, mas da Organização Mundial do Comércio.”

“Toda a estratégia implementada desde 2003 pelos governos de Lula e Dilma visava colar a imagem do Brasil numa política mais ampla de reforma das instituições multilaterais, com foco no desenvolvimento dos países”, lembra o professor Giorgio Romano Schutte, coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC). Ele destaca que posições fortes defendidas pela diplomacia brasileira no período deram lastro à candidatura, como a proposta de incluir na pauta da OMC a intensa desvalorização cambial que vem sendo praticada por vários países do mundo como forma de enfrentar a crise internacional. “Não foi um país com uma candidatura em cima do muro. Teve posições fortes e, ao contrario do que se falava aqui, ganhou respeito e confiança, principalmente dos países em desenvolvimento”, diz.

Um dos primeiros passos nessa direção ocorreu já em 2003, durante reunião da OMC em Cancún para dar continuidade à Rodada de Doha, processo de negociação que visa a derrubar barreiras e promover o comércio internacional. “Normalmente, o acordo era feito entre Estados Unidos, Europa e Japão, eles vinham com o pacote pronto. Nessa ocasião, o Brasil e outros países articularam o grupo, que ficou conhecido como G20 Comercial, e reunia países que não necessariamente tinham as mesmas visões, mas queriam quebrar a hegemonia desse grupo pequeno de países-membros”, lembra Romano. O Brasil manteve postura firme nas negociações cobrando o fim das barreiras e subsídios agrícolas praticados pelos países desenvolvidos. “Isso emperrou a negociação. Articulou conjuntamente com a Índia e chegou perto de acordo, mas impasse continua”, afirma.

No sentido da redistribuição de forças, a eleição de Azevêdo também é simbólica porque atraiu todos os votos dos Brics, bloco formado pelas economias emergentes Rússia, Índia, China e África do Sul, além do Brasil. O diplomata será o primeiro americano a comandar a OMC.

A especialista em comércio exterior Marília Castañon Pena Valle, ex-coordenadora-geral do Departamento de Defesa Comercial, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, afirmou à Agência Brasil que a vitória deve ser observada como resultado de uma atuação “séria e correta”. “É muito importante o significado para o Brasil do embaixador Azevêdo [na direção-geral da OMC]. É o primeiro latino-americano, brasileiro, e que tem uma longa trajetória nas negociações comerciais internacionais”, destacou. “Ele terá pela frente um grande desafio: destravar as negociações que estão paralisadas, principalmente devido às crises econômicas.”

Neymar

A indicação de Roberto Azevêdo como candidato também foi um fator relevante. Diplomata de carreira especializado em assuntos econômicos, desde 2008 ele é o representante do Brasil na OMC e um dos principais negociadores do conjunto dos países em desenvolvimento. Antes, ocupou diversos cargos relacionados a assuntos econômicos no Ministério das Relações Exteriores, tendo atuado em contenciosos como os casos de subsídios ao algodão (iniciado pelo Brasil contra os Estados Unidos), subsídios à exportação de açúcar (iniciado pelo Brasil contra as Comunidades Europeias) bloqueios à importação de pneus reformados (litígio iniciado pelas Comunidades Europeias), além de chefiar a delegação brasileira na Rodada de Doha.

“Ele está há muitos anos liderando a representação brasileira em Genebra. Não é alguém que inventaram para ficar encostado, mas o negociador que o Brasil entende ser o melhor nessa área. Escalaram o Neymar em campo”, brinca Romano. Em coletiva, o chanceler Antonio Patriota também recorreu a uma metáfora futebolística para elogiar o eleito. “Um dos aspectos que influenciou o apoio ao embaixador Roberto de Azevêdo foi o sentimento que ele não precisava ser treinado para o cargo: estava treinando para o jogo e para chutar ao gol”, disse. “É um resultado muito importante que reflete uma ordem internacional em transformação, que é de países emergentes que demonstram uma liderança.”

Em funcionamento desde 1995, quando substituiu o Gatt (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, na sigla em inglês), a OMC é responsável por mediar as transações comerciais em todo o mundo. É um dos principais organismos internacionais, ao lado do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e da própria Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo Romano, a OMC se destaca por ter poder de intervenção de fato. “É uma instituição com dentes. Suas decisões são vinculantes, criam jurisprudência que se soma aos acordos internacionais existentes. Ela tem poder de permitir retaliação, como fez na recente vitória do Brasil sobre os EUA no caso do algodão”, explica o professor.

Empresários

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) declarou em nota receber com “entusiasmo” a vitória do brasileiro e afirma ter contribuído decisivamente para a escolha, “ao defender junto a diversas delegações internacionais a candidatura de Azevêdo como hábil negociador”. “Além de fortalecer ainda mais o sistema multilateral de comércio, a eleição de Roberto Azevêdo é prova da importância crescente que o Brasil vem assumindo no cenário internacional”, afirma o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. “É motivo de orgulho para o país ter um brasileiro no comando de uma organização tão importante como a OMC.”

Também em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que se trata de um reconhecimento da qualidade da diplomacia brasileira. A CNI informou ter expectativa de que Azevêdo "resgate a relevância do principal órgão de administração do comércio internacional". "O fortalecimento da OMC é importante para a construção de regras claras que deem estabilidade jurídica para os fluxos comerciais, atendam aos compromissos assumidos entre os países e combatam as práticas desleais como subsídios à exportação e dumping", diz o comunicado.


http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/politica/3228-brasileiro-e-eleito-diretor-geral-da-omc


7.5.13

"É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder.
Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver."
MARTIN LUTHER KING

2.5.13

cadê meu contracheque?

A Prefeitura de Caxias do Sul tem tanto CC, mas tanto CC, que tem gente que nem sabe onde está lotado (qual seu local de trabalho).

Passados mais de 4 meses desde o início do governo, ainda há Cargos de Confiança que não sabem onde estão oficialmente trabalhando na Prefeitura. Por exemplo, no Gabinete do prefeito, segundo fonte extraoficiais, há cerca de 60 CC's. Lá não cabem nem 20 trabalhando ao mesmo tempo, por isso a piada é que eles fazem rodízio, trabalham a cada dois dias para que todo mundo tenha cadeira pra sentar.

No início do mês, é sempre a mesma coisa: CC rodando a Prefeitura atrás de seu contracheque, pois não sabem nem para que Secretaria eles foram enviados.

Se não sabem onde estão lotados, quem dirá onde trabalham na vida real...

Fonte: http://polentanews.blogspot.com.br/2013/05/polentinhas-cade-meu-contracheque.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz