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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

27.11.09

em Caxias do Sul:

A Prefeitura de Caxias do Sul quer prorrogar a CONCESSÁO PÚBLICA do transporte coletivo para a Visate, sem debate com a população.
 
Muitas cidades no Brasil tem concessão do serviço de transporte a mais de uma empresa, porque em Caxias a Prefeitura quer impor o monopólio privado (lucro para os donos de uma empresa!) ?! O transporte público pode ser concedido a mais de uma empresa fazendo divisão por linhas, o que poderia qualificar o transporte, uma vez que as empresas disputariam as exigencias de qualidade de onibus, pagamento de empregados/as, e nos gastos que são apresentados para justificar os reajustes das tarifas. 
 
Porque a Prefeitura e a Visate não querem debater amplamente com a população?

 

Porque não querem realizar uma licitação pública, garantindo transparência ao processo???

 

Que interesses estão em jogo???

 

Sem discussão ampla e sem licitação não haverá transparência!

26.11.09

Villa acompanha e analisa eleições no Uruguai

Às vésperas de representar novamente o PT, como observador do segundo turno eleitoral para a escolha do presidente uruguaio neste domingo (29), o deputado Adão Villaverde analisa as possibilidades de vitória do candidato José Pepe Mujica, da Frente Ampla, no texto anexo, intitulado "Vitória das mudanças sobre o conservadorismo e a prepotência-Acerca das eleições uruguayas-". 
 
Nele, Villa destaca porque o eleitor uruguaio deverá reforçar, nas urnas, a continuidade das políticas públicas de desenvolvimento econômico com inclusão social da gestão de Tabaré Vázquez, rejeitando o retrocesso da candidatura oposicionista.

Vitória das mudanças sobre o conservadorismo e a prepotência

(Acerca das eleições uruguayas)

 

*Adão Villaverde

 

No último 25 de outubro, em um belo domingo ensolarado, como que expressando os novos ventos que têm soprado na América Latina, se realizou o primeiro turno da eleição nacional uruguaya. Dando fortes sinais de que neste domingo 29 de novembro, quando se realiza o segundo turno das eleições no vizinho e amigo país, estará em curso mais uma importante e memorável caminhada de transformações cívicas, construída de forma simples, ampla e obstinada por seu povo e sua gente.


Referir este país é sempre falar um pouco de sua gente e de nós mesmos. Somos filhos de uma geração, que sempre que necessitou encontrou guarida nos hermanos. Talvez pela proximidade geográfica e quem sabe pela identidade cultural do gaúcho, do churrasco, do chimarrão, de Benedetti e Galeano dentre outros. Mas tenho certeza, sobretudo, pela acolhida afável e sempre afetuosa de seu povo, principalmente nos momentos mais difíceis da construção da resistência democrática no Brasil, de forma sempre generosa albergava nossos exilados políticos, apoiando-lhes na reconstrução de uma nova fase em suas vidas.


É com este carinho enorme, e com um profundo apreço de reconhecimento, que nossos laços permanentes de relação e compromissos nos fazem refletir sobre a nossa querida banda oriental. Pois ninguém quitará os lampejos de memória de nossa tenra idade, aquela epopéia cívica de Liber Seregni, representando a Frente Ampla(FA) em 1971, pelas ruas de Montevidéo. Assim como não esqueceremos que os vitoriosos à época, o futuro ditador Juan Maria Bordaberry, colorado, afinado com o general ditador brasileiro Emílio Médici, forçou ao exílio em Londres seu próprio aliado, o blanco Wilson Aldunate. Mas as coisas não ficaram aí, os tempos seriam piores. O congresso foi fechado, a Constituição suspensa, o "V" da vitória da democracia foi substituído por tanques e fuzis e o medo e a repressão viraram rotina. Veio a perseguição e o êxodo; com eles o abandono e a decadência e aquela bela e atrativa cidade vieja da capital teve suas ruas, cafés e livrarias despovoados pelo clima de repressão.

Passava-se a viver um tempo perdido e sem futuro. Os opositores que não tombaram, não se exilaram e não silenciaram, só tinham um destino, os cárceres da ditadura: tais como o presídio com o nome cínico de Libertad, a prisão de Punta Rieles e a Chefatura Central, onde aliás, estiveram presos e foram covardemente torturados, nossos queridos amigos Flávia Schilling e Flávio Tavares.


Apesar de tudo, a resistência não esmoreceu, pois a sociedade resistia. Em 1980 a ditadura pressionada, tenta se institucionalizar e propor mudanças na constituição, a ser aprovada em plebiscito. Os uruguayos, mesmo sob censura e proibidos de fazerem campanha, derrotaram o regime arbitrário. Foram 57% dos votos contra a nova carta proposta pelo regime. Além da resistência interna, o apoio e o apelo externo pelo fim da ditadura foram enormes. Talvez muitos de nossa geração, devemos a esta experiência e convivência, o fato de termos assimilados e incorporados em nossa formação, os laços e os sentimentos de solidariedade permanente com a latinoamérica.


Mas os horizontes dos anos 80 vislumbrariam os primeiros e tênues passos de mudanças para nossos vizinhos. Em 1984, vieram as eleições diretas, com todas as limitações do processo de transição da ditadura para a democracia, em que não puderam concorrer os principais líderes proscritos: o frenteamplista (FA) Líber Seregni e o blanco Wilson Aldunate. O primeiro marco real da redemocratização só ocorreria em 1989, com a eleição realmente livre do regime arbitrário. E foi nela que Tabaré Vázquez (FA) se elegeu prefeito da capital que, aliás, os frenteamplismo governam até hoje.


E foi exatamente a experiência e o reconhecimento de ter governado a Intendência de Montevidéo, abrigando quase metade da população uruguaya, que levou há exatos cinco anos, Tabaré ao comando do país.
Em que pese alguns desgastes por ser situação, a gestão da FA obteve nas urnas, em 25 de outubro, dividendos concretos de retomada do crescimento e desenvolvimento da nação e de recuperação das funções públicas de Estado que o país irmão havia perdido, cuja desconstituição foi produzida pela coalizão conservadora e autoritária, produto da hegemonia secular da alternância blanco-colorado  no poder.

 

Num país que já foi conhecido como a Suíça do continente, recomeçar a reescrever sua história de forma incontestável, com os avanços que o país vem obtendo, é descortinar um segundo período de gestão de esquerda e progressista no Uruguay que deverá, de modo indelével, ser chancelado democraticamente nas urnas neste domingo.

 

Mas a base da boa e decisiva aceitação que os frenteamplistas tiveram nas urnas, resultado também da grande mobilização de sua militância que produziu o diferencial político em relação às forças tradicionais, reside fundamentalmente na ideia-força de que as mudanças deveriam continuar, pois o atual governo tem aceitação popular.

 

De um lado, porque um dos elementos chaves para compreender sua chegada ao poder central, se deve em parte a este giro à esquerda da América Latina no último período. E dá para se dizer, sem medo de errar, que os cinco anos de Tabaré guardam fortes similitudes com a experiência e a aceitação do governo Lula no Brasil. De outro,  que a chegada ao governo se deu num período de profunda crise das formulações e paradigmas dos preceitos neoliberais também em âmbito local. Mas o mais relevante, é o fato o governo da FA ter conseguido produzir reais políticas públicas e alternativas ao modelo anterior. Com muita sensibilidade social e, sobretudo, ancoradas numa espécie de reserva ético-moral, sempre muito bem preservada e salientada pela esquerda uruguaya.


Nos seus programas e ações a preocupação social é uma constante, que já começam explicitar o enfrentamento às desigualdades e ter como resultados os movimentos inclusivos, tanto social como no campo do desenvolvimento. A sociedade reconhece que o maior impacto até agora produzido, se deve à ampliação dos investimentos sociais, já incidindo num traço histórico e estrutural deste país que é a pobreza, reduzindo-a de modo evidente nos últimos anos. Resultado também decorrente da reativação da economia, da queda do desemprego e de uma política firme inversões e transferência de renda aos mais pobres, induzidas pelo Estado.


Outra variável importante, evidentemente aliada à sensibilidade social, foi a aplicação do que se poderia chamar de "heterodoxia" macroeconômica na gestão financeira, que possibilitou uma condição fiscal que o país não conhecia há muitos anos, servindo de base para obter reservas para investir. Isto associado à ideia do resgate da soberania e de uma relação externa, que fugiu de forma substancial da lógica de submissão e subordinação desenvolvida no seu passado recente, pelos governos conservadores, potencializou a aceitação do governo diante da sociedade.

 

Estes elementos foram decisivos para a vitória avassaladora, ainda que não tenha alcançado-a de forma definitiva no primeiro turno e seja necessário o segundo, no domingo (29/11). Mas é bom lembrar que não faltaram tentativas de caracterizar como uma derrota da esquerda, o fato da FA não ter resolvido a questão no turno inicial. Mas sobre a vitória, aliás, o próprio candidato vencedor a presidente, Pepe Mujica, indagou a seus correligionários e a sua gente simples, como ele mesmo chama seu povo: "¿se esto nos es triunfo, el triunfo dónde está?"

 

A conquista de 49,40% dos votos válidos num universo de 2,5 milhões de eleitores, deixou a Frente Ampla alguns centésimos abaixo do necessário para vencer o pleito já na primeira rodada. Mas as evidências são maiores ainda quando os números são interpretados com suas reais dimensões e alcances, para além da mera matemática.

 

A Frente Ampla alcançou maioria parlamentar absoluta nas duas Câmaras, de deputados e de senadores, confirmando uma expectativa de vitória espetacular na capital e na grande Montevidéo. Obteve também uma evidente supremacia no interior do país, que levou um articulista político local a sentenciar: "el interior se passo al Frente!".

 

O crescimento da esquerda foi de tal forma expressivo que conseguiu nos 18 departamentos do país uma diferença de mais de 20% dos votos diante do tradicional Partido Nacional, cujo candidato é o ex-presidente Luis Alberto Lacalle, que conquistou pouco mais 29% dos válidos. Isto significou um desempenho 11 vezes superior ao que havia obtido de diferença na última presidencial.

 

Já o outro partido tradicional, o Colorado, do candidato Pedro Bordaberry (filho do ex-ditador Juan Maria Bordaberry, que encontra-se em prisão domiciliar) logrou pouco mais de 17% dos votos válidos. De onde pode-se verificar outro extraordinário resultado da FA, ao superar a soma dos votos dos dois centenários e tradicionais partidos. Este é, por sua vez, um memorável feito, que coloca os frenteamplistas, diante das chances reais de tornarem a chapa Pepe Mujica- Danilo Astori, vitoriosa.

 

Portanto, o segundo turno que se aproxima projeta um verdadeiro plebiscito, onde seguramente estará em jogo o futuro do Uruguay, uma vez que, quando sequer estavam contabilizados todos os votos do primeiro turno, o candidato colorado já anunciava seu apoio ao blanco. Numa clara comprovação de que já estava em curso um grande acordo direitista-conservador, para barrar a tendência de continuidade do projeto de mudanças que se iniciou em 2005.

 

Cabe registrar, também, que realizaram-se junto com as eleições, duas consultas plebicitárias. Por maioria apertada, uma delas manteve a anistia aos que violaram os direitos humanos na época da ditadura, frustrando as expectativas e um forte sentimento humanista que faz parte da cultura do país. E a outra, de forma mais folgada, mas de maneira aparentemente incompreensível, rejeitou o voto por carta dos uruguayos moradores no exterior.

 

Depois de mais de um século e meio de predomínio e alternância política dos "fortes e quase imbatíveis" partidos tradicionais, que sempre se disseram formadores da gênese e da identidade da chamada banda oriental; o que se está assistindo nos últimos anos, como ficou demonstrado nesta contenda recente, é o crescimento e a consolidação de um grande movimento social e econômico, rural e urbano no país de mudanças e transformações.

 

Que teve como ponto de partida aquela inesquecível e grande jornada cívica que deu início nos anos 70, numa clara premonição à ditadura que se prenunciava, combatida pela via democrática com a criação à época da Frente Ampla. E agora se expressa numa proposta de fazer avançar as mudanças, não apenas com meros compromissos eleitorais, mas com algo que tem sido demonstrado de forma clara e objetiva pelo atual governo, que oferece ao seu povo um novo rumo e um sentido estratégico de novo tipo, recuperando as possibilidades de um projeto nacional.

 

Hoje o frenteamplismo não é mais somente aquele referencial inicial de um generoso e humanista movimento de resistência democrática ao regime arbitrário que governou o país. Já se alçou também à condição de uma alternativa de ideias e de políticas de gestão, superadoras do fracassado modelo neoliberal, na sua lógica meramente desconstituidora das funções públicas do Estado. Aliás, muito bem expressas nesta eleição pelo binômio tradicional, autoritário e "renovador", de corte completamente conservador do ponto de vista das propostas, representados por Lacalle (blanco) e Bordaberry (colorado).

 

Talvez o ponto nodal desta grandiosa vitória e dos novos tempos que se descortinam, é que o povo uruguayo, depois de um longo período, conseguiu compatibilizar a um só tempo, duas questões imprescindíveis para a reconstrução de um projeto-nação. De um lado, construir lideranças com um perfil preparado e qualificado, respeitado pela intelectualidade, pelos setores médios e mesmo pelos adversários, como é o caso do médico oncologista Tabaré Vázquez, atual presidente. De outro, não despregar-se daquela gente simples e humilde, que de forma importante e decisiva, conferiu à FA a representação político-institucional que ela tem hoje.

 

Sendo capaz de projetar como grande líder, um dirigente político de mãos calejadas e de corpo pisoteado e perfurado nos porões da ditadura, mas que conservou e manteve na fenomenologia de sua alma, a generosidade e confiabilidade dos seus, sem deixar de dedicar-se de forma pacienciosa durante anos e anos, às mais longínquas comarcas e redutos de seus conterrâneos. Esta foi doação a seu povo nos últimos anos, deste ex-guerrilheiro tupamaro e sempre simples e sensível chacarero, conhecido por todos como Pepe Mujica.

É com este linguajar das regiões urbanas mais pobres e excluídas, que combina tão bem com aquele ambiente rural que descreve e vive no seu cotidiano, que se legitima este atual e já lendário líder, de trabalho incansável e de compromissos inarredáveis com a melhora da vida dos seus e de todos os excluídos.

 

E foi neste contexto e em meio a tudo isto, que nos foi permitido nos últimos dias que antecederam ao primeiro turno, na periferia de Montevidéo, visitando bairros populares, ouvir do cidadão mais simples, de seus vizinhos e mesmo de seus filhos pobres com um laptop na mão, resultante das políticas de educação com inclusão social e digital do governo, dizerem em alto e bom som: "yo y mi gente votamos por el Frente ! ".

 

*Professor, engenheiro e dep. estadual PT/RS – outubro/09

4ª Conferência - Caxias do Sul

 

25.11.09

GOVERNO FEDERAL - dinheiro para obras em Caxias do Sul

 

Foi liberado o empenho da verba de R$ 299.796,50 para construção de uma passarela no Km 146 da BR-116, no bairro São Ciro, em Caxias do Sul. Significa que a verba, obtida por meio de emenda parlamentar assinada pela deputada federal Manuela d'Ávila (PCdoB) está disponível. A informação foi recebida ontem em Caxias do Sul pela assessoria do vereador Assis Melo (PCdoB), que solicitou a emenda à deputada.

Resta agora à administração municipal realizar os encaminhamentos necessários junto à Caixa, como a apresentação do projeto, para que o dinheiro seja liberado. A Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade já havia informado anteriormente que tem o projeto pronto, e só esperava pelo recebimento da verba. A contrapartida do município é de R$ 42.101,71, de acordo com a proposta encaminhada por Manuela ao Ministério das Cidades. O valor total para a obra, portanto, é de R$ 341.898,21. A sugestão é de que a passarela seja instalada na altura da Agrale, próximo à Escola Estadual Érico Veríssimo.

Portanto, a bola agora está com a administração municipal.

http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,2727815,1223,13592,impressa.html

Programação Direitos Humanos - 30/11 a 10/12/2009

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28 de novembro, 8h as 17h

 
4ª Conferência municipal das Cidades
Etapa Preparatória da 4ª Conferência nacional das Cidades

A 4ª Conferência da cidade de Caxias do Sul, tem como objetivos avaliar e discutir a participação social no desenvolvimento da cidade - visão integradora - com os diferentes setores sociais, visando projetar o Município de Caxias do Sul nos cenários da Gestão Democrática, da Integração Regional e do Desenvolvimento Urbano, bem como eleger delegados para a 4ª Conferência Estadual das Cidades.

28 de novembro de 2009 - sábado
as 8 horas
Plenário da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul


P r o g r a m a :
 
8h - Credenciamento

9h - Abertura - Presença do Sr. Prefeito Municipal e convidados.

9h15min - Painel - Política de Desenvolvimento Territorial de Caxias do Sul: Planejamento e Gestão Participativa - Avanços e Desafios
Palestrantes: Engª Margarete Tomazini Bender
Arqº Josão Alberto Marchioro

10h - Intervalo

10h15min - Tecnologia da informação como ferramenta para o desenvolvimento. Palestrante Dr. Rogério Santanna dos Santos - Secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

11h - Debates

12h30min - Intervalo para Almoço

14h - Oficinas - Temas:
1) Planejamento e Gestão Participativa
2) Controle Social

14h45min - Debates

15h30min - Intervalo

15h45min - Plenária - Elaboração do Documento Final da 4ª ª Conferência Municipal das Cidades - Apresentação de Propostas - Destaques/Conclusão.

17h - Eleição Delegados

17h - Encerramento

Caetano Veloso: Um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso

Autor: Antonio Barreto, natural de Santa Bárbara-Ba.
 
Eu já estava estressado
Temendo até por vingança.
Meus alunos na escola
Leitores da 'cordelança'
E a galera em geral
Sempre a me fazer cobrança.

Todo mundo me acusando
De cordelista medroso
Omisso, conservador
Educador preguiçoso
Por não me pronunciar
Sobre Caetano Veloso.

Logo eu, trabalhador,
Um pouco alfabetizado
Baiano de Santa Bárbara
Sertanejo antenado
Acima de tudo um forte...
E por que ficar calado?

Resolvi tomar coragem
E entrei logo em ação.
Fui dialogar com o povo
E colher a opinião
Se Caetano está correto
Ou merece punição.
 
Lápis e papel na mão
Comecei a anotar
Tudo em versos de cordel
Da cultura popular
A respeito de Caetano
Conforme vou relatar.

— Artista santo-amarense
Amante da burguesia
Esse baiano arrogante
Cheio de filobostia
Discrimina o presidente
Esbanjando ironia.
 
— Caro artista prepotente
Tenha mais discernimento.
Seja um Chico Buarque
Seja Milton Nascimento
Seja a luz do Raul Seixas
Deixe de ser rabugento.
 
— O Caetano deveria
Ser modesto e mais gentil
Porém o seu narcisismo
Que não é nada sutil
Faz dele um homem frustrado
Por ser bem menor que Gil.

— Seu comportamento vil
É algo de outra vida
Ele insiste em muitos erros
Não cura sua ferida
Por isso sua falação
É de alma involuída.

— Caetano é um arrogante
Partidário da exclusão
O que ele fez com Lula
Faz com qualquer cidadão
Sobretudo gente humilde
Que não tem diplomação.

— Por que este cidadão
( o Caetano escleroso )
Não criticou Figueiredo
Presidente desastroso ?
Além de aproveitador
O Caetano é medroso.

— Esse Cae que ora vejo
Não representa a Bahia.
Ser o chefe da Nação
Esse invejoso queria
Mas a sua paranóia
Pouco a pouco lhe atrofia.

— Já pensou se o Caetano
Fosse então educador ?!
"Mataria" os seus alunos
Pela falta de pudor
Pela discriminação
Pelo brio de ditador.

— Ele não leu Marcos Bagno
Pois é leitor displicente.
Seu preconceito lingüístico
Contra o nosso presidente
Discrimina Santo Amaro
Terra de Assis Valente.

— Ele ofende até os mortos:
Paulo Freire, Gonzagão
Patativa do Assaré
O Catulo da Paixão
Ivone Lara, Cartola
Pixinguinha, Jamelão...

— Caetano é um imbecil
Da ditadura um amante.
Um artista egocêntrico
Decadente ambulante
Se julga intelectual
Mas é mesmo arrogante.

— A Bahia está de luto
Diante da piração
Desse artista rabugento
Que adora a exclusão,
Vaca profana, ególatra
Que quer chamar a atenção.

— Vai de reto, Caetanaz
Pega o Menino do Rio
Garoto alfabetizado
Que te provoca arrepio.
Esse sim, não é grosseiro
Nem cafona pro teu cio.

— Um burguês reacionário
Que odeia a pobreza.
Ele não gosta de negro
E só vive na moleza.
Sempre foi um lambe-botas
Do Toninho Malvadeza.

— Vou atender meu cachorro
Pois é algo salutar
Muito mais que prazeroso
Que parar pra escutar
O Caetano elitista
Que começa a definhar.

— Certamente o Caetano
Esqueceu do Gardenal.
Bem na hora da entrevista
Lá se foi o bom astral
Desandou no Estadão
Dando um show de besteiral !

— Caetano 'Cardoso' segue
Sempre a favor do "vento"
Por entre fotos e nomes
Sem lenço nem argumento
Vivendo só do passado,
Cada vez mais ciumento.

— Eu respeito a sua arte
Mas preciso declarar
Que quando não tá na mídia
Cae começa a atacar
Sobre tudo as pessoas
De origem popular.

— O Caetano gosta mesmo
É de gente diplomada:
Serra, Aécio, Jereissati,
Toda tribo elitizada...
Bajulou FHC
Que fez muita trapalhada.

— O Caetano discrimina
Pois está enciumado.
Na verdade, o nosso Lula
É um homem educado.
Um nordestino sensível
Muito mais que antenado.

— Dona Canô, com 100 anos
Não perdeu a lucidez.
Mas seu filho Caetano
Ficou pirado de vez
Transformando-se num "cara"
De profunda insensatez.

— Ofendeu Marina Silva
— Através do Silogismo
Mistura de Lula e Obama
Logo quer dizer racismo:
Mulher cafona, grosseira
Analfabeta – que abismo!

Adoro Mabel Veloso,
Betânia, dona Canô...
Para toda essa família
Meu carinho, meu alô.
Mas o mestre Caetanaz
Já está borocoxô!

É proibido proibir
O cordelista versar
Pois conforme disse Cae
"Gente é para brilhar".
Então permita ao poeta
Liberdade de pensar.

Brasileiros, brasileiras
A Bahia está de luto.
Racistas em nossa terra
Radicalmente eu refuto.
Estamos envergonhados,
Todos fomos humilhados
Oh Caetano 'involuto'.

FIM
 
Salvador, triste primavera de 2009

Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz