Páginas

pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

10.2.08

Escola de Formação Fé, Política e Trabalho 2008 da Diocese de Caxias do Sul em parceria com a UNISINOS

PROGRAMAÇÃO 2008
.
Primeira etapa 15 e 16 de março de 2008
Tema: Visão histórica dos projetos de nação
Conteúdo: Era Vargas, JK, Ditadura/Golpe militar e Nova República
A relação da Igreja com estes projetos.
Assessoria: Profa. Dra. Eloísa Capovilla da Luz Ramos - Unisinos
.
Segunda etapa 12 e 13 de abril de 2008
Tema: Elementos para entender a estrutura e ofuncionamento da sociedade
Conteúdo: Teorias e ideologias: capitalismo, socialismo, comunismo
Assessoria: Prof. MS Laurício Neumann - Unisinos
.
Terceira Etapa 17 e 18 de maio de 2008
Tema: Metodologia e poder
Conteúdo: Pressupostos para um engajamento social
Assessoria: Prof. Dr. Pedrinho Guaresch - PUC/RS
Bíblia: Projeto de uma sociedade sem empobrecidos e excluídos
Assessoria: Dr. Pedro Kramer ESTEF
.
Quarta Etapa 21 e 22 de junho de 2008
Tema: Contexto cultural na pós-modernidade na sociedade capitalista
Conteúdo: Conceito de cultura, modernidade e pós-modernidade.
Identidade cultural. A crise civilizacional e os novos valores.
Assessoria: Prof. MS Lucas Henrique da Luz - Unisinos
Profa. Dra. Marilene Maia - Unisinos
.
Quinta Etapa 19 e 20 de julho de 2008
Tema: A crise contemporânea e as metamorfoses no mundo do trabalho
Conteúdo: A crise da sociedade do trabalho. A globalização econômica e suas repercussões: desemprego, precarização, terceirização, flexibilização, desregulamentação das leis. Os sindicatos na era da reestruturação. Impasses e desafios do novo sindicalismono Brasil. Legislação trabalhista (reforma trabalhista).
Assessoria: MS André Langer - CEPAT
.
Sexta Etapa 16 e 17 de agosto de 2008
Tema: O princípio da cooperação nas relações humanas,de produção e sociabilidade
Conteúdo: Economia solidária: alternativa à crise do emprego ou nova cultura do trabalho? Políticas públicas e suas prioridades, políticas sociais.
Assessoria: Profa. MS Vera Regina Schmitz - Unisinos
.
Sétima Etapa 20 e 21 de setembro de 2008
Tema: “Uma discussão sobre os Projetos Políticos para o Brasil”
Conteúdo: O nivelamento programático dos partidos políticos. O processo eleitoral, fundamental para a democracia, reduzido a uma disputa de poder entre pessoas ou grupos. A realidade político-partidária divorciada dos anseios da sociedade.
Assessoria: MS Cesar Sanson - CEPAT
.
Oitava Etapa 18 e 19 de outubro de 2008
Tema: A dignidade humana e a biotecnologia
Conteúdo: Atuação diante dos avanços e conquistas da ciência e a necessidade de respeitar os critérios éticos deprioridade à vida
Assessoria: Prof. Dr. José Roque Junges – Unisinos
Conteúdo: A busca de um projeto ético mundial, planetário.
Assessoria: Prof. Dr. Luiz Carlos Susin
.
Nona Etapa 15 e 16 de novembro de 2008
Tema: Sociedade sustentável e Fundamento ético de uma consciência planetária
Conteúdo: Conceito de desenvolvimento. Redefinição de uma necessidade básica. Biodiversidade. Valor da água. Dimensão espiritual da ecologia.
Assessoria: Prof. Dr Aloísio Ruscheinsky - Unisinos
Bíblia: Projeto de uma sociedade sem empobrecidos e excluídos
Assessoria: Dr. Pedro Kramer - ESTEF
.
Décima Etapa 13 e 14 de dezembro de 2008
Tema: Desafios da relação “ética, fé e espiritualidade Política”
Conteúdo: A esperança e o sonho de um mundo novo. O sentido transformador da crise. Compaixão e indiferença. Luzes e caminhos que nascem do ESI.
Assessoria: MS Flávio Guerra
Seminário
As eleições municipais no contexto do Brasil que queremos
Data: 06 de setembro de 2008
Horário: 9 horas às 17 horas
Assessoria:
Prof. Dr. Osvaldo Biz - PUCRS
Prof. Dr. Laurício neumann - Unisinos
Número de Participantes: 70 participantes.

Inscrição: A inscrição para participação na Escola deverá ser feita através da ficha, e enviada pelo correio, fax ou correio eletrônico para a Coordenação Diocesana de Pastoral (ver endereço anexo). As pessoas deverão inscrever- se até o dia 03 de março de 2008. Os inscritos serão selecionados e a sua participação será confirmada até o dia 10 de março de 2008.

Hospedagem: no Centro Diocesano de Formação Pastoral .Custos: O custo total para cada participante será de R$ 75,00 por etapa. A taxa corresponde à hospedagem, pagamento da assessoria e aos materiais.
O custo será dividido em três partes:
1ª) A pessoa participante - 30%
2ª) A paróquia ou entidade - 30% mais o transporte
3ª) A Diocese - 40% (Campanha da Evangelização e Cáritas)

Horário: A Escola inicia as atividades de cada etapa às 8h30min do primeiro dia, sábado, e finaliza às 14 horas do último dia, domingo.
Duração: Março de 2008 a dezembro de 2008 =10 etapas.
Carga horária: O curso terá a duração de 170 horas/aula. Cada etapa terá o equivalente de 17 horas/aula, incluindo a preparação prévia e leituras complementares sobre o tema.
Certificação: Os participantes que obtiverem igual ou mais de 75% de freqüência receberão certificado da UNISINOS.

Responsabilidade: Cáritas Diocesana

É o Estado, estúpido!

O clima político brasileiro continua agitado, com a reiteração das polarizações produzidas desde as denúncias de 2005 sobre o que a imprensa convencionou chamar de “mensalão”. De um lado, os partidos de oposição, com seu núcleo coesionador – PSDB e DEM – acompanhados de partidos aliados, como o PPS e tendo no bloco monopolista da grande mídia privada seu carro-chefe -, de outro o governo e expressões da mídia alternativa.
.
Pela tensão, pela violência dos ataques, pela reiteração das acusações, poderia parecer que o país vive um clima de forte polarização social e política, com dois projetos de sociedade em oposição frontal. Mas quando se olha para os fatores estruturais, constatamos que existe um modelo econômico consensual entre as grandes forças políticas – as mesmas que se envolvem diretamente nesses embates -, políticas sociais que não são questionadas, porque representam inquestionavelmente uma melhoria de vida da massa pobre do país e que incentiva a expansão do mercado interno. Enquanto isso, o país vive um período de poucas convulsões sociais, como se a energia se perdesse pelas beiradas do caldeirão social, canalizada para a violência cotidiana e não para grandes lutas populares.
.
Então de onde vem e a que corresponde essa virulência da oposição ao governo? Por que até mesmo uma parte significativa do grande empresariado, atendido pelo modelo econômico, se soma à campanha opositora? Por que a afirmação de setores radicalizados da esquerda de que se trata de um governo neoliberal não consegue dar conta do enfrentamento central do campo político em todo o período político atual? O que está em jogo? O que se disputa, além de cargos eleitorais?
.
O neoliberalismo reconstruiu o campo político, concentrando todas as energias negativas no Estado – responsável pela estagnação econômica, pela falta de dinamismo, pelo confisco dos recursos dos indivíduos, pela ineficácia nas políticas sociais, etc., etc. O Estado mínimo deveria concentrar seus recursos e esforços no incentivo à expansão do capital que, nos seus desdobramentos – dado o dinamismo e o protagonismo central que passou a ser atribuído às empresas, uma forma de designar ao mercado – produziria crescimento econômico, modernização tecnológica, diminuição da arrecadação tributária, expansão do mercado externo, geração de empregos, aumento da capacidade de consumo, etc. etc. Como já se disse tantas vezes, um Estado mínimo para a grande maioria – que depende de políticas sociais – e um Estado máximo para o capital, com a privatização dos lucros e, quando houver prejuízos, sua socialização.
.
O que incomoda centralmente à oposição, refletido nas manchetes e campanhas da imprensa opositora, presente nos seus colunistas, soldados das causas do bloco direitista de oposição? A alta taxa de juros? A lentidão na reforma agrária? O incentivo aos agro-negócios e o uso extensivo dos trangênicos? A injusta tributação, que concentra renda, ao invés de redistribuir? A repressão às rádios comunitárias? A falta de demarcação das terras indígenas? A não abertura dos arquivos da ditadura?
.
Não. O foco reiterado da oposição está nos “gastos excessivos do governo”, na contratação de mais funcionários públicos, na carga tributária, no que chamam de “aparelhamento do Estado” - que na realidade se trata da designação por critério político no preenchimento de cargos -, as normas que disciplinam atividades econômicas, etc. Em suma, tudo o que seja fortalecimento do papel do Estado, seja pelo aumento de seus funcionários, pela sua melhor remuneração, pelo combate à terceirização e formalização dos contratos, pelo incentivo ao consumo popular, pelo papel regulador do Estado.
.
A “livre circulação do capital” segue sendo a utopia da direita. Que o capital circule e a sociedade se povoará de felicidades! Que o Estado seja reduzido à sua mínima expressão: sem impostos, sem funcionários, sem leis, sem instituições políticas, sem partidos, que as eleições sejam o mais parecido possível a um shopping-center e os candidatos a vendedores de mercadorias, a ideologia reduzida a marketing, o cidadão transformado em consumidor, os direitos em bens negociáveis na compra e venda, a sociedade identificada com o mercado.
.
O que está em disputa – daí o tom virulento, pela importância que segue tendo – é o Estado, o aparato de Estado, que deveria continuar se debilitando, como aconteceu em toda a década anterior. Que siga a privatização, chegando a hora da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Eletrobrás, da Caixa Econômica Federal. Que o Estado siga servindo única e exclusivamente aos interesses das grandes corporações privadas – da indústria, dos bancos, da terra, da mídia, do comércio.
.
A plataforma da direita tem, como primeiro item, a diminuição dos impostos, base econômica do Estado. Daí a campanha contra a CPMF, contra o “inchamento” do aparelho de Estado, contra as normas estatais – que atrasariam, por exemplo, com as normas ambientais, a liberação de licenças de investimentos, contra os aumentos de salários dos servidores públicos. Pela independência do Banco Central, pelo superávit fiscal.
.
Menos Estado, em ultima instância, porque o Estado organiza os cidadãos, que são sujeitos de direitos. Menos Estado e mais mercado, que organiza consumidores, medidos não por direitos – que não são reconhecidos pelo mercado -, mas pela capacidade de consumo.
.
As classes dominantes que sempre detiveram poder sobre o Estado, ressentem não poder fazê-lo a seu bel prazer. Na última vez que haviam perdido o controle sobre o aparelho de Estado – no governo Jango, de 1961 a 1964, há quase meio século – se puseram imediatamente a preparar o golpe militar, com o apoio desses mesmos órgãos de imprensa – Folha de São Paulo, Estadão, Globo, entre outros. Recuperaram o poder sobre o Estado, que foi militarizado e se colocou completamente à disposição do grande empresariado privado nacional e estrangeiro.
.
Conseguiram transitar de forma impune à democracia liberal, tanto militares, quanto empresários, incluindo os órgãos da imprensa que haviam pregado o golpe militar e apoiado a ditadura. Encontraram em Collor e em FHC seus novos heróis, este, quando afirmou o que acreditavam fosse uma frase definitiva: o sociólogo das elites brancas dos jardins paulistas disse que ia “virar a página de getulismo”, conclamando à vingança tardia de 1932. Fizeram o que bem entenderam, se apropriaram de várias das maiores empresas estatais brasileiras a preço de banana – saneadas pelo BNDES, que ao mesmo tempo lhes emprestava a juros baixos para comprar as empresas. Puderam ter mão de obra precária, financiamentos generosos, chegaram a mudar o nome da Petrobrás para Petrobrax, preparando-a para se tornar empresa “global” e privatizá-la.
.
Acostumadas a usar o Estado como “comitê executivo das classes dominantes” – conforme a expressão de Marx no Manifesto Comunista – acusam o golpe de perder esse controle absoluto. Seguem ocupando espaços determinantes no aparato de Estado – a começar pelo estratégico Banco Central -, além de serem contemplados por créditos fáceis e incentivos amplos, mas para quem sentia o Estado como seu território, para nomear a quem quisessem, privatizar o que desejassem, acusam o golpe e se tornam raivosamente e totalitariamente opositores furibundos.
.
Não perdoam aos que os derrotaram duas vezes, não importa que se vingam ao ver políticas suas reproduzidas no governo que os derrotou. Não lhes basta.
.
A campanha de denúncias morais vai na mesma direção de criminalizar o Estado, quando os maiores escândalos contemporâneos são protagonizados por empresas privadas, entre elas os bancos. Não importa o que seja, como seja, são os neo-conservadores no Brasil, defensores do mercado contra o Estado – o verdadeiro tema de disputa, cuja importância explica a virulência das agressões opositoras, na sua ânsia de recuperar o que consideram seu, por definição – o Estado brasileiro.
.
Postado por Emir Sader às 09:15

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO ERA (E É) ESPIÃO DA CIA ?

* Sebastião Nery (Tribuna da Imprensa)
.
Quem pagou
.
Acaba de chegar às livrarias brasileiras um livro interessantíssimo, indispensável, que tira a máscara da Fundação Ford e, com ela, a de Fernando Henrique e muita gente mais: "Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura", da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders (editado no Brasil pela Record, tradução de Vera Ribeiro). Quem "pagava a conta" era a CIA, quem pagou os 145 mil dólares (e os outros) entregues pela Fundação Ford a Fernando Henrique foi a CIA. Não dá para resumir em uma coluna de jornal um livro que é um terremoto. São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas: "Consistente e fascinante" ("The Washington Post"). "Um livro que é uma martelada, e que estabelece em definitivo a verdade sobre as atividades da CIA" ("Spectator"). "Uma história crucial sobre as energias comprometedoras e sobre a manipulação de toda uma era muito recente" ("The Times").
.
Dinheiro da CIA para FHC
.
"Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o Cebrap". Esta história, assim aparentemente inocente, era a ponta de um iceberg. Está contada na página 154 do livro "Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível", da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). O "inverno do ano de 1969" era fevereiro de 69.
.
Fundação Ford
.
Há menos de 60 dias, em 13 de dezembro, a ditadura havia lançado o AI-5 e jogado o País no máximo do terror do golpe de 64, desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos. Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas. Até Juscelino e Lacerda tinham sido presos. E Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, sabia-se e se dizia que o compromisso final dos americanos era de 800 mil a um milhão de dólares.
.
Agente da CIA
.
Os americanos não estavam jogando dinheiro pela janela. Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando sua grana. Com o economista chileno Faletto, Fernando Henrique havia acabado de lançar o livro "Dependência e desenvolvimento na América Latina", em que os dois defendiam a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos. Montado na cobertura e no dinheiro dos gringos, Fernando Henrique logo se tornou uma "personalidade internacional" e passou a dar "aulas" e fazer "conferências" em universidades norte-americanas e européias. Era "um homem da Fundação Ford". E o que era a Fundação Ford? Uma agente da CIA, um dos braços da CIA, o serviço secreto dos EUA.
.
Milhões de dólares
.
1 - "A Fundação Farfield era uma fundação da CIA... As fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos... permitiu que a CIA financiasse um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas" (pág. 153).
.
2 - "O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. Em meados da década de 50, a intromissão no campo das fundações foi maciça..." (pág. 152). "A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria" (pág. 443).
.
3 - "A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares... Ela funcionava, na verdade, como o ministério da Cultura dos Estados Unidos... com a organização sistemática de uma rede de grupos ou amigos, que trabalhavam de mãos dadas com a CIA, para proporcionar o financiamento de seus programas secretos" (pág. 147).
.
FHC facinho
.
4 - "Não conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus, disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar contas. Era impressionante" (pág. 123).
.
5 - "Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa (havia escritorios na Alemanha Ocidental, na Grã-Bretanha, na Suécia, na Dinamarca e na Islândia), mas também noutras regiões: no Japão, na Índia, na Argentina, no Chile, na Austrália, no Líbano, no México, no Peru, no Uruguai, na Colômbia, no Paquistão e no Brasil" (pág. 119).
.
6 - "A ajuda financeira teria de ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana" (pág. 45). Fernando Henrique foi facinho.
.
E pensar que esse pústula nos governou (e quebrou o Brasil) por oito anos!
.

Empresas de países ricos não consideram a mudança climática uma prioridade

Um estudo que incluiu pesquisas com mais de 500 grandes empresas no Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Japão, Índia e China, apresentou como resultado que só uma de cada dez companhias considera a mudança climática como uma prioridade. O estudo revela que as empresas esperam que os governos liderem a luta contra esse fenômeno ambiental e alertam que em um cenário de crise econômica mundial, como a que estaria configurando-se por esses dias, é ainda menos factível que se assuma a mudança climática como tema prioritário. .
Nada novo, se poderia dizer. Não é possível esperar, pelo menos hoje que sejam as grandes corporações as que liderem a luta mundial contra a mudança climática. Ainda assim é sua responsabilidade. Essa batalha a encabeçam os movimentos e organizações sociais ao redor do mundo, em sua luta pelo que chamam "justiça climática", e até agora seus pedidos e propostas tiveram muito pouco eco em quem tem o poder para tomar decisões. Não obstante, bem vale conhecer as cifras deste estudo, que põe números que desinteressam aos líderes econômicos dos países ricos na luta contra a crise climática. .
Só 5% das mais de 500 empresas consultadas, e nenhuma na China, consideraram a mudança climática como sua principal prioridade, ao mesmo tempo, que apenas 11% a colocou em segundo ou terceiro lugar, segundo o estudo da consultora internacional Accenture, que retoma o diário britânico The Independent. .
Em uma análise geral, a mudança climática ficou em oitavo no ranking de prioridades dos líderes empresariais. O aumento das vendas, a redução dos custos, o desenvolvimento de novos produtos e serviços, a concorrência por pessoal bem capacitado, o crescimento nos mercados emergentes, a inovação e a tecnologia estão na frente. .
A posição do mandatário estadunidense George W. Bush de que a mudança climática se enfrenta de melhor maneira mediante iniciativas voluntárias do mundo empresarial fica pelo chão. De fato, as empresas esperam que os governos indiquem as medidas necessárias para enfrentar a crise climática. Estão longe de tomar a iniciativa. .
O estudo acrescenta que a maioria das companhias afirma que está adotando algumas ações, que são no geral muito limitadas, para reduzir suas próprias emissões de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global. Entretanto, uma empresa de cada cinco não tomou nenhuma medida nesse sentido. .
Nesta mesma linha, cerca de 67% dos negócios perguntados reconheceram que têm um papel para cumprir na luta contra a mudança climática. No entanto, só quatro empresas de dez se sentem em posição de atuar na matéria. Na China, em particular, só 14% das empresas perguntadas manifestou sentir-se forte nesse sentido. .
O estudo conclui que "os empresários claramente estão buscando sinais de longo alcance sobre onde e como investimentos. São relutantes em fazer grandes investimentos em iniciativas vinculadas à luta contra a mudança climática até que esteja claro o alcance da futura regulação", segundo afirma o The Independent. .
A devastação da Amazônia e do bom senso
.
O noticiário recente sobre os números da devastação da Amazônia é mais uma demonstração da incapacidade, ou desinteresse da imprensa em tratar os temas realmente fundamentais neste começo de século. Ao lado dos conflitos originados no processo de globalização, de fundo religioso, econômico ou como resultado da expansão de guerras tribais remanescentes de milhares de anos, certamente o tema da defesa da biodiversidade – com a conseqüente mudança nas matrizes de energia e modelos econômicos de exploração dos recursos naturais – é um dos mais relevantes do nosso tempo. E a Amazônia, que tem 60% de sua área em território brasileiro, se coloca no centro dessa questão. .
A sobrevivência da Amazônia está ameaçada, e não é pelas razões tradicionais – garimpeiros, madeireiros etc. Segundo o Greenpeace, nos últimos 35 anos a Amazônia Brasileira perdeu 17% de sua cobertura vegetal. O ritmo do desmatamento se acelerou a partir dos anos 80, com o avanço da pecuária, e vem sofrendo novo impulso há cerca de dez anos, com a expansão das áreas de plantio da soja. A pecuária e a produção de grão estão comprovadamente relacionadas à perda da floresta, e não há sinais de que essas atividades econômicas tenham resultado em benefícios para a maioria da sociedade brasileira. .
Um modelo econômico baseado na exportação das chamadas commodities – produtos de baixo valor agregado, como minérios in natura e grãos –, além de ser concentrador de riqueza, representa uma verdadeira motoniveladora nas bordas da floresta: na visão de empreendedores ignorantes e irresponsáveis, sai mais em conta derrubar a mata do que recuperar as áreas degradadas que deixam para trás. Sai "mais em conta" porque eles ficam com o lucro e dividem o prejuízo com o resto de nós. . Celebração do agronegócio .
E o que a imprensa tem com isso? Tem que a imprensa nunca faz a conta certa dessa economia. Quase todo mês, a mídia faz a celebração dos grandes números do agronegócio, e omite o custo real para o País, que é remetido para as gerações futuras de brasileiros. Agricultores e pecuaristas que se valem da destruição do patrimônio natural que é de todos para obter seus lucros são bandidos e deveriam ter suas terras confiscadas, em vez de serem ungidos como heróis da mídia e ainda contarem com o benefício dos subsídios governamentais. .
Durante os recentes debates sobre os números do desmatamento em 2007, divulgados com alarde pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e pela ONG Imazon, junto com o Ministério do Meio Ambiente, os jornais fizeram muito alarde sobre o anúncio de que a devastação havia se acelerado no último trimestre. No entanto, faltou a ligação entre o crime e suas motivações. .
Faltou dizer, por exemplo, que há um conluio entre autoridades e produtores rurais em Estados como Mato Grosso e Rondônia para produzir o fato consumado da redução da cobertura florestal e assim justificar um novo contorno para a Amazônia Legal, excluindo esses territórios das áreas "protegidas" por lei. Houve uma breve citação, mas fora de contexto, de uma relação direta entre o desmatamento e outros sintomas de ausência da autoridade do Estado nas chamadas novas fronteiras agrícolas: nos municípios campeões de desmatamento, principalmente no Mato Grosso, Rondônia e Pará, é onde são registrados mais freqüentemente os casos de trabalho escravo. .
Esses municípios são também os mais violentos do País, segundo o Mapa da Violência divulgado semana passada pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana. Apenas O Estado de S.Paulo se demorou um pouco mais em observar essa coincidência, mas há um corte na imprensa que impede o leitor de relacionar os problemas sociais com o modelo econômico apoiado pela mídia. .
Da mesma forma como o noticiário escandaloso sobre crimes de grande repercussão forma no cidadão comum opiniões pouco civilizadas sobre criminalidade e Justiça, a divulgação espalhafatosa de dados sobre a questão ambiental produz todo tipo de emoção, mas não ajuda a formar a consciência da população. Já se disse neste Observatório que a imprensa não se dispõe a fazer a crítica do sistema econômico. Apenas eventualmente se refere a suas mazelas, com abordagens fora de contexto. A questão crucial da preservação da diversidade biológica e do imenso patrimônio das nossas florestas não pode continuar motivando apenas manchetes indignadas. .
A insanidade de alguns predadores precisa ser contraposta ao bom senso do interesse coletivo e de longo prazo. Em algum momento, a imprensa precisa começar a refletir sobre a necessidade de um modelo econômico que contemple o futuro de todos, e não apenas o lucro imediato de seus heróis sem caráter. .
Texto: Fonte: Luciano Martins Costa, do Observatório da I / Postado em 09/02/2008 ás 12:04

5.2.08

31ª ROMARIA DA TERRA

Juventude - Luta e Resistência em defesa da Vida
.
Mais de 15 mil romeiros e romeiras reuniram-se em Três Passos para celebrar a 31ª Romaria da Terra, neste dia 05 de fevereiro. Neste ano, a romaria tem como tema de reflexão a realidade e as perspectivas da juventude, celebrando também os 25 anos da Pastoral da Juventude Rural.
.
A concentração ocorreu junto ao Santuário dos Mártires, Pe. Manuel Gonzáles e Adílio Daronch eseguiu em caminhada até a linha São Francisco, na propriedade da família Steinner. Durante a caminhada cenários retrataram a realidade da juventude e a memória da luta dos mártires da terra, dentre outros, ChicoMendes, Roseli Nunes, Ir. Dorothy.
O deputado Dionilso Marcon (PT) presente na Romaria, reafirmou a importância da permanência dos jovens nas pequenas propriedades rurais. “É fundamental promover políticas públicas nas áreas da agricultura, do lazer e, sobretudo, para qualificar os ensinos técnico e superior para estes jovens”, frisou o parlamentar, que defende o fortalecimento das universidades públicas federais e da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS).
Na parte da tarde segue a programação com o momento cultural e político e encerramento previsto para às15h30, com benção e distribuição de mudas e sementes nativas e anúncio do local da 32ª Romaria da Terra, em 2009. Jornalista responsável: kiko Machado / Coordenação Romaria

O que será de nós? O que devemos fazer? Pergunta Ramonet sobre o FSM

“O movimento anti-globalização é hoje potencialmente forte como nunca foi antes e, em escala planetária, a única força em alguma medida organizada que resiste à globalização, mas não ele sabe o que fazer com essa força.” A opinião é de Ignacio Ramonet, editor do jornal Le Monde Diplomatique em entrevista ao jornal Freitag, 25-01-2008.
.
Para Ramonet “chegou a hora de movimentos, como o Fórum Social Mundial, deixarem de ser de resistência e entrarem em uma nova etapa de lutas”. Ramonet avalia que é chegado o momento dos movimentos colocarem na pauta o tema do poder. Valemo-nos aqui da tradução espanhola para a revista eletrônica Sinpermisso, 28-01-2007. A tradução é do Cepat.
.
Eis a entrevista.
.
Que futuro aguarda o Fórum Social Mundial?
.
Infelizmente, os movimentos sociais internacionais no momento tem sido incapazes de encontrar uma forma de articulação mais consistente que lhes permita agir unitariamente. Não está em condições de fixar objetivos que sigam uma mesma linha.
.
Isso impede os movimentos sociais de responder adequadamente à situação atual?
.
Exato. Atravessamos diferentes fases. A primeira consistiu em definir a globalização. Em meados dos anos 90, ainda não existia o movimento porque não se sabia contra quem lutar. Foi preciso que muitos intelectuais e muitas forças políticas definissem conjuntamente o inimigo e, o inimigo era a globalização. Na segunda fase se juntaram todos do Sul ao norte na luta contra a globalização. Têm-se evidentemente a impressão de que essas êxitos – particularmente, a fundação do Fórum Social Mundial – acabou por paralisar o movimento. O movimento é hoje, potencialmente, forte, como nunca antes. É, em escala planetária, a única força em alguma medida organizada que resiste à globalização, mas ele não sabe o que fazer com essa força. Desperdiçaram-se oportunidades, ao menos eu vejo assim. Hoje estaríamos em condições de levar a cabo lutas em escala mundial. Lembre-se apenas das grandes manifestações contra a guerra no Iraque. Chegou a hora de que movimentos, como o Fórum Social Mundial, deixem de ser movimentos de resistência e entrarem em uma nova etapa com outras formas de luta.
.
Por que afirma isso com tanta ênfase?
.
A ofensiva ideológica da globalização prossegue. Constatamos que o movimento já não amedronta os dominadores. Apenas falam dele. Desde que a Attac entrou em crise na França, a imprensa francesa já não fala da Attac, tampouco fala do Fórum Social Mundial. Preocupa esse silêncio, porque demonstra que os outros tem ganhado a batalha e, desde logo, por causa da dispersão. Por isso, creio que as organizações principais que constituem o Fórum Social Mundial estão obrigadas a se colocaram a seguinte pergunta: O que será de nós? O que devemos fazer? Em torno de tudo isso, a questão do poder se torna importante. Todo o movimento se formou com a base na idéia que não se pode tomar o poder. Eu me pergunto se isso continua sendo verdadeiro. A experiência na América Latina mostra que com o poder nas mãos se pode fazer algo. Isso na Europa é mais difícil devido a camisa de força que se transformou a União Européia.

Mais trabalho em situação subumana ... no RS

Ação do Ministério Público do Trabalho e do Ministério do Trabalho e emprego detectou, a 38 quilômetros do centro de Uruguaiana, pela BR 472, uma propriedade rural que mantinha dez pessoas entre trabalhadores e familiares – conforme a subdelegada do MT no município, Ana Maria Torelly, - em condições subumanas. Entre os mais castigados pelo tratamento estavam o capataz e quatro alambradores. A notícia é do jornal Correio do Povo, 03-02-2008.
Nenhum deles soube dizer quanto recebiam e quando teria sido o último pagamento. Dormia em alojamento improvisado, junto a sacas de fertilizantes, agrotóxicos, veneno e outros químicos utilizados em lavoura de arroz, além de não haver banheiro e água potável para beber.
O estabelecimento pertence a quatro sócios, dos quais é arrendatário de boa parte da área. Trata-se de um negócio rural apresentado, aparentemente, uma situação jurídica complexa, acrescentou Ana Torelly. Na segunda visita de inspeção, realizada sexta-feira, dia 01-02-2008, além de fiscais do Ministério do Trabalho, também estiveram no local o Ministério Público Federal e a Polícia Federal.
O arrendatário já havia oferecido melhores condições aos empregados faltando, porém, o registro em Carteira de Trabalho e outras exigências previstas em lei. Também uma arma sem registro foi encontrada de posse do empresário rural.
Ana Torelly revelou que a equipe de fiscais especializados em segurança e saúde ficou impressionada com a capacidade de dominação dos proprietários sobre os trabalhadores. Da mesma forma com que se surpreenderam com a existência de comportamento dessa espécie em uma região considerada de excelência na relações patrões e empregados.

'Cuba vai mudar, mas do seu jeito'. Entrevista com Ignacio Ramonet

O espanhol Ignacio Ramonet, diretor do jornal francês Le Monde Diplomatique, talvez seja o não-cubano que melhor conheça Fidel Castro e as entranhas de Cuba. Autor do livro Fidel Castro: Biografia a duas vozes (a maior entrevista já concedida pelo cubano), ele descarta transformações abruptas na ilha após a passagem de poder à nova geração. As mudanças, diz, serão diferentes daquelas vistas na China ou no leste europeu. Com a saúde debilitada, Fidel deu sinais que poderá abrir mão da presidência neste ano. O jornalista espanhol amigo de Fidel diz quem são e o que farão os líderes cubanos da nova geração. A reportagem e a entrevista são de Ricardo Mendonça e publicadas pela revista Época, 18-01-2008.
Eis a entrevista.
Fidel está com 81 anos, afastado poder há mais de um ano e, ao contrário do que muitos previam, principalmente nos EUA, isso não resultou em nenhuma mudança substancial do regime. O senhor tem alguma explicação?
Sim. Acredito que essas análises que os EUA faziam eram baseadas sobre seu próprio desejo, não sobre a realidade. Todos os observadores sérios sabiam que o regime era mais sólido do que dizia a administração dos EUA. A prova disso é o que tem ocorrido agora. Já estamos no pós-Fidel, em certa medida. Ele não está mais governando e, como você disse, não há nada excepcional. A situação é estável, não há protestos, as instituições são sólidas, tivemos eleições municipais, haverá eleições legislativas agora em 2008 e, depois disso, será escolhido o novo presidente.
Não são eleições viciadas?
Há um partido único e podemos pensar que isso não corresponda a uma sociedade sofisticada. Eu comentei isso com Fidel. Cuba é hoje um país com alto nível cultural, um nível educacional muito alto, muitos cientistas, técnicos, engenheiros, médicos. Então o partido único não é suficiente para refletir a sofisticação, a variedade, a pluralidade da sociedade cubana. Mas há um sistema de funcionamento democrático que merece ser bem observado. Os candidatos não podem ser apresentados pelo partido. Eles surgem da sociedade e são votados nas assembléias populares. Essas pessoas podem ser oponentes ao sistema, podem ser membros do partido. Mas muitos não são nem uma coisa, nem outra. São pessoas normais. Há pastores protestantes que são deputados, há sacerdotes, militantes cristãos que não concordam com a pena de morte, com algumas decisões.
Mesmo assim, continua sendo partido único.
O partido único se justifica no contexto de hostilidade que vive Cuba. Sempre que pensamos na evolução que poderia ocorrer em Cuba, temos que perguntar como irão evoluir os EUA com relação a Cuba. Irão suprimir o embargo econômico? Irão suprimir a pressão diplomática? Irão suprimir a ameaça militar, com invasões, terrorismo e apoio aos grupos que cometem atentados e sabotagens? Se pensarmos nisso, veremos que, apesar de tudo, em Cuba há um processo eleitoral muito interessante.
Raúl Castro, o irmão de Fidel que interinamente preside a ilha, tem idade avançada e dificilmente será sucedido por alguém que tenha participado da revolução de 1959. É razoável esperar algo diferente de um dirigente que não tenha participado da revolução?
Certamente. O mais provável é que o próximo presidente seja Raúl. Mas Fidel mesmo disse que Raúl não é a verdadeira sucessão, é a continuidade. O mais importante para a revolução é quando a nova geração assumir o poder. Mudanças evidentemente irão ocorrer, pois o contexto político não é mais o mesmo, Cuba não está mais isolada. Tem excelentes relações com Brasil, Argentina, Venezuela, Equador, Bolívia e Chile, entre outros.
Quem são esse possíveis substitutos da nova geração?
Carlos Lage (atual vice-presidente) tem uma trajetória interessante, pois vem da direção da juventude estudantil. Felipe Perez Roque (atual ministro das Relações Exteriores), foi presidente da federação de estudantes universitários e secretário pessoal de Fidel por muito tempo. Os dois têm excelentes relações com Raúl e Fidel. Há outros: Abel Prieto, ministro da Cultura, Ricardo Alarcón (presidente da Assembléia Popular), um homem muito culto. Todos são conscientes da necessidade de proteger a identidade e a independência de Cuba. Não estou falando de modelo econômico, mas filosófico.
E do ponto de vista econômico?
Há muita gente especulando se Cuba irá adotar o modelo chinês ou vietnamita. Desde 1959 Cuba tem tido aliados indispensáveis para resistir a pressão dos EUA. Mas separe que Cuba nunca adotou um modelo de maneira mimética: nunca foi semelhante à União Soviética. A organização da economia foi diferente, o setor agrícola foi preservado em cooperativas voluntárias, nunca de maneira violenta. Em muitos setores foram conservados os proprietários privados, como o de tabaco. Cuba sempre foi por uma via particular. Estou convencido que nessa nova etapa Cuba tratará de definir também uma via singular.
O senhor acha que o regime pós-Fidel, mesmo conduzido por pessoas de sua confiança, responderá às reivindicações reprimidas por mais participação democrática e oportunidades econômicas?
Isso é verdadeiro, Cuba tem muitos problemas na vida cotidiana. Problemas com alimentação, habitações e também com o transporte público. Mas neste momento, esses três problemas são os temas sobre os quais está trabalhando o governo. Num contexto geopolítico diferente, a sociedade irá evoluir. As novas gerações são conscientes que estamos em outra época.
Em Cuba há pena de morte, dissidentes presos, restrições para deslocamentos, inexistência de organizações independentes. Por tudo isso, o senhor não classifica Fidel como ditador?
Há pena de morte, é verdade, mas não é aplicada mais há cinco anos. Há uma moratória. O próprio Fidel me disse que, filosoficamente, é contra. Com relação aos dissidentes, é preciso ser prudente. De fato, há pessoas detidas, mas não pelo que pensam, mas pelo que fazem: organizar grupos financiados pela embaixada dos EUA. Fora isso, todas as personalidades importantes da dissidência estão em liberdade e têm suas atividades, como Martha Beatriz Roque, Vladimiro Roca e Oswaldo Payá. Quando você fala em penas altas, é preciso levar em consideração que Cuba é um dos países que mais sofre com o terrorismo. Grupos anti-cubanos de Miami já fizeram 3.500 mortos nos últimos 40 anos. E com relação a Fidel, ele se manteve muito tempo no poder, mas porque Cuba está sob muita hostilidade. Fidel é produto da história, fundador do Estado cubano, teórico da revolução, além de líder carismático. Ele é a estratégia da resistência cubana. Mas o sistema não está pensado para que outro dirigente fique 40 anos no poder.
Logo no começo da biografia-entrevista de Fidel, o senhor descreve o gabinete dele e cita um busto de Abraham Lincoln. Não lhe pareceu estranho a presença da estatueta de um presidente americano naquele local?
Fidel Castro, curiosamente, tem grande admiração por Lincoln. Não sei se você se lembra, mas a primeira viagem de Fidel após a revolução de 1959 foi para os EUA. Ele foi visitar o Congresso e se inclinou na frente da imensa estátua branca de Lincoln. É porque Lincoln foi o libertador dos escravos. Para Fidel, foi uma figura muito importante. Mas Fidel nunca escondeu sua admiração por John Kennedy, Jimmy Carter ou Bill Clinton. As relações sempre foram difíceis com Ronald Reagan e Bush filho.

Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz