Um convite para pensar...
Pedrinho Guareschi
Peço permissão para partilhar uma estratégia que uso quando consigo falar com alguém que ainda escuta, mas percebo que continua fixo, irredutível, diante de um possível desastre político que nos ameaça. Vendo que ainda poderá haver esperança, apelo para um último recurso: provocar nele um choque de consciência crítica, ética... e arrisco comentar dois pontos:
O primeiro, para perguntar se ele chegou a saber o que o jornal Estadão publicou há poucos dias, num Editorial, sobre a sombra, o perigo dos milicianos! Pergunto se sabe quem são os milicianos, e o que aconteceria “com a ascensão das milícias ao topo do poder da República”. E se faz idéia o que implica um lugar onde as milícias comandam. Como já vivi três anos numa grande favela, posso explicar: a milícia é um grupo que se organiza, uma gang, que toma conta dum espaço numa comunidade, se arma, e ameaça todo mundo que não faz o que eles mandarem. Não trabalham, e vivem do dinheiro que exigem das pessoas que supõem que talvez o tenham. Em troca, dizem que vão defendê-las, e elas poderão viver e trabalhar em paz!
Depois continuo: veja agora o caso de um candidato a Presidente nesse momento. Examine sua vida e vai descobrir que ele era amigo de milicianos em centenas de bairros e vilas no RJ, e às custas deles foi se elegendo e enriquecendo... Chegou a condecorar alguns que foram presos e os defendia quando era parlamentar... Enriqueceu tanto que comprou dezenas de imóveis pelo Brasil afora... Essa a prática das milícias, que vão tomando conta dos bairros pobres, onde mora gente pobre, que se tornam seus reféns, para poderem continuar com sua casinha e seu trabalho.
Então pergunto ao amigo: você já pensou, caso votasse num candidato com essa história, o perigo de ele passar a governar todo um país nesse estilo... E repito que foi o próprio Estadão que alertou para isso, em Editorial!
E se ainda há ambiente, tento outro choque de consciência: pergunto se ele sabe o que é a tortura, uma prática que é reconhecida por todos os povos como um crime contra a humanidade. Pergunto se ele teria coragem de votar em candidato que é filho dum político que chegou a dizer, diante de todo o Brasil, ao votar contra uma Presidenta, reconhecida depois como inocente, que dedicava seu voto a alguém que era, reconhecidamente, um torturador, e que defendia a tortura. E que achava que seu pai tinha sido preso injustamente depois de tentar dar um golpe por ter perdido as eleições, um golpe que incluía um plano de matar várias pessoas. E que se vencesse as eleições, a primeira coisa que faria seria anistiar seu pai...
Fico olhando em seus olhos. São poucos os que tentam se explicar. Mas vejo que ficam pensando. E se pensasse com sinceridade, talvez nao continuaria o mesmo...
Pedrinho Guareschi
Peço permissão para partilhar uma estratégia que uso quando consigo falar com alguém que ainda escuta, mas percebo que continua fixo, irredutível, diante de um possível desastre político que nos ameaça. Vendo que ainda poderá haver esperança, apelo para um último recurso: provocar nele um choque de consciência crítica, ética... e arrisco comentar dois pontos:
O primeiro, para perguntar se ele chegou a saber o que o jornal Estadão publicou há poucos dias, num Editorial, sobre a sombra, o perigo dos milicianos! Pergunto se sabe quem são os milicianos, e o que aconteceria “com a ascensão das milícias ao topo do poder da República”. E se faz idéia o que implica um lugar onde as milícias comandam. Como já vivi três anos numa grande favela, posso explicar: a milícia é um grupo que se organiza, uma gang, que toma conta dum espaço numa comunidade, se arma, e ameaça todo mundo que não faz o que eles mandarem. Não trabalham, e vivem do dinheiro que exigem das pessoas que supõem que talvez o tenham. Em troca, dizem que vão defendê-las, e elas poderão viver e trabalhar em paz!
Depois continuo: veja agora o caso de um candidato a Presidente nesse momento. Examine sua vida e vai descobrir que ele era amigo de milicianos em centenas de bairros e vilas no RJ, e às custas deles foi se elegendo e enriquecendo... Chegou a condecorar alguns que foram presos e os defendia quando era parlamentar... Enriqueceu tanto que comprou dezenas de imóveis pelo Brasil afora... Essa a prática das milícias, que vão tomando conta dos bairros pobres, onde mora gente pobre, que se tornam seus reféns, para poderem continuar com sua casinha e seu trabalho.
Então pergunto ao amigo: você já pensou, caso votasse num candidato com essa história, o perigo de ele passar a governar todo um país nesse estilo... E repito que foi o próprio Estadão que alertou para isso, em Editorial!
E se ainda há ambiente, tento outro choque de consciência: pergunto se ele sabe o que é a tortura, uma prática que é reconhecida por todos os povos como um crime contra a humanidade. Pergunto se ele teria coragem de votar em candidato que é filho dum político que chegou a dizer, diante de todo o Brasil, ao votar contra uma Presidenta, reconhecida depois como inocente, que dedicava seu voto a alguém que era, reconhecidamente, um torturador, e que defendia a tortura. E que achava que seu pai tinha sido preso injustamente depois de tentar dar um golpe por ter perdido as eleições, um golpe que incluía um plano de matar várias pessoas. E que se vencesse as eleições, a primeira coisa que faria seria anistiar seu pai...
Fico olhando em seus olhos. São poucos os que tentam se explicar. Mas vejo que ficam pensando. E se pensasse com sinceridade, talvez nao continuaria o mesmo...
................................................................................
*Pedrinho Guareschi é Graduado em Filosofia, Teologia e Letras; Pós-graduação em Sociologia; Mestre em Psicologia Social - Marquette University Milwaudee; Doutor em Psicologia Social - University of Wisconsin At Madison; Pós-Doutor em Ciências Sociais em três universidades - Wisconsin, Cambridge e Università degli Studi La Sapienza; foi professor na PUC RS; professor convidado na UFRGS e UFCSPA; seus estudos, pesquisas e experiência focalizam a Psicologia Social, com ênfase em mídia, ideologia, representações sociais, ética, comunicação e educação; conferencista internacional.



