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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

29.5.08

Pedágios não! Plebiscito Já!

Clique aqui para enviar mensagem aos deputados estaduais em apoio ao PDL 13/2007

Por iniciativa do deputado Dionilso Marcon (PT) e mais 19 deputados estaduais tramita na Assembléia Legislativa o Projeto de Decreto Legislativo nº 13 /2007 que convoca o plebiscito sobre a prorrogação das concessões rodoviárias pelo Estado do Rio Grande do Sul (pedágios).

A proposta a ser votada na Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia - CCJ nas próximas semanas deve ser aprovada na CCJ para poder prosseguir e ser votada no plenário da Casa. A possibilidade de prorrogação dos pedágios e de seus pólos rodoviários, como propõe o pacote de projetos estruturantes lançado pela governadora Yeda Crusius, significa a implantação de novos pedágios e a prorrogação dos atuais contratos por mais 15 anos. Embora prometa uma revolução nos transportes, o que o programa reserva para os gaúchos é a duplicação do martírio de pagar valores exorbitantes e não receber a contrapartida à altura do desembolso.

Para garantir o investimento de R$ 1,2 bilhão em duplicações e outras obras nos 1,8 mil quilômetros sob a gestão de sete empresas, o governo estadual admite que vai renegociar a prorrogação das concessões de rodovias até 2028. Com o objetivo de seduzir a opinião pública, o Executivo acena com a possibilidade de reduzir as tarifas dos veículos leves. Já para os caminhões as notícias não são boas, pois o Executivo estuda o fim dos subsídios. Isso significa uma tarifa 67% maior. Outra idéia ventilada pelo governo tucano é reduzir a tarifa, mas aumentar o número de praças de pedágios. Sob qualquer ângulo, o Duplica - RS traz prejuízos para usuário. Como a atual proposta do governo Yeda afetará mais de uma geração de pessoas, o parlamentar entende que é fundamental justifica a consulta ao usuário-eleitorado gaúcho sobre o tema.

Segundo Marcon, se aprovado o projeto, a proposta interrompe imediatamente o processo de reprivatização das estradas até que a consulta plebiscitária seja realizada com a seguinte pergunta, a ser respondida sim ou não: “O prazo das concessões rodoviárias (pedágios) deve ser prorrogado?”

A deputada Marisa Formolo (PT), insatisfeita com os rumos da CPI dos Pedágios,afirma que a Comissão acabou sendo comandada por parlamentares que não queriam a sua instalação e a oposição deposita suas esperanças no Ministério Público. É para lá que foi encaminhado o relatório oficial e as declarações de votos apresentadas por deputados do PT, PC do B, PSB e PDT. "Não quiseram abrir a caixa preta, seguraram o cadeado e ainda colocaram uma chapa branca em cima", protestou a deputada Marisa Formolo (PT), lembrando que o relatório final, elaborado pelo deputado Berfran Rosado (PPS) não apontou nenhuma responsabilidade pelas irregularidades verificadas no decorrer de 120 dias de trabalho. "Esperamos, passados sete meses, que o Ministério Público dê continuidade às investigações e apure as responsabilidades", frisou a parlamentar.

­­­­Texto sugerido:

Senhor Deputado:

Solicito o seu empenho e de sua bancada na aprovação do PDL 13/2007 que convoca o plebiscito sobre a prorrogação das concessões rodoviárias pelo Estado do Rio Grande do Sul (pedágios). A iniciativa, se aprovada, consistirá na seguinte pergunta, a ser respondida sim ou não: “O prazo das concessões rodoviárias (pedágios) deve ser prorrogado?"

Clique aqui para enviar mensagem aos deputados estaduais em apoio ao PDL 13/2007

Escolhe, pois a política. Mas qual?

Acompanhamos, aproveitando as “benesses” que a internet, jornal, televisão, nos proporciona, a greve de fome (duas) -jejum ou qualquer outro nome que queiram dar- do bispo de Barra Dom Luiz Cappio referente ao projeto de transposição do Rio São Francisco, bem como o desenrolar de um dos fatos que gerou que é a discussão envolvendo alguns cristãos sobre fé e política. Recentemente a Escola de Fé, Política e Trabalho de nossa Diocese reuniu num livreto vários textos de professores, sociólogos, teólogos e estudiosos que deram a sua visão e o seu entendimento sobre o tema. Citando a Bíblia e pensadores da Idade Média até os dias de hoje foram construindo conceitos, tomando posições. Por entender e acreditar que fé e política caminham juntas como bem lembra o papa Bento XVI na encíclica Deus Caritas est “fé e política são distintas, mas sempre em recíproca relação” (28) com humildade e simplicidade vamos adentrando nesta discussão. Está na cabeça de muita gente que a política tornou-se um instrumento desnecessário e que melhor seria não existir, afinal de contas quando falamos de política ouvimos corrupção, troca de favores (é dando que se recebe – coitado do S. Francisco! Falo agora do santo canonizado, não do rio que também é santo), negociatas, privilégios e, se tem que fazer uma escolha, parece que a opção que se apresenta é simples e se dá entre o que está aí ou algo pior. É inegável que a forma de fazer política que tem sido realizada está esgotada e não cabe mais esta estrutura representativa onde tudo começa e termina com o voto e onde o voto já não tem mais muita importância, afinal de contas o “poder” não precisa dele, apenas o usa para vender uma imagem de democracia. Entendemos que Política não é só aquela que acontece a nível partidário e eleitoral, mas sim toda a ação que fazemos ou não (já disseram que a omissão é a pior ação política). Este princípio rege inclusive a escolha de bispo, na elaboração de um documento da Igreja, na homilia que se realiza nas celebrações. É política a decisão de matar a fome ou não num mundo que produz muito mais que o necessário para que todos tenham comida nas suas mesas, é política a decisão sobre aumento nas contas de água, luz, combustíveis, iptu... e esta decisão é a chamada vontade política, que no dizer do teólogo Jon Sobrino é na realidade vontade humana reafirmando que o ser humano é um ser político. Nesta mesma linha o filósofo italiano Giorgio Agambem afirma que a “separação entre o humano e o político que estamos vivendo na atualidade é a fase extrema da ruptura entre os direitos do homem e os direitos do cidadão” nos parecendo, então que quanto mais negamos a falar e fazer política, mais desumanos ficamos, mais crises provocamos. Dom Pedro Casaldáliga na sua teologia carregada de esperança nos lembra que “política é a organização da vida” e pede que a “política seja um exercício de amor, a celebração diária de uma convivência verdadeiramente humana”. É hora de deixarmos a política representativa para fazermos a “política participativa, aquela cidadã, de serviço e transparência”. Como cristãos acreditamos que a construção do Reino de Deus começa aqui onde estamos vivendo e a nossa ação (política) é fortalecida pela nossa visão de fé, de fidelidade a Cristo que seguiu os princípios da ética, justiça, solidariedade, amor ao próximo. Lembra-nos o Documento de Aparecida que os leigos e leigas conscientes de sua chamada à santidade em virtude de sua vocação batismal são os que têm de atuar à maneira de fermento na massa para construir uma cidade temporal que esteja de acordo com o projeto de Deus (505) e esta cidade temporal é construída com nossas ações e também omissões políticas. Nosso agir deve ser claro e decidido para que “assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras.” (Mt 5,16). Cabe a cada um de nós a escolha sobre o tipo de política que queremos realizar e as conseqüências de nossas decisões. José Antonio Somensi (Zeca)

Em busca de sabedoria ecológica

Por Leonardo Boff Adital - do Rio de Janeiro 27/5/2008 22:50:14 O paradigma civilizatório globalizado assentado sobre a guerra contra Gaia e contra a natureza está levando todo o sistema da vida a um grande impasse. Há sinais inequívocos de que a Terra não agüenta mais esta sistemática exploração de seus recursos e a ofensa continuada da dignidade de seus filhos e filhas, os seres humanos, excluídos e condenados, aos milhões, a morrer de fome. Mas precisamos estar conscientes de que esta guerra não será ganha por nós, mas por Gaia. Como observava Eric Hobsbawm na última página de seu conhecido livro A era dos extremos (1994): "O futuro não pode ser a continuação do passado; nosso mundo corre o risco de explosão e implosão; tem de mudar; a alternativa para uma mudança da sociedade é a escuridão". Como evitar esta escuridão que pode significar a derrocada de nosso tipo de civilização e eventualmente o Armagedon da espécie humana? É imperioso revisitarmos outras civilizações que nos podem inspirar sabedoria ecológica. Há muitas. Escolho a civilização maya, pelo simples fato de que tive a oportunidade no mês de março deste ano de freqüentar durante 20 dias as regiões da América Central habitadas ainda hoje pelos sobreviventes daquele extraordinário ensaio civilizatório e dialogado longamente com seus sábios, sacerdotes e xamãs. Daquela riqueza imensa quero ressaltar apenas dois pontos centrais que são grandes ausências em nosso modo de habitar o mundo: a cosmovisão harmônica com todos os seres e sua fascinante antropologia centrada no coração. A sabedoria maya vem da mais alta ancestralidade e é conservada pelos avós e pelos pais. Como não passaram pela circuncisão da cultura moderna, guardam com fidelidade as antigas tradições e os ensinamentos, consignados também em escritos como no Popol-Vuh e nos Livros de Chilam Balam. A intuição básica de sua cosmovisão se aproxima muito à da moderna cosmologia e física quântica. O universo é construído e mantido por energias cósmicas pelo Criador e Formador de tudo. O que existe na natureza nasceu do encontro de amor entre o Coração do Céu com o Coração da Terra. A mãe Terra é um ser vivo que vibra, sente, intui, trabalha, engendra e alimenta a todos os seus filhos e filhas. A dualidade de base entre formação-desintegração (nós diríamos entre caos e cosmos) confere dinamismo a todo o processo universal. O bem estar humano consiste em estar permanentemente sincronizado com esse processo e cultivar um profundo respeito diante de cada ser. Então ele se sente parte consubstancial da Mãe Terra e desfruta de toda sua beleza e proteção. A própria morte não é inimiga: é um envolver-se mais radicalmente com o Universo. Os seres humanos são vistos como "os filhos e filhas esclarecidos, os averiguadores e buscadores da existência". Para chegar a sua plenitude o ser humano passa por três etapas, verdadeiro processo de individuação. Ele poderá ser "gente de barro": pode falar mas não tem consistência face às águas pois se dissolve. Desenvolve-se mais e pode ser "gente de madeira"; tem entendimento, mas não alma que sente porque é rígido e inflexível. Por fim alcança a fase de "gente de milho": este "conhece o que está perto e o que está longe". Mas sua característica é ter coração. Por isso "sente perfeitamente, percebe o Universo, a Fonte da vida" e pulsa ao ritmo do Coração do Céu e do Coração da Terra. A essência do humano está no coração, naquilo que viemos dizendo há anos, na razão cordial e na inteligência sensível. É dando centralidade a elas que se mostram pelo cuidado e pelo respeito que podemos nos salvar. Leonardo Boff é teólogo e professor emérito de ética da UERJ.

Olá, tudo bem?

Estamos em maio e tinha a intenção de escrever sobre o trabalho e o trabalhador, mas ando com umas atitudes estranhas ultimamente. Vejam vocês que agora estou me detendo na reação das pessoas quando as cumprimento com um bom dia, boa tarde, boa noite, olá e outras expressões de cordialidade. Muitas vezes reconhecemos o espanto de quem não é acostumado a ouvir estas expressões, principalmente de um “estranho”, outras vezes percebemos que as pessoas respondem apenas por educação (?), outras tantas vezes respondem como se fizessem um favor responder, enfim uma verdadeira chateação. Tem pessoas que respondem de maneira agradável (pouquíssimos), retribuindo com carinho e há aqueles que simplesmente nos ignoram. São pessoas que encontramos no ponto do ônibus, nas ruas do nosso bairro, na porta de nossa igreja, no trabalho. Arrisco-me a dizer que com este tipo de observação podemos entender melhor porque vivemos num mundo tão individualista e competitivo. Criamos uma redoma tamanha que um simples gesto de cordialidade já é visto como uma agressão, invasão de privacidade, quebra de uma rotina ou outros interesses com objetivo único de levar a melhor. Se olharmos para história a gente percebe que desde o homem das cavernas até os avanços científicos atuais só foi possível a sobrevivência humana diante das adversidades porque souberam enfrentar as dificuldades através de uma convivência em grupo. Com o passar do tempo, mais precisamente neste último século, cresceu a cultura da concorrência, da disputa, do individualismo consumista. Fomos lentamente “moldados” para agirmos como se fôssemos “pitbuls humanos” (guardadas as proporções) que tomam conta dos noticiários freqüentemente, ou seja, criou-se em nossa sociedade o desejo de agressão, raramente física, mas do querer a qualquer preço, se necessário atropelar o colega de trabalho, que deixou de ser colega e tornou-se concorrente, querer mostrar para o vizinho que “está podendo”, mostrar que estamos consumindo o que existe de mais moderno, melhor, mais caro. Estamos deixando as relações sociais e criando aquilo que os estudiosos chamam de tensões sociais. Como mudar esta situação? O que um cristão pode fazer? Como afirma o filósofo Álvaro Valls “vivemos uma economia centrada no lucro, na ganância, no aumento da riqueza e do poder e para combatê-la é preciso inspiração religiosa que aumente o espaço para o amor e mesmo com os “pecados” e desvios na história do cristianismo têm uma mensagem de convívio fraterno”. Encontramos isso na vida de Jesus Cristo “sereis meus discípulos se amardes uns aos outros” (Jo 13,35) de São Francisco de Assis com sua “infinita humanidade do irmão”, Irmãs Dulce, Teresa de Calcutá e várias pastorais que antes de serem apenas assistencialistas são portadoras de um desejo de um mundo melhor. Se nossa geração é acusada de criar condições para acabar com o planeta Terra não sei quantas vezes pode ser também a geração que iniciará um novo tempo, um tempo de cooperação capaz de frear este individualismo sem perder a individualidade, de mostrar através de nossas ações um Deus humano e que consegue dialogar com as religiões existentes sem o medo de “perder fiéis”. Gandhi dizia que a verdade de uma religião está na fragrância de espiritualidade, amor e paz que emana de seus seguidores. Que saibamos ser esta fragrância capaz de vencer esta lógica do mercado através de nossa hospitalidade, acolhida, solidariedade e respeito às diferenças como bem nos lembra a Carta do 1º Fórum da Igreja Católica do Rio Grande do Sul ao afirmar que devemos transformar a lógica competitiva e excludente do sistema em práticas de solidariedade e inclusão. Podemos tentar fazendo algo sem muita dificuldade. Que tal começarmos com um olá, tudo bem? José Antonio Somensi (Zeca)

20.5.08

E o toco do eucalipto??

SUCESSÃO NO MMA

Carlos Minc: idéias novas e velhos adversários

Na primeira reunião com o presidente Lula após ser convidado para assumir o Ministério do Meio Ambiente, Minc prometeu agilidade no trato das questões ambientais, mas apresentou propostas que desagradaram os setores ligados ao agronegócio.

Maurício Thuswohl

RIO DE JANEIRO – O conteúdo da primeira reunião de Carlos Minc com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, revelou o perfil que deverá ter a gestão do novo ministro do Meio Ambiente. Na conversa de pouco mais de uma hora, realizada segunda-feira (19) no Palácio do Planalto, Minc prometeu imprimir em nível federal a mesma agilidade na concessão de licenças e na resolução de conflitos ambientais que marcou sua gestão como secretário do governo do Rio de Janeiro nos últimos 17 meses. Em contrapartida, o novo ministro apresentou uma série de propostas e exigências que deixaram clara sua opção política por seguir uma linha muito parecida com a trilhada por sua antecessora, o que indica que terá de enfrentar os mesmos (e fortes) adversários de Marina Silva.

Um dos pedidos de Minc ao presidente _ prontamente aceito, segundo o novo ministro _ foi o de não alterar a resolução do Banco Central que proíbe a partir de 1º de julho a concessão pelos bancos oficiais de qualquer crédito agrícola a produtores acusados de desmatamento ou em situação de irregularidade ambiental. Essa medida vem sedo combatida no Congresso Nacional pela bancada ruralista e é criticada pelos governadores e fazendeiros Blairo Maggi (Mato Grosso) e Ivo Cassol (Rondônia), mas, segundo Minc, sua manutenção é fundamental para garantir a continuidade do combate ao desmatamento da Amazônia.

Minc também pediu a Lula que liberasse os cerca de R$ 850 milhões do orçamento destinado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) que estão contingenciados para garantir a obtenção do superávit primário. Frente a essa reivindicação, que era também base de uma das principais queixas da ex-ministra Marina Silva, o presidente prometeu apenas “fazer o possível para liberar as verbas progressivamente”. Ainda assim, segundo Minc, Lula assumiu um compromisso: “Não sei quando e quanto sairá, mas o presidente garantiu que o dinheiro sairá”, disse o novo ministro.

Outra proposta apresentada foi a criação de um sistema nacional de incentivos fiscais aos estados que preservam o meio ambiente. Batizado por Minc como “Imposto de Renda Verde”, esse sistema seria semelhante ao ICMS Verde implantado em sua gestão como secretário estadual do Ambiente no Rio de Janeiro. No estado, a lei prevê que parte da cota de 25% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) destinada aos municípios fique com as prefeituras que adotam políticas ambientais como programas de despoluição de rios e mananciais ou criação de unidades de conservação, entre outras. Segundo Minc, Lula e Dilma “adoraram a idéia”.

Desmatamento zero

Carlos Minc também propôs ao presidente e à chefe da Casa Civil a implementação do projeto Desmatamento Zero, apresentado em outubro do ano passado por nove organizações do movimento socioambientalista. O projeto prevê um plano de metas anuais, incentivos sociais e pagamentos por serviços ambientais que reduza a zero o desmatamento da Amazônia até 2015, e tem custo inicial estimado em R$ 1 bilhão por ano. Os recursos para sua aplicação, segundo a proposta das ONGs encampada pelo novo ministro, viriam de fontes nacionais e internacionais.

Também aprovada pelo presidente, segundo novo ministro, foi a proposta de criação de uma Guarda Nacional Ambiental. Com o objetivo de defender as unidades de conservação brasileiras de atividades criminosas como desmatamento, caça e extração ilegal e biopirataria, essa força seria formada por policiais militares recrutados nos estados e funcionaria nos mesmos moldes da Força Nacional de Segurança (FNS). Antes de conversar com Lula e Dilma, Minc chegou a sugerir a participação das Forças Armadas nessa tarefa, mas foi demovido da idéia: “O presidente aceitou que se crie uma guarda nacional. Isso terá efeito mais imediato, pois não precisaremos mexer na Constituição”.

“Ecologista de Copacabana”

A postura de Carlos Minc antes mesmo de assumir oficialmente o cargo (o que acontecerá somente no dia 27 de maio) contrariou alguns setores ligados ao agronegócio no Congresso e no governo federal. Eterno líder da bancada ruralista, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) disse que Lula “trocou seis por meia dúzia”. Outro luminar do agronegócio, Abelardo Lupion (DEM-PR) classificou Minc como “ecologista de Copacabana” e traduziu a expectativa de seus pares com o novo ministro: “O que se pode esperar de um sujeito que não conhece o Brasil?”.

Eleito inimigo-mor da Amazônia pelo movimento socioambientalista brasileiro, Blairo Maggi também já faz críticas públicas a Minc. O governador de Mato Grosso é atualmente a principal voz contrária à resolução do Banco Central que pune os proprietários agressores do meio ambiente com o fim da concessão de crédito agrícola: “O Governo de Mato Grosso não tem a mínima condição de licenciar todas as propriedades do bioma amazônico nesse prazo. Se for mantida, essa resolução do Banco Central vai acabar com a atividade econômica de muitas cidades”, disse Maggi, durante um evento realizado em Cuiabá no mesmo momento em que Minc conversava com Lula e Dilma.

Presente ao mesmo evento que Maggi, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, ainda sem saber da exigência de manutenção da medida do BC feita por Minc, seguiu a mesma linha do governador: “Antes mesmo da saída da ministra Marina, o governo já discutia a impossibilidade do cumprimento dessa medida. Alguns municípios de Mato Grosso tem apenas 4% de seu território localizado em bioma amazônico e, ainda assim, não conseguiram atender às exigências do Banco Central”, disse Stephanes.

O poder das barricadas

Título Original: Street-Fighting Years, an Autobiography of the Sixties
Subtítulo: uma autobiografia dos anos 60
Autor(a): Tariq Ali
Tradutor(a): Beatriz Medina
Páginas: 408
Ano de publicação: 2008

A década de 1960 – e, dentro dela, o explosivo ano de 1968 – ainda hoje é referência em termos de mobilização da juventude, utopia, revolução de costumes e liberação da mulher. Há quarenta anos, jovens do mundo todo se manifestavam contra a Guerra do Vietnã e transformavam as relações pessoais estabelecidas pela moral conservadora. Em todos os cantos, lutavam contra o autoritarismo e a repressão com as armas que possuíam, questionando estruturas sociais e de poder por meio da arte, da música e do comportamento. Se esses anos de luta não conseguiram mudar o mundo como pretendiam seus protagonistas, com certeza imprimiram transformações significativas.

O escritor paquistanês Tariq Ali viveu os anos 1960 intensamente, participando de acontecimentos políticos na Europa, na Ásia e nas Américas. Sua trajetória está relacionada aos episódios mais relevantes da década e é relatada em O poder das barricadas: uma autobiografia dos anos 60. O livro traça um panorama fundamental para a compreensão da avalanche de protestos que tomou conta do mundo durante o período.

A edição original da obra é de 1987, jamais publicada no Brasil. A Boitempo se baseou na versão de 2005, revista e ampliada pelo autor. Tariq Ali preferiu desconsiderar críticas ao texto original sob o argumento de que “não se deve ajustar a História às necessidades do presente”. Partindo desse ângulo, o livro retrata o que autor chama de “tempos de esperança”, com sua diversidade e riqueza cultural e política. A versão ampliada conta ainda com uma entrevista com John Lennon e Yoko Ono feita por Tariq Ali, em 1971.

O poder das barricadas: uma autobiografia dos anos 60 nos leva de Paris a Praga, passando por Hanói e Bolívia, com direito a encontros com figuras como Malcolm X, Bertrand Russell, Chu En-lai, Edward Said e Marlon Brando. O livro captura em detalhes o clima e a energia dos anos 1960, algo inesquecível mesmo para quem considera perda de tempo os acontecimentos do período. O sociólogo Emir Sader, responsável pela orelha do livro, sintetiza o impacto do texto: trata-se de “um grande elogio à militância política, que mostra a descoberta da rebeldia. Não se trata apenas de um livro de memórias, mas de uma introdução à política revolucionária, ao que significa ser militante”.

Sobre o autor

Tariq Ali é jornalista, escritor, historiador, cineasta e ativista político. Nascido em 1943 no Paquistão, atualmente vive na Inglaterra, onde colabora com diversos periódicos e é um dos editores da revista New Left Review. É especialista em política internacional e tem se destacado com análises sobre o Oriente Médio e a América Latina.

Que anos foram aqueles?


O fim de um ciclo expansivo

A década de 60, junto com a de 20, do século XX, apareceram como aquelas em que os grandes projetos anti-sistêmicos pareciam possíveis, porque décadas de crise hegemônica, em que as grandes estruturas de poder mundial mostravam fissuras e projetos alternativos exibiam força e pretensões. Na década de 20, a conseqüências da guerra, a derrota alemã – onde se concentrava a esquerda mais forte da época -, a vitória da revolução bolchevique – produziram um cenário de crise hegemônica.

Grandes transformações poderiam ser previstas naquele momento, de tal forma várias sociedades européias tinham sido profundamente afetadas pela guerra, tivessem ou não triunfador na guerra. Mas as derrotas da esquerda, em particular na Alemanha e na Itália, abriram campo para que as grandes transformações fossem fortemente regressivas, instaurando o fascismo e o nazismo. A década se concluía com a abertura de um período contra-revolucionário de massas.

Para chegar à década de 60, o mundo passou pela Segunda Guerra Mundial – que, com o passar do tempo, se assemelha cada vez mais a um segundo tempo da uma única guerra, de 3 décadas -, que terminou de concretizar aos EUA como nova potência mundial emergente, diante da superada Grã-Bretanha e da derrotada Alemanha. E, terminada esta, pelo mais longo ciclo longo expansivo do capitalismo, que na Europa foram chamados de os “30 gloriosos”, pela expansão econômica e pela afirmação de direitos sociais, incluindo o pleno emprego.

A “era de ouro do capitalismo” – segundo Eric Hobsbawn – viu o crescimento simultâneo das potências centrais do capitalismo – de suas locomotivas nesse ciclo, os EUA, a Alemanha e o Japão -, de núcleos do Terceiro Mundo – como os processos de industrialização no México, na Argentina e no Brasil – e do recém constituído “campo socialista”. Esse ciclo se dá com os EUA funcionando como o grande fator de reativação – com o Plano Marshall promovendo a reconstrução da Europa, em particular dos países derrotados, Alemanha e Itália -, assim como do Japão e da Coréia do Sul, sob ocupação militar dos EUA.

A crise do mundo bipolar

A ascensão dos EUA se institucionalizou com os acordos de Yalta, mas que ao mesmo temo formalizaram a constituição do “campo socialista”, sob a liderança da outra super-potência mundial – a União Sovética. O ciclo de maior expansão econômica capitalista foi, ao mesmo tempo, o da bipolaridade e o de maior extensão dos direitos sociais e políticos. Neste aspecto, coincidiram, não por acaso, anti-liberalismo e o momento menos injusto do capitalismo.

A década de 60 não se explica por fatores meramente econômicos, mas sua explosividade tem, também no plano econômico, condimentos importantes. As maiores mobilizações populares costumam dar-se no final de um grande ciclo expansivo, quando os direitos conquistados passam a ser colocados em jogo e as expectativas de continuidade da extensão dos direitos sofre uma freada. O longo ciclo expansivo, responsável, junto à força reivindicativa dos sindicatos, pelo pleno emprego, refletia uma correlação de forças social e ideológica favorável aos trabalhadores.

Esse ciclo revelava sinais de que terminava na entrada da década de 60, com diminuição do ritmo de crescimento das economias, ao mesmo tempo que as mobilizações populares seguiam lutando pela ampliação dos seus direitos.

Do ponto de vista político, a bipolarização entre as duas super-potências revelava dificuldades para seguir mantendo sob sua direção os processos políticos mundiais. A razão fundamental era o surgimento e o fortalecimento do chamado Terceiro Mundo, a partir da multiplicação acelerada da independência das colônias européias na Ásia e na África, ao lado da ascensão das lutas anti-ditatoriais e de anti-imperialistas na América Latina. Ao lado desse aspecto, as divergências sino-soviéticas projetavam a China como potência autônoma, com capacidade própria de liderança internacional.

A crise cubana foi um momento de intensificação dos conflitos entre as super-potências, que se concluiu com desgaste nas relações entre Cuba e a URSS, pela resolução entre esta e os EUA, sem consulta a Havana. Mas esse não foi o único risco à política de “convivência pacífica”, em que a competição e a colaboração econômica ia afirmando a interdependência entre as duas super-potências.

A vitória da revolução cubana, como resultado de um processo de guerra de guerrilhas, favoreceu a multiplicação dessa forma de luta na América Latina – com guerrilhas no Peru, na Guatemala, na Venezuela, somando-se àquelas da Colômbia e da Nicarágua -, mas também na África (como na Argélia,no Congo, em Angola, em Moçambique, na Guinea-Bissau, no Marrocos, entre outros) e na Ásia. Aqui, a resistência vietnamita lutava contra a ocupação militar norte-americana, depois de haver derrotado as forças japonesas e francesas, luta que se estenderia ao Laos e ao Cambodja, além das lutas na Indonésia – vítima de um dos maiores massacres do século XX, para contê-la.

A extensão das lutas guerrilheiras, incentivadas e apoiadas pela China e por Cuba – as duas maiores lideranças emergentes -, questionavam a política de “coexistência pacífica” entre EUA e URSS. O Movimento de Países Não-Alinhados organizava as forças da periferia, onde disputavam liderança a China e Cuba.

A China, acentuando suas divergências com a URSS, a partir da crítica do modelo de desenvolvimento econômico que, segundo ela reprodução os capitalistas, passou a criticar a política de coexistência pacífica e os acordos de desnuclearização, que mantinham esse poder nas potências que já dispunham dele, bloqueando o acesso de novos países à tecnologia nuclear. A intensificação da polêmica e a posta em prática pela China do processo de “revolução cultural”, radicalizaram as posições defendias por Mao-Tse-Tung, até caracterizar a URSS como “imperialista” ou “social-imperialista” – social nas palavras e imperialista de fato.

A caracterização da URSS como imperialista a igualava aos EUA, definindo os conflitos entre eles como divergências interimperialistas. Trata-se assim de romper com essa bipolaridade entre as duas super-potências, caracterizadas ambas como imperialistas. Porém a análise chinesa se radicalizava ainda mais, ao definir que o imperialismo norte-americano seria decadente – chamado de “tigre de papel” -, enquanto o soviético seria mais perigoso, por ascendente.

Colocavam-se assim as premissas para concentrar a luta contra a URSS como inimigo fundamental, assim como abrir espaço para uma aliança tática com os EUA – o que só começaria a concretizar-se no começo da década seguinte, em 1971, com a visita de Nixon à Pequim.

Cuba buscava espaços para as lutas guerrilheiras nos três continentes, coordenadas na Tricontinental e na Organização Latinoamericana de Solidariedade (Olas), ambas constituídas em reuniões em Havana. Tinha diferenças com a URSS – principalmente na atitude em relação aos EUA – e com a China, porém procurava não aprofundar conflitos com esses países. Na América Latina as diferenças eram mais acentuadas, pela presença dos partidos comunistas, que em quase todos ao países tinham conflitos com os movimentos guerrilheiros, na definição das estratégias nacionais.

A resistência vietnamita

O tema político aglutinador da década de 60 foi a solidariedade com a resistência vietnamita à ocupação militar norte-americana. A luta dos vietnamitas recebia a solidariedade da URSS, da China, de Cuba, dos movimentos de libertação e grande parte dos governos dos três continentes periféricos. Para os EUA pareciam representar simplesmente mais uma incursão militar, entre tantas outras, fácil, por atacar um país atrasado, agrícola, produtor de arroz. Tratava-se de ter sucesso onde o Japão e a França – potências coloniais decadentes – tinham fracassado. Tratava-se de “dar uma lição”, que tivesse eco em outros países em que se desenvolviam lutas guerrilheiras.

A força demonstrada pela resistência vietnamita foi levando os EUA a desenvolver uma escalada militar cada vez maior, chegando a ter 700 mil soldados no país, a minar o porto de Hanoi, a utilizar napalm para atacar zonas de ação da guerrilha. As atrocidades se sucediam, eram exibidas pela imprensa internacional, a quantidade de mortos norte-americanos enfraquecia a coesão interna nos EUA, intensificando-se tanto a solidariedade internacional com o Vietnam, como as lutas internas nos EUA pela retirada das tropas, pela negação de se incorporar às FFAA norte-americanas e pela deserção dos soldados já incorporados.

A coesão interna aos EUA era afetada também por outro movimento, além da luta pacifista. A luta pelos direitos civis, que buscava terminar com as discriminações raciais ainda existentes nos EUA. Sua combinação levará à maior crise de legitimidade do sistema política norte-americano, porque ela se dava no marco de outros acontecimentos, como os assassinatos de John Kennedy, do seu irmão Bob Kennedy, dos lideres negros Malcom X e Martin Luther King. Essa ruptura da unidade interna durante uma guerra externa costuma ser fatal para o sucesso bélico e se desenhava, surpreendentemente, uma grave derrota dos EUA.

A centralidade da luta contra o imperialismo dos EUA favorecia a extensa solidariedade. Pouco antes da sua morte na Bolívia, o Che havia lançado sua Mensagem à Tricontinental, em que, depois de criticar como as divergências entre a China e a URSS enfraqueciam o apoio ao Vietnam, que ficava solitário diante dessas divisões em um campo que deveria estar unificado diante do imperialismo norte-americano. O Che destacava a centralidade da luta dos vietnamitas de resistência à invasão norte-americana e como dela dependia o futuro da luta anti-imperialista. Mas concluía, destacando a melhor forma de solidariedade com os vietnamitas: “Criar dois, três, muitos vietnãs” – que se tornou logo um dos grandes lemas das lutas de 68.

Na Europa ocidental, especialmente na França e na Alemanha, formaram-se grande quantidade de Comitês de Solidariedade ao Vietnam. Foram estes comitês os que congregaram os estudantes e deram inicio às mobilizações que desembocariam nas barricadas de 68. Um deles, o da Universidade de Nanterre, foi o detonante das lutas de maio de 68. Bastaria isso para destacar o papel fundamental que os temas internacionais, em particular a solidariedade com os vietnamitas e contra o imperialismo norte-americano, tiveram em todas as lutas da década de 60.

O internacionalismo, a solidariedade

A imagem do Che foi a principal imagem que marcou a década, especialmente depois da sua morte, em outubro de 1967. Suas citações – além da já mencionada sobre o Vietnã –povoaram as lutas e os imaginários políticos e ideológicos: “O dever de todo revolucionário é fazer a revolução”; “É preciso endurecer, sem perder a ternura, jamais.”; “o verdadeiro revolucionário é feito de grandes sentimentos de amor.”

Sua imagem passou a representar a rebeldia, o compromisso ético da militância revolucionária, a solidariedade internacionalista, expressa da forma mais concreta na sua gesta no Congo, primeiro, na Bolívia em seguida. O movimento dos anos 60 tinha um forte componente internacionalista, solidário. Todas as lutas dos povos do mundo eram reivindicadas pelas mobilizações, pelos movimentos, pelas publicações, pelas palavras-de-ordem.

Em um caso concreto, quando Cohn-Bendit foi proibido de reingressar na França, onde vivia, embora fosse alemão de nascimento, os movimentos cunharam a expressão: “Somos todos judeus alemães”, de forma similar ao que havia feito a Comuna de Paris, quando, em pleno conflito bélico da França com a Alemanha, nomeou como Ministro do Trabalho a um operário alemão, para mostrar que os interesses dos trabalhadores de todos os países eram os mesmos e se situam por cima dos conflitos bélicos entre as burguesias dos vários países.

Postado por Emir Sader, 17/05/2008 às 18:34

Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz