Páginas

pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

21.5.14

TVE » Frente a Frente » Gérard Duménil

Confira a íntegra do Frente a Frente de 08/05/2014, com o economista francês Gérard Duménil, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica de Paris.

Duménil é um dos mais influentes pesquisadores sobre o neoliberalismo da atualidade. Em “A crise do neoliberalismo”, escrito em conjunto com Dominique Lévy, também influente pesquisador do tema, realiza uma análise da crise econômica iniciada nos Estados Unidos em 2007 e que tem impactos no capitalismo mundial ainda hoje.  Ele veio ao Brasil para debater o tema e promover o lançamento do livro.

Para entrevistá-lo, foram convidados: José Antônio Vieira da Cunha, diretor do portal Coletiva.net; Juremir Machado da Silva, professor, colunista do jornal Correio do Povo e apresentador da Rádio Gaúcha; e Marco Weissheimer, editor do blog RS Urgente e colunista de Política do portal Sul Vinte Um.



Apresentação: Carlos Machado.

Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=RCOsQCYPXek
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=1XVJbNQ8QM8
Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=bSKjTPJeujY
Parte 4 - http://www.youtube.com/watch?v=3K7KQ-rcfu0


http://www.tve.com.br/programas/frenteafrente/

Vamos a andar

(Silvio Rodríguez)

Vamos a andar
en verso y vida tintos
levantando el recinto
del pan y la verdad.

Vamos a andar
matando el egoísmo
para que por lo mismo
reviva la amistad.

Vamos a andar
hundiendo al poderoso
alzando al perezoso
sumando a los demás.

Vamos a andar
con todas las banderas
trenzadas de manera
que no haya soledad.

Vamos a andar
para llegar
a la vida.

(1978)
http://www.cancioneros.com/nc/1529/0/vamos-a-andar-silvio-rodriguez

https://www.youtube.com/watch?v=kIL9U2PoiYw

20.5.14

E agora, a mídia reacionária vai investigar a denúncia do Dilma Bolada?

20/5/2014 14:16

Por Conceição Oliveira - de São Paulo


Jeferson e Dilma encontraram-se, no Palácio do Planalto

Toda a rede social, especialmente Twitter, Facebook, também a grande mídia e até os geeks conhecem o estudante de publicidade carioca, Jeferson Monteiro, nascido em Bonsucesso, Zona Norte do Rio. Ele é o criador do perfil Dilma Bolada e das bem-humoradas sacadas que humanizam a presidenta a ponto de fazer uma montagem de Dilma fazendo selfie de camisolão no banheiro, dando boa noite à nação.

Nadando contra a corrente preconceituosa e sexista das centenas de perfis criados para ofender a presidenta, o perfil Dilma Bolada sempre provocou o riso pelo caminho da humanização da primeira mulher eleita para governar o Brasil.

Confesso que a primeira vez que vi o perfil e senti sua força fiquei com medo de ser algo criado para atacar Dilma, procurei saber quem era e durante um bom tempo acompanhei as postagens do perfil. Minha preocupação era porque o perfil de fato é criativo e a ‘pegada’ dele atrai muitos seguidores. Jeferson não fala apenas para petistas e consegue unir a presidenta e Valeska Popozuda e nos fazer rir. Não aquele riso escroto do escárnio preconceituoso típico da mídia reacionária ou dos padrão ‘humor’ preconceituoso CQC. A gente ri de uma característica forte de Dilma, quase uma Mônica, do Maurício de Souza, dando bronca em ministros, em chefes de Estado como Obama, conversando com roqueiro, andando de moto, desfilando diva, rainha da nação nos chatíssimos eventos internacionais.

Jeferson consegue fazer da agenda oficial da presidenta algo bem humorado. Eu acho que, sem sombra de dúvida, o perfil fictício de Dilma Bolada contribuiu mais do que a Secom inteira para positivar a imagem de Dilma nas redes sociais, que é atacada diuturnamente na mídia monopolista e reacionária, que não raro usa do sexismo em suas detratações e consegue ampla reverberação de seus ataques na rede.

Sempre soube que Jeferson seria assediado para que se fizesse uso partidário de sua criação. A oposição tentou inclusive tirá-lo do ar aludindo campanha eleitoral e foi derrotada. Jeferson chegou a anunciar o fim do perfil para a tristeza de mais de um milhão de seus seguidores. Ele foi atacado, como os blogueiros progressistas são atacados diuturnamente, por não se somar ao coro reacionário contra as políticas públicas implementadas pelos governos petistas.

Foi então que, na noite passada, ele denunciou, no Facebook, em seu perfil pessoal, que uma agência de publicidade a serviço dos tucanos e intermediada por um mineiro e ‘marqueteiro digital’ Pedro Guadalupe que, de acordo com Jeferson, trabalha para o PSDB e criou um outro perfil também intitulado Dilma Bolada, mas que além do nome nada tinha a ver com o perfil criado por Jeferson e chegou a ameaçá-lo na disputa pelo nome “Dilma Bolada”.

Quem está fora das redes sociais não tem a dimensão do valor agregado que um perfil com mais de um milhão de seguidores, com crescimento orgânico (ou seja, sem uso de publicidade do Facebook para engordar seguidores e curtidas em posts) pode valer no mercado das campanhas eleitorais e de campanhas publicitárias. Não é pouco dinheiro, é dinheiro pra realizar sonhos de viagens e casa própria e sobrar alguns trocados.

Num país em que a mídia concentrada fizesse jornalismo, num país onde a Justiça Eleitoral agisse para garantir a lisura do processo, a denúncia de Jeferson Monteiro seria um escândalo e mereceria rigor na apuração. Mas, de acordo com a denúncia do criador de Dilma Bolada foi uma agência a serviço dos tucanos, então não teremos a grande mídia reacionária investigando e esclarecendo qual agência, quanto ofereceu, em que moldes se daria a compra do perfil, para quais usos, quais as provas da denúncia etc. Teremos claro, fora dos grandes meios de concentração midiática, alguns poucos jornalistas que não abandonaram o papel de comunicação social do fazer jornalístico, investigando isso.

Quanto a mídia gorda de publicidade, concentrada e reacionária, ela tem mais o que fazer, como:

“Divulgar” um perfil cópia da criação de Jeferson em matéria de jornal quando o perfil ‘original’ Aécio Boladasso tinha uma única curtida;

Continuar uníssona e diuturnamente na campanha #afundaBrasil, mostrando como Brasil nada presta, todas as instituições estão falidas e a ~culpa~ é sempre do PT;

Distorcer, manipular e tirar fora do contexto uma piada de Lula dita no encontro dos blogueiros, ou ainda fazer enquete com bebês para medir seu ânimo diante das apresentações no palco da Viradinha cultural…

Enfim, nossa mídia ‘séria’ está muito ocupada fazendo campanha contra os governos e lideranças petistas pra fazer jornalismo.

Conceição Oliveira é professora e blogueira, editora do blog Maria Frô.

Leia, a seguir, a denúncia de Jeferson Monteiro

Dilma Bolada: Não está a venda!

Pois bem, como todos sabem há 4 anos eu criei a Dilma Bolada. Desde então minha vida mudou muito devido a isso. Conheci diversas pessoas, lugares e aprendi um monte de coisa. A minha personagem trouxe uma releitura da vida cotidiana da mulher que governa o nosso país, o tom pessoal sempre foi o mesmo, a exaltação e exacerbação da figura de poder de Dilma. Dilma essa que eu sempre admirei, ainda quando Ministra do Presidente Lula, e que resolvi lá em 2010 criar uma conta fake para assegurar o nome de usuário para que terceiro não o usassem de má fé. Bem, o resto dessa história vocês já sabem.

Tudo ocorrera muito bem até que a repercussão e a influência da Dilma Bolada começou a ganhar destaque na mídia de uma forma geral. Isso acabou atraindo a atenção de pessoas que não simpatizavam com a Dilma verdadeira, a Presidenta. Em meados do ano passado, eu tive um sério problema com uma pessoa chamada Pedro Guadalupe(que hoje trabalha para o PSDB). Pra quem não sabe, Guadalupe é um auto-intitulado “marketeiro digital” que atua em Minas Gerais(mas na verdade a especialidade dele é mesmo comprar uns bots, inflar páginas, spam, umas montagens ~engraçadas~ toscas tudo com o engajamento tendendo a zero). Ele já trabalhou para o PT e agora está com o PSDB. Pois bem, ano passado esse mesmo Pedro Guadalupe criou uma página também chamada “Dilma Bolada” e ameaçou dizendo que caso eu não me juntasse a ele e apoiasse quem ele apoiava, ele iria tomar o nome “Dilma Bolada” de mim e derrubar a minha solicitação de registro no Instituto Nacional de Propriedade Industrial(INPI), ele não apenas me mandou mensagens dizendo como expôs isso no Twitter onde todos puderam ver o caráter do sujeito. Eu, obviamente, ignorei e tudo que ele falara foi de fato um blefe.

Dito isto, vamos aos fatos:
Há algumas semanas uma agência de publicidade entrou em contato comigo para conversar. Eu naturalmente aceitei porque é normal as agências procurarem blogueiros e influenciadores para parcerias, eventos, etc. Então, um dos diretores então marcou uma reunião por videconferência e me explicou do que se tratava: a agência que administra diversas páginas aqui no Facebook disse que estava interessada em me convidar para o “casting” deles pois viam em mim um “potencial muito grande”. Primeiramente eles quiseram saber se eu estava coordenando ou tinha algum contato com a direção do PT, ao negar eles foram direto ao assunto: a agência tinha um plano de venda de apoio político das suas páginas para as Eleições Presidenciais deste ano. Ou seja, diversas páginas que todos curtem, gostam e recebem conteúdo diários, iriam fazer campanha eleitoral para o candidato que fechasse um contrato milionário com eles e iria assim difamar os opositores, praticamente um “mensalet”. Na hora que ele me disse isso, eu fiquei meio que sem reação. A naturalidade com que tudo era dito, era realmente inacreditável. Quando eu pedi para que me fosse detalhado o plano, ele me adiantou que já havia tentado fazer acordou ou reunião com a Equipe do PSB(Eduardo Campos) e PT(Dilma Rousseff) mas que não obtivera sucesso. Contudo, ele afirmou que o PSDB de Aécio Neves ficou muito interessado na transição e que havia chances de fecharem com eles. Eu concordei e disse que era bem o estilo tucano de ser e que provavelmente obteriam sucesso nas negociações.

Ao fim da conversa, ele perguntou se eu toparia fazer parte dos “talentos” dele para que fosse feita a negociação com a turma do PSDB. Para a supresa dele eu aceitei. Por sua reação ele provavelmente deu pulos de alegria. Ele não estava acreditando que já tinha o maior trunfo nas mãos: eu, com a Dilma Bolada, para o ninho tucano. (HAHAHA – SABE DE NADA INOCENTE!)

Aos finalmentes: uns dias depois, o cara me retorna o contato dizendo que falou com o Pedro Guadalupe, membro da equipe digital de Aécio Neves, que por sua vez queria falar comigo. Nem deu tempo d’eu responder: o próprio Pedro Guadalupe me enviou um e-mail ansioso se fazendo de amigo, no melhor estilo “lobo em pele de cordeiro” num cinismo sem igual e como se nunca tivesse feito nada pra mim, querendo saber se era mesmo verdade que Dilma Bolada, estava a venda para aproveitar a personagem e usar o seu “capital político/poder para mudar opiniões” dos internautas. Confirmei que eu tinha falado com a Agência e que tudo deveria ser tratado por via dela. A tal agência, por sua vez, disse que eles queriam que eu assinasse um CONTRATO DE EXCLUSIVIDADE para garantir uma amarra da Dilma Bolada a eles e que pudessem efetuar a transação com os tucanos. Eu, é claro, não assinei coisa alguma. Fui em frente, levando a coisa só pra saber até onde ia a cara de pau. Informei que só assinaria após que estivesse tudo acertado e depois que falassem de como seria de fato o tal esquema. Diante disso, na semana passada, a Agência combinou com Pedro Guadalupe uma reunião com os dirigentes responsáveis pelo veredicto final…

Pra mim foi o bastante. Eu, como vocês podem ver, não esperei o tal veredicto. Resolvi expor tudo isso aqui porque eu há mais de 1 ano venho sido constantemente atacado por pessoas dessa corja. Sujos e cínicos que têm a capacidade de inventarem mentiras absurdas que vão desde histórias de que mantenho “ligação direta com a Presidenta” até “de sou pago com o dinheiro público e recebo R$120 mil/mês” como foi dito recentemente num blog de simpatizantes tucanos. Não Pedro Guadalupe, eu não quero o dinheiro sujo de vocês. Diferentemente de você eu tenho caráter. Mas é esse o tipo de gente, que Aécio que diz com a maior cara de pau do mundo que “não vai tolerar campanha suja na internet” mantém na equipe, em contato constante com sua irmã, fazendo o possível e impossível para atacar a honra das pessoas e espalhar todo esse chorume de desinformação na internet. É lamentável que tenhamos chegado a um ponto tão baixo.

Por fim, eu queria dizer que nem todo mundo tem seu preço. E que eu e nem a minha criação estão a venda, nunca estiveram. Eu esperei ansiosamente pra escrever isso: vocês podem comprar quem quiserem mas a mim não. O que eu faço não há dinheiro no mundo que pague. Vocês deveriam ter sido um pouquinho mais espertos e terem tido o feeling pra saber que eu não sou e nunca vou ser como vocês. Lealdade não se compra e nem se vende.

RALA TUCANADA!

http://correiodobrasil.com.br/noticias/opiniao/e-agora-a-midia-reacionaria-vai-investigar-a-denuncia-do-dilma-bolada/705331/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=facebook

Quanto de barbárie existe ainda dentro de nós? | Leonardo Boff

Quanto de barbárie existe ainda dentro de nós?

19/05/2014

Perversidades sempre existiram na humanidade, mas hoje com a proliferação dos meios de comunicação, algumas ganham relevância e suscitam especial indignação. O caso mais clamoroso, nos inícios de maio de 2014, foi o linchamento da inocente Fabiane Maria de Jesus em Guarujá no litoral paulista. Confundida com uma sequestradora de crianças para efeito de magia negra, foi literalmente estraçalhada e linchada por uma turba de indignados.

Tal fato constitui um desafio para a compreensão, pois vivemos em sociedades ditas civilizadas e dentro delas ocorrem práticas que nos remetem aos tempos de barbárie, quando ainda não havia contrato social nem regras coletivas para garantir uma convivência minimamente humana.

Há uma tradição teórica que tentou dilucidar tal fato. Em 1895 Gustave Le Bon escreveu, quiçá por primeiro, um livro sobre a “Psicologia das massas”. Sua tese é que uma multidão, dominada pelo inconsciente, pode formar uma “alma coletiva” e passa a praticar atos perversos que, a “alma individual”, normalmente jamais praticaria. O norte-americano H. L. Melcken ainda em 1918 escreveu “A Turba” um estudo judicioso sobre o fato e mostra a identificação do grupo com um lider violento ou com uma ideologia de exclusão que ganha então um corpo própro e, sem controle, deixa irromper o bárbaro que que ainda se aninha no ser humano. Freud em 1921 retomou a questão com o seu “Psicologia das massas e a análise do eu”. Os impulsos de morte, subsistentes no ser humano, dadas certas situações coletivas, diz ele, escapam ao controle do superego (consciência, regras sociais) e aproveitam o espaço liberado para se manifestar em sua virulência. O indivíduo se sente amparado e animado pela multidão para dar vazão à violência escondida dentro dele.

A análise mais instigante foi feita pela filósofa Hannah Arendt. Em 1961 acompanhou em Jerusalém todo o processo de julgamento do criminoso nazista Adolf Eichamann por crimes contra humanidade. Arendt escreveu em 1963 um livro que irritou a muitos:”Eichmann em Jerusalém:um relato sobre a banalização do mal”. Ela cunhou a expressão “a banalização do mal”. Mostrou como a identificação com a figura do “Führer” e  as ordens dadas de cima podem levar às piores barbaridades com a consciência mais tranquila do mundo. Mas não só em Eichmann se expressa a barbárie. Também naqueles judeus que extravassavam seu ódio a ele, exigindo os piores castigos, como expressão também de um mal interno.

Que concluimos disso tudo? Que um conceito realista do ser humano deve incluir também sua desumanidade. Somos sapentes e dementes. Em outras palavras: a barbárie, o crime, o assassinato pertencem ao âmbito do humano. Demos um dia, há milhares de anos, o salto da animalidade para a humanidade, do inconsciente para o consciente, do impulso destrutivo para a civilização. Mas esse salto ainda não se completou totalmente.

Carregamos dentro de nós, latente mas sempre atuante, o impulso de morte. A religião, a moral, a educação, o trabalho civilizatório foram os meios que desenvolvemos para pôr sob controle esses demônios que nos habitam. Mas essas instâncias não detém aquela força que possa submeter tais impulsos às regras de uma civilização que procura resolver os problemas humanos com acordos e não com o recurso da violência.

Cumpre reconhecer que vigora em nós ainda muita barbárie. Não diria animalidade, pois os animais se regem por impulsos instintivos de preservação da vida e da espécie. Em nós esses impulsos perduram mas temos condições de conscientizá-los, canalizá-los para tarefas dignas, através de sublimações não destrutivas, como Freud e recentemente, o filósofo René Girard com seu “desejo mimético” positivo tanto insistiram.

Mas ambos se dão conta do caráter misterioso e desafiante da persistência desse lado sombrio (pulsão de morte em dialética com a pulsão de vida) que dramatiza a condição humana e pode levar a fatos irracionais e criminosos como o linchamento de uma pessoa inocente.

Todos pensamos nos linchadores. Mas quais seriam os sentimentos de Fabiane Maria de Jesus, sabendo-se inocente e sendo vítima da sanha da multidão que faz “justiça” com suas próprias mãos? A questão principal não é o Estado ausente e fraco ou o sentimento de impunidade. Tudo isso conta. Mas não esclarece o fato da barbaridade. Ela está em nós. E a toda hora no mundo ela ressurge com expressões inomináveis de violência, algumas reveladas pela Comissão da Verdade que analisa as torturas e as abominações praticadas por tranquilos agentes do Estado de terror, implantado no Brasil.

O ser humano é uma equação ainda não resolvida: cloaca de perversidade para usar uma expressão de Pascal e ao mesmo tempo  irradiação de bondade de uma Irmã Dulce na Bahia que aliviava os padecimentos dos mais miseráveis. Ambas realidades cabem dentro desse ser misterioso – o ser humano – que sem deixar de ser humano ainda pode ser desumano.

Temos que completar ainda o salto da barbárie para a plena humanidade. A situação violenta do mundo atual, também contra a Mãe Terra nos deixa apreensivos sobre a possibilidade de um desfecho feliz deste salto. Só mesmo um Deus nos poderá humanizar. Ele tentou mas acabou na cruz. Um dos significados da ressurreição é nos dar a esperança que ainda é possível. Mas para isso precisamos crer e esperar.

http://leonardoboff.wordpress.com/2014/05/19/quanto-de-barbarie-existe-ainda-dentro-de-nos/

O surgimento dos ‘coxinhas’

GÍRIA & SOCIEDADE

O surgimento dos 'coxinhas'

Por Sergio da Motta e Albuquerque em 03/09/2013 na edição 762

Os protestos iniciados em junho trouxeram com eles o emprego em massa de um vocábulo conhecido por descrever um petisco popular pouco saudável: a coxinha. Mas agora a palavra adquiriu novo sentido e eu demorei a entender com certeza seu significado preciso. A fala dos manifestantes trazia cada vez mais a meus ouvidos cariocas esta palavra que eu só conseguia entender pelo contexto: "coxinha" podia ser um adjetivo ou substantivo, a depender da situação, e referia-se a alguém meio tolo, ou conservador. Também ouvi falar do verbo "coxinhar". Que se refere à atividade do "coxinha", ou às ações de um. Mas isso foi pouco para mim e para muitos outros brasileiros.

O que é, afinal, um "coxinha"? O que é ser "coxinha"? O vocábulo, amplamente usado nos protestos, era um enigma para mim. Encontrei duas publicações que tentaram explicar o novo significado do velho e gorduroso petisco de botequim: ano passado, a Folha de S.Paulo (22/04/2012), em sua revista de domingo, fez uma boa tentativa. Começou com uma explicação de sua abrangência geográfica: trata-se de gíria paulistana. Para explicar o novo significado da palavra entrevistou pessoas que já tinham ouvido falar dela. Logo surgiu um consenso sobre o seu significado: "coxinha" é gente engomada, certinha, que segue a maioria. Gente convencional e conservadora, em suma.

Mas foi o diário Correio do Brasil (23/06) que apresentou a melhor explicação para o vocábulo que tomou conta dos protestos. O periódico não buscou somente a nova acepção da palavra, mas sua relação com os protestos. Juntou o sociólogo Leonardo Rossato e o professor de português Michel Montanha, que elaboraram uma "análise sociológica" do coxinha e apresentaram uma hipótese sobre sua origem:

"Coxinha, sociologicamente falando, é um grupo social específico, que compartilha determinados valores. Dentre eles está o individualismo exacerbado e dezenas de coisas que derivam disso: a necessidade de diferenciação em relação ao restante da sociedade, a forte priorização da segurança em sua vida cotidiana, como elemento de "não-mistura" com o restante da sociedade, aliadas com uma forte necessidade de parecer engraçado ou bom moço."

Símbolo do amadurecimento

O vocábulo parece ter sua origem nos pobres "almoços" dos policiais nos anos de 1980, que recebiam vales-refeição tão desvalorizados que acabaram apelidados de "vale-coxinha". Com o tempo, policial e coxinha tornaram-se sinônimos. Os programas policiais no rádio e na TV acabaram por estender o novo significado da palavra a todos aqueles preocupados com a segurança acima de tudo.

Mas por que os coxinhas agora tornaram-se tão notórios? Por que acabaram mais visíveis à sociedade neste momento de protestos? O Correio do Brasil explicou:

"Até algum tempo atrás, eles não tinham essa necessidade de diferenciação. A diferenciação se dava naturalmente, com a absurda desigualdade social das metrópoles brasileiras. Hoje, com cada vez mais gente ganhando melhor e consumindo, esse grupo social busca outras formas de afirmar sua diferenciação. Para isso, muitas vezes andam engomados, se vestem de uma maneira específica, são 'politicamente corretos', dentro de sua noção deturpada de política, e nutrem uma arrogância quase intragável, com pouquíssima tolerância a qualquer crítica."

Engomados, bons moços, preocupados em acentuarem suas diferenças do resto da sociedade, inimigos da crítica... Acabaram ridicularizados pelo restante da sociedade. Antes dos protestos, eles só eram visíveis em São Paulo. Coxinha era fenômeno tipicamente paulistano: "Ele não aparecia, portanto não poderia ser criticado ou ridicularizado", explicou o periódico. O coxinha, paradoxalmente é um símbolo do amadurecimento da nossa sociedade, concluiu o jornal: a sociedade brasileira amadureceu porque a estrutura de classes sociais tornou-se mais complexa e diferenciada.

Acomodados pedantes

Os protestos de junho em diante expuseram os coxinhas à população brasileira. Narcisistas, incapazes de identificação com o próprio povo, movidos pela necessidade de diferenciação, a teoria de Thorstein Veblen, norte-americano, economista, sociólogo e mentor de Jean Baudrillard, explica em parte esses "cidadãos diferenciados". Para Veblen, os seres humanos são guiados por necessidade de diferenciação e distinção. Vicente de Paula Faleiros, em seu livro A política social do Estado capitalista (1987, Cortez), comentou o sociólogo norte-americano:

"O homem atua por emulação e pelo desejo de se evidenciar entre os demais. Desta maneira, as classes superiores se distinguem das classes trabalhadoras pelo evidente 'não-trabalho'. O lazer, a moda, o consumo ostensivo são todos meios para se distinguir."

Distinção, moda, lazer e consumo conspícuo realmente fazem parte do universo dos coxinhas. Só encontro um problema com esta explicação: ela naturaliza uma condição humana que na realidade é produzida socialmente. Ou seja, os coxinhas são coxinhas porque adotam um determinado sistema de crenças e valores compartilhado por outros iguais. Não são coxinhas porque a natureza os fez assim. Eles escolheram ser o que são.

Distinção do resto da população é a meta e a vida dos coxinhas. Por isso, o desprezo aos protestos do povo. Eles estão bem longe do mundo de onde vem a maioria daqueles que protestam. E querem deixar isso bem claro. É apenas justo que agora eles caiam no ridículo aos olhos de muitos. Porque a gente brasileira finalmente acordou e os coxinhas lá no fundo sabem que não passam de acomodados pedantes, e não farão parte das mudanças que virão para um país que já não tolera candidamente os abusos dos poderosos.

***

Sergio da Motta e Albuquerque é mestre em Planejamento urbano, consultor e tradutor

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed762_o_surgimento_dos_coxinhas

28, 29 e 30 de maio, em Caxias!

2ª Semana Acadêmica dos Cursos de Serviço Social e Sociologia
> "Políticas sociais públicas: desafios, tendências e movimentos sociais de protesto no cenário atual"

28 de maio, quarta, 19h40min
> Uma análise sobre a política de Assistência Social - Gisele Carraro e Evelise Lazzari - UCS

29 de maio, quinta, 19h40min
> Uma análise sobre a política de Saúde - Justina Onzi - 5ª Coordenadoria Regional de Saúde/RS

30 de maio, sexta, 19h40min
> Terrorismo de estado e classe trabalhadora - Claudio Nascimento - Consultor em Educação Popular

Mais informações:
2ª Semana Acadêmica dos Cursos de Serviço Social e Sociologia
5 a 30 de maio de 2014
http://bit.ly/SboCqa




19.5.14

Semana da China‬

#‎SemanadaChina‬

Coloca na tua agenda! Uma série de eventos super bacanas www.semanadachina.rs.gov.br

Vamos aumentar as possibilidades de cooperação, investimento e comércio entre o RS e China, já iniciadas na ‪#‎MissãoChina‬, em 2013.


18.5.14

A crise do neoliberalismo - Boitempo Editorial




A crise do neoliberalismo: origens, desenvolvimento e perspectivas

24.04.2014 - 09.05.2014

O renomado economista francês Gérard Duménil estará no Brasil entre abril e maio para um ciclo de conferências de lançamento de seu mais recente livro A crise do neoliberalismo. Escrito em conjunto com Dominique Lévy, outro influente pesquisador do neoliberalismo, o livro reconta a história desse novo estágio do capitalismo: do colapso dos subprimes à dita “Grande Contração”. Ao discutir a financeirização econômica, a reestruturação produtiva, as lutas de classes e as relações internacionais às portas de uma nova ordem global multipolar, os autores propõem uma reflexão fundamental à compreensão da história e dos rumos da economia.

http://www.boitempoeditorial.com.br/v3/events/view/42

..............................................................................

A crise do neoliberalismo

"Um tratamento ambicioso e original da atual crise econômica global" – Thomas R. Michl

autor Dominique Lévy Gérard Duménil
tradução
Paulo Cesar Castanheira
orelha
Armando Boito Jr.
título original The crisis of neoliberalism
ano de publicação 20144

Em A crise do neoliberalismo, Gérard Duménil e Dominique Lévy, dois dos mais influentes pesquisadores sobre o neoliberalismo, recontam a história desse novo estágio do capitalismo: do colapso dos subprimes à dita “Grande Contração”. Ao discutir a financeirização econômica, a reestruturação produtiva, as lutas de classes e as relações internacionais às portas de uma nova ordem global multipolar, os autores propõem uma reflexão fundamental à compreensão da história e dos rumos da economia.

O livro traz uma análise da chamada “Grande Contração” de 2007-2010 no contexto da globalização neoliberal iniciada nos primeiros anos da década de 1980. Com uma abordagem crítica não dogmática, Duménil e Levy articulam uma enorme quantidade de dados perturbadores para revelar, como saldo da globalização neoliberal, o enriquecimento dos 5% norte-americanos mais ricos, em paralelo à redução de 40% para menos de 10% do PIB dos Estados Unidos em trinta anos. A queda do investimento interno na indústria, uma dívida doméstica insustentável e a crescente dependência de importações, aliados ao financiamento e ao desenvolvimento de uma estrutura financeira global frágil e impraticável, ameaçam a força do dólar. A menos que haja uma alteração radical da organização político-econômica do país, os autores preveem um declínio agudo da economia norte-americana – e não hesitam em diagnosticar: “Sair da crise vai ser muito difícil”.

A do neoliberalismo é a quarta crise estrutural do capitalismo desde o fim do século XIX. A comparação com as crises anteriores – das décadas de 1890, 1930 e 1970 – coloca em perspectiva a análise profunda e detalhada que os autores fazem da situação atual. Contrapondo-se a diversas explicações sobre a crise econômica vigente, eles defendem a tese ousada de que a contração econômica em curso, à semelhança da Grande Depressão de 1929, é uma crise da hegemonia financeira.

Em vez de lançar a culpa sobre indivíduos isolados, como o fazem, por exemplo, Alan Greenspan e Ben Bernanke, Duménil e Levy concentram-se nas forças estruturantes da economia. Para eles, a presente crise é resultado direto das contradições inerentes ao próprio projeto neoliberal. Suas tendências abalaram as fundações da economia da “base segura” – isto é, a capacidade dos Estados Unidos de crescer, manter a liderança de suas instituições financeiras em todo o mundo e assegurar a posição dominante de sua moeda –, uma estratégia imperial e de classe que resultou em um impasse. Segundo os autores, consertar a quebra da economia norte-americana exige a imposição de limites sobre o livre comércio e a livre movimentação de capitais, além de políticas destinadas a aprimorar a educação, a pesquisa e a infraestrutura; a reindustrialização e a fixação de tributação das rendas mais altas.

Como observa Armando Boito Jr. no texto de orelha, “Diferentemente da maioria dos economistas, e inclusive de boa parte dos economistas críticos, Duménil e Lévy articulam a análise econômica com a sociológica e a política”. Assim, esboçam a natureza de um novo modelo – que, após essa crise estrutural, viria substituir o capitalismo neoliberal – a partir das dinâmicas da luta de classes e da correlação política de forças nos diferentes países e em escala internacional.

A crise do neoliberalismo conta ainda com um prefácio inédito escrito especialmente para a edição brasileira, em que os autores atualizam sua análise com considerações acerca do lugar da União Europeia e do Brasil no cenário global, fazendo um balanço das políticas econômicas brasileiras a partir de 2000.

Crítica

“A crise do neoliberalismo é um relato criterioso dos fatores que levaram ao declínio econômico. Como Duménil e Lévy deixam claro, a economia não pode mais retornar à sua trajetória pré-crise”.
– Dean Baker, Center for Economic and Policy Research

“Esta discussão político-econômica original e rigorosa do capitalismo neoliberal global mostra a profundidade das raízes da crise atual e até que ponto ela será obstinadamente resistente aos remédios convencionais”.
– Duncan K. Foley, New School for Social Research

“Um tratamento ambicioso e original da atual crise econômica global. Duménil e Lévy oferecem uma profunda narrativa estatística e histórica e uma estrutura analítica abrangente".
– Thomas R. Michl, Colgate University

Trecho do livro

“Com relação à fase mais recente do neoliberalismo, a partir do ano 2000, a economia brasileira é típica dos países que encontraram uma posição muito satisfatória na globalização neoliberal. O país evitou uma dependência excessiva da economia mundial. Um aspecto importante foi o grande superávit no comércio externo na meia década depois do ano 2000, o período de crescimento relativamente rápido mencionado anteriormente. A economia brasileira conseguiu redirecionar o seu comércio externo para a China. (Durante os últimos anos, as exportações brasileiras para esse país foram maiores que aquelas para os Estados Unidos.) Outra questão, mais controversa, é a natureza da ordem social prevalente no país. O Brasil é um país neoliberal? De um lado, desde o final da década de 1990, a renda per capita a preços constantes aumentou de R$ 15 mil para R$ 20 mil (preços de 2010), com algum impacto positivo nas “classes médias”. O componente de welfare das novas políticas é aplaudido. Porém, por outro, o setor financeiro do Brasil é muito poderoso, como geralmente se dá em situações neoliberais típicas, e o aumento das grandes riquezas foi enorme. Durante os últimos anos, o número de bilionários aumentou muito mais no Brasil que em outros grandes países latino-americanos. Os protestos recentes, exigindo mais democracia e maior compromisso do Estado para resolver os problemas do povo, levarão o governo para a esquerda?" 

http://www.boitempoeditorial.com.br/v3/titles/view/394

Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz