Páginas

pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

4.10.17

"A ditadura de hoje não é militar. É judiciária." | "Esse crime não pode ficar impune."

Universidade Já - Homenagem e Despedida ao Reitor
https://youtu.be/qrtvZ1toN1Y

Universidade Já - Velório do Reitor Luiz Carlos Cancellier na reitoria
https://youtu.be/6XmRGa1pfqE

Bate Pronto #2: O primeiro cadáver do Lavajatismo
Conversa Afiada com Paulo Henrique Amorim - Transmitido ao vivo em 2 de out de 2017
https://youtu.be/uhRqokWT0qQ

...


"A UNIVERSIDADE SE DESPEDE DO SEU REITOR, PROFESSOR LUIZ CARLOS OLIVO.
ELE DEIXOU A VIDA, MAS SUA GRATA LEMBRANÇA E SEU MARTÍRIO SE INCORPORARAM À MINHA PERSONALIDADE.
CADA DESGRAÇA COMO ESTA "QUEBRA" A TODOS NÓS, QUE SOMOS HUMANISTAS E SENSÍVEIS À DOR ALHEIA. Vejam o vídeo com respeito e emoção
ESTOU SINCERAMENTE TRISTE. ESTOU DECEPCIONADO COM AS PESSOAS QUE O LEVARAM A ESTE ATO DE DESESPERO.
Se ele pudesse me ouvir, eu diria de forma amistosa e informal: "Valeu companheiro" !!!
Afranio Silva Jardim, professor associado de Direito da Uerj.
https://www.youtube.com/watch?v=qrtvZ1toN1Y"

..

ESTADO DE EXCEÇÃO
Artigo | Não foi fraqueza, foi fascismo
A ditadura de hoje não é militar. É judiciária. O desembargado Lédio Rosa tem razão: "Mataram meu amigo Cao"

José Sardá* - Santa Catarina - 3 de Outubro de 2017 às 17:01

Na entrevista que concedeu há cerca de uma semana, Luiz Carlos afirmou a Moacir Pereira: nunca fui tão humilhado. / Reprodução

Durante o velório do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, no final da tarde de hoje (ontem), no hall da Reitoria da UFSC, uma dedução predominou: nem durante a ditadura militar a Universidade foi tão chacoteada como agora pela justiça federal e Polícia Federal. A vice-reitora Alacoque Erdmann, resumiu a tragédia: "Luiz Carlos Cancellier deu seu sangue pela UFSC".

Sim, claro. Na entrevista que concedeu há cerca de uma semana, Luiz Carlos afirmou a Moacir Pereira: nunca fui tão humilhado.

Vamos refletir. O reitor foi preso e conduzido à penitenciária da Agronômica, igualado a bandidos e corruptos, sob a acusação de ter obstruído a investigação judicial. Nenhum reitor foi sequer admoestado durante a ditadura e hoje estamos assistindo à prepotência do judiciário, que se acha no direito de governar a Nação pela imposição de julgamentos pessoais ou de grupos de circunstâncias sociais e políticas brasileiras.

O que é obstruir a justiça? Ora, há bandidos governando dentro de penitenciárias o tráfico de drogas no Brasil, e a justiça entende que o reitor pode obstruir as ações de investigação dentro da UFSC. Cinematográfico ou circense?

Conheci Luiz Carlos em 1981, quando foi iniciar sua vida jornalística em O Estado. A sua jornada foi brilhante. Paralelo ao jornalismo, cursou Direito e ingressou na carreira de professor, crescendo como diretor do Departamento Jurídico e diretor do Centro de Ciência Jurídicas da UFSC. Há cerca de dois anos, em um encontro casual, ele me confessou: "vou trabalhar por um candidato a reitor que recupere a dignidade da UFSC". O seu movimento culminou com uma decisão consensual de apoio ao seu nome. E ele se elegeu com sinais vitoriosos de mudanças.

Aos poucos, ao lado da professora Alacoque Erdmann, Luiz Carlos restaurou o clima de diálogo, reciprocidade de confiança e de relações com a sociedade.

De repente, é preso, como em uma situação de guerra, de ditadura. Levado à Penitenciária da Agronômica, Luiz Carlos perde-se na agressão a um mandato que deveria ser, sobretudo, considerado pela autonomia e respeitabilidade de uma universidade. Mas, não. Dane-se a instituição! O que vale são os novos princípios da justiça e da Polícia Federal, que poderiam terexigido de Luiz Carlos o comparecimento a uma audiência, prestação de provas, etc.etc. Mas, não. Preferiram humilhá-lo, ou seja, dizer-lhe que a justiça e a PF estão bem acima das instituições de ensino. Ou seja, uma caça a bruxas como se toda a Nação precisasse provar que não é corrupta. Do geral para o particular, todo o brasileiro é por natureza corrupto. E viva a autoridade judicial e policial que tem os holofotes e aplausos populares.

Até que prove o contrário, Luiz Carlos, o Cao, não suportou a humilhação, tanto a ele quanto à UFSC.

Sintam-se como Cao: a imprensa dizendo que ele estava sendo acusado de desvio de recursos. Aliás, os jornais Folha de S. Paulo e O Globo, e seus sites de hoje, repetem isso ao anunciar a sua morte.

Não se trata de fraqueza humana, mas, sobretudo, de uma defesa – quem sabe frágil – da sua moral, dignidade e do direito que a PF e a justiça não lhe concederam, de provar a sua inocência antes de ser jogado numa prisão, na mesma vala de Eduardo Cunha, Joesly Batista, etc.etc.etc.

A ditadura de hoje não é militar. É judiciária. 

O desembargado Lédio Rosa tem razão: "Mataram meu amigo Cao. E não haverá responsável. Isso é fascismo da pior espécie".


* Laudelino José Sardá é jornalista e professor da Unisul, Universidade do Sul de Santa Catarina e publicou o texto em seu Facebook.
https://www.brasildefato.com.br/2017/10/03/artigo-or-nao-foi-fraqueza-foi-fascismo/

...


VEJAM QUE A JUÍZA, QUE DECRETOU A PRISÃO CAUTELAR DO REITOR DA UFSC, NÃO CONSIDERA O INDISPENSÁVEL PRINCÍPIO DA NECESSIDADE.
Burocraticamente, fala apenas em indícios de autoria e materialidade da infração !!! E os demais requisitos do art.312 do Cod.Proc.Penal?
Estou com medo desta nossa justiça federal !!!
São insensíveis, desumanos e sem muito preparo técnico para atuar com o sistema penal e processual penal. Lamentável.
Afranio Silva Jardim, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj. Mestre e Livre-Docente em Direito Proc.Penal pela Uerj.


...


Cancellier não se suicidou; foi suicidado
3 de Outubro de 2017

Assim como o Zé do Burro de "O Pagador de Promessas" entrou, carregado sobre uma cruz, morto, na igreja em que fora impedido de entrar vivo pela Igreja, o reitor Luiz Carlos Cancellier entrou dentro de um caixão na Universidade Federal de Santa Catarina onde fora proibido de entrar vivo pela Justiça, agora há pouco.

Sob aplausos para ele e protestos contra os que provocaram o seu suicídio.

Cancellier não se suicidou; foi suicidado.

Preso intempestivamente por agentes da Polícia Federal, a 25 de setembro último, antes de sequer ser ouvido a respeito de acusações infundadas que lhe fizeram, passou 30 horas encarcerado numa cela "com os piores bandidos de Santa Catarina", segundo um amigo, em situação vexatória – "fomos despidos de nossas roupas", escreveu ele em artigo-desabafo publicado em "O Globo", dias antes de sua morte.

Esse é o tratamento que o sistema prisional dá a um reitor no Brasil.

Foram "apenas" 30 horas na prisão - para quem está de fora; mas para quem está lá dentro são intermináveis 108.000 segundos nos quais ninguém imagina o que pode acontecer, dado que as condições dos presídios brasileiros são medievais.

Preso algum tem garantia alguma de vida ou de integridade física, nem mesmo quem tem diploma universitário, como Cancellier.

Já em liberdade, foi proibido de voltar à instituição onde era querido, se graduou e fez carreira, sem ter o direito de se defender.

Seu "suicídio" tem tantas aspas quanto o atribuído a Vlado Herzog, em 1975, que foi, na verdade, assassinado nos porões da ditadura militar.

Esse crime não pode ficar impune.



ALEX SOLNIK - Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"
https://www.brasil247.com/pt/blog/alex_solnik/320541

...

Irmão de reitor que se suicidou desabafa no Facebook: "Quem matou meu irmão?"
2 de outubro de 2017

Acioli de Olivo, irmão de Luiz Carlos Cancellier de Olivo, citou em uma postagem "os grandes canalhas" e "os pequenos canalhas" responsáveis pelo suicídio do ex-reitor da UFSC, que estava em tratamento psicológico após uma investigação da PF que culminou em sua prisão. Leia

Acioli de Olivo, irmão do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, desabafou pelo Facebook, na noite desta segunda-feira (2), sobre o suicídio do irmão.

Na postagem, Olivo cita "os grandes canalhas" e os "pequenos canalhas" responsáveis pelo o que ele chamou de "crime premeditado".

"Quem matou meu irmão, o reitor da UFSC, Luís Carlos Cancellier de Olivo? São vários os autores. Os principais sabemos nomes, sobrenomes, endereço e ocupações. Mas além destes grandes canalhas, são cúmplices deste crime premeditado, os pequenos canalhas, os vermes rastejantes, que dentro da UFSC divulgaram mentiras", escreveu.

Cancellier, desde que foi preso e afastado da UFSC, vinha passando por tratamento psicológico. Em uma carta escrita no mês passado, o ex-reitor denunciou os "métodos" do MP e da Polícia Federal ao julgá-lo, sem apresentar provas ou dar chances de defesa, e a humilhação a que fui submetido. Saiba mais aqui.

Confira, abaixo, a íntegra do texto do irmão de Cancellier.

QUEM MATOU MEU IRMÃO, O REITOR DA UFSC, LUÍS CARLOS CANCELLIER DE OLIVO?
SÃO VÁRIOS OS AUTORES. OS PRINCIPAIS SABEMOS NOMES, SOBRENOMES, ENDEREÇO E OCUPAÇÕES. MAS ALÉM DESTES GRANDES CANALHAS, SÃO CÚMPLICES DESTE CRIME PREMEDITADO, OS PEQUENOS CANALHAS, OS VERMES RASTEJANTES, QUE DENTRO DA UFSC DIVULGARAM MENTIRAS, ENXOVALHARAM SUA HONRA, VIOLARAM O QUE ELE TINHA COMO VALOR MAIS PRECIOSO, SUA HONESTIDADE E A DEDICAÇÃO ÍMPAR PELA SUA ALMA MATER, A UNIVERSIDADE EM QUE SE FORMOU E GALGOU DEGRAU A DEGRAU ATÉ ALCANÇAR O POSTO MÁXIMO.
ESTES VERMES NÃO FICARÃO IMPUNES, POIS A UNIVERSIDADE DA TOLERÂNCIA E DA DIVERSIDADE QUE MEU IRMÃO SONHOU E TRABALHAVA TODOS OS DIAS PARA TORNAR UMA REALIDADE, NÃO PODE ABRIGAR OS SEDENTOS DE ÓDIO, POIS FORA DELA JÁ SE REPRODUZEM POR TODA A PARTE COMO RATOS.
A TODOS CONCLAMO, NÃO VERTAM LÁGRIMAS, O CAU NÃO APROVARIA. 
TRANSFORMEM SUAS LÁGRIMAS NUM BRADO DE INDIGNAÇÃO, O ÚNICO SENTIMENTO QUE PODE SE CONTRAPOR À INJUSTIÇA QUE O VITIMOU.


https://www.revistaforum.com.br/2017/10/02/irmao-de-reitor-que-se-suicidou-desabafa-no-facebook-quem-matou-meu-irmao/

...

DENÚNCIAS

Procurador-Geral: Morte de Cancellier expõe a perversidade de um sistema de justiça criminal sedento de luz e fama


02 de outubro de 2017 às 21h30


http://www.viomundo.com.br/denuncias/procurador-geral-morte-de-cancellier-expoe-a-perversidade-de-um-sistema-de-justica-criminal-sedento-de-luz-e-fama-especializado-em-martirizar-inocentes.html

...


Alvaro Garcia Linera

"Aun los que estan aislados del mundo y los que decimos que estamos embarrados, todos somos hijos de nuestro tiempo." 
"El futuro está en la autonomia, pero el medio para realizarlo radica en la própia administracion del Estado."
"La ausencia de líderes fuertes es la anomalia de la democracia."
"Quienes reclamam que no hayan líderes fuertes, estan reclamando que no haya democracia."
Alvaro Garcia Linera (matemático, sociólogo, vice-presidente de Bolívia, en entrevista a Ricardo Foster, por la TV Pública :: www.tvpublica.com.ar).



Exposición de Alvaro Garcia Linera en el Foro Internacional Por la Emancipación y la Igualdad

Desde Buenos Aires, el 12 de Marzo de 2015, compartimos la exposición de Álvaro García Linera, vicepresidente de Bolivia, participante de la Mesa 2 de la Jornada 1 del Foro Internacional Por la Emancipación y la Igualdad, titulada "América Latina y Europa en espejo".

Protagonizamos una época de cambios. Una transformación profunda de la realidad material y simbólica de los pueblos ha convertido al siglo en un escenario de luchas y disputas por el porvenir. Hoy más que nunca la Historia está viva y las ideologías se despliegan a través del planeta en renovadas deliberaciones.

El Foro Internacional por la Emancipación y la igualdad reúne a dirigentes políticos, líderes sociales e intelectuales de los dos continentes para revisar la historia de los procesos políticos de América Latina e indagar en el presente europeo para poner en el centro del debate, tanto la reinvención de la política y la conquista del espacio público, como la actualidad de las tradiciones emancipatorias y el rol de las nuevas izquierdas en el mundo.

Desde el Teatro Nacional Cervantes, en la Ciudad de Buenos Aires, con la organización de la Secretaría de Coordinación Estratégica para el Pensamiento Nacional del Ministerio de Cultura de la Nación Argentina, a cargo del Dr. Ricardo Forster, y transmitido a todo el mundo por la TV Pública Argentina.

Para más información:
http://foros.cultura.gob.ar
http://www.tvpublica.com.ar

https://www.youtube.com/watch?v=giVG177z9gk






Exposición de Alvaro Garcia Linera en el Foro Internacional Por la Emancipación y la Igualdad

Exposición de Alvaro Garcia Linera en el Foro Internacional Por la Emancipación y la Igualdad


Desde Buenos Aires, el 12 de Marzo de 2015, compartimos la exposición de Álvaro García Linera, vicepresidente de Bolivia, participante de la Mesa 2 de la Jornada 1 del Foro Internacional Por la Emancipación y la Igualdad, titulada "América Latina y Europa en espejo".

Protagonizamos una época de cambios. Una transformación profunda de la realidad material y simbólica de los pueblos ha convertido al siglo en un escenario de luchas y disputas por el porvenir. Hoy más que nunca la Historia está viva y las ideologías se despliegan a través del planeta en renovadas deliberaciones.

El Foro Internacional por la Emancipación y la igualdad reúne a dirigentes políticos, líderes sociales e intelectuales de los dos continentes para revisar la historia de los procesos políticos de América Latina e indagar en el presente europeo para poner en el centro del debate, tanto la reinvención de la política y la conquista del espacio público, como la actualidad de las tradiciones emancipatorias y el rol de las nuevas izquierdas en el mundo.

Desde el Teatro Nacional Cervantes, en la Ciudad de Buenos Aires, con la organización de la Secretaría de Coordinación Estratégica para el Pensamiento Nacional del Ministerio de Cultura de la Nación Argentina, a cargo del Dr. Ricardo Forster, y transmitido a todo el mundo por la TV Pública Argentina.


Foro Internacional Por la Emancipación y la Igualdad - Exposición de Álvaro García Linera

https://www.youtube.com/watch?v=giVG177z9gk



Para más información:
http://foros.cultura.gob.ar
http://www.tvpublica.com.ar

https://www.youtube.com/watch?v=giVG177z9gk



3.10.17

"Quem é quem na ditadura do Judiciário que matou o reitor"

Luís Nassif: Quem é quem na ditadura do Judiciário que matou o reitor

03 de outubro de 2017 às 12h28  

A delegada e os artistas: estrela do filme sobre a Lava Jato

As mãos e as vozes que empurraram o reitor da UFSC para a morte

Por Luís Nassif, no GNN

Luís Roberto Barroso tem fixação por sua imagem pública. Algumas denúncias estampadas em blogs de Curitiba, encampadas pelos blogueiros de Veja, foram suficientes para deixa-lo de joelhos.

As denúncias falavam da compra de um apartamento em Miami pela senhora Barroso, através de uma offshore.

Mesmo casados em comunhão de bens, compartilhando um escritório bem-sucedido, o nome de Barroso não entrou na história, até o eixo Curitiba-Veja entrar no tema.

E o Ministro Barroso decidiu defender sua imagem com as armas que conhecia: abandonou suas teses legalistas, seu passado garantista e decidiu aderir aos agressores.

Sua estreia se deu na votação da autorização para a prisão do réu após condenação em Segunda Instância.

Dali em diante, surgiu um novo Barroso, defensor dos métodos policiais, punitivista convicto, defensor da tese de que ou o Brasil acabava com a corrupção ou a corrupção com o Brasil.

Não a corrupção corporativa de seus clientes, ele que se vangloria de preparar anteprojetos de lei para que os clientes possam oferecer a seus deputados de estimação; não a do Poder Judiciário, ou mesmo a impunidade sua ex-cliente, a Globo.

Mas a corrupção do inimigo, a defesa do direito penal do inimigo que chegou ao auge com sua defesa explícita do Estado de Exceção.

Desde então, Barroso se tornou o guru da Lava Jato e dos punitivistas do Ministério Público Federal, o profeta do Estado de Exceção, o principal estimulador das bestas que habitam os porões, onde nenhum direito é respeitado.

Suas frases se tornaram os bordões prediletos dos procuradores nas redes sociais, o alimento legal que engordava os monstros gerados da barriga da Lava Jato.

E das entranhas da Lava Jato a delegada da Polícia Federal Erika Marena saiu de Curitiba e transportou os métodos da Lava Jato para Santa Catarina.

Estrela de cinema, tinha que manter a fama de implacável.

Lá, encontrou como chefe o delegado Marcelo Mosele que, ao assumir a superintendência da PF em Santa Catarina, discursou afirmando que a corrupção é a maior ameaça à humanidade.

Era esse o clima dominante na PF quando chegaram denúncias envolvendo a Universidade Federal de Santa Catarina.

Mencionavam desvios que teriam ocorrido desde 2006 nos cursos de educação à distância. O reitor assumirá apenas em 2016.

No início, denúncias anônimas. Depois, denúncias personalizadas, uma da professora Tais Dias, outra do corregedor da UFSC, Roberto Henkel do Prado.

Escolhido em uma lista tríplice, o corregedor responde ao reitor e também à CGU (Controladoria Geral da União).

Quando o reitor Luiz Carlos Cancellier pediu acesso ao inquérito, imediatamente foi denunciado por Henkel, como tentativa de obstrução da Justiça.

Nesses tempos bicudos, as longas mãos da CGU criaram núcleos de poder em cada universidade, e Henkel pretendeu exercê-lo com a autoridade dos moralistas e com a plenitude dos superpoderosos.

Imediatamente obteve a adesão de Orlando Vieira de Castro Jr, superintendente da CGU em Florianópolis.

E o caso foi parar com o procurador da República André Stefani Bertuol.

A Polícia Federal foi acionada e a sede de sangue atingiu a juíza federal Janaína Cassol Machado, que, consultado o procurador Bertuol, autorizou a prisão preventiva dos professores.

Em Brasília, o eminente Ministro Barroso despejava frases feitas:

— Para ser preso, no Brasil, precisa ser muito pobre ou muito mal defendido.

Ou então:

— Pense o que você poder fazer diariamente pelo bem.

Lá embaixo, nos porões da nova ditadura, a delegada Marena, o delegado Mosele, comandavam policiais treinados nas artes da humilhação.

Os professores foram despidos, ficaram nus, foram jogados em celas

Enquanto isto, Barroso, que se tornou um Ministro choroso quando a imprensa meramente flagrou-o em uma afirmação relativamente racista em relação a Joaquim Barbosa, que se desmanchou em lágrimas tal como uma donzela com a reputação colocava em dúvida, continuava lançando seus dardos no Olimpo e alimentando com princípios pútridos a carne que era servida às hienas.

No dia seguinte, uma juíza substituta, Marjorie Feriberg, ordenou a libertação do grupo.

Foi publicamente admoestada por Janaína, que se atirou sobre ela como uma harpia da mitologia.

Restou a Cancellier a única saída que encontrou para a desonra que se abateu sobre ele: o suicídio.

Depois da tragédia, apareceram notícias dizendo que a única acusação formal contra ele era a de ter impedido a investigação.

Que seu sangue caia sobre todos seus algozes.

Mas, especialmente, sobre os que destruíram os alicerces dos direitos individuais pensando exclusivamente em seus próprios interesses.

http://www.viomundo.com.br/politica/luis-nassif-quem-e-quem-na-ditadura-do-judiciario-que-matou-o-reitor.html

...

POLÍTICA

Reitor que cometeu suicídio reclamou de humilhação sob a PF em artigo de jornal

02 de outubro de 2017 às 15h18  

Da Redação

No último dia 28, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, o reitor afastado da Universidade Federal de Santa Catarina, publicou em O Globo artigo que agora, com o suicídio dele, é visto como sua carta de despedida. Eis o texto:

REITOR EXILADO

Não adotamos qualquer atitude para obstruir apuração da denúncia

A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição.

No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma "quadrilha", acusada de desviar R$ 80 milhões. E impedidos, mesmo após libertados, de entrar na universidade.

Quando assumimos, em maio de 2016, para mandato de quatro anos, uma de nossas mensagens mais marcantes sempre foi a da harmonia, do diálogo, do reconhecimento das diferenças. Dizíamos a quem quisesse ouvir que, "na UFSC, tem diversidade!".

A primeira reação, portanto, ao ser conduzido de minha casa para a Polícia Federal, acusado de obstrução de uma investigação, foi de surpresa.

Ao longo de minha trajetória como estudante de Direito (graduação, mestrado e doutorado), depois docente, chefe do departamento, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e, afortunadamente, reitor, sempre exerci minhas atividades tendo como princípio a mediação e a resolução de conflitos com respeito ao outro, levando a empatia ao limite extremo da compreensão e da tolerância.

Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado.

Para além das incontáveis manifestações de apoio, de amigos e de desconhecidos, e da união indissolúvel de uma equipe absolutamente solidária, conforta-me saber que a fragilidade das acusações que sobre mim pesam não subsiste à mínima capacidade de enxergar o que está por trás do equivocado processo que nos levou ao cárcere.

Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior.

Não adotamos qualquer atitude para abafar ou obstruir a apuração da denúncia.

Agimos, isso sim, como gestores responsáveis, sempre acompanhados pela Procuradoria da UFSC.

Mantivemos, com frequência, contatos com representantes da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União.

Estávamos no caminho certo, com orientação jurídica e administrativa.

O reitor não toma nenhuma decisão de maneira isolada.

Tudo é colegiado, ou seja, tem a participação de outros organismos.

E reitero: a universidade sempre teve e vai continuar tendo todo interesse em esclarecer a questão.

De todo este episódio que ganhou repercussão nacional, a principal lição é que devemos ter mais orgulho ainda da UFSC.

Ela é responsável por quase 100% do aprimoramento da indústria, dos serviços e do desenvolvimento do estado, em todas as regiões.

Faz pesquisa de ponta, ensino de qualidade e extensão comprometida com a sociedade.

É, tenho certeza, muito mais forte do qualquer outro acontecimento.

PS do Viomundo: O reitor cometeu suicídio hoje de manhã em um shopping de Florianópolis. Foi a delegada da PF Erika Mialik Marena, da Operação Ouvidos Moucos, que acusou o reitor de 'obstaculizar investigações internas'.

http://www.viomundo.com.br/politica/reitor-que-cometeu-suicidio-reclama-de-humilhacao-sob-a-pf.html


Suicídio de reitor da UFSC mostra face da cruzada cega "contra a corrupção"

"Democracia de luto em luta"
"Aqui mais uma vítima 'da canalhice' do Estado de Exceção e sua Mídia"

Velório do reitor da UFSC, 03/10/2017.

...

Corpo do reitor é recebido na UFSC em uma atmosfera de acolhimento e emoção

...

Delegada que deu nome à Lava Jato foi responsável pela prisão que levou ao suicídio reitor de Santa Catarina


3 de outubro de 2017

Transferida do Paraná para Santa Catarina, Érika Mialik Marena levou os métodos de Curitiba para o novo estado e o reitor foi preso sem nem ter sido antes convocado a prestar depoimentos.

Do blog do Mello

A delegada da Polícia Federal Érika Mialik Marena foi quem ordenou a prisão do reitor Luis Carlos Cancellier, da Universidade Federal de Santa Catarina, que se matou na manhã desta segunda-feira (2), num shopping da capital. Érika fazia parte da equipe original da Operação Lava Jato. Aliás, foi ela quem deu a ideia do nome da Operação.

Transferida do Paraná para Santa Catarina, a delegada levou os métodos de Curitiba para o novo estado e o reitor foi preso sem nem ter sido antes convocado a prestar depoimentos. Exposto à execração pública pela mídia corporativa sensacionalista, o reitor não resistiu e se matou, atirando-se do alto do principal shopping da capital catarinense.


Foto: Reprodução/Redes Sociais

https://www.revistaforum.com.br/2017/10/03/delegada-que-deu-nome-lava-jato-foi-responsavel-pela-prisao-que-levou-ao-suicidio-reitor-de-santa-catarina/

...

Suicídio de reitor da UFSC mostra face da cruzada cega "contra a corrupção"
2 de outubro de 2017, 17h19 - Por Fernando Martines


"Minha morte foi decretada no dia da minha prisão", teria escrito reitor, antes de se matar.


Revista Consultor Jurídico, 2 de outubro de 2017, 17h19

GRAMSCI: UMA CHAVE PARA A COMPREENSÃO DA CRISE CONTEMPORÂNEA

GRAMSCI: UMA CHAVE PARA A COMPREENSÃO DA CRISE CONTEMPORÂNEA

18 de outubro a 29 de novembro de 2017
Caxias do Sul 
Aulas às quartas-feiras, das 16h30min às 19h30min, 
no Bloco H, sala 104 - Campus-Sede 
Carga horária de 24 horas - Válidas como atividades complementares 
Promoção: Área do Conhecimento de Humanidades 
Coordenação: Ramone Mincato, Universidade de Caxias do Sul 
Ministrante: Carlos Roberto Winckler, Universidade de Caxias do Sul

PÚBLICO-ALVO
Acadêmicos e profissionais das diversas áreas de conhecimento, militantes de movimentos sociais e virtuais, sindicais e integrantes de partidários políticos.

PROGRAMA
As formas de resolução dos conflitos em contextos históricos de crise: os contextos históricos da unificação italiana ao corporativismo fascista, do welfare state e do neoliberalismo
Conceitos explicativos: hegemonia, contra-hegemonia, sociedade civil, estado, intelectuais, cultura, crise orgânica, bloco histórico e revolução passiva
A função social dos intelectuais e a luta ideológica: mídia, educação e religião
O projeto gramsciano em um mundo globalizado
A revolução passiva à brasileira

INVESTIMENTO
Três parcelas de R$ 67,99; duas parcelas de R$ 100,99 ou à vista por R$ 200,00.

INSCRIÇÕES
Inscrições até 16 de outubro de 2017. Vagas limitadas.
Preencha o FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO e escolha sua forma de pagamento. Se a opção for pelo boleto bancário, imprima-o e efetue o pagamento em qualquer agência bancária. Se após o envio do formulário, você não conseguir imprimir o boleto, ou, em caso de perda, outro poderá ser emitido. Faça aqui a REEMISSÃO DE BOLETO, preencha os dados, imprima-o e efetue o pagamento. .

INFORMAÇÕES
Central de Atendimento - Telefone: (54) 3218-2145 
Extensaocursos@ucs.br - Conheça a UCS - Endereço das Unidades Universitárias

https://www.ucs.br/site/extensao/ciencias-humanas/112/





"Este era o homem que o sistema de justiça de nosso país levou ao seu suicídio."

Condenação sem direito a defesa faz primeiro cadáver: Reitor da UFSC é encontrado morto

2 de outubro de 2017 - Por Redação

Luiz Carlos Cancellier se suicidou. Ele passava por tratamento psicológico desde que foi preso por uma operação da Polícia Federal, que o afastou da universidade sem provas das irregularidades que é acusado de praticar. Em carta, ex-reitor denunciou as arbitrariedades da Justiça e a "humilhação e o vexame" a que foi submetido. Leia
É grande a comoção e a revolta pela morte do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier. Ele foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira (2) no Beiramar Shopping, em Florianópolis, após ter se jogado de um vão.

A comunidade acadêmica, bem como amigos, parentes e a população de Santa Catarina como um todo estão revoltados com a morte de Cancellier pois ela seria um efeito direto dos "métodos" da Polícia Federal e do Ministério Público no país. Ele era investigado na operação Ouvidos Moucos, que apura irregularidades na aplicação de recursos federais para o curso de ensino à distância. Ele foi acusado, junto com outros seis investigados, de desviar R$80 milhões. Ele chegou a ser preso em agosto e foi solto em setembro, mas afastado da reitoria da Universidade. Desde então, passava por tratamento psicológico.

Em uma carta que escreveu no mês passado, Cancellier contou que foi acusado sem provas e e sem direito a plena defesa, revelando, assim, as prováveis causas que o levaram a fazer tratamento psicológico e, agora, ao seu suicídio.

"Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior", escreveu. No início da carta, o ex-reitor falou ainda sobre "a humilhação e o vexame" a que foi submetido em sua prisão. [Leia a íntegra ao final desta matéria].

A Universidade Federal de Santa Catarina decretou luto oficial e suspendeu as suas atividades.

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), por sua vez, divulgou nota oficial em que lamenta a morte de Cancellier e associa o seu suicídio a forma como a Justiça o tratou nessa investigação.

"O sentimento de pesar compartilhado por todos/as os/as reitores/as das universidades públicas federais, neste momento, é acompanhado de absoluta indignação e inconformismo com o modo como foi tratado por autoridades públicas o Reitor Cancellier, ante um processo de apuração de atos administrativos, ainda em andamento e sem juízo formado. É inaceitável que pessoas de bem, investidas de responsabilidades públicas de enorme repercussão social tenham a sua honra destroçada em razão da atuação desmedida do aparato estatal. É inadmissível que o país continue tolerando práticas de um Estado policial, em que os direitos mais fundamentais dos cidadãos são postos de lado em nome de um moralismo espetacular", diz o documento. [Leia a íntegra ao final da matéria].

A relação entre o suicídio do ex-reitor e a investigação que era alvo fica ainda mais forte com a informação, divulgada pelo jornal Diário Catarinense, de que a Polícia Civil teria encontrado em seu bolso um bilhete com os dizeres: "Minha morte foi decretada no dia de minha prisão"
. Saiba mais aqui.

Última carta de Luiz Carlos Cancellier

"Não adotamos qualquer atitude para obstruir apuração da denúncia

A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição. No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma "quadrilha", acusada de desviar R$ 80 milhões. E impedidos, mesmo após libertados, de entrar na universidade.

Quando assumimos, em maio de 2016, para mandato de quatro anos, uma de nossas mensagens mais marcantes sempre foi a da harmonia, do diálogo, do reconhecimento das diferenças. Dizíamos a quem quisesse ouvir que, "na UFSC, tem diversidade!". A primeira reação, portanto, ao ser conduzido de minha casa para a Polícia Federal, acusado de obstrução de uma investigação, foi de surpresa.

Ao longo de minha trajetória como estudante de Direito (graduação, mestrado e doutorado), depois docente, chefe do departamento, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e, afortunadamente, reitor, sempre exerci minhas atividades tendo como princípio a mediação e a resolução de conflitos com respeito ao outro, levando a empatia ao limite extremo da compreensão e da tolerância. Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado.

Para além das incontáveis manifestações de apoio, de amigos e de desconhecidos, e da união indissolúvel de uma equipe absolutamente solidária, conforta-me saber que a fragilidade das acusações que sobre mim pesam não subsiste à mínima capacidade de enxergar o que está por trás do equivocado processo que nos levou ao cárcere. Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior.

Não adotamos qualquer atitude para abafar ou obstruir a apuração da denúncia. Agimos, isso sim, como gestores responsáveis, sempre acompanhados pela Procuradoria da UFSC. Mantivemos, com frequência, contatos com representantes da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União. Estávamos no caminho certo, com orientação jurídica e administrativa. O reitor não toma nenhuma decisão de maneira isolada. Tudo é colegiado, ou seja, tem a participação de outros organismos. E reitero: a universidade sempre teve e vai continuar tendo todo interesse em esclarecer a questão.

De todo este episódio que ganhou repercussão nacional, a principal lição é que devemos ter mais orgulho ainda da UFSC. Ela é responsável por quase 100% do aprimoramento da indústria, dos serviços e do desenvolvimento do estado, em todas as regiões. Faz pesquisa de ponta, ensino de qualidade e extensão comprometida com a sociedade. É, tenho certeza, muito mais forte do qualquer outro acontecimento".

Nota oficial da Andifes

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), profundamente consternada, comunica o trágico falecimento do Prof. Dr. Luiz Carlos Cancellier, Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, ocorrido na manhã desta segunda-feira. O sentimento de pesar compartilhado por todos/as os/as reitores/as das universidades públicas federais, neste momento, é acompanhado de absoluta indignação e inconformismo com o modo como foi tratado por autoridades públicas o Reitor Cancellier, ante um processo de apuração de atos administrativos, ainda em andamento e sem juízo formado. É inaceitável que pessoas de bem, investidas de responsabilidades públicas de enorme repercussão social tenham a sua honra destroçada em razão da atuação desmedida do aparato estatal. É inadmissível que o país continue tolerando práticas de um Estado policial, em que os direitos mais fundamentais dos cidadãos são postos de lado em nome de um moralismo espetacular. É igualmente intolerável a campanha que os adversários das universidades públicas brasileiras hoje travam, desqualificando suas realizações e seus gestores, como justificativa para suprimir o direito dos cidadãos à educação pública e gratuita. Infelizmente, todos esses fatos se juntam na tragédia que hoje temos que enfrentar com a perda de um dirigente que por muitos anos serviu à causa pública. A ANDIFES manifesta a sua solidariedade aos familiares e amigos do Reitor Cancellier e continuará lutando pelo respeito devido às universidades públicas federais, patrimônio de toda a sociedade brasileira.

Brasília, 02 de outubro de 2017.

https://www.revistaforum.com.br/2017/10/02/condenacao-sem-direito-defesa-faz-primeiro-cadaver-reitor-da-ufsc-e-encontrado-morto/

...


O último desabafo do reitor e professor Luiz Carlos Cancellier, que foi alvo de perseguição do nosso sistema de justiça criminal. Diante de tanta humilhação, pôs fim à sua própria vida.

Afranio Silva Jardim, professor de Direito da Uerj.

https://www.youtube.com/watch?v=6o2WEUPeywE

...




ESTE ERA O HOMEM QUE O SISTEMA DE JUSTIÇA DE NOSSO PAÍS LEVOU AO SEU SUICÍDIO.

Luiz Carlos Cancellier, reitor da UFSC. Não o esqueceremos. Valeu.
Eu não acredito, mas se houver vida após a morte, farei questão de o abraçar, bem longe desta nossa sociedade de merda !!!

Afranio Silva Jardim, professor de Direito da Uerj.

https://www.youtube.com/watch?v=SR1jGFIXOwM

...

Culpado ou inocente, a punição começou dia 14/09.
Preconceitos, audiência, holofotes. Triste espetáculo.
Que a gente possa aprender com isso.
http://www.oab-sc.org.br/noticias/oabsc-manifesta-pesar-pela-morte-reitor-ufsc/14577



...



Quem matou o reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier? Por Carlos Damião

Por Diario do Centro do Mundo - 2 de outubro de 2017

"Todos os presos são tratados assim, despidos, constrangidos, com as partes íntimas revistadas. Depois são encaminhados ao pessoal do DEAP (Departamento de Administração Prisional), para serem acomodados nas celas".

Publicado no Notícias do Dia.


POR CARLOS DAMIÃO

No longo depoimento que me concedeu no dia 20 de setembro de 2017, no escritório de seus advogados, o reitor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Luiz Cancellier, desabafou: "É uma coisa da qual nunca vou me recuperar". Não se referia apenas à Operação Ouvidos Moucos, desencadeada pela Polícia Federal, com autorização da Justiça Federal, que apura supostos desvios no programa de bolsas de ensino a distância do curso de Administração.

Mas à forma degradante como foi tratado quando foi transferido da sede da PF para o Presídio da Agronômica. "Todos os presos são tratados assim, despidos, constrangidos, com as partes íntimas revistadas. Depois são encaminhados ao pessoal do DEAP (Departamento de Administração Prisional), para serem acomodados nas celas".

Pós-doutorado em Direito, respeitado no Brasil e no exterior por suas pesquisas no campo do Direito Administrativo, Cancellier estava desolado por causa da forma como ocorreu sua prisão. Com endereço conhecido, disse que estaria sempre à disposição da Justiça e de qualquer investigador da Polícia Federal, da CGU (Controladoria Geral da União) e do TCU (Tribunal de Contas da União). "Jamais me recusaria a prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações, que não abrangiam nossa gestão, mas as anteriores, desde 2006", observou.

Cancellier disse-me naquele dia que contava com o apoio da comunidade acadêmica, dos amigos e dos familiares. "É com a força dessas pessoas que eu vou provar minha inocência", declarou.

Saímos do gabinete dos advogados e fomos para a rua. Oito meses depois que havia parado de fumar voltou a curtir umas baforadas. Foi nosso último encontro, fumando dentro do carro, lembrando histórias da nossa juventude, da militância no movimento estudantil, do congresso de reconstrução da UNE, em 1979, do qual participamos como delegados da UFSC.

Em dois artigos (aqui e aqui) posteriores à prisão, publicados na minha coluna do ND On-line, o advogado e ex-senador Nelson Wedekin trouxe considerações indignadas contra a violência sofrida pelo reitor.

Disse Wedekin, amigo e companheiro de Cancellier nas duras lutas contra a ditadura civil-militar de 1964-1985: "Estamos então em que para evitar suposto, possível, hipotético, incerto e duvidoso constrangimento, submeteram Cancellier e mais seis cidadãos a um constrangimento imediato e brutal. Ou uma prisão, do modo como se deu, mesmo sem culpa formada, não é um constrangimento tão profundo que nunca se esquece e apaga?".

Quem matou o reitor, um homem apaixonado pelo trabalho, pelo Direito e pela UFSC?

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/quem-matou-o-reitor-da-ufsc-luiz-carlos-cancellier-por-carlos-damiao/

...

Tirando a ação assassina do judiciário instrumentalizado pela polícia no caso do reitor da UFSC e da cumplicidade dedicada da imprensa é necessário destacar o abandono social em que se sentiu o professor Luiz Carlos Cancellier e disto somos todos responsáveis. A sociedade deve reagir e repudiar toda e qualquer ação oriundos das instâncias superiores da justiça e da polícia que não estejam baseadas em fatos incontestáveis. O totalitarismo é a velha serpente chocada no ninho da democracia.

...

Diário do Centro do Mundo

"Minha morte foi decretada no dia de minha prisão", diz reitor da UFSC em bilhete

Postado em 2 de outubro de 2017 às 5:06 pm - Do ClickRBS:

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, valeu-se do suicídio para praticar um ato político de forte impacto na população. Além de optar pelo espaço mais visitado e de maior movimentação nas manhãs de segunda-feira, em Florianópolis, ele deixou um bilhete que pode explicar as razões de seu gesto.

Segundo fonte da Policia Civil, um bilhete foi escrito pelo professor Cancellier, onde teria escrito: "Minha morte foi decretada no dia de minha prisão".

O reitor não conseguiu neutralizar os efeitos políticos, sociais e psicológicos da sua prisão na Operação Ouvidos Moucos. Com toda a vida dedicada à Universidade e à educação viu o esforço acadêmico e político de décadas desmoronar do dia para a noite.

A partir da prisão viveu dias terríveis, segundo os amigos mais chegados. Iniciou um processo depressivo, tinha aconselhamento psiquiátrico e tomava medicamentos para neutralizar o impacto psicológico da prisão e todo o processo humilhante a que foi submetido.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/minha-morte-foi-decretada-no-dia-de-minha-prisao-diz-reitor-da-ufsc-em-bilhete/

...

Associação de reitores denuncia "práticas de estado policial" por trás de suicídio de reitor da UFSC

Postado em 2 de outubro de 2017 às 2:16 pm

NOTA OFICIAL

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), profundamente consternada, comunica o trágico falecimento do Prof. Dr. Luiz Carlos Cancellier, Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, ocorrido na manhã desta segunda-feira. O sentimento de pesar compartilhado por todos/as os/as reitores/as das universidades públicas federais, neste momento, é acompanhado de absoluta indignação e inconformismo com o modo como foi tratado por autoridades públicas o Reitor Cancellier, ante um processo de apuração de atos administrativos, ainda em andamento e sem juízo formado. É inaceitável que pessoas de bem, investidas de responsabilidades públicas de enorme repercussão social tenham a sua honra destroçada em razão da atuação desmedida do aparato estatal. É inadmissível que o país continue tolerando práticas de um Estado policial, em que os direitos mais fundamentais dos cidadãos são postos de lado em nome de um moralismo espetacular. É igualmente intolerável a campanha que os adversários das universidades públicas brasileiras hoje travam, desqualificando suas realizações e seus gestores, como justificativa para suprimir o direito dos cidadãos à educação pública e gratuita. Infelizmente, todos esses fatos se juntam na tragédia que hoje temos que enfrentar com a perda de um dirigente que por muitos anos serviu à causa pública. A ANDIFES manifesta a sua solidariedade aos familiares e amigos do Reitor Cancellier e continuará lutando pelo respeito devido às universidades públicas federais, patrimônio de toda a sociedade brasileira.

Brasília, 02 de outubro de 2017.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/associacao-de-reitores-denuncia-praticas-de-estado-policial-por-tras-de-suicidio-de-reitor-da-ufsc/

...



Dalmo Dallari: 'Moro reconhece que seu objetivo é político' http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2017/10/dalmo-dallari-moro-reconhece-que-seu-objetivo-e-politico vía @redebrasilatual





2.10.17

ISTVÁN MÉSZÁROS (1930-2017)


ISTVÁN MÉSZÁROS (1930-2017)

É com imenso pesar que a Boitempo comunica o falecimento de István Mészáros, excepcional filósofo marxista, incansável militante, amigo e camarada.

Com uma trajetória intelectual e política exemplar, Mészáros nasceu em 1930, na Hungria, no seio de uma família modesta. Criado pela mãe, operária, tornou-se ele também – ainda adolescente – trabalhador em uma indústria de aviões de carga de Budapeste. Somente após o final da Segunda Guerra, em 1945, pôde se dedicar aos estudos. Formou-se em Filosofia em 1954, na Universidade de Budapeste, na qual mais tarde, no período que antecedeu ao levante húngaro de 1956, trabalhou como assistente de György Lukács no Instituto de Estética. Com a entrada das tropas soviéticas no país, exilou-se na Itália – onde lecionou na Universidade de Turim –, indo posteriormente trabalhar nas universidades de St. Andrews (Escócia), York (Canadá) e, por fim, Sussex (Inglaterra), onde, em 1991, recebeu o título de Professor Emérito.

Vencedor de prêmios como o Attila József, em 1951, o Deutscher Memorial Prize, em 1970, e o Premio Libertador al Pensamiento Crítico, em 2008, Mészáros nos lega uma vasta e profunda obra, ferramentas incontornáveis para militantes e lutadores do Brasil e do mundo. (http://bit.ly/meszarosboitempo)

Mészáros nos deixou ontem, dia 1º de outubro, vítima de falência múltipla de órgãos, decorrente de dois derrames que avançaram para um agravamento fatal. Estava na UTI hospitalar, sempre próximo de familiares e amigos.

Nos últimos anos de vida, dedicava-se a finalizar seu mais ambicioso projeto intelectual: uma crítica radical do Estado em três volumes, intitulada "Para além do Leviatã", que teria seu lançamento mundial no Brasil, a pedido do autor. (http://bit.ly/2xamO4U)

#IstvánMészáros #ParaAlémDoLeviatã



...

MST lamenta o falecimento de István Mészáros

Mészáros deixa uma vasta obra - ferramentas de nosso tempo nas mãos dos militantes sociais pelo mundo todo.

Nesta segunda-feira (02), a militância Sem Terra em todo Brasil acordou triste com a notícia da partida física do filósofo marxista, gênio de seu tempo, István Mészáros, que faleceu na noite deste domingo (01). Nascido na Hungria, a obra de Mészáros é parte do pensamento socialista contemporâneo e foi traduzida em diversas línguas, sendo referência na formação político-filosófica de muitos militantes da esquerda em todo o globo. Para o MST, "a ousadia provocadora de sua obra, revela uma juventude marcante em Mészáros que o acompanhou por toda sua vida". Na certeza de que, com as sementes de Mészáros, "a marcha sempre segue", o MST deixa suas condolências à família e amigos. Leia a íntegra da nota.


MST lamenta o falecimento de István Mészáros


As trabalhadoras e os trabalhadores rurais Sem Terra do MST do Brasil lamentam profundamente o falecimento de István Mészéros, filósofo marxista, escritor e militante, nascido na Hungria em 1930.

Mészáros faleceu ontem (01), vitima de falência múltipla de órgãos, decorrente de dois derrames que avançaram para um agravamento fatal. Estava na UTI hospitalar, sempre assistido por familiares e amigos.

Dedicava-se no último período à sua nova obra com ênfase na análise crítica sobre o Estado, "Para Além do Leviatã", tema fundamental para a formulação estratégica e retomada necessária da ofensiva socialista.

Mészáros deixa uma vasta obra - ferramentas de nosso tempo nas mãos dos militantes sociais pelo mundo todo - entre elas, destaca-se "Para Além do Capital". A ousadia provocadora de sua obra, revela uma juventude marcante em Mészáros que o acompanhou por toda sua vida.

Que as sementes lançadas por este grande homem sejam semeadas por toda a parte. Em tempos tão difíceis, de barbárie em curso e confusões ideológicas, a certeza é de que a marcha sempre segue e ninguém poderá detê-la.

Pois para o Capital, "seres humanos são, ao mesmo tempo, absolutamente necessários e totalmente supérfluos".(Istvan Meszaros).


Mészáros está no MST e continuará vivo!


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - Brasil

 

*Editado por Rafael Soriano




Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz