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"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

6.2.17

“Médicos inescrupulosos merecem punição”, diz diretor do Sírio-Libanês

"Médicos inescrupulosos merecem punição", diz diretor do Sírio-Libanês

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Segundo Roberto Kalil Filho, médica que compartilhou informações sobre o estado da ex-primeira dama e foi demitida violou "um dos princípios mais sagrados da profissão, o sigilo médico". "Pior ainda é testemunhar esses profissionais serem movidos por sentimentos menores e ideologias político-partidárias, fazendo apologia à morte", lamenta

Da Redação

roberto kalil filho marisa leticia

O diretor do Hospital Sírio-Libanês, Roberto Kalil Filho, escreveu um artigo onde explica por que a médica do hospital Gabriela Munhoz, que compartilhou o diagnóstico de Marisa Letícia em grupo de WhatsApp foi demitida. Segundo Kalil, o comportamento de Gabriela é inadmissível, ao violar o sigilo médico.

Kalil também comenta as mensagens de ódio feitas por profissionais, como Richam Faissal Ellakkis, que sugeriu a morte de Marisa Letícia. "Esses fdp vão embolizar ainda por cima. Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela", disse Ellakkis, que também foi demitido da Unimed, onde trabalhava.

Para Kalil, esses profissionais merecem punições. "Impossível tolerar que pacientes corram o risco de virar motivo de escárnio entre médicos inescrupulosos", diz.

Leia abaixo o artigo na íntegra:

Afronta à dignidade humana

 

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Infelizmente, são comuns no Brasil, e em especial na rede pública, queixas de médicos e de outros profissionais de saúde sobre jornadas extenuantes de trabalho, afastamento da família, salários incompatíveis com uma vida digna e muito aquém do esforço, da dedicação e da responsabilidade exigidos pela carreira.

Fora isso, também são vítimas de violência por parte de pacientes ou acompanhantes que responsabilizam os médicos por todas as consequências produzidas pela doença.

Tais situações, evidentemente, comprometem a saúde física e mental desses profissionais e geram o desalento que os afasta de seus pacientes, o que acaba por punir justamente os mais necessitados, aqueles que já vivem nos limites da dignidade humana.

No entanto, quando afrontam a ética, quebram o juramento de Hipócrates proclamado ao receberem o título de doutor e compartilham publicamente segredos e sentimentos a eles confiados, os médicos violam um dos princípios mais sagrados da profissão, o sigilo médico.

Essa situação ocorreu recentemente com a divulgação pelas redes sociais de exames e dados clínicos não autorizados, além de comentários desairosos sobre pacientes públicos. O caso revela um dos lados perversos do comportamento humano, reprovável e absolutamente inadmissível para quem se apresenta como médico.

Pior ainda é testemunhar esses profissionais serem movidos por sentimentos menores e ideologias político-partidárias, fazendo apologia à morte, como lamentavelmente observamos na última semana.

O texto da jornalista Cláudia Collucci publicado nesta Folha na quinta (2/2) acerta no ponto nevrálgico sobre o tema: atitudes como essa merecem punição. Impossível tolerar que pacientes corram o risco de virar motivo de escárnio entre médicos inescrupulosos.

As direções de hospitais e unidades de saúde precisam ser firmes e punir esse tipo de comportamento antiético de forma exemplar, eliminando das instituições elementos que profanam o princípio do sigilo e do respeito devido a qualquer ser humano.

Também têm obrigação de denunciar imediatamente aos conselhos profissionais esses desvios, para a aplicação de sanções pertinentes.

O juramento de Hipócrates é claro: o médico deve guardar absoluto respeito pelo ser humano e atuar sempre em seu benefício. Jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade.

Os cidadãos, quando buscam um serviço de saúde, principalmente quando precisam ser internados, seja em enfermaria ou na terapia intensiva, normalmente chegam fragilizados, não somente pela doença mas também pelo temor em relação ao que os espera.

Hospital, receio da dor e do imponderável, medicações desconhecidas, dor imposta por exames invasivos, cirurgias, agulhas, tubos e sondas são possibilidades tenebrosas que ninguém em sã consciência aceita calidamente.

As incertezas são muitas na fase de hospitalização; por isso a atitude dos profissionais de saúde tem o papel de resgatar a vida e dar dignidade à existência.

É urgente que os gestores da área da saúde pública ou privada desenvolvam estratégias robustas para envolver os médicos não somente nas políticas internas de humanização das instituições mas também no respeito ético para com seus pacientes. A dignidade humana deve ser inviolável.

ROBERTO KALIL FILHO, cardiologista, é professor titular da Faculdade de Medicina da USP e diretor de cardiologia do Hospital Sírio Libanês

*Texto originalmente publicado na seção Tendências/Debates do jornal Folha de S. Paulo

 Foto: Reprodução/Youtube



O “cidadão de bem” mudou o Brasil

 6/fev/2017, 0h10min

O "cidadão de bem" mudou o Brasil (por Fabrício Ribeiro Sales)



O "cidadão de bem" andava desaparecido desde as manifestações da "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", ocorridas entre março e junho de 1964 como resposta a uma suposta ameaça comunista, que impulsionaram o Golpe Militar daquele ano. Ele ressurgiu, especialmente em 2015 e 2016, com a missão de tirar o PT do poder e acabar com a corrupção no Brasil. Mas…, quem é o "cidadão de bem"?

Segundo pesquisa do Datafolha o perfil dos manifestantes pelo golpe no domingo, 13 de março de 2016, era este: 50% dos entrevistados informaram receber de cinco a 20 salários-mínimos mensais, 12% se declararam empresários, 77% possuíam Ensino Superior completo, 18% informaram ter o Ensino Médio, 4% disseram ter estudado até o Ensino Fundamental e 77% declararam ser de cor branca. Eis aí o retrato do "cidadão de bem". São, portanto, brancos, estudados e com alta renda. Trata-se de empresários, profissionais liberais, comerciantes e funcionários de alto escalão do Judiciário, MP, MPF, Polícia Federal, Exército e de estatais.

Se, como dizia Edmar Bacha, o Brasil é uma "Belíndia", mistura de Bélgica e Índia, o "cidadão de bem" vive no padrão da Bélgica. Ele não utiliza o SUS, as escolas públicas, não precisa do Minha Casa Minha Vida, não utiliza transporte público, não é contemplado com o aumento real do salário-mínimo, FIES, PROUNI, Pronatec, enfim, não é beneficiário direto destas políticas sociais e não tem compromisso com elas.

O que este grupo social conseguiu mudar no Brasil?

Muita coisa, menos a corrupção. Junto com Eduardo Cunha e Renan Calheiros derrubaram a presidente eleita e colocaram no poder um político menor, que montou um governo de investigados e denunciados, dispostos a tudo para frear as investigações da Lava Jato e se manter no poder.

O novo governo passa a pagar a fatura dos financiadores do golpe, nacionais e estrangeiros. Assim, Michel Temer entrega áreas riquíssimas do pré-sal, reduz a participação do Banco do Brasil e Caixa Federal no mercado bancário, concede generosos reajustes às castas que apoiaram ou se omitiram no golpe, flexibiliza os direitos trabalhistas, reduz verbas da saúde e educação, acaba com o aumento real do salário-mínimo, inviabiliza a aposentadoria para milhares de brasileiros, doa 100 bilhões para as Teles, perdoa 01 trilhão de dívidas de latifundiários, aumenta a verba publicitária para os meios de comunicação, enfim, tira dos pobres para dar aos ricos, mudando o sentido da transferência de renda.

No entanto, o "cidadão de bem" está feliz. Tirou o PT do poder, missão cumprida. Além disto, ele tem boa renda e não se utiliza dos serviços públicos, então por que se preocupar se a grana do pré-sal que seria investida em educação, saúde e ciência agora vai para o lucro das petroleiras estrangeiras? Se as plataformas que eram feitas no Brasil, gerando trabalho e desenvolvendo a indústria naval, agora são contratadas no exterior para onde vão empregos e lucros? Se o enfraquecimento da Caixa e do BB favorece os bancos privados? Se a maioria das pessoas vai morrer antes de se aposentar? Se o desemprego, o fim do aumento real do salário-mínimo e o arrocho dos servidores vão reduzir drasticamente a renda e o consumo das famílias, levando de roldão a economia nacional?

O "cidadão de bem" não se preocupa com nada disto, pois foi adestrado para odiar. Desta forma, ele se recusa a pensar num projeto de país com alternativas que protejam o extrato mais pobre da sociedade. Quando ouve propostas como combate à sonegação de 500 bilhões anuais, taxação dos ganhos de capital, reforma tributária que desonere os setores médios e pobres, taxação da especulação financeira e redução da taxa Selic, ele reage como se fosse um grande capitalista e denuncia o comunismo, mandando todos para Cuba.

Parafraseando Emicida "Quem vê só um lado do mundo só sabe uma parte da verdade". O "cidadão de bem" está assim, só vê o seu lado. Ele não se interessa pelo futuro do país, pois tornou-se um serviçal bem pago dos exploradores do povo brasileiro. Ele vive bem e se sente garantido, é a personificação do individualismo total, acima da ideia de país e de nação.

Mas, será mesmo que o "cidadão de bem" está garantido? Vejamos. Com as políticas do golpe, aumenta a desigualdade social, passamos a conviver com mais pobreza, menos educação, menos saúde, mais violência, menos moradia, mais desemprego e mais miséria. Acrescente-se a isto, as demissões e o arrocho no salário dos servidores públicos e teremos um imenso contingente populacional com dinheiro suficiente apenas para sobreviver. Esta redução geral da renda vai impactar, negativamente, nas empresas, profissionais liberais, comerciantes, taxistas e outros, ou seja, muitos setores privados que apoiaram o golpe também vão empobrecer.

Mas, e o "cidadão de bem" que compõe a alta burocracia do Judiciário, MP, MPF, Polícia Federal, Exército e estatais, estará protegido? Aqueles que não forem privatizados estarão protegidos apenas pela garantia do emprego, pois a violência resultante do caos social atingirá a todos, indiscriminadamente. Portanto, este "cidadão de bem" também corre sérios riscos.

Na briga entre um Brasil solidário e um Brasil desumano o "cidadão de bem" fez a sua escolha e mudou o país. Ele ainda não percebeu, mas com o seu ódio o "cidadão de bem" deu um tiro em si mesmo e no futuro das próximas gerações.

.oOo.

Fabrício Ribeiro Sales é Servidor Público.

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Bandeira de Mello: manifestações contra Marisa Letícia são 'típicas de uma escória'

ENTREVISTA

Bandeira de Mello: manifestações contra Marisa Letícia são 'típicas de uma escória'

Para jurista, "escória" é representada pela classe média alta. Ele se diz pessimista com o Brasil e atribui o motivo ao Judiciário, simbolizado por Sérgio Moro, "um suposto juiz", segundo ele
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 03/02/2017 18h14, última modificação 03/02/2017 18h31
REPRODUÇÃO/YOUTUBE
Bandeira de Mello

Sobre caso Moreira Franco: "Você sabe que uma coisa é quando é para a direita, outra é quando é para a esquerda"

São Paulo – Os ataques à ex-primeira-dama Marisa Letícia e manifestações de pessoas que "comemoraram" sua morte, ocorrida ontem (2) em São Paulo, são coisas típicas "de uma escória, de uma ralé". "A classe média alta é constituída por uma escória. As pessoas não suportam a evolução de uma pessoa de origem modesta." A opinião sobre as manifestações recentes não só contra Marisa, mas também dirigidas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello.

Ele disse à RBA estar "muito pessimista" sobre o Brasil, "porque quando o Judiciário não vai bem, nada vai bem". A principal referência da atual situação do Judiciário é o juiz Sérgio Moro, de acordo com Bandeira de Mello. "Existe um homem que faz o que bem entende, que desrespeita a Constituição diariamente e ninguém faz nada. O Supremo não faz nada. Aquele homem do Paraná, um juiz que não respeita a Constituição."

O jurista lembra um termo utilizado pelo então relator da Lava Jato, Teori Zavascki, morto em acidente de avião no dia 19 de janeiro, sobre o tratamento dado a presos pela operação Lava Jato. "O próprio ministro que morreu disse que era um tratamento medieval (aos presos) que era dado lá."

Em voto no qual foi acompanhado pela maioria da Segunda Turma em 28 de abril de 2015, Teori concedeu habeas corpus a nove acusados da Lava Jato, para que respondessem em liberdade. No voto, Teori argumentou que seria "extrema arbitrariedade" manter a prisão preventiva considerando apenas a possível interferência da liberdade no fechamento de um possível acordo de colaboração premiada. "Subterfúgio dessa natureza, além de atentatório aos mais fundamentais direitos consagrados na Constituição, constituiria medida medievalesca que cobriria de vergonha qualquer sociedade civilizada", afirmou o ministro relator (leia aqui).

Para Bandeira de Mello, Moro "é um suposto juiz".


Como o sr. comenta os ataques a Lula e a Marisa Letícia, feito por pessoas que chegam a comemorar a morte da ex-primeira-dama?

Evidentemente, são bandidos que fazem isso. Pessoas que não têm sentimentos. Só assim para fazer um ataque à dona Marisa. As pessoas não suportam a evolução de uma pessoa de origem modesta. É isso. A classe média alta é constituída por uma escória, uma ralé. Pra mim, que esse tipo de gente se manifeste dessa maneira é muito típico de uma escória, de uma ralé.


Curioso que estamos num país cristão, onde muitas pessoas que fazem isso se dizem cristãs...

Supostamente cristãs.


Como vê o caso de Moreira Franco, nomeado ministro para, segundo a oposição, escapar da Lava Jato, caso semelhante ao de Lula, que foi impedido de ser ministro pela argumentação de que seria uma manobra para ter foro privilegiado?

Bom, mas você sabe que uma coisa é quando é para a direita, outra coisa é quando é para a esquerda. Não há nenhuma imparcialidade. Então essas coisas acontecem.


O sr. está otimista com o Brasil? 

Não, muito pessimista.


Por que?

Porque quando o Judiciário não vai bem, nada vai bem. E eu acho que o Judiciário não vai bem. Existe um homem que faz o que bem entende, que desrespeita a Constituição diariamente e ninguém faz nada. O Supremo não faz nada. Aquele homem do Paraná, um juiz que não respeita a Constituição. Se você olhar para a Constituição está dito que o prisioneiro tem direito de ficar calado. Fica calado, aí continua preso. Então evidentemente que não é respeitar o direito dele. O próprio ministro que morreu disse que era um tratamento medieval que era dado lá. E era mesmo.


O sr. se refere ao juiz Sérgio Moro?

Ao Moro, sem dúvida. É um suposto juiz, não é?


Qual sua opinião sobre o ministro Luiz Fachin ter ido da Primeira para a Segunda Turma do STF e em seguida ter sido sorteado como relator da Lava Jato?

Era uma opção. O Fachin tinha o direito de optar e optou, e o sorteio caiu nele. Não vejo nenhum problema nisso. Ele não é mau ministro, não. Já imaginou se tivesse caído com aquele homem do Mato Grosso (Gilmar Mendes)? Aí é que era uma desgraça.



Ataques a Marisa são de uma escória de classe média, diz jurista Bandeira de Mello

Ataques a Marisa são de uma escória de classe média, diz jurista Bandeira de Mello


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Publicado na Rede Brasil Atual.

Os ataques à ex-primeira-dama Marisa Letícia e manifestações de pessoas que "comemoraram" sua morte, ocorrida ontem (2) em São Paulo, são coisas típicas "de uma escória, de uma ralé". "A classe média alta é constituída por uma escória. As pessoas não suportam a evolução de uma pessoa de origem modesta." A opinião sobre as manifestações recentes não só contra Marisa, mas também dirigidas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello.

Ele disse à RBA estar "muito pessimista" sobre o Brasil, "porque quando o Judiciário não vai bem, nada vai bem". A principal referência da atual situação do Judiciário é o juiz Sérgio Moro, de acordo com Bandeira de Mello. "Existe um homem que faz o que bem entende, que desrespeita a Constituição diariamente e ninguém faz nada. O Supremo não faz nada. Aquele homem do Paraná, um juiz que não respeita a Constituição."

O jurista lembra um termo utilizado pelo então relator da Lava Jato, Teori Zavascki, morto em acidente de avião no dia 19 de janeiro, sobre o tratamento dado a presos pela operação Lava Jato. "O próprio ministro que morreu disse que era um tratamento medieval (aos presos) que era dado lá."

Em voto no qual foi acompanhado pela maioria da Segunda Turma em 28 de abril de 2015, Teori concedeu habeas corpus a nove acusados da Lava Jato, para que respondessem em liberdade. No voto, Teori argumentou que seria "extrema arbitrariedade" manter a prisão preventiva considerando apenas a possível interferência da liberdade no fechamento de um possível acordo de colaboração premiada.

"Subterfúgio dessa natureza, além de atentatório aos mais fundamentais direitos consagrados na Constituição, constituiria medida medievalesca que cobriria de vergonha qualquer sociedade civilizada", afirmou o ministro relator (leia aqui).

Para Bandeira de Mello, Moro "é um suposto juiz".

Como o sr. comenta os ataques a Lula e a Marisa Letícia, feito por pessoas que chegam a comemorar a morte da ex-primeira-dama?

Evidentemente, são bandidos que fazem isso. Pessoas que não têm sentimentos. Só assim para fazer um ataque à dona Marisa. As pessoas não suportam a evolução de uma pessoa de origem modesta. É isso. A classe média alta é constituída por uma escória, uma ralé. Pra mim, que esse tipo de gente se manifeste dessa maneira é muito típico de uma escória, de uma ralé.

Curioso que estamos num país cristão, onde muitas pessoas que fazem isso se dizem cristãs…

Supostamente cristãs.

Como vê o caso de Moreira Franco, nomeado ministro para, segundo a oposição, escapar da Lava Jato, caso semelhante ao de Lula, que foi impedido de ser ministro pela argumentação de que seria uma manobra para ter foro privilegiado?

Bom, mas você sabe que uma coisa é quando é para a direita, outra coisa é quando é para a esquerda. Não há nenhuma imparcialidade. Então essas coisas acontecem.

O sr. está otimista com o Brasil? 

Não, muito pessimista.

Por quê?

Porque quando o Judiciário não vai bem, nada vai bem. E eu acho que o Judiciário não vai bem. Existe um homem que faz o que bem entende, que desrespeita a Constituição diariamente e ninguém faz nada. O Supremo não faz nada. Aquele homem do Paraná, um juiz que não respeita a Constituição.

Se você olhar para a Constituição está dito que o prisioneiro tem direito de ficar calado. Fica calado, aí continua preso. Então evidentemente que não é respeitar o direito dele. O próprio ministro que morreu disse que era um tratamento medieval que era dado lá. E era mesmo.

O sr. se refere ao juiz Sérgio Moro?

Ao Moro, sem dúvida. É um suposto juiz, não é?

Qual sua opinião sobre o ministro Luiz Fachin ter ido da Primeira para a Segunda Turma do STF e em seguida ter sido sorteado como relator da Lava Jato?

Era uma opção. O Fachin tinha o direito de optar e optou, e o sorteio caiu nele. Não vejo nenhum problema nisso. Ele não é mau ministro, não. Já imaginou se tivesse caído com aquele homem do Mato Grosso (Gilmar Mendes)? Aí é que era uma desgraça.

 




Moro matou Marisa? Por Paulo Nogueira

Moro matou Marisa? Por Paulo Nogueira


Postado em 04 Feb 2017

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Num romance de Agatha Christie, uma pessoa é assassinada a bordo de um trem.

Quem matou?

Em mais uma de suas grandes tramas, Agatha revela, no final, que não havia um assassino — mas vários. Foi um homicídio coletivo: um grupo de pessoas dá, uma por vez, uma facada na vítima.

Esse romance me vem à cabeça quando penso na morte de Marisa Lula da Silva.

Nas redes sociais, muita gente atribuiu a Moro e à Lava Jato a tragédia de Marisa. Mais precisamente, as circunstâncias que tornaram sua vida um tormento e podem ter aberto as portas para o AVC.

Pessoas próximas a Lula, como conta a colunista da Folha Mônica Bergamo neste sábado, dizem que Marisa jamais se recuperou da brutalidade do depoimento coercitivo imposto a Lula.

Policiais armados invadiram a casa da família, vasculharam até a geladeira e levaram os iPads dos netos de Marisa. (Há poucas semanas, Lula contou que apreenderam também o celular de Marisa, com o qual ela papeava no "zapzap" com as amigas.)

Tudo isso — e mais os constantes rumores de que Lula seria preso — parece ter sido demais para Marisa. Só agora ela terá paz.

Mas Moro não estava sozinho na perseguição furiosa a Lula que tanto contribuiu para a morte de Marisa.

Como no livro de Agatha Christie, foi um ato coletivo. Muitas mãos estão manchadas de sangue.

As da Globo, por exemplo. Moro e a Lava Jato não seriam nada sem os holofotes ininterruptos da Globo. A mídia como um todo participou da caçada a Lula, com seu jornalismo de guerra. Mas nenhuma empresa se empenhou tanto na empreitada quanto a Globo, com a possível exceção da Abril com a Veja.

Os juízes do STF também têm sua cota, dada a inércia com que lidaram com os abusos de Moro.

De novo: Moro não está sozinho neste episódio tão dramático da vida brasileira. Outras mãos estão tingidas de sangue, e isso não deve ser esquecido.

Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Lula: Agora o céu ganha a estrela que iluminou a minha vida

Lula: Agora o céu ganha a estrela que iluminou a minha vida

Ex-presidente prestou homenagem à Marisa, que faleceu na sexta (3). Velório aconteceu no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde eles se conheceram
 04/02/2017 16h44 - atualizado em 05/02/2017 12h15

Multidão participa de velório e homenageia Dona Marisa. Foto: Paulo Pinto/Agência PT

O velório e as homenagens a Dona Marisa reuniram milhares de pessoas no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), neste sábado. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a solidariedade e o abraço de militantes, dirigentes, colegas e familiares durante toda a cerimônia.

Em homenagem à Marisa, uma coroa de flores assinada por Lula com a frase: "agora o céu ganha a estrela que iluminou a minha vida".

Ao final da cerimônia, ele agradeceu a todos que estiveram no local e que enviaram manifestações de apoio. Lula relembrou a importância do sindicato em sua história.

"Vocês não têm dimensão da representatividade desse espaço que nós estamos tem na minha vida. Aqui, eu aprendi a falar, eu perdi o medo do microfone, nós decidimos combater a ditadura militar, criamos o novo sindicalismo, nós pensamos em criar a CUT e o PT, aqui nós pensamos em fazer todas as greves que foram feitas e, a partir daqui, saiu a inspiração para que muitos sindicatos no Brasil se transformassem em sindicato", lembrou.

"Aqui eu conheci a Marisa. Aqui eu casei com a Marisa. (…) Aqui nós tivemos os nossos filhos e aqui a Marisa sustentou a base para que eu me transformasse no que eu me transformei", continuou o ex-presidente.

Lula exaltou o companheirismo de Marisa Letícia, que o apoiou e permitiu que ele chegasse à Presidência da República. "Eu sou resultado dessa menina que parecia frágil e que me deu a garantia que eu poderia viajar que ela segurava a barra dos filhos", afirmou.

O ex-presidente citou diversos momentos da história do casal, como o nascimento dos filhos, que ele acompanhou, sempre, à distância, impossibilitado de acompanhar os partos.

"Eu assumi o compromisso com ela que eu ia assistir o parto do Luis Cláudio (filho mais novo) e quando eu estou na clínica, me liga um companheiro falando de uma reunião urgente. Eu outra vez pedi desculpas a Marisa e falei 'meu amor, ainda não é dessa vez'. Quando eu cheguei ao hospital, já tinha nascido".

"Eu vou continuar agradecendo a Marisa até o dia que eu não puder mais agradecer. E espero encontrar com ela com esse mesmo vestido que eu escolhi para colocar nela para mostrar que a gente não tem medo de usar vermelho".

Ao final do discurso, Lula condenou os ataques contra a ex-primeira dama. "Eu tenho 71 anos e eu quero provar, para os facínoras que levantaram leviandade contra a Marisa e que eles tenham, um dia, a humildade de pedir desculpas a ela".

"Eu tenho a consciência tranquila, tenho certeza da consciência e do trabalho da minha mulher. Querida companheira Marisa, descanse em paz porque o seu 'lulinha paz e amor' vai continuar brigando muito para defender a sua honra e a sua imagem".

Dom Angélico, bispo católico brasileiro emérito da Diocese de Blumenau, participou, juntamente com outros representantes das mais diversas religiões, de uma cerimônia religiosa dedicada à Marisa Letícia.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, homenageou, em nome de todos os petistas, a ex-primeira dama. "Marisa foi companheira e lutou ombro a ombro com o presidente Lula. Não é aquela visão daquela mulher que vive atrás. Ela tinha vida própria, sabe das lutas dos trabalhadores", exaltou Falcão, ao desejar força ao ex-presidente Lula.

 

Da Redação da Agência PT de Notícias



Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz