Páginas

pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

1.4.14

Ninguém vai ser punido por torturar minha mãe? — CartaCapital

Especial 50 anos do Golpe

Ninguém vai ser punido por torturar minha mãe?

Minha mãe e meu pai foram torturados por agente do governo. Nada mais justo que agora, pelo menos, meu filho possa ler nos livros de história o que aconteceu no Brasil


por Lino Bocchini publicado 31/03/2014 04:54, última modificação 31/03/2014 10:18


Está lá no meu RG: "Naturalidade: Rio de Janeiro". Na cédula de identidade do meu irmão também. E só. Pai, mãe, tios, avós... mais ninguém da minha família nasceu na cidade. Adoro o Rio, mas não me sinto carioca. Nasci lá exclusivamente por causa do golpe, 10 anos antes de eu nascer.

Como fui parar lá? Minha mãe teve de abandonar o curso de História na USP quando faltava só um semestre para terminar. Era boa aluna e nunca terminou porque, como tantos outros, abandonou para não ser presa. A polícia estava toda hora na Cidade Universitária, procurando e levando pessoas, e chegou uma hora que ela não podia mais ir às aulas ou à casa de amigos. E, por fim, não podia mais ir à própria casa. Foi quando meu pai e ela, ainda namorados, foram para clandestinidade, alugando uma casa que ninguém nunca soube onde era e que, para este texto, meu pai me contou que ficava na rua Atílio Inocentti.

Nesses tempos de faculdade, Sônia (minha mãe) era militante do POC, o Partido Operário Comunista. Era uma organização, como se dizia à época, de proselitismo. Ou seja, não pegava em armas. Faziam reuniões, panfletavam, discutiam e imaginavam como poderiam derrubar a ditadura civil-militar e reinstalar a democracia.

A clandestinidade em São Paulo, contudo, não foi o suficiente. Em poucos meses meus pais deixaram a cidade para que ela não fosse presa, e foram então para o Rio, sem avisar nenhum parente e sem nunca ter pisado na cidade. Arranjaram trabalho e por dois anos tentaram levar uma vida, digamos, normal. Até que foram descobertos.

Presos, passaram primeiro pela Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, na Tijuca. Conta meu pai: "lá ninguém foi interrogado. Apenas nos deixaram separados um do outro, nus, encapuzados, sem comida, sem água, sem banheiro, sem nada. Isso por 24 horas. Nos enfiaram então numa C-14, a temível Veraneio usada pela polícia política, e nos trouxeram para São Paulo, para a Oban, onde ficamos dez dias presos". (A Operação Bandeirante, conhecida como Oban, foi a estrutura montada pelo exército em São Paulo para interrogar e torturar presos políticos).

Àquela altura o POC não existia mais fazia algum tempo. Todos já tinham sumido ou estavam presos. Processada pela Justiça militar, minha mãe foi julgada à revelia e absolvida, não pesava nada muito grave contra ela. Mas a sentença favorável de nada valeu. Durante o período na Oban, meu pai perguntou a um dos interrogadores por que ela estava lá, se já havia sido absolvida pelo regime. Ele riu e respondeu: "Porque ela ainda não tinha vindo aqui".

De novo deixo que meu pai conte como foi: "Em dez dias na Oban a sua mãe passou por duas sessões de tortura, choques nas mãos, fios amarrados nos dedos, nua". E prossegue: "nesses dez dias em que ficamos lá, eu também era interrogado diariamente, mas enquanto ela tinha que falar sobre o POC e seus militantes, eu era questionado sobre abobrinhas diversas. 'Conhece fulano?', 'Onde você estava em tal época?'. A maioria das perguntas era sobre política estudantil que eu tinha feito aos 16 e 17 anos, no colegial, em Catanduva. Era só pra encher o saco mesmo. Não me deram choque; só tapas, socos e uns pontapés. O pior era a ameaça diária, que felizmente não cumpriram, de torturar a sua mãe na minha frente, já que ela tinha que responder sobre o POC. Mas os caras sabiam tudo, muita gente da organização já havia sido presa e interrogada. E então, cada vez que a resposta dela não batia exatamente com o que eles sabiam, vinha mais choque, só por sadismo. Dez dias depois abriram o portão da rua Tutóia e nos mandaram embora. Isso foi um ano antes de você nascer, em janeiro de 1973."

Em 1979 minha mãe morreu por motivos não relacionados ao que sofreu na ditadura, e então meu pai voltou a São Paulo, comigo e meu irmão. Eu tinha cinco anos, e a partir daí passei minha infância e a adolescência ouvindo relatos emocionados do meu pai sobre aqueles tempos.

Mas ouvi também passagens bonitas. Como quando foram levados por um conhecido à residência de um artista famoso que ajudou dezenas de militantes que viviam na clandestinidade no Rio. Era o Chico Buarque, que recebeu meu pai em casa assim que eles chegaram na cidade e, sem perguntar nada, assinou como fiador o contrato de aluguel do primeiro apartamento em que eles moraram por lá. Meu pai nunca mais o viu, e nunca teve a chance de agradecer – obrigado, Chico.

Ninguém relembra essas histórias terríveis para despertar pena ou ganhar tapinha nas costas. Quero apenas que tanto sofrimento não tenha sido em vão.

Cada um dos responsáveis pelo sofrimento de minha mãe, de meu pai e de todos os demais presos, mortos ou torturados, têm de ser punido. Todos. Seja o general ou um carcereiro que ouvia tudo e nada fez. Mais: meu filho e os outros de sua geração precisam ler nos livros de história o que, de fato, aconteceu. Disso não abro mão. Disso o Brasil não deveria abrir mão.

*Lino Bocchini é editor de midia online de CartaCapital. Seu relato faz parte da série de 50 depoimentos coletados para o especial Ecos da Ditadura, sobre os 50 anos do golpe civil-militar de 1964



http://www.cartacapital.com.br/sociedade/ninguem-vai-ser-punido-por-torturar-minha-mae-9333.html

Veja o impacto da ditadura militar na economia brasileira | TV Brasil

Veja o impacto da ditadura militar na economia brasileira

O modelo autoritário passou por um falso milagre e acabou em uma década perdida.

Vídeo: http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/bloco/veja-o-impacto-da-ditadura-militar-na-economia-brasileira

Apague o ditador da sua escola! Sobre uma lição de Walter Benjamin « Sul 21 Sul 21

Data:31/mar/2014, 11h01min

Apague o ditador da sua escola! Sobre uma lição de Walter Benjamin

Cartaz da campanha do Levante.

No aniversário de morte do estudante Edson Luís, assassinado pela ditadura, e para marcar a passagem dos 50 anos do Golpe Civil-Militar, o Levante Popular da Juventude lançou a campanha “Apague o ditador da sua escola!” O movimento pretende realizar uma mobilização nacional para modificar os nomes das escolas públicas que homenageiam ditadores. “Costa e Silva, Emílio Médici e tantos outros não podem ser exemplo para as crianças e jovens brasileiros. É hora de mudar essa realidade, por Memória, Verdade e Justiça!” – propõe a campanha que disponibilizou uma petição online em apoio à iniciativa e também uma cartilha para ser utilizada nas escolas.

A campanha do Levante foi inspirada, entre outras coisas, pela decisão do governo do Estado da Bahia que mudou oficialmente o nome do Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici para Carlos Marighella. A medida foi tomada a partir de uma solicitação de alunos, ex-alunos, professores e pais. O pedido para a substituição do nome ocorreu em dezembro, quando houve uma eleição da qual participaram professores, funcionários, estudantes e pais de alunos do colégio. Marighella foi o mais votado (406 votos ou 69%), seguido do geógrafo baiano Milton Santos (1926-2001), com 128 votos.

A mudança foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) no último dia 14 de fevereiro. Segundo levantamento preliminar realizado pelo levante, existem em todo país aproximadamente 1.000 escolas municipais, estaduais ou federais identificadas pelo nome dos cinco ditadores que ocuparam o posto de presidente no Brasil entre 1964 e 1985.

Segundo a diretora da escola, Aldair Almeida Dantas, há mais de dez anos havia uma inquietação por parte do corpo de professores, principalmente dos profissionais da área de Ciências Humanas, Filosofia e História, com o nome da escola. “Este ano, porém, decidimos levar esse desejo dos professores à frente. Mas não foi algo de uma hora para outra. Realizamos um longo trabalho de pesquisa junto a toda a comunidade escolar, e percebemos que esse era um desejo comum”, disse ao jornal Estado de São Paulo.

A eleição virou uma aula de história para toda a comunidade. A história de vida de Marighella e Milton Santos foi apresentada aos alunos, por meio de vídeos, exposições, explanações e debates. A escola tem cerca de mil alunos e oferece cursos do ensino fundamental, ensino médio e profissionalizante. O resultado do processo de escolha foi submetido à apreciação da Secretaria de Educação do Estado, que aprovou a iniciativa.

Está aí um belo exemplo a ser seguido. Além do sentido simbólico e do resgate da memória, é uma oportunidade para as comunidades escolares estudarem a história de seu país. Quais foram mesmo os crimes de Médici, que era gaúcho aliás, durante a ditadura? Esse não é um assunto que interessa aos nossos estudantes?

Uma lição de Walter Benjamin

Walter Benjamin: “Também os mortos não estarão seguros diante do inimigo, se ele for vitorioso”.

A tese VI das “Teses Sobre o Conceito de História” (1940), de Walter Benjamin, trata da importância de travar batalhas sobre a narrativa do passado. Nela, o autor afirma:

“O dom de atear ao passado a centelha da esperança pertence somente àquele historiador que está perpassado pela convicção de que também os mortos não estarão seguros diante do inimigo, se ele for vitorioso. E esse inimigo não tem cessado de vencer”.

Em certo sentido, os golpistas que rasgaram a Constituição brasileira e o voto popular, duas instituições essenciais da democracia, seguem vitoriosos até hoje, na medida em que não foram julgados pelos crimes cometidos. Entre esses crimes, estão muitos crimes comuns como sequestro, violação, tortura e assassinato. Pior do que isso, sequer na disputa simbólica de atribuição de nomes a espaços públicos eles foram derrotados. As iniciativas que agora começam a surgir com mais força no Brasil, como essa do Levante, são uma tentativa de romper esse bloqueio e, principalmente, de retomar a luta para derrotar esse inimigo que está sempre à espreita em nosso país: o autoritarismo, a violência e o desprezo pela democracia.

Evento quer atualizar o debate sobre as Reformas de Base, recuperar o legado de Jango e debater as motivações do golpe.

 Assembleia debate legado de Jango e as Reformas de Base

A Assembleia Legislativa gaúcha promove, de 2 a 4 de abril, no Teatro Dante Barone e no Memorial do Legislativo, o seminário Jango, as Reformas de Base e o Golpe de 1964. O evento quer atualizar o debate sobre as Reformas de Base, recuperar o legado de Jango e debater as motivações do golpe. Nos três dias do encontro, as atividades iniciarão às 19h. Os debatedores serão os seguintes:

Quarta-feira (2) – Os painelistas serão o consultor-geral da República no governo Jango, Waldir Pires, a socióloga Lícia Peres, com a mediação de Cristopher Goulart, neto de Jango. O ato também será marcado pelo relançamento da coletânea A Ditadura de Segurança Nacional, quatro volumes produzidos pelo parlamento gaúcho.

Quinta-feira (3) -  Sob a mediação de Denise Goulart, filha de Jango, serão painelistas o jornalista Paulo Henrique Amorim e Maria Teresa Goulart, viúva de Jango. Duas atividades culturais movimentam esse dia: o relançamento do livro João Goulart da Série Perfis – Parlamentares Gaúchos e a abertura da Exposição Fotográfica Jango, as Reformas de Base e o Golpe de 1964. Essas atividades ocorrerão no Memorial do Legislativo.

Sexta-feira (4) – Encerramento do seminário, também no Memorial do Legislativo, com o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do RS, Jair Krischke, o historiador e cineasta Silvio Tendler e a historiadora da Universidade de São Paulo (USP) Maria Aparecida de Aquino. O jornalista e escritor Juremir Machado da Silva será o mediador.

http://www.sul21.com.br/jornal/apague-o-ditador-da-sua-escola-sobre-uma-licao-de-walter-benjamin/

15 FILHOS | TAL - TELEVISIÓN AMÉRICA LATINA"

http://tal.tv/video/15-filhos/

Titulo do vídeo:15 FILHOS

País:Brasil

Duração:00:18:40

Diretor:Maria Oliveira e Marta Nehring

Sinopse

O documentário retrata a época da ditadura militar no Brasil por meio da memória de infância dos filhos de militantes presos, mortos ou desaparecidos. Esses depoimentos, dentre os quais se incluem os das diretoras do vídeo, mostram um ângulo pouco conhecido da violência política no Brasil.

Licenciado por: Maria Oliveira e Marta Nehring

Momento inimaginável: Internacional Comunista cantada no antigo DOI-Codi - Viomundo - O que você não vê na mídia

Momento inimaginável: Internacional Comunista cantada no antigo DOI-Codi

publicado em 31 de março de 2014 às 18:40

 por Artur Scavone, encaminhados via e-mail

Internacional é entoada no antigo DOI-Codi paulista em ato contra torturadores

Ativistas de direitos humanos e ex-presos políticos lotaram o pátio do local onde ainda hoje funciona uma delegacia de polícia

Por Lúcia Rodrigues, especial para o Viomundo

50 anos após o golpe militar que perseguiu, prendeu, torturou, matou e desapareceu com os corpos de centenas de ativistas de esquerda durante a ditadura, a internacional, hino comunista, ecoou na manhã desta segunda-feira, 31, no pátio onde funcionou o antigo DOI-Codi de São Paulo, o principal centro de torturas do país, no ato que exigiu a punição dos torturadores e financiadores da repressão.

Dezenas de ex-presos políticos que tiveram o grito sufocado nas sessões de tortura, puderam cantar a plenos pulmões a canção que silenciaram durante os Anos de Chumbo, junto com aproximadamente duas mil pessoas que compareceram à manifestação.

Do lado oposto do pátio que dava acesso às celas e salas de tortura, a ex-guerrilheira do Araguaia, Criméia Almeida, torturada pessoalmente pelo então comandante do DOI, Carlos Alberto Brilhante Ustra, quando estava grávida de sete meses, contemplava o local onde ficou presa. “Foi ali, naquela janela da esquerda, que eu fiquei”, afirma recordando o inferno que viveu.

Vitória da resistência

Apesar do sofrimento, Criméia considera que o ato desta segunda, em repúdio ao golpe, foi uma vitória daqueles que lutaram contra a ditadura. “Apesar de ser um lugar de muitas memórias tristes (ela viu o companheiro de partido, Carlos Nicolau Danielli, ser assassinado sob tortura), a sensação, hoje, é muito boa. Com muito sacrifício ocupamos este espaço. É sem dúvida uma vitória”, enfatiza.

O presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, deputado Adriano Diogo (PT-SP), organizador da manifestação, também foi pessoalmente torturado pelo coronel do Exército, Brilhante Ustra. Ele ficou preso três meses no centro de tortura. No dia em que chegou ao DOI-Codi haviam acabado de matar seu colega de classe na Geologia da USP, Alexandre Vannuchi Leme.

“Este lugar é macabro. É uma desfaçatez que ainda hoje funcione uma delegacia neste local. Foi importante os sobreviventes virem até aqui. É uma demonstração de muita coragem”, afirma ao se referir às torturas que todos que passaram por ali sofreram.

Na leitura do manifesto Ditadura Nunca Mais, Adriano defendeu a revisão da Lei de Anistia. De acordo com ele, a manutenção do entulho autoritário permite que a polícia continue agindo de forma truculenta até hoje. “A Lei de Anistia é a pedra de toque da impunidade. A Comissão Nacional da Verdade devia fazer um relatório dizendo: Reveja-se a Lei de Anistia”, explica.

No ato desta segunda não houve discursos, as manifestações foram substituídas por intervenções artísticas. A atriz Fernanda Azevedo, que ganhou recentemente o Prêmio Shell de Melhor Atriz, compareceu ao evento e apresentou parte de sua peça Morro Como Um País, que está em cartaz em São Paulo. No trecho encenado, Fernanda apresenta o diálogo do general Geisel com um colega de farda reconhecendo a tortura e a morte de ativistas como uma necessidade do regime.

[A produção de conteúdo próprio do Viomundo é toda bancada por nossos assinantes. Contribua!]

Assassinos

Todos os ex-presos políticos mortos no DOI-Codi paulista foram lembrados no ato. A cada nome citado, a plateia repetia: Presente. Os torturadores também não foram esquecidos por quem sofreu nas mãos deles. A cada nome de um agente da repressão, gritos de assassino ecoavam e invadiam a delegacia de polícia.

Bem perto dali, no Comando Militar do Sudeste, o palanque onde sempre se comemoraram todos os aniversários do golpe militar estava vazio. Do lado de fora, na calçada do quartel do Ibirapuera, uma dezena de integrantes da Marcha da Família pediam a volta dos militares em cartazes de cartolina e ao som do hino nacional tocado do alto de um potente carro de som.

Fotos Lúcia Rodrigues


http://www.viomundo.com.br/politica/momento-inimaginavel-ato-unificado-contra-o-golpe-no-antigo-predio-do-doi-codi-sp.html

Ato no antigo DOI-Codi tem hino da 'Internacional' e manifesto-oração — CartaCapital

50 anos do golpe

Ato no antigo DOI-Codi tem hino da 'Internacional' e manifesto-oração

Ato para relembrar os 50 anos do golpe de 64 reuniu 600 pessoas no pátio do antigo centro de tortura de número 921 da rua Tutóia

por Marsílea Gombata
publicado 31/03/2014 17:47, última modificação 01/04/2014 09:19

Marsílea Gombata

Evento reuniu ex-militantes, familiares, ativistas e advogados

Chico Buarque e Geraldo Vandré em looping. Cartazes de militantes desaparecidos. Ex-integrantes da luta armada. Advogados de presos políticos. No pátio do que hoje é considerado um dos maiores centros de tortura da história do País - o DOI-Codi de São Paulo - cerca de 600 pessoas se reuniram para lembrar os 50 anos do golpe de 1964 em um ato que contou com apresentações de teatro, música e uma espécie de "oração coletiva", na qual os presentes lembraram em voz alta os 56 nomes daqueles que ali morreram. O clímax ficou por conta da Internacional em alto e bom som, cuja imagem ficou marcada por lágrimas e punhos em riste embalados pelo coro que acompanhava o hino.

Abraçado a colegas de militância, o ex-preso político Ivan Seixas vibrava: "Aqui dentro! Está tocando a Internacional aqui dentro!"

Ao seu lado, Adriano Diogo, atual presidente da Comissão do Estado de São Paulo "Rubens Paiva", tentava conter as lágrimas. "Isso aqui hoje é a Queda da Bastilha. Não tem palavras que expliquem o que aconteceu aqui. Talvez só uma coisa tão sensível quanto a ficção e a arte consigam fazê-lo. Foi algo de outro mundo."

Entre uma apresentação e outra, o deputado estadual pelo PT subiu ao palco com Seixas e a ex-militante do PCdoB Maria Amélia Teles. Acompanhados pelos presentes, leram um manifesto que pedia a punição de torturadores que ali atuaram (como Carlos Alberto Brilhante Ustra e Waldir Coelho), a transformação do local em um memorial, a abertura de todos os arquivos da época e desmilitarização da polícia. O tom do coro era de manifesto e oração.


"Quero que a se apure a verdade para que isso nunca mais volte a acontecer, para que ninguém seja trazido para cá", disse o jornalista Antonio Carlos Fon, que passou ali 17 dias detido sob tortura em 1969. "A gente morre um pouco a cada lembrança do que os militares fizeram neste País, a cada visita a este local."

Um dos responsáveis pelo grupo de trabalho Justiça de Transição do Ministério Público Federal, o procurador da República Marlon Alberto Weichert classificou o ato como uma "vitória consolidada". "Os familiares e vítimas estão invadindo o que era um centro de tortura. É um marco histórico", afirmou. "Em 2008, quando começamos a trabalhar a questão da justiça de transição, isso era um assunto proibido. Hoje, seis anos depois, muitos apoiam a punição aos torturadores. Há uma outra consciência, não apenas jurídica, mas também política e social."

Para Lúcia Paiva Mesquita Barros, irmã do deputado federal Rubens Paiva, morto em 1971, a esperança é que "o passado não se repita". "Quero que pouco a pouco se faça justiça. E justiça é refazer o nome dele", afirmou ela, entre lágrimas e com um cartaz com a foto do irmão.

"História enterrada". Para o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), o marco dos 50 anos do golpe mostra que o País continua enterrando a sua história. "Cinquenta anos e o Brasil ainda não consegue virar essa página. Sem a revisão da Lei de Anistia não conseguiremos virar essa página. Não por revanche, mas os militares ainda não conseguem fazer a autocrítica e pedir perdão público. Precisamos abrir os arquivos militares."

O antigo DOI-Codi funcionava onde hoje é o 36º Distrito Policial. Ali existe um depósito e uma garagem da Polícia Civil. O complexo é composto de um pátio, antiga entrada dos presos, na Rua Thomas Carvalhal, onde há uma estrutura nova, e outros dois prédios com entrada pelo número 921 da Tutóia – um praticamente abandonado e um outro reformado onde funciona o DP. Neste, onde antigamente ficavam as celas femininas, foi feita uma reforma para o Departamento de Polícia Judiciária da Capital, da 2ª Delegacia Seccional da Polícia.

Logo em frente, a estrutura que abrigava as salas de interrogatório e de tortura ainda é mantida nos padrões da época, mas completamente vazia. Nos três andares do prédio, vultos e gritos são ouvidos com frequência, contam funcionários do DP.

Em uma passagem relâmpago, de menos de 15 minutos, o prefeito Fernando Haddad se disse a favor de transformar o local em memorial da luta contra a ditadura. "Tudo o que puder ser feito para manter viva a memória dos tempos sombrios que vivemos é útil e educativo para a sociedade. Não podemos esquecer o que é não poder se expressar ou não ter o direito de se manifestar."


Ao lado do pai, o líder ecumênico metodista Anivaldo Padilha, o ex-ministro da Saúde e pré-candidato ao governo de São Paulo Alexandre Padilha contou que voltar ao local o faz lembrar de como aprendeu cedo o que era a ditadura. "Muito cedo tive de aprender por que eu e minha mãe mudávamos de casa e não tínhamos residência fixa até meus 3 anos de idade, porque só falava com meu pai por carta ou por fita cassete e só fui conhecê-lo quando eu tinha 8 anos."

A sigla DOI-Codi indica o nome do órgão Destacamento de Operações de Informação (DOI) do Centro de Operações de Defesa Interna (Codi), coordenador da repressão política durante a ditadura. O centro é fruto da Oban (Operação Bandeirante), primeira referência da institucionalização da tortura na ditadura que gerou o DOI e exportou uma espécie de tecnologia repressora para outras cidades, como o Rio. "Voltar para esse lugar onde tantos morreram, foram torturados, e mulheres violentadas sexualmente, é dizer: 'Estamos vivos e continuamos a lutar por um Brasil melhor'", afirmou a advogada Rosa Cardoso, integrante da Comissão Nacional da Verdade, ao lembrar que a Oban selou a tática de "esterilização política".

Presa e submetida a choques elétricos no corpo, a ex-integrante da ALN (Ação Libertadora Nacional) Darci Miyaki contou que, apesar das duras memórias, saía do ato otimista. "É a quinta vez que volto aqui. Cada vez é terrível. Mas hoje foi um misto de alegria e sofrimento. Além de lembrar nosso passado, em um local que não pensava em voltar, ver jovens, partidos, sindicatos e estudantes conosco é uma visão que me enche de esperança."


http://www.cartacapital.com.br/sociedade/no-antigo-doi-codi-chico-buarque-a-internacional-e-um-manifesto-oracao-1139.html

50 anos do Golpe Militar e o Conselho Diretor da FUCS escolhe seu novo presidente que foi do ARENA

50 anos do Golpe Militar e o Conselho Diretor da FUCS escolhe seu novo presidente que foi do ARENA

Hoje, dia 31 de março de 2014, exatamente 50 anos após o golpe de 1964 onde milhares de pessoas foram torturadas pois buscavam poderem escolher seus destinos e seu modo de vida,  a FUCS, a Fundação Mantenedora da Universidade de Caxias do Sul, escolheu por meio do Conselho Diretor(aquele mesmo antidemocrático que escolheu o Reitor sem consultar os alunos no final de 2013) o seu novo Presidente, Ambrósio Bonalume.

Este senhor é professor na UCS e representa no Conselho Diretor o Hospital Fátima - Virvi Ramos(aquele hospital que também tem faculdade). Estranho não?  é escolhido justamente um conselheiro que representa uma faculdade que em tese “concorre” com a UCS no mercado para presidir a FUCS?

Outra informação de extrema relevância é  que o mesmo hoje eleito, foi na ditadura militar, mais precisamente em 1977 a 1982, vereador suplente em Caxias do Sul, por aquele partido que foi criado com a finalidade de dar sustentação política ao governo militar, o ARENA!

Onde estão os estudantes nessa escolha? Por que não podemos opnar e dar nossa contribuição?

#UCSfederalJÁ

#EstatuinteFUCS  

#UCSantidemocrática

 

Marillia Rodrigues
Movimento Estudantil ParaTodos



palestras e filmes

50 ANOS DO GOLPE CIVIL-MILITAR NO BRASIL: HISTÓRIA E MEMÓRIA
de 31 de março à 2 de abril, na UCS | Caxias do Sul

31 de março, segunda, 19h40 > UCS Cinema
1964 - 2014: HISTÓRIA E ENSINO DE HISTÓRIA
> Eloísa Capovilla da Luz Ramos (UNISINOS)

1 de abril, terça, 19h40 > auditório Bloco H
ENTRE VÍNCULOS E POLÍTICAS: AS MULHERES E A LUTA PELA ANISTIA"
> Mariluci Vargas (UFPel)


2 de abril, quarta, 19h40 > auditório Bloco H
ARQUIVOS DA REPRESSÃO: ACESSO, DESAFIOS E PERSPECTIVAS
> Ananda Fernandes Simões (Arquivo Histórico do RS)


Vídeo-debate, no #UCSCinema:

1 de abril, 17h
:: O DIA QUE DUROU 21 ANOS

2 de abril, 17h
:: O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS


Inscrições no local, válido como atividades complementares (20 horas)
Universidade de Caxias do Sul > Centro de Ciências Humanas
Mestrado Profissional em História > Curso de História
http://naehucs.blogspot.com.br/2014/03/evento-do-curso-de-historia-50-anos-do.html



Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz