Advogada
Mestre em Ciências Criminais
Doutoranda em "Direito, Justiça e Cidadania"
Postado por Emir Sader | 17/11/2009 às 06:14
| a prefeitura quer prorrogar o contrato com a visate por mais 10 anos! você concorda em não abrir concorrência para escolher a/s empresa/s do transporte coletivo? |
| venha dizer o que pensa! |
| AUDIÊNCIA PÚBLICA sábado 5 / 12 9 horas na câmara de vereadores |
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LADRÕES GRANDES ENFORCAM OS PEQUENOS
Frei Gilvander Moreira[1]
A descoberta do Mensalão do DEM/PFL-Arruda, em Brasília, gerou uma explosão de indignação nas pessoas de boa vontade. Todos comentam. Uns abominam, outros ironizam, há ainda os que zombam ou propõem impeachment... A senvergoinhice e a cara de pau de políticos profissionais, mais podres que ... me fizeram recordar o padre Antônio Vieira, em um dos seus célebres sermões, onde ele diz: "Não são ladrões os que cortam bolsas ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões, que mais própria e dignamente merecem este título, são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam. Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: "LÁ VÃO OS LADRÕES GRANDES ENFORCAR OS PEQUENOS". Ditosa a Grécia, que tinha tal pregador. E mais ditosas as outras nações se nelas não padecera a justiça as mesmas afrontas. Quantas vezes se viu em Roma ir a enforcar um ladrão por ter furtado um carneiro, e no mesmo dia ser levado em triunfo um cônsul, um ditador por ter roubado uma Província. E quantos ladrões teriam enforcado estes mesmos ladrões triunfantes? De um chamado Seronato disse com discreta contraposição Sidônio Apolinário: Seronato está sempre ocupado em duas coisas: em castigar furtos, e em os fazer. Isso não era zelo de justiça, senão inveja. Queria tirar os ladrões do mundo, para roubar ele só."[2]
Hoje, no Brasil, parodiando Diógenes, podemos dizer que políticos profissionais, como os "mensaleiros", são grandes ladrões que enforcam os "pequenos", que não são ladrões, mas são: a) 30 mil jovens assassinados por ano; b) 150 mil famílias sem-terra debaixo da lona preta; c) milhões de desempregados humilhados; d) 500 mil presos enjaulados em prisões que são verdadeiros campos de concentração...
Indignação é imprescindível, mas não basta. Precisamos organizar a indignação e encontrar soluções para problemas reincidentes como o dos Mensalões do PSDB, do PT e, agora, do DEM/PFL. Qual será o próximo? O grande poeta Thiago de Mello nos mostra um facho de luz: "As colunas da injustiça sei que só vão desabar quando o meu povo, sabendo que existe, souber achar dentro da vida o caminho que leva à libertação! Quando a verdade for chama nos olhos da multidão, o que em nós é palavra no povo será ação!" Urge acordar em nós e no povo a infinita luz e força humano-divina existente
[1] Mestre
[2] VIEIRA, Sermões, Vol. 5, p. 69. Porto, Lello & Irmão Editores, s/d.
MST em Felisburgo: do massacre à vitória
Cinco anos do Massacre de Felisburgo: a impunidade continua
Frei Gilvander Moreira[1]
Dia 21 de novembro de 2009, no município de Felisburgo, Vale do Jequitinhonha, MG, celebramos os cinco anos do Massacre de Felisburgo. Houve marcha do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – e de representantes das Pastorais Sociais e de Movimentos Sociais. Centenas de militantes marcharam por muitas ruas da cidade. Chegamos ao Cemitério da cidade onde estão sepultados os CINCO MÁRTIRES DE FELISBURGO – Francisco, Iraguiar, Manoel, Joaquim e Miguel -, onde fizemos uma celebração recordando-os.
Dom Pedro Casaldáliga gosta de dizer: "Feliz de um povo que não esquece seus mártires. Ai de um povo que esquece seus mártires." No Evangelho de Marcos (Mc 15,39) diz que um soldado romano, diante de Jesus crucificado, contemplando o crucificado, exclamou: "De fato, esse homem é o Filho de Deus." O evangelho quer nos dizer que somente quando a gente tem a coragem de olhar nos olhos dos crucificados, podemos entrever que as pessoas martirizadas são verdadeiramente filhas de Deus, profundamente humanas, e estão ressuscitadas no nosso meio. Foi muito difícil estar lá no cemitério, onde uma grande inscrição diz: "Aqui foram sepultados os Sem Terra Francisco, Iraguiar, Manoel, Joaquim e Miguel, covardemente assassinados a mando do fazendeiro Adriano Chafic, dia 20/11/2004. Eles tombaram, mas a sangue deles circula nas nossas artérias e nós seguiremos lutando por reforma agrária, por justiça social e dignidade. Essa era a luta deles e é nossa luta."
A emoção foi grande. Muitos choraram. As viúvas e os sobreviventes do massacre de Felisburgo sentiram, mais uma vez, uma espada de dor atravessando o coração deles. Graziele, de 11 anos, entre lágrimas desabafou: "Todos os dias sinto uma grande dor no coração, pois perdi meu pai (sr. Joaquim), perdi meu tio (sr. Miguel) e perdi meu cunhado (Iraguiar). Todos nesse covarde massacre. Eu só peço justiça!" Eis a dor que o latifúndio e o coronelismo causam.
Cinco anos se passaram. O mandante e réu confesso Adriano Chafic continua livre e impune. Os mais de 15 jagunços também não foram presos e nem julgados. Mas Dom Oscar Romero dizia: "Se me matam, vou ressuscitar na luta do meu povo."
Na parte da tarde do dia 21/11/2009, experimentamos que os cinco mártires de Felisburgo estão ressuscitados nos Sem Terra do MST e em tantos que apóiam a luta pela reforma agrária. Na entrada da ex-fazenda havia uma placa "Fazenda Nova Alegria" que foi derrubada e no lugar foi colocada uma Faixa com a inscrição "Assentamento Terra Prometida".
Lula desapropriou a fazenda por agressão ambiental, mas falta o INCRA mover o processo de imissão na posse para as dezenas de famílias Sem Terra que lá resistem há 8 anos. A sede da ex-fazenda deverá se transformar
O pré-assentamento Terra Prometida já está produzindo 80% das verduras e legumes, e muito feijão, que abastece a Feira de Felisburgo aos sábados.
Custou sangue, mas a fazenda foi conquistada. Hoje, é Terra Prometida que ancora sonho bonito de uma terra sem males para ver a justiça social acontecer no Vale do Jequitinhonha.
[1] Uma síntese desse texto foi publicada nos Jornais POP Notícias (de Belo Horizonte), EM FOCO (de Ribeirão das Neves), FATO (de Matozinhos, Capim Branco, Prudente de Morais), Estação Notícias (de Pedro Leopoldo), no RADAR Novalimense, no VISÃO Notícias (de Santa Luzia), 28/11 a 4/12 de 2009, Ano I, n. 23, p. 15. e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br – www.gilvander.org.br
Como era esperado, o prefeito Sartori anunciou sexta-feira sua decisão pela prorrogação do contrato de concessão com a Visate por mais 10 anos. Ele está enviando projeto à Câmara de Vereadores. O prefeito considera bom o serviço prestado pela empresa.
Surgiu nos últimos dias a informação de que eventual nova licitação agora afrontaria o contrato anterior, que autorizaria a Visate a permanecer com a concessão por ter cumprido todas as exigências previstas na licitação de 1999.
O debate foi tão "intenso" e "amplo" que só agora se sabe dessas informações. E esse novo dado que surge é tão grave que permite especular sobre o que acontecerá de novo daqui 10 anos dessa prorrogação de agora, tendo a Visate cumprido outra vez, nesse novo período, as exigências previstas em 1999. O contrato, lá na frente, não poderia, em tese, ser mais prorrogado. Mas não haveria margem para a empresa reivindicar novamente o direito à concessão? Afinal, é de prorrogação de um contrato que se está falando, portanto, prorrogação de todos os seus efeitos. Mais um item a ser dissecado por um debate amplo de verdade, e que surge envolto em dúvidas, porque esclarecedor o debate não foi.
O processo foi malconduzido. Algumas das audiências na Câmara e o seminário realizado recentemente sobre o transporte coletivo constituíram-se de palestras. O debate não pulsou, não reverberou, não tomou conta das entidades e da comunidade. Imaginava-se, inclusive, que tudo isso fosse acontecer em 2010 e que, por ora, a fase fosse preparatória. Santa ingenuidade.
O prefeito também está enviando à Câmara projeto que estipula melhorias e diretrizes para o transporte coletivo a serem encaminhadas durante os próximos 10 anos. O Legislativo, agora, terá a chance de examinar com calma ambos os projetos que tratam do transporte coletivo. Senão para alterar a decisão e a consequência final, que a prorrogação do contrato deve mesmo ser o desfecho, pelo menos para restaurar o debate e os esclarecimentos necessários e indispensáveis à população.
Não é o mérito, por ora, o que se discute aqui. É a transparência. O mínimo que se espera é que os projetos não sejam votados apressadamente, sem nova discussão, às vésperas do Natal e do fim de ano, em regime de urgência. Só falta essa.
http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,2733076,1223,13627,impressa.html