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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

6.2.09

Informes 6/fev/09/Ano XV nº 4172

 

Até mais, companheiro Adão

O deputado Adão Pretto (PT-RS), 63 anos, morreu às 7h50 de ontem em Porto Alegre. O deputado estava internado em estado grave no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Moinhos de Vento, onde havia se submetido a uma cirurgia para retirada do pâncreas.

O velório começou às 9h30 de ontem na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul e estendeu-se até a manhã de hoje. O sepultamento está marcado para as 10h, no cemitério Jardim da Paz, em Porto Alegre. Adão Pretto despontou como uma liderança expressiva do movimento camponês no interior gaúcho. Na Câmara, opunha-se aos ruralistas na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e também atuava na Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

O último projeto de lei do deputado foi apresentado em outubro do ano passado. A proposta acaba com o pagamento de indenização compensatória nos processos de desapropriação para fins de reforma agrária.

Deputados de todos os partidos reversaram-se ontem na tribuna da Câmara para homenagear a trajetória política de Adão Preto. A Mesa Diretora cancelou as votações previstas para as sessões da manhã e da tarde.

Adão Pretto estava no quinto mandato como deputado federal. A ex-senadora Emília Fernandes, também do PT, é a primeira suplente da vaga deixada pelo parlamentar.

Bancada lamenta perda da "Voz do Lavrador"
Em nome da bancada do PT na Câmara, o líder Cândido Vaccarezza (SP) lamentou a morte do deputado Adão Pretto (PT-RS). "O falecimento do companheiro Adão Pretto representa uma grande perda para o PT, o Brasil e os movimentos sociais. Adão não expressava apenas a esperança de mudanças, ele era a mudança". Leia a íntegra da nota: "Adão Pretto, a Voz do Lavrador O falecimento do companheiro Adão Pretto representa uma grande perda para o PT, o Brasil e os movimentos sociais. Adão não expressava apenas a esperança de mudanças, ele era a mudança. Antes de Adão Pretto, o Congresso Nacional já abrigara lutadores pela reforma agrária, em geral bacharéis. Com Adão Pretto, o discurso da reforma agrária adquiriu concretude, manifestado pela própria voz do lavrador, acostumado à labuta de sol a sol e com uma particularidade importante: este lavrador sabia temperar seu sólido discurso com a verve seus versos populares. Adão Pretto, os que vão nascer o saúdam. Deputado Cândido Vaccarezza Líder do PT na Câmara."

Fontana divulga nota de pesar pela morte do "incansável lutador"

O deputado Henrique Fontana (PT-RS), líder do Governo na Câmara, divulgou nota de pesar pela morte do "companheiro, amigo e deputado" Adão Pretto (PT-RS). "É com profundo pesar que acompanhamos o falecimento do companheiro, amigo e deputado federal Adão Pretto. Quem teve a honra de conviver com o Adão há pelos menos duas décadas sabe da importância que ele teve na construção do Partido dos Trabalhadores e de um Brasil mais justo e soberano. Foi um incansável lutador pela reforma agrária no país".

Segundo Fontana, Adão mostrou-se "um lutador social". "Sua causa principal sempre foi a dos pequenos agricultores e dos trabalhadores sem terra. Para o Adão, a justiça social e a justa divisão da terra eram fontes de inspiração que moviam os seus sonhos. Um homem honrado, grande líder político e articulador de inúmeros projetos, os quais defendeu com muita determinação e convicção nos seus cinco mandatos como deputado federal pelo PT gaúcho".

Segundo Henrique Fontana, "os seus exemplos, as suas ações e os seus objetivos estarão sempre vivos em nossa memória". "Inspirados em seus objetivos estaremos engajados na cotidiana construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Obrigado, companheiro e amigo Adão, pelos ensinamentos e pela convivência. À família, aos amigos, companheiros e companheiras de caminhada, a nossa solidariedade nesse momento tão difícil".

"Hoje é um dia muito triste", diz Marco Maia

O deputado Marco Maia (PT-RS), 1° vice-presidente da Câmara, lamentou a morte de Adão Pretto (PT-RS). Leia a íntegra: "Hoje o dia começou mais triste. Perdemos um grande parlamentar, amigo, parceiro de lutas, meu vizinho de bairro, do bairro Harmonia em Canoas, no Rio Grande do Sul. Fará muita falta, tanto no Rio Grande do Sul como em todo país, deste defensor incansável de uma parcela excluída da sociedade: os pequenos agricultores, os trabalhadores sem terras, os camponeses. Tive a honra de poder atuar com ele na defesa dos agricultores familiares.

O Adão Pretto fará muita falta, foram cinco mandatos nesta Casa. Sempre foi um homem honrado, leal aos seus princípios, um político respeitado por todos, independente dos vínculos políticos-partidários-ideológicos.

Hoje é um dia muito triste, a sociedade brasileira perdeu um líder, uma pessoa simples, lutadora, sonhadora, uma pessoa que, apesar dos anos, manteve o mesmo vigor que tinha na juventude na defesa dos seus ideais, na defesa dos mais oprimidos, excluídos.

Aos familiares, amigos, deixo um abraço fraterno e digo com toda a franqueza, que o trabalho de luta do Adão Pretto, sua história política não será esquecida, nem por esta Casa, nem pelos seus companheiros de jornada, nem pelos trabalhadores rurais, nem pela sociedade brasileira".

MST divulga nota de "solidariedade e pesar"

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou nota de pesar pelo falecimento do deputado Adão Pretto (PT-RS). No documento, a Coordenação Nacional do MST afirma que Adão Pretto "caracterizou-se pela defesa intransigente da reforma agrária". "No Congresso Nacional, denunciou e combateu as ações da bancada ruralista, e tornou-se um dos pilares do Núcleo Agrário do Partidos dos Trabalhadores".

Segundo a nota, "mais que um parlamentar, Adão sempre foi um camponês, com seu jeito simples, honesto e contundente, mas acima de tudo um lutador". "Sempre presente nas lutas dos movimentos sociais, sempre levando as reivindicações e bandeiras populares para o parlamento, denunciando a criminalização e a repressão da luta do povo"

Deputados se despedem de Adão Pretto

Parlamentares de diferentes bancadas partidárias da Câmara prestaram homenagem ontem ao deputado Adão Pretto (PT-RS). Os deputados ressaltaram a "humildade, generosidade e sabedoria" com as quais o petista escreveu a sua história em busca de uma sociedade mais justa e mais inclusiva.

Emocionado, o deputado Paulo Rocha (PT-PA) fez a sua mensagem destacando a garra e a dedicação de Adão na incansável missão de ajudar as pessoas. "Além de companheiro, era um irmão. Era um irmão, porque se comportava com generosidade. Era radical na sua posição, mas sabia mediar quando preciso. Simples, sem muita formação intelectual, mas sua voz, sábia, refletia a vontade de sua gente e os sonhos do seu povo. Era um político pelas mudanças, mas um poeta para expressar a sociedade que queria! Até mais companheiro Adão, nos espere no paraíso", concluiu Paulo Rocha.

O deputado Marcelo Ortiz (PV-SP) também demonstrou sua emoção. "A perda de um companheiro é sempre lamentável. Passamos nesta Casa um tempo muito grande discutindo os destinos do País, e é impossível alterarmos isso na vida. Chega o momento que um de nós é chamado para a morada eterna. Tenho certeza absoluta de que a trajetória de vida do deputado Adão Pretto e o que deixa de exemplo servirão de conforto, com o tempo, para sua família", disse.

O deputado Luiz Couto (PT-PB) também falou do carinho com o qual o petista militou a sua vida toda. "Adão Pretto sempre revelou um grande amor pela terra, pelo trabalho com dignidade. Podemos dizer que com ele morre o homem, mas fica a fama. E a fama de um homem que tinha qualidades importantes para a vida pública, com firmeza, serenidade e alegria. Onde ele estava era um momento de alegria. Até no combate às injustiças, ele fazia isso com muita alegria e firmeza", lembrou.

A deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) lembrou que o petista espalhou alegria por onde passou. "No ano passado, saímos para o recesso e o deputado Adão Pretto, como qualquer um de nós, saiu com muita saúde, com muita alegria, com muito entusiasmo. E é esta a última imagem que todos temos dele, além de companheiro e colega parlamentar. Adão era um grande amigo e uma pessoa que, desde que aqui cheguei e o conheci, aprendi a admirar", afirmou.

O deputado José Genoino (PT-SP) destacou sua gratidão por Adão Pretto. "Temos uma gratidão pela firmeza, pela serenidade e pelo compromisso de luta. Adão Pretto era, acima de tudo, um lutador, um lutador pela reforma agrária; um lutador dos trabalhadores rurais; um companheiro de partido; um companheiro que, nos momentos mais difíceis da história do PT, nesses quase 29 anos que vamos completar no dia 10 de fevereiro, foi sempre leal, sempre correto", disse.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) lamentou não ter tido a oportunidade de se despedir do petista. "Nós temos uma atividade muito ligeira na política. Temos que tomar decisões rápidas. Nós nos confrontamos, colocamos nossos ideais em confronto permanentemente e, muitas vezes, esquecemos de cumprimentar o companheiro mais afetuosamente e de lhe dar um abraço. Neste momento, peço que a família do deputado Adão Pretto receba todos esses abraços que deixei de lhe dar em vida".

O deputado Nilson Mourão (PT-AC) falou da determinação de Adão para vencer obstáculos. "Adão Pretto, há alguns anos, integrou uma comissão de parlamentares que foi até o Acre nos ajudar numa campanha eleitoral. Ele foi designado para debater, dialogar e discutir com a comunidade da Vila Extrema, onde estão assentadas pessoas que migraram do Rio Grande do Sul e do Paraná, e lá fez um trabalho extraordinário. Desejo a ele, que nessa sua viagem ao paraíso, à eternidade, que se encontre face a face com Deus, por tudo o que fez pelo povo pobre e humilde, pelo MST, pelos trabalhadores rurais, pela agricultura brasileira, pelo nosso País. Boa viagem à eternidade, irmão e companheiro Adão Pretto", finalizou.

No próxima quinta-feira (12) no Salão Verde da Câmara serão prestadas homenagens ao petista. A manifestação está sendo organizada pelo gabinete do deputado Beto Faro (PT-PA).

Em nota Lula lamenta morte de Adão Pretto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou, em nota, a morte do deputado Adão Pretto. Lula destacou a militância do deputado em organizações dos trabalhadores, especialmente as do campo. "Meu companheiro e amigo Adão Pretto foi um dos militantes das causas populares mais ativos que conheci. Levava sempre para dentro do Parlamento os anseios e as aspirações dos mais pobres e desamparados e era respeitado inclusive pelos adversários", afirma Lula na nota.

Cinco de fevereiro ficará marcado como Dia de Luto

"O dia 5 de fevereiro vai ficar na história do Partido dos Trabalhadores, do MST, da CPT, dos sindicatos, das CEBs, e de todos lutadores pela terra, como um dia de luto, de profunda tristeza". A avaliação é do deputado Pedro Wilson (PT-GO), que lamentou a morte do deputado Adão Pretto (PT-RS).

"A vida nos privou da presença do companheiro Adão Preto. Um dos mais importantes nomes do movimento camponês do Brasil. Ele era a própria voz da reforma agrária", argumentou Pedro Wilson. Ele conviveu com Adão na Comissão de Legislação Participativa e de Direitos Humanos, onde foi símbolo da luta pela reforma agrária e principal timoneiro do MST no Parlamento.

Comissão divulga nota e cita "vazio na luta pelos direitos humanos"

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara divulgou nota de pesar pelo falecimento do deputado Adão Pretto (PT-RS). A nota, assinada pelo deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), discorre sobre o "vazio" deixado pelo político no Parlamento.

A comissão convida a todos para a celebração da vida do Deputado Adão Pretto, a ser realizada no dia 11 de fevereiro, às 11h, no plenário 1 do Anexo II da Câmara, pelas comissões de Legislação Participativa e de Direitos Humanos. Leia a nota:

"Nota de pesar

Em nome da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), lamentamos profundamente o falecimento do Deputado Adão Pretto, ocorrido em Porto Alegre. A perda deste atuante membro da CDHM deixa vazio o espaço do defensor dos direitos humanos e da inclusão social dos homens e mulheres do campo, dos lutadores que arriscam a própria vida e labutam de sol a sol pela reforma agrária e por todas as demais bandeiras dos movimentos sociais pela dignidade, pela vida e o desenvolvimento dos trabalhadores rurais.

Além de membro da CDHM, o deputado Adão Pretto foi Presidente da Comissão de Legislação Participativa em 2008 e, nesta condição, estabeleceu produtivas parcerias com esta Comissão e com a sociedade civil.

A realização da 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos e a mobilização que resultou na convocação, pelo presidente Lula, da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, foram alguns processos de articulação política e social que contaram com sua valiosa participação nos últimos meses. À família de Adão Pretto, seus amigos e companheiros de luta, nossa solidariedade neste momento de dor e pesar".

Pedro Tierra homenageia Adão Pretto, que desafiou "o medo e a submissão"

Em poema feito especialmente em homenagem ao deputado Adão Pretto (PT-RS), o poeta Pedro Tierra acentua a importância do companheiro nas lutas pela reforma agrária. "Não houve tempo para colher a semeadura. Mas houve tempo suficiente para erguer os olhos e deixá-los contemplar a bandeira vermelha - sinal de terra livre - no portal dos assentamentos". Eis o poema:

Há uma gaita que geme e desafia

Filho do barro e da esperança: Adão.

Pai da palavra, da trova, do canto, apoiado na gaita e na invenção.

Regressas ao barro, na estação das chuvas, como quem fecunda...

Levas no corpo que baixa sobre o pampa - e se enterra com a lágrima de teus irmãos e amores e filhos e sonhos - a surda condição da semente.

Em que madrugada o corpo de Adão Pretto se apartou do barro e se fez vagido, grito, palavra, canto?

Em que marcha as foices levantaram a vontade da manhã, acenderam a luz azul dos seus olhos e desataram o rio da palavra que brotou de sua garganta?

Havia uma cruz e uma encruzilhada. Havia frio. E medo. E a morte dos anjos. Havia panos brancos sobre os braços da cruz como bandeiras de paz. Para que não se extravie a memória dos anjos.

Havia medo. E a palavra como centelha acendendo no acampamento uma canção de coragem. Ouvidos que ouvem e olhos que brilham contra a tarde de cinzas.

Há uma gaita que geme e desafia. Sempre haverá enquanto houver ouvidos que acolham e desafiem a ordem, o medo, a submissão.

Não houve tempo para colher a semeadura. Mas houve tempo suficiente para erguer os olhos e deixá-los contemplar a bandeira vermelha - sinal de terra livre - no portal dos assentamentos.

Há uma gaita que geme e desafia a ordem, o medo, a submissão. A gaita de Adão Pretto desafia o silêncio."

Pedro Tierra é militante do Partido dos Trabalhadores e das lutas pela Reforma Agrária

Contag lamenta morte "de companheiro" de luta

A Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) lamentou em nota a morte de Adão Pretto (PT-RS). Leia a íntegra:

"A Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) lamenta a morte do companheiro Adão Pretto (PT-RS), ocorrida nesta quinta-feira (5), em Porto Alegre, e se solidariza com a família do deputado. Para o presidente da Contag, Manoel dos Santos, a luta pela reforma agrária perdeu uma de suas principais lideranças no País.

Adão Pretto traz movimentos populares para a Câmara

A ligação do deputado Adão Pretto (PT-RS) com os movimentos sociais e com as causas populares motivou a participação da sociedade civil organizada na Comissão de Legislação Participativa (CLP), presidida pelo petista no último ano. Desde que foi criada, em 2001, foi na gestão de Adão, em 2008, que mais contou com a presença e participação de representantes do povo.

O próprio Adão Pretto, ao encerrar os trabalhos da comissão, afirmou que por causa da sua trajetória se sentiu à vontade como presidente da CLP. "Indiscutivelmente, nossa comissão marcou presença na Câmara. Este trabalho somente alcançou sucesso pela grande participação de entidades e movimentos sociais que apresentaram suas demandas, apostaram e acreditaram na CLP como um instrumento de interlocução da sociedade dentro do Parlamento", disse na ocasião.

Um dos principais avanços da gestão do deputado Adão Pretto à frente da CLP foi a consolidação e o fortalecimento do colegiado. No final do ano passado, foram aprovadas alterações no regulamento interno aumentando o campo de atuação da comissão. Foi apresentado ainda um projeto de resolução à Casa com sugestões de modificações no regimento interno com o objetivo de ampliar as competências da CLP.

Uma das grandes lutas do deputado Adão Pretto à frente da comissão foi pela retomada da prerrogativa de o colegiado apresentar emendas ao Orçamento da União, retirada da comissão em 2006. "O fortalecimento da CLP passa também pela retomada da possibilidade de apresentar emendas ao Orçamento Geral da União. A nossa comissão, como todas as outras desta Casa, tem o direito de apresentar emendas", defendeu o deputado durante seminário com a participação do presidente da Comissão de Orçamento, Mendes Ribeiro (PMDB-RS). A proposta ainda depende de aprovação das Mesas da Câmara e do Senado.

Entre os muitos trabalhos realizados pela comissão em 2008, mereceu destaque o seminário em comemoração aos 20 anos da promulgação da Constituição. O evento resgatou o processo de mobilização social e produção de emendas no momento da elaboração da Constituição de 1988.

Petistas querem homenagem com votação de proposta contra trabalho escravo

Deputados do PT sugerem que a Câmara faça uma homenagem ao colega Adão Pretto (PT-RS) concluindo a votação da proposta de emenda à Constituição contra o trabalho escravo. "Essa PEC é a síntese da luta do deputado Adão Pretto, que teve uma vida dedicada à defesa dos direitos humanos e da reforma agrária", afirmou a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Na avaliação da petista, a proposta enfrenta as distorções da situação agrária no País e garante o respeito aos direitos humanos. "Esta será uma homenagem justa e necessária", finalizou.

O deputado Paulo Rocha (PT-PA), autor da PEC 232/95, que visa à expropriação das terras que abrigam trabalho escravo, relembrou que os deputados Adão Pretto e Carlos Santana (PT-RJ) são pioneiros na Câmara na luta pela aprovação da proposta. "O fim do trabalho escravo sempre foi uma prioridade da nossa bancada. Por isso, concluir a votação dessa PEC ainda no primeiro semestre deste ano será uma grande homenagem, não só do PT, mas de todos os parlamentares ao nosso companheiro Adão Pretto", afirmou Paulo Rocha.

A expropriação de terras com trabalho escravo sempre foi uma bandeira do Núcleo Agrário do PT, que o deputado Adão Pretto coordenou por diversas vezes, desde que foi criado, em 1991. Dentre as principais conquistas do colegiado está a aprovação da Lei 11.326/2006 que cria a Política Nacional da Agricultura Familiar. O núcleo teve também participação decisiva na aprovação das leis 10.831/03, que dispõe sobre a agricultura orgânica, e 11.775/08, que institui medidas de estímulo à liquidação ou regularização de dívidas originárias de operações de crédito rural e de crédito fundiário.

Guerreiro de coração doce

Deputadas da bancada do PT na Câmara lamentaram a morte do deputado Adão Pretto (PT-RS). Para a deputada Cida Diogo (PT-RJ), a bancada do PT perde muito. "Não só politicamente, mas também nessa relação que ele mantinha com todo mundo. Era uma pessoa valiosa e lutadora, mas doce. A morte de Adão Pretto mexe com a gente. Ele sempre lutou pelos direitos da população rural, no movimento dos sem terra, a história dele por si só fala por ele".

A deputada Iriny Lopes (PT-ES) disse que Adão Pretto era um guerreiro de coração doce. "O Brasil perde muito. E o PT perde sua alma guerreira, que motivou a formação dos PT".

Para a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), Adão Pretto vai fazer muita falta. "Não só para a nossa bancada, mas para a luta social e popular do estado dele, e do País".

A deputada Janete Rocha Pietá (PT-SP) lembrou que Adão Pretto era um trabalhador rural que nunca negou suas origens. "Na comissão de Agricultura, sempre foi um combatente. Vamos homenageá-lo no que é mais importante, na resistência para que os trabalhadores rurais e sem terra tenham voz e vez", destacou.

Adão Pretto: deputado, agricultor e poeta popular

Adão Pretto nasceu no dia 18 de dezembro de 1945, na cidade de Coronel Bicaco (RS). Criado em Miraguaí (RS), iniciou a militância política nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e na Comissão Pastoral da Terra. Foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Miraguaí e fundador da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Celeiro (RS). Ele ajudou a fundar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Rio Grande do Sul.

Agricultor, Adão Pretto concluiu apenas o curso primário. Mas a atuação política e popular lhe serviu de inspiração para publicar três livros. O primeiro foi "Lei da previdência para o agricultor: entenda a lei e exija os direitos conquistados", lançado em 1981. Em 1987, pela editora Vozes, lançou "Queremos reforma agrária". O petista publicou ainda o livro "Poesias e cantos do povo". Trovador, Adão Pretto sempre esteve presente com sua gaita nos encontros, lutas e mobilizações dos trabalhadores do campo.

Adão Pretto foi filiado ao PDT de 1980 a 1985, ano em que ingressou no Partido dos Trabalhadores. Pelo PT, foi deputado estadual entre 1987 a 1991. Na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, presidiu a CPI da Violência no Campo. Naquele mesmo ano, recebeu o Prêmio Springer, como deputado estadual de destaque.

O petista exercia o quinto mandato consecutivo como deputado federal, eleito pela primeira vez para o cargo em 1991. Ao londo dos últimos 18 anos, ele apresentou diversos projetos de lei voltados ao desenvolvimento da agricultura nacional e à defesa dos pequenos agricultores. Entre eles, o projeto que prevê o Seguro Agrícola nacional; o que impõe tarifa a produtos agrícolas importados com subsídio na origem; o de isenção de IPI para veículos utilizados para o transporte da produção rural; e o que cria fundo para rádios comunitárias.

O parlamentar apresentou ainda projetos que garantem vagas no ensino superior para filhos de agricultores. Também é de autoria do petista o projeto que destina verbas para o Fundo Nacional de Habitação por Interesse Social. O deputado apresentou uma proposta de emenda à Constituição que determina a desapropriação para a reformas agrária de áreas usadas para a plantação de produtos transgênicos. Ele foi relator da proposta que cria uma nova política pesqueira nacional.

Como deputado federal, Adão Pretto participou em 2000 de uma missão oficial a vários países da Europa para debater o comércio internacional e política agrícola e agrária. Naquele mesmo ano, esteve em Portugal, onde conheceu o sistema de reforma agrária do país, a convite da Confederação Nacional da Agricultura. Em 2001, participou da Assembléia Latino-Americana de Mulheres Rurais e do III Congresso Latino-Americano de Organizações do Campo, na Cidade do México. Esteve em Cuba no mesmo ano para o Encontro Hemisférico de Luta contra a ALCA. Em 2006, participou da Jornada Internacional sobre Legislação para o Controle do Tabaco, realizada na Argentina. Em 2007, integrou o Parlamento Latino Americano.

Na última legislatura, Adão Pretto atuou como membro titular da Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural e suplente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Ele foi ainda membro da Frente Parlamentar da Terra.

O último discurso no plenário da Câmara ocorreu no dia 16 de dezembro de 2008. Na ocasião, Adão Pretto destacou "a luta histórica" do MST e as ações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a realização da reforma agrária.

Na tribuna da Câmara, o deputado elogiou a desapropriação, pelo Governo Federal, da fazenda Southall, em São Gabriel (RS). "Este será um assentamento com forte marca ideológica. As mais de 200 famílias assentadas construirão sua vida, a partir de agora, com um lugar para morar, para plantar alimentos saudáveis. Darão qualidade de vida para suas crianças e, principalmente, servirão de exemplo para a região em desenvolvimento sustentável", disse. O ato de emissão de posse para os assentados da fazenda Southall ocorreu no dia 18 de dezembro, data em que Adão Pretto completou 63 anos.


 

Expediente
 
Informes é uma publicação da Liderança do PT na Câmara dos Deputados
Sexta 6/fev/09 - Ano XV - nº 4.172   Fechamento: 5/fev/09 - 20:30

 

O Brasil perde um grande Homem

Nota de falecimento do deputado Federal Adão Pretto

O Brasil perde um grande Homem

O deputado Dionilso Marcon (PT) e toda sua assessoria lamentam profundamente o falecimento do deputado Federal Adão Pretto (PT), ocorrido hoje (05/02) às 7h45min. Marcon destaca que a história e a trajetória do pequeno agricultor Adão Pretto se confunde com a luta pela reforma agrária e a defesa dos pobres do campo e da cidade. Adão foi fundador do PT, do MST e do Movimento dos Pequenos Agricultores, do Movimento dos Pescadores, dentre outros, foi deputado Constituinte estadual e estava no seu quarto mandato de deputado federal, representando os movimentos sociais no Congresso Nacional e presidente da Comissão de Participação Popular da Câmara.

Marcon destaca que Adão Pretto sempre teve lado, sempre teve posição, sempre foi rijo, firme na defesa da justiça social ao lado dos trabalhadores em suas lutas. A defesa da reforma agrária no Brasil foi uma de suas bandeiras, e suas últimas lutas foram reunir os movimentos sociais, sindicatos e o congresso nacional para denunciar a repressão aos movimentos no RS e lutar pela desapropriação da fazenda Southall e de outras áreas, na região de São Gabriel, para reforma agrária no RS. O nome de Adão Pretto, segundo Marcon, já está na história do nosso Brasil e de nosso Estado e será contada por gerações. O velório do deputado Adão Pretto será hoje (5/02) na Assembléia Legislativa a partir das 11h30min, no salão Julio de Castilhos e o enterro será no cemitério jardim da paz amanhã (06) às 10h.

 

Jornalista Responsável

Kiko Machado – MTBRS 9510

51 99897653 – dilamar.machado@al.rs.gov.br

Nota de pesar pelo falecimento do deputado Adão Pretto

 
 
Stela Pastore - MTB 7586 | Presidência   09:12 - 05/02/2009
Foto: J. Batista / SEFOT - Câmara
 
Deputado Adão Pretto faleceu no início da manhã desta quinta-feira
Deputado Adão Pretto faleceu no início da manhã desta quinta-feira

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ivar Pavan (PT), vem a público manifestar o seu profundo pesar pelo falecimento do deputado federal Adão Pretto  ocorrido nesta quinta-feira (5), no Hospital Moinhos de Ventos, em Porto Alegre. O corpo será velado no Salão Júlio de Castilhos, na Assembleia Legislativa, a partir das 11h30.

Adão Pretto foi deputado estadual da primeira bancada do PT, em 1987, e estava no quinto mandato como deputado federal. Também foi deputado constituinte, contribuindo na elaboração da Constituição Estadual que completou 20 anos.

Através de seus deputados e servidores, o Parlamento Gaúcho presta condolências aos familiares e amigos de Adão Pretto pela sua longa trajetória de luta por justiça social e pelo acesso a terra.

Camponês, representantes dos pequenos agricultores e dos sem-terra Pretto, 63 anos, foi um dos principais defensores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Congresso.

Nascido em Coronel Bicaco, em 18 de dezembro de 1945, o deputado mudou-se com a família aos dois anos para Miraguaí, no noroeste do Estado. Pretto é o caçula dos sete filhos de um casal de agricultores. Aos cinco anos, já trabalhava na roça. Pretto começou sua trajetória no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Miraguaí e na Pastoral Rural da Igreja Católica. Religioso, foi ministro da eucaristia.

Participou da ocupação da Fazenda Annoni, em 1985, um marco histórico na luta pela terra,  considerada a primeira ocupação vitoriosa do MST. Em 1990, ao final do primeiro mandato na Assembleia, elegeu-se deputado federal. Um pé na luta e outro no Parlamento, foi o slogan que marcou sua trajetória como deputado.

 
 
 
 
 
Tempo real - 05/02/2009  08h23
 
Morre em Porto Alegre o deputado Adão Pretto
J.Batista
Adão Pretto foi um dos fundadores do MST no Sul
 
O deputado Adão Pretto (PT-RS), 63 anos, morreu hoje às 7h50 em Porto Alegre. O deputado estava internado em estado grave no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Moinhos de Vento, onde se submeteu a uma cirurgia para retirada do pâncreas. O velório será realizado a partir das 9h30 na Assembléia Legislativa. O sepultamento ainda não foi marcado.

Adão Pretto foi um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio Grande do Sul. Filiou-se ao PDT em 1980. Ingressou no PT em 1985, ano em que se elegeu deputado estadual. Em 1991, tomou posse, pela primeira vez, como deputado federal, e manteve-se no cargo, reeleito seguidamente, para outras cinco legislaturas.

Adão Pretto despontou como uma liderança expressiva do movimento camponês no interior do Rio Grande do Sul. Participou das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), instituições ligadas à Igreja Católica. Chegou à presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Miraguaí.

Na Câmara, opunha-se aos ruralistas na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. Sua principal bandeira política foi a reforma agrária. Chegou a escrever um livro sobre o tema ("Queremos Reforma Agrária", Editora Vozes, 1987).

Em 1986, como deputado estadual, presidiu a CPI da Violência no Campo na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul para investigar os conflitos entre grandes fazendeiros e trabalhadores rurais.

O último projeto de lei do deputado Adão Pretto foi apresentado em outubro do ano passado. A proposta acaba com o pagamento de indenização compensatória nos processos de desapropriação para fins de reforma agrária.

Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Wilson Silveira


(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')

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3.2.09

FSM 2009 teve cerca de 150 mil participantes

Movimentos Sociais| 02/02/2009 | Copyleft

FSM 2009 teve cerca de 150 mil participantes

Fórum Social Mundial de Belém chegou ao fim neste domingo. Segundo organização, FSM teve 133 mil participantes inscritos, de 142 países. Considerando número de participantes e pessoas que trabalharam no Fórum, 150 mil pessoas estiveram envolvidas na programação. Assembléia das Assembléias apresentou propostas de campanhas globais que devem ser lançadas em 2009. Próximo Fórum deverá ocorrer em um país da África, em 2011.

BELÉM - O Fórum Social Mundial 2009, realizado pela primeira vez na Amazônia, em Belém do Pará, chegou ao fim neste domingo (1°) com um total de 133 mil participantes inscritos, de 142 países, informou a organização do evento. O número de pessoas envolvidas no FSM reunindo participantes e trabalhadores chegou a 150 mil.

O último dia do Fórum foi marcado pela realização de assembléias setoriais temáticas, pela parte da manhã, com a divulgação de algumas conclusões dos debates. Na parte da tarde, ocorreu a Assembléia das Assembléias, com apresentação de algumas propostas de campanhas globais que devem ser lançadas em 2009. Local e data do próximo FSM não foram definidos no domingo. O que está definido é que deverá ser em um país da África, em 2011.

Além das datas tradicionais como os dias internacionais da mulher e dos trabalhadores rurais, e da cúpula do G8, em julho, da Cúpula das Américas, em abril, e do Clima, em dezembro, os movimentos sociais propuseram a realização de uma semana de protestos contra o capital e a guerra entre os dias 28 de março e 4 de abril. Neste período, será criada uma nova articulação de países ricos que, além dos oito do G8, incluirão as demais 12 nações mais ricas do mundo.

Outro evento que deve ser alvo de mobilizações é a comemoração dos 60 anos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), marcada para o dia 4 de abril, em Estrasburgo, na França. No dia 30 de março, estão previstas ações unificadas de apoio à Palestina e contra os crimes de guerra cometidos por Israel em Gaza.

Já as organizações que discutem a dívida externa de países do Sul lançaram uma convocação para que todos os governos implementem auditorias e, com base nelas, declarem a ilegalidade das dívidas, suspendendo os pagamentos e exigindo reparação por processos abusivos de endividamento. O documento, assinado pela Campanha Jubileu Sul e pela Comissão Internacional pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, também pede que os governos dos países do Sul se retirem do G20.


A organização do FSM divulgou os seguintes números como balanço final:

1- Total de participantes – 135 mil

2- Participantes inscritos no acampamento – 15 mil

3- Crianças recebidas na Tenda Curumim-Erê – 3 mil crianças

4 - Trabalhadores voluntários, tradutores, equipe técnica e representantes de entidades organizadoras – 4.830

5- Expositores de tendas, feira institucional, feira da economia solidária, restaurantes e lanchonetes – 5.200

6- Eventos culturais – 200

7- Artistas – 1000

8- Profissionais comunicadores da imprensa oficial, mídia alternativa ou freelancer – 4.500/ sendo 2.500 credenciados e 2.500 à distância.

9- Entidades e organizações inscritas – 5.808

Por cada continente:

África – 489
América Central - 119
América do Norte – 155
América do sul – 4.193
Ásia – 334
Europa – 491
Oceania – 27

10- Atividades autogestionadas inscritas – 2.310

11- Veículos de comunicação credenciados - 800 veículos de equipes de 30 países.

12 - Pesquisas de perfil de participantes - aproximadamente 2.150 entrevistas por amostragem.


Fotos: Rodrigues Pozzebon/Abr
 

2.2.09

As águas e a humanidade

 
02.02.09 - MUNDO
 
As águas e a humanidade

Marcelo Barros *

Adital -

Temos observado, em Belém, 123 mil pessoas de todos os continentes do mundo se reunirem para formular propostas sobre como tirar dos rios da Amazônia o nível de mercúrio, que está ameaçando permanentemente povos na sua sobrevivência. Por mais que os problemas sejam gravíssimos, a maioria da juventude é de uma cultura cuja pressão que faz é por causa da multidão, e estes expressam pela dança e pelos rituais da terra.

A água se tornou a mais delicada questão política e estratégica do mundo. É assunto central em todos os encontros internacionais e fóruns sociais. Kofi Annan, secretário-geral da ONU, alerta que a água se torna motivo de graves conflitos internacionais.

"Um relatório secreto, feito por consultores do Pentágono, teve sua divulgação proibida pelo presidente Bush e, por isso, foi retirado de circulação pelos chefes da Defesa norte-americana. Mas, o jornal inglês Observer o obteve e divulgou. Esse documento adverte que, dentro de poucos anos, grandes cidades européias ficarão submergidas pelos mares, enquanto a Grã-Bretanha terá um clima "siberiano". Conflitos nucleares, grandes secas, fome e tumultos generalizados acontecerão ao redor do mundo. (...) O acesso à água se tornará um campo de batalha. O Nilo, o Danúbio e o Amazonas são mencionados como sendo de alto risco.

Para não desgostar a indústria automobilística e as empresas de petróleo, o governo norte-americano deixou de assinar o Protocolo de Kyoto que se propunha a reduzir, em apenas 7%, as emissões de gases tóxicos que destroem a camada de ozônio e provocam tantos desastres ecológicos. Agora, para não mudar o rumo da civilização da guerra e do lucro, o presidente Bush esconde a realidade debaixo do tapete e põe todo o planeta em risco. Será que este terrorismo de Estado não é tão terrível ou pior do que a loucura dos fanáticos que cometem atos criminosos contra a sociedade civil?

Ainda bem, cada vez mais, uma porção maior da sociedade internacional se conscientiza e se mobiliza para cuidar da água como dom da vida e bem comum de toda a humanidade. No Brasil se formam comitês de defesa das bacias e voluntários se especializam em recuperar nascentes, antes consideradas destruídas. Entretanto, de nada valerá estes esforços se não transformarmos a cultura vigente. Há muitos que sabem o preço de todas as coisas, mas desconhecem o verdadeiro valor que elas têm. Há os que acreditam que até todas as pessoas têm seu preço e, com dinheiro, conseguem aprovação para projetos anti-ecológicos que nunca deveriam ser permitidos. Diante disso, temos de testemunhar: a água não é elemento banal e menos ainda mercadoria. É constitutiva de nossas culturas e espiritualidade. Somos parte integrante do ciclo global da água. Através do sangue e do líquido amniótico, como de todos os fluidos do corpo, a água nos liga à terra e ao universo. Já no século XIV, no Irã, dizia um poeta islâmico: "Se deixas que apenas uma gota d'água possa penetrar nas fendas do teu coração, dali emergirão cem oceanos de águas límpidas e benfazejas".

Nestes mesmos dias, em Bruxellas, Riccardo Petrellla, cientista europeu, coordena um grupo internacional de peritos para pedir à ONU uma lei que criminalize poluir um rio, castigue quem desmate floresta

Nestas cúpulas nosso futuro é garantido.

Vamos cuidar de fechar mais nossa água do banheiro e procure selecionar o lixo orgânico, do outro, porque impediremos que isso vá para os rios.

* Monge beneditino e escritor
 

O buraco perfeito

 
02.02.09 - MUNDO
 
O buraco perfeito

Leonardo Boff *

Adital -
 
Ignace Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique e um dos agudos analistas da situação mundial, chamou a atual crise econômico-financeira de "a crise perfeita". Putin, em Davos, a chamou de "a tempestade pefeita'. Eu, de minha parte, a chamaria de "o buraco perfeito". O grupo que compõe a Iniciativa Carta da Terra (M. Gorbachev, S. Rockfeller, M.Strong e eu mesmo, entre outros) há anos advertia: "não podemos continuar pelo caminho já andado, por mais plano que se apresente, pois lá na frente ele encontra um buraco abissal". Como um ritornello o repetia também o Fórum Social Mundial, desde a sua primeira edição em Porto Alegre em 2001. Pois chegou o momento em que o buraco apareceu. Lá para dentro caíram grandes bancos, tradicionais fábricas, imensas corporações transnacionais e US$50 trilhões de fortunas pessoais se uniram ao pó do fundo do buraco. Stephen Roach, do banco Morgan Stanley, também afetado, confessou: "Errou Wall Street. Erraram os reguladores. Erraram as Agências de Avaliação de risco. Erramos todos nós". Mas não teve a humildade de reconhecer:" Acertou o Fórum Social Mundial. Acertaram os ambientalistas. Acertaram grandes nomes do pensamento ecológico como J. Lovelock, E. Wilson e E. Morin".
 
Em outras palavras, os que se imaginavam senhores do mundo a ponto de alguns deles decretarem o fim da história, que sustentavam a impossibilidade de qualquer alternativa e que em seus concílios ecumênicos-econômicos promulgaram dogmas da perfeita autoregulação dos mercados e da única via, aquela do capitalismo globalizado, agora perderam todo o seu latim. Andam confusos e perplexos como um bêbado em beco escuro. O Fórum Social Mundial, sem orgulho, mas sinceramente pode dizer: "nosso diagnóstico estava correto. Não temos a alternativa ainda mas uma certeza se impõe: este tipo de mundo não tem mais condições de continuar e de projetar um futuro de inclusão e de esperança para a humanidade e para toda a comunidade de vida". Se prosseguir, ele pode pôr fim a vida humana e ferir gravemente a Pacha Mama, a Mãe Terra.

Seus ideólogos talvez não creiam mais em dogmas e se contentem ainda com o catecismo neoliberal. Mas procuram um bode expiatório. Dizem: "Não é o capitalismo em si que está em crise. É o capitalismo de viés norteamericano que gasta um dinheiro que não tem em coisas que o povo não precisa". Um de seus sacerdotes, Ken Rosen, da Universidade de Berkeley, pelo menos, reconheceu: "O modelo dos Estados Unidos está errado. Se o mundo todo utilizasse o mesmo modelo, nós não existiríamos mais".

Há aqui palmar engano. A razão da crise não está apenas no capitalismo norte-americano como se outro capitalismo fosse o correto e humano. A razão está na lógica mesma do capitalismo. Já foi reconhecido por políticos como J. Chirac e por uma gama consideravel de cientistas que se os paises opulentos, situados no Norte, quisessem generalizar seu bem estar para toda a humanidade, precisaríamos pelo menos de três Terras iguais a atual. O capitalismo em sua natureza é voraz, acumulador, depredador da natureza, criador de desigualdades e sem sentido de solidariedade para com as gerações atuais e muito menos para com as futuras. Não se tira a ferocidade do lobo fazendo-lhe alguns afagos ou limando-lhes os dentes. Ele é feroz por natureza. Assim o capitalismo, pouco importa o lugar de sua realização, se nos EUA, na Europa, no Japão ou mesmo no Brasil, coisifica todas as coisas, a Terra, a natureza, os seres vivos e também os humanos. Tudo está no mercado e de tudo se pode fazer negócio. Esse modo de habitar o mundo regido apenas pela razão utilitarista e egocêntrica cavou o buraco perfeito. E nele caiu.

A questão não é econômica. É moral e espiritual. Só sairemos a partir de uma outra relação para com a natureza, sentindo-nos parte dela e vivendo a inteligência do coração que nos faz amar e respeitar a vida e a cada ser. Caso contrário continuaremos no buraco a que o capitalismo nos jogou.

*Teólogo
 

Fórum Social Mundial: Sonhar outro mundo possível

02.02.09 - MUNDO
 
Fórum Social Mundial: Sonhar outro mundo possível

Rafael López Villaseñor *

Adital -
 
O oitavo fórum social mundial (fsm) aconteceu em Belém (Brasil) de 27 de Janeiro a 1º de fevereiro de 2009, reunido em torno do problema da ecologia, contou com aproximadamente cem mil participantes, vindos dos cinco continentes do mundo, todos com o objetivo de construir o sonho da pluralidade de um "outro mundo possível" sem desmatamentos, sem guerras, sem fome, sem discriminação, sem preconceitos raciais, religiosos ou de gênero...

A formação de "outro mundo possível" supõe uma recriação de todos os valores entre os homens e as mulheres, que permita a transformação do velho sistema capitalista neoliberal de morte, que está em profunda crise, num novo sistema de vida, de solidariedade, de partilha. O "outro mundo possível" é a utopia e sonho de um lugar maravilhoso que ainda não tem lugar, mas que poderá ter lugar futuramente. As expectativas de uma situação melhor no futuro, ainda sem lugar, exercem uma função crítica ao presente existente. Lutar por "um outro mundo possível", aponta para uma defasagem entre o real existente e o futuro desejável. Os sonhos e as utopias são o oxigênio e a esperança da vida humana.

A Construção de outro mundo será que é possível? Os movimentos populares políticos e religiosos afirmaram no fsm que é possível fazer acontecer um outro mundo, através da organização popular, da solidariedade, das lutas sociais, com suas diversas bandeiras de organização, que geraram novos projetos políticos, sociais, econômicos, raciais, ecológicos, etc. Uma sociedade, que gere vida para todos a partir da satisfação das necessidades básicas, como pão, terra, moradia, educação, saúde e uma vida mais digna sem qualquer tipo de preconceitos.

Ao longo da história foram surgindo muitas utopias, muitos sonhos, que tentaram criar e recriar um "outro mundo possível", como "a terra sem males" dos Tupi Guarani, o socialismo, o comunismo, entre outros.  Elas foram surgindo como um protesto contra a ordem opressora estabelecida. Porem, nem toda utopia é revolucionária, nem toda revolução é utópica e o triunfo de uma utopia pode ser a sua morte. Infelizmente os últimos anos estão marcados pela perda acentuada das grandes utopias, o fsm é uma das poucas bandeiras que ainda recria o sonho e a utopia do "outro mundo possível" pluralista e solidário.

As utopias concretas nascem em momento de crise, de transição, de agonia da história. Seu lugar de nascimento são as lutas, as rebeliões, as mortes, os fracassos, as vitórias, as lutas de classes. Revelam uma revolta contra o domínio dos fatos, uma recriação da esperança para todos. A história é o tempo da utopia, que alimenta e da vida à história, porem, devemos ter cuidado, porque muitas vezes as utopias acabaram se transformando em ideologias conservadoras opressoras, perdendo sua garra transformadora e recreativa.

A utopia e sonho de "outro mundo possível" deve estar unido ao profetismo, não podem existir por separado, porque a utopia separada do profetismo perde sua efetividade histórica com o perigo de virar escapismo idealista, que pode trazer apenas um consolo subjetivo individualista para o povo, no lugar de construir uma nova força renovadora e libertadora. Existe o perigo real em separar profetismo e utopias, desencarnando ambos, quer por reducionismo subjetivista, quer por reducionismo trascendentalista, em chave atemporal de eternidade, porém a eternidade deve estar ligada à temporalidade.  Para lograr a harmonia entre profetismo, utopia e sonho é necessário situar-se no lugar social, político, econômico e religioso da história.

Diante da crise global mundial do capitalismo neoliberal baseada no consumo desmedido e na especulação, gerada pelos banqueiros capitalistas, os mais afetados são os mais fracos, os pobres, os excluídos. Crise que leva ao crescimento do desemprego, à diminuição dos salários, ao aumento dos pobres, das favelas, da fome. Parece que se vive num mundo de desesperança, onde muitas vezes o povo busca saídas mágicas, espiritualistas, por isso hoje mais que nunca é necessário sonhar, imaginar, criar e recriar utopias, apesar da realidade e das dificuldades vividas.  A presente crise econômica deve nos levar a procurar um "outro mundo possível" no qual, os mais fracos e excluídos não paguem o preço alto da crise econômica global, gerada pelo capital especulativo do sistema opressor neoliberal. Trata-se de recriar uma justiça social, junto com à sustentabilidade ambiental do planeta.

Rafael López Villaseñor
(Participante do FSM de Belém)

*Missionário Xaveriano. Pároco
 

1.2.09

Lula e o Conselho Internacional do FSM

Colunistas 31/01/2009 Copyleft

DEBATE ABERTO

Lula e o Conselho Internacional do FSM

Como ocorreu nos dois últimos fóruns, Lula teve uma reunião com membros do Conselho Internacional do FSM. A reunião anterior havia sido marcada por profundas discordâncias. Desta vez, a reunião refletiu as mudanças que o governo sofreu desde então e suas expressões no próprio discurso de Lula.

Da mesma forma que nos dois últimos FSM, realizados no Brasil, em Porto Alegre, Lula teve uma reunião com membros do Conselho Internacional. Lula veio com ministros – Dilma, Tarso, Patrus, Guillerme Cassel, Edson Santos, Dulci, Samuel Pinheiro Guimarães, Nilcéia -, ouviu dois grupos de perguntas, respondeu e numa delas passou a palavra para Dilma. A reunião anterior havia sido marcada por profundas discordâncias. Teve três intervenções duramente criticas, em um momento em que o governo Lula tinha grandes fragilidades, produto da orientação geral imposta por Palocci sobre o conjunto da atuação do governo, que se refletia no próprio discurso de Lula, além do fato de que saía de Porto Alegre e ía a Davos. François Houtart havia aberto a reunião, afirmando que não se poderia acender uma vela a deus e outra ao diabo e que Lula teria que escolher entre os dois. Uma representante da Via Campesina, do Chile, acusou o governo brasileiro de estar estrangulando a economia familiar, pelo apoio aos grandes agronegócios, enquanto que uma representante de um movimento social africano, agregou a acusação de que a posição na OMC estaria estrangulando os pequenos países. Desta vez a reunião refletiu as mudanças que o governo sofreu desde então e suas expressões no próprio discurso de Lula. O próprio conjunto de perguntas abordou apenas lateralmente temas conflitivos para o governo. Os membros do Conselho, por sua vez, encontraram um Lula muito mais aberto e confiante em si mesmo. A primeira questão, do primeiro bloco, foi colocada por uma queniana, sobre a solidariedade sul-sul. A segunda, por um economista francês, sobre como as respostas à crise deveriam fortalecer a solidariedade sul-sul. Um chileno perguntou sobre as condições das rádios comunitárias. Um líder sindical da Índia perguntou sobre a situação dos sindicatos e a necessidade de uma agenda de desenvolvimento com igualdade. Um cubano perguntou sobre o papel da integração regional nas respostas de combate à crise. Lula tomou a palavra para dizer, inicialmente, que a integração sul-sul é mais difícil do que se imagina, apesar de sermos todos favoráveis, no discurso. Até a pouco tempo, a América do Sul não conversava com a América do Sul. Viajava-se mais para os EUA do que para a América Latina. Disse ele que nunca havia estado, como dirigente sindical, em algum outro país da América Latina, mas foi muitas vezes aos EUA, assim como para a Europa. "Nossa relação como movimentos sociais estava suboridnada aos países que tinham interesses econômicos no Brasil. E o movimento social estava subordinado ao países que podiam financiar atividades. Os partidos políticos também eram subordinados a orientações européias. Era um outro tipo de colonização, pelo poder de financiamento." "Uma vez eu liguei para o presidente de um país, para que ele votasse contra a intervenção dos EUA no Iraque. Um país membro do CS da ONU, e para minha surpresa, esse presidente disse que não poderia votar contra os EUA, porque tinha recebido 50 milhões de dólares para programas sociais. O Brasil estava de costas para a América Latina. Hoje a integração é um fato concreto. Temos um Mercosul fortalecido, criamos a Unasul, o Conselho Sulamericano de Defesa, o Banco do Sul, o BNDES tem mas de 5 bilhões de financiamneto em infraestrutura na América do Sul." "Não olhávamos para a África. Em 6 anos, eu visitei 21 paises africanos." Montamos centros da Embrapa em vários países, com estudos de campo em mais de 30 países. Já começamos a fazer experimentos de agricultura tropical na África." "Se acontecer o que eu penso, uma parte da África - a savana, que tem as mesmas características do centro-oeste brasileiro, de que há 40 anos se dizia que não prestava para nada, e que hoje é o mais centro de soja do Brasil, de algodão, de milho -, se isso acontecer lá, podemos ter uma revolução na agricultura em uma parte da África. Montamos centros da Fiocruz em Moçambique, para produzir antiretrovirais e outros medicamentos." "É um processo para anos, mas que depende dos governos eleitos, da visão de mundo que tenha o eleito. Da relação que as elites tenham com a sociedade. Conheço dezenas de presidentes que nunca se reuniram com os sindicatos, com a sociedade civil, com ONGs. Se se continua a eleger gente que não tem nenhuma relação com a sociedade civil, tudo fica mais dificil." "De 2006 a 2008 foram assentadas 519 mil famílias, 59% do que foi assentado em toda a história do Brasil, correspondente a 43 milhões de hectares de terra. Para uma comparação com o que significa em extensão de terra, a Inglaterra inteira tem 24,4 milhões de hectares de terra, a Itália, 30 milhões, a Alemanha, 35." "Passamos do financiamento de 2 bilhões de reais para a agricultura familiar para 6 bilhões. Criamos os Territórios da Cidadania. Realizamos a compra de alimentos em grande quantidade pelo governo federal, o programa Luz para todos, o Bolsa Família." "Tenho 63 anos e muita esperança que esta crise, apesar de nos trazer muito prejuízo, traga também oportunidades. Não devemos só ficar chorando com a crise, mas devemos fazer o novo." "Na OMC, o Brasil passou todo o ano passado lutando por um acordo. Minha tese é a de que o Brasill não precisa ganhar nada porque o Brasil é competitivo na agricultura, mas os ricos teriam que ceder para que os pobres ganhassem um pouco. Uma divergência entre a Índia e os EUA não permitiu que um acordo fosse feito. Eu falei com o Obama na segunda e vamos retomar a negociação da OMC. O mundo desenvolvido precisa ceder, sobretudo na questão agrícola, para que os pobres possam ganhar. Continuo confiante que podemos chegar a um acordo." "Avançamos porque a democracia se consolida na África, na América Latina. O G8 não tem a importância que tinha há 10 anos. Eles sabem que não podem fazer nada sério sem os países do Brics, sem o México. O que precisamos hoje é consolidar nossos avanços. Estamos há 15 anos tentando renovar o Conselho de Segurança da ONU. Para incluir representantes da America Latina, da Africa, para acabar com o poder de veto dos 5 países que tem hoje esse poder. Não é possível que os 5 países que tem poder de veto sejam os maiores produtores de armas no mundo." "Sobre a crise, quero dizer 2 coisas: a crise do anos 90, a asiática, foi muito menor que esta, infinitamnente menor. E o meu pais quebrou duas vezes, Esta não tem precedentes, não sabemos ainda o tamanho dela e os nossos países não quebram. O Brasil tem 207 bilhões de reservas, a dívida pública é de apenas 35% do PIB. Diferentemente do mundo desenvolvido, vários países em desenvolvimento estão em retração, mas não em recessão." "Não acho que o G-20 coopte os emergentes. É a primeira vez, numa crise dessa magnitude, que o FMI não tem soluções a propor, que o BM não tem, que os países ricos não tem solução, quando antes todos davam palpite sobre a América Latina. Parlamentes, senadores, ministros, yuppies dos bancos. Chegava-se em Londres, encontrava-se com um jovem de 30 anos, que não sabia onde ficava o Brasil, muito menos a Bolívia, mas dada palpite sobre o que deveriamos fazer." "Ficavam sempre avaliando os nossos riscos, mas o mais absurdo é que os EUA quebraram e os EUA não têm risco. O risco é nosso. Esta crise tem uma diferença muito grande da outra. Na outra a solução era o ajuste fiscal, mandar servidor público embora, cortar salários, cortar investimentos." "Eu fui ao Congo, estavam paralisando a construção de uma estrada, porque significava não fazer o superávit primário. Esta crise agora exige de nós muita ousadia, mais investimentos, o Estado é que vai fazer os investimentos. Aqui no Brasil, temos o compromisso de não diminuir os investimentos." "O Obama disse ontem que, no programa de investimentos de infraestrutura, todo o material de aço usado, será de aço de indústrias americanas. Quando a situação era boa, eles pregavam o livre comércio, agora que a situação deles está ruim, prevalece o protecionismo. Eles vão ter muitos problemas com os nossos países, precisamos defender nossa indústria. Temos consciência de que o mundo está interligado, se cada país resolver construir um muro em volta de si mesmo, a situação econômica tende a se agravar." "A hora é da ousadia e os países ricos têm compromissos com a periferia. Democracia e paz significa que as pessoas tem que comer, tem que almoçar, que jantar, sem isso não há democracia e não haverá paz. E é isso que estamos fazendo no G-20. Vamos ter que regular o sistema financeiro, regular o mercado futuro e o sistema financeiro tem que se comprometer com o setor produtivo. Não pensem que será fácil, mas hoje é muito mais difícil para os países ricos decidirem sozinhos que há 5 anos. Vamos continuar fortalecendo relação sul-sul." Em seguida o Lula passou a palavra para que Dilma Roussef esclarecesse o caráter da lei que regulamenta e descriminaliza as rádios comunitárias.

Secretario Executivo de Clacso, coordenador da Enciclopedia Contemporânea da América Latina e autor, entre outros, de "A nova toupeira" (sai na próxima semana).


Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz