pergunta:
Emir Sader
6.2.09
O Brasil perde um grande Homem
O Brasil perde um grande Homem
O deputado Dionilso Marcon (PT) e toda sua assessoria lamentam profundamente o falecimento do deputado Federal Adão Pretto (PT), ocorrido hoje (05/02) às 7h45min. Marcon destaca que a história e a trajetória do pequeno agricultor Adão Pretto se confunde com a luta pela reforma agrária e a defesa dos pobres do campo e da cidade. Adão foi fundador do PT, do MST e do Movimento dos Pequenos Agricultores, do Movimento dos Pescadores, dentre outros, foi deputado Constituinte estadual e estava no seu quarto mandato de deputado federal, representando os movimentos sociais no Congresso Nacional e presidente da Comissão de Participação Popular da Câmara.
Marcon destaca que Adão Pretto sempre teve lado, sempre teve posição, sempre foi rijo, firme na defesa da justiça social ao lado dos trabalhadores em suas lutas. A defesa da reforma agrária no Brasil foi uma de suas bandeiras, e suas últimas lutas foram reunir os movimentos sociais, sindicatos e o congresso nacional para denunciar a repressão aos movimentos no RS e lutar pela desapropriação da fazenda Southall e de outras áreas, na região de São Gabriel, para reforma agrária no RS. O nome de Adão Pretto, segundo Marcon, já está na história do nosso Brasil e de nosso Estado e será contada por gerações. O velório do deputado Adão Pretto será hoje (5/02) na Assembléia Legislativa a partir das 11h30min, no salão Julio de Castilhos e o enterro será no cemitério jardim da paz amanhã (06) às 10h.
Jornalista Responsável
Kiko Machado MTBRS 9510
51 99897653 dilamar.machado@
Nota de pesar pelo falecimento do deputado Adão Pretto
Adão Pretto foi um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio Grande do Sul. Filiou-se ao PDT em 1980. Ingressou no PT em 1985, ano em que se elegeu deputado estadual. Em 1991, tomou posse, pela primeira vez, como deputado federal, e manteve-se no cargo, reeleito seguidamente, para outras cinco legislaturas.
Adão Pretto despontou como uma liderança expressiva do movimento camponês no interior do Rio Grande do Sul. Participou das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), instituições ligadas à Igreja Católica. Chegou à presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Miraguaí.
Na Câmara, opunha-se aos ruralistas na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. Sua principal bandeira política foi a reforma agrária. Chegou a escrever um livro sobre o tema ("Queremos Reforma Agrária", Editora Vozes, 1987).
Em 1986, como deputado estadual, presidiu a CPI da Violência no Campo na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul para investigar os conflitos entre grandes fazendeiros e trabalhadores rurais.
O último projeto de lei do deputado Adão Pretto foi apresentado em outubro do ano passado. A proposta acaba com o pagamento de indenização compensatória nos processos de desapropriação para fins de reforma agrária.
Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Wilson Silveira
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')
Agência Câmara
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3.2.09
FSM 2009 teve cerca de 150 mil participantes
FSM 2009 teve cerca de 150 mil participantes
Fórum Social Mundial de Belém chegou ao fim neste domingo. Segundo organização, FSM teve 133 mil participantes inscritos, de 142 países. Considerando número de participantes e pessoas que trabalharam no Fórum, 150 mil pessoas estiveram envolvidas na programação. Assembléia das Assembléias apresentou propostas de campanhas globais que devem ser lançadas em 2009. Próximo Fórum deverá ocorrer em um país da África, em 2011.
Redação
BELÉM - O Fórum Social Mundial 2009, realizado pela primeira vez na Amazônia, em Belém do Pará, chegou ao fim neste domingo (1°) com um total de 133 mil participantes inscritos, de 142 países, informou a organização do evento. O número de pessoas envolvidas no FSM reunindo participantes e trabalhadores chegou a 150 mil.
O último dia do Fórum foi marcado pela realização de assembléias setoriais temáticas, pela parte da manhã, com a divulgação de algumas conclusões dos debates. Na parte da tarde, ocorreu a Assembléia das Assembléias, com apresentação de algumas propostas de campanhas globais que devem ser lançadas em 2009. Local e data do próximo FSM não foram definidos no domingo. O que está definido é que deverá ser em um país da África, em 2011.
Além das datas tradicionais como os dias internacionais da mulher e dos trabalhadores rurais, e da cúpula do G8, em julho, da Cúpula das Américas, em abril, e do Clima, em dezembro, os movimentos sociais propuseram a realização de uma semana de protestos contra o capital e a guerra entre os dias 28 de março e 4 de abril. Neste período, será criada uma nova articulação de países ricos que, além dos oito do G8, incluirão as demais 12 nações mais ricas do mundo.
Outro evento que deve ser alvo de mobilizações é a comemoração dos 60 anos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), marcada para o dia 4 de abril, em Estrasburgo, na França. No dia 30 de março, estão previstas ações unificadas de apoio à Palestina e contra os crimes de guerra cometidos por Israel em Gaza.
Já as organizações que discutem a dívida externa de países do Sul lançaram uma convocação para que todos os governos implementem auditorias e, com base nelas, declarem a ilegalidade das dívidas, suspendendo os pagamentos e exigindo reparação por processos abusivos de endividamento. O documento, assinado pela Campanha Jubileu Sul e pela Comissão Internacional pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, também pede que os governos dos países do Sul se retirem do G20.
A organização do FSM divulgou os seguintes números como balanço final:
1- Total de participantes 135 mil
2- Participantes inscritos no acampamento 15 mil
3- Crianças recebidas na Tenda Curumim-Erê 3 mil crianças
4 - Trabalhadores voluntários, tradutores, equipe técnica e representantes de entidades organizadoras 4.830
5- Expositores de tendas, feira institucional, feira da economia solidária, restaurantes e lanchonetes 5.200
6- Eventos culturais 200
7- Artistas 1000
8- Profissionais comunicadores da imprensa oficial, mídia alternativa ou freelancer 4.500/ sendo 2.500 credenciados e 2.500 à distância.
9- Entidades e organizações inscritas 5.808
Por cada continente:
África 489
América Central - 119
América do Norte 155
América do sul 4.193
Ásia 334
Europa 491
Oceania 27
10- Atividades autogestionadas inscritas 2.310
11- Veículos de comunicação credenciados - 800 veículos de equipes de 30 países.
12 - Pesquisas de perfil de participantes - aproximadamente 2.150 entrevistas por amostragem.
Fotos: Rodrigues Pozzebon/Abr
2.2.09
As águas e a humanidade
| 02.02.09 - MUNDO |
Marcelo Barros *
Adital -
Temos observado, em Belém, 123 mil pessoas de todos os continentes do mundo se reunirem para formular propostas sobre como tirar dos rios da Amazônia o nível de mercúrio, que está ameaçando permanentemente povos na sua sobrevivência. Por mais que os problemas sejam gravíssimos, a maioria da juventude é de uma cultura cuja pressão que faz é por causa da multidão, e estes expressam pela dança e pelos rituais da terra.
A água se tornou a mais delicada questão política e estratégica do mundo. É assunto central em todos os encontros internacionais e fóruns sociais. Kofi Annan, secretário-geral da ONU, alerta que a água se torna motivo de graves conflitos internacionais.
Para não desgostar a indústria automobilística e as empresas de petróleo, o governo norte-americano deixou de assinar o Protocolo de Kyoto que se propunha a reduzir, em apenas 7%, as emissões de gases tóxicos que destroem a camada de ozônio e provocam tantos desastres ecológicos. Agora, para não mudar o rumo da civilização da guerra e do lucro, o presidente Bush esconde a realidade debaixo do tapete e põe todo o planeta em risco. Será que este terrorismo de Estado não é tão terrível ou pior do que a loucura dos fanáticos que cometem atos criminosos contra a sociedade civil?
Ainda bem, cada vez mais, uma porção maior da sociedade internacional se conscientiza e se mobiliza para cuidar da água como dom da vida e bem comum de toda a humanidade. No Brasil se formam comitês de defesa das bacias e voluntários se especializam em recuperar nascentes, antes consideradas destruídas. Entretanto, de nada valerá estes esforços se não transformarmos a cultura vigente. Há muitos que sabem o preço de todas as coisas, mas desconhecem o verdadeiro valor que elas têm. Há os que acreditam que até todas as pessoas têm seu preço e, com dinheiro, conseguem aprovação para projetos anti-ecológicos que nunca deveriam ser permitidos. Diante disso, temos de testemunhar: a água não é elemento banal e menos ainda mercadoria. É constitutiva de nossas culturas e espiritualidade. Somos parte integrante do ciclo global da água. Através do sangue e do líquido amniótico, como de todos os fluidos do corpo, a água nos liga à terra e ao universo. Já no século XIV, no Irã, dizia um poeta islâmico: "Se deixas que apenas uma gota d'água possa penetrar nas fendas do teu coração, dali emergirão cem oceanos de águas límpidas e benfazejas".
Nestes mesmos dias, em Bruxellas, Riccardo Petrellla, cientista europeu, coordena um grupo internacional de peritos para pedir à ONU uma lei que criminalize poluir um rio, castigue quem desmate floresta
Nestas cúpulas nosso futuro é garantido.
Vamos cuidar de fechar mais nossa água do banheiro e procure selecionar o lixo orgânico, do outro, porque impediremos que isso vá para os rios.
O buraco perfeito
| 02.02.09 - MUNDO |
Leonardo Boff *
Adital -
Seus ideólogos talvez não creiam mais em dogmas e se contentem ainda com o catecismo neoliberal. Mas procuram um bode expiatório. Dizem: "Não é o capitalismo em si que está em crise. É o capitalismo de viés norteamericano que gasta um dinheiro que não tem em coisas que o povo não precisa". Um de seus sacerdotes, Ken Rosen, da Universidade de Berkeley, pelo menos, reconheceu: "O modelo dos Estados Unidos está errado. Se o mundo todo utilizasse o mesmo modelo, nós não existiríamos mais".
Há aqui palmar engano. A razão da crise não está apenas no capitalismo norte-americano como se outro capitalismo fosse o correto e humano. A razão está na lógica mesma do capitalismo. Já foi reconhecido por políticos como J. Chirac e por uma gama consideravel de cientistas que se os paises opulentos, situados no Norte, quisessem generalizar seu bem estar para toda a humanidade, precisaríamos pelo menos de três Terras iguais a atual. O capitalismo em sua natureza é voraz, acumulador, depredador da natureza, criador de desigualdades e sem sentido de solidariedade para com as gerações atuais e muito menos para com as futuras. Não se tira a ferocidade do lobo fazendo-lhe alguns afagos ou limando-lhes os dentes. Ele é feroz por natureza. Assim o capitalismo, pouco importa o lugar de sua realização, se nos EUA, na Europa, no Japão ou mesmo no Brasil, coisifica todas as coisas, a Terra, a natureza, os seres vivos e também os humanos. Tudo está no mercado e de tudo se pode fazer negócio. Esse modo de habitar o mundo regido apenas pela razão utilitarista e egocêntrica cavou o buraco perfeito. E nele caiu.
A questão não é econômica. É moral e espiritual. Só sairemos a partir de uma outra relação para com a natureza, sentindo-nos parte dela e vivendo a inteligência do coração que nos faz amar e respeitar a vida e a cada ser. Caso contrário continuaremos no buraco a que o capitalismo nos jogou.
Fórum Social Mundial: Sonhar outro mundo possível
| 02.02.09 - MUNDO |
Rafael López Villaseñor *
Adital -
A formação de "outro mundo possível" supõe uma recriação de todos os valores entre os homens e as mulheres, que permita a transformação do velho sistema capitalista neoliberal de morte, que está em profunda crise, num novo sistema de vida, de solidariedade, de partilha. O "outro mundo possível" é a utopia e sonho de um lugar maravilhoso que ainda não tem lugar, mas que poderá ter lugar futuramente. As expectativas de uma situação melhor no futuro, ainda sem lugar, exercem uma função crítica ao presente existente. Lutar por "um outro mundo possível", aponta para uma defasagem entre o real existente e o futuro desejável. Os sonhos e as utopias são o oxigênio e a esperança da vida humana.
Ao longo da história foram surgindo muitas utopias, muitos sonhos, que tentaram criar e recriar um "outro mundo possível", como "a terra sem males" dos Tupi Guarani, o socialismo, o comunismo, entre outros. Elas foram surgindo como um protesto contra a ordem opressora estabelecida. Porem, nem toda utopia é revolucionária, nem toda revolução é utópica e o triunfo de uma utopia pode ser a sua morte. Infelizmente os últimos anos estão marcados pela perda acentuada das grandes utopias, o fsm é uma das poucas bandeiras que ainda recria o sonho e a utopia do "outro mundo possível" pluralista e solidário.
As utopias concretas nascem em momento de crise, de transição, de agonia da história. Seu lugar de nascimento são as lutas, as rebeliões, as mortes, os fracassos, as vitórias, as lutas de classes. Revelam uma revolta contra o domínio dos fatos, uma recriação da esperança para todos. A história é o tempo da utopia, que alimenta e da vida à história, porem, devemos ter cuidado, porque muitas vezes as utopias acabaram se transformando em ideologias conservadoras opressoras, perdendo sua garra transformadora e recreativa.
A utopia e sonho de "outro mundo possível" deve estar unido ao profetismo, não podem existir por separado, porque a utopia separada do profetismo perde sua efetividade histórica com o perigo de virar escapismo idealista, que pode trazer apenas um consolo subjetivo individualista para o povo, no lugar de construir uma nova força renovadora e libertadora. Existe o perigo real em separar profetismo e utopias, desencarnando ambos, quer por reducionismo subjetivista, quer por reducionismo trascendentalista, em chave atemporal de eternidade, porém a eternidade deve estar ligada à temporalidade. Para lograr a harmonia entre profetismo, utopia e sonho é necessário situar-se no lugar social, político, econômico e religioso da história.
Diante da crise global mundial do capitalismo neoliberal baseada no consumo desmedido e na especulação, gerada pelos banqueiros capitalistas, os mais afetados são os mais fracos, os pobres, os excluídos. Crise que leva ao crescimento do desemprego, à diminuição dos salários, ao aumento dos pobres, das favelas, da fome. Parece que se vive num mundo de desesperança, onde muitas vezes o povo busca saídas mágicas, espiritualistas, por isso hoje mais que nunca é necessário sonhar, imaginar, criar e recriar utopias, apesar da realidade e das dificuldades vividas. A presente crise econômica deve nos levar a procurar um "outro mundo possível" no qual, os mais fracos e excluídos não paguem o preço alto da crise econômica global, gerada pelo capital especulativo do sistema opressor neoliberal. Trata-se de recriar uma justiça social, junto com à sustentabilidade ambiental do planeta.
Rafael López Villaseñor
(Participante do FSM de Belém)
1.2.09
Lula e o Conselho Internacional do FSM
DEBATE ABERTO
Lula e o Conselho Internacional do FSM
Como ocorreu nos dois últimos fóruns, Lula teve uma reunião com membros do Conselho Internacional do FSM. A reunião anterior havia sido marcada por profundas discordâncias. Desta vez, a reunião refletiu as mudanças que o governo sofreu desde então e suas expressões no próprio discurso de Lula.
Emir Sader
Da mesma forma que nos dois últimos FSM, realizados no Brasil, em Porto Alegre, Lula teve uma reunião com membros do Conselho Internacional. Lula veio com ministros – Dilma, Tarso, Patrus, Guillerme Cassel, Edson Santos, Dulci, Samuel Pinheiro Guimarães, Nilcéia -, ouviu dois grupos de perguntas, respondeu e numa delas passou a palavra para Dilma. A reunião anterior havia sido marcada por profundas discordâncias. Teve três intervenções duramente criticas, em um momento em que o governo Lula tinha grandes fragilidades, produto da orientação geral imposta por Palocci sobre o conjunto da atuação do governo, que se refletia no próprio discurso de Lula, além do fato de que saía de Porto Alegre e ía a Davos. François Houtart havia aberto a reunião, afirmando que não se poderia acender uma vela a deus e outra ao diabo e que Lula teria que escolher entre os dois. Uma representante da Via Campesina, do Chile, acusou o governo brasileiro de estar estrangulando a economia familiar, pelo apoio aos grandes agronegócios, enquanto que uma representante de um movimento social africano, agregou a acusação de que a posição na OMC estaria estrangulando os pequenos países. Desta vez a reunião refletiu as mudanças que o governo sofreu desde então e suas expressões no próprio discurso de Lula. O próprio conjunto de perguntas abordou apenas lateralmente temas conflitivos para o governo. Os membros do Conselho, por sua vez, encontraram um Lula muito mais aberto e confiante em si mesmo. A primeira questão, do primeiro bloco, foi colocada por uma queniana, sobre a solidariedade sul-sul. A segunda, por um economista francês, sobre como as respostas à crise deveriam fortalecer a solidariedade sul-sul. Um chileno perguntou sobre as condições das rádios comunitárias. Um líder sindical da Índia perguntou sobre a situação dos sindicatos e a necessidade de uma agenda de desenvolvimento com igualdade. Um cubano perguntou sobre o papel da integração regional nas respostas de combate à crise. Lula tomou a palavra para dizer, inicialmente, que a integração sul-sul é mais difícil do que se imagina, apesar de sermos todos favoráveis, no discurso. Até a pouco tempo, a América do Sul não conversava com a América do Sul. Viajava-se mais para os EUA do que para a América Latina. Disse ele que nunca havia estado, como dirigente sindical, em algum outro país da América Latina, mas foi muitas vezes aos EUA, assim como para a Europa. "Nossa relação como movimentos sociais estava suboridnada aos países que tinham interesses econômicos no Brasil. E o movimento social estava subordinado ao países que podiam financiar atividades. Os partidos políticos também eram subordinados a orientações européias. Era um outro tipo de colonização, pelo poder de financiamento." "Uma vez eu liguei para o presidente de um país, para que ele votasse contra a intervenção dos EUA no Iraque. Um país membro do CS da ONU, e para minha surpresa, esse presidente disse que não poderia votar contra os EUA, porque tinha recebido 50 milhões de dólares para programas sociais. O Brasil estava de costas para a América Latina. Hoje a integração é um fato concreto. Temos um Mercosul fortalecido, criamos a Unasul, o Conselho Sulamericano de Defesa, o Banco do Sul, o BNDES tem mas de 5 bilhões de financiamneto em infraestrutura na América do Sul." "Não olhávamos para a África. Em 6 anos, eu visitei 21 paises africanos." Montamos centros da Embrapa em vários países, com estudos de campo em mais de 30 países. Já começamos a fazer experimentos de agricultura tropical na África." "Se acontecer o que eu penso, uma parte da África - a savana, que tem as mesmas características do centro-oeste brasileiro, de que há 40 anos se dizia que não prestava para nada, e que hoje é o mais centro de soja do Brasil, de algodão, de milho -, se isso acontecer lá, podemos ter uma revolução na agricultura em uma parte da África. Montamos centros da Fiocruz em Moçambique, para produzir antiretrovirais e outros medicamentos." "É um processo para anos, mas que depende dos governos eleitos, da visão de mundo que tenha o eleito. Da relação que as elites tenham com a sociedade. Conheço dezenas de presidentes que nunca se reuniram com os sindicatos, com a sociedade civil, com ONGs. Se se continua a eleger gente que não tem nenhuma relação com a sociedade civil, tudo fica mais dificil." "De 2006 a 2008 foram assentadas 519 mil famílias, 59% do que foi assentado em toda a história do Brasil, correspondente a 43 milhões de hectares de terra. Para uma comparação com o que significa em extensão de terra, a Inglaterra inteira tem 24,4 milhões de hectares de terra, a Itália, 30 milhões, a Alemanha, 35." "Passamos do financiamento de 2 bilhões de reais para a agricultura familiar para 6 bilhões. Criamos os Territórios da Cidadania. Realizamos a compra de alimentos em grande quantidade pelo governo federal, o programa Luz para todos, o Bolsa Família." "Tenho 63 anos e muita esperança que esta crise, apesar de nos trazer muito prejuízo, traga também oportunidades. Não devemos só ficar chorando com a crise, mas devemos fazer o novo." "Na OMC, o Brasil passou todo o ano passado lutando por um acordo. Minha tese é a de que o Brasill não precisa ganhar nada porque o Brasil é competitivo na agricultura, mas os ricos teriam que ceder para que os pobres ganhassem um pouco. Uma divergência entre a Índia e os EUA não permitiu que um acordo fosse feito. Eu falei com o Obama na segunda e vamos retomar a negociação da OMC. O mundo desenvolvido precisa ceder, sobretudo na questão agrícola, para que os pobres possam ganhar. Continuo confiante que podemos chegar a um acordo." "Avançamos porque a democracia se consolida na África, na América Latina. O G8 não tem a importância que tinha há 10 anos. Eles sabem que não podem fazer nada sério sem os países do Brics, sem o México. O que precisamos hoje é consolidar nossos avanços. Estamos há 15 anos tentando renovar o Conselho de Segurança da ONU. Para incluir representantes da America Latina, da Africa, para acabar com o poder de veto dos 5 países que tem hoje esse poder. Não é possível que os 5 países que tem poder de veto sejam os maiores produtores de armas no mundo." "Sobre a crise, quero dizer 2 coisas: a crise do anos 90, a asiática, foi muito menor que esta, infinitamnente menor. E o meu pais quebrou duas vezes, Esta não tem precedentes, não sabemos ainda o tamanho dela e os nossos países não quebram. O Brasil tem 207 bilhões de reservas, a dívida pública é de apenas 35% do PIB. Diferentemente do mundo desenvolvido, vários países em desenvolvimento estão em retração, mas não em recessão." "Não acho que o G-20 coopte os emergentes. É a primeira vez, numa crise dessa magnitude, que o FMI não tem soluções a propor, que o BM não tem, que os países ricos não tem solução, quando antes todos davam palpite sobre a América Latina. Parlamentes, senadores, ministros, yuppies dos bancos. Chegava-se em Londres, encontrava-se com um jovem de 30 anos, que não sabia onde ficava o Brasil, muito menos a Bolívia, mas dada palpite sobre o que deveriamos fazer." "Ficavam sempre avaliando os nossos riscos, mas o mais absurdo é que os EUA quebraram e os EUA não têm risco. O risco é nosso. Esta crise tem uma diferença muito grande da outra. Na outra a solução era o ajuste fiscal, mandar servidor público embora, cortar salários, cortar investimentos." "Eu fui ao Congo, estavam paralisando a construção de uma estrada, porque significava não fazer o superávit primário. Esta crise agora exige de nós muita ousadia, mais investimentos, o Estado é que vai fazer os investimentos. Aqui no Brasil, temos o compromisso de não diminuir os investimentos." "O Obama disse ontem que, no programa de investimentos de infraestrutura, todo o material de aço usado, será de aço de indústrias americanas. Quando a situação era boa, eles pregavam o livre comércio, agora que a situação deles está ruim, prevalece o protecionismo. Eles vão ter muitos problemas com os nossos países, precisamos defender nossa indústria. Temos consciência de que o mundo está interligado, se cada país resolver construir um muro em volta de si mesmo, a situação econômica tende a se agravar." "A hora é da ousadia e os países ricos têm compromissos com a periferia. Democracia e paz significa que as pessoas tem que comer, tem que almoçar, que jantar, sem isso não há democracia e não haverá paz. E é isso que estamos fazendo no G-20. Vamos ter que regular o sistema financeiro, regular o mercado futuro e o sistema financeiro tem que se comprometer com o setor produtivo. Não pensem que será fácil, mas hoje é muito mais difícil para os países ricos decidirem sozinhos que há 5 anos. Vamos continuar fortalecendo relação sul-sul." Em seguida o Lula passou a palavra para que Dilma Roussef esclarecesse o caráter da lei que regulamenta e descriminaliza as rádios comunitárias.
Secretario Executivo de Clacso, coordenador da Enciclopedia Contemporânea da América Latina e autor, entre outros, de "A nova toupeira" (sai na próxima semana).
Cancion con todos
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.
Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.
Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz