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"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

30.1.20

Demétrio Xavier canta Atahualpa Yupanqui: O Filho da Terra que veio para narrar

MÚSICA LATINO-AMERICANA

Demétrio Xavier canta Atahualpa Yupanqui: O Filho da Terra que veio para narrar

Para celebrar os 112 do compositor e músico argentino, o também músico a apresentador gaúcho faz show nessa sexta-feira

Brasil de Fato | Porto Alegre

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30 de Janeiro de 2020 às 13:06
Demétrio concedeu entrevista ao Brasil de Fato RS em sua casa; show será no Café Fon Fon - Créditos: Foto: Fabiana Reinholz
Demétrio concedeu entrevista ao Brasil de Fato RS em sua casa; show será no Café Fon Fon / Foto: Fabiana Reinholz

"Cantar a aldeia, com as vozes da Cultura Crioula e os sotaques do Continente de São Pedro e do Continente Latino-Americano." Assim começava um dos programas mais populares da FM Cultura, rádio pública do Estado do Rio Grande do Sul. Sob o comando de Demétrio Xavier, o Cantos do Sul da Terra trouxe, por sete anos, as vozes mais emblemáticas do continente latino-americano.

Uma dessas vozes é a de Héctor Roberto Chavero, ou melhor dizendo, Athaualpa Yupanqui, "O Filho da Terra que veio para narrar". Filho de pai quéchua e mãe basca, nascido da província portenha de Pergamino, dizia que em seu sangue galopavam dois avós, um cheio de silêncios, o outro meio cantor. É reconhecido como um dos mais importantes divulgadores de música folclórica da Argentina, com uma "ajudinha" da cantora francesa Édith Piaf. Suas composições foram cantadas por intérpretes como Mercedes SosaAlfredo ZitarrosaVíctor JaraMarie Laforêt e Elis Regina, entre outros, como Démetrio Xavier, que com sua velha "guitarrita", encontrou seu paisano pessoalmente nos anos 90.

Camino del Indio, primeira música composta por Yupanqui, também a primeira ouvida por Demétrio, os uniu. Nesse encontro, o jovem urbano, nascido em 1966 na Cidade Baixa, um dos bairros mais antigos da área central de Porto Alegre, recebeu a benção para seguir cantando as suas canções. 

"Has de contar… Narrarás". Recién ahora, en el otoño de mi existencia, con muy largos caminos andados, con muchas noches sin poncho, puedo asumir el Destino de este nombre que me lleva con él, mundo afuera y mundo adentro. Recién ahora, pausadamente y con amor sereno, puedo decir: "Había una vez…". Y empezar a contar.", escreveu Yupanhqui cinco anos antes de sua partida.

Athaualpa Yupanqui / Foto: Reprodução

Para recordar os 112 anos de vida do compositor argentino, Demétrio cantará suas canções nessa sexta-feira, no Café Fon Fon (Rua Viêira de Castro, 22 - Farroupilha, Porto Alegre).

O Brasil de Fato RS conversou com Demétrio, sempre acompanhando de sua guitarrita (violão que o acompanhou quando se encontrou com Athaualpa) e o mate amargo. O bate papo foi sobre Athaualpa, sobre sua atualidade no atual contexto latino-americano, sobre o Cantos do Sul da Terra, que saiu da FM Cultura mas continua atuante, através do Salve Sintonia.

Brasil de Fato RS: Demétrio, gostaria que tu nos contasse por que, ainda hoje, lembrar a obra Athaualpa, e qual a importância desse legado?

Demétrio Xavier: Yupanqui era um compositor popular, um escritor um músico, um livre pensador. E que está passando por um fenômeno muito interessante de ter essa obra e seu ponto de vista conhecido cada vez mais mundialmente. Isso confirma muito algo que ele gostava de dizer, ele gostava de sonhar, inclusive citando autores de que ele gostava muito, como por exemplo, o espanhol Antônio Machado: gostava de sonhar com o anonimato no sentido do tornar-se folclórico, tornar-se domínio popular.

Quando a gente pensa num tema como Los Hermanos, todo mundo conhece, mas que nem todo mundo faz a referência imediata ao autor. Ele consegue por aí esse resultado, como aquela história que Antônio Machado diz, o que se perde de fama se ganha de eternidade, quando se passa ao domínio popular.

A importância dele, a atemporalidade dele é essa, alguém que viveu praticamente todo século XX, produziu todo o século e conseguiu fazer, o que ele também gostava de chamar, fixar à sua época. Ou seja, ter um compromisso histórico permanente com sua gente, com sua história, com a sua paisagem, que era uma palavra que ele repetia tanto. Mas ao mesmo tempo que ter alcance, ter uma potência que chega no domínio do filosófico, que invade com tranquilidade, com facilidade uma outra forma de pensar que não costuma ser a forma ordinária de um compositor popular.

Yupanqui sonhava com o anonimato no sentido do tornar-se folclórico, domínio popular / Foto: Fabiana Reinholz

Ele gostava muito de dizer que era um crioulo, que era um mestiço, um resultado de mãe basca, com toda a herança milenar, e quíchua, que vinha pelo tronco familiar do pai dele. Ele gostava de dizer, por exemplo, "me galopam no sangue dois avós, um cheio de silêncios, o outro meio cantor". Aí ele está falando do índio e do gaúcho, ele gosta de ser o resultado americano da mestiçagem americana, essa é uma das maneiras dele ser histórico, atemporal também, na medida em que ele conseguiu registrar essa forma de ser americana, essa forma de ser crioula. Ele cristaliza, plasma, realiza aquilo que ele diz alguma vez em uma poesia: "Eu canto por ser antigo cantos que já são eternos e até parecem modernos pelo que neles encerramos, com canto nos tapamos para amornar os invernos".

Com o canto nos tapamos para amornar os invernos. Não é uma filigrana, um prazerzinho fútil, avulso, não, ele tem que estar associado às demandas de um povo, de uma coletividade. Quando se consegue isso, se alcança essa eternidade, e no caso dele por enquanto não se perdeu a fama também porque ainda é o nome celebrado mundo afora. Mas um dia, talvez, se conheça sua obra e não se lembre mais dele, como sempre foi o seu sonho.

BdF RS: Athaualpa Yupanqui não era o nome dele, era um pseudônimo que ele escolheu em homenagem ou para lembrar imperadores Incas. Você conversou quando conheceu ele?

Demétrio: Especificamente sobre isso não. Ele tinha uma proximidade com o idioma, um dos dois grandes troncos idiomáticas que vêm do império Inca, que é o quíchua, ou quéchua, e o Aimará… ele falava algo de quíchua. Se é verdade que ele era um guri estudioso, bem americanista, bem interessado de um ponto de vista americano, um ponto de vista do nosso continente, de um ponto de vista que mais tarde se chamaria de colonial, ele foi buscar duas linhagens importantes de incas, de soberanos, que seriam Yupanqui e Athaualpa. Também é verdade que Athaualpa Yupanqui, numa tradução que a gente pode fazer a ressalva que é aproximada - mas nas línguas indígenas sempre é assim, sempre aproximada - quer dizer "o filho da terra que veio para narrar".

Na minha opinião, e sobretudo agora que é muito mais fácil depois de ver a obra do cara inteira e o seu caminho de vida completo terminado, esse significado é muito maior do que a referência aos incas Athaualpa e Yupanqui. Esse filho da terra que veio para narrar, de alguma maneira, é a consigna, a vocação e o mandato que ele se dá, quando aos 15 anos, diz algum biógrafo, 17 ou 18 diz outro, pouco importa, ele se dá esse nome.

O ataque aos povos originário é inegável e está em um momento muito grave / Foto: Fabiana Reinholz

Então aquele Héctor Roberto Chavero Aramburu fica para sempre em segundo plano, e dá lugar a esse Athaualpa Yupanqui. E ele aparece para a Argentina numa reivindicação indígena, justamente quando há uma marcha indígena, uma reivindicação que tem a ver com condições de trabalho. Ele vai para o jornal, escreve, apoia, uma postura muito política, mas muito do lado do indígena.

Ao mesmo tempo, e disso eu falei com ele quando a gente conversou, ele tem um tema que é o primeiro registro dele, que se chama Camino del Indio, que por uma sorte minha foi a primeira música que eu ouvi em um álbum triplo de folclore latino-americano. Era no tempo do vinil, em um envelope com três vinis dentro e uma pintura que representa uma abóbora, uma pintura da Olga Dondé. A gente ouve muito na Argentina dizer "más Criollo que Zapallo", como a abóbora sendo algo muito crioulo. Então está aquela abóbora aberta e o nome da pintura é "La Gran Madre latino-americana". Neste álbum tem música de todo o continente.

Camino del Indio é aquela velha história de um escritor, um artista qualquer, em qualquer modalidade de arte, fazer mais do que pensa que fez, ou fazer algo diferente do que está pensando que fez, manifesta-se inconsciente, funciona a interação daquela obra com as outras pessoas. Mas ele escreveu sobre o vizinho, sobre um cara que morava lá em cima de uma lomba, que chamavam índio, que era um cara meio misterioso. Escreveu Camino del índio, que era o caminho que levava àquela casa. Só que isso se torna uma página, um momento fundamental da reivindicação indígena no continente.

E está muito atual porque as ameaças ao originário aparecem adormecidas de vez em quando, por um acordo ou por outro, por uma boa vontade de política aqui ou ali. Mas de uma maneira geral, são combatidos desde o momento da conquista do território. Isso é uma constante com seus pequenos oásis, sobretudo por causa da capacidade política que eles têm, não por outra razão, não por outra benesse de ninguém. Mas o movimento constante de ofensa, de ataque ao originário é inegável, e a gente está vendo um momento muito grave disso.

E quando ele faz Camino del Indio, com 17 anos de idade, parece que ele crisma aquele batismo de Atahualpa Yupanqui e mostra sua vocação americana que vai durar quase todo século. E ainda é um cara, como tantos outros artistas, que morre atuando. Ele, com 84 anos, em 1992, dois anos depois de eu conhecê-lo, está em Nine, na França. Em um dado momento ele diz que vai até o hotel por estar se sentindo mal, e morre sozinho no hotel. Dizem que numa posição algo fetal, assim como os indígenas sempre dormem, segundo ele dizia. Ele se deita naquela posição e adormece, e morre assim, saindo do palco.

Durante entrevista, Demétrio cantou clássicos da canção latino-americana / Foto: Fabiana Reinholz

BdF RS: Vários músicos latino-americanos gravaram Athaualpa, como Victor Jara, Mercedes Sosa. Hoje estamos vendo grandes mobilizações em vários países da América Latina, Chile, Bolívia, enfim, tem uma ebulição, e músicas sendo resgatadas, como por exemplo, o hino Chileno El Pueblo Unido. Qual a importância de estarmos lembrando esses músicos que construíram essa história, que cantaram a cultura latino-americana?

Demétrio: Essa pergunta é oportuna em si, mas é mais oportuna porque há muito poucos dias, no marco do Fórum das Resistências, eu fiz uma apresentação cujo repertório foi todo de músicas resistentes, de músicas de combate. Eu trouxe um repertório só daquelas músicas e eu disse, naquela ocasião, que há um punhado de anos, uma meia dúzia de anos atrás, jamais eu faria um espetáculo com repertório igual àquele. E eu disse isso porque eu nunca deixei de cantar cada uma daquelas músicas, mas eu não via uma razão para agrupá-las todas e mostrar como era, como foi, como é esse universo de músicas de luta, dessa tradição musical. Faço isso agora porque considero extremamente necessário, e também considero útil, oportuno. Não é museológico o que a gente está fazendo.

E vou repetir algo que eu disse naquele mesmo espetáculo: eu estou interessadíssimo nas formas de explicação e de resistência nascidas agora, criadas agora para o momento que nós estamos vivendo no Brasil e no continente. Eu quero saber muito do que a poesia contemporânea jovem está fazendo para dar conta disso, a música também, em parte eu até sei.

É preciso, buscar fazer análise contemporânea do que está acontecendo, mas é preciso ser capaz de fazer a comparação com outros momentos de opressão, com outros momentos de exceção, com outros momentos de ataque que os direitos, a justiça e o bem-estar comum sofreram. São recentes, são similares historicamente sobre vários aspectos, mas certamente não sobre todos. Então, eu tenho a oferecer, por causa do meu trabalho, o cancioneiro latino-americano dos anos 60, dos anos 70 e a sua potência para essa luta, mas devem estar presentes também essas outras formas de manifestação. A mesma coisa quanto à ciência social, quanto à história na hora de explicar o que está acontecendo. Quanto disso tem a ver com fenômenos como a extrema-direita do início do século 20, a gente está falando tanto nisso, está usando como adjetivos determinadas palavras que são fenômenos reconhecidos, batizados lá nos anos 20 e 30. Quando a gente fala em fascismo, quando a gente fala em nazismo, quando a gente fala no ciclo de golpes que o continente sofreu entre os anos 60 e 70, não é diferente, existem muitos pontos de contato com as coisas estão sendo vividas agora.

Demétrio considera o Cantos do Sul da terra a coisa mais importante que fez na vida / Foto: Fabiana Reinholz

Mas não todos, há coisas que são específicas e são de agora. Eu aporto algo que já tem os seus anos, as suas décadas, mas é profundamente válido e novo, e isso deve estar ao lado das construções de agora, para que tenha utilidade. E aí eu fiz, naquela ocasião, como faço agora, um resgate, uma citação de uma letra do Sílvio Rodriguez, aquele baita cubano, aquele tremendo compositor, que diz assim: "Arando o porvir como velhos bois". A gente tem que arar o porvir com velhos bois e com novos bois. Podemos aportar um pouco da sabedoria popular, gauchesca e rural, de lavoura, se vai fazer uma junta de dois bois, pode botar um novo e um velho, um aporta aquela experiência de trabalho, o outro sua energia, seu vigor, e vai se trocando as juntas, bota os novinhos na frente, depois bota no coice, às vezes bota no meio. Enfim, precisamos ter essa perspectiva de dar conta do que se está vivendo agora, com as coisas tradicionais e consagradas, como um Victor Jara, um Athaualpa Yupanqui e com tudo de novo, bonito e potente que está nascendo neste momento.

BdF RS: Falando do Cantos do Sul da Terra, teu programa de rádio, foram quantos anos de programa?

Demétrio: Foram sete anos, começou no dia 5 de setembro de 2011. Eu fui em agosto à casa Athaualpa Yupanqui, que hoje é um museu, onde ele está enterrado; estive lá em agosto em uma festa da Pachamama, na festa da deusa terra, e eu pedi para o sacerdote Victor Acebo, líder indígena, da etnia quíchua, uma benção da Pacha, da Terra, para esse programa, e ele nos deu essa benção em quíchua, inclusive traduzindo trechos do Los Hermanos pro quíchua. A benção aconteceu no meio da festa, no meio da música, no pátio da casa de Yupanqui, quando se enterraram as oferendas para Pachamama.

Sem nós sermos pessoalmente e nem pretendemos muito menos ainda dar qualquer conotação místico-religiosa ao que a gente fazia, por uma questão de cultura popular, de respeito à cultura popular e de indigenismo, de americanismo, nós trouxemos essa benção para começar o programa em 5 de setembro de 2011.

Assim foi até o meio de 2018, quando por razões político-administrativas, por razões que tem a ver com a condução da rádio pública, das emissoras públicas, encerramos ali aquele círculo que foi um tremendo sucesso uma tremenda ausência. Eu me vejo ali dentro, no meio de feras do rádio, fazendo uma experiência de rádio que para mim foi uma coisa magnífica, inesquecível. Foi a coisa mais importante que eu fiz na minha vida, e se um gênio maligno daqueles imaginados pelo René Descartes me dissesse que eu teria que tocar ou fazer o Cantos do Sul da Terra, eu pararia de tocar para fazer o programa, porque acho que consegui de forma mais abrangente, mais completa dizer o que eu sempre quis dizer tocando e cantando.

Assista à entrevista completa: https://www.youtube.com/watch?v=sT54T12aA04&feature=emb_logo  

https://www.brasildefato.com.br/2020/01/30/demetrio-xavier-canta-athaualpa-yupanqui-o-filho-da-terra-que-veio-para-narrar/?fbclid=IwAR0_xjhIWisK2wBpX_t4-cPKQOsPJqM-fBQtrl_qmzj4ARJMIbN9vKNN6Mw  

29.1.20

La Esperanza Campesina

"La Esperanza Campesina"
(1h 13 mins)

Nueva Película que narra la historia de la Vía Campesina

La Vía Campesina es un movimiento internacional que reúne a millones de campesinas, campesinos, sin tierra, jóvenes, mujeres, pueblos originarios, trabajadores agrícolas, y migrantes de todos los rincones del mundo. Los convoca bajo su bandera de lucha por la Reforma Agraria Popular y la Soberanía alimentaria, con el fin de defender su legitimidad y dignidad en un mundo neoliberal que lxs está destruyendo.

Nota : Selecciona subtítulos en español, francés e inglés dando un clic en la opción "cc" en la parte inferior derecha.

16.1.20

FRASE

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader  

Convocação de militares para atuar no INSS é ‘falta de gestão’

11.11.19

Bolívia

Moradora da cidade El Alto, pertencente ao departamento autônomo de La Paz, segunda maior cidade da Bolívia, faz emocionado relato do Golpe Militar e solicita pedido de ajuda internacional
https://youtu.be/n2tkPG4iWPY
#Golpe #GolpeMilitar #GolpeenBolívia #Bolívia #EvoEsPueblo #EvoMorales
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NOTA PÚBLICA CONTRA O GOLPE E AS PERSEGUIÇÕES NA BOLÍVIA - DITADURAS NUNCA MAIS

Os episódios de violência que resultaram até o momento em cerca de 421 pessoas feridas, 222 presas, inclusive membros da Corte Eleitoral da Bolívia, incêndios e invasões a residências e sequestros de funcionários (as) do governo boliviano e de seus familiares, além de pelo menos 03 mortes já confirmadas e, por fim na renúncia do presidente Evo Morales por pressão das forças armadas revelam, sem lugar a dúvidas, a existência de um golpe de estado que traz à cena novamente episódios já tristemente conhecidos da história da América Latina.
A AJURD vem a público manifestar seu repúdio ao golpe de estado perpetrado na Bolívia contra o governo do presidente constitucional Evo Morales Ayma.
A Associação condena os atos de terrorismo e violência política perpetrados contra Evo Morales, funcionários (as) de seu governo, seus familiares e membros dos povos originários da Bolívia e, na esteira das melhores tradições da diplomacia brasileira, faz um chamado à garantia do respeito aos direitos humanos e à solução pacífica dos conflitos.
A AJURD vê com extrema preocupação as notícias, segundo informações publicadas pela imprensa boliviana, da existência de uma articulação internacional na realização do golpe na Bolívia, que teria contado com o apoio do governo brasileiro.
Se verdadeiros, tais fatos são de extrema gravidade eis que atentam contra a Constituição da República do Brasil, que em seu art. 4º, IV proclama a não intervenção como princípio a ser observado pela República em suas relações internacionais, cabendo ao Congresso Nacional e ao Ministério Público tomarem as providências para elucidar tais fatos e, se comprovados, tomar as medidas legais cabíveis.
Amparada na Constituição da República Federativa do Brasil, a AJURD propugna por uma solução pacífica dos conflitos realizada no marco do respeito à Constituição e à legalidade democrática do país irmão.

CONTRA O GOLPE E AS PERSEGUIÇÕES NA BOLÍVIA
DITADURAS NUNCA MAIS

Porto Alegre, 11 de novembro de 2019.

https://www.facebook.com/ajurd.associacao/photos/a.444286979366013/800435237084517/?type=3&theater
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Nota em solidariedade à população da Bolívia

A AJD (Associação Juízes para a Democracia), ciente dos últimos atos ocorridos na Bolívia, que determinaram a renúncia do presidente eleito Evo Morales, vem a público reiterar seu compromisso intransigente com a democracia, cujo pressuposto mais elementar é o respeito à escolha popular realizada através do voto.
A soberania nacional é incompatível com interferências externas que de algum modo compactuem ou estimulem o uso das forças policial e militar, para disseminar o terror entre a população e viabilizar um golpe de estado.
O convívio democrático pressupõe respeito às diferenças políticas, ideológicas e religiosas, à soberania nacional e às instituições do país. Honduras, Paraguai e Brasil já foram alvos de golpes que, sob vestes diversas, tem em comum o completo desrespeito aos pleitos eleitorais e a subversão da funcionalidade de instituições que garantem a democracia nesses países. Agora foi a vez da Bolívia.
A AJD repudia todo ato que intenta desprestigiar, ignorar ou subverter regras de convívio democrático, a fim de impor política de austeridade, alinhada com a lógica do entreguismo e da produção de miséria. Prestamos nossa solidariedade à população da Bolívia. Estamos atentos e seguiremos denunciando atos de violência simbólica e real contra os povos da América Latina.

https://www.facebook.com/notes/ajd-associa%C3%A7%C3%A3o-ju%C3%ADzes-para-a-democracia/nota-em-solidariedade-%C3%A0-popula%C3%A7%C3%A3o-da-bol%C3%ADvia/1181638858708051/
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Personalidades políticas rechazaron el golpe de Estado en #Bolivia y expresaron su solidaridad con el mandatario
Sigue los detalles de las reacciones internacionales del Golpe de Estado a Evo Morales → http://bit.ly/36Vr6QK
#EvoEsPueblo #EvoMorales  
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Celso Amorim sobre queda de Evo: "golpe de estado com participação de forças internacionais"
Ex-chanceler reage com indignação ao que chamou de golpe contra o presidente da Bolívia, Evo Morales, que renunciou à presidência após pressão das Forças Armadas. Em entrevista à jornalista Denise Assis, ele define como "uma reação da direita internacional aos avanços das forças progressistas na América do Sul"
10 de novembro de 2019, 21:57 h
https://www.brasil247.com/blog/celso-amorim-sobre-queda-de-evo-golpe-de-estado-com-participacao-de-forcas-internacionais?fbclid=IwAR0Lg7EakoGB8YbWruzGsqbbTAVY87zsbJhvr49mzpu9z0WG26mGayyGGMc#.XclUBGsNBz8.whatsapp  
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El Ministerio de Exteriores ruso advirtió que la actual crisis en Bolivia presenta pautas de un golpe de Estado orquestado.
https://www.telesurtv.net/news/rusia-crisis-bolivia-patron-golpe-estado-20191111-0009.html?utm_campaign=shareaholic&fbclid=IwAR0UOxsdYVQU_CAL63LqduEi3E6o3m6A5Pnqq_l_GsIpe7yxR7hYBlnqljA  
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Chomsky e Prashad denunciam apoio dos EUA a golpistas na Bolívia
http://www.vermelho.org.br/noticia/324603-1?fbclid=IwAR23mt6GBWgShYp9dkSLy1-ZQtzMmWUWYUG5z3SVmy6PJ_vmZj1zTA9u_uk#.Xck39efL4-c.whatsapp
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💔 Acaban de abrirnos de golpe una herida en el corazón de nuestra América que solo va a cerrar con democracia, soberanía y justicia. Hoy todxs a bancar a Evo, al Pueblo Boliviano y a volver a gritar ¡Nunca Más! 🇧🇴🇦🇷



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BOLIVIA descubre 21 MILLONES de TONELADAS de LITIO en el SALAR de UYUNI
https://www.youtube.com/watch?v=vq7Cxcfzd2E&feature=youtu.be&fbclid=IwAR3r1eYqQxKE20lxQEgbifuCbezwNb_bURP-c9UFyI6cgKmk5u8tUnsTFHk
#Golpe #GolpeMilitar #GolpeenBolívia #Bolívia #EvoEsPueblo #EvoMorales

4.11.19

91% dos chilenos consideram previdência privada, sonho de Guedes, o pior problema do país

91% dos chilenos consideram previdência privada, sonho de Guedes, o pior problema do país

Chile enfrenta grande onda de protestos desde outubro | Foto: Reprodução

Victor Farinelli
Da Fórum

O instituto de pesquisas chileno Termômetro Social publicou neste domingo (3) uma pesquisa de opinião sobre a crise social e política. Uma das perguntas focou os principais problemas sociais existentes no país, que os neoliberais consideravam, até há pouco, a Suíça da América Latina ou o modelo neoliberal que deu certo.

As entrevistas citavam diferentes aspectos sociais e pedia para estabelecer em uma escala de 1 a 10 o nível de insatisfação com o tema. O que teve o pior resultado foi o sistema previsional chileno, indicado com nível máximo de insatisfação por 91% dos chilenos.

Vale lembrar que o sistema de previdência do Chile foi privatizado nos Anos 80, durante a ditadura de Augusto Pinochet, e passou a ser administrado por empresas do setor financeiro, através de um modelo de capitalização individual. É exatamente esse modelo, que é repudiado pela quase unanimidade dos chilenos, que o ministro da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes pretende impor no Brasil.

A pesquisa mostra que as manifestações realizadas no Chile contam com altíssimo apoio popular: 85% das pessoas concordam com a mobilização e 56% afirmam já ter participado de ao menos um ato. Além disso, 80% das pessoas se disseram a favor da elaboração de uma nova constituição, que é considerada uma das principais demandas dos movimentos, dado que ainda está vigente a carta magna imposta pelo ditador Augusto Pinochet em 1980. Os que disseram estar contra uma mudança constitucional foram apenas 7%. Além disso, 66% disseram considerar esta a questão política mais importante do país neste momento.

Outros aspectos sociais que também desmontam o mito do sucesso socioeconômico do neoliberalismo chilenos: o segundo e terceiro itens que mais tiveram nível máximo de insatisfação foram saúde (89,4%) e educação (85,5%), respectivamente – e em ambos os casos, considerando tanto o acesso quanto a qualidade. A pobreza também foi citada como problema de mais alta prioridade para 81,6%, enquanto o custo de vida teve 79,6% de repúdio total.

Dos 14 aspectos perguntados, apenas um teve menos de 50% de citações, e foi uma má notícia para a extrema direita: a imigração foi citada como problema da mais alta importância para apenas 39,7% dos entrevistados.




1.11.19

No Brasil, 31 de outubro é Dia do Saci, 100% brasileiro

No Brasil, 31 de outubro é Dia do Saci, 100% brasileiro

Desde 2004, o estado de São Paulo comemora no 31 de outubro o Dia do Saci! Em países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Irlanda, a festa oficial é o Halloween, que é o Dia das Bruxas. A gente aqui, que defende a cultura brasileira, prefere comemorar o Dia do Saco - que é um personagem 100% brasileiro.  
 

O dia do Saci Pererê: 31 de outubro

O dia do Saci Pererê

Por Elaine Tavares*
31 de outubro de 2011 - 10h12 

Outra prática que vem invadindo as escolas e até os jardins de infância é a comemoração do Halloween, o dia das bruxas dos estadunidenses. Lá, no país de Obama, esta data, o 31 de outubro, é um lindo dia de festividades com as crianças, no qual elas saem fazendo estripulias, exigindo guloseimas. Tudo muito legal dentro da cultura daquele povo, que incorporou esta milenar festa irlandesa lá pelo início do 1800. Nesta festa misturam-se velhas lendas de almas penadas, de gente que enganou o diabo e outras tantas comemorações pagãs. Além disso, hoje, ela nada mais é do que mais uma boa desculpa para frenéticas compras, bem ao estilo do capitalismo selvagem, predador.

Aqui no Brasil esta festa não tem qualquer razão de ser, exceto por conta das mentes colonizadas, que também associam o Halloween ao consumo. Não temos raízes celtas, nem irlandesas ou inglesas. Nossas raízes são outras, Guarani, Caraíba, Tupinambá, Pataxó... Nossos mitos – e são tantos – guardam relação com a floresta, com a vida livre, com a beleza. O mais conhecido deles é ainda mais bonito, fala de alegria e liberdade. É o Saci Pererê. Uma figurinha buliçosa que tem sua origem nas lendas dos povos originários, como guardião das generosas florestas que garantiam a vida plena das gentes. Com a chegada dos povos das mais variadas regiões da África, o menino guardião foi agregando novos contornos. Ficou negro, perdeu uma perna e ganhou um barrete vermelho na cabeça, símbolo da liberdade. Leva na boca um cachimbo (o petyngua), muito usado pelos mais velhos nas comunidades indígenas. Sua missão no mundo é brincar, idéia muito próxima do mito fundador de quase todas as etnias de que o mundo é um grande jardim.

Pois é para reviver a cada ano as lendas e mitos do povo brasileiro que vários movimentos culturais e sociais usam o 31 de outubro para comemorar o Dia do Saci. Com atividades nas ruas, as gentes discutem a necessidade da libertação - coisa própria do Saci - das práticas culturais colonizadas. Ao trazer para o conhecimento público figuras como o Saci, o Caipora, o Boitatá, o Curupira, a Mula Sem Cabeça, todos personagens do imaginário popular, busca-se, na brincadeira que é próprias destes personagens mitológicos, incutir um sentimento nacional, de brasilidade, de reverência pela cultura autóctone. Não como sectária diferença, mas como afirmação das nossas raízes.

Em Florianópolis, quem iniciou esta idéia foi o Sindicato dos Trabalhadores da UFSC, que decidiu instituir o 31 de outubro como o Dia do Saci e seus amigos. Assim, neste dia, durante vários anos, os mitos da nossa gente invadiam as ruas, não para pedir guloseimas, mas para celebrar a vida. Tendo como personagem principal o Saci, o sindicato discutia a necessidade de valorizarmos aquilo que é nosso, que tem raiz encravada nas origens do nosso povo. Mas, agora, sob outra direção, que não conspira com estas idéias de nacionalismo cultural, o Saci não vai sair com a pompa usual.

Mas, não tem problema, porque ainda assim, prenunciando seu dia, por toda a cidade, se ouvirão os loucos estalos nos pés de bambu. É porque dali saem, às carreiras, todos os Sacis que estavam dormindo, esperando a hora de brincar com as gentes. Redemoinhos, ventanias, correrias e muito riso. Isso é o Saci, moleque danado, guardião da floresta, protetor da natureza. Ele vem, com seus amigos, encantar o povo, fazer com que percebam que é preciso cuidar da nossa grande casa. Não virá pela mão do Sintufsc, mas pelo coração dos homens, mulheres e crianças que estão sempre em luta contra as maldades do mundo. O Saci é protetor da natureza e vai se unir a todos nós, os que batalham contra os vilões do amor. Ah Saci, eu vou te esperar... Que venhas com o vento sul...

*Jornalista
Fonte: Adital





Dia do Saci: 31 de outubro

Saci-pererê

O saci, também conhecido como saci-pererê, saci-cererê, matimpererê[1], saci-saçurá e saci-trique, é uma personagem bastante conhecida do folclore brasileiro. Tem sua origem presumida entre os indígenas da Região das Missões, no Sul do país, de onde teria se espalhado por todo o território brasileiro.

Etimologia

"Saci" é oriundo do termo tupi sa'si[2]. "Matimpererê" é oriundo do termo tupi matintape're[3].
O saci

A figura do saci surge como um ser maléfico, como somente brincalhão ou como gracioso, conforme as versões comuns ao sul.[4]

Na Região Norte do Brasil, a mitologia africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje. Herdou também, da cultura africana, o pito, uma espécie de cachimbo e, da mitologia europeia, herdou o píleo, um gorrinho vermelho usado pelo lendário trasgo.[5] Trasgo é um ser encantado do folclore do norte de Portugal, especialmente da região de Trás-os-Montes. Rebeldes, de pequena estatura, os trasgos usam gorros vermelhos e possuem poderes sobrenaturais.
Representação

O saci é um negro jovem de uma só perna, portador de uma carapuça sobre a cabeça que lhe concede poderes mágicos. Sobre este último caractere, é de notar-se que, já na mitologia romana, registrava Petrônio, no Satiricon, que o píleo conferia poderes ao íncubo e recompensas a quem o capturasse.[4]

Considerado uma figura brincalhona, que se diverte com os animais e pessoas, fazendo pequenas travessuras que criam dificuldades domésticas, ou assustando viajantes noturnos com seus assovios – bastante agudos e impossíveis de serem localizados. Assim é que faz tranças nos cabelos dos animais, depois de deixá-los cansados com correrias; atrapalha o trabalho das cozinheiras, fazendo-as queimar as comidas, ou ainda, colocando sal nos recipientes de açúcar ou vice-versa; ou aos viajantes se perderem nas estradas.[4]

O mito existe pelo menos desde o fim do século XVIII ou começo do XIX.[4]
Papel do mito

A função desta "divindade" era o controle, sabedoria, e manuseios de tudo que estava relacionado às plantas medicinais, como guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de chá, beberagens e outros medicamentos feitos a partir de plantas.

Como suas qualidades eram as da farmacopeia, também era atribuído, a ele, o domínio das matas onde guardava estas ervas sagradas, e costumava confundir as pessoas que não pediam a ele a autorização para a coleta destas ervas.
Na cultura popular
Literatura

O primeiro escritor a se voltar para a figura do saci-pererê foi Monteiro Lobato, que realizou uma pesquisa entre os leitores do jornal O Estado de S. Paulo. Com o título de "Mitologia Brasílica – Inquérito sobre o Saci-Pererê", Lobato colheu respostas dos leitores do jornal que narravam as versões do mito, no ano de 1917. O resultado foi a publicação, no ano seguinte, da obra O Saci-Pererê: resultado de um inquérito, primeiro livro do escritor.[6].

Mais tarde, em 1921, o autor voltaria a recorrer ao personagem, no livro O Saci, seu segundo trabalho dedicado à literatura infantil.
Histórias em quadrinhos

O quadrinhista Ziraldo criou em 1958 a série Turma do Pererê, em que o Saci contracena com o índio Tininim, a onça-pintada Galileu e outros personagens. As histórias foram originalmente publicadas na revista O Cruzeiro[7].

Em 2010, o ilustrador Giorgio Galli publicou a primeira edição de sua revista independente de quadrinhos de terror Salomão Ventura - Caçador de Lendas. Na primeira aventura do personagem, o saci é apresentado como uma figura demoníaca, que leva suas vítimas à loucura e à morte.[8]
Cinema e TV

O primeiro ator a representar o papel foi Paulo Matozinho, no filme O Saci, adaptado do livro infantil de Lobato. A produção de 1951 da Brasiliense Filmes foi dirigida por Rodolfo Nanni[9].

Na televisão, as séries que adaptaram a obra de Monteiro Lobato em 1977 e 2007 tiveram Romeu Evaristo e Fabrício Boliveira, respectivamente, interpretando o personagem. O cantor Jorge Benjor também encarnou o saci no especial Pirlimpimpim, de 1982. Em Pirlimpimpim 2, de 1984, foi a vez de Genivaldo dos Santos vestir a carapuça[10].

Na adaptação para a tevê das histórias de Ziraldo, o papel de Pererê coube a Sílvio Guindane.
Música

Em 1912, o compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos escreveu a marcha "Saci", quinta parte da sua suíte para piano "Petizada" (W048). A composição, assim como as outras da mesma peça, é inspirada no folclore musical brasileiro[11].

Francisco Mignone também deu o nome de "Saci" à sexta parte dos seus "Estudos Transcendentais" para piano, de 1931. [12]

O maestro Edmundo Villani-Cortes voltou a lhe dar vida em obras como "Primeira folha do diário do saci" (para piano, 1994)[13], "Terceira folha do diário de um saci" (para flauta, 1992)[14] e "Sétima folha do diário de um saci" (para contrabaixo, 1992) [15]. Na música popular, a primeira referência ao personagem data de 1909, ano da composição de "Saci-Pererê", de Chiquinha Gonzaga, gravada pela dupla Os Geraldos. Em 1913, foi a vez de "Saci", uma polca de J.B. Nascimento gravada pelo Sexteto da Casa. Gastão Formenti também gravou duas músicas intituladas "Saci-Pererê": uma toada de Joubert de Carvalho, em 1918 e uma canção de J. Aimberê e Bide, em 1929.

Nas décadas seguintes, outros artistas recorreram ao tema, como Arnaldo Pescuma ("Teu olhar é um Saci", de Cipó Jurandi e Décio Abramo, 1930; Conjunto Tupy ("Saci-Pererê", de J.B. Carvalho, 1932; Mário Genari Filho (a polca "Saci-Pererê", 1948); Zé Pagão & Nhô Rosa ("Saci-Pererê", de Ivani, 1949); Inhana ("Saci", baião de Antônio Bruno e Ernesto Ianhaen, 1956); Edir Martins ("Saci-Pererê", marcha de Carlinhos e Galvão, 1957); a dupla Torrinha & Canhotinho (o cateretê "Saci-Pererê", 1959); Araci de Almeida ("Saci-Pererê", marcha de Henrique de Almeida e Rubi, 1960); Demetrius ("Rock do Saci", de J. Marascalco e Richard Penniman, 1961); e Clóvis Pereira ("Samba do Saci", de Osvaldo Nunes e Lino Roberto, 1963).

Em 1973, o grupo Secos & Molhados fez sucesso com "O Vira", de João Ricardo e Luli. A canção, que mencionava sacis e fadas, seria regravada mais tarde por artistas de estilos distantes, como Frank Aguiar, Roberto Leal e os grupos Falamansa e Cheiro de Amor.

Pouco depois, Kleiton e Kledir, então integrantes do grupo Almôndegas, compuseram "Canção da meia-noite", incluída na trilha sonora da telenovela "Saramandaia" (1976). A música, que acompanhava o personagem Professor Aristóbulo (Ary Fontoura) falava do "medo de ser um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê".

O saci continuou aparecendo em trilhas sonoras. No ano seguinte, para acompanhar a série televisiva "Sítio do Picapau Amarelo", Guto Graça Mello compôs e gravou "Saci". No especial "Pirlimpimpim" (1982), a canção para o personagem ficou por conta de Jorge Benjor ("Saci Pererê". A terceira versão do Sítio para a tevê incluiu, na sua trilha, "Pererê Peralta (saci)", de Carlinhos Brown (2001) e "Eu vi o Saci", de Marcos Sacramento e Izak Dahora (2006).

Outras gravações:

Boca Livre, "Saci", (Paulo Jobim/Ronaldo Bastos, 1980);
Ruy Maurity, "Sacirerê" (Maurity/Zé Jorge, 1984);
Gilberto Gil, "Saci-Pererê" (Gil, 1980);
Bia Bedran, "Quintal" (Bedran, 1992);
Mônica Salmaso, "Saci" (Guinga/Paulo César Pinheiro, 1998);
Gal Costa, "Grande Final" (Moraes Moreira, 2004);
A Cor do Som, "Dança, Saci" (Mu Carvalho, 2006).
Flávio Paiva, "A festa do Saci" (Paiva/Orlângelo Leal, 2007).

Na música instrumental, as principais referências são o violonista Carlinhos Antunes ("Saci-Pererê", 1996), a banda Terreno Baldio (Saci-Pererê, 1977), Guilherme Lamounier ("Saci-Pererê", 1978) e o Quarteto Pererê ("Polka do Sacy" e "Liberdade Pererê", ambas no álbum "Balaio", 2010) [16]. O Quarteto Pererê já havia apresentado, em 2005, o espetáculo Saci Armorial, em que fundia a lenda com o universo literário do escritor pernambucano Ariano Suassuna [17].
Jogos

O RPG O Desafio dos Bandeirantes inclui o saci entre as figuras mitológicas que podem enfrentar os jogadores[18].

No jogo de interpretação de personagens online e em massa para múltiplos jogadores brasileiro Erinia, o saci é um dos monstros que habitam as Grutas de Hur[19]
Ciência
"Saci evita entrar na água", de Renato Bender

Em 2001, uma nova espécie de dinossauro ornitísquio foi descoberta em Agudo, no Rio Grande do Sul. Como o fóssil foi encontrado sem o fêmur esquerdo, recebeu o nome de Sacisaurus agudoensis[20]

Saci Last Common Ancestor Hypothesis ("hipótese do saci como último ancestral comum") foi um termo utilizado em uma discussão primatológica para explicar por que animais da família Hominidae não sabem nadar de forma instintiva. Esta hipótese faz uma referência à mitologia do saci pererê como uma criatura que evita entrar na água.[21][22]

Em 1997, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais desenvolveu um microssatélite para lançamento no foguete chinês Longa Marcha 4. Ele recebeu o nome de Satélite de Aplicações Científicas e o acrônimo SACI-1. A experiência, porém, fracassou, pois o satélite, mesmo entrando em órbita, não funcionou. Seu sucessor, o SACI-2, deveria ter sido lançado em 1998, mas o foguete VLS-2 explodiu no lançamento[23][24].
Dia do Saci

Em 2005, foi instituído o Dia do Saci no Brasil, comemorado no dia 31 de outubro, a fim de restaurar as figuras do folclore brasileiro, em contraposição a influências folcloróricas estrangeiras, como o Dia das Bruxas.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.






Lenda do Saci-Pererê

Origem da lenda do Saci, características principais, personalidade, histórias e lendas da floresta, folclore nacional, cultura popular do interior do Brasil, cultura afro-brasileira, Dia do Saci


Saci-pererê: um dos mais populares personagens do folclore brasileiro
 
Quem é o saci
O Saci-Pererê é um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro. Possuí até um dia em sua homenagem: 31 de outubro. Provavelmente, surgiu entre povos indígenas da região Sul do Brasil, ainda durante o período colonial(possivelmente no final do século XVIII). Nesta época, era representado por um menino indígena de cor morena e com um rabo, que vivia aprontando travessuras na floresta.
Porém, ao migrar para o norte do país, o mito e o personagem sofreram modificações ao receberem influências da cultura africana. O Saci transformou-se num  jovem negro com apenas uma perna, pois, de acordo com o mito, havia perdido a outra numa luta de capoeira. Passou a ser representado usando um gorro vermelho e um cachimbo, típico da cultura africana. Até os dias atuais ele é representado desta forma.  

Características e comportamento do Saci-pererê
O comportamento é a marca registrada deste personagem folclórico. Muito divertido e brincalhão, o saci passa todo tempo aprontando travessuras na matas e nas casas. Assusta viajantes, esconde objetos domésticos, emite ruídos, assusta cavalos e bois no pasto etc. Apesar das brincadeiras, não pratica atitudes com o objetivo de prejudicar alguém ou fazer o mal.
Diz o mito que ele se desloca rapidamente dentro de redemoinhos de vento, e para captura-lo é necessário jogar uma peneira ou um rosário bento sobre ele. Após o feito, deve-se tirar o gorro (carapuça) e prender o saci dentro de uma garrafa. Somente desta forma ele irá obedecer seu "proprietário". Este terá o direito de fazer um pedido ao Saci, que deverá realizá-lo.
Mas, de acordo com o mito, o saci não é voltado apenas para brincadeiras. Ele é um importante conhecedor das ervas da floresta, da fabricação de chás e medicamentos feitos com plantas. Ele controla e guarda os segredos e todos estes conhecimentos. Aqueles que penetram nas florestas em busca destas ervas, devem, de acordo com a lenda, pedir sua autorização. Caso contrário, se transformará em mais uma vítima de suas travessuras.  
Entre as travessuras preferidas do Saci, podemos citar: esconder brinquedos de crianças, dar nó em crina de cavalos, bagunçar as roupas de cama, derramar sal e açúcar na cozinha, apagar o fogo de fogões à lenha e assustar as pessoas com um forte e estranho assobio.
A crença neste personagem ainda é muito forte na região interior do Brasil. Em volta das fogueiras, os mais velhos contam suas experiências com o saci aos mais novos. Através da cultura oral, o mito vai se perpetuando. Porém, o personagem chegou aos grandes centros urbanos através da literatura, da televisão e das histórias em quadrinhos.    

Saci-pererê na literatura brasileira
Quem primeiro retratou o personagem, de forma brilhante na literatura infantil, foi o escritor Monteiro Lobato. Nas histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo, o saci aparece constantemente. Ele vive aprontando com os personagens do sítio. A lenda se espalhou por todo o Brasil quando as histórias de Monteiro Lobato ganharam as telas da televisão, transformando-se em seriado, transmitido no começo da década de 1950. O saci também aparece em várias momentos das histórias em quadrinhos do personagem Chico Bento, de Maurício de Souza.

Dia do Saci
Com o objetivo de diminuir a importância da comemoração do Halloween no Brasil, foi criado em caráter nacional, em 2005, o Dia do Saci ( 31 de outubro). Uma forma de valorizar mais o folclore nacional, diminuíndo a influência do cultura norte-americana em nosso país.

Curiosidades:
- Em algumas versões da lenda, o Saci-Pererê aparece com as mãos furadas.
- De acordo com a lenda, a noite todos os sacis do mundo se encontram para planejarem as travessuras que irão fazer.
- O Saci-Pererê é o mascote do time de futebol Sport Club Internacional de Porto Alegre.

https://www.suapesquisa.com/musicacultura/saci-perere.htm



Saci

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Saci-pererê

saci, também conhecido como saci-pererêsaci-cererêmatimpererê[1]matita perêsaci-saçurá e saci-trique[2][3], é um personagem bastante conhecido do folclore brasileiro. Tem sua origem presumida entre os indígenas da Região das Missões, no Sul do país, de onde teria se espalhado por todo o território brasileiro.

A figura do saci surge como um ser maléfico, como somente brincalhão ou como gracioso, conforme as versões comuns ao sul.[4]

Na Região Norte do Brasil, a mitologia africana o transformou em um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira, imagem que prevalece nos dias de hoje[carece de fontes]. Herdou também, da cultura africana, o pito, uma espécie de cachimbo e, da mitologia europeia, herdou o píleo, um gorrinho vermelho usado pelo lendário trasgo.[5] Trasgo é um ser encantado do folclore do norte de Portugal, especialmente da região de Trás-os-Montes. Rebeldes, de pequena estatura, os trasgos usam gorros vermelhos e possuem poderes sobrenaturais.

Etimologia

"Saci" é oriundo do termo tupi sa'si[6]. "Matimpererê" é oriundo do termo tupi matintape're[7]. O termo "pererê" é oriundo do termo tupi pererek-a, que significa "ir aos saltos"[8].

Representação

O saci é um negro jovem de uma perna só, portador de uma carapuça sobre a cabeça que lhe concede poderes mágicos. Sobre este último caractere, é de notar-se que, já na mitologia romana, registrava Petrônio, no Satiricon, cujo píleo conferia poderes ao íncubo e recompensas a quem o capturasse.[4]

Considerado uma figura brincalhona, que se diverte com os animais e pessoas, fazendo pequenas travessuras que criam dificuldades domésticas, ou assustando viajantes noturnos com seus assovios – bastante agudos e impossíveis de serem localizados. Assim é que faz tranças nos cabelos dos animais, depois de deixá-los cansados com correrias; atrapalha o trabalho das cozinheiras, fazendo-as queimar as comidas, ou ainda, colocando sal nos recipientes de açúcar ou vice-versa; ou aos viajantes se perderem nas estradas.[4]

O mito existe pelo menos desde o fim do século XVIII ou começo do XIX.[4]

Papel do mito

A função desta "divindade" era o controle, sabedoria, e manuseios de tudo que estava relacionado às plantas medicinais, como guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de chá, beberagens e outros medicamentos feitos a partir de plantas.

Como suas qualidades eram as da farmacopeia, também era atribuído, a ele, o domínio das matas onde guardava estas ervas sagradas, e costumava confundir as pessoas que não pediam a ele a autorização para a coleta destas ervas.

Na cultura popular

Literatura

"Retrato do Saci-pererê" (2007) por J. Marconi

O primeiro escritor a se voltar para a figura do saci-pererê foi Monteiro Lobato, que realizou uma pesquisa entre os leitores do jornal O Estado de S. Paulo. Com o título de "Mitologia Brasílica – Inquérito sobre o Saci-Pererê", Lobato colheu respostas dos leitores do jornal que narravam as versões do mito, no ano de 1917. O resultado foi a publicação, no ano seguinte, da obra O Saci-Pererê: resultado de um inquérito, primeiro livro do escritor.[9].

Mais tarde, em 1921, o autor voltaria a recorrer ao personagem, no livro O Saci, seu segundo trabalho dedicado à literatura infantil.

Histórias em quadrinhos

O quadrinista Ziraldo criou em 1958 a série Turma do Pererê, em que o Saci contracena com o índio Tininim, a onça-pintada Galileu e outros personagens. As histórias foram originalmente publicadas na revista O Cruzeiro[10].

Cinema e Televisão

O primeiro ator a representar o papel foi Paulo Matozinho, no filme O Saci, adaptado do livro infantil de Lobato. A produção de 1951 da Brasiliense Filmes foi dirigida por Rodolfo Nanni[11].

Na televisão, as séries que adaptaram a obra de Monteiro Lobato em 1977 e 2007 tiveram Romeu Evaristo e Fabrício Boliveira, respectivamente, interpretando o personagem. O cantor Jorge Benjor também encarnou o saci no especial Pirlimpimpim, de 1982. Em Pirlimpimpim 2, de 1984, foi a vez de Genivaldo dos Santos vestir a carapuça[12].

Na adaptação para a tevê das histórias de Ziraldo, o papel de Pererê coube a Sílvio Guindane.

Música

Em 1912, o compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos escreveu a marcha "Saci", quinta parte da sua suíte para piano "Petizada" (W048). A composição, assim como as outras da mesma peça, é inspirada no folclore musical brasileiro[13].

Francisco Mignone também deu o nome de "Saci" à sexta parte dos seus "Estudos Transcendentais" para piano, de 1931. [14]

maestro Edmundo Villani-Cortes voltou a lhe dar vida em obras como "Primeira folha do diário do saci" (para piano, 1994)[15], "Terceira folha do diário de um saci" (para flauta, 1992)[16] e "Sétima folha do diário de um saci" (para contrabaixo, 1992) [17]. Na música popular, a primeira referência ao personagem data de 1909, ano da composição de "Saci-Pererê", de Chiquinha Gonzaga, gravada pela dupla Os Geraldos. Em 1913, foi a vez de "Saci", uma polca de J.B. Nascimento gravada pelo Sexteto da Casa. Gastão Formenti também gravou duas músicas intituladas "Saci-Pererê": uma toada de Joubert de Carvalho, em 1918 e uma canção de J. Aimberê e Bide, em 1929.

Nas décadas seguintes, outros artistas recorreram ao tema, como Arnaldo Pescuma ("Teu olhar é um Saci", de Cipó Jurandi e Décio Abramo, 1930; Conjunto Tupy ("Saci-Pererê", de J.B. Carvalho, 1932; Mário Genari Filho (a polca "Saci-Pererê", 1948); Zé Pagão & Nhô Rosa ("Saci-Pererê", de Ivani, 1949); Inhana ("Saci", baião de Antônio Bruno e Ernesto Ianhaen, 1956); Edir Martins ("Saci-Pererê", marcha de Carlinhos e Galvão, 1957); a dupla Torrinha & Canhotinho (o cateretê "Saci-Pererê", 1959); Araci de Almeida ("Saci-Pererê", marcha de Henrique de Almeida e Rubi, 1960); Demetrius ("Rock do Saci", de J. Marascalco e Richard Penniman, 1961); e Clóvis Pereira ("Samba do Saci", de Osvaldo Nunes e Lino Roberto, 1963).

Em 1972,o compositor, músico, arranjador, cantor e maestro Tom Jobim,compôs "Águas de Março", uma famosa canção brasileira que forma parte do álbum Matita Perê, lançado em 1973, no ano seguinte em dueto com Elis Regina foi lançada no LP Elis & Tom.

Em 1973, o grupo Secos & Molhados fez sucesso com "O Vira", de João Ricardo e Luli. A canção, que mencionava sacis e fadas, seria regravada mais tarde por artistas de estilos distantes, como Frank AguiarRoberto Leal e os grupos Falamansa e Cheiro de Amor.

Pouco depois, Kleiton e Kledir, então integrantes do grupo Almôndegas, compuseram "Canção da meia-noite", incluída na trilha sonora da telenovela "Saramandaia" (1976). A música, que acompanhava o personagem Professor Aristóbulo (Ary Fontoura) falava do "medo de ser um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê".

O saci continuou aparecendo em trilhas sonoras. No ano seguinte, para acompanhar a série televisiva "Sítio do Picapau Amarelo", Guto Graça Mello compôs e gravou "Saci". No especial "Pirlimpimpim" (1982), a canção para o personagem ficou por conta de Jorge Benjor ("Saci Pererê". A terceira versão do Sítio para a tevê incluiu, na sua trilha, "Pererê Peralta (saci)", de Carlinhos Brown (2001) e "Eu vi o Saci", de Marcos Sacramento e Izak Dahora (2006).

Outras gravações:

Na música instrumental, as principais referências são o violonista Carlinhos Antunes ("Saci-Pererê", 1996), a banda Terreno Baldio (Saci-Pererê, 1977), Guilherme Lamounier ("Saci-Pererê", 1978) e o Quarteto Pererê ("Polka do Sacy" e "Liberdade Pererê", ambas no álbum "Balaio", 2010) [18]. O Quarteto Pererê já havia apresentado, em 2005, o espetáculo Saci Armorial, em que fundia a lenda com o universo literário do escritor pernambucano Ariano Suassuna [19].

Jogos

Ciência

"Saci evita entrar na água", de Renato Bender.

Em 2013, uma nova espécie de anfíbio anuro (Adenomera saci[22]) foi descrita do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no estado de Goiás. O nome dado à espécie faz alusão à vocalização da espécie, que é um assobio curto e intermitente, e pela dificuldade de se observar indivíduos da espécie cantando, que podem ser elusivos, como atribuído ao saci na cultura popular: "...ele assobia para assustar e confundir os viajantes noturnos, a origem dos assobios impossível de ser localizada...".

Em 2001, uma nova espécie de dinossauro ornitísquio foi descoberta em Agudo, no Rio Grande do Sul. Como o fóssil foi encontrado sem o fêmur esquerdo, recebeu o nome de Sacisaurus agudoensis[23]

Saci Last Common Ancestor Hypothesis ("hipótese do saci como último ancestral comum") foi um termo utilizado em uma discussão primatológica para explicar por que animais da família Hominidae não sabem nadar de forma instintiva. Esta hipótese faz uma referência à mitologia do Saci Pererê como uma criatura que evita entrar na água.[24][25]

Em 1997, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais desenvolveu um microssatélite para lançamento no foguete chinês Longa Marcha 4. Ele recebeu o nome de Satélite de Aplicações Científicas e o acrônimo SACI-1. A experiência, porém, fracassou, pois o satélite, mesmo entrando em órbita, não funcionou. Seu sucessor, o SACI-2, deveria ter sido lançado em 1998, mas o foguete VLS-2 explodiu no lançamento[26][27].

Dia do Saci

Em 2005, foi instituído o Dia do Saci no Brasil, comemorado no dia 31 de outubro, a fim de restaurar as figuras do folclore brasileiro, em contraposição a influências folclóricas estrangeiras, como o Dia das Bruxas.

Uso nas forças armadas

O saci, por suas características de esperteza e brasilidade, é o símbolo da Seção de Instrução Especial da Academia Militar das Agulhas Negras, localizada em Resende, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

Uso no esporte

O Saci é mascote dos clubes: Sport Club Internacional e Social Futebol Clube de Coronel Fabriciano.

Ver também

Referências

  1.  FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 534
  2.  Revista do Arquivo Municipal, Volume 24,Edição 160 -Volume 27,Edição 162 No Google Books - acessado em 29 de junho de 2017
  3.  Folclore, por Gabriel Zanata No Google Books - acessado em 29 de junho de 2017
  4. ↑ Ir para:a b c d CASCUDO, Luís da CâmaraDicionário do Folclore Brasileiro, verbete Saci
  5.  «"En Brasil también encontramos el homónimo al trasgo, el Saci Perere, oscuro, de gorro rojo y manos agujereadas, aficionado también a gastar bromas y dar sustos."»
  6.  FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 534
  7.  FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. pp.1 103,1 104
  8.  de Carvalho, Moacyr Ribeiro (1987). Dicionários Tupi(antigo)-Português (PDF). Salvador: [s.n.] Consultado em 17 de maio de 2019
  9.  «BLONSKI, Míriam Stella, "Saci, de Monteiro Lobato: um mito nacionalista" (tese acessada em janeiro de 2009)» (PDF). Arquivado do original (PDF) em 4 de novembro de 2013
  10.  UOL Crianças Turma do Pererê, do Ziraldo, se prepara para comemorações de 50 anos
  11.  «O Saci (1951)» (em inglês). IMDB. Consultado em 3 de junho de 2011
  12.  «Saci Pererê (charachter)» (em inglês). IMDB. Consultado em 3 de junho de 2011
  13.  Heitor Villa Lobos website
  14.  MARQUES,Clóvis. Review of LNT124: Francisco Mignone - Piano Music
  15.  Catálogo de obras para piano de Edmundo Villani-Côrtes
  16.  Celina Charlier e Edmundo Villani-Côrtes[ligação inativa]
  17.  «Catálogo de obras brasileiras para contrabaixo». Consultado em 14 de junho de 2011. Arquivado do original em 15 de fevereiro de 2009
  18.  PAIVA, Flávio. A música e a perna do Saci Arquivado em 19 de agosto de 2014, no Wayback Machine.. Revista de Cultura Agulha nº 66, novembro/dezembro de 2008
  19.  Memorial da América Latina
  20.  RPGEduc. O Desafio dos Bandeirantes Arquivado em 6 de outubro de 2008, no Wayback Machine.
  21.  Revista Galileu. Folclore em jogo[ligação inativa]. Edição 158, setembro de 2004.
  22.  Carvalho, Thiago Ribeiro; Ariovaldo Antonio Giaretta (19 de agosto de 2013). «Taxonomic circumscription of Adenomera martinezi (Bokermann, 1956) (Anura: Leptodactylidae: Leptodactylinae) with the recognition of a new cryptic taxon through a bioacoustic approach»Zootaxa (em inglês). 3701 (2): 207–237. ISSN 1175-5334doi:10.11646/zootaxa.3701.2.5
  23.  Ferigolo, J. and Langer, M.C. (2006), A Late Triassic dinosauriform from south Brazil and the origin of the ornithischian predentary bone Arquivado em 27 de agosto de 2011, no Wayback Machine., Historical Biology: A Journal of Paleobiology, p. 1-11. (em inglês)
  24.  Bender, Renato; Bender, Nicole: The "Saci last common ancestor hypothesis" and a first description of swimming ability in common chimpanzees (Pan troglodytes). Palestra apresentada na 23rd annual conference of the Human Behavior and Evolution Society, 29 June – 3 July 2011, Montpellier, France.
  25.  23rd Annual Meeting of the Human Behavior and Evolution Society - ProgramArquivado em 11 de julho de 2013, no Wayback Machine. (em inglês)
  26.  Desenvolvimento de satélites e plataformas espaciais no INPE no período 1961-2007. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
  27.  NERI, José Angelo da Costa Ferreira. Microssatélites do INPE e o Programa Espacial Brasileiro. Parcerias Estratégicas – número 7 – Outubro/1999

Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz