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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

1.8.17

Julgamento de Kenarik Boujikian escancara a seletividade e o machismo do Judiciário brasileiro: CNJ vai confirmar condenação absurda?

Julgamento de Kenarik Boujikian escancara a seletividade e o machismo do Judiciário brasileiro: CNJ vai confirmar condenação absurda?

01 de agosto de 2017 às 09h59
  

Em maio de 2017, a juíza Kenarik Boujikian visitou a prisão feminina de Mato Grosso do Sul. São cerca de 30 mulheres por cela. A da foto tem 4 andares de beliche e é aí que passam a maior parte do tempo

por Conceição Lemes

Nesta terça-feira (01/08), organizações de direitos humanos, juristas comprometidos com o Estado de Direito, as garantias judiciais fundamentais e as liberdades individuais e cidadãos democratas de todo o País estarão com a atenção voltada para a plenária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Mais precisamente para o julgamento da juíza Kenarik Boujikian, reconhecida e respeitada no meio jurídico e na sociedade.

É a terceira vez que o processo entra em pauta. A primeira foi em 13 de junho. A segunda, em 27 de junho, quando foi postergado para agosto.

Em 2016, a pedido do desembargador Amaro Thomé Filho, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), Kenarik foi submetida a processo disciplinar, porque soltou 11 réus que estavam provisoriamente presos por tempo superior às penas fixadas em suas sentenças.

Na prática, portanto, já haviam cumprido as suas penas.

Por incrível que pareça, o processo foi julgado procedente. Por maioria de votos, o TJ-SP aplicou-lhe a pena de censura.

A magistrada recorreu ao CNJ da decisão, pedindo a sua revisão e anulação.

E é isso que está hoje em julgamento.

Detalhe: a mesma situação dos 11 presos libertados por Kenarik já havia detectada  pelo próprio CNJ, quando realizou mutirão no TJ-SP, em 2012. Em seu relatório,  alertou:

"Durante o mutirão, foram detectados alguns casos recorrentes que causam prisões indevidas, como os que abaixo são relacionados:

5.5.1. Extinção de pena pelo seu cumprimento sem que a apelação do Ministério Público tenha sido julgada pelo Tribunal de Justiça… Nessa situação, alguns juízes resistem em expedir alvará de soltura, sob o argumento de que a pena poderá ser majorada em sede de recurso, sem perceberem, no entanto, que a prisão da pessoa resta sem amparo legal, a despeito da matéria se encontrar sumulada pelo STF (Súmula 716).

O relator é o conselheiro Carlos Levenhagen, desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais desde 2008.

IRONIAS EM DOSE DUPLA

Ironicamente, nos últimos 60 dias, dois casos exemplares sentenciados pela juíza Kenarik foram beneficiados pela Justiça.

Um deles é famoso. O do ex-médico Roger Abdelmassih, 73 anos, que, em 4 de julho, conseguiu de vez autorização da Justiça para cumprir o restante da pena em casa.

A justificativa é de que o ex-queridinho de 99% da mídia e das celebridades brasileiras tem problemas de saúde.

O segundo caso  envolve 10 policiais militares.

Em 2005, a juíza Kenarik condenou os dez PMs por torturarem durante cinco horas seguidas Roberto Carlos dos Santos e Natacha Ribeiro dos Santos.

O processo ficou seis anos no TJ-SP e outros seis no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Assim, em 1º de junho de 2017, foi declarada a prescrição do crime.

E os dez estavam soltos.

QUADRILÁTERO 

Os casos da juíza Kenarik, do médico-monstro Roger Abdelmassih, dos 10 PMs torturadores e dos 11 pobres que ela soltou escancaram o machismo e a seletividade do Judiciário. Na veia.

Consideremos esse quadrilátero.

Em uma das pontas, claro, Kenarik, uma das fundadoras da Associação Juízes para a Democracia (AJD).

Uma juíza extremante ética e competente, com 28 anos de carreira impecável.

Certamente foi punida por:

1) Ser mulher. Duvido que o desembargador que pediu o processo contra Kenarik ousaria o mesmo contra um juiz homem;

2) Preocupar-se com presos desvalidos que já haviam cumprido suas penas;

3) Ser progressista numa casa francamente conservadora.

Nas outras três pontas, temos:

Policiais militares, que sistematicamente são poupados da sanção por crimes contra a vida e a integridade física.

Aqueles que são, por outro lado, os clientes costumeiros do direito penal, que uma juíza ousou colocar em liberdade por excesso de tempo na prisão.

Um homem branco, rico e médico que, em tese, pelo Juramento de Hipócrates, deveria cuidar das pessoas. Mas fez o contrário.

De 1995 a 2008, estuprou 56 pacientes na sua badalada clínica de fertilização in vitro, em São Paulo, e, ainda, manipulou indevidamente material genético de várias dessas mulheres, brincando com a vida e a morte.

Em novembro de 2010, Roger foi condenado a 278 anos de prisão pelos ataques sexuais.

Mas, de lá para cá, ele foi beneficiado por recursos bem-sucedidos à Justiça, para os quais certamente influíram conivência institucional com crimes sexuais contra a mulher e a rede de relações com gente poderosa.

De cara, ele não foi preso logo após a condenação devido a um habeas corpus do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe concedeu o direito de responder em liberdade.

Por conta disso, em janeiro de 2011  ele fugiu do Brasil, e só foi preso novamente em 2014, no Paraguai.

De maio a 23 de junho de 2017,  quando foi solto inicialmente, por decisão liminar, Roger esteve internado em um hospital particular da cidade de Taubaté, também no interior paulista.

Recentemente, como dissemos acima, ele teve prisão domiciliar concedida, por problemas de saúde.

Mas eu pergunto: se ele fosse pobre, como a quase totalidade dos encarcerados brasileiros, lhe seria, agora, dado o direito de cumprir o restante da pena em casa?

SELETIVIDADE 

"Em tese, as decisões judiciais ou em processos administrativos e disciplinares aplicam a lei, que é abstrata, a um caso concreto determinado", explica advogada Marina Lacerda, que atua na área de direitos humanos.

"Infelizmente, o resultado geral das ações acaba revelando a prevalência das relações materiais de poder no sistema de justiça e de segurança pública" observa Marina.

"Daí por que o público preferencial do direito penal é composto de pessoas negras e pobres. Do mesmo modo, há relatos persistentes de que vítimas de violência doméstica são desencorajadas a denunciar".

Há exceções, mas a regra é essa.

"Assim, enquanto Kenarik foi punida pelo TJ/SP por ter dado liberdade a 11 presos que cumpriam pena provisoriamente há mais tempo do que deveriam, certos magistrados — famosos por descumprirem a lei — seguem sem maiores inconvenientes em suas atividades", põe o dedo na ferida Marina Lacerda.

SOLIDARIEDADE    

Tanto que, durante toda essa caminhada, Kenarik teve muita solidariedade, muita mesmo.

De integrantes da comunidade jurídica, organizações de direitos humanos a cidadãos comuns, há bastante gente indignada com a injusta condenação.

Por exemplo, em nota, a organização de DDH – Instituto de Defesa aos Direitos Humanos manifestou "irrestrita solidariedade" à desembargadora, "que está sendo alvo de um injusto processo administrativo disciplinar por ter expedido alvarás de soltura de dez réus que estavam presos preventivamente há mais tempo do que a pena fixada em suas sentenças".

Afirma ainda nota:

"Kenarik é exemplo de magistrada comprometida com os direitos humanos e com a luta contra a expansão do Estado Penal, motivo pelo qual nos colocamos na torcida para que tão despropositado processo disciplinar se mostre infrutífero"

Também em nota, o Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC), afirmou esperar "que a corregedoria decida pela improcedência da representação em sua decisão o importante papel que a desembargadora Kenarik desempenha no Tribunal em busca da efetivação de Direitos das pessoas mais vulneráveis e dos valores mais nobres da Justiça".

Também por meio de notas públicas e ofícios, Kenarik recebeu apoios de muitas outras entidades, dentre as quais:

AASP- Associação dos Advogados de São Paulo;

IBCCRIM- Instituto Brasileiro de Ciências Criminais;

Pastoral Carcerária Nacional-CNBB;

IDDD- Instituto de Defesa do Direito de Defesa, a ANADEF – Associação Nacional dos Defensores Públicos;

Comitê Tortura, AACRIMESC -Associação dos Advogados Criminalista do Estado de Santa Catarina;

JusDh – Articulação Justiça e Direitos Humanos; Terra de Direitos; Fundo Brasil de Direitos Humanos;

SOF ; 

Marcha Mundial de Mulheres;

Centro Gaspar de Direitos Humanos, Coletivo Transforma MP; 

IBDPP Instituo Brasileiro de Direito Processual Penal- Bahia;

Comitê Nacional de Combate à Tortura.

E ainda, de personalidades, como Dalmo de Abreu Dallari, Fábio Konder Comparato, Paulo Sérgio Pinheiro, Romi Bencke e Leonardo Boff.

Após a punição, foram tantas as mensagens de apoio e perguntas sobre os desdobramentos que, em 15 de fevereiro deste ano, Kenarik publicou em sua página no Facebook um post para os amigos que não são da área do Direito, com as principais questões (na íntegra ao final deste post).

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também se manifestou contra a pena de censura aplicada a juíza Kenarik pelo TJ-SP.

Num parecer minucioso, bastante didático e claro, Janot defendeu a revisão da pena e pediu o seu arquivamento.

A íntegra – são 44 páginas – está ao final deste post.

Mas nós separamos alguns trechos importantes. Vale a pena conferi-los:

Em março de 2017, os advogados da juíza Kenarik , o dr. Celso Antonio  Bandeira de Mello e Tamasauskas e Bottini Advogados pediram liminar para ela participar do concurso de promoção.

Afinal, a principal consequência da punição de censura é não poder ser promovida por 1 ano.

A liminar só seria concedida, se estivessem presentes dois requisitos: perigo da demora ( periculum in mora) e fumaça do bom direito (fumus boni iuris).

Levenhagen deu a liminar para paralisar os concursos de promoção de desembargador até a decisão sobre o processo de Kenarik.

Deste modo, ninguém pode ser promovido enquanto ele durar.

E agora, como Levenhagen vai votar?

KENARIK EXPLICA O SEU CASO PARA QUEM NÃO É DO DIREITO

15 de fevereiro de 2017

Amig@s do face que não são do direito me fizeram perguntas. Demorei a responder, desculpas, mas vá lá.

O que é esta CENSURA que te aplicaram? Vc não vai mais poder falar? 

Não é isso. Quando uma pessoa que exerce um cargo público é acusada de cometer uma falta disciplinar, abre-se um processo e no final tem duas soluções: ou o processo é arquivado (porque os julgadores entendem que não foi cometida a falta) ou aplica-se uma sanção, uma pena.

Para os juízes, pode ser: advertência; censura; remoção compulsória; disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço; aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço; demissão.

No meu caso a pena foi de censura. Isto significa que na minha ficha funcional vai ter este registro.

Ou seja, que julgaram que eu cometi uma falta disciplinar. Outra consequência é que fica barrada minha promoção, pelo critério do merecimento, pelo período de um ano.

Qual foi a acusação? Colegialidade? 

No Tribunal, tem coisas que só podem ser resolvidas em conjunto, mas tem coisas que podem ser decididas sozinhas, seja em matéria criminal, seja em civil.

Num primeiro momento expedi os alvarás de soltura clausulados monocraticamente , ou seja, sozinha.

Eu tenho certeza que nestes casos, eu poderia e, mais, deveria, ter decidido na primeira oportunidade.

Mas mesmo decidindo sozinha, numa decisão de cautela, depois, todos os casos foram julgados pelo colegiado.

Explica o que aconteceu…

Então, eu trabalhei quase 25 anos em vara criminal. Agora estou no Tribunal. Em 2014 eu estava trabalhando na seção criminal (atualmente estou no civil).

Nos casos que eu vi, no processo, que o tempo da pena que o juiz fixou na sentença já tinha passado e que não tinha a informação de soltura, por cautela, eu determinei a expedição de soltura clausulado (clausulado quer dizer que se a pessoa tem outro motivo para estar preso – como uma outra condenação ou outra prisão preventiva, ele vai continuar preso).

Isto acontece?

Vi que aconteceu nestes casos. Inclusive quando o CNJ fez mutirão em São Paulo, constou do relatório: "A pena findou em …. e pende, ainda, de julgamento apelação interposta pelo Ministério Público".

Nessa situação, alguns juízes resistem em expedir alvará de soltura, sob o argumento de que a pena poderá ser majorada em sede de recurso, sem perceberem, no entanto, que a prisão da pessoa resta sem amparo legal, a despeito da matéria se encontrar sumulada pelo STF (Súmula 716).

Neste mutirão várias alvarás foram expedidos para resolver esta situação. Este relatório do CNJ serve para que os juizes fiquem atentos para as situações que eles apontam.

Significa que nos seus processos os indivíduos estavam efetivamente presos?

Não significa necessariamente isto. Significa que eu tinha a informação da prisão (normalmente prisão em flagrante), mas não tinha a informação da soltura, no processo ( folhas de antecedentes criminais nem sempre dão todas as informações na data da consulta, todo mundo que trabalha com processo criminal sabe disso).

Para não correr o risco de deixar uma pessoa presa indevidamente o que eu tinha que fazer era expedir o alvará de soltura clausulado, que é o meio mais eficaz para solucionar a questão, sem demora. Caso o indivíduo já estivesse solto e fosse só uma questão de informação, maravilha!

Caso estivesse preso (e não importa a forma desta prisão, tem várias: em regime fechado, semi-aberto, aberto, em livramento condicional), seria solto.

Eu acho que agir com cautela era minha obrigação. Não tem coisa pior para pessoa e para a sociedade, deixar alguém preso além da conta.

A liberdade é uma coisa tão, mas tão importante, que a Constituição Federal tem um monte de regras sobre a prisão e a liberdade.

E não vamos esquecer que a Constituição é a "lei" mais importante de um país, a quem tudo e todos devem obediência.

Bem, pra completar, sempre defendi a independência judicial como garantia dos direitos humanos. Independência judicial não serve para o juiz, mas para os jurisdicionados.

Para que o juiz possa decidir independentemente de pressões externas e internas e deste modo não colocar em risco os direitos do cidadão.

Adoro o que eu faço!

Se tiverem alguma dúvida, podem mandar inbox que devagar eu respondo.


"Foi, como se viu, se vê e se vive, uma FARSA."

Juízes pedem 41,3% de aumento a Cármen Lúcia

1 de agosto de 2017 | Estadão

Representantes da Anamatra, Ajufe e AMB foram à ministra Cármen Lúcia pedir que ela inclua na proposta orçamentária do Supremo aumento para a… magistratura. Entendem que existem perdas acumuladas em relação aos subsídios para remuneração dos membros do Poder Judiciário, criados em 1998 por emenda constitucional. O pedido? Por perdas acumuladas… 41,3%.


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Juiz do Trabalho é intimidado na carreira após se manifestar favorável à greve geral: http://justificando.cartacapital.com.br/2017/07/31/juiz-do-trabalho-e-intimidado-na-carreira-apos-se-manifestar-favoravel-greve-geral/

VÍDEO: Desembargadora tirou o filho pessoalmente da cadeia, à revelia do juiz http://www.diariodocentrodomundo.com.br/video-desembargadora-tirou-o-filho-pessoalmente-da-cadeia-revelia-do-juiz/

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Lava Jato é ainda mais perversa para emprego do que políticas de Temer, diz Pochmann

Para economista, operação do judiciário causa perda permanente dos empregos e das empresas


El horror

Opinión
El horror

El miedo y el consenso es sustancia, es parte del león en el juego perverso del oficialismo. Con una capacidad maniquea de manipulación estructurante, que no habíamos visto desde la década de plomo. Macri logra que el ciudadano común se sienta rodeado, sin salida, así como en el fin de las ideologías y de la historia, pensamiento y obra de Francis Fukuyama, ex director delegado del Cuerpo de Planeamiento del Departamento de Estado de los Estados Unidos y que nos llama permanentemente a un conformarse atónito, vencido y sin retorno al pensamiento crítico. Cambiemos ha logrado una narrativa, un relato fáctico del miedo profundo y ominoso. Un cosmos del horror. El hombre común teme por su trabajo, por pensar, por discrepar, por militar, hasta por linkear en su página de Face, campo orégano de los trolls de Marcos Peña. 

The horror... the horror frase paradigmática de Marlon Brando en Apocalypse Now o el pasaje de una democracia plena a criterios de dictadura consensuada con la concupiscencia de la mass media argentina. De la condición humana a los totalitarismos neoliberales. Los medios concentrados, carnales al poder, nos construyen cotidianamente en empresas yoicas de supervivencia del más apto, donde se impone el estado de naturaleza evolutiva y de "cambio" y donde el derecho es a todo y por tanto a la nada misma. 

Hoy la sociedad se debate sobre los fueros del diputado De Vido mientras resigna sus satélites y sus órbitas espaciales a empresas proveedoras de tecnología militar al imperio del norte. Se distrae con la vuelta "descarada" de Cristina, en búsqueda de su salvación legal, mientras se prepara una regresión en derechos laborales a la década infame.

La conferencia legítima del poder llevada a extremos orgiásticos. Seguridad y riesgo. La instalación del estamos todos contra todos y donde el estado Cambiemos como único resorte mediador del conflicto nos afirma desde los medios concentrados que quien no está globulizado es el enemigo.

La ruptura de las categorías del contrato social, donde la destrucción de la alteridad de ese otro lejano o cercano, se ve fomentada por la preocupación umbilical del ciudadano promedio. Si sólo nos preocupamos por nosotros mismos, como desea la teoría mórbida del mercado absoluto, el estado como protector/moderador desaparece. 

El monopolio represivo de ese estado mediador entre lo público y lo privado, lo individual y lo colectivo se convierte en una entente de sectores del poder a los cuales, si no adhiero como ciudadano, muero en el intento. El horror opera como una categoría de la mismisidad onanística, hacia mi interior, pero si no acuerdo sufriré las consecuencias "pepsico" desde el afuera y si acuerdo también.

La ideología rousseauniana, el modelo moderno racionalista de la construcción del poder, es avasallado, se ha traspasado la línea donde la sociedad y su sistema, se entiende como una amalgama de voluntades individuales, de sujetos que interactúan abdicando sus propios intereses, en una racionalización de la política, la cual debiera empezar desde el  abordaje de los derechos del hombre, un comprender al sistema sociopolítico como una conjunción de voluntades individuales y subjetivas que exclusivamente dialogan resignando sus intereses particulares. Nada más lejos en la democracia "Cambiemos", forma particular de un conservadurismo extractivo y marabuntesco de vaciar el estado en pos de empresas propias y amigas. Un fanatismo reaccionario que sólo es comparable al "Proceso de Reorganización Nacional" donde el desaparecido no era solamente desaparecido sino un látigo disciplinador para toda la sociedad. Hoy no hacen falta golpes y asonadas militares, las alianzas de jueces, empresarios y periodistas afines al poder, hace fatuo este dispositivo. Hoy los escarmientos disciplinadores llevan cara de india, colla, negra, tupaquera, lleva la cara de Milagro Sala y sus compañeras, con sus más de quinientos días encarceladas y torturadas en Alto Comedero, Jujuy. Ese laboratorio "cambiemos" del accionar de los servicios en alza. Quien suceda a este gobierno que nada tiene de ausente, por cierto, ya que elabora estrategias de retroceso social, legal y político permanentemente, tendrá el serio desafío de recomponer un tramado social seguramente desecho, y desecho adrede, cuando es objetivo que desde todos los mecanismos estatales y para-estatales se erosionan las bases participativas de los trabajadores en una legitimación a sangre y fuego de las viejas estructuras dominantes preperonistas. 

La lógica amarilla vuelve a debates anteriores, a la revolución francesa donde libertad, igualdad y fraternidad se desdibujan dando lugar a un autoritarismo sin límite visible, como diría Hobbes donde el miedo es fundador de lo político. ¿Cómo sucedió en menos de veinte meses que una sociedad democrática se convirtiera en dictatorial, a este sentido de restricción de la humanidad más básica donde una mujer en situación de calle, muerta de hipotermia, puede ser comparada con un perro, por un Secretario de Salud marplatense? 

Si la filosofía ilustrada y modernista sostenía que la humanidad se debatía entre fuerzas opuestas y contradictorias, con similares fortalezas, una que deseaba los bienes del otro y otra que temía ser despojada por la otredad, y que el estado, por ende, era moderador de esas fuerzas contrapuestas ¿qué pasa en estos tiempos? ¿dónde queda ese estado, ese nuevo leviatán modernista, ese pacificador de conflictos? ¿qué hacer cuando el horror de la expoliación es ese mismo estado?

El horror… el horror. Aunque probablemente ese terror del déspota en la persecución de líderes sociales y espacios críticos provenga en que sabe muy en sus adentros, tal como decía Hannah Arendt, que "los revolucionarios no son los que hacen las revoluciones, sino los que saben que el poder está en las calles y pueden levantarlo."

* Rector Fundación Universitaria Popular de Escobar. Asesor Congreso de la Nación Argentina.


https://www.pagina12.com.ar/53345-el-horror

"A revolução não será televisionada"


Igor Fuser: 'O povo venezuelano demonstrou um alto grau de consciência política' 

"Então a imprensa brasileira se comporta em relação à Venezuela da mesma forma que se comporta no Brasil, a favor do golpismo e da manutenção de estruturas sociais injustas".

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Arrasadora victoria del chavismo: más de 8 millones votaron por la constituyente - Resumen Latinoamericano http://www.resumenlatinoamericano.org/2017/07/31/arrasadora-victoria-del-chavismo-casi-9-millones-votaron-por-la-constituyente/

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"Otra vez estamos en combate comunicacional" 
http://bit.ly/2vdffgP vía @Pagina12

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A revolução não será televisionada

Documentário de Kim Bartley e Donnacha O'Briainsobre sobre o golpe ocorrido na Venezuela em abril de 2002. O golpe foi consumado, pois não houve resistência de Chávez que foi preso. Mas, as manifestações e o apoio de militares fieis ao país enfraqueceram os golpistas, e Chaves retornou ao governo. Participação clara da midia privada, empresários e militares oposicionistas no golpe, além de declarações do governo americano de apoio ao golpe na Venezuela.

O melhor filme sobre a Venezuela (documentário sobre o fracassado golpe de 2002 contra o presidente Hugo Chávez)


Igor Fuser: "O povo venezuelano demonstrou um alto grau de consciência política"

31/07/2017 19:39 - Copyleft

Igor Fuser: "O povo venezuelano demonstrou um alto grau de consciência política"

Cientista Político, Igor Fuser comenta o balanço da votação para a Assembleia Constituinte, ocorridas ontem na Venezuela


Júlia Dolce - Brasil de Fato
Camila Rodrigues

Mesmo diante de conflitos violentos, cerca de 8 milhões de votantes venezuelanos participaram da eleição de deputados e deputadas constituintes no último domingo (30). O dia foi considerado um dos mais importantes da crise institucional e econômica vivida pelo país latino-americano há pelo menos cinco anos.
 
A Assembleia Nacional Constituinte, solução do presidente Nicolás Maduro para alcançar a paz e o diálogo entre grupos divergentes, teve recepção polêmica e vem sendo amplamente criticada pela grande mídia internacional. No entanto, para uma grande parcela da população venezuelana e dos setores progressistas da América Latina, a revisão da Constituição é uma forma democrática de pensar as bases políticas, econômicas e sociais do país, caminhando para o fim dos confrontos.
 
Em um contexto em que a pressão estrangeira contra a eleição convocou boicotes, greves e financiou atos terroristas que já deixaram centenas de mortos na Venezuela, o cientista político Igor Fuser, professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC), opina que a votação deste domingo demonstrou a capacidade das forças progressistas no país.
 
"A eleição aconteceu diante de condições muito difíceis e mesmo assim o povo venezuelano demonstrou um alto grau de consciência política, comparecendo em massa às urnas", opinou.
 
Para Fuser, os ataques da direita venezuelana e da grande mídia ao processo da Constituinte pode ser comparado ao golpe sofrido pela ex-presidenta Dilma Rousseff no Brasil.
 
"É como se tivéssemos, na América Latina inteira, dois partidos políticos que ultrapassam fronteiras. Uma direita privilegiada, ligada aos EUA, e uma esquerda que busca a mudança social. Então a imprensa brasileira se comporta em relação à Venezuela da mesma forma que se comporta no Brasil: a favor do golpismo e da manutenção de estruturas sociais injustas", ponderou.
 
Confira a entrevista na íntegra:
 
Qual a sua opinião sobre o significado da Constituinte para a Venezuela?
A eleição da Assembleia Constituinte representa uma chance de solucionar a grave crise política e econômica que o país está vivendo. A Venezuela vive uma situação de conflito, onde as situações vigentes não estão dando conta do desafio de enfrentar a escassez e as divergências entre diferentes setores da sociedade.
 
Então, nesse sentido, o governo tomou uma iniciativa que é a mais democrática que se possa imaginar, que é convocar o povo para eleger representantes para rever as instituições e leis existentes no país, e procurar encontrar uma nova constituição, que permita enfrentar a crise, o problema da escassez e resolver a crise institucional. O próprio povo vai dizer que caminho o país vai seguir. Alternativa à isso, se deixasse as coisas como estão, seria um agravamento maior dos conflitos e dos problemas, podendo chegar até mesmo a uma Guerra Civil.
 
Você pode fazer um balanço do que a gente viu durante a votação?
A eleição realizada ontem na Venezuela se deu em condições muito difíceis. Os setores mais conservadores da sociedade, setores das elites econômicas do país, dos mais ricos que sempre se opuseram às transformações ocorridas na Venezuela e querem manter seus privilégios, estão em ofensiva para tentar derrubar o governo. É algo parecido com o que vivemos no Brasil. Aqui houve um golpe e lá há uma tentativa de golpe, com a diferença de que lá eles têm se mostrado muito mais agressivos e violentos, com uma campanha terrorista de atentados e destruição de prédios públicos, assassinatos, muitas pessoas já foram assassinadas nos últimos meses.





 
Ontem fizeram de tudo para tentar intimidar os eleitores para que não fossem até as urnas exercer seu direito de voto. Então a eleição aconteceu diante de condições muito difíceis e, mesmo assim, o povo venezuelano demonstrou um alto grau de consciência política, comparecendo em massa às urnas. Foram 8 milhões de votantes, considerando que lá o voto é facultativo, votaram mais de 40% do total de eleitores possíveis, em um país onde pelo menos 20% das pessoas simplesmente não exercem o direito do voto.
 
Cabe lembrar que a eleição do presidente Nicolás Maduro se deu por 7 milhões e meio de votos. A eleição de ontem teve mais votos do que sua eleição, então foi representativa da maioria do povo venezuelano, o que dá muita força a essa nova constituinte, confere a ela legitimidade para estabelecer novas leis e tomar decisões necessárias para reconduzir o país em um bom caminho, saindo da crise.
 
Você pode comentar um pouco a distorção da responsabilidade dos assassinatos e atos terroristas?
Para a gente entender o que está acontecendo na Venezuela, precisamos buscar fontes alternativas de informação, porque a mídia comercial, os jornais brasileiros, as emissoras de televisão e também a mídia internacional, estão todos engajados em uma campanha golpista na Venezuela. Há uma situação de manipulação dos fatos que é realmente grotesca, é algo criminoso que está acontecendo. Então a Venezuela vive há mais de três meses uma situação em que ocorrem diariamente atentados terroristas: ônibus são incendiados, edifícios públicos são atacados, pessoas são assassinadas.
 
Ontem durante a eleição houve a explosão de uma bomba contra policiais, deixando vários feridos. Em qualquer lugar do mundo essas ações seriam chamadas de terrorismo, no entanto a mídia esconde essas atrocidades e esconde que por trás dela se encontra a oposição política, que é tratada como democrática, mas há muito tempo abandonou as práticas da democracia e partiu para tentar a conquista do poder por meio da violência. Então o que está ocorrendo na Venezuela é uma tentativa de golpe por meios cada vez mais violentos e que incluem o assassinato.
 
Ontem morreram sete, oito pessoas na Venezuela, todas elas em ações dessas milícias da direita, financiadas pelos EUA. Eles recebem treinamento militar, armas, equipamentos de vários tipos, dinheiro. São centenas, milhares de pessoas pagas para sabotar a vida cotidiana na Venezuela e criar uma situação de caos, para tentar derrubar o governo, eventualmente até mesmo com a intervenção de tropas estrangeiros.
 
Principalmente nesta segunda-feira a grande mídia brasileira tem publicado vários artigos contrários à constituinte. De que maneira eles se beneficiam dessa opinião?
É preciso ter claro que o que está acontecendo na Venezuela não é diferente do que está acontecendo no Brasil, na Argentina, na América Latina inteira. Em todos esses países você tem uma divisão do campo político em dois lados. Existe o lado das elites dominantes, daquela minoria, 10%, um pouco mais ou menos, que são aquelas pessoas privilegiadas, que desfrutam da maior parte da riqueza gerada no país pelo trabalho do conjunto da população e pelas riquezas naturais. Esses setores tratam de garantir os seus privilégios, garantir sua posição favorecida, em prejuízo da ampla massa da população, que vive uma situação difícil e que se organiza politicamente para tentar modificar esse cenário.
 
Nós tivemos na América Latina nos últimos 15 anos, no Brasil, na Venezuela, na Bolívia, na Argentina, no Uruguai, governos de esquerda, comprometidos com essa maioria. E os privilegiados não querem abrir mão de absolutamente nada e estão dispostos a levar esses países para a crise, para os conflitos, não hesitam em pisotear as leis, a constituição, dar golpes de estado, depor presidentes. Então é como se tivéssemos, na América Latina inteira, dois partidos políticos que ultrapassam fronteiras. Uma direita privilegiada, ligada aos EUA, e uma esquerda que busca a mudança social, busca justiça, a redistribuição da riqueza e uma sociedade mais igualitária em cada país, diminuindo as desigualdades sociais, enfrentando a miséria e a falta de condições adequadas de saúde, moradia, saneamento básico. Então a imprensa brasileira se comporta em relação à Venezuela da mesma forma que se comporta no Brasil, a favor do golpismo e da manutenção de estruturas sociais injustas.
 
Edição: Simone Freire
 



Créditos da foto: Camila Rodrigues



Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz