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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

2.10.14

"Costa foi comunicado de que seria demitido por Lobão, instado a escrever sua carta de demissão e entregá-la à presidenta da Petrobras. A decisão de demiti-lo partiu de Dilma Rousseff, como a presidenta afirmou mais de uma vez".

Publicado em 02/10/2014

Globo cria factoide 
para acuar a Dilma

A verdade vai derrotar a mentira !

​O Conversa Afiada recebeu de amigo navegante: ​


Olá, Paulo​, ​

O Muda Mais public​ou​ análise sobre matéria de hoje de O Globo questionando declaração da Dilma de que foi ela quem mandou demitir o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Um factoide produzido no dia do último debate ​(coincidentemente da Rede Globo) e a três dias das eleições. Querem acuar a presidenta. Não vão conseguir. Nestas eleições, ​o PiG​ não fala sozinh​o​. E, como diz a Dilma, a verdade vai vencer a mentira.

​Veja: 



O GLOBO CRIA FACTÓIDE PARA CONFUNDIR ELEITOR E PREJUDICAR DILMA


A três dias das eleições, a edição do jornal O Globo estampa em sua capa factóide com claras intenções eleitorais: "Ata da Petrobras diz que ex-diretor renunciou", afirma a manchete. Como o Muda Mais já mostrou aqui, ata da CPI da Petrobras no Senado comprova que a decisão da saída de Paulo Roberto Costa da estatal foi totalmente alheia a sua vontade, sendo-lhe comunicada por Edison Lobão, ministro de Minas e Energia. O Globo teve acesso não apenas à ata da CPI, como também à matéria do Muda Mais, como afirmam em nota. Mas isso não impediu o jornal de criar um factóide político no dia do último debate antes do primeiro turno das eleições,  com intenção explícita de prejudicar Dilma.


Na matéria, o jornal  ignora o depoimento do próprio demitido em Comissão Parlamentar de Inquérito, e deliberadamente se atém às questões formais de praxe, quando da saída de ocupantes do alto escalão governamental. Como o próprio Costa esclarece, é comum que se solicite a quem está sendo demitido a redação de uma carta de demissão pró-forma. A seleção da passagem da ata da Petrobras de 2 de maio de 2012, utilizada pelo jornal como fonte, deixa claro seu caráter formal. Em uma rápida busca pelo google, são encontrados mais de 6.600 documentos com a expressão "pelos relevantes serviços prestados no desempenho de suas funções". Os  "elogios" sublinhados pelo jornal são nada mais do que um copia-e-cola utilizado em rituais públicos de demissão de diretores.  É importante lembrar que, à época da demissão de Paulo Roberto Costa, não se tinha conhecimento das graves denúncias de corrupção envolvendo seu nome e a função que exercia na Petrobras. Certamente, fosse esse o caso, tais rapapés formais não constariam da ata.


Graças ao acesso à informação e à transparência dos processos públicos, bandeiras dos governos Lula e Dilma, o assassinato do jornalismo cometido por O Globo pode ser facilmente desmascarado. A íntegra do depoimento de Paulo Roberto Costa à CPI da Petrobras está aqui (link is external), disponível para qualquer cidadão. Nela, se pode conferir que Costa foi comunicado de que seria demitido por Lobão, instado a escrever sua carta de demissão e entregá-la à presidenta da Petrobras. A decisão de demiti-lo partiu de Dilma Rousseff, como a presidenta afirmou mais de uma vez.


Talvez parte da grande imprensa se ressinta dos ~áureos~ tempos em que era possível falar sozinha, criando factóides no dia do debate final antes das eleições com vistas a enfraquecer o candidato que menor atendesse a seus interesses. Felizmente, este não é mais o caso: há cada vez mais acesso à informação e transparência, os documentos citados estão disponíveis na internet e não se pode mais calar quem quer debater.


Segue, abaixo, o áudio de Paulo Roberto Costa na CPI da Petrobras:



O Brasil não é mais aquele

O Brasil não é mais aquele

Publicado em 02/10/2014 | 

14.10.02_Flávio Aguiar_O Brasil não é mais aquelePor Flávio Aguiar.

Nesta quarta-feira, 1º. de outubro, vou participar de um debate na livraria Livraria (este é o nome), em Berlim, sobre "Do Real à Real: O Brasil hoje", ao lado do professor Sérgio Costa, do Instituto Latino-Americano da Universidade Livre de Berlim, e do escritor Rafael Cardoso. Apresento aos leitores do blog da Boitempo a linha geral de minha intervenção:

1.
A equação Brasil no nosso imaginário mudou.

2.
O Brasil mudou de de dimensão, de equação e de lugar.

3. Dimensão
Estamos acostumados com a projeção de Mercator, da geografia escolar, no mapa-múndi, com foco na altura do Trópico de Câncer, no Hemisfério Norte. O Brasil ali é diminuto, menor do que o Alasca e a Groenlândia. A projeção agora terá de ser outra. De repente o Brasil aparece com seu tamanho "verdadeiro": oito mil quilômetros de comprido por outros oito mil de largura. De fato, um gigante.

3. Equação
O Brasil não é mais a equação onde predominam os pobretões, os miseráveis, os absolutamente despossuídos, as favelas abandonadas, as crianças esquálidas, etc. Ao contrário: a infância no Brasil hoje enfrenta o problema da obesidade precoce. A "classe média", do ponto de vista do consumo, é maioria no país.

4. Ainda a Equação
O Brasil foi e ainda é um dos campeões da desigualdade. Mas a desigualdade diminuiu. Isto é um fato, atestado por inúmeros índices. Os resultados são interessantes, mas problemáticos. Desde a década de 70 as cidades brasileiras foram planejadas para o automóvel. Mas não para que tantas pessoas pudessem comprar automóveis ao mesmo tempo. A economia foi planejada, mas não para que tantas pessoas tivessem emprego ao mesmo tempo: era necessário manter um exército industrial de reserva, leia-se, de desempregados, grande, para "baixar o custo Brasil", leia-se, comprimir os salários. Isto acabou. Resultado: muito mais pessoas se deslocam nas cidades brasileiras. Idem graças à inclusão educacional, e a de saúde. Resultado: as cidades estão congestionadas.

5. Ainda a Equação (ii)
O Brasil foi planejado para co-existirem, nos condomínios, duas entradas, a "social" e a de "serviço". Isto não acabou, mas a expressão "de serviço" deixou de ser discriminatória, e passou a ser de fato, "de serviço", isto é, reservada para mudanças, deslocamento de malas, grandes volumes, etc. Também: o Brasil não fora planejado para as empregadas domésticas terem carteira assinada obrigatoriamente, nem receberem pelo menos o salário mínimo – e um salário mínimo em ascensão.

6. Ainda a Equação (iii)
O Estado moderno, desde os espasmos das Grandes Guerras, foi planejado para garantir direitos e administrar privilégios. Administrar = garantir, mas reduzir, embora nunca eliminar. Isto valia para os dois lados do muro de Berlim. Em países como o Brasil, a Equação era a de o Estado garantir privilégios e administrar (a redução de) direitos. Este termo da equação de desequilibrou, ou melhor se equilibrou, talvez tenha até se invertido. Um pouco, mas invertido.

7. Lugar
O Brasil era o grande – importância do termo "grande" – devedor do FMI e do G-7 (não 8, Rússia excluída) na América Latina. Hoje o Brasil é credor do FMI e da União Europeia quebrada, mantendo ações humanitárias na África, na Ásia, na América Central, e com uma relação de igual para igual na América do Sul e na América do Norte. Participa da criação de um Banco de Desenvolvimento Internacional Alternativo ao FMI, ao Banco Mundial, ao BID.

8. Tudo isto desestabiliza o nosso imaginário
Há quem veja nisto o caos, a confusão, a desorganização do mundo. Há quem veja nisto a ascensão, o acesso ao que nunca teve. Há quem veja nisto a concorrência em espaços antes "reservados" ou "garantidos", como nas universidades ou na busca de emprego. Tudo isto gera ansiedade. Inclusive na Europa, onde os Estados hoje administram a redução de direitos e garantem privilégios. Diante da ansiedade, a primeira resultante é a tentativa, ainda que fantasiosa, de restabelecer a equação anterior.

9. A tentativa de restabelecer a Equação Brasil anterior não é privilégio apenas das oposições nesta eleição que se avizinha dramaticamente. Assisti ontem um documentário do canal internacional Arte sobre o tema "Brasil, rumo a uma grande potência?". O documentário foi feito no ano passado, ainda no embalo das manifestações de junho e na campanha para declarar que o Brasil não tinha a menor condição de organizar uma Copa do Mundo. Visivelmente, ele foi feito para a rede francesa do Arte, e adaptado para a rede alemã, que fez-lhe uma cabeça e um encerramento atualizado. Mas o clima ainda era o anti-copa. O resultado foi surpreendente. A apresentadora, dirigindo-se diretamente à presidenta Dilma, dizia que esta era otimista quando à imagem do Brasil, mas que agora chegara a "hora da verdade", e de verificar a "catástrofe" que era o Brasil. Assisti uma hora de programa, até o fim, esperando a tal da catástrofe, e ela não veio. O que veio foi a exposição de um "work in progress" chamado Brasil, com problemas e conquistas. Havia depoimentos tocantes de pessoas moradoras na favela sobre como sua vida tinha mudado. De catastrófico, havia o depoimento do líder do Greenpeace, dizendo que as plataformas do pré-sal vão inundar o oceano com manchas de óleo (parece a BP britânica) e o depoimento de uma manifestante de julho, que não provinha de favelas ou pobreza, entoando aquela ladainha de que no Brasil nada funciona. Ficou a impressão forte de que os editores da versão alemã do programa sequer se deram ao trabalho de assistir o vídeo previamente. Azar o deles.

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Eleições630p

Especial Eleições: Artigos, entrevistas, indicações de leitura e vídeos para aprofundar as questões levantadas em torno do debate eleitoral de 2014, no Blog da Boitempo. Colaborações de Slavoj Žižek, Mauro Iasi, Emir Sader, Carlos Eduardo Martins, Renato Janine Ribeiro, Edson Teles, Urariano Mota e Edson Teles, entre outros. Confira aqui.

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Flávio Aguiar nasceu em Porto Alegre (RS), em 1947, e reside atualmente na Alemanha, onde atua como correspondente para publicações brasileiras. Pesquisador e professor de Literatura Brasileira da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, tem mais de trinta livros de crítica literária, ficção e poesia publicados. Ganhou por três vezes o prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, sendo um deles com o romance Anita (1999), publicado pela Boitempo Editorial. Também pela Boitempo, publicou a coletânea de textos que tematizam a escola e o aprendizado, A escola e a letra (2009), finalista do Prêmio Jabuti, Crônicas do mundo ao revés (2011) e o recente lançamento A Bíblia segundo Beliel. Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às quintas-feiras.

http://blogdaboitempo.com.br/2014/10/02/o-brasil-nao-e-mais-aquele/


Folha esconde incerteza sobre eleição de Alckmin no 1º turno

JOGO

Folha esconde incerteza sobre eleição de Alckmin no 1º turno

Faltando quatro dias para as urnas, ainda há uma diferença gigantesca entre intenções de votos espontâneas e estimuladas para governador de São Paulo, mas jornal sustenta clima de 'já ganhou'
por Helena Sthephonowitz, para a Rede Brasil Atual publicado 02/10/2014 10:44, última modificação 02/10/2014 10:47
ARQUIVO RBA
Alckmin

Anális dos números do Datafolha mostra que vitória de Alckmin pode não acontecer no primeiro turno

Quanto mais próximo do dia da eleição, mais as pesquisas registram proximidade entre os números de intenções de votos espontânea e estimulada. É o que ocorre na eleição presidencial, mas faltando quatro dias para irmos às urnas, ainda há uma diferença gigantesca entre intenções de votos espontânea e estimulada para governador de São Paulo, sobretudo no caso de Geraldo Alckmin (PSDB).

Na última pesquisa Datafolha para presidente, fechada no dia 30 de setembro, a diferença entre intenções de voto espontâneo e estimulado é pequena. Dilma Rousseff (PT) tem 35% na espontânea e 40% na estimulada. Marina Silva (PSB), 20% na espontânea e 25% na estimulada. Aécio Neves (PSDB), 16% na espontânea e 20% na estimulada. Todos os candidatos tem um acréscimo que não passa de cinco pontos.

Já na pesquisa para governador de São Paulo, feita pelo mesmo instituto Datafolha, também fechada no dia 30, Geraldo Alckmin tem 31% na espontânea e dá um incrível salto para 49% na estimulada. Os números respectivos de Paulo Skaf (PMDB) são 14% e 23%, o os de Alexandre Padilha (PT) são de 5% e 10%.

Pesquisa espontânea é aquela em que apenas se pergunta ao pesquisado em quem irá votar sem citar nenhum nome de candidato. Só quem tem candidato definido responde. É um voto consolidado que dificilmente muda. Já a pesquisa estimulada mostra um disco ao eleitor com os nomes de todos os candidatos em disputa, sem opção de voto nulo, para o eleitor escolher um deles.

Logo, o eleitor pesquisado é induzido a escolher um nome, mesmo que não tenha decidido ainda ou que não pretenda votar. A pesquisa estimulada serve para indicar tendência, para onde penderia os indecisos, mas faltando quatro dias para a eleição pode-se afirmar que a diferença entre a pesquisa espontânea e a estimulada é um voto volátil, que pode mudar, que ainda está em disputa, que "não tem dono".

É verdade que estatisticamente em eleições passadas os votos de indecisos costumam se distribuir proporcionalmente às intenções de votos dos candidatos. Mas estamos diante de um fenômeno diferente de eleições passadas. Faltando quatro dias para as eleições, 36% dos pesquisados dizem ainda não ter candidato a governador em São Paulo quando a pesquisa é espontânea.

Na sondagem para presidente também há 22% que disseram espontaneamente não saber ainda em quem votar. Há mais 5% que declaram votar nulo ou em branco. Mas neste caso o desinteresse do eleitor bate com o percentual de abstenção, brancos e nulos observado na eleição de 2010 (pouco mais de 26%). Enquanto na sondagem para governador de São Paulo o número ultrapassa 10 pontos.

Se depender das pesquisas, Alckmin é favorito, sem dúvida, mas é menos favorito do que a pesquisa estimulada que aparece com destaque nas manchetes dos jornais e TVs aparenta. E há maior probabilidade do que parece de haver segundo turno, com o alto número de 36% de eleitores que irão decidir seu voto de última hora. O número de indecisos nesta altura do campeonato, talvez, seja inédito em eleições para o governo paulista, pelo menos no passado recente.

Curioso o jornal Folha de S. Paulo esconder os números da pesquisa espontânea e só mostrar a estimulada na hora de dar a notícia. Já o portal G1, publicou os dois resultados.

Assim, a Folha está fazendo o jogo da campanha de Alckmin, que deseja criar um clima de "já ganhou", inclusive desmotivando a militância de outros candidatos. O jornal esconde que ainda existem mais votos em disputa de última hora do que o percentual que o governador tucano tem consolidado, deixando a eleição paulista ainda em aberto.


http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2014/10/folha-esconde-incerteza-na-eleicao-de-alckmin-1290.html

A vitória da política

2/out/2014, 11h01min

A vitória da política

Mauri Cruz*

Nós temos lado, nós temos projetos e, pasmem, não somos perfeitos. Essa é a mensagem passada pela candidata do PT, Dilma, e pelos candidatos Olívio e Tarso nas últimas semanas. E foi esta postura franca, aberta e de disputa de projetos de sociedade que viraram o jogo das eleições, demonstrando, mais uma vez, que a sociedade brasileira – em especial, as classes populares – está amadurecida e esclarecida politicamente e não quer escolher quem melhor sabe gerir o capitalismo em crise.

Para quem acompanhava as discussões e programas dos principais candidatos, há pouco mais de um mês, restava um sentimento deprimente. A disputa era entre quem fez mais presídios, quem reformou mais escolas, quem pagou o piso dos professores, quem construiu e reformou mais estradas, etc, etc, etc e tal. Uma ladainha enfadonha que não colocava no centro do debate os dramas e dilemas que o Brasil, o Rio Grande do Sul e a humanidade vivem nos dias atuais.

Há bastante tempo vinha me perguntando o que seria e de onde viria um projeto pós-PT, tão necessário para o avanço das lutas populares. E, analisando o comportamento e as posições das forças políticas brasileiras, sempre me vinha à cabeça a ideia de que para superar o PT somente teríamos o próprio PT. Não por um desejo político, mas por uma realidade fática. Não se produziu no Brasil e nem mesmo na América Latina uma experiência tão rica política, orgânica e eficaz na conquista de mudanças concretas para a classe trabalhadora. Mesmo que se queira, não será fácil superar o PT.

Mas, apesar desta força, após algumas décadas de governos locais e estaduais e de 12 anos de governo federal petista em alianças com o grande capital conservador, tudo parecia estar adormecido, perdendo o ânimo das mudanças e das transformações reais na sociedade. Não que retirar 50 milhões de pessoas da pobreza não seja uma revolução democrática e popular. Não que colocar o Brasil dentre as principais potências de forma altiva, não submissa aos EUA ou à UE, em aliança estratégica com China, Rússia, Índia e África do Sul não seja uma verdadeira bomba atômica na geopolítica internacional. Ocorre que tudo isso foi sendo feito sem quebrar os pratos com os projetos da burguesia nacional e internacional e, praticamente, sem mexer nos grandes interesses.

O PT no comando do Brasil representou os trabalhadores e trabalhadoras na mesa de negociações do tabuleiro internacional. E, a partir de muita inteligência e capacidade, negociação e articulação, mudou o cenário, alterou a correlação de forças e fez a roda girar a favor do Brasil e dos brasileiros. Este jogo ainda está sendo jogado e os próximos lances serão decisivos. Ainda pilotando a sua guerra contra o terror, agora criando um novo adversário, os Estados Unidos da América querem retomar sua aliança submissa com o Brasil. Precisam, portanto, a qualquer custo, tirar o PT do poder. A União Europeia, esfacelada, quer ter um parceiro, igualmente submisso, à sua agenda de austeridade. A estratégia do Brasil, de superar a crise com investimentos públicos nas áreas sociais, é justamente a contraordem do que Ângela Merkel e o Banco Central Europeu fazem na Alemanha e nos demais países do bloco. O Brasil, com democracia e desenvolvimento, dá um exemplo de outro caminho possível que incomoda internacionalmente.

Internamente, após a morte do candidato do PSB, os blocos políticos se realinharam principalmente após as posições declaradamente neoliberais, conservadoras e, em algumas declarações, pré-homofóbicas da candidata Marina. A possibilidade real em derrotar o PT gerou uma euforia na oposição e nos setores conservadores que há muito não se via. Contraditoriamente, este mesmo risco, de perder o governo, foi um sinal de alerta para um petismo que estava acomodado, amorfo e satisfeito com o andar, mesmo que lento, das conquistas. O alerta surtiu resultados, começando por Lula que disse com todas as letras: tá faltando política. E essa conclusão mudou o discurso da candidata Dilma e a postura do PT em todos os estados.

Aqui no RS, da mesma forma, a campanha se desenrolava para um desfecho previsível. Apesar das conquistas inegáveis do Governo Tarso Genro, a rotina de derrota do governante parecia certa. A candidata do conservadorismo e da maior empresa de comunicação do Sul do Brasil ponteava as pesquisas e, mesmo sem dizer ao que veio, fazia um passeio. Sem ter os mesmos recursos financeiros que o Governo Federal, a candidatura Tarso sequer podia se apresentar como um excelente gestor do capitalismo.

Mas a política tomou parte, novamente, na mudança dos rumos deste enredo. A partir de denúncias feitas pelo site Sul21 em relação a um cargo fantasma da candidata Ana Amélia e das ligações do candidato ao Senado pelo PDT com a Arena durante a ditadura, a velha luta de classes veio à tona com toda a força. E na luta capital e trabalho, o PT tem lado, tem história e, principalmente, tem muitas conquistas para mostrar. Esta nova qualidade de enfrentamento está fazendo a diferença, retomando a possibilidade de, pela primeira vez, em quase 30 anos de abertura política, um projeto político conseguir se reeleger no Estado. Por isso, tem tanto significado a fala do governador Tarso Genro no debate da RBS desta terça-feira (30/9), quando disse: "No RS, a novidade é a continuidade e não o retrocesso." Para o bem do RS, do Brasil e, porque não dizer, do mundo, é melhor que assim seja. Estes próximos dias prometem muitas emoções. Continuemos nas ruas, porque em política quem deixa para depois geralmente perde o trem da história.

*Advogado, professor de pós graduação em Direito à Cidade e Mobilidade Urbana, diretor regional da AbongRS


http://www.sul21.com.br/jornal/a-vitoria-da-politica/?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter


diárias

 2/out/2014, 5h43min

A senadora Ana Amélia e seus R$ 52.122,05 em diárias 

por Luiz Afonso Franz

A senadora Ana Amélia de Lemos diz que o governo do Rio Grande do Sul gasta demais com diárias. 
E anuncia que, na hipótese de ser eleita, vai cortar diárias.

Ela não parece se interessar em saber que o grande volume de gastos em diárias é com soldados da Brigada Militar e com a Defesa Civil.

Mas o que a senadora não diz é que ela não recusa uma boa diária do Senado Federal.

Servidor do governo gaúcho não precisa, mas ela faz questão de receber as suas.

Entre outubro de 2011 e abril de 2014 por 19 vezes a senadora Ana Amélia requereu à mesa do Senado autorização para viajar ao exterior, solicitando que a viagem fosse considerada missão oficial e informando as datas em que se ausentaria do país.

Para 17 destas viagens ela pediu e recebeu diárias, as outras duas aparentemente não foram realizadas.
Os dados estão disponíveis no portal Transparência e Controle Social do site do Senado Federal.

É fácil localizá-los e descobrir quanto a senadora obteve. Basta conferir o mês da viagem, ver o valor solicitado de diárias e somar tudo.

No total, ela recebeu em diárias R$ 52.122,05. Na média, mais de R$ 3 mil por viagem.

É uma boa grana. Dá para comprar um carro decente. Deve ser suficiente para cobrir umas 500 diárias de brigadianos. Dá para pagar o salário de muitos professores.

Mas não foi este apenas o dinheiro dos contribuintes gastos com as idas ao exterior da senadora – nem me dei ao trabalho de ver as diárias que recebeu em missões dentro do país.

Temos ainda o custo das passagens de avião. Para chegar a este valor eu fiz uma estimativa, por baixo, preço bom, classe econômica. Dá um total de R$ 22.600,00 – pouco a mais ou pouco a menos. Será que senadores usam classe econômica? Acho pouco provável. Se não for classe econômica este valor vai às nuvens. Isso considerando que ela sempre teria viajado sozinha.

Então a senadora Ana Amélia gastou um mínimo de R$ 74,7 mil em seus périplos além fronteira durante a primeira metade de seu mandato.

Tudo justo, tudo certo, tudo legal. Mas não se esqueçam: só é justo, certo e legal para ela, não para os servidores públicos gaúchos.

.oOo.

Luiz Afonso Franz é jornalista e blogueiro interessado em curiosidades.


http://www.sul21.com.br/jornal/a-senadora-ana-amelia-e-seus-rdollar-52-12205-em-diarias-por-luiz-afonso-franz/

Amélia e a nova mídia

2/out/2014, 8h56min

Amélia e a nova mídia

Estimados sulvinteumenses, cá estamos, diante de mais um espetáculo da democracia, o momento em que cada um tira o pó do seu título de eleitor e vai lá e crau, cumpre com o seu dever cívico.

E, ao menos no nosso estimado Rio Grande do Sul, a eleição pode ser a primeira no Brasil a ser afetada, ou decidida pela nova mídia, aqui brilhantemente representada pelo meu, o seu, o nosso estimado Sul21. Ao que se pode perceber, desde a minha mansão em um bairro nobre de São Paulo, nenhum outro fato mais marcante ocorreu que explique o tombo da nossa estimada candidata pneumática, que não a publicação de sua história como CC do ex-marido no Congresso, onde praticava a nobre arte de estar em nenhum lugar ao mesmo tempo, recebendo um polpudo salário para isso.

Candidatos que posam de vestais sofrem quando cai o manto, não é mesmo? E nada disso teria acontecido se não houvesse uma nova imprensa, com outros alinhamentos, com outros espaços e credibilidade para dizer e impactar. Esse é o maravilhoso mundo da imprensa pós-industrial, caros leitores.

Eu sempre defendi aqui nesse nobre espaço a tese de que era hora de a esquerda parar de chorar pitanga e reclamar do tal e inventado PIG, e ir lá criar os seus veículos. Cá estamos, cá vivemos. Muito melhor do que antes, não parece a todos?

Do lado de cá, existe um veículo, do lado daí, existem leitores, e a massa crítica atingida parece ser suficiente para alterar a programação que o lado de lá sempre fez e sempre conduziu porque podia. Não pode mais, e essa é a marca dos nossos tempos.

A candidata dos bispos, aka Marina Silva, também tentou se valer do sistema antigo, das manchetes construtoras de realidades de isopor, e também fraquejou diante das novas formas de construção de estados de coisas. Ela vai lá e fala, a VEJA vai lá e propaga, as redes sociais vêm e acabam com a festa. Um ator americano faz um vídeo de apoio a ela, descobre pelo tuíter que a moça não gosta que os gays tenham direitos constitucionais, retira o apoio, a atmosfera tuiteira entra em efervescência, o mundo que interessa fica sabendo e reage. Bye, bye, Marina.

Hollywood descobriu isso há algum tempo. Eles gastam milhões divulgando o blockbuster mais recente. O público cai na esparrela e vai assistir. De dentro da sala, nos primeiros minutos, começam a teclar dizendo que o filme é uma solene droga, e pimba, o poder do marketing se esfarela. Assim andamos.

Na eleição americana de 2012, um vídeo feito em um smartphone, mostrando o candidato republicano espalhando maldades sobre o povinho americano acabou com uma campanha bilionária da direita. O vídeo não foi divulgado nas emissoras de tevê, mas no blog Mother Jones, e a casa caiu para Mitt Romney. Em 2007, na primeira eleição de Obama, o Huffington Post foi capaz de enfrentar toda a Fox News e sua fábrica de maluquices de direita. Ali a indústria descobriu que era praticamente impotente na luta com a pós-indústria.

Duvido que a Amélia tenha anotado ou compreendido a lição.

O que você, caro leitor, você, outro caro leitor, e o senhor aqui ao lado precisam entender, é que boa parte dos veículos que hoje estão por aí vão desaparecer em pouco tempo. Hoje mesmo o estimado New York Times reduziu sua equipe, assim como todos os demais jornais do mundo, exceção, taaalvez, do The Guardian, que deve ser o veículo tradicional que melhor se move nos novos tempos. A imprensa que a gente conhece está sumindo e vai sumir. O que vem depois, não sabemos, e nada garante que seja melhor. Povo passa a vida berrando contra a imprensa burguesa e de repente a igreja Universal compra a Folha. Melhor?

O que pode e deve ser feito é o que está sendo feito aqui mesmo. A criação de novos veículos, surgidos sob uma nova lógica, produzindo, processando, traduzindo a comunicação para um universo de pessoas cheias de informação e órfãs de significados. É importante compreender que não é na ausência dos antigos, mas na construção dos novos que está a chave do sucesso. Perfilzinho no Facebook não resolve a vida. Criar um anti-FB resolve, ou ajuda. Precisamos de muito mais ainda, por ser inventado.

O que vem ainda não chegou, está vindo. Mas, felizmente, parte já chegou, e bem na hora de estragar a festa de Amélia e associados. Com isso, já estamos justificados, e, o melhor é saber que a festa mal começou.

E ademã, e vamos em frente.

Marcelo Carneiro da Cunha é escritor.


http://www.sul21.com.br/jornal/amelia-e-a-nova-midia/


1.10.14

#‎ExílioECanções‬

Às 23h o ‪#‎ExílioECanções‬ recebe a escritora Ana Maria Machado. No início de 1970, logo após a decretação do AI-5, Ana foi presa e, pouco tempo depois, deixou o Brasil. Ela conta sua trajetória no exílio, rumo à Europa, e relembra a música "Sabiá", que marcou sua vida naquele período. http://ebcnare.de/ZpB9Kk

01/10/2014 às 23:00

TV Brasil

La emotiva entrevista a Estela e Ignacio Carlotto

POLÍTICA • El nieto de Estela • Martes 30 de Septiembre de 2014 | 23:27

La emotiva entrevista a Estela e Ignacio Carlotto

La titular de Abuelas de Plaza de Mayo y su nieto, recuperado este año, dialogaron en Línea de Tiempo, por la TV Pública. La titular de Abuelas de Plaza de Mayo habló de una "catarata de consultas" de chicos con dudas sobre su identidad.

Estela de Carlotto e Ignacio Montoya Carlotto dialogaron en la TV Pública con Matías Martín sobre cómo se acomodan a su flamante relación, desde que el 5 de agosto de este año el joven pudo recuperar su identidad.

"Hubo una catarata de consultas", reconoció Carlotto respecto a los efectos que trajo la noticia de la aparición de Guido. Su nieto se refirió a las dudad sobre su identidad como "una serie de ruidos internos que molestan. Es como el ruido de la heladera, cuando se corta sentís alivio".

"Se encontró con dos familias que sin conocerlo lo han querido desde siempre", dijo emocionada la abuela de Guido. "Todo encuentro es liberador", amplió.

"Si tratamos de devolver el golpe nos convertimos en lo mismo contra lo que peleamos, aunque a veces uno tiene ganas" (Guido)

"Hubo una situación muy delicada, porque no era solamente encontrar mi identidad, sino tener un equilibrio entre lo que fui y lo que soy", explicó Guido. Sobre su obra como músico, apuntó: "Yo no empecé a escribir a partir de esto, escribo lo mismo que antes. Es la misma temática, aunque seguramente algunos resortes se empezarán a mover. Como artista me discubrí antes".

"De esta manera vencemos 30.000 muertes, aunque en la vida real no vuelven, la vencemos de manera poética", dijo Guido sobre el significado de la reaparición de los nietos recuperados.

"Yo tengo el nombre de quien mató a Laura y muchas veces me preguntan qué le haría si me lo encontrara: sentiría lástima, porque es alguien que perdió la humanidad" (Estela)

A su tiempo, Carlotto se tomó un momento para hacer una autocrítica por su actitud antes de la llegada de la última dictadura militar. "Me alegré cuando llevo la Revolución Libertadora(el golpe de Estado que derrocó a Juan Perón). Salí a festejar con una escarapela, como estos que se ponen una escarapela para mostrar lo que no son. Laura era una bebita y si yo y otros hubiéramos salido a luchar, aquella hubiera sido al ultima dictadura. Felizmente, mis hijos me hicieron ver otra realidad".

Luego, abuela y nieto hablaron sobre cómo viven el asesinato de Laura Carlotto y Walmir Oscar Montoya. "Si tratamos de devolver el golpe nos convertimos en lo mismo contra lo que peleamos, aunque a veces uno tiene ganas. Es una pelea interna que tenemos", reflexionó él. A su tiempo, Estela fue lapidaria: "Yo tengo el nombre de quien mató a Laura y muchas veces me preguntan qué le haría si me lo encontrara: sentiría lástima, porque es alguien que perdió la humanidad".


http://www.infonews.com/2014/09/30/politica-164986-la-emotiva-entrevista-a-estela-e-ignacio-carlotto-el-nieto-de-estela.php



Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz