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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

2.1.09

Abertas as inscrições para o FSM 2009

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL . Fórum Social Mundial 2009 será realizado de 27 de janeiro a 1° de fevereiro, em Belém, no Pará. Inscrições para atividades e organizações já podem ser feitas pela internet. Em uma segunda etapa, serão abertas as inscrições individuais, para atividades culturais e imprensa. Marcha de abertura será no dia 27 de janeiro.
. Redação - Carta Maior .
Já estão abertas as inscrições para atividades e organizações que desejem participar do Fórum Social Mundial 2009, que será realizado de 27 de janeiro a 1° de fevereiro, em Belém, no Pará. As inscrições podem ser feitas pelo site do FSM 2009. Numa segunda etapa, serão abertas as inscrições individuais, para atividades culturais e imprensa. Apenas organizações poderão inscrever atividades que farão parte da programação do Fórum.
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Todas as atividades inscritas serão autogestionadas, ou seja, as organizações proponentes devem se encarregar de definir o formato das mesmas, nomes de palestrantes e outras questões. A organização do FSM garantirá o local para a realização da atividade e também se responsabiliza pela divulgação da mesma no site do fórum.
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O território onde serão realizadas as atividades do Fórum é composto pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), uma área verde margeada pelo rio Guamá e pela floresta.
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Marcha de abertura no dia 27
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Alguns pontos da programação já estão definidos. A marcha de abertura ocorrerá na tarde do dia 27 de janeiro. O dia 28 será o Dia da Pan-Amazônia: 500 anos de resistência, conquistas e perspectivas afro-indígena e popular. Essa data será dedicada a levar ao mundo as vozes da Amazônia, por meio de diversas atividades, como testemunhos, conferências, celebrações e mostras culturais. De 29 a 31 de janeiro serão realizadas as demais atividades auto-gestionadas. Por fim, no dia 1° de fevereiro, ocorrerá o encerramento do FSM 2009, com ações descentralizadas e auto-gestionadas, onde devem ser apresentados os acordos, declarações e alianças construídos no decorrer do evento.
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Acampamento da Juventude
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Como nas edições anteriores do FSM, o Acampamento Intercontinental da Juventude alojará milhares de participantes do evento, funcionando como um espaço com vida própria, com programações culturais e políticas. O Acampamento estará localizado dentro do território do Fórum, na Universidade Federal Rural da Amazônia.
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O FSM 2009 inaugurará uma nova modalidade de participação para organizações que não poderão estar presentes em Belém, mas pretendem participar do processo de debates. O Conselho Internacional do FSM aprovou um convite para a participação nas atividades de Belém Expandida. Qualquer organização ou movimento poderá inscrever e realizar uma atividade na sua própria cidade ou país, podendo estabelecer conexões com outras atividades do Fórum.
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Para implementar a idéia da Belém Expandida, um território virtual está sendo construído para abrigar iniciativas descentralizadas e conexões com o território amazônico, promovendo a troca de experiências, a construção de convergências e o fortalecimento das alianças. Os momentos de interconexão entre as atividades poderão ser feitos através da internet (em chats de texto, áudio ou videoconferências), ou utilizando outras formas de comunicação (transmissões de rádio, cartas e outros).
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De outubro de 2008 a janeiro de 2009, as organizações que inscreverem atividades nesta modalidade serão estimuladas a buscar parceiros para as suas conexões, bem como serão convidadas a compartilhar o espaço de visibilidade e uso comum para as interconexões no território físico do Fórum Social Mundial, em Belém.
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Fórum Social das Américas
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Iniciou nesta terça-feira (7), na Universidade San Carlos de Guatemala, o III Fórum Social das Américas. Até o dia 12 de outubro, oitocentas organizações e um público esperado de 6 mil pessoas participarão de 356 atividades autogestionadas, entre as quais se encontram 105 seminários, 53 painéis, 28 mesas de diálogo, 91 oficinas, 6 conferências, 26 exposições, 4 celebrações, 50 atividades culturais, grupos temáticos e 15 atividades diversas.
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A “Defesa das condições de vida frente ao capitalismo depredador” foi a temática com mais atividades inscritas, mas os participantes do III FSA também estarão mobilizados para discussões a respeito de outros eixos, como a resistência dos povos frente ao neoliberalismo e à dominação imperial, os desafios do pós-neoliberalismo, a diversidade e a igualdade, a comunicação, a cultura, os povos orginários, afrodescendentes e a juventude. O programa geral do Fórum pode ser visto no site do evento.

Cuba, Revolução, 50

De repente chegaram fotos de uns barbudos, posando como time de futebol, que tinham derrubado uma ditadura na América Central (sic – naquela época ainda não existia para nós o Caribe. Era uma região de “repúblicas bananeiras”, como depreciativamente nos referíamos a uma área de ditaduras – Somoza, Trujillo, Batista – como se fosse um fenômeno exótico na América Latina).
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Aquela ilha tropical começava a surpreender-nos, a falar de revolução em um continente em que essa palavra era reservada para um fenômeno longínquo – a revolução mexicana – e de que desconhecíamos a revolução boliviana de 1952. Revolução, na verdade, para nós, eram a soviética e a chinesa. De repente, começa a se esboçar uma no nosso próprio continente, no nosso tempo político de vida.
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Primeiro, a revolução nos chegava como luta contra o analfabetismo – que passou a representar um elemento essencial da luta emancipatória, a que a Venezuela e a Bolivia viriam a se somar recentemente, como se fossem carimbos de que se trata de processos revolucionários. Depois, as reformas urbana e agrária, as nacionalizações de empresas estrangeiras, mas sobretudo o discurso antimperialista.
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Diante das reações da maior potência imperial da historia da humanidade, Cuba passou logo a identificar-se para nós com revolução – nascia a expressão Revolução Cubana, que nos acompanha a 50 anos. Tudo começado em um primeiro de janeiro, o que passou a dar a essa data uma conotação nova – de tempos novos, de que a pomba no ombro do Fidel quando discursava, era um prenuncio seguro.
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Desde então, revolução, emancipação, dignidade, justiça, exemplo, solidariedade, internacionalismo – e tantas outras palavras, gestos, comportamentos, passaram a se incorporar a nosso mundo, a servir de norte, de referência e a identificar-se com Cuba. Nada foi igual desde que Cuba passou a expressar diante de nós a todos esses valores. Já não podíamos dizer que não eram possíveis, remetê-los para a utopia, como se não fosse possível a um pais ser pobre e ainda assim justo, ainda assim solidário, ainda assim internacionalista.
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Cuba nos trouxe a revolução e o socialismo. O fato de que uma sociedade possa viver não em função do lucro, da ganância, do valor de troca, do mercado, mas das necessidades das pessoas, possa colocar em primeiro lugar a educação, a saúde, a habitação, a cultura – nos aponta o que contrapõe o socialismo ao capitalismo.
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50 anos em que Cuba enfrentou as mais difíceis condições – do bloqueio dos EUA às duas tentativas de invasão do país por parte do governo estadunidense, pelo fim do campo socialista, pelas agressões reiteradas do imperialismo, pelo bloqueio e pelas mentiras – do que diz e do que cala – da imprensa monopolista mundial, pelo período especial e pelas catástrofes naturais. Cuba chega a seus 50 anos de Revolução desmentindo os que diziam que não sobreviveria sem o apoio da URSS, aos que se deslocaram para a Ilha para cobrir a suposta queda do regime cubano depois do fim dos regimes do leste europeu, aos que creiam que o país seria afetado pelas maiores convulsões se Fidel deixasse de estar à cabeça do governo.
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Cuba chega aos 50 anos soberana, decidindo seu futuro a partir de suas próprias experiências, sem nunca ter deixado de ser solidária e internacionalista, nem nos seus momentos de maiores dificuldades. Ao contrário, a Escola Latinoamericana de Medicina expande a quantidade de alunos que formam as primeiras gerações de médicos pobres da América Latina. Mantêm e reforça a Operação Milagre, que já devolveu a visão a mais de um milhão de pessoas. Estende seu trabalho CE combate ao analfabetismo, que possibilitou que a Venezuela e a Bolívia fossem o segundo e o terceiro territórios livres de analfabetismo, como apoio direto e sistemático de Cuba.
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São 50 anos de luta, de dignidade, de busca incessante da construção de uma sociedade justa, de apoio aos que precisam de apoio, de solidariedade com todos os povos do mundo. São 50 anos em que Cuba aponta o caminho da sociedade desmercantilizada, humanista, internacionalista – da sociedade socialista, de José Martí, de Fidel e do Che. .
Postado por Emir Sader - 29/12/2008 às 04:59

Presentinho de ano novo

ANTOLOGIA DO MAU HUMOR (do livro do Ruy Castro: "Mau humor – Uma antologia definitiva de frases venenosas". (Cia. das Letras)
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- A abstinência é uma boa coisa, desde que praticada com moderação. (Anônimo).
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- As mulheres americanas esperam encontrar em seus maridos uma perfeição que as mulheres inglesas só esperam encontrar em seus copeiros. (W. Somerset Maugham)
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- Ninguém até hoje perdeu dinheiro por subestimar a inteligência do povo americano. (H. L. Mencken)
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- Comecei uma dieta, cortei a bebida e as comidas pesadas e, em catorze dias, perdi duas semanas. (Joe. E. Lewis)
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- Quando alguém lhe disser “Não é uma questão de dinheiro, mas de princípios”, pode ter certeza: trata-se de uma questão de dinheiro. (Kim Hubbard)
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(- Não está no livro: “O dinheiro não é tudo, mas as outras coisas custam muito caro.” Groucho Marx)
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- O dinheiro não é tudo na vida. Não se esqueça também do ouro, dos diamantes, da platina e das propriedades. (Tom Jobim)
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- Sou uma ótima dona de casa. Sempre que me divorcio, fico com a casa. (Zsa Zsa Gabor)
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- O economista é um homem que, quando lhe pedimos um número de telefone, ele responde com uma estimativa. (Denis Healey)
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- Egoísta, s.m. Um sujeito mais interessado em si próprio do que em mim. (Ambroise Bierce)
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- Minha receita para enriquecer? Acorde cedo, trabalhe muito e encontre petróleo. (J. Paul Getty)
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- Certa vez em Hollywood eles pensaram em fazer um filme inteligente. Mas se controlaram a tempo. (Wilson Mizner)
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- Um jornal é um instrumento incapaz de discernir entre uma queda de bicicleta e o colapso da civilização. (George Bernard Shaw)
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- Um editor de jornal é alguém que separa o joio do trigo – e publica o joio. (Adlai Stevenson)
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- Fiz um curso de leitura dinâmica e li Guerra e Paz em vinte minutos. Tem a ver com a Rússia. (Woody Allen)
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- O mais perto que cheguei de um ménage à trois foi certa vez quando transei com um esquizofrênico. (Joan Rivers)
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- Não fumo, não bebo, não cheiro. Só minto um pouco. (Tim Maia)
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- A justiça militar está para a justiça assim como a música militar está para a música. (Georges Clemenceau)
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- Imoralidade é a moralidade daqueles que se estão divertindo mais do que nós. (H. L. Mencken)
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- Um moralista é quase sempre um hipócrita. Uma moralista é, invariavelmente, um bagulho. (Oscar Wilde)
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- Não quero puxa-sacos perto de mim. Quero gente que me diga a verdade, mesmo que isso lhe custe o emprego. (Samuel Goldwyn)
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- Acho a televisão muito instrutiva. Quando alguém liga em minha casa, corro è estante e pego um bom livro para ler. (Groucho Marx)
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- A única coisa que nós tínhamos em comum era o dinheiro dele. (Zsa Zsa Gabor)
. Postado por Emir Sader 01/01/2009 às 14:52

FSM de Belém: a hora das alternativas

O Fórum Social Mundial surgiu como alternativa ao Fórum Econômico de Davos, no auge do neoliberalismo no mundo. Primeiro houve as manifestações anti-Davos, na Suíça, até que os movimentos de resistência ao neoliberalismo - conforme proposta de Bernard Cassen - se propuseram a organizar um Forum Social Mundial, antagônico ao de Davos. Porto Alegre foi escolhida como sede, por estar na periferia do capitalismo – vitima preferencial das políticas neoliberais -, na América Latina – onde se desenvolviam lutas importantes de resistência, como a dos zapatistas, do MST, dos movimentos indígenas na Bolívia e no Equador, entre muitos outros –, no Brasil, pela importância que a esquerda brasileira passou a ter – com forças como o PT, a CUT, o MST, entre outras – e em Porto Alegre, pelas políticas de orçamento participativo.
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Os fóruns se caracterizaram pela afirmação de que “Outro mundo é possível”, diante da tentativa do “pensamento único”, do “Consenso de Washington” e do “fim da História”, de que as alternativas políticas deixariam de ter vigência diante de um modelo, que se pretendia incontornável, de “ajustes fiscais”. A adesão de muitas forças políticas – de direita primeiro, depois nacionalistas e social democratas – ao mesmo modelo, poderia induzir à confirmação dessa via única.
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O FSM se opunha frontalmente a essa interpretação reducionista, propondo-se a agrupar todas as forças de oposição ao neoliberalismo – cuja abrangência tinha sido confirmada pelas manifestações contra a OMC, começando por Seattle e estendendo-se depois por muitas outras cidades -, intercambiar experiências e coordenar suas lutas. Numa primeira etapa, se tratou das lutas de resistência à “livre circulação do capital”, à ditadura da economia sobre a esfera social, ao mundo unipolar imperial estadunidense, à devastação ambiental, ao monopólio privado da mídia – entre tantas outras lutas. As mobilizações contra a guerra do Iraque foram o ponto mais alto dessa etapa – mesmo se as ONGs, predominantes na organização dos Fóruns, resistissem sempre à inclusão do tema da guerra e da paz na agenda principal dos encontros.
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As sucessivas crises neoliberais – da mexicana à argentina, passando pela asiática, pela russa, pela brasileira – levaram ao esgotamento do modelo neoliberal e começaram a surgir governos eleitos nessa onda – começando pelo de Hugo Chavez, em 1988, sucedido pela impressionante sucessão de presidentes latino-americanos - Lula, Kirchner, Tabaré, Evo, Rafael Correa, Fernando Lugo - que expressavam a disputa pela hegemonia, que se passava a se colocar como central na luta contra o neoliberalismo.
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Os Fóruns passaram a ter que enfrentar novos dilemas: que atitude tomas diante desses governos, que passaram a representar a avançada na luta contra o neoliberalismo e pela construção de alternativas a esse modelo? Não estavam preparados, porque tinha se organizado para a fase de resistência, limitando sua ação a uma suposta “sociedade civil”, excluindo a esfera política – e, com ela, os partidos, o Estado, os governos, a estratégia. Nesse marco, os Foruns foram girando em falso, deixando de ser o ponto mais alto na luta anti-neoliberal, transferido para governos, de maior ou menor ruptura com esse modelo.
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O próximo Fórum, significativamente realizado na America Latina – elo mais fraco na cadeia neoliberal – tem a possibilidade de superar esse descompasso e redefinir sua esfera de atuação – tanto em relação a restabelecer, de outra forma, as relações entre a esfera social e a política, única forma de disputar uma nova hegemonia, de lutar realmente pela construção do “outro mundo possível”, como na luta contra as guerras imperiais estadunidenses. Seu cenário latino-americano favorece a forte marca continental que deve ter, com análise e balanço dos 10 anos transcorridos desde a eleição do primeiro governo alternativo no continente.
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Por isso, serão temas centrais no Forum de Belém, uma nova arquitetura financeira mundial, a definição de plataformas pós-neoliberais, a construção de processos de paz justos nos epicentros da “guerra infinita” – Iraque, Afeganistão, Palestina, Colômbia -, o avanço na organização da imprensa pública alternativa, os caminhos da luta por um mundo multipolar – entre tantos outros. É o momento da construção de alternativas concretas ao neoliberalismo – a nível mundial, regional e local. É oportunidade do Fórum se reciclar e se colocar à altura do maior desafio que se coloca à esquerda na entrada do novo século. A América Latina tem avançado significativamente nessa direção. Resta ao FSM aceitar o desafio e reinsentar-se claramente na construção do “outro mundo possível”, que já começou, neste lado do mundo, justamente onde o FSM escolheu para sua sede privilegiada. .
Postado por Emir Sader - 25/12/2008 às 06:25

A crise, o neoliberalismo e o capitalismo

Pode-se eleger quem se quiser como personagem de 2008 e de 2009. Este ano e o próximo estão e estarão plenamente envolvidos pelo cenário da crise. Não se trata de Obama e a crise, por exemplo, mas a crise e como Obama reage diante dela, de tal forma ela é determinante e condicionante de tudo.
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Uma crise que começou como mais uma crise financeira, acumulada pelas formas precárias de reagir às bolhas especulativas das crises anteriores, para se estender à estrutura produtiva, gerando um processo recessivo no conjunto da economia, o que, na era de globalização, universaliza a crise. De crise financeira para recessão gera, de crise norte-americana para crise global.
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Dada a crise, o que fazer? O diagnóstico e os remédios refletem a ideologia de cada um.
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Uma primeira linha divisória nas reações à crise está entre os que querem soluções epidérmicas, apenas de apoio às empresas em dificuldades, até que passe a crise a se restabeleçam os mecanismos mercantis impostos pelos liberais ao conjunto da economia. E os que pretendem diminuir os efeitos profundos da crise, impondo mecanismos de regulação, de reativação econômica, que apontem para os mecanismos profundos da crise: a anarquia da competição mercantil no capitalismo.
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Em um segundo plano está a divisão entre os que pretendem apensas domar certos mecanismos mais selvagens do mercado e os que pretendem salvaguardar os interesses da grande maioria da população, resguardando sobre tudo o nível de emprego e penalizando as empresas que mais diretamente promoveram fraudes especulativas.
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No entanto, não bastam medidas defensivas como estas, mesmo quando buscam garantir o nível de emprego como contrapartida para os apoios financeiros governamentais. Porque estas crises se repetirão. Em primeiro lugar, porque elas são a expressão mais clara dos resultados da desregulação econômica, característica típica do neoliberalismo. Ela permitiu que se desse uma gigantesca transferência de capitais do setor produtivo ao especulativo, ao mesmo tempo que garaniu a livre circulação e a liquidez total do capital financeiro, sem regulação e praticamente sem taxação. Voltará a se repetir, como se deu ao longo de toda a década passada e agora ataca no centro do sistema.
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É necessário impor um modelo abertamente anti-neoliberal, que regulamente a circulação do capital financeiro, que centralize o câmbio, que penalize com altas taxas os investimentos especulativos, que submeta, de fato e de direito, os Bancos Centrais aos governos, que priorize o social contra a ditadura da economia, que promova centralmente o mercado interno de consumo de massas, entre outras medidas. E que se comprometa estrategicamente com o desenvolvimento econômico e social como meta central dos governos.
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Porém a lógica da crise reiterada não é apenas do neoliberalismo, ela remete a um mecanismo muito mais profundo e perene, remete ao processo mesmo de acumulação de capital, que teve algumas das suas características acentuadas no neoliberalismo. O capitalismo desenvolve – como o próprio Marx reconheceu no Manifesto Comunista – como nenhum outro tipo de sociedade, as forças produtivas, porém, ao mesmo tempo, não gera os mecanismos de consumo para essa produção multiplicada. Suas crises são sempre de desequilíbrio entre produção – a cuja multiplicação está comprometido, para poder recuperar na massa o que perde em cada produto, ao elevar o gasto em capital constante e diminuir relativamente em capital variável, vinculado à mais valia – e consumo, que podem ser chamadas de crises de superprodução ou de subconsumo. Sempre geram excedente de capital que no neoliberalismo se dirigiu exponencialmente para o setor financeiro e a especulação.
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As crises, tanto as de ciclos curtos, como as de virada de ciclos longos expansivos a recessivos e vice-versa, são parte inerente do capitalismo. Na era neoliberal, tem um componente financeiro, que as desata, mas se estendem ao processo produtivo, conforme a magnitude que tenham – como é o caso da atual. Sua superação só pode se dar com política anticapitalistas, de socialização da produção, de planejamento democraticamente realizado da economia, de poder para os trabalhadores decidirem os destinos econômicos de que eles mesmos são os sujeitos, mas que sofrem como vítimas no capitalismo, onde o poder está nas mãos dos detentores do capital. .
Postado por Emir Sader - 24/12/2008 às 06:00

As vítimas da carnificina têm nome

Por volta das 2h40min do dia 1° de janeiro, bombardeiros israelenses atacaram com mísseis a casa de Nizar Rayyan, líder do Hamas – movimento eleito democraticamente pelos palestinos para dirigi-los -, no campo de refugiados de Jabalia, causando destruição maciça no campo e matando a 16 moradores, 11 dos quais eram crianças. Estes são os nomes das vítimas:
- 49 anos, Nizar Abdul-Qadir Rayyan;
- 40 anos, Nawal Ismail Rayyan;
- 46 anos, Hyiam Abdul-Rahman Rayyan;
- 45 anos, Iman Khalil Rayyan;
- 25 anos, Shirin Said Rayyan;
- 2 anos, As'ad Nizar Rayyan;
- 3 anos, Usama Nizar Rayyan;
- 3 anos, Aiysha Nizar Rayyan;
- 4 anos, Reem Nizar Rayyan;
- 5 anos, Halima Nizar Rayyan;
- 5 anos, Meryam Nizar Rayyan;
- 6 anos, Abdul-Rahman Nizar Rayyan;
- 12 anos, Abdul-Qadir Nizar Rayyan;
- 12 anos, Ayia Nizar Rayyan;
- 15 anos, Zainab Nizar Rayyan;
- 16 anos, Ghassan Nizar Rayyan;
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As vítimas eram da mesma familia. 12 outras pessoas, dentre elas 5 crianças e uma mulher, ficaram feridas. Foram destruídas 10 casas e foram atingidas outras dezenas.
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No mesmo dia, os bombardeiros israelenses atingiram a Mesquita Al-Khulafa, perto da casa de Rayyan, destruindo-a completamente e causando danos em dezenas de casas da área. Simultaneamente outra área foi bombardeada por três mísseis, no norte de Gaza, matando duas crianças. Seus nomes:
Oyoun Jihad Na-Naslah, de 6 anos, e seu irmão, Al-Muoíz.
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Os aviões israelenses bombardearam um campo de refugiados na cidade de Al-Qarara, matando três crianças que brincavam numa casa. Seus nomes:
- Abdul-Sattar Al Astal, de 8 anos
- Iyad Abed-Rabu Al Astal, de 9 anos e seu irmão,
- Mohammed Abed-Rabu Al Astal, de 12 anos.
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Esses alguns dos já mais de 400 vítimas da carnficina promovida por Israel. O direito à vida e a uma vida tranqüila parece valer somente para eles, não importando se assassinam friamente a crianças palestinas, cuja humanidade é desconhecida pela frieza dos números de vitimas. Para a imprensa, houve apenas a morte de um dirigente do Hamas. Mas se trata da longa lista de vítimas do novo holocausto, que agora tem a Israel como verdugo, como agente de crimes contra a humanidade. .
Postado por Emir Sader - 02/01/2009 às 11:37

Para não sermos cúmplices do novo holocausto

Nada mais parecido com a tentativa de extermínio pelo nazismo de judeus, comunistas, esquerdistas em geral, ciganos, do que o que Israel tenta fazer com os palestinos; um holocausto que reproduz, da forma mais parecida possível o produzido pelos nazistas na Alemanha. Tornado Estado racista, de apartheid, odioso e odiado por todos os outros povos do mundo (entre as centenas manifestações de protestos pelos massacres contra Gaza, nenhuma de apoio a Israel), que sobrevive somente graças ao maior apoio militar dos EUA no mundo, como seu braço imperial no Oriente Médio, e ao silêncio cúmplice de europeus, Israel tem que ser repudiado em todas as instâncias possíveis.
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O Parlamento brasileiro tem que rejeitar imediatamente a proposta de um inconcebível Tratado de Livre Comércio do Mercosul com Israel. Para que se assinaria um Tratado desse tipo? Para que sigam angariando recursos, que vão fomentar a militarização permanente de um Estado que pratica o holocausto contra os palestinos? Não fazê-lo de imediato é ser cúmplice dos massacres israelenses contra o direito, reconhecido pelas Nações Unidas, de que a Palestina tenha um Estado soberano, da mesma forma que Israel o tem.
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O governo brasileiro deve chamar imediatamente seu embaixador em Israel, para demonstrar que esse expediente é parte da política externa brasileira não apenas quando se acredita que os interesses econômicos do país podem estar em jogo, mas também na denúncia dos crimes contra a humanidade, como os praticados por Israel. O embaixador não deve retornar antes que Israel cesse completamente as agressões e os assassinatos em massa contra Gaza e qualquer outro território palestino.
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Lula deve confirmar sua viagem ao Oriente Médio, mas deve suspender sua visita a Israel, como protesto pelo genocídio que Israel faz contra os palestinos, não ouvindo os apelos da comunidade internacional para que cessem os bombardeios, sentindo-se imune de qualquer justiça internacional, pelo apoio que tem de seu estreito aliado – os EUA. Lula deve viajar à Palestina, a todas as regiões dos territórios ocupados pelas forças coloniais israelenses, incluída Gaza, conversar com todas as forças que representam os palestinos, incluídos os representantes eleitos democraticamente pelo voto popular para dirigir a Palestina, ainda que não reconhecidos pelas potências ocidentais.
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Todas as instituições brasileiras – universidades entre elas, ministérios, governos – que tenham algum tipo de acordo ou convênio com Israel, devem denunciá-los imediatamente. Israel e seus representantes tem que ser repudiados em todos os lugares – embaixadas, consulados, recepções, etc.
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Para não sermos cúmplices do novo holocausto, da tentativa de extermínio do povo palestino, da ofensiva nazista de Israel contra Gaza. .
Postado por Emir Sader - 31/12/2008 às 05:10

As melhores e as piores coisas de 2008

Na minha opinião e para o meu gosto, as melhores coisas do ano foram:
- Verissimo – sempre, a única leitura indispensável na imprensa brasileira;
- José Luis Fiori – o grande teórico político brasileiro (últimos livros, "O Poder Global", Boitempo, e O Mito do Colpaso do Poder Americano, Record).
- Evo e o povo boliviano.
- Escola Nacional Florestan Fernandes, do MST. .
- Dilma Roussef, a cara do governo que dá certo.
- Estômago, filme brasileiro.
- Leonel Messi
E as piores foram:
- Gilmar Mendes
- FSP (Força Serra Presidente)
- Editorias econômicas, que venderam mentiras e não tiveram coragem de fazer uma autocrítica.
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- Brasileirão, pelo baixo nível do futebol
Postado por Emir Sader - 12/12/2008 às 19:41

Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz