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"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

15.3.21

Como provar que Lula é inocente para quem não quer acreditar

Como provar que Lula é inocente para quem não quer acreditar

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Por Maria Júlia Morenno

Por que Lula foi condenado?

Porque atribuíram a ele um tríplex que nunca o pertenceu. O juiz Sérgio Moro e o TRF-4 consideraram que o apartamento seria pagamento por corrupção e uma forma de lavar dinheiro.

Os juízes estão errados?

Sim. Estão errados.

A condenação é injusta?

Sim. Lula é 100% inocente. Ele não cometeu nenhum crime.

Mas vi por aí que tem recibo, vídeo de visita ao prédio e tudo o mais…

Não há nenhuma prova. Vamos discutir cada uma dessas alegações.

Tá bom, vou começar. Qual a relação do Lula com o apartamento no Guarujá?

Em 2005, dona Marisa comprou uma cota para adquirir um apartamento no edifício Solaris, o ap. 141. E ela pagou as prestações normais até 2009, quando a construtora original, a Bancoop, faliu.

E aí?

Aí a OAS assumiu a construção.

OAS, aquela enrolada na Lava-Jato por causa da roubalheira na Petrobrás?

Não. A OAS da Petrobrás é a Construtora OAS. A do prédio é a OAS Empreendimentos. São caixas separados de um mesmo grupo.

Hum. E o que aconteceu?

A OAS propôs para ele e para a Marisa um apartamento maior, o número 164-A. O tal tríplex.

Taí: corrupção!

De jeito nenhum. Ficou combinado entre Lula e Leo Pinheiro – então presidente da empresa – que a OAS poderia fazer a reforma sem compromisso. Se Lula e Marisa gostassem, comprariam pelo preço de mercado.

Ahá! Então o Lula visitou mesmo o prédio?

Visitou, sim. Com o Leo Pinheiro. Ele nunca negou isso. Tem vídeo e tudo.

Mas como o presidente da construtora se presta ao papel de corretor?

O cliente potencial era um ex-presidente da República. É praxe no mercado colocar o executivo mais graúdo no trato com autoridades e ex-autoridades.

E a Marisa foi mais de uma vez?

Sim. Ela foi duas vezes.

Por quê?

Porque ela não havia gostado do apartamento. O Leo Pinheiro perguntou como ela acharia que ficaria melhor. Ela deu palpites, sempre sem compromisso.

Mas a OAS não estava fazendo isso a troco de nada.

Claro que não. A construtora queria influenciar o presidente, manter boas relações. Novamente, esse tipo de assédio é comum no mundo dos negócios.

Assédio, não! É corrupção!

Não. Primeiro porque não havia obrigação de compra, mas se o casal Lula quisesse comprar, pagaria o preço de mercado. Segundo – e principal: quem se corrompe tem de dar algo em troca.

Aposto que o Lula deu.

Não deu, não. Quem diz isso não sou eu, é o próprio Sérgio Moro. Ele reconhece que um eventual dinheiro da OAS não foi usado no tríplex.

Como assim? O Moro reconhece que não houve corrupção?

Está lá na sentença dele: "Este Juízo jamais afirmou, na sentença ou em lugar algum, que os valores obtidos pela construtora OAS nos contratos com a Petrobras foram utilizados para pagamento da vantagem indevida para o ex-presidente".

Peraí, não pode ser! Tem várias provas de que ele o Lula recebeu o tríplex por corrupção.

Vamos examinar essas "provas". Mas podemos concordar numa coisa pelo menos? O Lula nunca foi o dono de fato do imóvel.

Certo, mas geralmente os corruptos usam laranjas.

Mas no caso a dona era a própria OAS. E o imóvel foi usado como garantia da construtora numa outra operação. Você não faz isso com um imóvel que não é seu ou que está reservado para outra pessoa.

Qual o número do tríplex?

Ap. 164-A.

E do apartamento em que eles tinham cotas?

Ap. 141.

Agora eu te peguei! Tem uma prova que é o recibo rasurado de um pagamento da Marisa para a construtora que faliu, a Bancoop.

O recibo não está assinado.

Não importa! Estava escrito "164-A" e alguém escreveu por cima "141". Como você explica isso?

O funcionário da Bancoop preencheu errado, o que invalidou o recibo.

Mentira!

É verdade. De novo, não sou eu quem está dizendo. É a Polícia Federal. A perícia da PF comprova que a rasura foi feita quando as três vias estavam no mesmo documento.

Mas se o recibo estava incorreto, o funcionário precisa ter feito outro! A Marisa tinha esse recibo?

Sim.

Sério?

Sério. Está nos autos do processo para quem quiser consultar.

Só que tem uma outra prova: a declaração no imposto de renda do Lula das cotas do ap. 141. Isso é lavagem de dinheiro!

Lavagem como?

Ué, se ofereceram o tríplex, que era o ap. 164-A, não podiam ter declarado o ap. 141!

Ele nunca tive o ap. 164-A. Como poderia declarar o que nunca teve? Não custa lembrar: o tríplex foi uma oferta do Leo Pinheiro sem garantia de compra. Lula e Marisa decidiram não comprar.

Mas se o ap. 141 era da Marisa e do Lula, porque a OAS o vendeu em 2014? Te deixei sem saída, hein!

Porque quando a Bancoop faliu, a Marisa perdeu o prazo para confirmar a possa e pagar o resto para a OAS. O apartamento ficou disponível e a grana dela e do Lula ficou com a construtora. Em 2016, como te falei, eles pediram o dinheiro de volta.

Cara, não é possível que o Lula seja inocente… Tem o depoimento do Leo Pinheiro!

É uma delação premiada. Muitos juristas concordam que é muito, muito complicado considerar uma delação premiada como prova. O delator tem interesse direto em contar algo que o ajude a se safar. Mesmo que seja uma invenção. Ainda mais no caso do Leo Pinheiro, que mudou de opinião enquanto estava preso.

Como assim?

Mesmo quando foi preso pela primeira vez, em novembro de 2014, ele reconheceu que não havia qualquer envolvimento do ex-presidente. Cinco meses depois ele foi solto por decisão do STF e no ano seguinte sua delação foi recusada. Ele foi preso novamente e, sem Lula na delação, a pena de Leo Pinheiro foi aumentada em 10 anos. Foi só depois de sete meses na prisão, condenado a cumprir mais 26 anos que Leo Pinheiro se dobrou e resolveu incriminar Lula para obter uma redução de pena.

E obteve?

Sim. E muito: inacreditáveis 23 anos de redução e foi imediatamente colocado em regime aberto. Um grande negócio, hein! Com Moro, diminuiu de 16 anos (de 26 anos e 7 meses para 10 anos e 8 meses). No TRF-4, a segunda instância do processo, caiu mais 7 anos: para apenas 3 anos e seis meses, o que o levou automaticamente para o regime semi-aberto.

Disso eu não sabia… Mas como terminou a história do apartamento?

A reforma ficou pronta e o Leo Pinheiro avisou o casal Lula e Marisa. Eles não gostaram e não ficaram com o apartamento. Em 2016, eles pediram o dinheiro de volta para a OAS.

E quem é o dono do apartamento hoje?

A OAS sempre foi a dona, mas empenhou o apartamento como garantia de dívidas. Os credores cobraram e Moro decidiu leiloar. Ainda assim, destacou na decisão:

"O imóvel será vendido em leilão público e o produto da venda será depositado em conta judicial, com os valores sendo destinados, após o trânsito em julgado, à vitima no caso de confirmação do confisco ou devolvidos à OAS Empreendimentos ou ao ex-Presidente no caso de não ser confirmado o confisco." 

Ou seja, pra você ver a bizarrice, o dinheiro do leilão ou vai para o Lula ou para o Leo Pinheiro. Seria cômico se não fosse trágico. É absurdamente injusto.

Só isso?

Só.

https://jornalistaslivres.org/como-provar-que-lula-e-inocente-para-quem-nao-quer-acreditar/?fbclid=IwAR2lWiSuw9iLc7I2-XprVkB7Kb9jgLARwH-4OQxAqyFSxl3Zy4wO-BhXUfg#.YE6gEjxHaeM.facebook





Irmão de Pazuello foi acusado de participar de grupo de extermínio no Amazonas

Irmão de Pazuello foi acusado de participar de grupo de extermínio no Amazonas

IN DE OLHO NA POLÍTICA, EM DESTAQUE, PRINCIPAL, ÚLTIMAS

Alberto Pazuello foi preso em flagrante, em 1996, sob a acusação de estuprar e torturar adolescentes e mantê-las sob cárcere privado; ele também responde, 25 anos depois, a um processo por homicídio ocorrido nessa época, em Manaus

Por Alceu Luís Castilho e Leonardo Fuhrmann

Irmão e sócio do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, o empresário Alberto Pazuello foi acusado de participar nos anos 90 de "A Firma", um grupo de extermínio que atuava em Manaus. Com a participação de policiais civis e militares e o apoio ou conivência de autoridades da segurança pública estadual, os primeiros esquadrões da morte surgiram durante a ditadura e foram precursores do que hoje muita gente chama de milícias.

Alberto Pazuello, irmão do ministro: a face oculta da família. (Foto: Reprodução)

Um texto publicado no Estadão, no dia 30 de maio de 1996, traz detalhes relevantes sobre a prisão de Alberto dois dias antes, em sua casa, em Manaus. Título: "Empresário é preso por estupro e tortura". A repórter Kátia Brasil abriu a notícia da seguinte forma:

— Sexo, drogas e videoteipe. Assim vivia o empresário Alberto Pazzuelo, 42 anos, em sua residência, numa área nobre de Manaus , com adolescentes mantidas em cárcere privado. Elas eram atraídas com anúncios em jornal oferecendo R$ 350 para copeiras e domésticas.  

Há um equívoco na grafia do sobrenome, mas se trata mesmo de Alberto, irmão mais velho de Eduardo Pazuello. Nos anos 70, quando o ministro da Saúde ainda era adolescente, ambos eram sócios em uma financiadora no Rio, a S. B. Sabbá, ligada a outro clã amazonense. E eles continuam sócios, agora de três empresas. Uma delas, J. A. Leite Navegação, com longa trajetória nos rios do Amazonas, onde os Pazuello têm histórico familiar e empresarial relacionado à logística.

POLÍCIA APREENDEU PASTA DE COCAÍNA, ARMAS E FITAS COM CENAS DE SEXO

O texto do Estadão, disponível somente no acervo do jornal, continuava descrevendo o flagrante. Alberto estava com as adolescentes J.F.C., de 14 anos, e J.L.F.C., de 17 anos. A vítima mais velha estava beijando os pés do empresário quando a polícia entrou, conforme o relato da delegada. "Com ele, foram apreendidas uma escopeta, pistola automática, cocaína em pó e pasta, maconha, uma filmadora e fitas com cenas de sexo das garotas".

Alberto Pazuello foi para o presídio sob a acusação de porte de drogas e de armas, estupro, atentado violento ao pudor e cárcere privado. Era a segunda vez em que ele era preso. No ano anterior, contava o Estadão em 1996, outra adolescente de 17 anos tinha sido mantida em cárcere privado: "O empresário a deixou cinco dias com os braços amarrados ao exaustor da sauna da casa. A mão direita da jovem teve de ser amputada".

O segundo flagrante foi possível porque duas pessoas — uma delas, uma adolescente de 14 anos — fugiram da mansão, um dia antes da prisão, e denunciaram Alberto. "C.E.P. foi estuprada, já temos o laudo", dizia à reportagem uma segunda delegada, Catarina Torres, da Delegacia de Crimes Contra a Mulher. Na 7ª Delegacia do Amazonas, então comandada por Vera Lúcia Oliveira, J.L.F.C. se viu em um vídeo com lágrimas nos olhos: "Ele me forçava com uma arma e me torturou".

Seriam só crimes praticados por um indivíduo, até hoje sócio do irmão em empresas da família, ou os fatos estavam ligados a um determinado contexto político? O texto da Folha, assinado por André Muggiati dias após a notícia do Estadão, e investigações posteriores sobre Alberto Pazuello mostram que a segunda hipótese foi a mais levada em conta na época.

As notícias do Estadão, em 30 de maio de 1996, estavam relacionadas: Alberto Pazuello era investigado em várias frentes. (Imagem: Reprodução)

Título da Folha no dia 4 de junho de 1996: "Testemunha liga empresário a grupo de extermínio do AM". A grafia do sobrenome continua errada, mas novamente se trata do irmão e sócio do ministro. Vejamos o início do texto:

— Uma testemunha relacionou o empresário Alberto Pazzuelo, preso desde o último dia 28, a um grupo de extermínio que, segundo ela, atua em Manaus (AM). A testemunha, cujo nome vem sendo mantido em sigilo, depôs na semana passada na polícia e no Ministério Público. É uma ex-empregada, que trabalhou na casa de Pazzuelo por três meses. Ela identificou oito policiais como integrantes do grupo, auto-intitulado "A Firma".

O que era A Firma?

CRIMES FORAM INVESTIGADOS POR COMISSÃO DA CÂMARA

Em 1996, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados fez uma série de viagens de apoio às investigações contra essas quadrilhas. Os parlamentares tiveram destaque nas investigações contra a Scuderie Le Cocq, criada no Rio de Janeiro e que na época tinha forte atuação no Espírito Santo. O presidente da comissão era o então deputado federal Hélio Bicudo (PT-SP), falecido em 2018, que havia se destacado nos anos 70 como promotor de Justiça no combate ao esquadrão da morte de São Paulo.

Hélio Bicudo: uma figura central nos anos 70 e 80. (Imagem: Reprodução)

Foi o próprio Bicudo que esteve em Manaus, como líder da caravana da comissão. A situação era vista como muito grave pelos próprios parlamentares. O ex-deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG) lembra que o grupo tinha vínculos com a elite econômica do município e diversos tentáculos dentro dos três poderes do estado. Havia suspeitas de ligação do próprio secretário de Segurança Pública — hoje também falecido — com a Firma, além de pelo menos um deputado estadual. Um radialista ligado a eles divulgava as ações do grupo.

Como acontecia com outros desses grupos, a criação vinha sob o argumento de combater a criminalidade fora do sistema judicial. No entanto, como lembra Miranda, os próprios grupos passam a cometer outros crimes. A Firma era acusada de manter uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes na Amazônia. Um desembargador chegou a ser apontado como um dos clientes da rede.

Hoje procurador de Justiça aposentado, o promotor Carlos Cruz teve papel central nas investigações contra o grupo. "Foi um caso muito difícil, a gente recebia muitas ameaças e teve até ciladas", conta. O apoio da comissão nacional e até de organismos internacionais foram importantes para o prosseguimento das investigações. "O ativista de direitos humanos argentino Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz em 1980, esteve em Manaus e aproveitou para se reunir comigo para falar sobre o assunto", recorda.

EX-EMPREGADA CONTOU TER VISTO DOIS ASSASSINATOS NA CASA DO EMPRESÁRIO 

O nome de Alberto Pazuello apareceu nas investigações pela primeira vez graças ao depoimento a Cruz de uma ex-empregada de sua casa. Ela apontou um compartimento secreto na casa do empresário, que seria usado para guardar grandes quantidades de drogas. E contou ter presenciado dois assassinatos no local. A polícia encontrou diversas marcas de balas nas paredes do quintal. A trabalhadora reconheceu oito policiais como integrantes do grupo.

Quando a testemunha depôs, Alberto estava na cadeia, durante inquérito conduzido pelo delegado Wilsomar Grana. O Jornal do Commercio do dia 23 de junho de 1995 fez o seguinte relato (novamente o sobrenome Pazuello está com grafia incorreta) sobre a prisão dele, no dia anterior, em sua mansão no Parque das Laranjeiras:

— Ao dar voz de prisão a Alberto, este recebeu os policiais civis a bala, e a polícia militar enviou ao local uma tropa da Polícia de Choque, que conseguiu a mansão [sic], desarmar e deter o revoltado Pazzuello.

Enquadrado por porte de armas e de drogas, Alberto Pazuello era apresentado nessa reportagem como o dono da firma J. Leite. É a mesma empresa, a J. A. Leite Navegação, da qual ele se tornou sócio no ano passado, junto com o ministro Eduardo Pazuello e outros irmãos, como mostrou a Agência Sportlight.

O empresário foi solto no mesmo dia, por decisão de um desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ele ficou foragido por dez meses, até ser preso novamente em maio do ano seguinte, graças a uma denúncia anônima. Na ocasião, o empresário se declarou "inocente" e afirmou que as pessoas estavam "mentindo para prejudicá-lo".

Do período, resta um processo que Pazuello responde no 2º Tribunal do Júri de Manaus por homicídio, sem qualquer decisão nesses 25 anos. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público estadual do Amazonas, um dos motivos para a demora foi que alguns documentos do processo foram perdidos e estão tendo de ser restaurados nos autos.

ALBERTO É SÓCIO DE EDUARDO PAZUELLO DESDE A DITADURA

Além de irmãos, o empresário e o general são sócios em pelo menos três empresas, duas fundadas e uma adquirida pelo pai deles, o empresário Nissim Pazuello: a J.A. Leite Navegação, a Petropurus Representações e Comércio de Petróleo (uma rede de postos de combustível) e a N Pazuello E Cia Manaus. Além deles, outros irmãos e parentes têm participação nos negócios.

A J. A. Leite foi criada em 1966, mas a última entrada de Eduardo e Alberto Pazuello na sociedade ocorreu no ano passado. O mesmo ocorreu com a N. Pazuello e Cia, criada pelo pai Nissim Pazuello. Em novembro de 1971, Nissim e os filhos — entre eles Eduardo e Alberto Pazuello — apareciam como sócios da S.B. Sabbá – Crédito, Financiamento e Investimento S/A., controlada por Samuel Benayon Sabbá.

Em uma ata, a família aparece representada na empresa por Artur Soares Amorim, chefe de gabinete do ministro do Planejamento, Roberto Campos, durante o governo Castello Branco. Era o início da ditadura no Brasil — o regime apoiado pelos clãs Pazuello e Sabbá — e as famílias multiplicavam seus tentáculos empresariais.

Com pouco mais de 70 anos, Pazuello leva uma vida discreta no Rio de Janeiro, com a maioria das suas redes sociais fechadas e sem menções ao irmão mais famoso. É possível ver algumas críticas antigas a políticos de esquerda, como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a ex-senadora Marina Silva (Rede). E, principalmente, muitas menções ao seu time do coração, o Flamengo. Outro ponto em comum com o irmão mais novo, que chega a dar entrevistas com uma máscara rubro-negra.

Tanto Alberto Pazuello — por meio de uma das empresas da família — como o ministro Eduardo Pazuello foram procurados pela reportagem para falar desses casos policiais e da história empresarial da família. Até o momento não houve retorno.

| Leonardo Fuhrmann é repórter do De Olho nos Ruralistas |

|| Alceu Luís Castilho é diretor de redação do observatório ||

Foto principal (Reprodução): penitenciária em Manaus onde Alberto Pazuello ficou preso.


https://deolhonosruralistas.com.br/2021/03/15/irmao-de-pazuello-foi-acusado-de-participar-de-grupo-de-exterminio-no-amazonas/



24.2.21

Desvincular recursos do orçamento da saúde e educação fere a Constituição

Desvincular recursos do orçamento da saúde e educação fere a Constituição – Nota da Frente Pela Vida

Protesto contra a PEC 241, depois EC 95, no Rio de Janeiro, em 2016 | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Nós, entidades da área da saúde que fazem parte da Frente pela Vida, apelamos a todos os parlamentares para que atentem para fatos descritos abaixo O direito à saúde é direito social fundamental, assim como a educação, protegido constitucionalmente contra qualquer forma de retrocesso em sua garantia, especialmente a diminuição de seus insuficientes recursos orçamentários. Ainda que a Constituição vede em seu artigo 167, IV, a vinculação de receita de imposto a órgão, fundo ou despesa, excetuou a saúde pública e a educação exatamente pela sua relevância individual e social, tanto que os artigos 198, § 2° e 212 vinculam percentuais mínimos de receitas para a sua sustentabilidade. Ambos os direitos têm caráter prestacional, dependendo de recursos para a sua efetividade, uma vez que podem morrer à míngua se não houver recurso orçamentário suficiente à sua manutenção. A ação estatal na saúde e na educação tem custos, daí a necessidade de ao lado do direito, haver garantia de recursos para a sua satisfação.

Todos sabem que a Constituição mantém como pétreas normas que não podem ser abolidas por emenda constitucional, como as que garantem direitos e garantias individuais, incluídos os direitos sociais considerados fundamentais pelo STF. Assim, saúde e educação são direitos pétreos que não podem ser abolidos sob nenhum pretexto. Isso leva a considerar que normas que dispõem sobre percentuais mínimos de receitas para o financiamento desses direitos também são pétreas dada a sua essencialidade. Sem custeio adequado se estará por via oblíqua abolindo o direito que custa sem o excluir da Constituição. Por isso tais normas são geneticamente pétreas por serem as que garantem a sua efetividade. Desvincular receitas destinadas ao custeio adequado da saúde e da educação se configura, pois, violação ao disposto no artigo 60, § 4°, IV, da Constituição, por configurar retrocesso na garantia de direitos fundamentais ao afetar seus recursos mínimos.

É fato notório que a saúde é subfinanciada há 32 anos, agravada a partir de 2016 pela EC 95 que ao congelar o gasto público por 20 anos, congelou os valores que sustentam a saúde pública ao nível de 2017, corrigido apenas pela inflação. A intensa judicialização da saúde, com mais de 2 milhões de ações judiciais, é o exemplo fiel do subfinanciamento.

Aprovar a desvinculação constitucional de receitas mínimas para o financiamento da saúde é asfixiar o direito consagrado nos artigos 6° e 196 da Constituição, violando a proteção pétrea dos direitos fundamentais. Ao garantir perenidade ao direito à saúde, a Constituição contaminou as normas orçamentárias de garantia de efetividade do direito. A garantia de recursos mínimos para a saúde não pode ser alterada sob pena de se ferir a Constituição, por compor o núcleo essencial do direito.

Rio de Janeiro, 23 de fevereiro de 2021

Frente Pela Vida

https://www.abrasco.org.br/site/noticias/posicionamentos-oficiais-abrasco/desvincular-recursos-do-orcamento-da-saude-e-educacao-fere-a-constituicao-nota-da-frente-pela-vida/56268/?fbclid=IwAR35wMrEBH2RJP-tXsI20ncPGHM4k9QBbR1H77TV2b9dSawCg5Yi5wo3Ibw





10.2.21

Uma nova primavera para os nossos sonhos > nesta quarta, 19h

#PT41Anos 
Uma nova primavera para os nossos sonhos


Live especial de aniversário no dia 10 de fevereiro às 19h! 
Acompanhe no Facebook:
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O PT nasceu da comunhão dos trabalhadores. 
É o partido que provou que é possível transformar a utopia em realidade! 
A vida de cada um de nós é a prova de que o PT mudou a história! 
Vídeo: https://www.facebook.com/pt.brasil/videos/1079423402556353  


"A mais importante lição que o trabalhador brasileiro aprendeu em suas lutas é a de que a democracia é uma conquista que, finalmente, ou se constrói pelas suas mãos ou não virá" Manifesto de Fundação do PT, fevereiro de 1980.


Confira a história da Partido dos Trabalhadores: http://bit.ly/PT-41ANOS  


Programação para comemorar #PT41Anos: de 10 a 27 de fevereiro! 
Confira a programação completa: http://bit.ly/PT-ProgramacaoPT41Anos




8.2.21

Agendas MST 2021: Paulo Freire 100 anos


Caso não esteja visualizando, acesse o preview aqui.  

Solidariedade: a marca registrada do MST

 

A intrusão do coronavírus mostrou para todos a marca registrada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra: a solidariedade para com os mais necessitados e a colaboração entre todos os seus membros em oferecer toneladas de alimentos orgânicos e milhares de quentinhas à população de rua e às periferias pobres das cidades. Esse gesto não é esporádico. Faz parte da ética cotidiana dos assentamentos espalhados por todo o Brasil.

 

Se durante a pandemia que atingiu toda a humanidade tivéssemos seguido os mantras do neoliberalismo e do capitalismo estaríamos perdidos. O que nos está salvando é a vida em primeiro lugar, a solidariedade e cooperação entre todos, a relação e a independência entre os humanos e os países, o cuidado de uns para com os outros, atendendo ao isolamento social, ao uso de máscaras e ao distanciamento de aglomerações, além do cuidado para com a natureza e a defesa de um Estado suficientemente apetrechado para atender as demandas da população. Tais valores são anti-sistêmicos e ausentes na ordem neoliberal e capitalista.

 

Por que dizemos tudo isso? Para mostrar o quão anti-natural, anti-vida e perverso é o sistema imperante neoliberal e capitalista com seu individualismo e sua competição sem nenhuma cooperação. Ele está imperando no Brasil sob um governo de extrema-direita e ultraneoliberal, causando uma verdadeira desgraça coletiva.

 

O MST com sua ética cotidiana de solidariedade e cooperação nos está dando a todos uma lição necessária na linha do Papa Francisco: "ou nos salvamos todos ou ninguém se salva". É pela solidariedade entre todos, testemunhada pelo MST, que podemos nos salvar, na alegre celebração do trabalho e da vida.

 

Leonardo Boff

Ecoteólogo, entusiasta pela existência e pelo exemplo do MST

A edição 2021 é uma homenagem aos 100 anos de Paulo Freire, sendo ele um exemplo para todos nós:

 

"Ao longo de sua vida, ao elaborar seu pensamento, bebeu de diversas teorias para fundamentar os seus valores éticos que tinham por base uma profunda crença na capacidade do ser humano em se educar para participar da construção de um mundo melhor, mais justo" (Sérgio Haddad)

A campanha de solidariedade segue! Doe valores que cabem no seu bolso para que livros façam parte das ações solidárias do MST e para bibliotecas populares!

solidariedade




2.2.21

Livros para conhecer os 37 anos de Movimento Sem Terra! Justiça social e Reforma Agrária Popular!


Caso não esteja visualizando, acesse o preview aqui.  

37 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra!

 

Conheça nossos livros que contam essa história linda da luta pela Reforma Agrária, por justiça social, pela produção agroecológica e pela revolução socialista!

 

Clique nas capas dos livros para saber mais!

Sem terra em cartaz

 

Organizada segundo critérios cronológicos e temáticos, a partir de uma pesquisa cuidadosa que selecionou 440 de um total de mais de 1.200 cartazes preservados em diversas instituições, a narrativa visual de Sem terra em cartaz  resgata a trajetória da luta pela terra no Brasil de meados dos anos 1980 aos dias atuais.

 

Criados por artistas gráficos, em sua maioria militantes anônimos, os cartazes reproduzidos neste livro documentam ações e iniciativas capilarizadas por todo o país, que vão da formação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), seus congressos e encontros, às celebrações do dia do trabalhador do campo, campanhas e jornadas.

Brava gente

 

Bernardo Mançano Fernandes (org); João Pedro Stedile

 

As origens da luta pela reforma agrária, as formas de organização, os projetos desenvolvidos pelo MST nos assentamentos e outras questões que ajudam a conhecer e a compreender este importante movimento social são analisados em longa entrevista concedida por João Pedro Stédile. Um retrato do corpo inteiro do MST, objetivo, claro e sincero.

 

Pedagogia do Movimento Sem-Terra

 

Roseli Caldart

 

O título nos leva a perceber que a história da educação está intimamente vinculada à consolidação de uma cultura política pública, do direito à terra, ao conhecimento, do direito de sermos e de vivermos dignamente. Como interpretar o MST como experiência educativa? Que aprendizado o Movimento traz? Que matrizes pedagógicas recupera? Que papel é colocado para a escola e para os educadores? Essas são algumas das questões centrais deste trabalho. Livro adotado em cursos de Magistério e de Pedagogia.

 

Sem Terrinha, Os – uma história da luta social no Brasil

 

Monyse Ravenna de Sousa Barros

 

A obra de Ravenna apresenta a história social do nascimento de uma geração de camponesas e camponeses organizados na luta pelo direito à terra, desde a infância, denominada Sem Terrinha. Sua pesquisa revela uma nova abordagem da luta social pela narrativa das crianças documentadas na imprensa popular e também da história dos movimentos sociais, marcados pelas gerações que foram forjadas no contexto da luta de classes. Uma leitura necessária e imprescindível para militantes populares, educadoras/es, historiadoras/es e pessoas comprometidas com a defesa dos direitos da infância.

 

Sem Terra com poesia – a arte de recriar a história

 

Roseli Caldart

 

A reedição considerou o pioneirismo da obra e a importância crescente do debate que articula as dimensões da cultura, da educação, da política e da produção no MST, como no conjunto da sociedade. Optou-se por manter o texto original da publicação de 1987 exatamente pelo caráter exploratório da pesquisa que lhe deu origem: trata-se de um dos primeiros estudos realizados sobre o MST. Na época o MST era uma novidade. E era novidade no MST discutir a questão da cultura e do papel da arte e dos artistas na organização, embora já estivessem presentes em seu dia a dia.

 

 

História da luta pela terra e o MST

 

Mitsue Morissawa

 

Um livro escrito para jovens, mas que deve ser lido por todos aqueles que desejam conhecer a luta pela terra em toda a história da humanidade: desde quando a terra era de todos até sua apropriação privada. Uma obra fundamental para se entender a estrutura agrária brasileira, as políticas públicas elaboradas e o surgimento dos diversos movimentos camponeses, entre messiânicos, espontâneos e organizados. A trajetória do MST é contada de modo didático, seguindo sua construção histórica, delineando suas linhas políticas, seu modo de fazer as lutas, seu jeito de se organizar, seus desafios e suas conquistas.

 

 

Produção ecológica de arroz e a Reforma Agrária Popular, A

 

Adalberto Floriano Greco Martins

 

O MST, ao estabelecer uma nova estratégia política para dar conta do novo contexto da luta de classes no campo, expresso pelo novo inimigo, denominado agronegócio, definiu a reforma agrária popular como seu caminho.

Isso implicou na retomada da reflexão sobre a função social dos camponeses assentados, expressa na produção de alimentos de base ecológica e na proteção e recomposição dos recursos da natureza, que são bens comuns da humanidade.

 

 A campanha para contribuição para bibliotecas populares segue firme!

Data: 21 de Janeiro foi o dia falescimento de um dos principais mestres do socialismo, Vladmir Ilich Lenin! 

 

"A ideia básica [de Lenin] consistia em que a revolução não nasce pronta ou acabada - o partido revolucionário do proletariado deveria travar suas batalhas, tendo em vista as combinações que poderiam favorecer, em determinado momento, ou o fortalecimento da democracia, ou o deslocamento desta no sentido de uma democracia operária, ou da tomada do poder" (Florestan Fernandes) 

* Ainda temos alguns kits da Revolução Russa, com "Lenin e a Revolução de Outubro" (Lenin), "Revolução Permanente" (Trotsky) e "Ano I da Revolução Russa" (Victor Serge) que versam sobre o momento revolucionário e a transição socialista (clique na imagem de Lenin!)

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Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz