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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

28.6.15

Folheto de missa critica o avanço do conservadorismo na política brasileira

Folheto de missa critica o avanço do conservadorismo na política brasileira

 

Segundo o padre da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, localizada na região leste de São Paulo, documento pedindo fim da homofobia segue os preceitos papais.

23/06/2015

Por Norma Odara

De São Paulo (SP)

Um folheto de missa trazendo apelos contrários à homofobia e solidários às pessoas LGBT's que sofrem fisicamente e psicologicamente por conta da sua orientação sexual foi divulgado nas redes sociais nesta semana.

 
"Religioões devem servir à humanidade"  | Foto: Reprodução 

O folheto circulou na missa da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, da região episcopal Itaquera-Guaianazes, no domingo (21). Seu texto apresentava argumentos progressistas, anti-homofóbicos e solicitava aos cristãos que desenvolvessem atitudes "samaritanas" junto às pessoas que sofrem insultos de agressores homofóbicos.

O documento também pedia uma ruptura com a "demonização das relações afetivas" e o fim da criminalidade sexual, garantindo-se a toda e qualquer pessoa de decidir sua própria orientação sexual.

"Para que a ofensiva homofóbica, fundamentalista e histérica presente no Congresso Nacional seja enfrentada com ousadia e serenidade; pelo ascenso das causas libertárias, suplicamos", diz um trecho extraído da 'Oração dos fiéis'.

Brasil de Fato entrou em contato com o padre da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, Paulo Sergio Bezerra, que também é diretor da Equipe de redação do Semanário Litúrgico Memorial do Senhor, responsável pelos folhetos.

O religioso ressaltou que o teor do folheto se alinha ao pensamento da Igreja Católica e ao discurso de seu líder. "Nosso posicionamento reflete uma resposta da paróquia aos apelos do Papa Francisco por 'misericórdia' e por uma 'Igreja que não seja uma alfândega'conforme o que está no está no documento Evangelii Gaudium, redigido pelo Sumo Pontífice".

Padre Paulo também falou do posicionamento da bancada evangélica no Congresso Nacional. Segundo ele, a atuação desses parlamentares "é anacrônica e sonha com um Estado Teocrático".

"As religiões devem servir à humanidade, ao belo de Deus e à exigência da Justiça. Entre os cristãos isso se chama testemunhar o Reino de Deus", finalizou o sacerdote.



Foto: Edilson Cruz/ Reprod. Facebook

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A reportagem também entrou em contato com Edilson da Silva Cruz, professor de espanhol na rede municipal e frequentador da Paróquia Nossa Senhora do Carmo. O conteúdo do folheto foi compartilhado a partir de seu perfil no Facebook.

Ele, que também faz parte de grupos de discussões da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT, considerou positiva a circulação de sua postagem. "Me surpreendi porque muitos dos que compartilharam escreveram coisas como 'ainda há esperança', 'dá até vontade de voltar pra igreja', 'nesse Deus eu acredito'", afirmou.

"Pra mim, [foi] um sopro de esperança em meio a tanta violência que testemunhamos diariamente contra a comunidade LGBT e contra todos que são diferentes por vários motivos", declarou Cruz.

Edilson disse ainda que a Paróquia está promovendo um ciclo de palestras aos domingos, na qual se discutem temas que envolvem Igreja e Sociedade. O tema do dia 21/6 foi "Igreja e sexualidades: um diálogo necessário", com palestra do Padre Luis Correia, jesuíta que fez doutorado na PUC-RJ sobre o tema da sexualidades/homoafetividades e religião cristã.

Os próximos encontros debaterão: "Crise política: onda conservadora e avanços democráticos", com a participação do historiador e deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) e "Movimentos Sociais: a outra face da política", com a presença de Guilherme Boulos, do MTST.



"As vitórias contra o racismo e a homofobia são vitórias da Humanidade."

Maringoni: É legal à beça colorir as fotos do Facebook

Publicado em 28/06/2015 

MaringoniPor Gilberto Maringoni.

É legal à beça colorir as fotos do Facebook! Estamos comemorando uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos.

É medida progressista legalizar a união entre pessoas, qualquer que seja a maneira de se amar.

Não é uma vitória do imperialismo e nem de um governo que massacra países e povos, assim como a conquista dos direitos civis, nos EUA dos anos 1960 também não foi.

As vitórias contra o racismo e a homofobia são vitórias da Humanidade.

A decisão da Suprema Corte dos EUA tem dimensões planetárias, pela posição hegemônica do país no mundo.

A luta pela jornada de oito horas teve seu ponto de virada nas jornadas de Chicago, nos anos 1880. A luta pelos direitos das mulheres tem no país um palco importante.

A música americana – em especial o blues, o jazz e o rock – são ritmos nascidos nas comunidades negras e pobres do meio oeste.

Mesmo o inglês, antes de ser a língua do império, é a língua de Shakespeare, de Yeats, de Whitman, de Hemingway, de Fitzgerald, de John dos Passos, de Hawthorne, de Hammett, de Faulkner, de Capote, de Auster e de um timaço de gênios.

A literatura americana, com sua linguagem direta e seca, surgiu a partir dos pulps, revistas impressas em papel barato, destinadas aos trabalhadores, no final dos anos 1800. A partir dali, um novo tipo de narrativa, com diálogos secos e frases enxutas, surgiu na esteira da revolução do jornal, na virada daquele século.

Hugo Chávez, uma vez disse: "Somos antiimperialistas, não somos antiamericanos".

A diferença é essencial.

Não percebê-la significa confundir a ação de um Estado dominado por megacorporações com as demandas e conquistas do povo estadunidense. Implica não perceber algo óbvio: lá também existe luta de classes. E de forma encarniçada.

Estampar o arco-íris nas fotos do Facebook diz mais a respeito da luta contra o obscurantismo aqui dentro do que de decisões tomadas em terras gringas. Aliás, nada mais gringo do que o próprio Facebook, com suas bisbilhotices na privacidade alheia.

É uma boa que isso tenha acontecido, mesmo sabendo que sentença semelhante foi proferida pelo STF daqui há um par de anos.

O que soma não atrapalha.

Especialmente se a causa é generosa e contribui para torpedear o atraso.

***

Na mesa "Que cidade queremos? Apontamentos para o futuro da cidade" do Seminário Internacional Cidades Rebeldes, o Deputado Federal Jean Wyllys falou e da importância de fazer uso das redes sociais na disputa dos valores e do imaginário político. Neste trecho, partindo da afirmação ousada de que "os homossexuais são o grupo mais odiado da história da humanidade", atravessando as mais diversas culturas e civilizações, ele reflete sobre como o fascismo opera e insiste na urgência de lutar por uma democracia efetiva.

***

Gilberto Maringoni é doutor em História Social pela FFLCH-USP e professor adjunto de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC. É autor, entre outros, de A Revolução Venezuelana (Editora Unesp, 2009), Angelo Agostini: a imprensa ilustrada da Corte à Capital Federal – 1864-1910 (Devir, 2011) e da introdução do romance O homem que amava os cachorros, do cubano Leonardo Padura. Cartunista, ilustrou algumas capas de livros publicados pela Boitempo Editorial na Coleção Marx Engels, como o Manifesto comunista. Integra o conselho editorial do selo Barricada, de quadrinhos da Boitempo.


26.6.15

Empresas, governos e artistas mudam foto no Facebook pelo casamento gay

Política

Casamento Gay

Empresas, governos e artistas mudam foto no Facebook pelo casamento gay

por Redação — publicado 26/06/2015 20h08, última modificação 26/06/2015 20h23
Ferramenta que permite adicionar um filtro colorido à foto do perfil viralizou na tarde desta sexta-feira
Divulgação
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liberação do casamento gay nos Estados Unidos virou o assunto no mundo e no Brasil. Embora o tema tenha dividido opiniões, o apoio do Facebook à decisão tomada pela Suprema Corte norte-americana nesta sexta-feira 26 mudou os rumos da discussão.

O próprio criador da rede social, Mark Zuckerberg, decidiu dar publicidade a uma ferramenta disponibilizada a todos os usuários, que agora podem adicionar um filtro colorido (o arco-iris é o simbolo gay) à sua foto de perfil. "BIXA. É mês sagrado no Ismamismo e homossexualidade é pecado", vociferou um seguidor de Zuck. Outro preferiu ironizar: "Gente homofóbica poderia deixar o Facebok imediatamente depois disso."

Imediatamente, usuários da rede, homossexuais e hetorossexuais, passaram a mudar sua foto de perfil, incluindo grandes empresas. Algumas aderiram à ferramenta da rede social, outras customizaram sua homenagem ao dia histórico.

No Brasil, a presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e até a página do Palácio do Planalto alteraram suas imagens. Por aqui a adesão surpreendeu: faculdades, empresas de comunicação, lojas de livro fizeram o mesmo. Artistas como Chico Buarque, Marina Lima e Roberta Sá foram ulguns deles.

Confira algumas imagens:

Mark Zuckerberg
O criador do Facebook lançando novo viral

chico buarque
Chico Buarque postou a foto, mas não mudou a do perfil

Dilma Rousseff
A presidenta Dilma Rousseff também mudou

Palácio do Planalto
Antes, a adesão foi da página do Palácio do Planalto

Lula
Dilma também mudou logo depois do ex-presidente Lula fazer o mesmo

Anistia Internacional
A Anistia Internacional não deixou por menos

Marina Lima
Marina Lima foi outra artista que se expressou favoravelmente ao casamento gay

Alceu Valença
Alceu Valença, em sua nova foto do Facebook

Casper Líbero
A faculdade de comunicação Casper Líbero também mudou sua foto

Rio 2016
A página oficial das Olimpíadas no Brasil

White House
A Casa Branca não usou a ferramenta do Facebook, mas mudou seu logo

Metro
Até o Metro aderiu





Leonardo Boff - de 1 a 4 de julho!


"Hoje nos encontramos numa fase nova na humanidade. Todos estamos regressando à Casa Comum, à Terra: os povos, as sociedades, as culturas e as religiões. Todos trocamos experiências e valores. Todos nos enriquecemos e nos completamos mutuamente. (...)

(...) Vamos rir, chorar e aprender. Aprender especialmente como casar Céu e Terra, vale dizer, como combinar o cotidiano com o surpreendente, a imanência opaca dos dias com a transcendência radiosa do espírito, a vida na plena liberdade com a morte simbolizada como um unir-se com os ancestrais, a felicidade discreta nesse mundo com a grande promessa na eternidade. E, ao final, teremos descoberto mil razões para viver mais e melhor, todos juntos, como uma grande família, na mesma Aldeia Comum, generosa e bela, o planeta Terra."

LEONARDO BOFF. Casamento entre o céu e a terra. Salamandra, Rio de Janeiro, 2001.pg09


Leonardo Boff: 
dia 1/07, 18h, Antônio Prado - Salão da Gruta :: "Saber cuidar. A ética do humano - compaixão pela Terra"
dia 02/07, 19h40, Universidade de Caxias do Sul - Bloco M :: Hospitalidade, Ética e Turismo
dia 03/07, 10h, salão da Igreja Nossa Senhora de Lourdes :: "Cuidado e Solidariedade com a Vida"
dia 03/07, 19h30, Teatro Murialdo :: "Democracia e Direitos Humanos"
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Teólogo Leonardo Boff faz conferência de abertura do 8º Seminário de Pesquisa em Turismo do Mercosul.

Aberta à participação da comunidade, a Grande Roda Temática de Conversação com o teólogo, escritor e professor Leonardo Boff abordará o tema "Hospitalidade, Ética e Turismo".

A conferência de abertura do Seminário será no dia 2 de julho, às 19h40min no UCS Teatro. Para participar da conferência, é possível fazer a inscrição antecipadamente. [Faça AQUI a sua inscrição.] Não será cobrado o ingresso, mas os organizadores pedem a doação de 1 kg de alimento não perecível. Entre as 17h e as 18 horas, Leonardo Boff participa de sessão de autógrafos.

Informações: http://www.ucs.br/site/ucs/noticias/1433165132

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LEONARDO BOFF

Leonardo Boff nasceu em Concórdia, Santa Catarina, aos 14 de dezembro de 1938. É neto de imigrantes italianos da região do Veneto, vindos para o Rio Grande do Sul no final do século XIX.Fez seus estudos primários e secundários em Concórdia-SC, Rio Negro-PR e Agudos-SP. Cursou Filosofia em Curitiba-PR e Teologia em Petrópolis-RJ. Doutorou-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Munique-Alemanha, em 1970. Ingressou na Ordem dos Frades Menores, franciscanos, em 1959.

Durante 22 anos, foi professor de Teologia Sistemática e Ecumênica em Petrópolis, no Instituto Teológico Franciscano. Professor de Teologia e Espiritualidade em vários centros de estudo e universidades no Brasil e no exterior, além de professor-visitante nas universidades de Lisboa (Portugal), Salamanca (Espanha), Harvard (EUA), Basel (Suíça) e Heidelberg (Alemanha).

Esteve presente nos inícios da reflexão que procura articular o discurso indignado frente à miséria e à marginalização com o discurso promissor da fé cristã gênese da conhecida Teologia da Libertação. Foi sempre um ardoroso defensor da causa dos Direitos Humanos, tendo ajudado a formular uma nova perspectiva dos Direitos Humanos a partir da América Latina, com "Direitos à Vida e aos meios de mantê-la com dignidade".

É doutor honoris causa em Política pela universidade de Turim (Itália) e em Teologia pela universidade de Lund (Suécia), tendo ainda sido agraciado com vários prêmios no Brasil e no exterior, por causa de sua luta em favor dos fracos, dos oprimidos e marginalizados e dos Direitos Humanos.

De 1970 a 1985, participou do conselho editorial da Editora Vozes. Neste período, fez parte da coordenação da publicação da coleção "Teologia e Libertação" e da edição das obras completas de C. G. Jung. Foi redator da Revista Eclesiástica Brasileira (1970-1984), da Revista de Cultura Vozes (1984-1992) e da Revista Internacional Concilium (1970-1995).

Em 1984, em razão de suas teses ligadas à Teologia da Libertação, apresentadas no livro "Igreja: Carisma e Poder", foi submetido a um processo pela Sagrada Congregação para a Defesa das Fé, ex Santo Ofício, no Vaticano. Em 1985, foi condenado a um ano de "silêncio obsequioso" e deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano, a pena foi suspensa em 1986, podendo retomar algumas de suas atividades.

››› na cadeira de Galilei Galileu

Em 1992, sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma, renunciou às suas atividades de padre e se auto-promoveu ao estado leigo. "Mudou de trincheira para continuar a mesma luta": continua como teólogo da libertação, escritor, professor e conferencista nos mais diferentes auditórios do Brasil e do estrangeiros, assessor de movimentos sociais de cunho popular libertador, como o Movimento dos Sem Terra e as comunidades eclesiais de base (CEB's), entre outros.

Em 1993 prestou concurso e foi aprovado como professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Em 8 de Dezembro de 2001 foi agraciado com o premio nobel alternativo em Estocolmo (Right Livelihood Award).

Atualmente vive no Jardim Araras, região campestre ecológica do município de Petrópolis-RJ e compartilha vida e sonhos com a educadora/lutadora pelos Direitos a partir de um novo paradigma ecológico, Marcia Maria Monteiro de Miranda. Tornou-se assim 'pai por afinidade' de uma filha e cinco filhos compartilhando as alegrias e dores da maternidade/paternidade responsável. Vive, acompanha e re-cria o desabrochar da vida nos "netos" Marina , Eduardo, Maira, Luca e Yuri.

É autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Ecologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística. A maioria de sua obra está traduzida nos principais idiomas modernos.

http://leonardoboff.com/site/lboff.htm


"ideologia de gênero"? ... que nada! não querem mesmo as lutas e o poder do feminismo!

"ideologia de gênero"? ... que nada! não querem mesmo as lutas e o poder do feminismo!

escutei de um bispo católico que anda amigo de pastores evangélicos... se juntaram nos debates sobre o Plano Municipal de Educação: e ficaram amigos! e encontrram um objetivo comum: contra a ideologia de gênero! SIm SIm provavelmente eles não saibam nem o que é "ideologia" nem "gênero"... mas já entenderam que corre solto pelaí teorias&práticas que desmontam o mundo deles >> dos machos proprietários de plantão na igreja, na família e na escola; na economia, na política e nas ciências: HoRRoriZAi-vOs, senhores! é isto mesmo... o velho mundo de vocês acabou. É hora de afirmar e radicalizar nossa trajetória e espiritualidade. Eis um meu rascunho, quase um roteiro. 

 

Por uma estética do desejo sem culpa (Gênesis 3):

  

Eva, a primeira. A mulher de grandes olhos abertos que viu para além do que a divindade e o homem haviam acertado entre si. Eva, senhora da menina de seus olhos. Vê e deseja. A árvore. O fruto. Entre o olhar e o desejo ela cria o seu próprio corpo, inventa outra fome e se lança de mão e boca. Puro erotismo modelando a carne e projetando alternativas. A árvore? Boa de se comer! Agradável... agradável aos olhos; gostosa na boca se adivinhava. Desejável para dar entendimento. O corpo que se projeta nos gestos, barro de desejo, inventa eroticamente o mundo. Produz conhecimento. Esticar os braços, agarrar com as mãos e colocar na boca. Ele come o que o desejo dela criou. Abrem-se os olhos. Estão nus. Examinados e acareados, Eva e o homem se dividem na culpa e se danam na moral que dita a lei sem os arrepios do desejo. A palavra criadora subordina o desejo inventivo. O trabalho criador amaldiçoa o corpo lúdico e curioso. Houve medo e castigo, o primeiro último dia da criação. 

 

 

Por uma estética do trabalho e seus desejos (Cântico dos Cânticos)

 

A Amante. A mulher de grandes boca e pernas abertas que tomou posse para além do que a divindade e os homens haviam acertado entre si. Ela, senhora da menina dos seus olhos, sua boca, seus seios, suas mãos, seu sexo, seu trabalho, seu amor. Vive e deseja. O homem. A terra. O fruto. Entre o olhar e o desejo ela cria seu próprio corpo, inventa mais de uma fome e se lança na contramão dos mecanismos de controle da terra, da vinha, da cidade, do corpo de mulher, da família. Puro erotismo modelando a carne e projetando alternativas. O homem? Bom de se comer! Agradável aos olhos: imagem de desejar se deixar querer. Gostoso na boca o fruto do trabalho libertado se adivinhava na pele do pastor/homem amado. Gozar na ponta da língua: poesia e orgasmo, sombra do desejo que inventa eroticamente o mundo. Produz conhecimento. Esticar os braços, capinar, lavrar, podar, colher, carregar, juntar, separar... trabalhar o mundo e suas forças como quem se deita com alguém. Ele come o que o desejo/trabalho dela criou. Abrem-se as pernas. Estão nús. Extasiados e cansados, a Amante e o amante dividem o sono e se aconchegam na cama da mãe e seus arrepios de desejo. A palavra criadora se apaixona pelo desejo inventivo. O trabalho criador abençoa o corpo lúdico e curioso. Houve gozo e prazer, um outro dia de trabalho e criação da criação.

 

 

Por uma estética da propriedade e sua erótica (Rute):

 

Rute, a outra. A mulher de grandes ombros curvados que desejou para além do que a divindade e os homens haviam acertado entre si. Rute, menina dos olhos da senhora: Noemi. Vê e trabalha. A terra. Os restos. Entre a produção e a sobra ela cria o seu próprio corpo, inventa outra fome e se lança de corpo inteiro na vinha, na vida, do homem senhor da terra. Puro erotismo que umedece a carne e se projeta num vestido de alternativas. O homem? De idade. Bom de se deixar comer. A terra. Agradável aos olhos. Ela se faz gostosa, na boca do homem se adivinhava. O desejo que constrói entendimento. O corpo que se projeta nos gestos, festa de desejo, inventa eroticamente o mundo, a propriedade, o pão e a família. Ele come o que o desejo dela criou. Abrem-se os olhos. Estão nús. Amedrontados e excitados, Rute se despede do homem antes que seja manhã. Ele enfrenta culpa e moral da lei com os arrepios do desejo. O desejo criador subordina a lei sem paixão. O trabalho braçal abençoa a terra no abraço das mulheres. Houve terra e criança naquele dia de recriação.

 

 

Por uma estética distributiva e seu prazeres (2 Reis 4, 1 a 7):

 

Viúva, a última. A mulher de grande boca aberta que desejou para além do que a divindade, o marido e o credor haviam acertado entre si. A viúva, mãe dos meninos de seus olhos. Vê e grita. Um filho. O outro. Entre a dívida e a escravidão ela fabrica o seu próprio corpo, inventa outra fome e se lança ávida e faminta sobre potes e vasilhas. Puro erotismo modelando as horas e projetando alternativas. O óleo? Bom de ver escorrer. Maravilhoso... de um pote ao outro; um milagre na vida se adivinhava. Milagre para dar entendimento. O corpo que se movimenta entre as vizinhas e suas vasilhas, barro de desejo, inventa eroticamente o mundo, a vida dos filhos. Produz conhecimento. Esticar as mãos e encontrar outras, encher a vida de sentido e azeite. Os meninos comem o que o desejo dela criou. Abrem-se os olhos. Estão salvos. Libertados e cuidados, ela e os filhos aprendem a consumir milagres distribuídos de mão em mão sem os arrepios da lei. A palavra criadora encontra o trabalho comunitário. O desejo inventivo abençoa o corpo cansado e glorioso. Houve fartura e sossego, aquele dia de salvação.

 

 

Por relações reprodutivas libertadoras e o prazer de decidir:

 

Maria, a Virgem. Mulher de grandes ouvidos abertos que ouviu para além do que o deus, o pai e o homem haviam acertado entre si. Maria, senhora do labirinto de ouvir. Ouve e deseja. O filho. O fruto. Entre o ouvir e o desejo ela cria o seu próprio corpo, inventa espaço pra mais alguém e se lança de mãe e boca:

 

O Espírito de Deus está sobre mim... porque eu me ungi dizendo: sim! para anunciar as boas-novas às mulheres, para libertar as sem escolhas, sarar as abortadas e proclamar os tempos de decisão (entre Isaías e Lucas).

Puro erotismo modelando o útero e projetando alternativas. O filho? Bom de se desejar. Agradável... volumoso nas entranhas se adivinhava. Desejável para dar entendimento. O corpo que se projeta no ventre, barro de desejo, inventa eroticamente o mundo. Produz conhecimento. Esticar os braços, aninhar a criança e oferecer o peito. Ele mama o que o desejo dela criou. Abrem-se os olhos. Estão nus. Bem-aventurada e saciado, Maria e o filho se juntam nos arrepios do evangelho com desejo. A palavra criadora convida o desejo inventivo de pescadores e prostitutas. O trabalho reprodutor abençoa o corpo lúdico e sofrido. Houve cruz e castigo, o último primeiro dia de salvação.

 

 

o livro do núcleo de gênero da ESTo livro do núcleo de gênero da EST


Entrevista com Mario Sergio Cortella

Entrevista com Mario Sergio Cortella
24/06/2015


Ronnie Von conversa com o filósofo Mario Sérgio Cortella sobre educação, convivência e ética.


- See 




Jesus realmente existiu?


Jesus realmente existiu?


O personagem mais fascinante da história da humanidade. Quem foi e como viveu Jesus de Nazaré. O que a história e a arqueologia podem nos dizer sobre seu tempo. O Jesus Histórico é o tema do Canal Livre, que recebe o filósofo Mário Sergio Cortella.


"Eu pertenço a uma geração que queria mudar o mundo, fui esmagado, espancado, pulverizado no passado, mas eu continuo sonhando que vale a pena lutar para que as pessoas vivam um pouco melhor e com um maior sentido de igualdade" Pepe Mujica



Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz