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pergunta:

"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

28.8.13

"Seremos escravos da saúde e dos doentes" | Brasil 24/7


247 -
O médico cubano Juan Delgado, de 49 anos, retratado numa imagem do fotógrafo Jarbas Oliveira, em que era vaiado por médicas brasileiras, se disse "impressionado" com a manifestação ocorrida em Fortaleza e deu uma lição em seus agressores. "Me impressionou a manifestação. Diziam que somos escravos, que fôssemos embora do Brasil. Não sei por que diziam isso, não vamos tirar seus postos de trabalho", afirmou ele.

De fato, Delgado e os demais estrangeiros que chegaram ao Brasil irão trabalhar em 701 municípios que não atraíram o interesse de nenhum médico brasileiro, a despeito das bolsas de R$ 10 mil oferecidas pelo governo federal.

Negro, e formado por uma universidade pública de Cuba, Delgado questionou várias vezes o fato de ter sido chamado de "escravo" pelos brasileiros. Ele se disse um homem livre, que veio por vontade própria ao Brasil e disse ainda ter atuado em outras missões humanitárias, em países como o Haiti.

Sobre a escravidão, ele disse algo que poderia ser lembrado pelas próximas gerações de médicos no Brasil. "Isso não é certo, não somos escravos. Seremos escravos da saúde, dos pacientes doentes, de quem estaremos ao lado todo o tempo necessário", afirmou, em depoimento ao jornalista Aguirre Talento, da Folha. "Os médicos brasileiros deveriam fazer o mesmo que nós: ir aos lugares mais pobres prestar assistência".

Ele afirmou ainda que a atuação dos estrangeiros não será simples. "O trabalho vai ser difícil porque vamos a lugares onde nunca esteve um médico e a população vai precisar muito de nossa ajuda", disse. Sobre o desconhecimento da língua portuguesa, disse que não será um empecilho e afirmou que a população brasileira "aceitará muito bem os cubanos".

Responsável pelo corredor polonês armado contra os cubanos, o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, José Maria Pontes, disse que as vaias não eram dirigidas contra os profissionais estrangeiros, mas sim aos gestores do programa Mais Médicos. Um vídeo (assista aqui), no entanto, deixa claro que médicos cubanos, como Juan Delgado, foram cercados e chamados de "escravos" por uma turba selvagem e enfurecida de médicos cearenses. Até agora, o Conselho Federal de Medicina ainda não soltou nenhuma nota condenando o que ocorreu em Fortaleza.

Postada ontem com indignação pelo 247, a imagem da vaia dirigida a Juan Delgado havia sido compartilhada por 185 mil pessoas no Facebook – uma marca histórica e um fenômeno raro na história da internet (saiba mais aqui). O que demonstra o estrago que a classe médica tem feito à própria imagem com os atos de xenofobia e até racismo contra médicos estrangeiros, sobretudo cubanos, que vêm sendo incitados por parte da chamada grande imprensa brasileira (saiba mais em "Eles são responsáveis pelo corredor polonês?")


http://www.brasil247.com/pt/247/saudeebemestar/113085/Seremos-escravos-da-sa%C3%BAde-e-dos-doentes.htm


Medicina no Brasil: temos um novo latifúndio?

Medicina no Brasil: temos um novo latifúndio?

Marília Lomanto Veloso ¹

A Medicina  é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e será exercida sem discriminação de nenhuma natureza. É vedado ao médico: Art. 23. Tratar o ser humano sem civilidade ou consideração, desrespeitar sua dignidade ou discriminá-lo de qualquer forma ou sob qualquer pretexto. Código de Ética Médica


Como interpretar a reação de médicos brasileiros e de dirigentes dos conselhos da categoria que têm se manifestado na mídia e redes sociais sobre a presença de médicos estrangeiros que aqui chegaram através do Programa Mais Médicos
?

Corporativista, reacionária, egoísta, petulante, despeitada, desumana, preconceituosa ou simplesmente inconciliável com a postura minimamente comprometida com a qualidade de vida dos milhares de brasileiros e brasileiras excluídos dos planos privados que comercializam a saúde como um produto de prateleira, tanto mais desvalorizado quanto mais periférico o “ponto de venda” onde esse produto é exibido?

Tudo isso é insuficiente para classificar a atitude e os discursos de médicos brasileiros e de seus conselhos respectivos, em resposta à chegada dos colegas estrangeiros (principalmente os cubanos) que saíram de seus países para cuidar de comunidades invisíveis a muitos que estão protestando, que não enxergam esses espaços como o lugar de identidade de humanos, iguais em direitos à clientela engravatada e de salto alto que habita a urbis. Têm todos, constitucionalmente garantido, o direito à saúde, urbanos, rurais, comunidades indígenas, encastelados, quilombolas, descalços, etiquetas de luxo, descamisados, opressores, oprimidos, independentemente da categoria social, econômica, da raça, da religião, da cor partidária, do lugar onde moram, da língua que falam, da orientação sexual ou da cara com que se apresentam.

Cabe reparos e surpresa, porque emergente de atores sociais que se colocam no topo da pirâmide das profissões preferidas pela elite burguesa, a deselegância das manifestações divulgadas pela mídia, aliada e subserviente dessa mesma elite, a matiz insultuosa, abrutalhada e de conteúdo escancaradamente ideológico e atentatório à dignidade pessoal e profissional dos visitantes, da postura de médicos e de Conselhos Regionais de Medicina que colocam o corporativismo medieval à frente da sensatez e do tratamento respeitoso que devemos a quem pisa este solo democrático que é o Brasil, mais ainda para exercer, legal e legitimamente, um ofício para o qual foi conclamado e não para usurpar lugares e atentar contra as regras impostas e necessárias ao desempenho da atividade médica.

Nesse contexto, causa temor o monstruoso, autoritário e infeliz (eufemismos para encobrir uma denominação linguística mais contundente) discurso criminalizante do presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, divulgado e publicado sem qualquer reserva ou prurido ético, logo, submetido à livre crítica de quem discorda do inusitado procedimento de um profissional de quem se espera equilíbrio emocional, quando trata a questão dos médicos estrangeiros como um caso de polícia. No entendimento do dirigente regional, “Se estiverem irregulares, é exercício ilegal da profissão. E isso é caso de denúncia à polícia”.

Isso significa em bom e claro português que o presidente do CRM de Minas Gerias (e quem com ele concorda) já elabora sobre os médicos estrangeiros um juízo de probabilidade de dano, pior, a vontade de “gerar um risco não tolerado a terceiros”, a ofensa intencional e dolosa à saúde pública, a adoção, como “estilo de vida”, da prática ilegal do exercício da medicina, causando habitual, freqüente e regularmente perigo à saúde pública². Assim, os médicos estrangeiros aqui vieram atentar contra a incolumidade pública, portanto, devem responder pela prática do art. 282 do Código Penal que prescreve: “Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou farmacêutico, sem autorização legal, ou excedendo-lhe os limites: Pena-detenção de 6 (seis meses) a 2 (dois) anos. Parágrafo Único - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se também multa.

A irregularidade se configuraria, então, com a ausência de registro do título e da licença para o exercício da atividade, ainda que diplomado o agente. E já é notícia que os Conselhos estão conduzindo o processo de enfrentamento ao Programa Mais Médicos nessa direção autoritária, como já ocorreu ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco. Revalida ou não registra, instaura inquérito policial, denuncia como incurso nas penas do, 282, sentencia, vai aumentar a população do sistema penal quando veio para contribuir para a vitalidade do sistema de saúde. Que vergonha!

A decisão do presidente do CRM de Minas Gerais de dificultar a intervenção dos médicos estrangeiros não é apenas lamentável, mas ignóbil, preconceituosa, incivilizada e desumana, pior ainda, envilece a classe médica do país, permitindo à opinião pública internacional enxergar esses profissionais sob o viés da insensibilidade com as políticas públicas de garantia da saúde como um bem fundamental e da ausência absoluta de observação aos princípios que fundamentam o Código de Ética Médica.

Mais grave e preocupante ainda é a declaração de dirigente de órgão de classe estimular a categoria, exaltada pela suposta “ameaça” ao lugar que não ocupa (basta a leitura de informações que denunciam a ausência de médicos onde são vitais a comunidades que não oportunizam a construção dos glamurosos shopping centers que são os grandes centros médicos), a fazer o regate histórico do Manual da Inquisição, incitando médicos a se travestirem de inquisitores, para a caça ás bruxas, denunciando os profissionais estrangeiros que estejam atuando no que passou a se constituir um latifúndio de propriedade dos médicos de Minas Gerais.

Clamar pelo sistema penal para investir contra colegas de outras soberanias políticas, revela inconfundível ruptura com princípios universais e internacionalizados de liberdade, de solidariedade e de cooperação entre os povos civilizados. Agitar bandeiras criminalizantes enrubesce a quem tem um mínimo de consciência crítica do que significa para os historicamente oprimidos não ter quem lhes prescreva um medicamento, porque ausentes os protagonistas do dever ético, político, social e humano de estar nos lugares onde esses excluídos fincam sua sobrevicencia.

E mais, criminalizar condutas que atendem ao chamamento de salvar vidas atentam não só contra a dignidade da classe médica no país, mas também contra a dos médicos e médicas recepcionados para cumprirem uma função, antes de socialmente aprovada, politicamente correta e constitucionalmente assegurada. Antes de confrontar a medida, os que se opõem à chegada dos médicos estrangeiros, especialmente os cubanos, contra os quais mais esgrimam o preconceito e estigmatizam, deveriam fazer leituras para além dos tablóides que se acaçapam ao poder e à direita, negando as notícias sobre elogios de publicações internacionais, de Organização Mundial de Saúde, da UNICEF ao sistema de saúde cubano e seus profissionais, as informações sobre Cuba ostentar os melhores indicadores de saúde da América latina, de ter mortalidade infantil inferior à dos Estados Unidos (4,8 por mil), do povo cubano ter a expectativa de vida de 78,8, de o país contar com 78 mil médicos, um por 150 habitantes e de que os médicos cubanos, desde 1062, já trabalharam em 102 países. (Portal Brasil247 Saúde, 24-08-2013).

Não devemos silenciar diante dessa conduta hostil, farpada, indecorosamente corporativista, politicamente condenável, afrontosa à cidadania de profissionais que deveriam ser recepcionados e acolhidos como parceiros nas estratégias do governo, de construção de possibilidades que atendam às demandas suprimidas das comunidades que tanto necessitam de atendimento médico, para garantia da própria essência e respeito á condição humana do povo dessas comunidades.

Que o branco das vestes médicas que tanto se tingem de vermelho em razão do sangue que por vezes são obrigados a deixar fluir nas intervenções que salvam vidas não sejam maculados pela intolerância e a ufania tão desprezíveis quanto a tirania e a opressão dos que se alimentam da truculência para manter suas verdades.

Colocamos nossa militância, nossa solidariedade e nossa condição de advogada à disposição de qualquer médico e médica estrangeiro do Programa Mais Médicos, em defesa da saúde de nosso povo, que sofram qualquer medida que atente contra sua condição de pessoa, de profissional e de cidadão em harmonia com o respeito e a preservação da dignidade humana.



¹ Mestra e Doutora em Direito Penal (PUC/SP)
Professora e Coordenadora do Curso de Direito da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS

Presidente do Juspopuli Escritório de Direitos Humanos
Membro da Associação de Advogados e Advogadas de Trabalhadores Rurais do Estado da Bahia – AATR

Membro da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares - RENAAP


² NUCCI, Guilherme de Souza. Código penal comentado 12. ed. rev. atual e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2012, p.688 e 1087.

Médicos estrangeiros, sejam bem-vindos « Sul 21

28/ago/2013, 8h50min

Médicos estrangeiros, sejam bem-vindos

A chegada de 400 médicos cubanos ao Brasil no último final de semana é uma vitória da sociedade brasileira, fruto do empenho do governo federal, do Programa Mais Médicos e também do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que não se curvaram ante o corporativismo da categoria e colocaram em primeiro lugar o interesse da população mais carente do nosso país.

Desde que o governo anunciou a intenção de contratar médicos estrangeiros para suprir o déficit de profissionais, sobretudo nos municípios menos desenvolvidos, onde médicos brasileiros não desejam atuar, as entidades da categoria, Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação dos Médicos do Brasil (AMB) à frente, têm lançado mão de toda a sorte de argumentos fantasiosos e mentirosos para tentar desmoralizar a iniciativa.

A primeira investida foi falar mal do sistema de saúde de Cuba e da qualidade de seus médicos, o que se mostrou infrutífero, já que a formação médica cubana é reconhecida internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas. Os indicadores de saúde em Cuba são os melhores da América Latina e superam os de muitos países desenvolvidos. O índice de mortalidade infantil (4,8 por mil), por exemplo, é menor do que o dos EUA, e o arquipélago conta com um médico para cada 150 habitantes — uma das melhores médias do mundo.

Em 2012, Cuba formou 11 mil novos médicos em universidades públicas reconhecidas pela qualidade do ensino. A ELAM (Escola Latino-Americano de Medicina de Havana), já recebeu mais de 24 mil estudantes estrangeiros de 116 países, motivo pelo qual foi homenageada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

É bom que se ressalte que todos os 4000 médicos cubanos que atenderão às comunidades dos rincões do Brasil têm especialização em medicina de família — o que significa dizer que são preparados para atuar em clínica geral, pediatria, ginecologia-obstetrícia e fazer pequenas cirurgias. Além disso, 42% deles já trabalharam fora de Cuba, inclusive, em países onde se fala português, como o Timor Leste e nações africanas.

Não há razões para sustentar que as diferenças idiomáticas serão grave empecilho, afinal, há mais de 30 mil médicos cubanos trabalhando em 69 países da América Latina, da África e da Ásia, comunicando-se com pessoas que falam inglês, francês, português e dialetos locais. No Brasil, é certo que não enfrentarão dificuldades intransponíveis, pois além do curso de português oferecido pelo governo, receberão apoio de médicos coordenadores responsáveis por lhes transmitir conhecimentos sobre a cultura da localidade onde irão atuar.

Vale lembrar, já que muito pouco se fala sobre isso, que essa não será a primeira experiência com médicos cubanos no Brasil. Em 1999, no governo do ex-presidente FHC, médicos da ilha foram trazidos para atender em comunidades do Tocantins, Roraima e Amapá, iniciativa que, na época, contou com amplo apoio da grande mídia e daqueles que hoje tanto criticam o governo brasileiro. Prestaram valiosa contribuição, mas acabaram sendo defenestrados pelo corporativismo dos médicos brasileiros, que hoje se mostra tão visceral.

A revalidação do diploma foi outra questão colocada como obstáculo pelas entidades da categoria no Brasil, o que não faz sentido, uma vez que os médicos estrangeiros trabalharão em atividades definidas e por tempo determinado, nos termos do programa do governo federal, e sob critérios estabelecidos para este fim. Revalidar o diploma dos médicos contratados pelo programa os tornaria aptos a praticar medicina em qualquer lugar do país, por tempo indeterminado e disputando com médicos brasileiros, caso lhes interessasse, o cobiçado mercado dos grandes centros.

Curioso é que o CFM exija com tanta ênfase que os médicos estrangeiros passem pelo exame, mas não aceita que médicos formados no Brasil sejam submetidos a avaliações que comprovem suas habilidades e competências para atender a população.

Por fim, depois de tantas argumentações infundadas, o corporativismo sem limites das entidades médicas e dos conservadores em geral elegeu como entrave a remuneração e a forma de contratação dos profissionais cubanos. Isso porque o contrato destes será intermediado pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS), que mantém parcerias semelhantes com outros 58 países para os quais designa médicos de Cuba.

Ao contrário de médicos que, desempregados em seus países de origem, vêm ao Brasil como pessoas físicas, os médicos cubanos são servidores públicos, contratados e remunerados pelo Estado. Assim, mesmo quando atuam fora, mantêm a carreira junto ao Ministério da Saúde de seu país e, terminada a missão (no Brasil ou em qualquer outro país), retornam para Cuba e para seus empregos públicos.

Entre 30% e 40% do valor a ser repassado pelo governo brasileiro por médico constitui taxa dentro dos padrões de Cuba, já que o objetivo é que não haja grande discrepância em relação ao que recebem os que trabalham em empresas ou organismos cubanos. Ademais, embora os críticos da medida não aceitem, os médicos cubanos estão de acordo que parte dos recursos obtidos pela exportação de serviços seja revertida ao conjunto da sociedade de seu país — e não a uma minoria.

Por todas essas razões, é lamentável que os médicos que não querem ir para regiões vulneráveis do nosso país — e têm o direito de fazê-lo–, suas entidades representativas e a grande mídia continuem prestando esse desserviço à sociedade, desinformando a população, plantando inverdades, quando deveriam saudar o desprendimento de quem se dispõe a deixar o seu país, não por um alto salário, mas por enxergar o exercício da medicina sob a óptica do humanismo e da solidariedade.

Que sejam bem-vindos os médicos cubanos, argentinos, portugueses, espanhóis e de todas as outras nacionalidades, agora parceiros do Brasil nessa missão inadiável para levar atendimento básico e de qualidade ao povo brasileiro!

José Dirceu, 67, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT



http://www.sul21.com.br/jornal/2013/08/medicos-estrangeiros-sejam-bem-vindos/


Folha de S.Paulo - Mundo - A mão pesada da Arábia Saudita - 26/08/2013


A mão pesada da Arábia Saudita


Luiz Carlos Bresser-Pereira

Enriquecida pelo petróleo, a ditadura fundamentalista se transformou no maior aliado do Ocidente

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial a história do Oriente Médio é uma história de tragédias, que geralmente tiveram como atores principais um islamismo em busca de um mítico califado e as três potências imperiais: a Grã-Bretanha e a França, que então foram obrigadas a conceder independência aos países sob seu domínio, e os Estados Unidos, a nova potência imperial.

Seu imperialismo deixou de ser formal, mas continuou presente. E o mundo, desde então, foi dividido entre o bem e o mal --entre os povos submissos e os que insistem em manter sua autonomia e por isso são "ameaças à democracia".

Os três países são ricos, já realizaram há muito sua revolução industrial e capitalista. Declaram-se, então, guardiões da democracia, e acusam os países insubmissos de serem autoritários. O que geralmente é verdade, porque são países relativamente pouco desenvolvidos, onde não há condições para uma democracia consolidada.

Seu imperialismo é particularmente violento no Oriente Médio, onde Irã e Síria são os representantes do mal, enquanto países muito mais autoritários, como as monarquias do Golfo Pérsico, são amigos, aliados, fazem parte do lado do bem.

A novidade é o papel ativo que vem assumindo a Arábia Saudita. Enriquecida pelo petróleo, essa ditadura fundamentalista, na qual o desrespeito pelos direitos humanos é incomparavelmente maior do que no Irã ou na Síria, se transformou no principal aliado do Ocidente.

Antes mesmo de as três potências decidirem intervir na Líbia, a Arábia Saudita estava financiando a revolução. Hoje, o país, onde há mais de 30 mil presos políticos, é o principal financiador da rebelião na Síria. Não fossem os sauditas, o governo ditatorial mas secularista da Síria já teria terminado uma guerra civil que já matou mais de 100 mil pessoas. Guerra civil em nome de quê? Da democracia, nos dizem os rebeldes. Mas se o fosse, a Arábia Saudita não os apoiaria.

Hoje o Egito vive uma tragédia. Seu povo realizou uma revolução democrática, mas o governo eleito não conseguiu enfrentar as crises em que o país está imerso, e foi relativamente autoritário, o que levou o povo de volta às ruas.

Desta vez equivocadamente, porque o resultado foi um golpe militar, e o assassinato de mais de mil membros da Irmandade Muçulmana que protestam contra o golpe.

Como no caso da Síria, o golpe militar no Egito conta com o apoio envergonhado das três potências e o apoio decidido da Arábia Saudita. Quando há um ano uma rebelião explodiu no Bahrein contra o regime ditatorial ali existente, quem impediu que a rebelião vencesse foi a Arábia Saudita.

No Brasil, e, mais amplamente, nos países democráticos, sentimos dificuldade em criticar as três potências, enquanto seus inimigos geralmente são regimes autoritários.

Mas o papel desempenhado pela Arábia Saudita resolve essa dúvida. Lá o Ocidente não luta pela democracia; luta apenas pelo seu poder e pela submissão dos que entendem que precisam de autonomia nacional para realizarem sua revolução industrial e capitalista e um dia poderem ser democráticos.


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/125894-a-mao-pesada-da-arabia-saudita.shtml



27.8.13

é no próximo sábado, dia 31

Seminário de Ação Social


com assessoria do Prof. Dr. Laurício Neumann,

de Loiva de Oliveira e Jacira Dias (Cáritas Regional)


31 de Agosto

8h30 às 16h

Centro Diocesano de Formação Pastoral

(Rua Emilio Ataliba Finger, 685 – Colina Sorriso, Caxias do Sul)


Programação:
8h30   - Acolhida e mística inicial
9h      - Análise da realidade e contextualização das práticas sociais,

10h30 - Intervalo
10h45 - Como essa realidade me atinge e atinge a minha prática social?

12h30 - Almoço
13h30 - Como integrar e inovar nossas práticas sociais?

16h    - Envio


Inscrições:
> não haverá custos

> enviar mensagem com o nome e endereço eletrônico para caritascaxias@yahoo.com.br, ou pelo telefone (54) 3211.5032.


Objetivo:
“Fortalecer, integrar e inovar nossas práticas sociais”


Desde já agradecemos pela presença e confiamos nas orações para os bons frutos deste encontro!


Pe. Adilson Zilio

Coordenador Diocesano de Pastoral

26.8.13

Assange denuncia estreita colaboração da Google com o governo dos EUA | Esquerda

Assange denuncia estreita colaboração da Google com o governo dos EUA

Julian Assange descreve a forma como a Google tem procurado aliar-se ao governo norte americano para que este a encare como parceira, "consolidando assim a sua própria segurança". O fundador da Wikileaks refere que a agenda da Google se tem vindo a revelar, em algumas ocasiões, indissociável da agenda do Departamento de Estado dos EUA e que a empresa está, inclusive, "a fazer coisas que a CIA não pode fazer”.
Foto de @Diavolo, flickr.

No seu artigo, publicado no The Stringer este sábado, Julian Assange menciona uma reunião que teve, em 2011, com Eric Schmidt, o então presidente da Google. O representante da empresa de internet visitou Assange em Londres, quando este se encontrava em prisão domiciliária.

"Poder-se-ia supor que, ao visitar-me, estaria a demonstrar que ele e outros grandes da Google estariam secretamente do nosso lado: que apoiavam a luta do Wikileaks pela justiça, a transparência do Governo e a privacidade das pessoas. Mas seria uma suposição falsa. A sua agenda era bastante mais complexa e, como viemos a descobrir, era indissociável da agenda do Departamento de Estado dos EUA", escreve o fundador do Wikileaks.

O pretexto da visita era que o presidente da Google estava a escrever um livro, 'The New Digital Age' que, ao ser publicado, recebeu boas críticas por parte de vários políticos como Bill Clinton, Tony Blair ou Henry Kissinger.

Mas, segundo Assange, o interesse de Eric Schmidt, detentor de um capital de mais de 4500 milhões de euros, não eram as vendas, mas sim que Washington o encarasse como um parceiro e o ajudasse nos seus interesses geopolíticos. “Aliando-se aos EUA, a Google consolida assim a sua própria segurança, em detrimento de todos os competidores”, esclarece Assange.

A visita do presidente da Google, que se fez acompanhar pela sua namorada Lisa Shields, vice presidente de Comunicações da CFR – e que o Wikileaks veio a comprovar ser utilizada como canal de comunicação não oficial de Hillary Clinton -, Scott Malcolmson, ex-conselheiro sénior do Departamento de Estado, e Jared Cohen, ex assessor tanto de Hillary Clinton como de Condoleezza Rice, terá sido, na realidade, e segundo o fundador do Wikileaks, uma visita não oficial do Departamento de Estado dos EUA.

Assange cita ainda documentos da agência de inteligência Stratfor que assinalam Jared Cohen, director da Google Ideias desde 2010, como uma figura chave na colaboração da Google com o governo norte americano. Segundo emails internos da agência, em 2011, Cohen encabeçou missões secretas no Irão e Azerbaijão.

Fred Burton, vice presidente da Stratfor e ex alto funcionário do Departamento de Estado, afirma, nesses documentos, que a Google “está a fazer coisas que a CIA não pode fazer” e que é um “apoio da Casa Branca e do Departamento de Estado”. Burton refere a possibilidade de Cohen poder ser morto ou raptado e afirma que talvez fosse a melhor coisa que poderia acontecer, já que assim se poderia expor o papel secreto da Google nos levantes e torná-la num bode expiatório.

Noutra comunicação interna, Burton esclarece que as suas fontes de informação no que respeita às actividades de Cohen são Marty Lev, diretor de segurança do Google, e Eric Schmidt.

O artigo de Assange revela ainda que Jared Cohen, enquanto trabalhava para o Departamento de Estado dos EUA, participou em inúmeras missões, entre as quais se conta uma viagem ao Afeganistão, durante a qual tentou convencer as quatro maiores companhias de telemóveis a transferirem as suas antenas para bases militares dos Estados Unidos. No Líbano, Cohen trabalhou secretamente para estabelecer um think thank anti Hezbollah e em Londres ofereceu fundos aos executivos de Bollywood para inserirem conteúdos anti extremistas nas suas películas.

“Que a Google estava a receber dinheiro da NSA [Agência de Segurança dos EUA] para facultar dados pessoais dos utilizadores não é surpresa. Quando a Google encontrou o mundo grande e mau, tornou-se grande e má”, remata Julian Assange.



http://www.esquerda.net/artigo/assange-denuncia-estreita-colabora%C3%A7%C3%A3o-da-google-com-o-governo-dos-eua/29117


Crise da mídia: Estadão pode vender sua sede | Brasil 24/7

247 – O grupo O Estado de S. Paulo recebeu autorização de acionistas para captar mais de R$ 260 milhões com a venda de ativos e empréstimos ou financiamentos.

A maior parte dos recursos, R$ 205 milhões, deve vir da venda de oito imóveis da companhia, divididos em três blocos. Em um dos blocos estão os três prédios que abrigam a sede do grupo, na zona Norte de São Paulo.

Também ficou definido que a companhia poderá fazer empréstimos ou financiamentos de até R$ 80 milhões. Outra possibilidade para levantar recursos é a venda de concessões de rádio AM e FM e de TV da Rádio Eldorado, com um valor mínimo total de R$ 58 milhões. Foram aprovadas ainda operações de empréstimo entre empresas do grupo que somam R$ 160 milhões.

No balanço de 2012, o grupo registrou receita líquida de R$ 714,5 milhões, alta de 2% na comparação com os R$ 700,7 milhões de 2011. O lucro líquido atribuível aos acionistas ficou em R$ 38,5 milhões, ante R$ 38,6 milhões do ano anterior. A dívida líquida passou de R$ 81 milhões em 2011 para R$ 77 milhões no ano passado.


http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/112816/Crise-da-m%C3%ADdia-Estad%C3%A3o-pode-vender-sua-sede.htm


Força eleitoral do Mais Médicos alarma mídia e oposição | Blog da Cidadania

Força eleitoral do Mais Médicos alarma mídia e oposição


Na tarde do último sábado, na sede do ministério da Saúde, em São Paulo, o titular da pasta, ministro Alexandre Padilha, deu entrevista a blogueiros a fim de rebater a onda de críticas ao programa que começou pelos setores mais estridentes da classe médica e logo ganhou a simpatia da oposição ao governo Dilma Rousseff e de boa parte da grande imprensa.

Durante mais de três horas, Padilha respondeu aos blogueiros – entre eles, este que escreve – sobre todos os questionamentos, acusações e suposições alarmistas formulados por entidades de classe dos médicos e que estão sendo comprados, acriticamente, por boa parte da grande imprensa.

Quem tiver paciência e tempo, pode assistir à entrevista no vídeo abaixo. A participação deste blogueiro e a resposta do ministro podem ser encontrados a partir de 2:14:29 no vídeo.

Formulei uma questão sobre se haveria planejamento de políticas públicas que formem médicos em regiões e classes sociais que não têm esses profissionais e, também, que incutam nos estudantes de medicina uma visão mais humanista e menos comercial da profissão.

 

 

Durante a entrevista, comentei com o ministro o crescente apoio da sociedade ao programa expresso por pesquisa Datafolha feita em meados deste mês, que revelou que, então, esse apoio ao programa superava a rejeição, tendo atingido, naquela pesquisa, 54% dos entrevistados, enquanto que a rejeição despencou para 40%.

A resposta de Padilha disse tudo sobre as expectativas do governo Dilma em relação ao Mais Médicos:

– E o programa nem começou a funcionar…

A resposta significa o seguinte: se a mera expectativa de implantação do programa Mais Médicos já conquistou a simpatia majoritária – e, segundo informações ainda não confirmadas, crescente na sociedade –, quando cidades ou bairros afastados que não têm médicos passarem a ter, o efeito positivo do programa na popularidade do governo e do próprio ministro da Saúde deverá ser muito maior.

Note-se que a recuperação da popularidade de Dilma já vem sendo atribuída, em alguma medida, ao Mais Médicos. Sobretudo por conta da postura arrogante, elitista e insensível das entidades de classe dos médicos, da oposição e de setores da mídia, que não sabem mais o que inventar para convencer a sociedade de que o programa não é bom.

O que ocorre é que as desculpas das entidades de classe, da mídia e da oposição para atacarem o Mais Médicos são para lá de esfarrapadas.

Primeiro, começaram a dizer que os médicos cubanos não passavam de “curandeiros” e a justificarem com “falta de estrutura” para exercerem seu ofício nesses lugares o desinteresse dos médicos brasileiros em trabalharem em regiões empobrecidas e afastadas. Mas não colou.

Estudos do ministério da Saúde recém-divulgados mostram que o número de equipamentos de saúde – a tal “estrutura” de que os médicos reclamam – aumentaram mais do que o número de médicos nos últimos cinco anos. E, o principal, que hospitais plenamente equipados sofrem com falta de especialistas.

Abaixo, as principais especialidades em falta nas regiões ermas e empobrecidas do país.

- Pediatria

- Neurologia

- Anestesiologia

- Neurocirurgia

- Clínica Médica

- Radiologia

- Cardiologia

- Nefrologia

- Psiquiatria

- Ginecologia

- Ortopedia

- Cirurgia Geral

Diante do enfraquecimento dessas teorias sobre preparo dos profissionais estrangeiros – sobretudo em relação aos cubanos –, por conta dos excelentes currículos deles e do nível de qualidade da Saúde em seus países de origem (Cuba tem indicadores de saúde melhores até do que os dos Estados Unidos)  e com o desmonte da teoria sobre “falta de estrutura”, agora as desculpas corporativistas dos médicos e a gritaria da oposição midiática foram buscar uma outra tábua de salvação.

Com o concurso de procurador do Ministério Público do Trabalho simpático à direita tucano-midiático-médica, esta passa a apelar para condições de “trabalho escravo” a que os médicos cubanos estarão sendo submetidos, já que não embolsarão diretamente os salários de cerca de 10 mil reais que receberão pela prestação de serviços no país.

Os salários serão pagos ao governo cubano, que repassará aos médicos que enviou ao Brasil cerca de ¼ do valor. Contudo, para um cidadão cubano cerca de mil dólares de salário, com casa, comida e demais despesas pagas, é uma fortuna. Ganharão muito mais do que ganhariam em seu país e ninguém os imaginaria vivendo em condições de escravidão só por receberem um salário que poucos brasileiros ganham.

Além disso, muitos dos médicos não-cubanos que estão chegando estavam desempregados em seus países, o que torna o exercício da profissão no Brasil muito mais compensador.

Para enterrar de vez essa história, basta saber que o acordo entre Brasil e Cuba foi referendado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que chancelou esse tipo de acordo entre a ilha caribenha e 58 países que receberam médicos cubanos.

Para quem não sabe o que é a OPAS, trata-se de organização especializada em saúde. Foi criada em 1902 e é a mais antiga agência internacional de saúde do mundo. É um organismo com um século de experiência, dedicado a melhorar as condições de saúde dos países das Américas. A OPAS/OMS também faz parte dos sistemas da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização das Nações Unidas (ONU).

Não se imagina que uma organização como essa apoiasse “trabalho escravo”, pois não?

Além de tudo que entidades médicas têm feito para desinformar a população que será beneficiada pelo Mais Médicos, agora elas dizem que “chamarão a polícia” para prender médicos cubanos que exercerem a profissão no país sem seu aval.

A afirmação é ridícula e não tem amparo legal. Segundo Padilha, todas as medidas judiciais das entidades médicas vêm sendo sucessivamente derrotadas. As entidades terão que cumprir a Medida Provisória que criou o Mais Médicos e expedirem carteiras de identidade médica provisórias que permitam aos médicos estrangeiros trabalharem no país.

Estão apenas fazendo jogo de cena, obviamente.

As razões para toda essa oposição a uma medida cujos benefícios para a população carente são mais do que óbvios, portanto, dividem-se entre corporativistas e políticas.

No caso da oposição corporativista ao Mais Médicos, o sentimento no Ministério da Saúde é de que se subdivide entre preconceito, orgulho e ganância.

O preconceito é ideológico (sobretudo no caso cubano), racial e de classe social, pois os médicos brasileiros ou são de classe média alta ou são ricos mesmo, a despeito das exceções absolutamente minoritárias.

O orgulho ferido dos médicos gritões se deve ao fato de que ficam mal na foto quando a sociedade se dá conta de que estão pouco se lixando para o povo brasileiro e, assim, só pensam em seus confortos pessoais apesar de a grande maioria das universidades nas quais se formaram serem públicas, de forma que estudaram de graça, às custas do dinheiro de todos.

Já a ganância se deve ao fato de que com falta de médicos os ganhos daqueles que quiserem ir para essas regiões desprovidas, tornam-se exorbitantes. Os médicos gritões querem ter reserva de mercado nessas regiões, para uma eventualidade.

Mas o foco do post é a razão política da mídia e da oposição para rejeitarem o programa mais médicos. Imagine você, leitor, o que acontecerá com a imagem do governo Dilma nesses cerca de 700 municípios pelos quais nenhum médico convocado pelo governo para ir trabalhar se interessou. Em alguns desses lugares, há quem já seja idoso e nunca se consultou com um médico…

Além da imagem do governo Dilma, há um outro bônus para o PT que advirá do Mais médicos. Alexandre Padilha, há muito, vem sendo cogitado como candidato ao governo de São Paulo, ano que vem.

Questionei o ministro ao fim da entrevista (em off) e ele rejeitou essa pretensão política, como é óbvio que faria. Contudo, o ganho de popularidade que irá auferir – sobretudo quando o programa começar a funcionar – o tornará um nome muito forte para a sucessão de Geraldo Alckmin e, assim, ele pode se ver “obrigado” a atender o “clamor das ruas”.


http://www.blogdacidadania.com.br/2013/08/forca-eleitoral-do-mais-medicos-alarma-midia-e-oposicao/



Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz