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"Até quando vamos ter que aguentar a apropriação da ideia de 'liberdade de imprensa', de 'liberdade de expressão', pelos proprietários da grande mídia mercantil – os Frias, os Marinhos, os Mesquitas, os Civitas -, que as definem como sua liberdade de dizer o que acham e de designar quem ocupa os espaços escritos, falados e vistos, para reproduzir o mesmo discurso, o pensamento único dos monopólios privados?"

Emir Sader

6.12.16

“Já estamos vivendo uma depressão. Caminhamos para uma convulsão social no país”


5/dez/2016, 7h51min

"Já estamos vivendo uma depressão. Caminhamos para uma convulsão social no país"

Franklin Martins: "A elite brasileira despreza a democracia. É um grupo de predadores. A nossa elite, na verdade, não é uma elite". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Franklin Martins: "A elite brasileira despreza a democracia. É um grupo de predadores. A nossa elite, na verdade, não é uma elite". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Marco Weissheimer 

Em 1964, Franklin Martins tinha 15 anos de idade quando o golpe civil-militar contra o governo de João Goulart virou sua vida ao avesso. Militante do movimento estudantil e repórter iniciante na agência de notícias Interpress, foi se envolvendo cada vez mais na luta de resistência contra a ditadura que teve um de seus ápices em 1969 quando integrou o grupo, formado por militantes da Ação Libertadora Nacional e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro, que seqüestrou o embaixador americano Charles B. Elbrick para forçar o governo militar a libertar 15 presos políticos. A partir dessa ação teve que sair do país. Viveu em Cuba, no Chile, chegou a retornar ao Brasil mas, em 1974, teve que sair mais uma vez, indo para a França. Só voltou em 1977, quando a ditadura começava a dar sinais de exaustão.

Após tornar-se um dos principais jornalistas políticos do país e ser ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Lula, Franklin Martins não imaginava que, 52 anos depois, viveria de novo a experiência de um golpe. "Tenho que fazer um mea culpa. Eu não esperava por isso. Achava que a ditadura tinha ensinado a esquerda e a direita. Nos últimos meses fui obrigado a repensar muitas coisas. A elite brasileira despreza a democracia. É um grupo de predadores. A nossa elite, na verdade, não é uma elite", diz o jornalista que esteve em Porto Alegre na última quinta-feira para participar de um debate sobre Comunicação, Resistência e Democracia, promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras entidades sindicais.

Em entrevista ao Sul21, Franklin Martins fala sobre a experiência de ter vivido dois golpes, aponta as diferenças entre os dois processos históricos, critica a agenda regressiva do governo Temer que vem desmontando de modo acelerado as conquistas sociais dos últimos doze anos e alerta para o momento perigoso que o Brasil está vivendo. "Nós já estamos vivendo uma depressão. A economia caiu cerca de 5% nos últimos dois anos. E não há nenhuma perspectiva de melhora. Para o ano que vem, as estimativas falam de -1%. O clima que está se alastrando no país é muito negativo. Nós estamos caminhando para uma convulsão social no país. Estamos vivendo uma situação dramática por absoluta irresponsabilidade das forças conservadoras no Brasil". 


Sul21: No debate realizado pela CUT na Assembleia Legislativa, você mencionou o fato de já ter experimentado dois golpes de Estado, o de 1964, quando tinha 15 anos, e agora o golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff? Quais são as semelhanças e diferenças entre esses dois momentos históricos? 

Franklin Martins: Nós temos uma tendência de analisar os fenômenos políticos a partir da bagagem que a gente traz na vida. Assim, há uma tendência normal de associar o golpe atual com o golpe de 1964. De certo modo, isso está resumido naquela expressão do Chico (Buarque de Hollanda): "Golpe de novo, não!". Na verdade, são duas coisas diferentes. Os dois são golpes de Estado, são atentados à democracia que, por mecanismos diferentes, depõem presidentes constitucionais. Os dois investem contra direitos dos trabalhadores e tem projetos de uma inserção subserviente e submissa no capitalismo internacional. Mas as diferenças são grandes.

O golpe de 64 foi dado contra um movimento crescente que tinha uma enorme expectativa de mudança. É o período das lutas pelas reformas de base, dos anos dourados, do nacionalismo, industrialização, urbanização, da luta pela reforma agrária, da vitória da Revolução Cubana, da ascensão da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Vivia-se um ambiente de grande expectativa de mudanças no mundo e também aqui no Brasil, com uma mobilização que ainda não tinha sido vista na história do país. O golpe foi dado contra essa expectativa de mudança. O golpe de 2016, por sua vez, não foi dado contra uma expectativa de mudança, mas sim contra a experiência da mudança. Nos últimos doze anos, o povo brasileiro experimentou um processo extraordinariamente amplo e profundo de mudanças que tirou 40 milhões da pobreza, que mostrou que era possível governar o país para a maioria das pessoas.

Neste período de doze anos, houve uma explosão de acesso à educação, à saúde, à luz elétrica, de redução das desigualdades regionais, de crescimento do Nordeste a taxas superiores a das demais regiões do país, fatos que acabaram constituindo um leque extraordinário de mudanças. Tivemos ainda a política das cotas raciais que propiciou um aumento da presença de negros, índios e pobres na universidade, entre outros programas que trouxeram grandes transformações. Então, o golpe não foi dado contra expectativas de mudanças. As pessoas experimentaram a mudança e isso, de certa forma, desnaturalizou o discurso das forças conservadoras no Brasil cuja essência é naturalizar a opressão. A essência desse discurso é mais ou menos a seguinte: eu até gostaria de governar para todo o país, mas não dá; então eu faço o que eu posso. Quanto aos outros dois terços da população, eu lamento, mas não tenho o que fazer.

Franklin Martins participou de um debate sobre Comunicação, Democracia e Resistência, realizado pela CUT, na Assembleia Legislativa. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Franklin Martins participou de um debate sobre Comunicação, Democracia e Resistência, realizado pela CUT, na Assembleia Legislativa. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

O que a experiência dos últimos doze anos mostrou é que o povo não só cabe no Brasil, como não é um peso, um estorvo, algo que precisa ser carregado. Pelo contrário, o povo é um patrimônio e se tiver oportunidade tem uma energia produtiva e criativa extraordinária. Propiciar essa oportunidade é uma condição sine qua non para o Brasil crescer, deixar de ser injusto internamente e se tornar um país importante no mundo. Eu acho que as pessoas tiveram essa experiência. Isso significa que o golpe não foi contra o que poderia ser, mas sim contra o que foi e nós perdemos.

Acredito que a principal fonte de energia política em uma sociedade é a experiência das pessoas. Milhões de pessoas tiveram a experiência de que é possível mudar em um ambiente democrático, sem confrontações sociais. Hoje em dia vejo muitas pessoas dizendo que a experiência mostra que é preciso ter uma revolução, destruir as instituições e reprimir o outro lado para poder conquistar alguma coisa. Acho que é o contrário. A experiência mostrou que com competência, habilidade, firmeza e um norte político claro é possível ter essas conquistas sem rupturas violentas ou esmagamento de setores da sociedade.

A segunda grande diferença entre 2016 e 1964 é que o golpe de 64 foi estrategicamente concebido e acumulado. Ele começa, na verdade, com a tentativa de deposição de Getúlio, em 1954, volta a carga com a tentativa de impedir a posse de JK em 1955, o que se repete com João Goulart em 1961 e, finalmente, se consuma em 1964. Durante dez anos, o Estado Maior das Forças Armadas fez movimentos para tomar o comando da cena política. Eles tinham um projeto que consistia em manter uma inserção submissa do país no cenário internacional, interromper qualquer reforma de base e organizar a economia de forma a criar grandes grupos econômicos que consolidassem a sua ação ao preço de um arrocho brutal. Eles tinham um projeto, um núcleo de comando e estavam dispostos a aniquilar qualquer reação. Quem não entendeu isso, como Magalhães Pinto, Carlos Lacerda, Ademar e o próprio Juscelino, que acharam que um ano depois teria eleições, foram percebendo depois que não era nada daquilo.

Sul21E quais são, na sua avaliação, os traços característicos de golpe de 2016 que se diferenciam deste padrão de 1964?

"O golpe foi dado contra os grandes acertos destes últimos doze anos que demoliram a naturalização da opressão, da exclusão social". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

"O golpe foi dado contra os grandes acertos destes últimos doze anos que demoliram a naturalização da opressão, da exclusão social e da desigualdade". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Franklin Martins: O que aconteceu agora foi um golpe de oportunidade. As forças conservadoras conseguiram atrair forças do centro da sociedade e perceberam que estava diante de uma oportunidade única para interromper o processo de mudanças iniciado há doze anos. Inclua-se neste grupo de forças setores do Judiciário, do Ministério Público, da Policia Federal e da Receita Federal, todas carreiras que ganham muito bem, a mídia, grandes grupos empresariais, especialmente o setor financeiro, e um grupo de partidos comandado pelo PSDB e PMDB. Esse conjunto de forças percebeu que estava diante de um governo enfraquecido e que isso abria uma janela de oportunidade. O golpe foi dado contra os grandes acertos destes últimos doze anos que demoliram a naturalização da opressão, da exclusão social, da desigualdade regional e da submissão internacional.

Todas as políticas implementadas neste período sofreram uma forte resistência. Bolsa Família, aumento real do salário mínimo, Luz para Todos, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, Fies, Prouni, cotas, pré-sal, tudo o que se fez foi objeto de uma reação brutal do outro lado. E eles foram derrotados politicamente em todas essas áreas. Na época da construção do modelo de exploração do pré-sal, que privilegiou a indústria nacional e os investimentos em saúde e educação, os conservadores sequer conseguiram apresentar um projeto diferente no Congresso. Agora, após o golpe, uma de suas primeiras medidas foi apresentar um projeto para mudar o regime de exploração do petróleo. Lá atrás eles foram politicamente derrotados neste debate e, agora, querem fazer tudo rápido justamente para não existir debate. O mesmo se aplica à valorização do salário mínimo, ao Bolsa Família, de onde já estão tirando gente, e a outras políticas.

Além de não ter um projeto, eles também não têm uma liderança clara. Temer é líder de alguma coisa? Temer não é líder de nada. É um sujeito que teve dificuldade para se eleger deputado em São Paulo nas duas últimas eleições que disputou. É um político de ocasião, dos corredores do palácio, das mesóclises. É um político medíocre, um sujeito secundário que viu-se diante de uma oportunidade que, em condições normais, jamais ocorreria.

Sul21Quais foram os elementos que acabaram propiciando o surgimento dessa oportunidade?

"Quando você abdica da disputa política, prevalece aquilo que está naturalizado pelas elites e pelo poder dominante". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

"Quando você abdica da disputa política, prevalece aquilo que está naturalizado pelas elites e pelo poder dominante". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Franklin Martins: Pelos erros que nós cometemos, nós não fizemos a disputa política com a intensidade que deveria ter sido feita e aceitamos, de certo modo, a agenda que o outro lado tentava impor ao país, desde 2010, através da mídia, que é a agenda dos maus feitos. Esses maus feitos têm que ser sempre combatidos, mas o centro da agenda não podia ser esse. Tinha que ser inclusão social, redução das desigualdades e aprofundamento das mudanças. Nós não fizemos essa disputa e, em política, quando você abdica disso, prevalece aquilo que está naturalizado pelas elites e pelo poder dominante.

Eles achavam que iam ganhar as eleições de 2014. Perderam porque a disputa não foi em torno da agenda dos maus feitos, mas sim em torno da alternativa "retrocesso ou aprofundamento das mudanças". Na campanha eleitoral, a presidente Dilma assumiu a agenda e o enfrentamento corretos que tinham ficado meio enevoados durante os anos anteriores, quando faltou uma disputa política mais qualificada. Sem disputa política, a esquerda não consegue formar maioria na sociedade.

Sul21Você fez referência ao papel da mídia neste processo. Uma coisa que parece se repetir em 2016, em 1964 e em anos anteriores, é o comportamento antidemocrático da mídia brasileira. Em todas as tentativas e execuções de golpes, de Getúlio até hoje, ela sempre costuma estar do mesmo lado. Quais são, na sua opinião, as origens dessa postura?

Franklin Martins: Essa não é uma característica só da imprensa brasileira. Com exceções aqui e ali, a imprensa latino-americana segue esse mesmo padrão. De um modo geral, as forças progressistas nunca conseguiram construir um contraponto a esse poder midiático hegemônico. No período do Getúlio, conseguiu construir a Última Hora, mas era algo isolado. Tinha alguma coisa de rádio, a televisão ainda tinha esse peso que tem hoje. Em 64, não houve um quadro de unidade como ocorreu agora, embora os órgãos de imprensa maciçamente tenham apoiado o golpe. O jornal Última Hora, a rádio Roquete Pinto e a TV Excelsior foram exceções e todas elas foram decepadas depois do golpe. Creio que essa tradição está ligada a uma coisa mais profunda que é o fato de nós nunca termos tido no Brasil uma elite apoiada em valores progressistas. Tivemos alguns fenômenos isolados como a campanha pelo abolicionismo e, mais tarde, de uma forma ditatorial, a construção de um Estado nacional com Getúlio. Mas nós nunca tivemos, por um largo período, como ocorre em muitos outros países, a existência de uma elite conservadora e de uma elite progressista com valores democráticos. A elite brasileira é predadora. Ela despreza a democracia e não tem um projeto para o país. Ou seja, a nossa elite não é uma elite.

Outra coisa que pesa no comportamento da mídia brasileira é que o nosso modelo de radiodifusão desde o início está assentado no setor privado, diferente do que ocorreu na Europa, por exemplo, onde ele nasce baseado na comunicação pública e permanece assim até os anos 80. Essa é, aliás, uma das razões pelas quais lá foram criados mecanismos de regulação, para evitar que a comunicação pública fosse apropriada por governos de ocasião como uma comunicação privada. Aqui no Brasil, a comunicação privada se insurgiu desde o primeiro momento contra qualquer limite, como se o espaço eletromagnético que ela ocupa fosse uma propriedade dela e não da sociedade.

"O Brasil é o único grande país do mundo que não tem qualquer tipo de regulação das comunicações eletrônicas". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

"O Brasil é o único grande país do mundo que não tem qualquer tipo de regulação das comunicações eletrônicas". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

O Brasil é o único grande país do mundo que não tem qualquer tipo de regulação das comunicações eletrônicas. Os Estados Unidos não tem uma regulação do padrão europeu, mas têm uma regulação pela via econômica que impede, por exemplo, a propriedade cruzada de meios de comunicação. Se essa regulação fosse aplicada no Brasil, aqui no Rio Grande do Sul quem tivesse emissora de televisão não poderia, ao mesmo tempo, ter rádio e ter jornal. Quem tivesse jornal, não poderia ter rádio ou televisão e assim por diante. Por que isso? Para que a sociedade tenha um mecanismo de defesa contra a monopolização da produção de informação.

No Brasil nós temos uma mídia, não só muito concentrada como, nos últimos dez anos, oligopolizada no sentido de que até a opinião é acertada entre eles. Basta ver a cobertura política que temos hoje. É exatamente a mesma. Nós tivemos grandes manifestações em Brasília contra a PEC 55 que foram fortemente reprimidas. Isso simplesmente não sai na televisão.

Sul21No debate realizado na Assembleia, você falou da falta de unidade que caracteriza o governo golpista e seus aliados em diferentes instituições. Na última quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, confrontou diretamente o juiz Sérgio Moro no Senado, uma cena impensável até bem pouco tempo. Qual é, afinal, a solidez dessa articulação que propiciou o golpe?

Franklin Martins: O golpe, como eu disse anteriormente, foi um negócio de ocasião articulado por diferentes atores e setores que não têm uma unidade e carecem de qualquer legitimidade. O que temos visto nos últimos dias é o governo Temer virando um mingau. Esse governo não tem qualquer possibilidade de comandar o país . É uma aberração. Gilmar Mendes e Sérgio Moro estão juntos na Lava Jato, mas o Moro acha que é preciso acabar com o Estado de Direito. Já o Gilmar Mendes não quer que o Estado de Direito acabe para a turma dele. Enquanto for só para o PT, Gilmar Mendes topa, mas ele sabe que isso pode pegar o PMDB, o PSDB, o PP, o DEM e assim por diante. Isso mostra que eles não têm unidade para ir muito a frente. Acho que o plano A deles é manter o Temer, pois é sempre ruim fazer uma substituição destas, mas o Temer pode não se agüentar também. Mas quem vier depois dele também não vai agüentar, pois a política de regressão que eles estão impondo ao país é um desastre completo que está liquidando a economia brasileira.

Sul21Você falou que a ameaça nem é mais de uma nova recessão, mas sim de uma depressão…

"A reação ao golpe não teve a energia suficiente para detê-lo por causa dos nossos erros". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

"A reação ao golpe não teve a energia suficiente para detê-lo por causa dos nossos erros". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Franklin Martins: Nós já estamos vivendo uma depressão. A economia caiu cerca de 5% nos últimos dois anos. E não há nenhuma perspectiva de melhora. Para o ano que vem, as estimativas falam de -1%. O clima que está se alastrando no país é muito negativo. Eles não vão obter legitimidade da política. Não vejo eles construindo legitimidade pela expansão econômica, reativação da economia. Tampouco vejo eles fazendo isso por meio de um desarmamento social. Pelo contrário. Nós estamos caminhando para uma convulsão social no país. E quem paga o preço quando ocorre uma convulsão social é o povo, que perde direitos, perde possibilidades, oportunidades e que é sempre reprimido. Então, nós estamos vivendo uma situação dramática por absoluta irresponsabilidade das forças conservadoras no Brasil que, diante de uma construção histórica de expectativas de mudanças, viu uma oportunidade, potencializada pelos nossos erros, derrubou o governo eleito e agora não tem condições de estabilizar esse processo, pois não tem legitimidade política, econômica nem social.

Sul21Na sua opinião, a experiência do que foi conquistado nos últimos anos é o maior capital que a esquerda e as forças progressistas têm para tentar enfrentar a agenda golpista. Até aqui pelo menos, essa experiência não foi suficiente para deter essa agenda. Em que medida essa experiência pode ser um antídoto para essa ameaça de convulsão social que enxerga no horizonte ou para a emergência de coisas mais regressivas ainda como as propostas defendidas pelo deputado Bolsonaro?

Franklin Martins: Em primeiro lugar, creio que é preciso entender que a reação ao golpe não teve a energia suficiente para detê-lo por causa dos nossos erros. O primeiro erro, que já referi, foi o debate político absolutamente insuficiente. As forças políticas do nosso lado ficaram paradas vendo o outro falar e fazer o que bem quis. Em segundo lugar, ao não ter enfrentado a questão do oligopólio da mídia, deixou só o lado de lá com instrumentos para falar com o amplo conjunto da população, tirando algumas situações excepcionais como a campanha eleitoral de 2014. Quando houve uma janela de igualdade de espaço no período eleitoral, foi possível reverter, mas é evidente que isso é absolutamente insuficiente para dirigir o país.

Precisamos considerar ainda o nosso sistema político que foi se montando de modo que, quem ganha a eleição majoritária, não consegue ter maioria no parlamento, sendo obrigado a negociar no varejo. O presidencialismo de coalizão é, na verdade, um nome pomposo e acadêmico para negociação permanente de varejo. Isso já está acontecendo também no governo Temer. Mas cometemos alguns outros erros importantes. Penso que, ao ser reeleita, a presidenta Dilma não percebe a gravidade da situação que estava se configurando e adotou medidas que foram vistas pela população como a adoção de parte do programa que ela tinha criticado ou, pelo menos, como o reconhecimento que a crise tinha uma gravidade que ela não tinha admitido na campanha. Acho que ela não conseguiu dialogar de modo adequado sobre esse tema com a população. Isso gerou uma perplexidade justamente em quem tinha dado a vitória para ela. Houve um sentimento de estelionato eleitoral, que é fortíssimo e quando aparece é devastador. Acho que isso paralisou o lado de cá e fez com que o lado de lá olhasse e percebesse a abertura de uma oportunidade.

"As pessoas começam a perceber o que está acontecendo: fim das políticas sociais, precarização das relações de trabalho e de direitos...". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

"As pessoas começam a perceber o que está acontecendo: fim das políticas sociais, precarização das relações de trabalho e de direitos…". (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Por outro lado, penso que a experiência das pessoas já está reintroduzindo a questão de fundo que é deter o retrocesso. As pessoas começam a perceber o que está acontecendo: fim das políticas sociais, precarização das relações de trabalho, perspectiva de aumento do tempo para aposentadoria, entre outras coisas. Ao verem isso, percebem que o retrocesso não é algo que só aparece no discurso. As pessoas também estão percebendo que a crise econômica não é uma herança maldita do governo da Dilma, mas sim que está sendo produzida por essa política regressiva do governo Temer. A própria questão da corrupção, que foi levantado como algo que era praticado apenas por forças ligadas ao PT, começa a ser percebida como um problema generalizado de um sistema promíscuo.

Quanto à possibilidade de um Bolsonaro da vida ser visto como uma solução, eu não vejo muitas chances disso acontecer. Olho para a frente e pergunto: que nomes eles têm para 2018, se é que eles virão para a disputa? Aécio? Não vai a lugar nenhum. Serra? Também não vai a lugar nenhum. O próprio Alckmin, ao meu ver, não sai muito de São Paulo. O Moro não segura três meses de campanha. É de uma mediocridade total. Na verdade, eles não têm um nome e, isso se deve ao fato de que eles não têm um projeto para o país. Neste processo do golpe, eles destruíram a política e inclusive os nomes deles. Quem são as grandes referências que ainda estão aí? Há o Lula que, ao meu ver, crescerá cada vez mais. Além dele, há a Marina, em decadência, que pode crescer no discurso da não política. Tem o Ciro que pode crescer e o Bolsonaro, que pode crescer, mas não ao ponto de ganhar uma eleição. Mas eles irão para uma eleição sabendo que perderão? Acho que, de moto próprio, não irão. Nós teremos força para impor a realização de eleições?

Estamos vivendo uma situação muito complexa porque não há uma hegemonia clara na sociedade. A que existia, no projeto anterior, foi seriamente atingida. Eles construíram algo com valores que não são permanentes e são insuficientes para sustentar um projeto de longo prazo. O resultado é que eles não tem respostas para os problemas da sociedade. Creio que, no médio prazo, as pessoas vão querer defender aquilo que tiveram, se o nosso lado tiver liderança e projetos que sejam capazes de fazer esse debate na sociedade. Acho que o Lula vem desempenhando um papel muito positivo nos últimos meses, mas temos um longo e difícil caminho pela frente.


5.12.16

Hoje às 22h , a TVT estreia o programa CRÔNICA DE AMÉRICA!

Hoje às 22h , a TVT estreia o programa CRÔNICA DE AMÉRICA!!!

Programa semanal de 1 hora conduzido de um estúdio pelo jornalista Victor Hugo Morales, jornalista uruguaio residente na Argentina, sobre o panorama político, social, cultural e econômico da América Latina a partir de fatos da semana ocorridos em diferentes países da região analisando-os como parte de um processo coletivo com avanços e retrocessos. O programa terá ainda, matérias, entrevistas, discussões e uma agenda com fóruns e encontros relevantes em nível político e cultural latino-americano.


Crônicas de América:
Inédito: Segundas : 22h
Reprises: Terças : 4h30 e Domingos: 23h


Como assistir a TVT:
- Canal 8.1 – UHF digital (São Paulo e Grande São Paulo)
- Canal 12 NET – (ABC)
www.tvt.org.br


Estréia na TVT: Programa Crônica de América

https://www.youtube.com/watch?v=2NKaomq0uk8


Tem novidade aqui na TVT. Estreia na segunda-feira, às dez da noite, o programa Crônica de América. É um programa semanal, de uma hora, com reportagens, entrevistas e debates, conduzido por Victor Hugo Morales, jornalista uruguaio que vive na Argentina. O "Crônica de América" vai abordar o panorama político, social, cultural e econômico da América Latina, a partir de fatos da semana, em diferentes países da região. As reportagens sobre o Brasil serão produzidas pelo nossa equipe, aqui da TVT.

Leia mais:

http://www.tvt.org.br/estreia-na-tvt-programa-cronica-de-america/


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Uso de glifosato pode causar riscos à saúde, indica parecer técnico de pesquisadores da UFSC

Uso de glifosato pode causar riscos à saúde, indica parecer técnico de pesquisadores da UFSC


Agrotóxico mais vendido no Brasil, o glifosato pode estar relacionado ao aparecimento de doenças como câncer, depressão, Alzheimer, diabetes, autismo e mal de Parkinson, conforme o parecer técnico N. 01/2015, produzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O herbicida e outros cinco ingredientes estão na lista de agrotóxicos que devem passar por reavaliação toxicológica até setembro,conforme determinado pela Justiça Federal no dia 25 de junho deste ano. Atualmente, o princípio ativo é considerado pouco perigoso aos humanos e ao meio ambiente, segundo classificação dos órgãos reguladores nacionais – Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A reportagem é de Luan Martendal, publicada pela UFSC e reproduzida no portal EcoDebate,  29-07-2015.

 

A análise técnica acerca dos riscos associados ao herbicida foi desenvolvida por Sonia Corina Hess, professora de Engenharia Florestal e Agronomia do campus Curitibanos, e Rubens Onofre Nodari, professor de Agronomia e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais da UFSC, em Florianópolis. A revisão bibliográfica ocorreu durante dois meses e levou em consideração pesquisas nacionais e internacionais publicadas nos últimos seis anos. O parecer foi divulgado no dia 23 de maio e enviado ao Ministério Público Federal(MPF) com o objetivo de reafirmar a necessidade de uma reavaliação imediata dos registros de produtos à base de glifosato.

Segundo o documento, dados do Ibama mostram que há sete anos o Brasil lidera o mercado de agrotóxicos do mundo e, em 2012, foi responsável por 19% das vendas mundiais desses produtos. A comercialização dos ingredientes ativos no país atingiu a marca de 495.764,55 toneladas em 2013, conforme o último Boletim Anual sobre Produção, Importação, Exportação e Vendas de Produtos Agrotóxicos do Ibama. O relatório, atualizado em setembro de 2014, apontou ainda que o glifosato e seus sais lideram o ranking de princípios ativos mais vendidos no país, com 185.956,13 toneladas.

glifosato é utilizado sobretudo na agricultura para matar plantas denominadas de invasoras de culturas de transgênicos [organismos vivos geneticamente modificados, principalmente, para apresentar resistência às pragas ou resistir a aplicação de herbicidas], além de ser usado como dessecante [produto capaz de agilizar a secagem da planta] para facilitar a colheita de grãos como soja e trigo. Para Sonia Hess, a classificação toxicológica feita pelos órgãos reguladores nacionais considera os efeitos agudos e não os efeitos crônicos do herbicida, podendo prejudicar a identificação de alterações causadas ao meio ambiente e aos humanos.

"Em uma escala que varia de 1 (extremamente tóxico) a 4 (pouco tóxico), ele é 'classe 4' pela legislação atual e, até então, não se sabia muito sobre os efeitos do glifosato. As publicações são recentes e a partir de 2009 começaram a aparecer os primeiros estudos mostrando seus efeitos tóxicos e demonstrando que ele é extremamente perigoso à saúde", explica a pesquisadora.

De acordo com a parecerista, o objetivo do trabalho é alertar as pessoas em relação ao uso incorreto do glifosato e demonstrar com clareza e acuidade científica os riscos do herbicida. "O seu banimento, em função dos efeitos tóxicos, tem sido descrito em vários artigos científicos. Mal de Alzheimer, depressão, câncer, infertilidade, problemas de má formação em crianças, até autismo e neurotoxidade, eram todos aspectos que não se conheciam e que agora estão sendo demonstrados. Muitos dos problemas que o glifosato causa são por que ele interfere na atividade das bactérias que ajudam o nosso corpo, ele mata as bactérias", completa.

Contaminação

O parecer técnico aponta que a quantidade necessária para causar efeitos na saúde é muito baixa. Os pesquisadores demonstram que quando aplicado nas lavouras e utilizado como dessecante, o princípio ativo contamina a planta e consequentemente os alimentos, que podem apresentar teores variados de glifosato. "As concentrações que a literatura descreve são muito baixas e têm efeito biológico intenso. Isso é grave já que no momento que se trata trigo, milho, soja, com esse dessecante, o alimento é contaminado e não existe uma forma de limpar e retirar o produto. Até os animais, que servem de alimento para o ser humano, estão sendo contaminados", explica Sonia.

Ela destaca que o ingrediente ativo também pode causar danos ao solo e à água. "A produtividade agrícola está sendo ameaçada. Ele afeta o ecossistema agrícola de forma muitas vezes até irreversível, pois o solo é um material vivo e o glifosato mata todas essas bactérias, prejudicando sua fertilidade. Muitas cidades também já estão apresentando análise de água contendo resíduos do herbicida", conclui.

No dia 20 de março, em Lyon, na França, o glifosato foi inserido na lista de prováveis cancerígenos para os seres humanos pela International Agency for Research on Cancer (IARC), ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS), na categoria 2A. A classificação feita por 17 especialistas de 11 países é a mesma utilizada para esteróides anabolizantes, por exemplo. A divulgação também reforça o debate em torno da reavaliação da toxidade do glifosato pela Anvisa, o Ibama e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Mortes comprovadas

Uma petição do MPF enviada à Justiça há três meses confirma dezenas de mortes provocadas pelos componentes dos produtos usados na agricultura brasileira, incluindo o glifosato. No documento, o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes cita relatórios dos Centros de Informações e Assistência Toxicológica do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os três estados contabilizaram 88 mortes, entre 2009 e 2013, por "exposição aguda aos ingredientes dos agrotóxicos". O mesmo requerimento indica que seja concluída com urgência a reavaliação toxicológica do glifosato e recomenda o banimento do herbicida no mercado nacional.

O procurador aponta ainda as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e da OMS de que o câncer será a principal causa de óbitos no Brasil nos próximos cinco anos, parte deles em decorrência do aumento no uso de agrotóxicos.

A petição indica também que o MPF apresentou pedido aos 34 Centros de Informações e Assistência Toxicológica do país para que informem registros de eventuais intoxicações ocorridas, em 2014, que possam estar relacionadas à exposição a agrotóxicos que contenham os ingredientes ativos mencionados em ações movidas pelo órgão.


"Os Biomas Brasileiros e a Teia da Vida. 14ª Páscoa IHU"

Anualmente o Instituto Humanitas Unisinos - IHU propõe por ocasião do período da Páscoa uma programação de atividades acadêmicas que envolve diálogos e debates sobre temas relevantes da atualidade. Já em sua 14ª edição, em 2017 essa programação terá como fio condutor o tema "Biomas Brasileiros: A Teia da Vida", tendo em vista estudar transdisciplinarmente os biomas brasileiros, considerando suas características, demandas e desafios atuais de proteção da sua megabiodiversidade, suas inter-relações, potencialidades, situações de riscos e sua importância para a vida no Planeta. Objetivo Geral – Analisar transdisciplinarmente os biomas brasileiros, considerando suas características, inter-relações, potencialidades, situações de riscos e sua importância para a vida no Planeta. 


Já estão abertas as inscrições para o ciclo "Os Biomas Brasileiros e a Teia da Vida. 14ª Páscoa IHU", onde serão analisados transdisciplinarmente os biomas brasileiros, considerando suas características, inter-relações, potencialidades, situações de riscos e sua importância para a vida no Planeta.

Confira alguns dos conferencistas confirmados:

– Demétrio de Freitas Xavier – Locutor da FM Cultura e apresentador da TVE Piratini, Porto Alegre/RS
– Prof. Dr. Pierre Girard – Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT
– Cláudio Ângelo – Observatório do Clima
– Prof. Dr. Altair Sales Barbosa – Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC Goiás
– MS Rodrigo Castro – Aliança da Caatinga e a Associação Caatinga
– Prof. Dr. José Roque Junges – Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS



2.12.16

Gilmar Mendes se contrapõe a Moro em abuso de autoridade

Gilmar trucida Moro

E esculhamba divulgação de conversa da Dilma
publicado 01/12/2016
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Do PiG Cheiroso:

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta quinta-feira o projeto de lei que define os crimes de abuso de autoridade e defendeu a derrubada, pela Câmara dos Deputados, de diversos tópicos das chamadas "10 Medidas de Combate à Corrupção", projeto de iniciativa popular apresentada ao Congresso Nacional pelo Ministério Público. Ele se contrapôs, assim, ao juiz Sérgio Moro e aos procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato, que criticaram duramente os deputados após a aprovação do pacote, que eles dizem ter sido desfigurado.

Mendes participa, ao lado de Moro, de uma sessão temática no Senado para debater o projeto de lei de abuso de autoridade, a convite do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Momentos antes de Gilmar iniciar sua fala, Moro disse que não achava que este era o momento apropriado para debater a proposta, em meio às investigações da Operação Lava-Jato, que têm como alvo diversos políticos de quase todos os grandes partidos.

"Há bases hoje muito fortes que legitimam essa iniciativa [lei de abuso de autoridade]", disse Mendes. "O propósito não é criminalizar a atividade do juiz, do promotor, do integrante de CPI no âmbito do Congresso, embora nós saibamos que isso ocorre."

Ao lado de Moro, frequentemente questionado pelos métodos que utiliza na Operação Lava-Jato, o ministro reiterou a afirmação feita momentos antes por Renan de que não se deve cometer abusos para combater o crime.

"Eu gostaria também de dizer que, com a experiência já de anos que nós temos nessas questões, nesses debates, que nós agentes públicos, agentes políticos do judiciário, não devemos ceder à tentação de procedermos o combate ao crime mediante qualquer prática abusiva", afirmou o ministro.

Mendes citou um texto do filósofo político italiano Norberto Bobbio (1909-2004), para dizer que "não fossem aprovadas leis excepcionais para o combate ao terrorismo, pois isso é um valor do Estado de direito".

"Por isso, também não compartilho da ideia de que este não é o momento azado [oportuno] para aprovar a lei. Qual seria o momento azado? Qual seria o momento adequado para discutir esse tema, de um projeto que já tramita no Congresso há mais de sete anos? Como se fazer esse tipo de escolha do momento?", disse. " Acho inclusive, juiz Sérgio Moro, com toda a honestidade intelectual, [...] que a Lava-Jato não precisa de licença especial para fazer as suas investigações. Os instrumentos que aí estão são mais do que suficientes, como qualquer outra operação."

O ministro do STF prosseguiu dizendo achar adequado "que se discuta esse projeto com toda a abertura mental, com toda a abertura de espírito, e que se discuta neste momento". "Até porque operações vão continuar ocorrendo. Teríamos que, daqui a pouco, então, buscar um ano sabático das operações para o Congresso deliberar sobre um tema como esse? Não faz sentido algum. Todos nós devemos ter a consciência de que devemos atuar dentro dos parâmetros estabelecidos." "Quanto mais operações nós tivermos, mais nós necessitamos de limites", afirmou.

Vazamentos telefônicos

Mendes criticou duramente a divulgação de gravações telefônicas na TV, expediente utilizado diversas vezes ao longo da Operação Lava-Jato, quando até telefonema com conversa entre os ex-presidentes petistas Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva foi veiculado na televisão.

Ele descreveu uma conversa com um colega português que dizia achar "engraçado" que os brasileiros divulguem as conversas na televisão. "Eu disse: 'na nossa ordem jurídica não permite, mas a gente se acostumou a essa violação'. Ele não sabia, ele achava que a nossa Constituição e as leis autorizavam esse tipo de vazamento, tantas vezes ele passando pelo Brasil havia visto isso na Rede Globo", afirmou. "É preciso que haja limites para isso, de forma inequívoca. É preciso que a gente chame as coisas pelo nome."

Dez medidas "autoritárias"

O ministro do Supremo também defendeu algumas modificações impostas pela Câmara às "10 Medidas de Combate à Corrupção", na contramão das críticas de diversos setores da opinião pública e dos procuradores que ameaçaram abandonar a Lava-Jato caso o projeto fosse sancionado pelo presidente da República.

Além das restrições ao habeas corpus, Mendes criticou outras medidas derrubadas pela Câmara e que constavam no projeto apresentado pelo Ministério Público, entre elas a convalidação de provas ilícitas obtidas "de boa fé" e o teste de integridade.

Para Mendes, "as propostas populares também têm que ser escrutinadas". "Neste ponto, não tenho a menor dúvida. A Câmara andou bem em rejeitar isso, como andou bem em rejeitar a ideia do aproveitamento de prova ilícita, como também aquela coisa do teste de integridade, a tal 'pegadinha' que se concebeu, de feição claramente autoritária."

Assista: 

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/gilmar-trucida-moro

https://www.youtube.com/watch?v=KGKTS6X2LXM 



1.12.16

Subprocurador Eugênio Aragão fala sobre a Lava Jato

Subprocurador Eugênio Aragão fala sobre a Lava Jato

Eugênio Aragão, subprocurador-geral da República fala sobre a atuação do Ministério Público e do Judiciário na operação Lava Jato. Aragão critica o vazamento de informações sigilosas da investigação e o clima de divisão política que contaminou as instituições. O subprocurador também avalia o instrumento da delação premiada e como a corrupção afeta o sistema política.


Assembleia de Minas Gerais - Publicado em 23/06/2016.

Por que nos tornaram o país da estupidez? Por Eugênio Aragão

Por que nos tornaram o país da estupidez? 

Por Eugênio Aragão



Do blog do Marcelo Auler, o artigo do Subprocurador-geral da República Eugenio Aragão, ex-ministro da Justiça:

Já o dizia meu saudoso pai: os ignorantes usam o punho, enquanto os inteligentes usam a cabeça. Em outras palavras, o punho do ignorante entra em cena, quando seus paupérrimos argumentos se esgotam.

A batalha campal ocorrida terça-feira (29/11) em Brasília é um evidente sinal do desgoverno que tomou conta do Brasil depois do golpe parlamentar.

Um grupinho se incrustou nos palácios e ministérios da capital, sem capacidade de diálogo e de minimamente convencer a sociedade atônita sobre seus propósitos. Prefere mandar a "puliça" atacar indefesos manifestantes a se dar ao esforço da argumentação. Até porque argumentos não há que sustentem a degradação do Brasil a uma republiqueta de atores políticos vaidosos, ambiciosos e gananciosos.

Não há mais projeto nacional, não há metas nem de curto, nem de médio e nem de longo prazo. A economia está à deriva, por se interessarem seus gerentes públicos apenas por satisfazer as pretensões egoístas de rentistas e especuladores.

Ontem um amigo empresário do Norte me disse que a exportação de gado brasileiro caiu 90% e o setor está em polvorosa.

Com certeza não é um problema de falta de demanda externa, mas sim da mais tosca incompetência do desgoverno, incapaz de abrir novos mercados e de manter os já consolidados.

A comissão de comércio exterior da Federação Russa, por exemplo, insistiu em vão em se reunir com os técnicos do Sr. José Serra e não recebeu nenhuma confirmação sobre data que estava ficada, desde tempos, para dezembro. A reunião, parece, ficou para depois do carnaval.

A Embraer atravessa séria crise, de modo a demitir centenas de seus empregados especializados. Os estaleiros construídos para atender às demandas de equipamentos naval para exploração do pré-sal estão estagnados. Milhares de empregos foram riscados do mapa. O governo resolveu desistir do conteúdo nacional no setor.

O Almirante Othon, pai da energia nuclear brasileira foi colocado atras das grades, condenado a 43 anos de reclusão, mais do que a Sra. Susanne Richthofen, que fez matar pai e mãe.

E, no entanto, pouco interessou aos ávidos acusadores que a administração de meios nessa área estrategicamente sensível não se pode fazer por rotinas comuns, transparentes. Afinal, certos insumos para o programa não se adquirem pela internet pagando com Pay-Pal. Mas isso é muito complexo para procuradores ameganhados.

Ao mesmo tempo, assistimos um assombrador crescimento de grupos fascistas na sociedade. Pessoas embrutecidas pelo vício de uma linguagem violenta nas redes sociais se distraem colocando para fora seu ódio contra as forças democráticas. Sua presença, ontem, no banzé organizado pela "puliça" na esplanada dos ministérios, mostra sua disposição de jogar o país no caos. O "quanto pior melhor" só os aproveita. E quem apanha é a multidão pacífica que teve seu ato infestado por atos de provocação dos brucutus bolsonaristas.

Enquanto isso o Judiciário e o ministério público estão mais preocupados com seus umbigos, temerosos de qualquer iniciativa legislativa que os venha chamar à responsabilidade.

Não se vê ação contra esse massacre aos direitos individuais e coletivos, mas somente a cantilena do "combate" à corrupção, do julgamento falso-moralista da classe política, como se o Brasil só agora tivesse despertado para as mazelas do financiamento eleitoral e partidário.

Juízes, nestes tristes tempos, falam pelo cotovelo. Emitem juízos antecipados sobre processos em curso e até se sugerem a deputados e senadores como seus conselheiros… impressionante a ousadia da burocracia sobre a democracia. O poder que emana do povo já lhes deixou de ser sagrado há muito.

Não há luz no fim do túnel. A única saída desse estado desesperador é a organização da sociedade civil, para que tome em suas mãos a defesa da Constituição-Cidadã e exija a mudança urgente do desgoverno por um governo legítimo saído das urnas.

Essa demanda urgente não pode ser desvirtuada com a de setores pouco afeitos à democracia que namoram numa eleição indireta em 2017. Tratar-se-ia de mais um golpe dentro do golpe, para manter a sociedade longe do comando sobre seu destino.

Também não podemos contar com um proativo Supremo Tribunal Federal que venha a reinstituir a presidenta destituída à traição, pois essa corte mais está preocupada com sua própria imagem na mídia conservadora que ajudou a tramar o golpe contra a constituição.

Tenhamos, pois, esses dois objetivos claros em mente: a defesa da carta maior gestada numa constituinte eleita e a realização já de eleições para presidente. É o único meio de o Brasil sair do lamaçal em que os golpistas o jogaram.

E quanto aos inimigos da democracia, terão que pagar por seus atos covardes perante a História, que saberá avaliar a gravidade da conspiração por eles praticada contra o País.




"É assim que a elite brasileira se comporta em muitos momentos."


A declaração de Fernando Carvalho, do Inter, revela a moral da elite nacional

O presidente do Sport Clube Internacional, Fernando Carvalho, era até outro dia tido como um desses gênios da cartolagem. Era incensado pela mídia porque a despeito de ser advogado foi também por muito tempo comentarista esportivo.

Sua fama também tinha relação com o fato de que foi na sua primeira gestão à frente do clube que o Inter conquistou o mundial, em 2006.

fernandocarvalho

Agora, Carvalho se vê numa situação inversa. Pode se tornar o comandante do clube, como vice de futebol, a levá-lo à segunda divisão.
E eis que surge o homem por detrás da cartola:

"Temos nossa tragédia particular, que é fugir do rebaixamento. Esse adiamento da rodada será prejudicial."

(...)

"Não é hora de reclamar, mas esse adiamento certamente criará embaraços que lá na frente teremos de comentar."

A outra tragédia a que Carvalho se refere era a morte de praticamente todo o time do Chapecoense, da comissão técnica, de parte dos seus dirigentes, de mais 20 jornalistas que estavam no avião, além da tripulação.

Não é necessário desenhar nem para Carvalho a imensa podridão de caráter que exala de sua fala.

Mas isso não deve ser tratado apenas como um deslize. É assim que a elite brasileira se comporta em muitos momentos.

Dane-se se milhões vão morrer de fome, se há tragédias que se relacionam, inclusive, com as opções que toma. Nossa elite não está preocupada com isso. Ela só se preocupada com seus pequenos caprichos.

Se vai morrer mais gente atropelada nas marginas, dane-se. Ela quer acelerar seu carro a 100 km por hora lá.

Se sem o Bolsa Família uma geração pode ser condenada a fome, dane-se. Ela acha que pobre se acomoda ao receber qualquer coisa do Estado.

Se impedir os médicos cubanos de atuarem no Brasil vai deixar muitas cidades com suas áreas de saúde completamente abandonadas, dane-se. Para ela o mais importante é que seja respeitado o seu preconceito.

E assim por diante.

A verdade é que Fernando Carvalho fez aquilo que boa parte da elite nacional faz o tempo todo.

Em homenagem ao Fernando Carvalho e a sua ignorância, dedico o vídeo a seguir do jogo entre Chapecoense x Inter em 2014.

E ao mesmo tempo publico tweet de uma das torcidas do Inter.

Os colorados não têm nada a ver com o seu dirigente e em hipótese alguma quero que se confunda minha crítica ao imbecil que comanda o clube com a sua imensa torcida.

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2016/11/30/a-declaracao-de-fernando-carvalho-do-inter-revela-a-moral-da-elite-nacional/





Cancion con todos

Salgo a caminar
Por la cintura cosmica del sur
Piso en la region
Mas vegetal del viento y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de america en mi piel
Y anda en mi sangre un rio
Que libera en mi voz su caudal.

Sol de alto peru
Rostro bolivia estaño y soledad
Un verde brasil
Besa mi chile cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña america y total
Pura raiz de un grito
Destinado a crecer y a estallar.

Todas las voces todas
Todas las manos todas
Toda la sangre puede
Ser cancion en el viento
Canta conmigo canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz